OS COTURNOS DO SENHOR REITOR
por: Carlos Latuff, via mail
Dignas dos tempos do coronel Erasmo Dias, foram as lamentáveis cenas exibidas nos telejornais de ontem, quando 70 estudantes que ocupavam a reitoria da USP foram desalojados por um contingente de 400 policiais, incluíndo tropa de choque e cavalaria, e mais o apoio de um helicóptero. As cenas fortes nos fazem lembrar de operações da PM no interior de presídios, quando os presos, enfileirados e sentados, esperam pela revista nas celas.
Os alunos estavam acampados no prédio da reitoria em protesto pela decisão do reitor João Grandino Rodas em firmar um “convênio” que prevê o aumento da presença de policiais militares no campus do Butantã, afim de reprimir assaltos, estupros e mesmo assassinatos que vem sendo cometidos ali.
Para quem não está familiarizado com as práticas do reitor Rodas, pode-se imaginar que o “convênio” com a PM seja uma medida legítima de alguém realmente preocupado com a segurança dos USPianos. Na verdade, a polícia nunca deixou de estar presente no campus quando crimes foram cometidos. O tal “convênio” parece estar mais relacionado com o fetiche pela repressão que o magnífico reitor vem demonstrando ao longo do tempo, por exemplo, quando autorizou o uso da tropa de choque por pelo menos duas vezes (2007 e 2009) contra militantes de movimentos sociais e estudantes.
Os recentes incidentes começaram depois que PMs prenderam jovens fumando maconha no campus. Em protesto, estudantes ocuparam as dependências da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas e, posteriormente, a reitoria. As palavras “maconha” e “maconheiro” foram as pedras de toque de conservadores que utilizam o notório argumento da repressão ao uso de drogas para justificar a militarização de um espaço universitário. Foram termos empregados tanto por moralistas da direita quanto da “esquerda”, antes, durante e depois da ocupação, ad nauseam, como uma espécie de cortina de fumaça, desviando a atenção e mesmo impedindo qualquer possibilidade de um debate pertinente.
Some-se a isso o papel da imprensa, notadamente as emissoras de TV e jornais, que não economizaram na adjetivação dos manifestantes, que frequentemente eram chamados de “baderneiros” e “invasores”, expressões também utilizadas pela mídia com referência ao Movimento dos Sem-Terra.
Esse apreço pelas forças policiais, no entanto, não coloca o reitor Rodas como defensor da lei. O Ministério Público de São Paulo abriu esse ano investigação para apurar, entre outras coisas, improbidade administrativa e lesão aos cofres públicos cometidas durante a gestão de Rodas que, curiosamente, já foi diretor da Faculdade de Direito do Largo São Francisco.
Vale lembrar que a PM que Rodas deseja impôr a comunidade universitária, sob o argumento da segurança no campus, é a mesma que dispara balas de borracha e gás lacrimogêneo contra estudantes que lutam pelo passe livre nos ônibus. Sem esquecer também da longa lista de violações de direitos humanos, como o massacre no antigo presidio do Carandiru em 1992 e a matança promovida durante os ataques do PCC em 2006, do envolvimento de policiais em grupos de extermínio, tráfico de drogas e armas, cotidianamente divulgado pela imprensa.
Dado o histórico autoritário do atual reitor da USP, não é dificil perceber que o real interesse de Rodas está longe de ser a segurança no campus e sim a instalação de um aparato de repressão para não só impor as políticas do governador Geraldo Alckmin, como também reprimir movimentos sociais, nesse caso em particular, a organização de estudantes, professores e funcionários da universidade.
Cabe as diversas correntes do movimento estudantil deixar de lado as diferenças no presente momento, e unir forças para defender a autonomia universitária na USP contra o modelo feudal imposto por Rodas. É isso o que realmente está em jogo. Nem mais, nem menos.
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Tags: Desgoverno Alckmin · ocupa usp · ocupar reitoria · polícia de são paulo · tropa de choque na USP7 Comments



[...] According to cartoonist Carlos Latuff: Dado o histórico autoritário do atual reitor da USP, não é dificil perceber que o real interesse de Rodas está longe de ser a segurança no campus e sim a instalação de um aparato de repressão para não só impor as políticas do governador Geraldo Alckmin, como também reprimir movimentos sociais, nesse caso em particular, a organização de estudantes, professores e funcionários da universidade. Given the authoritarian background of the current SPU Dean, it’s not hard to understand that Rodas' real interest is far from the campus’s security, but rather the installation of an apparatus for repression, in order to impose the Governor Geraldo Alckim's politics, as well as to repress social movements, in this particular case, the assembly of the university’s students, teachers and employees. [...]
[...] cartunista Carlos Latuff explica: Dado o histórico autoritário do atual reitor da USP, não é dificil perceber que o real [...]
[...] http://mariafro.com.br/wordpress/2011/11/09/latuff-os-coturnos-do-senhor-reitor/ [...]
JULIAN ASSANGE chama atenção sobre as técnicas de manipulações de informações dentro das agencias de notícias.
Texto bem redigido, porém cheia de ideias distorcidas. A polícia está plenamente certa ao retirar os alunos à força. Os argumentos para retirar a polícia do campus são pautados na ideia de “liberdades aos acadêmicos”, mas essa liberdade é a liberdade de usar e comercializar drogas, o que pode e deve ser combatidos. Se esses “estudantes” não querem estudar, então porque não ficam em casa ou vão para uma boca de fumo, e param de ocupar as vagas de quem realmente quer estudar, realmente TEM FUTURO!
DONOS DA MÍDIA
A MANIPULAÇÃO das informações pela mídia é mais perigosa,porque quando um governo as manipula em detrimento do público e a mídia é forte,essa manipulação não se segura por muito tempo.Quando a própria mídia se afasta do seu papel crítico ,não somente os governos deixam de prestar contas como os interesses ou afiliações perniciosas da mídia e do seus permitem abusos por parte de governantes ..o caso mais recente é a invasão do IRAQUE EM 2003,alavancada pela mídia. JULIAN ASSANGE————————————————————————————-