Maria Frô

ativismo é por aqui

Maria Frô header image 2

Jô Soares e suas bizarrices

outubro 23rd, 2007 by mariafro

Faz tempo, muito tempo que não vejo o Jô, pois tenho tanto o que fazer da vida que não posso perder meu sono e paciência vendo um show de bobagens, que com raríssimas exceções, passam por aquele programa sem eira nem beira.

Mas eis que minha amiga Érica manda-me um link do programa do dia 18/06.

Juro a vocês, assim que ouvi a primeira frase proferida pelo entrevistado (português instrutor de vôo e taxista que lançava um livro bizarro)achei que estava enlouquecendo.

Incrédula ouvia barbáries saindo da boca do entrevistado do tipo ‘negros são pedófilos’; ‘mulheres africanas são lascivas’ e vai por aí afora e, igualmente, incrédula ouvia as piadas sexistas medonhas do entrevistador, incensando o entrevistado.

Para quem não viu, veja para denunciar no Ministério Público e também na Comissão de ética na TV e igualmente no Conad.

Os nossos preconceitos tão arraigados só tendem a piorar se a tv for reduzida à mídia para espalhar tantas mentiras, preconceitos étnico-raciais e de gênero.

o vídeo bizarro

Para fazer a denúncia no Ministério Público

Para fazer a denúncia na comissão de Ética na TV

Escreva também para a Conad – Comissão do Negro e de Assuntos Antidiscriminatórios: Conad@oabsp.org.br

Para assinar a petição online reproduzida a seguir:
Abaixo-assinado em protesto à entrevista racista exibida na Rede Globo – Brasil

To: Às autoridades brasileiras: Ilmo Sr. Ministro da Justiça, Tarso Genro; Ilma Sra. Secretária Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, Matilde Ribeiro; Ilma Sra. Secretária Especial de Políticas para Mulheres, Nilcéia Freire; Ilmo Sr. Procuradador da República

Nós, os abaixo-assinados, repudiamos o conteúdo exibido na programação da Rede Globo de Televisão, no dia 18 de Outubro de 2007, durante o “Programa do Jô”, pedimos uma retratação deste veículo de comunicação pela violência simbólica perpetrada nas afirmações do programa e requeremos do Estado brasileiro a apuração da responsabilidade pelas ofensas reproduzidas.

Nesse dia, no programa desse conhecido artista brasileiro foi entrevistado o senhor Ruy Morais e Castro. A entrevista realizada com humor expressou frases racistas metamorforseadas em piadas inocentes que eram abonadas pelos sorrisos e aplausos da platéia, como pode ser conferido no endereço eletrônico: http://www.youtube.com/watch?v=ySWZXekdBkw

Durante a reprodução do referido programa, o entrevistado, incitado pelo apresentador, deteve-se em apresentar detalhes do que denominaram “vida sexual angolana”. No relato que faz, vê-se a consagração da idéia de que África e os africanos representam uma civilização homogênea caracterizada pela inferioridade cultural e biológica, legitimando a mentalidade racista sustentada no argumento de que o continente africano, os países africanos, os povos africanos, em particular, a mulher africana são inferiores e que esta inferioridade pode ser comprovada por sua sexualidade animalesca.

O constrangimento latente em cada uma das declarações exige uma ação estatal imediata. Não se pode esquecer que o Estado brasileiro assume publicamente o compromisso de promover e defender os direitos humanos do que é prova todas as convenções internacionais de que faz parte. Desde 1994, o Estado brasileiro como signatário da Convenção Interamericana para Prevenir, Punir e Erradicar a Violência contra a Mulher, conhecida como “Convenção de Belém do Pará” sabe que é função do Estado “incentivar os meios de comunicação a que formulem diretrizes adequadas de divulgação, que contribuam para a erradicação da violência contra a mulher em todas as suas formas e enalteçam o respeito pela dignidade da mulher”. Sabe também, enquanto signatário da Convenção Internacional sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação Racial (1968) , que “a doutrina da superioridade baseada em diferenças raciais é cientificamente falsa, moralmente condenável, socialmente injusta e perigosa, e que não existe justificação para a discriminação racial, em teoria ou na prática, em lugar algum”. E ratifica, de acordo com o caput da Convenção Sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação Contra a Mulher , que é considerada violência psicológica e moral toda forma de constrangimento e ridicularização dirigido a alguém devido ao seu credo religioso, raça, gênero ou origem nacional.

A entrevista exibida caminha na direção contrária da luta que, em diversos contextos e em distintas partes do mundo, povos de diferentes nacionalidades empreendem contra todos os tipos de opressão. Umas das questões a ser refletida na nossa sociedade global seria a seguinte: como os estereótipos racistas são reinventados em pleno século XXI? (Memmi, 1989/[1957]: 21, Babha, 2005: 105 – 128, Pinto, 1998: 168 – 210)

O senhor Jô Soares e o Senhor Ruy Morais e Castro nos fornecem uma resposta como hipótese: os estereótipos racistas seriam reinventados pela mídia ao veicular atrações racistas como esta, do Programa do Jô. É óbvio que existem outras maneiras de se reinventar o racismo e/ou construir o racismo na sociedade contemporânea, contudo, o desserviço que o poder da mídia pode prestar é um fator considerável dado o seu papel de formadora de opinião. No caso em questão, o fato de a entrevista ter sido televisionada e o seu meio de difusão ter sido a Rede Globo, que detém há anos a maior audiência televisiva do Brasil e ampla exibição internacional, aumenta drasticamente as consequências lesivas das afirmações feitas e a necessidade de ação contra elas.

O programa acima mencionado viola os direitos fundamentais expressos na Constituição Federal de 1988, as Convenções Internacionais de que o país é atualmente signatário e constrange toda a sociedade, como se não bastasse legitimar o ideário racista também acaba por propalar uma potente forma de apologia ao sexismo, à xenofobia e à pedofilia.

Ridicularizando a diversidade cultural, uma das formas mais vis de que a cultura ocidental pode lançar mão para demonstrar sua suposta superioridade, as declarações feitas na entrevista erigem o androcentrismo como único ponto de vista, apresentando a raça negra como expressão do primitivo, do irracional e as mulheres negras como objetos meramente sexuais, onde o único comportamento “esperado”, independentemente de sua idade, é a promiscuidade e a subordinação de sua sexualidade ao desejo do homem.

Assim, e por considerarmos temerária esta forma ideológica de propagação do racismo, do sexismo, da xenofobia e da pedofilia é que propomos esse abaixo-assinado, exigindo a apuração de responsabilidades e a pronta retratação da Rede Globo de Televisão em um pedido de desculpas público, com ampla divulgação, pelos constrangim
entos a que submeteu às comunidades africanas e angolanas, às mulheres de forma geral, às mulheres negras de forma específica e à sociedade brasileira.

Sincerely,
*********************

E para não acreditar nas sandices ditas pelo português e endossadas pelo irresponsável do Jô, ouçamos os angolanos:

Uma resposta às sandices veiculadas no programa do Jô em 18/06/2007
(ABDU FERRAZ*)

Louco é o Jô que foi dando corda ao outro louco. Como angolano cheguei a rir, ri muito, ri pela platéia tão burra e pelo apresentador repleto de ignorância; não poderia ser diferente: o racismo extrofia o cérebro.

O português que produziu tais bizarrices é como vários outros colonizadores ressentidos do processo de luta que nos têm libertado de sua típica estupidez, comprovada no programa. Infelizmente ele encontrou um terreno fértil a sua promoção, ao entrar em contato com um país tão racista quanto o Brasil, juntando-se a corja de racistas que o aplaudiam em sua desinteria verbal, fazendo do programa do Jô um espaço de extravagância colonial. Existe uma mentalidade colonial que ainda persiste em que se busca um significado para qualquer ação/produção de quem não é branco/europeu, como pensar que um penteado feito por uma negra não poderia ser a expressão da arte pela arte, mas sim a manifestação de sua sexualidade primitiva em que se coloca bosta de vaca ao cabelo ou, quando não, trata-se do culto a um Deus menos Deus.

A participação daquele senhor português não passou de um ato de charlatanismo, fazendo-se passar por alguém que nos conhece como angolanos; poderia até exigir que nos seja dado o direito de resposta, mas, que branco racista permite desconstruir aquilo que, ainda inventado, lhe é mais benéfico ao mito de que, nenhuma outra etnia tenha contribuído pelos confortos em que se vive hoje (entre outras coisas, sem a contribuição dos povos tidos indígenas, indígenas também fomos nós angolanos, nem mesmo as roupas que hoje nos vestimos sequer existiriam). Se aquele senhor soubesse que os negros da Jamaica muitos deles saíram do sul de Angola e do norte da Namíbia, teria compreendido as tranças do Bob Marley e as tranças das angolanas.

Quando ainda o mundo ocidental cobria suas mulheres as mumuilas haviam reinventado um novo olhar ao corpo feminino ( o que hoje o ocidente anda pedindo aos islâmicos para deixarem suas mulheres mais desnudas);

Quando o charlatão fala da circuncisão (quando criança, aos meus 8 anos fui circuncidado tradicionalmente, graças aquele ritual me fiz o homem que hoje sou), seu depoimento é de uma insanidade nunca antes vista.

Agora, entendo o porquê da nossa independência.

Ela teve razão de ser, jamais sob o jugo dos portugueses poderíamos existir como povos de uma cultura humana e extremamente nobre e que muito tenha contribuído para humanidade.
ABDU FERRAZ, empreendedor social, Fellwo da Ashoka, filosofo, poeta e escritor.Presidente da LAEA – Liga dos Amigos e Estudantes Africanos ( www.laea.org.br) e proprietário da MWYNY, Agência Internacional de Intercâmbio (www.mwyny.com)

**********************

Vi o video e fiquei indignada com tamanha ignorancia tanto do entrevistado como a do apresentador.

Na realidade aquele individuo quis aparecer e utilizou a forma mais baixa para o fazer.

Eu sou Angolana e conheço a realidade cultural do meu pais e daquela região em particular. Os penteados não têm nada a ver com a vida sexual delas e não há actos de pedofilia e muito menos sexo explicito, pois o respeito, os valores morais e as tradições imperam naquela região.

Não consegui entrar no site de denuncia mas vou continuar a tentar.

Gostaria também de saber se tem mais dados a respeito dessa denuncia, por ex. nº de pessoas de o fizeram.

Fico aguardando noticias suas e obrigada pela chamada de atenção.
(Margarida Almeida, escritora angolana)

********************
Meu Deus!!! Isto não faz qualquer sentido.
É uma ofensa ao povo de Angola!

Dizer que em Angola, os negros iniciam a sua vida sexual ao sete anos, é um insulto, uma mentira deslavada.
E a referência que esse sujeito faz sobre os penteados é dantesca, sinceramente, não faz qualquer sentido.
Não entendo como coisas do género são divulgadas, uma total irresponsabilidade, estou indignado!

(Raimundo Salvador, jornalista angolano).

***************

Para quem (preto ou branco) que não vê problema nas bizarrices do entrevistado e entrevistador travestidas de ‘aspectos culturais’ segue a fala de dois amigos baianos profundamente inteligentes:

Não sou psicologo (ainda), mas entendo que você parece querer ignorar sua condição de “negro” numa sociedade ainda muito racista, e pior, deformada por anos e anos de falta de educação e de auto-estima.

Quando as pessoas demonstram sua indignação de forma contundente e até mesmo agressiva diante das falsas informações que alimentam um imaginário negativo sobre o “negro”, a África e as manifestações culturais advindas deste continente, elas estão reagindo a um processo histórico de desumanização de tudo aquilo que não for “branco” e europeu.

Não é choradeira infundada ou complexo de perseguição.

Você realmente acha que em meio a séculos de constantes tentativas de retirar dos “negros” africanos o estatuto de humanidade, pode-se ficar impassível e não reagir com veemência e até agressividade a tantas ofensas? Você reivindica um magnanimidade moral para as pessoas “negras” que, com o devido respeito aos cristãos da comunidade, transcende até mesmo a de Jesus Cristo!

Esta na hora de pôr os pés no chão. O Brasil é uma nação destroçada e que ainda não se percebeu como tal. Em parte porque pessoas como você insistem em “dourar a pílula”, ignorando as seguidas afrontas e agressões que nosso povo, em especial os de pele preta, são submetidos todos os dias.

Me espanta que ainda não tenhamos conflitos mais sérios. Os elementos para que tal coisa aconteça já estão disponíveis e são jogados em nossas caras todos os dias quando nos defrontamos com declarações como a deste taxista, humilhando e deturpando povos de tradição milenar apenas por serem “negros”.


Jean Aeolos (estudante de jornalismo, Salvador, BA)

******************
Jô terá de desculpar-se e ser exemplarmente punido, na forma da lei.

De acordo com o pesquisador Cristiano de Airá, a ‘Pedagogia Racista do Riso’ tem produzido mais material bélico para o neo-racismo do que as teorias nazistas em si.

O jeito jocoso e perverso do narrador foi corroborado pelo apresentador, que não teve o cuidado em nenhum momento de verificar, tanto antes da entrevista se realizar quanto durante a mesma, ou depois (e se retratar) sobre a veracidade do que ali era afirmado, além de dar ênfase a narrativa com tiradas de altíssimo mau gosto.

r />

Evidentemente, que a platéia ao gargalhar apenas explicitou seu racismo ao não rechaçar com veemência os absurdos proferidos pelo senhor Ruy Morais.

A todas as pessoas que mostrei o tal vídeo, não só provocou espanto e estarrecimento frente ao que nele é dito, mas gerou também um desconforto e ficaram profundamente abismadas com o altíssimo grau de racismo presente nas observações do apresentador Jô Soares, bem como de sua platéia.

Foi ultrajante tudo aquilo ali, não só com o povo de Angola, mas com todos nós descendentes de angolanos, bem como com todas as Negras e Negros, afrodescendentes, aqui no Brasil e na Diáspora.

Sinceramente, diante desse absurdo o mínimo que se espera, nesse país da impunidade, da corrupção e do chamado racismo sutil, é que o Sr. José Eugênio Soares (nome de registro do comediante Jô Soares), bem como o sr. Ruy Moraes sejam exemplarmente punidos e que reconheçam publicamente a gravidade do que crime praticado.

(Guellwaar, poeta, músico e produtor cultural, Salvador, Ba)

****************
Antes tarde do que nunca!

Companheiras e Companheiros,

O Coletivo de Mulheres Negras do Rio de Janeiro nasce com esta missão: olhar para nós, envolta de nós e fora de nós.

Por este motivo, aguardamos durante todo este tempo a reação e a indignação de toda comunidade negra em atividade sobre este desprezível ataque às tradições de nossas irmãs e irmãos angolanos, veiculado pela TV Globo no programa do Jô Soares.

Respeito aos mais velhos e a nossa tradição pautam nossas ações político-sociais. Por representarmos os novos tempos através de uma nova articulação conclamos às instituições, ao movimento de Mulheres Negras, em particular, e aos ativistas, em geral, a cerrar fileiras com o Coletivo de Mulheres Negras do Rio de Janeiro , que entende a defesa da dignidade das mulheres negras do Brasil e do mundo enquanto compromisso …

Antes tarde do que nunca. Sempre!

Saudações Negras Feministas

Vilma Piedade

******************
Olá!
Uma boa notícia:

Logo abaixo, está o primeiro o ofício resposta que me foi enviado pela Procuradoria da República em São Paulo… trata-se de um “fio” de uma ação judicial que, espero, seja mesmo promovida e que diz respeito à entrevista sobre os “penteados angolanos” exibida no Programa do Jô em 18/06/2007.
Reitero o pedido a todos vcs: manifestem-se junto à Procuradoria da República, tal qual sugeri há poucos dias pois, como vêem, protocolos pela internet são válidos e surtem efeito. Quanto mais pessoas enviarem sua indignação, mais chances existem de que algo seja realmente feito!

Um abraço,
Érica

—– Original Message —–
From: Hermebert Hermes Siqueira de Souza
To: erica
Sent: Monday, October 22, 2007 3:14 PM
Subject: ofício resposta

Ofício nº PR/SP-DITC-002437/2007

São Paulo, 22 de outubro de 2007

Referência: Protocolo 1.34.001.006294/2007-14

Prezada Senhora,

De ordem do Coordenador da Tutela Coletiva, Dr. Alexandre Amaral Gavronski, comunico que a denúncia encaminhada por Vossa Senhoria a esta Procuradoria da República em São Paulo, através de e-mail (…), foi autuada como Peças Informativas nesta Divisão de Tutela Coletiva, sob o número acima indicado, as quais foram distribuídas ao 4° ofício – BANCA I em que atua a Dra. EUGÊNIA AUGUSTA GONZAGA FΑVERO

Solicito a gentileza de, nas próximas correspondências, mencionar o número em referência, a fim de facilitar a localização do procedimento respectivo.

Atenciosamente,

Eduardo Caldora Costa
Chefe da Divisão de Tutela Coletiva

À Senhora
Érica Antunes Pereira

****************
———- Forwarded message ———-
From: Vander Macedo Santos
Date: 26/10/2007 10:30
Subject: Re: Digi-Denúncia
To: Claudine Cruz

Prezada Senhora,

Informo que a mensagem eletrônica encaminhada por Vossa Senhoria a esta Procuradoria da República no Estado de São Paulo, através do Digi-Denúncia, sob o número DGD/SP-3088/2007, foi encaminhada ao 4º Ofício – Banca I, no qual atua a Dra. Eugênia Augusta Gonzaga Fávero, para análise sobre a necessidade de autuação ou determinada a juntada a procedimento que aparentemente trata do mesmo tema.

Atenciosamente,

Vander Macedo Santos
Técnico Administrativo – DITC

****************
Pesquisa da Érica para conhecer penteados das muílas
Autor Estermann, Carlos

Título Penteados, adornos e trabalhos das muílas

Imprenta Lisboa : Junta de Investigações do Ultramar, 1970

Descr Fís 57 p : 48 col. plates ; 25 cm

Nota “O presente trabalho assemelha-se em parte a um anterior, intitulado: Penteados do sudoeste de Angola.”

Nota Portuguese, English, French, and German
Mostra Assunto ANTROPOLOGIA CULT SOCIAL (AFRICA)
Mostra Assunto GRUPOS SOCIAIS

Localizar_Exemplares Acervo Exemplares na biblioteca MP
Localizar_Exemplares Acervo Exemplares na biblioteca FFLCH

Repercussões na Rede

Quarta-feira, 7 de Novembro de 2007


O RACISMO ENRUSTIDO DE JÔ SOARES

Artigo de Jornalista indignado com a entrevista racista que foi feita no programa do Jô Soares. O artigo foi retirado do site Direto da Redação.
No Aldeia griot foi feito uma postagem com o vídeo da entrevista no dia 31 de outubro. Para ir para a postagem
clique aqui.
Mais abaixo tem uma notícia retirado do
Blog
do Rovial
sobre um possível processo contra o progarama do Jô. Para ir para a notíca do processo clique aqui.

Publicada em: 31/10/2007
O RACISMO ENRUSTIDO DE JÔ SOARES

Berna (Suíça) – Vocês já devem ter visto em filmes ou, se não viram, já devem ter lido como os africanos eram tratados nos séculos ainda recentes do tráfico de escravos.


Nos mercados, equiparado a animal, o africano era exposto aos prováveis compradores praticamente nu, para se poderem ver seus músculos e aptidões para os trabalhos pesados. Nenhum respeito havia também com relação às escravas à venda, com seus seios e corpo mostrados sem qualquer cuidado e respeito. Além de objeto de trabalho, muitas iriam se tornar objetos de prazer.


Até dois séculos atrás, os negros não eram considerados seres humanos. A própria linguagem relacionada com os negros era de desprezo e de rejeição. Ainda mais recentemente, há menos de trinta anos, os negros sofriam as mesmas humilhações durante o apartheid, na África do Sul, tão bem descritas por um autor branco sul-africano, André Brink.


Pois bem, mandaram-me uma cópia de um trecho de um programa do Jô Soares, na TV Globo, que parece ter sido filmado na Paulicéia dos anos 1700 ou 1800, mostrando dois brancos, que poderiam ser fazendeiros de café, se divertindo com histórias sexuais de negras.


Para que não seja considerado exagero de minha parte, estou juntando ao fim desta coluna o link para vocês poderem ouvir os diálogos e ver as fotos ilustrativas transmitidos pela maior rede brasileira de televisão para milhões e milhões de brasileiros, fazendo brancos rirem de negros e negros se sentirem mais uma vez humilhados.


Como se não bastasse, o diálogo, que não era de confidências entre etnólogos colonizadores, fazia referências a crianças negras de seis e sete anos, em termos sexuais. Uma conversa digna de pedófilos e de pessoas acostumadas a considerarem os africanos como seres de hábitos inferiores e desprezíveis, mas coisa normal na África.


É verdade que existem na África do Sul dos dias de hoje crendices ligadas à maneira de se evitar a Aids envolvendo crianças. Mas a mídia africana procura informar essas populações, utilizando o teatro e orientação nos vilarejos, nunca com chacotas, porque a questão é séria demais para ser tratada com o comportamento de visitantes de zoológico.


Enfim, a maneira aviltante como se fala das mulheres angolanas é também ofensiva para todas as mulheres, seja qual for sua cor ou país. É uma conversa entre dois machistas racistas. Se não me engano, é o mesmo apresentador que, considerando-se intocável, desrespeitou a ex-prefeita de São Paulo referindo-se à uma sua roupa íntima.

O mínimo que se pode esperar numa situação dessas é um mea culpa do apresentador, do seu convidado e da emissora, desculpando-se por tanta ofensa gratuita transmitida para a população.


Caso isso não ocorra, seria muito justo e normal a decisão de alguma associação anti-racista ou de um promotor público processar os responsáveis. Não se trata de censurar, mas de punir o desrespeito e o racismo.


Como uma emissora de televisão que poderia ajudar num grande plano cultural brasileiro pode se rebaixar a esse ponto, como se quisesse retornar aos vergonhosos e desonrosos diálogos da época da escravidão ?

Aí vai o link http://www.revistaforum.com.br/sitefinal/blog/ . Confiram vocês mesmos.

Contem com meu nome e minha assinatura se moverem uma ação.

ONG pode ir ao MP contra Programa do Jô
(Quarta-Feira, 31 de Outubro de 2007 às 20:20hs)


A campanha “Quem Financia a Baixaria é Contra a Cidadania” está discutindo a possibilidade de tomar providências junto ao Ministério Público em relação ao Programa do apresentador Jô Soares.

Essa discussão está sendo motivada pelo post publicado neste blog no dia 24 de outubro e que ganhou a internet. Isso mostra o quanto a internet é um instrumento que, mesmo limitado, amplia a democracia nas comunicações.

Para o leitor ter uma idéia, aquele post chegou ao meu e-mail cinco vezes a partir de listas diferentes. Uma delas é essa onde a assessoria da campanha “Quem Financia a Baixaria é Contra a Cidadania” fala em providências junto ao Ministério Público.
Como já afirmei, considero que uma ação ao circo de horrores que foi a conversa entre Jô e o taxista-antropólogo é mais do que necessária. Se nada for feito contra esse absurdo só porque o entrevistador é o Jô Soares, devemos parar de brincar de discutir a qualidade da TV brasileira.
Poucas vezes vi algo tão preconceituoso e nojento quanto aquela entrevista. Mais nojento e preconceituoso ainda porque travestido de estudo comportamental de um povo. Que por coincidência (e só por coincidência), era formado por mulheres pretas e pobre. Seria curioso ver umas loiras bacanas, filhas de juízes brasileiros, por exemplo, tendo seus penteados analisados daquela forma. Os penteados das loiras-aguadas filhas de juízes e a sua sexualidade, que tal? Topas, Jô. Não sou taxista, mas tenho explicação para cada tipo de penteado dessas patricinhas.

Tags:   No Comments

Leave a Comment

0 responses so far ↓

  • Toda a gente que conhece África sabe que a iniciação sexual se faz precocemente. Mão vou tocar em pedofilia, que choca com a tradição africana – que foi como foi ou ainda é como é – ou outra qualquer do mundo.

    O filme aborda assuntos, os do simbolismo dos penteados tradiciniais, que não estão de acordo com a tradição dos Mhuila.

    Aliás, no link que coloquei numa mensagem anterior está explicado por que as mulheres usamem seus cabelos os tais anéis que não são de vcaniçi mas das hastes de cabaças, muito utilizadas a Sul do paraleo que passa em Lubango.

    Um perfeito disparate, e foi pena o Seu Jô ter explorado a seu favor tanta ignorância de um parvo, que etimologicamente, como sabem, significa curto de idéias, uma aberração mental.

    Mas esta reportagem só tem o valor que lhe quisermos atribuir, embora seja contestável, com argumentos válidos e nas pessoa de Seu Jô Soares que usou de um aproveitanço.

    Um bom Natal

  • Olá!
    Também sou angola e fiquei muito triste ao ver os comentarios daquele senhor que diz ter vivido em angola. Acho que não pois se fosse não iria nunca falar as barbaridades que foi capaz. Mas a verdade é nua e crua. E logo todos viram a palhaçada dele só para poder vender um livro que realmente nem contexto tem.
    Tenho um site de angola e me orgulho muito de lá explicar tudo sobre esta terra mãe. que quiser verificar.
    http://www.angola-africa.zip.net
    kiss a todos

  • Resposta para o último anônimo e para os que pensam como ele.

    Leia melhor, tanto a fonte que vc indica (em nenhum lugar desta fonte está dizendo que as crianças começam a vida sexual aos 6, 7 anos e que os negros são pedófilos, como é insinuado no programa do Jô de 18/06/2007); como os depoimentos reproduzidos neste post, fala de intelectuais angolanos que conhecem a cultura das muilas.

  • Pessoal, sinto muito, eu fiz uma pesquisa no Google e a vida sexual em Angola se inicia cedo.

    Ficaram chocados do português dizer “os negros” ?! Não entendo…

    http://angolaxyami.blogspot.com/2004/12/perdida-juventude-angolana.html

  • http://www.pessoalissima.com/pessoa

    lissima/Homenagem/Muilas/Indice.htm

    Manel S.

  • Homenagem/Muilas/Muilas_7.htm

    Kaleipônawa! Fiquem bem!

  • Watokeluapô! Assim se diz “Boa noite” em Muila.

    Este programa do Jô Soares que passou foi auma autêntica falta de respeito pela Etnia Mila, na pessoa da mulher angolana.

    Faz-me lembrar a história de um caçador que nunca pegou numa arma e inventa um filme sobre a maior caçada da sua vida.

    Falta de ética, seu Jô, e não há ninguém que goste de humor e de ironia quanto eu. Mas esta… é lamentável.

    Vivi algum tempo entre Camitas, entre Cuanhamas, estudando e registando dados sobre esta etnia, e sei que há regras e rituais, respeitosas, que também são praticadas pr Hereros e entre Nyanheca-Humbe, onde se incluem os Muilas, que não têm nada a ver com a coisica do filme exibido.

    Cliquem neste link e leiam sobre os Muilas. Tenho certeza que ficarão bem ilucidados, etnograficamente.

    http://www.pessoalissima.com/pessoalissima/Homenagem/Muilas/Muilas_2.htm

  • A falta de respeito com a cultura do povo mumuila e a comparação de suas mulheres a vadias promiscuas não pode ser aceito.

    Sendo descendente deste povo me machuca ver isso.
    Sabendo que é um povo que vive do trabalho rural e artesanato que tem sua cultura conservada. Mumuilas constituem um povo pouco conhecido. Não se ouve falar muito deles. Até mesmo entre os angolanos há muitos que desconhecem a sua existência. Sua população leva a marca de Síndrome de Rejeição – é tida como uma tribo que é separada por causa de sua maneira de vestir, comer e trabalhar. Os Mumuilas são basicamente formados de criadores de gado. Esta é sua principal fonte de renda e sustento.
    Esse povo tem características bem singulares em relação aos outros povos de Angola. Um exemplo disso é o seu estranho costume de tomar banho com leite de vaca e esterco. Quando eles vêm à cidade para trocar seus produtos chamam à atenção de todos devido suas vestimentas e cultura pouco conhecida.
    Os penteados das mulheres são com miçangas e gordura vegetal e não
    fezes de vaca como foi dito no programa.
    Na decada de 70 havia a figura do SOBÁ que tinha varias esposas.
    É uma etnia que resistiu ao tempo e se conservou..não se deixou destruir.
    Sou neto de MALETJO mulher do Sobá e tenho orgulho nisso.

    Luiz Renato Mendonça(fashion designer)

  • gostei da tua iniciativa… vou fazer um link para esta tua postagem no nosso blog. Precisamos de uma corrente para pressionar que estes abusos não tornem a acontecer

  • Este é um povo com a sua cultura, ou seja a sua forma de se apresentar. Este povo reside em algumas regiões do nosso país como na Província de Namibe assim como a Huíla. Aquela arte de fazer as tranças é propriamente como forma de se embelezar. Tipicamente deste povo é uma forma de se apresentar e de se diferenciar em relação às outras mulheres.

    Todo povo tem os seus costumes, as maneiras “urbanas” de se apresentar não faz parte do costume destas mulheres, tal como o uso de implante de cabelo humano, perucas, fios de ouro e etc. Em todo e qualquer País do mundo existem povos que se isolam e deve-se respeitar os seus costumes. É importante dizer que, o que se quer fazer crer, não coaduna com a realidade. Ou seja, as tranças mostradas no programa não têm nenhuma relação com a sexualidade.

    Este episodio desrespeita não só a mulher em causa, mais também as mulheres angolanas em geral, os costume, assim como as mulheres do Mundo, e não conheço região alguma de Angola que se costuma namorar aos 6 ou 5 anos de idade. Parece-me que não deixa de ser uma mera discriminação e desrespeito aos instrumentos internacionais e regionais de defesa dos direitos humanos.

    ATT:
    Lauriano Paulo, CCDH-Conselho de Coordenação dos direitos humanos/ Angola.

  • O que foi dito é um absurdo.
    Na realidade a forma de penteados dessas mulheres basea-se simplesmente num costume.
    As fotos apresentadas são de mulheres que vivem no interior de Angola e seus penteados são meros costumes que evidenciam a identidade de uma região

    Sào mulheres dignas que dedicam sua vida no campo,agricultura e outras actividades.

    Não começam a vida sexual aos 6 ou 7 anos porque a essa altura são consideradas apenas crianças (e não mulheres ainda) e estão aprendendo dos pais alguns de seus costumes.

    Henriqueta João, Associação Mãos Livres/Angola