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“Digaí Negão”: olhares sobre a presença de Obama no Brasil
por: Fátima de Oliveira, Jornal OTEMPO
Foto veiculada via twitter pelo @sergioricardo64
“Ele não é apenas o presidente dos EUA, é uma estrela”
Na escrita, foram vigorosos os protestos contra a visita do presidente Obama, como a nota de repúdio “É muita guerra para quem diz promover a paz”, da Central de Movimentos Sociais (CMS). Muitos se arvoraram em falar, sem procuração para tanto, em nome do povo brasileiro, a exemplo do abaixo-assinado do Cebrapaz, cuja tônica foi a ilusão com a eleição dele para além de que, para o mundo, um democrata sempre é menos pior que um republicano: “O senhor chegou como esperança de crescimento do homem em todas as esferas. Veio de uma classe média diferenciada, traz nas veias a herança de seus antepassados, que construíram a economia de seu país”.
Encerra afirmando: “Queremos aproveitar a ocasião para uma reflexão necessária: a generosidade, a solidariedade, o respeito à soberania de cada país e, principalmente, centrar nossas potencialidades para transformar o caos em que vivemos num mundo melhor. Acabe com o embargo a Cuba e liberte os cinco heróis cubanos, em nome da real integração entre os povos”.
O Instituto Maria Preta, da Bahia, em outdoor criado pela sua mantenedora, a Maria Comunicação, ousou usar a saudação mais bacana da inventividade soteropolitana, no trato para pessoas do peito (mais Bahia, impossível): “Digaí Negão!” – modo criativo de “tematizar”, com recorte racial/étnico, a presença de Obama no Brasil.
O ator Lázaro Ramos, indagado sobre o impacto na população negra da visita do primeiro presidente negro dos Estados Unidos, foi incisivo: “…Isso afeta a nossa autoestima de uma maneira incalculável. Você não acha que uma criança negra que vê um presidente como o Obama não vai se sentir mais possível? Ver um referencial positivo sempre estimula a gente a querer mais, a se sentir mais possível. Eu falo de criança porque geralmente é onde referências são importantes, mas para mim ele também é uma superreferência”.
É lapidar um comentário ao artigo “Imprudência diplomática”, de Mauro Santayana: “Entendendo-se que Obama é um superstar de alcance mundial que ocupa a Presidência dos EUA e que carrega um simbolismo (um negro no poder do país de racismo mais deslavado) que encantou o mundo, mesmo que fosse apenas para derrotar George W. Bush, tem significado, sim, que fale ao povo brasileiro. Obama não é apenas presidente dos EUA, é uma estrela mundial de signo muito forte. O que não é pouco. Sejamos sensatos e pragmáticos: entendamos a importância dele para a luta contra o racismo” (Depaula).
No mundo, quem portava um neurônio funcionante torceu por ele. A Maria Comunicação, nas prévias do Partido Democrata, criou o outdoor “Pensar o Novo”, o mesmo slogan da agência; e Obama eleito lançou o cartaz: “Feliz mundo novo – Pensar o novo é ajudar a desenhar um futuro melhor”. Obama não é donatário de uma capitania hereditária, preside um país opressor, bélico e impregnado da cultura do Velho Oeste, pelas regras vigentes: poderes presidenciais restritos, fora o expansionismo ilimitado, nem que seja à bala, parte do DNA estadunidense.
Ao mesmo tempo, é um ícone negro ímpar, que ocupa a Casa Branca, como inegável cunha antirracista, pelo voto popular, e demonstrou ao mundo que fazer política ainda é a arte de disputar ideias. Eis a lição de Obama que interessa!
O movimento negro se deixou acuar, e o governo brasileiro, pelas lentes embaçadas do Itamaraty, não atinou que o maior legado de Obama aqui, no Ano Internacional para Descendentes de Africanos, era o repertório antirracista! Ai, meus sais!
Fátima Oliveira é médica - fatimaoliveira@ig.com.br
Tags: digaí negão · pontos de vista · visita de Obama ao Brasil7 Comments


Super-recomendo o texto da Fátima. Vá até o fim! RT @maria_fro Fátima de Oliveira: Digaí, Negão! – http://goo.gl/LkbxT
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Fátima de Oliveira: Digaí, Negão! http://bit.ly/hxp7Zq
Concordo plenamente com o Lázaro Ramos. A imagem da garotinha aos prantos diante do Obama ratificou. Para a criança não importa quais são os reais interesses da vinda do Obama, o importante é o mito. Exatamente como acontece com todos nós quando criança em relação à igreja. Depois a gente cresce, estuda, e pode até mudar de opinião. Eu mudei.
Agora, falta de absurdo mesmo foi o Cristo Redentor só querer visitar o Obama à meia noite!
Obama vem de tão longe e o Cris dá uma dessa. Morri de vergonha da atitude do Cris.
Precisava tanto cu doce por parte do Cris?
Nesse país há uma inversão de valores que Deus me livre.
Bola fora. Não dá pra encarar o Obama como ícone de nada. O cara acaba de começar outra guerra. O legado dele não será o de um repertório antirracista, mas o de que não passou de mais um genocida na casa branca.
Fátima de Oliveira: Digaí, Negão! – http://goo.gl/LkbxT cc @sergioricardo64