Acordo e leio o excelente post do Leonardo Sakamoto sobre a pesquisa do Ibope afirmando que 55% dos brasileiros são contra a união homoafetiva. Fico me perguntando sobre a utilidade dessa sondagem: será que ela serve para assustar o restante de pouquíssimos homens públicos que ainda não se esqueceu de que o Brasil (ao menos na teoria das leis) é um Estado Laico?
Vejo retrocessos no governo Dilma como a interferência descabida de uma presidenta no andamento de uma política educacional voltada para o respeito à diversidade levada a cabo pela SECAD/MEC. A presidenta, tal qual uma diretora de escola de classe média, pressionada por tevês fundamentalistas, por uma imprensa irresponsável e cínica que dá voz e vez aos homofóbicos (vendendo essa prática como’ liberdade de expressão’), pressionada por uma base fundamentalista de deputados indigentes no Congresso, refreia o processo de elaboração de material pedagógico ‘escola sem homofobia’, afirmando que não permitirá que o governo faça propaganda de ‘opção sexual’ nas escolas.
Vejo, inclusive, deputados e senadores (em teoria eleitos por uma legenda de ‘esquerda’) não apenas fazerem vídeos convocando, mas participando da Marcha para Jesus (megaevento transformado em uma manifestação contra a aprovação do PLC122) como vejo uma militância de esquerda que deveria cobrar compromissos com bandeiras históricas dos partidos, justificando tudo isso como parte de ‘recuos estratégicos’.
Imaginem se no grande embate que este país viveu nas últimas décadas do século XIX tivéssemos Ibope e eles resolvessem perguntar aos poucos cidadãos que tinham o efetivo exercício de cidadania se eram a favor ou contra a abolição da escravatura?
Enquanto eu pensava sobre o texto do Sakamoto, @micaelsilva repassa um link para uma chamada de entrevista da cantora Sandy.
Lembrei no ato da bolinha de papel cujo primeiro tweet a respeito também me chegou via @micaelsilva e, de novo, soube que o assunto iria parar nos TTs. Tweetei:
E assim como no case bolinha de papel, em pouquíssimo tempo, o ânus da Sandy não apenas foi para os TTs Brasil como tomou o 1º lugar nos TT do Mundo.
Sandy desde que virou garota propaganda da Devassa, a marca de cerveja que adora uma campanha sexista, está repaginando sua imagem de menina doce, ingênua, pura, assexuada, para fêmea fatal e parece ter sucesso no seu intento. Como o ‘Brasil real’, aquele responsável pela maior nação de proctologistas do mundo – fiscais do fiofó alheio -, ao menos por enquanto, vem ganhando adeptos de todas as colorações partidárias, tudo em nome dos votos, dos ‘recuos estratégicos’… Graças a uma fixação anal que nem Freud explica, a promessa de construção de um verdadeiro Estado laico está indo para o saco.
Quanto ao ânus da Sandy e o restante de seu corpo ela faça o que bem entender com ele, é dela e ela tem todo o direito sobre ele. Aos demais 55% do ‘Brasil real’ e aos que por falta de coragem abandonaram a defesa de um Estado Laico, recorro à máxima do meu querido amigo, o ator Bemvindo Sequeira: “vão dar meia hora de rabo”.
Tags: Estado laico · fundamentalistas · homofobia · ibope · preconceito e discriminação · sandyfazanal · twitter · União Homoafetiva13 Comments




Cara Conceição , a frase correta é a seguinte : “Dar meia hora de c* com o relógio parado” .
Prá vc ver como esta gurizada de hj tem até + pré-conceitos do que os de ‘antanho’:
Estava eu com os bixos de minha 2ª universidade (portanto + novos que eu, que já tinha sido bixo 2 anos antes) – que como a 1ª não conclui – em um bar ao lado da faculdade quando inicia-se uma discussão sobre este assunto – sexo anal. As meninas, principalmente, começaram a falar mal da prática e coisa e tal. No meio da conversa – quando não mais se falava qual era o assunto – entra no boteco colega que era ícone do movimento estudantil na época. Me recuso a citar nomes, pois creio que ainda está batalhando por aí. A colega fica escutando sem entender bem o que estava sendo ‘execrado’ pel@s participantes da conversa e esta segue por mais alguns minutos. De repente cai a ficha e ela pergunta em voz alta, dominando a conversa: Vocês estão falando de sexo anal?
Diante da confirmação do grupo, vi, cena que apesar dos mais de 30 anos passados não esqueço!
Revirou os olhos de maneira sensualíssima e disse em alto e bom som: Vocês não sabem o que estão perdendo! (O que deixou a maioria embasbacada)
Para os anos 70 até era normal os pré-conceitos (insisto em não usar preconceito) mas como explicar toda a celeuma quanto a possíveis declarações de Sandy? Não, não gosto de sua música…
Mas sua liberdade de prazer é só dela e ninguém poderia querer dar pitaco.
Muita gente ‘boa’ deu…
Um abraço
Saroba
Caro Anderson Brasil,
Inicialmente, agradeço por sua resposta e por aceitar o debate, e de forma cordial.
O seu primeiro parágrafo é bem interessante. Você cita o governo nazista, “eleito democraticamente pela maioria”. Pois então, é isso. Não estamos livres desse tipo de coisa, o mundo, o governo, será o que a sociedade quiser. Se nossa opção é pela democracia, será a decisão da maioria. Falar em “ditadura da maioria” para mim é mero sofisma (ainda que não consciente).
Quem estabelece quais são os “direitos individuais básicos inalienáveis”? Não seria a própria sociedade? E tais direitos não são mutáveis ao longo do tempo? Talvez, possamos dizer que não, que são apenas “ampliáveis”. Uma vez consagrados, não há como voltar atrás. Devemos lembrar que não há uma entidade divina que ditou quais são os direitos básicos. Assim, creio eu, todos, todos os direitos básicos que temos hoje foram conquistados pela sociedade.
Eu não posso acreditar que a maioria da população não era a favor da abolição da escravidão em 1888. Eu acredito que a maioria era sim a favor da abolição. Se assim não fosse, a abolição seria obra então de uma iluminada, agraciada não apenas com o poder, mas também com a sabedoria divina. Eu acredito que a abolição foi uma conquista da sociedade.
Acho que deve ser assim com os outros direitos. Eu quero que a sociedade avance, através da força das ideias. Que as ideias conquistem a sociedade em sua maioria para então, depois, serem consolidadas na lei e nos tribunais.
… a presidente pressionada??? coitada dela, tão ingenua…
… a Sandy como devassa???? ai ai ai… ta ruimmmmmm…
… este papo de casamento gay é demais,,, ninguem tem que determinar quem casa com que,,, mas a IGREJA, o amor cristão a gente ja sabe é sangue nos olhos…
Eu não apoio mais o governo de direita da Dilma, fiz campanha e até perdi o emprego porque me chamavam de PTista, não me arrependo pois o Serra não é presidente, mas não posso compactuar com este governo retrógrado.
O estado Laico no Brasil sempre foi muito frágil, as igrejas tem muito poder, mesmo antes da febre protestante que ocorre agora, a igreja Católica já ditava regras sobre distribuição de camisinha e promovia passeatas “em defesa da família”.
Como ateu que sou, acho um atraso tremendo, mas sou obrigado a tolerar esses seres atrasados.
@Ricardo
Cuidado com essa mania de querer resolver tudo com plebiscito. Não confunda democracia com “ditadura da maioria”, pois são coisas perfeitamente distintas. Na Alemanha dos anos 30, um governo nazista eleito democraticamente pela maioria foi responsável por um terrível genocídio de uma minoria da população, contando com o apoio da maioria da população. Certos direitos individuais básicos são inalienáveis e não podem ser postos à disposição mesmo da vontade da maioria.
Em essência, o casamento é uma relação exclusivamente pessoal entre dois indivíduos, não cabendo à maioria aprovar ou não este relacionamento. Não é relevante, em absoluto, que a maioria da população seja contra o casamento gay, da mesma forma como seria irrelevante que 90% da população desaprovasse meu casamento com minha mulher. É uma questão estritamente pessoal entre dois indivíduos. Cidadãos gays pagam os mesmos impostos e têm os mesmos deveres que outras pessoas, a vontade da maioria não pode lhes impingir a perda de um direito que é dado a todo o resto da população.
Abraços!
Anderson Brasil
Procuro observar os fatos através da perspectiva do humor. Óbvio que há determinados assuntos que não é possível enxergar humor de forma alguma.
O humor equilibra a carga diária de acontecimentos involuntários que me afetam. Não fosse o humor poderia talvez encarar a vida da maneira da Amy Whinehouse. Não dá para encarar a vida a ferro e fogo.
Ainda mais esse assunto “cu da Sandy” que não é relevante, que não tem importância nenhuma para o bem estar geral, eu só pude enxergá-lo através do humor via coisas dese tipo que chegaram à minha TL:
Sandy deu o cu? Ai, ai… É esse o país que vai sediar a Copa e as Olimpíadas?! @diretodaredacao
ou
Sai a Amy entra o furico da Sandy, eita que isto é pauta para o Datena. @LaPasionaria
O engraçado nesse fato é que a Sandy, gozando de todos os seus direitos, é uma espécie de Supla, o garoto que cresceu brincando de punk, incorporou e acredita que o é.
Imaginem de repente a gente acorda e se depara com o Supla lançando um CD de músicas no estilo Fábio Júnior. Seria cômico, não? Pois é… é o que acontece com esse fato envolvendo o cu da Sandy.
Agora… o anel de couro é dela. E lavou, tá limpo.
Faço questão de frisar que não me interesso nada em abrir a porta da Sandy.
Não gosto da necessidade que a artista tem de se mostrar adulta e essa mania de querer chocar e agora parecer indecente, imoral, etc…
A gente já sabe que a Sandy cresceu, mas quando dá declarações do tipo a gente começa a desconfiar.
Lembro-me de uma entrevista conjunta do casal de irmãos – acho que quando da “separação” em que ele fez questão de dizer-se não-virgem e o Dorival Jr. de dizer-se não viado, deu a impressão que se os presentes fizessem cara de desdém e dúvida eles se autoproclamaria incestuosos e começariam a se tocar…
Ah! E mulher praticar sexo anal nos dias de hoje é quase banal… Questão de dias pra que declarações dessas caiam no vazio. Só choca mesmo carolas cristãos e ainda assim daqueles bem fanáticos…
É dos mais precisos e corretos artigos, uma análise primorosa que já li sobre esse tema e sobre as declarações da cantora Sandy. Confesso a você que, psicanalista, nunca tive dúvidas da personalidade real da cantora Sandy. E me permito dizer-lhe o seguinte sem qualquer pretensão. Freud explica sim. Digamos que seja um “problema” que vai evoluir daí para pior. A Sandy e essa sórdida campanha homofóbica, tanto quanto para o ralo o governo Dilma definido precisamente como de “diretora de escola”. Meus cumprimentos, Laerte
Ok, me expressei mal. Indignação em relação ao fato do fiofó da Sandy virar TT…
Marcelo Bernardes quem exatamente está indignado com a Sandy?
Frô, eu não entendo o porquê de tanta indignação em relação à Sandy. Se o Ibope fizesse uma pesquisa, iria descobrir que 95% dos homens brasileiros gostariam de abrir a porta da Maria Chiquinha. Como segurar isso no Twitter? Até que ponto esse desejo é machismo?
Cara mariafro,
Acho um sacrilégio (brincadeirinha!) você invocar o Estado Laico para essa questão. Cada um cuida do cu (o próprio, frise-se) como quer, assim como cada um tem direito a ter sua opinião, goste-se dela ou não.
A religiosidade não é o único elemento que leva alguém a ser contra a união homoafetiva (acho bobagem esse termo, casamento não é necessariamente afeto, seja homo ou hetero). Quais são os outros elementos? Pergunte a cada um; cada um que o diga, se quiser.
E discordo muito de você na questão da abolição. Se fosse feita uma pequisa em 1888, aposto que a grande maioria seria a favor da abolição.
Lutamos tanto para que a vontade popular seja respeitada…
Você pode achar que a pesquisa não vale nada, não é séria, etc.
Valeria um plebiscito? Por que não?
Cada um daria sua opinião. E respeitaríamos a vontade da maioria.
Se fosse contrária ao casamento gay, caberia voltarmos ao trabalho de formiguinha, visando a conscientização da população…