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Haddad: “Após oito anos, a administração Serra-Kassab é um retumbante fracasso, uma prefeitura sem rumo”

julho 19th, 2012 by mariafro

Haddad: Serra se esforçou muito mais do que eu pelo apoio de Maluf

Por Marina Dias, Terra Magazine


Na gelada manhã de quarta-feira, 18 de julho, em São Paulo, o candidato do PT à Prefeitura, Fernando Haddad, chegou apressado à sede municipal do partido. De calça jeans, camisa branca e blazer azul claro, falava ao telefone enquanto caminhava até sua sala. Sentou-se em uma confortável cadeira preta e conferiu as principais notícias publicadas na internet.

Naquele dia, lembravam assessores, passava-se exatamente um mês da principal crise da campanha petista até aqui: em 18 de junho, o deputado Paulo Maluf anunciou o apoio de seu partido, o PP, à candidatura de Haddad, selado com uma foto ao lado do ex-ministro da Educação e de seu padrinho político, o ex-presidente Lula.

A imagem custou a desistência da deputada federal Luiza Erundina (PSB-SP) em ser vice na chapa petista. Considerada a companheira de chapa ideal para Haddad, por sua relação histórica com o PT, Erundina havia sido confirmada para o cargo dois dias antes da polêmica com Maluf.

Em entrevista exclusiva a Terra Magazine, Haddad diz que há “desinformação” sobre o assunto. “O PP apoia o governo Lula desde 2004 e, quando as pessoas são defrontadas com essa informação, as coisas se esclarecem”, explica. “Foi amplamente noticiado que o esforço do PSDB para conseguir o apoio do PP era muito maior do que o nosso”, completa o petista em referência ao tucano José Serra, a quem Haddad considera seu “principal adversário”.

Estreante em eleições, o ex-ministro da Educação se coloca como “candidato da mudança” e diz que, se eleito, levará o “êxito do governo federal” para São Paulo. “Após oito anos, a administração Serra-Kassab é um retumbante fracasso, uma prefeitura sem rumo”.

Terra Magazine, o candidato petista antecipa alguns dos conceitos que serão utilizados em seu programa no rádio e na TV – o horário eleitoral gratuito tem início dia 21 de agosto. Assim como seu slogan, “O homem novo para um tempo novo”, a campanha desenvolvida pelo marqueteiro baiano João Santana abordará a dimensão do tempo em todas as áreas consideradas pelo PT “problemáticas” em São Paulo.

“Nossa proposta irá dialogar com aquilo que é mais caro para o paulistano hoje: a questão das filas de espera, tanto para agendar uma consulta, como para fazer um exame, sobretudo de imagem, ou uma cirurgia. [...] Vamos falar sobre a dimensão do tempo no que diz respeito ao transporte, à saúde e à educação, que pretendemos ampliar com escola em tempo integral”, explica Haddad.

Confira a seguir os principais trechos da entrevista:

Terra Magazine – Em uma eleição municipal com pelo menos sete candidatos pontuando nas últimas pesquisas de opinião, por que o senhor se considera o mais preparado para ser prefeito de São Paulo?

Fernando Haddad – Com todo o respeito aos demais concorrentes, entendo que participei de quatro governos bem-sucedidos: com Marta Suplicy, em São Paulo, por dois anos e meio (Secretaria de Finanças e Desenvolvimento Econômico), do governo Lula, por quase oito anos, e do governo Dilma, por um ano (ambos à frente do Ministério da Educação). Todos eles, segundo pesquisas, foram muito bem avaliados, sendo que, no plano federal, onde fui ministro da Educação por seis anos e meio, Lula e Dilma bateram recordes de aprovação. Ou seja, demonstraram capacidade de formulação e execução de políticas públicas. E o que nós queremos trazer para a cidade de São Paulo é esse êxito do governo federal, porque a administração Serra-Kassab está muito mal avaliada. Há a sensação de que houve uma perda de oportunidade muito grande frente ao bom momento econômico que o Brasil está vivendo e que a Prefeitura de São Paulo não soube aproveitar, apesar do recorde de orçamento, que triplicou nos últimos anos. Esse desequilíbrio é o que nos faz crer que temos uma proposta que pode mobilizar corações e mentes em São Paulo.

Quando fizemos uma entrevista, em setembro do ano passado, o senhor ainda não havia sido oficializado candidato à Prefeitura de São Paulo, mas o cenário era dado como certo. Na ocasião, o senhor disse que Lula tinha vontade de renovar a política e por isso apostava em seu nome. O senhor irá renovar o PT? Considero que esse movimento de renovação é de âmbito nacional. De certa maneira, o Nordeste saiu na frente com a renovação de quadros em praticamente todos os estados e isso trouxe muito progresso para a região. A renda do trabalhador, os investimentos, a educação… tudo reagiu bem no Nordeste. Com raras exceções, as velhas lideranças foram substituídas por uma classe política mais jovem, mais antenada com o futuro, mais conectada com a inovação e considero que isso seria muito bom para São Paulo.

O candidato do PSDB à Prefeitura, José Serra, é um político com experiência, já que está em sua quinta eleição. Dessa forma, ele não faz parte do “quadro de renovação” que o senhor citou. Por que o senhor acredita que ele está na frente nas pesquisas – com cerca de 30% das intenções de voto –, e com tanta vantagem sobre os adversários? Vejo a situação de Serra como muito difícil nesse momento. Considero que, concorrendo com pessoas que estão vivendo sua primeira experiência em eleição majoritária, e ele sendo um quadro que concorreu duas vezes à Presidência do Brasil e concorre pela quarta vez à Prefeitura de São Paulo, estar estacionado em 30%, com um índice de rejeição superior ao de intenção de votos, não me parece uma situação confortável. É uma questão de tempo para que as pessoas possam conhecer as propostas e os candidatos que se colocam como uma alternativa à administração atual.

O senhor acha que será o início do horário eleitoral gratuito no rádio e na TV, a partir de 21 de agosto, que irá fazer sua candidatura decolar e sair dos 6% das intenções de voto? Não há dúvidas de que em uma comunidade com 11 milhões de habitantes, como São Paulo, a TV é um elemento decisivo. É a maneira mais eficiente de fazer chegar uma mensagem ao eleitor. O corpo a corpo na cidade de São Paulo é quase impossível.

Apesar de a campanha ter sido oficializada há apenas treze dias, o senhor está fazendo atividades como pré-candidato já há algum tempo. Como estreante numa disputa eletiva, o que o senhor aprendeu sobre a rotina de um candidato e que considera imprescindível para ter sucesso na eleição? A saída aos bairros se divide em duas etapas: a pré-campanha, que é colher subsídios para elaborar um plano de governo, e a campanha propriamente dita, para pedir votos. Em que medida o corpo a corpo é importante? É um termômetro das principais aflições da população e, para minha surpresa, confesso que meu maior aprendizado foi esse… Jamais poderia imaginar que a área que meu principal adversário (José Serra) disse que resolveria é considerada a de pior avaliação da atual administração, justamente a saúde. Ou seja, Serra se elegeu com a bandeira da saúde e, depois de oito anos, você vai às ruas e observa que a maior reclamação das pessoas é por causa da saúde.

Para o senhor, então, saúde é o principal problema de São Paulo? Se eleito, o que vai fazer para resolver essa questão? Sim. É a saúde. Nossa proposta irá dialogar com aquilo que é mais caro para o paulistano hoje: a questão das filas de espera, tanto para agendar uma consulta, como para fazer um exame, sobretudo de imagem, ou uma cirurgia. A população não suporta mais o tempo que a atual administração impos para essas filas. Inclusive, meu programa de TV vai dialogar com essa dimensão do tempo em todas as áreas: tanto no que diz respeito ao transporte, para diminuir o tempo de deslocamento, com a aproximação do emprego ao morador, até o investimento no transporte coletivo, como também com a questão do tempo na escola, que pretendemos ampliar com educação em tempo integral, etc. O tempo estará presente em todas as minhas propostas. E é por isso que o nosso slogan (Haddad, o homem novo para um tempo novo) trabalha com a questão de um tempo novo para São Paulo.

O senhor chamou José Serra de “principal adversário” e, historicamente, as eleições em São Paulo acabam se polarizando entre PT e PSDB. Por que o senhor acredita que essa é a melhor forma de lidar com a disputa na capital paulista? A polarização vai acontecer com o desdobramento das propostas de governo que serão apresentadas e é isso que vai determinar a dinâmica da campanha. Nós sabemos que faremos a melhor proposta para a cidade. Não tenho dúvida disso. Eu saí com muita antecedência do Ministério da Educação (janeiro de 2012) para fazer uma imersão profunda na cidade, com ajuda de especialistas conceituados de todas as áreas, porque entendo que São Paulo merece um futuro melhor do que o oferecido pela atual administração. A Prefeitura do Kassab está perdida do ponto de vista do planejamento estratégico. Após oito anos, a administração Serra-Kassab está sem rumo, é um retumbante fracasso do ponto de vista do planejamento urbano.

Em atos públicos, seu discurso tem sido muito crítico em relação à administração do prefeito Gilberto Kassab (PSD). O senhor pretende manter esse tom até o fim da campanha? Na verdade, a campanha tem que auxiliar o eleitor a fazer um diagnóstico. O que o eleitor espera de você são propostas. Nós vamos usar o nosso horário eleitoral para fazer as propostas, mas essa proposição tem que ser antecedida de um discurso realista sobre a cidade de São Paulo que, do ponto de vista do poder público, não é confortável.

Por mais que não tenha havido nenhum convite oficial, sabemos que o PT chegou a flertar com o PSD, de Kassab, para uma eventual aliança nas eleições em São Paulo. O senhor não se sente desconfortável em fazer tantas críticas a alguém que poderia ser seu aliado? Não. Na verdade o flerte foi o oposto, pois partiu do prefeito Gilberto Kassab e não se concretizou. O prefeito sequer procurou formalmente o presidente do PT-SP (vereador Antonio Donato) em busca de uma aproximação. Não há desconforto nenhum. Todas as vezes que fui sondado sobre esse assunto, deixei claro que não abdicaria da minha posição de candidato da mudança.

A aliança com o PP de Paulo Maluf causou polêmica e indignação entre vários eleitores do PT, que se manifestaram contra o acordo, principalmente nas redes sociais. O senhor se arrepende de ter fechado com o Maluf? Há um pouco de desinformação sobre o fato de que o PP apoia o governo Lula desde 2004 e, quando as pessoas são defrontadas com essa informação, as coisas se esclarecem. E há, naturalmente, da parte daqueles que procuraram o apoio do PP e não conseguiram, um impulso de personificar (na figura do Maluf) o acordo para diminuir o fato concreto, que é o fato de terem perdido um apoio que não conseguiram angariar.

O senhor acha que a foto do ex-presidente Lula ao lado de Maluf, junto com o senhor, foi o agravante para essa polêmica? Foi um erro tirar aquela foto? Aquilo foi exploração por parte daqueles que, muito mais do que eu, tentaram conseguir o apoio do PP e não conseguiram. Enfim, foi amplamente noticiado que o esforço feito pelo PSDB para conseguir o apoio do PP era muito maior do que o nosso.

A deputada federal Luiza Erundina (PSB-SP) já havia anunciado, na sexta-feira (15 de junho), que seria sua vice. Três dias depois, após o acordo e a foto com o Maluf, ela voltou atrás e disse que não sabia da aliança entre PT e PP. Erundina realmente não sabia? Por que ela reagiu dessa maneira? Recomendo a releitura das entrevistas que ela deu na ocasião do anúncio do apoio do PSB à minha candidatura. Na própria sexta-feira (15), ela tinha deixado claro que isso (a aliança do PT com o PP) não seria empecilho para ela compor chapa conosco.

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