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Lula em Moçambique “queria ser professor de História” :)

novembro 11th, 2010 by mariafro

Lula passou no exame para professor

do Jornal a Verdade, Maputo, Moçambique

Passavam pouco das 11,15 minutos quando o presidente da República Federativa do Brasil, Luíz Inácio Lula da Silva, chegou ao Instituto Nacional de Ensino à Distância (INED), em Maputo, para a dar a aula inaugural no âmbito de um acordo rubricado entre a Universidade Aberta do Brasil e a Universidade Pedagógica de Moçambique.

Depois dos cânticos de boas-vindas, interpretado por um grupo de crianças, o presidente brasileiro recebeu o tradicional colar de flores simbolizando a amizade entre os dois povos, enquanto era eram agitadas bandeirinhas de papel dos dois países. Após uma breve visita ao Laboratório de Biologia, seguiu-se as intervenções na aula magna.

Venâncio Massingue, ministro moçambicano da Ciência e Tecnologia foi o primeiro a tomar a palavra para dizer que se sentia muito honrado com a presença do chefe de Estado brasileiro, recordando em seguida o seu percurso desde a infância difícil e pobre até ao Palácio do Planalto em Brasília.

“Quero primeiro expressar aos nossos queridos representantes do governo de Moçambique, aos nossos alunos da Universidade Aberta e aos ministros brasileiros a minha alegria por estar em Moçambique pela terceira vez. É possível que tenha vindo a Moçambique mais vezes que todos os outros presidentes brasileiros juntos”, começou por dizer Lula, arrancando gargalhadas à assistência.

Depois, dividiu a intervenção em dois momentos: “primeiro vou ler o roteirinho que está aqui e depois vou falar um pouco das minhas emoções neste meu regresso a Moçambique”. No primeiro momento ressaltou a importância da educação.

“Hoje, com o lançamento dos primeiros pólos moçambicanos da Universidade Aberta do Brasil, estamos talvez a dar o passo mais firme com vista ao aprofundamento da cooperação entre os nossos dois povos. Nada é mais urgente que a capacitação de moçambicanos e brasileiros para construir sociedades cada vez mais democráticas e prósperas e assim firmar a nossa presença soberana no mundo. Isso só será possível com a melhoria da educação nos nossos países.”

No desenvolvimento informal, de improviso, Lula fez jus à fama de grande orador nato, arrebatando numerosas palmas e risos. “Só com a educação se pode disputar um emprego em pé de igualdade”, referiu, acrescentando que nunca o ensino se desenvolveu tanto no Brasil como nos seus oito anos de presidência. “É curioso porque sou o primeiro presidente que não tem diploma universitário. Eu gostava de ser professor de História para ser chamado contador de histórias (risos). Mas sou mecânico.”

Depois acrescentou: “Fomos nós [referindo-se a ele próprio e ao vice-presidente José de Alencar também ele ser qualquer diploma universitário] que mais universidades federais fizemos no Brasil, que mais escolas técnicas criámos.” Depois confirmou com números: “Em 100 anos o Brasil construiu 140 escolas técnicas. Nós, em oito anos, inaugurámos 214 escolas técnicas. Inaugurámos 14 universidades federais e muitos pólos nas províncias.”

Por fim, ressaltou uma vez mais a importância da educação.

“É a única coisa que proporciona igualdade de oportunidade. Quando decidimos privilegiar a cooperação com a África, e particularmente com os países africanos de língua portuguesa, quisemos reparar uma dívida histórica com o povo africano, do qual o povo brasileiro descende. Durante séculos, com a nossa cabeça colonizada, aprendemos que somos seres inferiores, aprendemos que qualquer um que enrola a língua é melhor do que nós e muitas vezes não percebemos que, para eles, também nós enrolamos a língua. O que nós queremos com a opção por África é levantarmos a cabeça juntos e construirmos um futuro em que o Sul não seja mais fraco do que o Norte, em que o Sul não seja tão dependente do Norte, porque se nós acreditarmos em nós próprios poderemos ser tão importantes e sabidos como eles, poderemos produzir tanto como eles. O mundo vai precisar cada vez de mais alimentos e as terras aráveis, por explorar, estão no Sul, em África e na América Latina. Não explorámos ainda meio por cento da área da Savana africana! Queremos ver a África sair desta situação miserável, porque na hora em que os outros quiserem comer têm que falar com vocês, porque a comida está aqui, em África. Que esta Universidade Aberta, que hoje estamos a inaugurar, possa ser uma célula de consciência para que não permitamos mais ser tratados como se fossemos inferiores.”

Refira-se ainda que esta parceria de ensino à distância irá estender-se às cidades da Beira e Lichinga e os cursos, numa fase inicial, irão ser três: Pedagogia, Biologia e Matemática, cada um com 60 alunos.

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