Bob Fernandes: Três séculos, 386 anos de escravidão, racismo disfarçado, e ainda se discute a validade das cotas?

Maria Frô
Por Maria Frô abril 25, 2012 21:42 Atualizado

Um arraso o comentário do jornalismo Bob Fernandes em defesa das cotas

Supremo tribunal federal julga neste momento a política de cotas raciais nas universidades.

As ações contra as cotas no supremo tribunal federal são três. Uma ação contesta o Prouni, programa do Governo Federal que reserva bolsas de estudo para indígenas, pessoas com deficiência e alunos da rede pública. Portanto, cotas não apenas para negros, como se pensa e diz. As outras duas ações questionam cotas nas universidades de Brasília e do Rio Grande do Sul. Esse é um daqueles assuntos que dividem radicalmente as opiniões. Fico com as razões que brotam da história do Brasil e saltam aos olhos.

O Brasil viveu 386 vergonhosos anos de escravidão. Isso, são quatro quintos da nossa história. As chagas estão aí, até hoje. Só quem não mergulhou no Brasil além dos centros das capitais, quem nunca deixa as zonas de conforto e ilusão, pode afirmar que não existe a questão racial.

Afirma isso quem não sabe que mais de 250 jovens Kaiowá-Guarani, com idades entre 9 e 24 anos, se suicidaram nos últimos 15 anos. Nas proximidades de Dourados, Mato Grosso. Eu estive lá. Eu vi. Suicidaram-se pela opressão, pela falta de espaço, ausência de esperança. Como outras centenas de comunidades Brasil afora.
Exemplos gritantes, e aí já falando das cotas para negros. O STF, que hoje julga as cotas, tem 11 ministros. Só um é negro. Joaquim Barbosa. O Brasil tem 97 milhões que se declaram afro-descendentes. A câmara dos deputados, uma representação do país, tem 43 deputados negros ou descendentes. Apenas 8% do total dos 513 deputados.

O princípio da ação afirmativa já foi praticado, antes, em inúmeros casos no brasil. Em ações econômicas e sociais. Porque o barulho, o escândalo, quando surgem cotas para negros, índios e pobres? Porque isso nos tira da zona de conforto? Da ilusão, hipócrita, de coesão racial, social? Da ilusão de que o racismo não existe no Brasil, nem mesmo disfarçado?

Dados do IPEA: o salário médio dos brancos no Brasil é de R$ 1.850. O dos negros é de R$ 850. Os negros são 70% dos pobres e 70% dos indigentes do brasil. Não faltam números. Mas números são até desnecessários. Basta olhar em volta. Nas boas escolas privadas, nos ótimos shoppings, nos belos restaurantes, na mídia.
Trinta e cinco universidades e mais de 100 instituições do Brasil aderiram às cotas, sistema que já tem 10 anos. Segue o debate. Ótima ocasião para o Brasil discutir a si mesmo e sua história.

Alguns, como hoje no Supremo, num debate de peito aberto de parte a parte. Outros milhões debatem nas redes sociais. Milhares deles, quase sempre na condição de anônimos, deixam vazar todo o preconceito, o racismo que certos argumentos escondem. Acessem comentários em sites, blogs, e confiram.
O sistema de cotas tem claro, imperfeições. Mas as cotas já beneficiaram, por exemplo, 400 mil jovens negros no brasil. Que as cotas permaneçam. Até que a nossa história as torne desnecessárias.

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Maria Frô
Por Maria Frô abril 25, 2012 21:42 Atualizado
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5 Comentários

  1. Gerson Carneiro abril 25, 21:57

    Bob Fernandes se declara naturalizado baiano.

    Esse cara é SODA com PH.

    Eu quero lembrar que a LEI Nº 5.465, DE 3 DE JULHO DE 1968, durante muitos anos, a Lei 5465/68, destinou aos filhos dos latifundiários, 50% das vagas nos cursos de Agronomia e Veterinária.

    http://fazervaleralei.blogspot.com.br/2009/07/lei-do-boi-exemplo-de-cotas-para-nao.html

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  2. Adilson abril 26, 03:46

    Você já falou com os parlamentares sobre a CPMI do Cachoeira, que o PIG quer transformar na CPMI da Delta? Eu já falei, mandei e-mail para diversos parlamentares. Temos que atuar de maneira proativa, nós eleitores temos o poder de pautar a CPMI do Cachoeira, não tenham dúvidas de que os parlamentares estão observando e levam em conta a pressão dos eleitores.

    Por oportuno, quem não quer ter o trabalho de escrever uma mensagem para os Deputados e Senadores, copiem o e-mail abaixo que mandei para diversos parlamentares. Não obstante, se alguém preferir melhorar o conteúdo, que melhore, mas, vamos realizar por meio da internet um marketing viral e não deixe de enviar um e-mail para os parlamentares. A seguir a transcrição que encaminhei aos parlamentares:

    Exmo(a) Senador(a),

    Vimos por meio deste, em primeiro lugar cumprimentá-lo(a) pelo seu trabalho no parlamento para em seguida dizer que a nação brasileira, especialmente, as pessoas de bem, estão estarrecidas com as relações criminosas entre “políticos”, “empresários”, “jornalistas” , “magistrados” e “concessionárias de radiodifusão” demonstrada irrefutavelmente pela Polícia Federal no caso popularmente conhecido como “Cachoeira”. Honestamente, espero que V. Exma. não refute a sua missão de representar o seu Estado e atuar direta ou indiretamente na CPMI na busca dos fatos e, por conseguinte, se for o caso, propor medidas legislativas que possam coibir essas práticas repugnantes, mudando o que tiver que ser mudado, e exigir do Ministério Público que tome as providências de sua alçada, especialmente na esfera penal.
    Ocorre que vivemos um momento ímpar na história do Brasil, eis que nunca as podres vísceras da imprensa golpista esteve tão expostas como agora. V. Exma sabe que ninguém deve supor que está acima da lei, essa regra também vale para a imprensa que perdeu a noção do que é ser responsável, idônea, imparcial, séria e de caráter integro diante da divulgação dos fatos. Portanto é o cúmulo do absurdo um particular receber concessão pública do Estado para prestar um serviço essencial à sociedade, mas, prefere enveredar pelo caminho da injúria, da mentira, da difamação, da desinformação, da manipulação, da calúnia, e se mancomunar com o crime organizado. Em síntese Excelência, esse é o papel da mídia, salvo raras exceções, razão pela qual a CPMI deve servir para essa Casa Legislativa, criar a “Lei de Médios”.
    Sei que uma das funções do Senador é defender os interesses legais do seu estado, entretanto, como esse assunto fere e abrange toda a nação, com as vênias de estilo, tomei a liberdade de encaminhar essa mensagem eletrônica para mais de um(a) Senador(a), externando a minha indignação e a repulsa de milhões de brasileiros.
    Por fim, eu na condição de cidadão brasileiro não tenho dúvidas que Vossa atuação na CPMI do Cachoeira vai ser enérgica pela busca da verdade real. Além do mais o Congresso Nacional tem a obrigação de iniciar uma limpeza na política do Brasil e nos meios de comunicação / imprensa que apresentam essas conexões perniciosas com organizações criminosas.

    Cordialmente,

    Adilson.

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  3. Mauro Alves da Silva abril 26, 21:08

    11 a zero. STF reconhece que o Brasil é racista e que os negros têm direito constitucional à reserva de cotas nas universidades.

    O ministro Dias Toffoli não participa do julgamento porque deu parecer a favor das cotas quando era advogado-geral da União.

    Curioso o voto do ministro Gilmar Mendes. ficou nítido que ele queria votar contra as cotas na Universidade de Brasília, pois disse, com todass as letras, que o critério racial é incosntitucional. Mas o supremo rolando-lero parece que quis jogar para a galera… Mas não sem antes dizer que é favorável à cobrança de matrículas nas universidades públicas…

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