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Bob Fernandes: histórico epitáfio: “Você é nosso, nós somos teu”.

maio 21st, 2012 by mariafro

A CPI começava e dissemos que uma investigação pode, ou não, acabar em pizza. Outras CPIs não terminaram no forno. Para lembrar: Collor se viu obrigado a renunciar no rastro de uma CPI e, em breve, o chamado Mensalão será julgado. A CPI do Mensalão produziu 38 réus. Se eles são culpados ou inocentes é o Supremo Tribunal Federal que decidirá. Em 2005, a CPI cumpriu sua função.

Essa CPI de agora, a do Cachoeira e do Demóstenes, só escapará de um fim grotesco se surgirem revelações muito explosivas. Essa CPI já tem até um epitáfio. Nestes tempos eletrônicos, o epitáfio foi gravado não num túmulo, mas num celular.

A frase já entrou para a história: “A relação com o PMDB vai azedar na CPI. Mas não se preocupe, você é nosso e nós somos teu”. Como sabemos, esse foi um recado do deputado Vacarezza para o governador Sérgio Cabral. Vacarezza, ex-líder do PT e integrante da CPI.

A CPI, que nasceu na busca das articulações criminosas feitas via celular, pode morrer, ou renascer, por conta dessa mensagem via celular do Vacarezza. O que a frase explica é muito simples: está em andamento o ensaio de um acordão. Esse acordo é amplíssimo e pode ser resumido assim: vocês não pegam os nossos e nós não pegamos os seus.

Vamos recordar: o que a CPI deveria fazer? A CPI deveria investigar a empreiteira Delta e suas ramificações. A Delta tem bilhões em obras em 21 estados. Leia-se 21 governos estaduais. A Delta disputou e ganhou licitações de bilhões em obras do PAC. Leia-se do governo federal.

O dono da Delta, Fernando Cavendish, era corpo, champanhe e guardanapos com o governador do Rio, Sérgio Cabral. Cabral é do PMDB. Cabral deve, ou deveria ser investigado pela CPI. O Cachoeira e o Demóstenes são telefone e casa com o governador de Goiás, o Perillo do PSDB. Ele deve, ou deveria ser investigado pela CPI.

Da mesma forma que deve, ou deveria ser investigado o governador Agnelo, do PT de Brasília.

Se vazou, e noticiou, que a CPI investigaria também as obras de ampliação da Marginal do Tietê. Obras do tempo do governo José Serra em São Paulo. Percebam que tudo isso já começa a ser esquecido. Já sumiu do noticiário. Sinal de que os acordos avançam.

Os acordos avançam porque nenhum dos grandes partidos sairia dessa sem se queimar. Se o acordão for fechado, daqui a pouco virá a farsa seguinte: a da disputa sobre “Quem Matou a CPI”. Restará para os otários, nós todos, esse ridículo debate. E o histórico epitáfio: “Você é nosso, nós somos teu”.

E começou a CPI. Começou quente, apesar de tanta Cachoeira
Bob Fernandes: “Pizza”? Mais de 700 políticos já foram cassados

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  • É tanta cachorrada neste país que um maracanã seria pequeno pra abrigar tanto ladrão, tanto corrupto e pior, são disseminados em todos os poderes, inclusive o 4º poder a mídia. Só Deus, mermão, só Deus!

  • Cascata

    Ao contrário do que se diz, é fácil prever o resultado de uma CPI como a do Cachoeira. Basta somar os diferentes vetores conflitantes, pesando as forças das representações e seus elos diretos ou indiretos com os assuntos abordados. No caso específico, essa dinâmica tende a zero.

    Os adversários de Sérgio Cabral, Demóstenes Torres, Marconi Perillo e Agnelo Queiroz (aqui inclusos alguns inimigos da Copa do Mundo) apostam nas punições dos respectivos desafetos, mas não se incomodariam em abandonar o projeto pela absolvição dos próprios aliados. A oposição vê na Delta um atalho para demolir a imagem empreendedora do governo Dilma. O Planalto responde acenando com a esquecida Privataria Tucana. Todos brincam de guerrear, enquanto os bodes expiatórios são preparados para o sacrifício no momento oportuno.

    Parte do PT quer iluminar os bastidores nebulosos do escândalo midiático em torno do chamado “mensalão”, para refrear a ideologização dos votos no STF. Quanto mais aposta nos questionamentos ao procurador-geral Roberto Gurgel, no entanto, mais atiça o corporativismo e o senso de autonomia do Judiciário. Que, por sua vez, possui diversos instrumentos persuasivos contra a exaltação eventual de deputados e senadores.

    Outra ala da esquerda luta para atingir o tal Policarpo Jr e a Veja, seu panfleto reacionário, criando precedente para elucidar os abusos da imprensa corporativa nos últimos anos. Mas a blogosfera está redondamente enganada se pensa que os nobres congressistas abraçarão uma cruzada brancaleônica pela “murdochização” de Roberto Civita. A mídia graúda sabe o que está em jogo ali e mostra que não poupará esforços para desmoralizar os trabalhos da Comissão caso ela afronte certos limites. E, convenhamos, é bem fácil desmoralizar nossos egrégios representantes.

    Faltam poucos meses para o período eleitoral sepultar de vez a CPI e as expectativas que ela criou. Algo que seus protagonistas aceitarão com um suspiro aliviado e a certeza do dever cumprido.

    http://guilhermescalzilli.blogspot.com.br/

  • Bob Fernandes, comentarista político, foi uma lufada de ar fresco no jornal da Gazeta. Normalmente suas análises são ao mesmo tempo informativas, corajosas e equilibradas.
    Mas neste assunto da CPMI eu divirjo frontalmente de sua análise.
    Quem disse que a comissão parlamentar deveria investigar a Delta.
    Como já me expressei aqui mesmo neste blog ela deve investigar a ligação golpista Cachoeira, Demostenes, revista Veja.
    Bob poderia dizer ao menos que há divergências quanto ao foco em que a comissão deve se concentrar.

  • Curioso o Bob Fernandes : mais de 3 minutos tentando
    resumir a CPMI do Cachoeira , em seus pontos básicos , sem mencionar as palavras Veja, Policarpo e mídia.
    Que análise , heim I?