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Marinha dispensa tratamento próximo ao apartheid aos quilombolas do Rio do Macaco

novembro 5th, 2011 by mariafro

Por sugestão de Josias Pires, via twitter.

“Aos moradores das áreas contíguas à vila residencial da marinha são dispensados tratamentos próximos ao apartheid: foram bloqueados acesso à água, à luz, aos serviços médicos, à escola – todos são analfabetos – e os trabalhadores estão proibidos de plantar a sua agricultura de subsistência. Para entrar e sair da área, as pessoas devem estar cadastrados na guarita do condomínio dos militares. Ou seja, está interditado o acesso livre e a visitação aos moradores da comunidade do rio do Macaco.”

Quilombolas do rio do Macaco recebem apoio e Justiça suspende por 4 meses ordem de despejo

Blog Bahia na rede

04/11/2011
A Justiça Federal suspendeu hoje (4) por quatro meses a ordem de despejo contra os quilombolas do rio do Macaco. O pedido foi feito pela Marinha e Advocacia Geral da União. E cerca de 50 pessoas visitaram hoje a comunidade, levando apoio e solidariedade à luta em favor da permanência das 43 famílias de trabalhadores rurais que vivem e trabalham há mais de 100 anos numa área reivindicada pela Marinha, que construiu no local uma vila com dezenas de prédios de apartamentos ocupados pelas famílias dos militares.

Estiveram com os trabalhadores o deputado Luis Alberto (PT) e militantes de organizações de apoio aos trabalhadores. A marinha acusa as famílias de serem invasores, apesar de entre elas haver pessoas com mais de 100 anos de idade e que nasceram no local. O conflito entre militares e trabalhadores rurais vem desde a instalação da vila militar, na década de 1970, e ganhou contornos trágicos nos últimos anos. Os trabalhadores relatam diversos tipos de agressões praticados pelos militares. Em 2009 a Marinha resolveu pedir à Justiça a desocupação da área, no que foi acatada por um juiz da 10a. Vara Federal.

Aos moradores das áreas contíguas à vila residencial da marinha são dispensados tratamentos próximos ao apartheid: foram bloqueados acesso à água, à luz, aos serviços médicos, à escola – todos são analfabetos – e os trabalhadores estão proibidos de plantar a sua agricultura de subsistência. Para entrar e sair da área, as pessoas devem estar cadastrados na guarita do condomínio dos militares. Ou seja, está interditado o acesso livre e a visitação aos moradores da comunidade do rio do Macaco.

A sociedade soteropolitana – e brasileira – todos os cidadãos devemos refletir sobre esta experiência de exclusão social a que está submetida esta comunidade vizinha a Salvador. A Marinha precisa refletir sobre o tipo de tratamento que dispensa aos moradores, que vivem atualmente assustados, com medo de perder suas casas, suas roças, suas vidas.

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  • Com a palavra, um dos ministros da Dilma que eu mais respeito, e que espero que tenha uma postura digna frente a esta situação – não me decepcione, Celso Amorim, e acabe com esse absurdo.