Corinthians: Como na piada de Groucho Marx, não queria um clube que só aceita gente como eu

Maria Frô
Por Maria Frô fevereiro 6, 2011 17:08 Atualizado

Subo o comentário do Victor Farinelli aos corinthianos que sabem bem o que ele diz e aos não corinthianos para nos entender melhor.

Por Vitor Farinelli, nos comentários do Maria Frô

Desde quarta feira eu digo que não me doeu nada a desclassificação da Libertadores, e que, embora eu não a esperava, a considerava totalmente normal. Meus amigos tiram onda achando que eu estou fingindo, mas não, é a mais pura verdade.

Já não dói ver o Corinthians perder quando você vê que o Corinthians não é mais o Corinthians.

Eu me apaixonei pelo Corinthians porque é o único clube do Brasil onde você pode ser o que você quiser, e ainda ser corinthiano.

Prá ser santista você tem que ser nascido em Santos, ou o pessoal te olha feio na Vila. Se é palmeirense e não é descendente de italianos, acontece o mesmo. Se é sãopaulino e não é almofadinha, elitista e arrogante, idem. Eu nasci em Santos, sou descendente de italianos e tenho cara de almofadinha, e fui na piada do Groucho Marx, não queria um clube que só aceitasse gente como eu.

O Corinthians era um clube que eu pensava que deveriam ser todos os clubes. Mas só o Corinthians é assim, plural, um clube do povo. Ou pelo menos o Corinthians que eu conheci era assim. Qualquer um podia ser corinthiano, desde que amasse o clube com todas as forças – o que não era prá qualquer um, mas era um filtro muito mais razoável.

O Corinthians que eu conheci nunca impressionou pelas belas jogadsas em campo, e sim pela força da arquibancada que fazia times medianos jogarem como gigantes. Neto, um dos protagonistas das discussões medíocres de agora, era o capitão de um time sofrível, que foi campeão brasileiro em 1990 porque uma gigantesca e fanática torcida empurrou aqueles jogadores a uma façanha histórica. A arquibancada corinthiana sempre esteve lotada de pretos, pobres e miseráveis, aquela parcela da sociedade que, sobretudo em São Paulo, nunca teve direito a nada, mas que tinha sua revanche quando se juntava no estádio (muitos passavam fome prá ir ver o Timão jogar) e fazia o Corinthians, mesmo com jogadores de nível inferior, vencer os rivais e suas torcidas elitistas.

Hoje, o Corinthians é um clube prá quem pode. As entradas prá qualquer jogo do Corinthians são caríssimas, mesmo em jogos contra adversários menores. O Corinthians já não é o clube que leva o povão prás arquibancas. Você vai no tobogã do Pacaembú e já não vê aquela gente que se sacrificou prá poder ir ver o jogo, e que eram os que faziam a diferença a nosso favor nos estádios. Nenhum sacríficio é capaz de juntar R$ 50 por jogo, fora o preço do cada vez mais caro transporte público.

Durante esse tempo em que descaraterizaram o Corinthians, e tiraram dele o povo que era seu principal patrimônio, o clube ganhou muitos títulos, muitos dos quais eu comemorei bastante, mas juro que trocaria metade desses títulos pelo prazer de trazer o povão de volta e resgatar aquele Corinthians de antigamente. Sei que meus amigos vão achar isso ridículo, mas é que eles podem entender muito de futebol, mas não entendem nada de Corinthians.

E quem é corinthiano sabe que o Corinthians é muito maior que o futebol.

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Maria Frô
Por Maria Frô fevereiro 6, 2011 17:08 Atualizado
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14 Comentários

  1. Coelho fevereiro 7, 08:40

    Pois bem, meu amigo Vitão, esse é o modelo que você vê e enxerga em você. Infelizmente, como já te disse, não é o que enxerguei e vi em muitos que à minha volta estão. Há torcedores fiéis e fanáticos em muitas outras agremiações, em menor ou maior número. Aliás, há torcedores “mauricinhos”, “provincianos”, “maloqueiros”, e o que você desejar rotular, em todas as outras agremiações. Estes mesmos podem ou não ir ao estádio, e eu vejo ambos, já que vou ao estádio com regularidade.

    Mas se você não sente a dor de sair sem ter entrado na Libertadores, se você considera a Libertadores apenas um título, é uma opção sua, mas garanto que não é de muitos corinthianos. Não somente esses que você vê nos noticiários (e não apenas esse ano ou o passado que os ingressos estavam a preços abusivos) mas em vários anonimos seus e conhecidos meus. Isso é fato, e como sempre digo a mesma frase feita por alguém… contra fatos não há argumentos.

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  2. Cássia fevereiro 7, 11:25

    Que bonito o comentário que virou post.
    Não sou corintiana, mas acho que o autor tem razão quando fala do povo. Suspeito que quem faz o futebol ser isso que ele é, sobretudo no Brasil, é a presença da torcida.
    Um sem número de vezes me emocionei com as vitórias e derrotas de outros times, só porque eu vi uma multidão emocionada, com aquele sentimento honesto, com aquela paixão que só quem é passional entende.

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