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MST: Estudos apontam que aumento do câncer segue ritmo do lucro com agrotóxicos

maio 8th, 2012 by mariafro

Estudos apontam que aumento do câncer segue ritmo do lucro com agrotóxicos

Por José Coutinho Júnior, Página do MST

8/05/ 2012

Dois estudos que associam o uso de agrotóxicos ao surgimento do câncer na população brasileira foram lançados na semana passada.

O dossiê feito pela Associação Brasileira de Pós-Graduação em Saúde Coletiva (Abrasco) sobre os impactos dos agrotóxicos na saúde aponta que um terço dos alimentos consumidos cotidianamente pelos brasileiros está contaminado.

O estudo foi feito a partir da análise de amostras coletadas em todas as 26 estados do Brasil,pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em 2011.

Estudo do Instituto Nacional de Câncer (Inca) sobre o câncer relacionado ao trabalho, que registra em torno de 500 mil novos casos da doença por ano, aponta que muitos dessas pessoas foram contaminadas por agrotóxicos (seja na sua aplicação e exposição pelos trabalhadores nas lavouras, seja no acumulo de veneno nos alimentos).

O estudo afirma que os venenos agrícolas devem estar no centro da preocupação da saúde pública, devido ao grande número de estudos anteriores que apontam o potencial cancerígeno dos agrotóxicos, além da ocorrência de outros agravos relacionados a esses produtos.

Uma série de agrotóxicos comprovadamente causa câncer, como o DDT/DDE, o 2,4-D, o lindane, o clordane, o agente laranja, o aldrin, o dieldrin, o alaclor, a atrazina, o glifosato, o carbaril, o diclorvos, o dicamba, o malation, o MCPA e o MCPP ou mecoprop.

O estudo relaciona câncer de mama, estômago e esôfago, cavidade oral, faringe e laringe e leucemias ao uso dos agrotóxicos.

Essas substâncias produzidas por grandes empresas transnacionais do agronegócio
contaminam os alimentos consumidos e causam doenças nos trabalhadores que trabalham na  aplicação nas lavouras.

De acordo com o estudo, a população rural é uma das mais afetadas, pois é o setor mais  exposto aos agrotóxicos. Por fim, os venenos também são responsáveis por contaminar as águas e tornar terras inférteis.

Indústria do agrotóxico

Apesar de todos os efeitos negativos apontados por estudos, a indústria dos agrotóxicos não pára de crescer.

Dados do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) mostram que, entre 1990 e 2010, o Brasil se tornou o maior consumidor de agrotóxicos do mundo. Nesse período, o mercado brasileiro de agrotóxicos cresceu 576%, dando um lucro de US$ 7,3 bilhões às empresas produtoras de venenos.

Sob o discurso de acabar com a fome do mundo por meio do aumento da produtividade, o agronegócio se utiliza dos agrotóxicos para controlar pragas causadas pelo próprio modelo baseado na monocultura

Ao plantar apenas uma cultura em larga escala, acaba com a diversidade local, o que dá origem a várias pragas, que demandam a utilização dos venenos. Além disso, a legislação brasileira permite diversos compostos químicos que já são proibidos em outros países, especialmente na Europa e nos Estados Unidos, que têm leis mais rígidas. Segundo a Anvisa,14 agrotóxicos comercializados no país são comprovadamente prejudiciais a saúde e já foram proibidos em outros países.

A maior utilização dos agrotóxicos se dá nas lavouras das commodities. Em 2010, a soja utilizou 44,1% de todos os venenos do país; algodão, cana-de açúcar e milho foram responsáveis por 10,6%, 9,6% e 9,3%, respectivamente.

As plantações de outras culturas representam 19% do consumo total. Como as commodities são tratadas como qualquer mercadoria, o intuito do agronegócio e do uso abusivo de agrotóxicos não é acabar com a fome, mas o lucro.

Crescimento desenfreado

Por que os agrotóxicos dominaram a produção rural brasileira? Segundo cartilha lançada pela Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida, a chamada “Revolução Verde” imposta pela Ditadura Militar abriu a porta para a entrada dos venenos no Brasil.

Com essa “revolução”, a agricultura do Brasil foi aberta para a exploração de empresas transnacionais, que venderam aos latifundiários máquinas responsáveis por expulsar boa parte dos camponeses, aumentar a concentração de terra e a pobreza, além dos agrotóxicos para o controle das pragas na lavoura.

A “Revolução Verde” buscou apagar da memória as formas antigas de proteção das lavouras, substituindo-as pelos agrotóxicos. Esses venenos se tornaram, de lá para cá, um dos pilares para o modelo de desenvolvimento agrário adotado pelo Brasil, o agronegócio.

A criação e uso das sementes transgênicas também incentiva o consumo de agrotóxicos, pois estas sementes são resistentes a um tipo de veneno específico produzido pela mesma empresa que vende as sementes.

Transição Agroecológica

O que se fazer para reverter este quadro? A Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida, assim como o dossiê da Abrasco, apontam o modelo agroecológico não só como alternativa ao agronegócio, mas também ao uso dos venenos.

A campanha propõe o resgate das técnicas naturais de proteção das lavouras, que foram deixadas para trás com a imposição do modelo do agronegócio.

É possível, segundo a cartilha, que agricultores que utilizam agrotóxicos realizem uma “transição agroecológica”, na qual gradualmente parem de utilizar os venenos, pois quanto mais agrotóxico se aplica, mais caro é o gasto na produção e maior a dependência das grandes empresas. Além disso, o modelo agroecológico propõe que se plante diversas culturas na mesma terra, de modo a se preservar a diversidade, o que diminui a incidência de pragas.

Abaixo, algumas das técnicas naturais sugeridas pela Campanha para proteção da lavoura:

EXTRATO DE FOLHA DE NIM

Secar e moer folhas de nim. Colocar 60g de folhas de nim em 1 litro de água. Deixar em repouso por 8 horas. Coar e aplicar na forma de pulverizações para controle de pragas.

CALDA DE FUMO

Picar 100g de fumo e colocar em meio litro de álcool. Acrescentar meio litro de água e deixar curtir por 15 dias. Depois dissolver 100g de sabão neutro em 10 litros de água e acrescentar a mistura. Aplicar na forma de pulverizações para controle de vaquinhas, cochonilhas, lagartas
e pulgões.

CALDA DE FUMO COM PIMENTA

Colocar 50g de fumo picado e 50g de pimenta picante dentro de 1 litro de álcool. Deixar curtir por uma semana. Misturar em 10 litros de água com 250g de sabão neutro ou detergente. Aplicar na forma de pulverizações para o controle de vaquinhas, lagartas e cochonilhas e insetos em geral.

CALDA DE CEBOLA

Colocal 1kg de cebola picada em 10 litros de água. Curtir por 10 dias. Coar e colocar 1 litro deste preparado em 3 litros de água para aplicar na forma de pulverizações. Age como repelente aos insetos como pulgões, lagartas e vaquinhas.

CRAVO DE DEFUNTO

Colocar 1kg de folhas e talos de cravo de defunto em 10 litros de água. Ferver por meia hora deixando de molho por duas horas. Coe e pulverize, visando o controle de pulgões, ácaros e algumas lagartas.

CALDA DE CAMOMILA

Colocar 50g de flores de camomila em um litro de água. Deixar de molho por 3 dias, agitando 4 vezes por dia. Coar e aplicar 3 vezes na semana, evitando doenças fúngicas.

ARMADILHA COM LEITE

Utilizar estopa ou saco de aniagem, água e leite. Distribuir no chão ao redor das plantas a estopa ou saco de aniagem molhado com água e um pouco de leite. Pela manhã, virar a estopa ou o saco utilizado e coletar as lesmas e caracóis que se reuniram embaixo para serem queimadas e enterradas em um buraco.

LEITE CRU E ÁGUA

Pulverizar sobre as plantas uma solução de água com 5 a 20% de leite de vaca sem pasteurizar para o controle do oídio, doença que ataca diversas hortaliças. O oídio é também conhecido como “cinza” porque causa grandes manchas brancas acinzentadas principalmente nas folhas e nos ramos.

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