Devido à ditadura militar perdeu toda a primeira infância do primeiro filho

Maria Frô
Por Maria Frô julho 16, 2012 11:11 Atualizado

Emocionante a entrevista com o pai de Alexandre Padilha, ministro da Saúde, obrigado a fugir do país depois de torturado e abandonar a mulher grávida. Seu Anivaldo só conheceu Padilha aos 8 anos, perdeu toda a primeira infância de seu primeiro filho devido à ditadura militar.

Para ver os vídeos da entrevista, clique aqui

Atualização: o ministro contou-me via twitter que só conhecia o pai pela voz:

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Ao iG, pai de ministro narra a dor de viver longe do filho durante a ditadura

Anivaldo Padilha, pai do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, teve de fugir do País quando a mulher estava grávida e só conheceu o filho oito anos depois. Ele diz que a distância foi a pior das torturas: ‘É uma dívida que a ditadura tem comigo’, e cobra punição dos torturadores

Por: Nara Alves, iG São Paulo
16/07/2012
Com voz suave e afável, Anivaldo Padilha narra com precisão como foi amarrado nu a uma cadeira elétrica durante dias consecutivos no presídio Tiradentes – o mesmo onde a presidenta Dilma Rousseff esteve detida – no centro de São Paulo em fevereiro de 1970. Em entrevista ao iG, ele conta como fugiu do Brasil quando sua companheira estava grávida do filho mais velho, o agora ministro da Saúde, Alexandre Padilha. “As dores da tortura não foram tão fortes nem tão severas quanto as dores de sair nessas circunstâncias”, lembra.

No último dia 22 de maio, mais de 40 anos depois, a União reconheceu oficialmente que errou ao torturar aquele jovem militante da causa cristã e democrática. Por unanimidade, a Comissão de Anistia pediu perdão, declarou a condição de anistiado político a Padilha e o indenizou em R$ 230 mil. Agora, seu processo foi encaminhado à Comissão da Verdade e ao Ministério Público, para que os responsáveis pelas torturas e pelo seu exílio possam ser julgados.

“É uma dívida que a ditadura tem comigo e com meu filho que jamais vai ser paga porque eu fui privado de ter contato com ele na primeira infância. Só pude conhecê-lo pessoalmente quando ele já estava com oito anos de idade”, afirma emocionado. No exílio, Padilha se casou com uma americana e teve dois filhos, que se correspondiam com o meio-irmão brasileiro por meio de gravações em fitas k7 e desenhos.

Com a Lei da Anistia, em 1979, Padilha voltou ao Brasil e trouxe a nova família, mas sua mulher não se adaptou e retornou aos EUA, abrindo mão da guarda dos dois filhos. Há 15 anos, ele se casou novamente e hoje, aos 72 anos, é pai de uma pré-adolescente. A militância continua a fazer parte da vida de Padilha. Em junho, participou da conferência Rio+20 com um grupo da Igreja Metodista – denominação protestante da qual é membro desde a infância –, Anivaldo Padilha pede mudanças no desenvolvimento econômico. “O atual modelo de desenvolvimento é predador, sem quase nenhuma preocupação sócio-ambiental”, diz.

A noção de que sua vida pertence a Deus e às causas populares o salvou de cometer suicídio em 1970 e o mantém na ativa até hoje. Sempre vinculado às ações da igreja, mas com posições nada conservadoras, Padilha segue defendendo os mesmos princípios de liberdade de expressão. Na Parada Gay, ajudou a criar um bloco de religiosos contra a homofobia e de incentivo à distribuição de preservativos. São passos importantes em direção à consolidação da democracia, segundo ele.

Padilha considera que ainda há no País uma herança da ditadura militar que permeia o cotidiano de todo cidadão, impedindo que a sociedade dê um ponto final nesse passado precariamente esclarecido. “Precisamos acelerar o processo de redemocratização”, diz. Para isso, defende, são necessárias a revisão da Anistia, a divulgação de documentos, a abertura de arquivos, a Comissão da Verdade e, como espera há décadas, a condenação dos culpados.

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