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Humor, política e preconceito: Por que a traição sofrida por FHC não foi para o Zorra Total?

setembro 25th, 2011 by mariafro

Hoje, no facebook, entre os vários debates, a leitora Solange Fagá questionou a nota de protesto das Metroviárias contra o programa Zorra Total que fez piada com a violência contra a mulher. Para Solange Fagá as pessoas como eu e as metroviárias estão muito preocupadas com o ‘politicamente correto’.

Em minha opinião a imensa maioria dos programas de humor no Brasil não sobreviveriam se retirassem deles os preconceitos, os estereótipos, os tabuísmos como matéria-prima para fazer graça dos grupos ou vulneráveis  ou desempoderados.

Refletindo sobre o campo da política institucional percebemos que esses tipos de programas apostam na manutenção do status quo dos mesmos e costumeiros grupos sociais. São, por isso, conservadores em sua essência. 

O leitor Elson Fidofilo escreve-me um mail observando como o recorrente uso de preconceitos, estereótipos e tabuísmos*, sempre atingem os mesmos grupos. Esses programas revelam uma clara ação de manutenção do poder travestidos de humor: apesar de algumas personalidades, grupos ou tabus serem muito comuns nesses programas de ‘humor’, se o tabu em questão atingir aqueles que tradicionalmente pertencem aos grupos vistos e tratados como ‘respeitáveis’, eles não se tornam alvo do riso, da ridicularização costumeira.

“Hoje vi de relance no humorístico Zorra Total, da rede Globo, um ator que interpretava o ex-presidente Lula. Achei que isso era algum tipo de perseguição, pois os motes para o humor geralmente são os nordestinos, os negros, os gays, as mulheres – negras vistas como objeto sexual, loiras vistas como burras… -, os cornos mansos…

Já que ser ‘corno’, para programas como Zorra Total, é motivo para fazer piada, por que a Globo não colocou um ator semelhante ao FHC em cena com um grande par de chifres?

Lula é atualmente o ex-presidente mais popular da história do Brasil, mesmo tendo deixado o poder há 9 meses, as Organizações Globo não deixam de persegui-lo e ridicularizar sua pessoa.”

Eu acho ruim o fato de ser nordestino, negra, gay, loira, gordo, magro, baixinho, careca, homem traído pela mulher, pobres etc. serem por si só motivos de piada.

*Tabuísmo: palavra, locução ou acepção tabus, consideradas chulas, grosseiras ou ofensivas demais na maioria dos contextos.

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  • Oi, meu primo é super humorista, agente fez video ta no youtube. “Pedrinho quementes”vejam! Favor… Grata! Willa

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  • Preconceito fere mas a indiferença mata. prefiro sofrer a morrer. (nego Beto)

  • Podem tentar desmoralizar o Lula como quiser. “O Cara” segue com prestígio intacto no Brasil e fora dele.
    Exemplo é mais um título de Doutor Honoris Causa que ele receberá, desta vez, da Universidade Science Po, em Paris.
    Amanhã, 12h de Brasília juntemos para promover um grande #luladay….

  • Poxa!!! Mas gostam da Globo, não????? :)

    Documentário – A Guerra Que Você Não Vê – para quem ainda acha que “criticar a mídia” é coisa de esquerdistas paranóicos e retardados http://migre.me/5MubQ

  • Solange Fagá, quem fala o que quer pra Maria Frô, ouve o que não quer…rs
    Relaxa.
    Espero que vc não seja leitora da inominável revista, nem telespectadora do JN.
    Abrá

  • Lembro-me que na tentativa do golpe contra Lula , a Globo explorou a exalstão o tema do mensalão , quando apareciam um ator alto ( o mensalão ) e outro baixinho ( o espetáculo do crescimento ) além é claro de martelarem o assunto nos telejornais e até no programa do Jô que organizou uma mesa de debates para que ninguém , nem mesmo os noctívagos ficassem desinformados . Só faltou convocarem as pessoas as ruas com a cara pintada para pedirem o impedimento do presidente .
    Oque me revolta é ver um homen considerado um grande estadista e laureado mundo afóra ser tratado com tanto desrrepeito e preconceito e mesmo apeado do poder ser persseguido implacavelmente .
    O preconceito infelismente está arraigado em nossa cultura , embora as pessoas neguem .

  • Lembro do primeiro mandato e eles faziam brincadeiras por causa da falta do dedo do Presidente Lula.

    Depois pararam.

  • Assisti alguns quadros desse Zorra Total há muito tempo. O chavão é sempr o mesmo: gay, mulher com pouca roupa, Lula e Dilma.

    E assim são todos os programas ditos de humor. Até o paspalhão Didi Mocó faz uso desse expediente.

    Foi assim que o Casseta & Planeta agonizou e morreu.

    Eu sou fã do Ronald Golias. Com uma palavra apenas ele conseguia me fazer rolar de rir. Certa vez ele começou a repetir para o professor “Isso é desagradável! Desagradável” mas falava de uma forma tão engraçada que não precisava de nenhum apelo.

    O programa O Cunhado era um show.

    Quanto a preconceitos só quem não os tem são os bebês.

    Imortante é ter ciência dos preconceitos que carrega, cuidar em combatê-los e não machucar ninguém fazendo uso deles.

    Na minha opinião, se declarar isento de preconceitos não é uma boa.

  • O humor busca sempre o grotesco, ‘burlesco’, lá noutros tempos o ‘bobo da corte’ satirizava o Rei e a corte, o humor precisa do que é péssimo para fazer rir, assim como, os jornais destacam notícias quanto maior a ação bestial, maior as vendas.
    O que transformará a sociedade? Quando que o anunciar de uma linda primavera será mais procurada ? Está na raiz?

  • Sugestão pro Zorra: Cenário medieval: coroação do príncipe dos sociólogos em Rei da Cornualha e insinuações de que o príncipe herdeiro, filho do Rei com a amante ( a cronista social da corte( jornalista naquele tempo ) ) na verdade é filho do bobo da corte.

  • De onde você concluiu a minha opinião sobre esse politicamente correto? Eu simplesmente coloquei minha opinião (e só minha) sobre tantas coisas que não precisariam existir se todos nós olhássemos o mundo sem preconceito algum. Claro que sei que eles existem, claro que sei que muita coisa precisa ser repensada, respeitada, modificada. No entanto, muitas vezes costumo olhar o mundo com meus olhos, com minha conduta e, talvez eu até descubra que nem sei o que é preconceito, pelo simples fato de não ter nenhum.