Militar que confessou ter incinerado corpos na ditadura sofreu atentado, diz senador

Maria Frô
Por Maria Frô maio 17, 2012 15:44 Atualizado

Quem é que não tem interesse em revelar toda a verdade das torturas da Ditadura Militar? Os familiares dos mortos, desaparecidos é que não são.


Militar que confessou ter incinerado corpos na ditadura sofreu atentado, diz senador

Paulo Paim (PT-RS) faz apelo para que ministro garanta segurança de ex-delegado

Por Renan Truffi, Do R7

16/05/2012

Cláudio Guerra

Reprodução/Memórias de Uma Guerra Suja. Em vídeo, divulgado no site do livro Memórias de Uma Guerra Suja, Cláudio Guerra pede “rigor na investigação da usina, onde corpos foram incinerados”

O senador Paulo Paim (PT-RS) disse ao R7, nesta quarta-feira (16), que o ex-delegado e chefe do extinto Dops (Departamento de Ordem e Política Social), Cláudio Antonio Guerra, sofreu uma tentativa de assassinato na madrugada de hoje no Espírito Santo.

Recentemente, Guerra relatou aos jornalistas Marcelo Neto e Rogério Medeiros, no livro Memórias de Uma Guerra Suja, como incinerou corpos de adversários da ditadura numa usina de cana em Campos dos Goytacazes (RJ), ao longo de 1974. Ele também confessou outros assassinatos e se dispôs a falar na Comissão da Verdade, instalada nesta quarta.

Paim contou que ficou sabendo do atentado por meio dos autores do livro, que lhe pediram para falar sobre o ocorrido no Plenário do Senado. Segundo o senador, três homens cercaram a casa onde estava o ex-militar, em Vitória, antes de chegarem à varanda da residência.

— Ele [Cláudio] abriu a cortina e ouviu quando um deles falou que iria atirar. Então, ele pediu ajuda. Ligou para a polícia e para os autores do livro.

Ainda de acordo com Paim, os homens não conseguiram entrar no local e fugiram antes da chegada da polícia. Atendendo ao pedido, o senador denunciou o caso, na tribuna, e pediu ajuda do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, para garantir a segurança do delegado.

— Considero da maior gravidade a tentativa de assassinato, porque ele é um arquivo vivo dos crimes que ele mesmo cometeu. Li no livro que a responsabilidade dele, na ditadura, era matar, inclusive, enquanto outros torturavam. Por isso, aproveito este momento para, mais uma vez, fazer um apelo ao ministro da Justiça para que se dê a devida segurança para que ele possa depor na Comissão da Verdade e esses fatos todos possam ser esclarecidos.

O atentado acontece um dia antes do depoimento de Cláudio Guerra na Comissão de Direitos Humanos, que estava marcado para acontecer nesta quinta (17), em Brasília. De acordo com Paim, por causa do episódio, tanto Cláudio Guerra como os autores do livros não vão mais à sessão.

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