Jornalismo Veja consegue mobilizar várias instituições para repudiar a revista

Maria Frô
Por Maria Frô janeiro 27, 2011 13:12

Não li a matéria da Veja, mas só pelos esclarecimentos da nota conjunta de repúdio dá para se ter a idéia do teor desrespeitoso da ‘matéria’ produzida pelo Folhetim da imprensa marrom.

Veja não respeita ninguém, respeitaria a dor das pessoas que perderam seus familiares e amigos na tragédia dos desmoronamentos nas cidades serranas do Rio de Janeiro?

E ainda tem ‘jornalista’ que põe em cheque a necessidade de um marco regulatório das comunicações no Brasil. Minha questão é, diante de tantas mentiras publicadas pelo Folhetim, vai ficar por isso mesmo?

sábado, 22 de janeiro de 2011
NOTA CONJUNTA DE REPÚDIO
O PODER JUDICIÁRIO DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO, O MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO, A DEFENSORIA PÚBLICA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO, A OAB/RJ, POR SUA 9ª SUBSEÇÃO, O MUNICÍPIO DE NOVA FRIBURGO, O DIRETOR DO IML-AP/RJ E O DELEGADO DE POLÍCIA TITULAR DE NOVA FRIBURGO, vem apresentar nota conjunta repudiando a matéria publicada na Revista Veja, edição 2200, ano 44, nº 03, de 19 de janeiro de 2011, em especial, o conteúdo do último parágrafo de fls. 54 até o primeiro parágrafo de fls. 56, em razão de seu conteúdo totalmente inverídico, conforme será esclarecido a seguir:
1) Inicialmente, cumpre esclarecer que em momento algum os corpos da vítimas fatais ficaram sobrepostos uns sobre os outros no Instituto de Educação de Nova Friburgo, local em que foi montado um posto provisório do IML, em razão da catástrofe que assolou toda esta região, mas sim acomodados separadamente lado a lado no ginásio do Instituto;
2) O acesso ao referido Instituto foi limitado às autoridades públicas e aos integrantes das Instituições inicialmente referidas, sendo certo que o ingresso dos familiares no local para a realização de reconhecimento somente foi permitido após autorização de um dos integrantes das mencionadas instituições e na companhia permanente do mesmo;
3) A liberação dos corpos para sepultamento somente foi autorizada após o devido reconhecimento efetuado por um familiar, sendo totalmente falsa a afirmação de que “ao identificar um conhecido, bastava levá-lo embora, sem a necessidade de comprovar o parentesco”. Frise-se, que mesmo com o reconhecimento, foi realizado posteriormente procedimento de identificação pelos peritos da Policia Civil do Estado do Rio de Janeiro, bem como de outros cedidos pela Polícia Civil de São Paulo, pela Polícia Federal e pelo Exercito Brasileiro, estes por intermédio da Secretaria Nacional de Segurança Pública, com a análise da impressão digital, do exame de arcada dentária e exame de DNA;
4) Ademais, cada um dos falecidos foi colocado em uma urna e sepultado individualmente, não existindo qualquer tipo de sepultamento coletivo, mas sim vários sepultamentos individuas e simultâneos no mesmo cemitério;
5) Em meio a infeliz perda de 371 vidas, somente neste Município de Nova Friburgo (até presente momento) é importante registrar que houve apenas 03 (três) casos de divergência dos reconhecimentos feitos pelos parentes, os quais estão sendo devidamente esclarecidos pelos peritos do IML/Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro, através do exame das impressões digitais, das arcadas dentárias e do exame de DNA.
Assim, ao contrário do que a narrativa contida na matéria publicada leva o leitor a concluir, não houve uma feira livre na busca e no sepultamento de corpos, mas ao contrário, um trabalho sério realizado por profissionais exemplares, dedicados e comprometidos em minimizar, naquilo em que era possível, o sofrimento da população local, e ainda preservar, dentro das possibilidades existentes, a ordem e a saúde pública.
Aliás, o respeito pelas famílias e pelos corpos dos cidadãos falecidos não permitiria que os mesmos fossem tratados pelas autoridades da maneira descrita pelas jornalistas.
Assim, é com extremo pesar, que em meio a um evento trágico e que entristeceu a todos, tenhamos que vir a público repudiar as inverdades publicadas, de cunho meramente sensacionalista, a fim de evitar que o desserviço gerado pela matéria venha a causar mais prejuízo, sofrimento e comoção aos familiares das vítimas e a toda nossa comunidade.
Nova Friburgo, 21 de janeiro de 2011.
Paulo Vagner Guimarães Pena
Juiz de Direito
Dirigente do Fórum e do 9º NUR-N. Friburgo
Matrícula 21.121
Fernando Luis G. de Moraes
Juiz de Direito
Matrícula 29.813
Gustavo Henrique Nascimento Silva
Juiz de Direito
Matrícula 27.318
Hédel Nara Ramos Jr.
Promotor de Justiça
Coordenador Regional do Ministério Público
Matrícula 1.287/MPRJ
Dermeval Barboza Moreira Neto
Prefeito do Município de Nova Friburgo
Marcelo Barucke
Defensor Público
Coordenador Regional da Defensoria Pública
Matrícula nº 817.882-4
Carlos André Rodrigues Pedrazzi
Advogado – OAB/RJ nº 59820
Presidente da 9ª Subseção da OAB/RJ
Rômulo Luiz de Aquino Colly
Advogado – OAB/RJ nº 110.995
Vice-Presidente da 9ª Subseção da OAB/RJ
Sérgio Simonsen
Perito Legista
Diretor do IML-AP/RJ
Matrícula 872.246-4
José Pedro Costa da Silva
Delegado de Polícia de Nova Friburgo
Matrícula 823.230-8

Comentários

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Maria Frô
Por Maria Frô janeiro 27, 2011 13:12
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9 Comentários

  1. Victor Farinelli janeiro 27, 14:19

    E ainda acho pouco. A reação no Rio é a que se esperava, mas ainda é uma das raras vezes em que se reage com firmeza contra as manipulações dessa revista, e ainda tem o fato de que, mesmo com essa nota de repúdio, que é o máximo que essas entidades podem fazer, a coisa vai ficar por isso mesmo, porque a mentira contada pela imprensa goza de impunidade, o sofrimento que a mentira causa nas pessoas ficará impune, e não me espantaria se a revista duplicar sua canalhice e se recusar a publicar a nota de repúdio, ou publicar a nota mutilada num rodapé de uma página morta.

    Esse é só mais um episódio de irresponsabilidade da nossa imprensa para com o público: antes, eles brincaram com o sentimento dos parentes das vítimas dos acidentes aéreos da TAM e da Gol, incentivaram a população a tomar vacina contra a febre amarela quando era totalmente desnecessário (e teve gente que morreu pelos efeitos colaterais da vacina, os quais não foram alertados por essa imrpensa irresponsável), defenderam e aind defendem a política higienista no Estado e na cidade de SP. O encerramento do tópico vai direto ao ponto: e ainda tem ‘jornalista’ que põe em cheque a necessidade de um marco regulatório das comunicações no Brasil.

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  2. Gerson Carneiro janeiro 27, 15:13

    Aiiiii…
    Que lapada!

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  3. antonio barbosa filho janeiro 27, 15:26

    Na ânsia de culpar o governo federal por qualquer tragédia que ocorra no Brasil, o panfleto da extrema-direita não se vexa em usar a dor das pessoas. O blogueiro da revista, aquele conhecido como Rei do Esgoto, explora cada morte com um prazer simplesmente maníaco.
    Esse pessoal tem medo de qualquer regulação ou controle social da mídia, pois estaria fadado a pagar por abusos como esses.

    abarbosafilho.blogspot.com

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