Eleições na rede: Pense Novo para enfrentar velhos discursos e práticas

Maria Frô
Por Maria Frô julho 21, 2012 22:50 Atualizado

Dois textos que mostram bem a diferença entre PT e PSDB em seu modo de fazer campanha na rede (que pode se estender para outros campos)

PT está fazendo internet de verdade nesta campanha em SP; já era tempo

Juliano Spyer, Não Zero 

20/07 2012

O PT veio para essa disputa pela prefeitura de SP para ganhar. Demonstrou isso ao corresponder à tentativa de aproximação de Kassab, depois ao confirmar a coligação com Maluf. Mas há mais coisa acontecendo. Sua campanha na internet está ousando de maneira inteligente. Já era hora disso acontecer.

Soninha não pode ser avaliada porque ainda não lançou sua presença online oficial. Russomano, Chalita e Paulinho vieram com o trivial sem brilho. Quem garimpar o que se fez há quatro anos na disputa paulistana vai encontrar as mesmas soluções: sites com muito texto e algumas promessas vãs de dar protagonismo ao eleitor.

Sobram Serra e Haddad disputando a atenção dos paulistanos na internet e a diferença entre eles é gritante. O primeiro faz bem-feito, mas não faz bem. Nota-se que há dinheiro na sofisticação visual e em alguns elementos como a integração de comentários com o Facebook, mas não passa disso.

A internet da campanha Serra continua subordinada à comunicação tradicional. Por subordinada, quero dizer que ela vive de reprocessar o conteúdo feito para outras plataformas. É uma comunicação de massas que aposta na TV e no relacionamento eficiente com os veículos de imprensa.

Não dá para dizer que a internet seja o centro da plano de comunicação da campanha Haddad, mas ela não é tratada como subordinada. E isso tem a ver com a aparência e ainda mais com o conteúdo. A seguir vou mencionar alguns itens que eu encontrei a partir de uma exploração rápida:

- Domínio: A gente espera aquela monotonia de ter nome-do-candidato e número. O site de Haddad é pensenovo.tv e, por isso, a gente já se desarma da expectativa de encontrar propaganda eleitoral.

- Layout: Eu pelo menos nunca tinha visto um site de político todo feito em fundo escuro. Ficou ousado e ajudou a afastar a simbologia de material promocional repetitivo e óbvio.

- Vídeo: Com 70 milhoes de internautas da classe C e muitos estímulos brilhantes na internet, é inteligente oferecer uma forma de comunicação menos exigente do que o texto escrito. E o site de Haddad é fundado em vídeos que têm o tamanho e o jeito do vídeo online.

- Conteúdo viralizável: Haddad não pede para usuários “participarem”. A campanha petista sabe que as pessoas vão falar de seu candidato, bem ou mal, em seus espaços de socialização. E para quem quiser falar bem, há no site um arsenal de conteúdo que pode ser viralizado, especialmente vídeos.

- Temperatura: O conteúdo do site é quente. Tanto em termos cronológicos – feito recentemente – como em termos de formato, ou seja, é editado para chamar e manter a atenção. Tem movimento, rua, gente falando, emoção, informação, tudo isso junto e misturado.

Fica a pergunta: o tamanho do orçamento da campanha está fazendo a diferença? E a resposta é: sim e não. Dinheiro serve para fazer uma coisa bem-feita, mas não impõe que se faça o certo.

A maior parte do que Haddad faz não está fora do alcance mesmo de candidatos com orçamentos modestos: conteúdo quente em vídeos curtos, que podem circular nas redes e que humanizam e aproximam o candidato de seu eleitorado. Isso é fazer certo hoje.

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Tucanos criam ‘Infantaria 45′ para ação na rede

O Estado de S.Paulo

21/07/2012

A juventude do PSDB montou um grupo batizado de “Infantaria 45″ para divulgar propostas de José Serra na internet. O grupo diz que pretende responder a provocações que atribui a militantes de partidos adversários.

A equipe é formada por militantes tucanos e recebe orientações de integrantes da equipe de campanha do PSDB. “Nosso objetivo não é atacar, é fazer uma campanha propositiva e discutir soluções para a cidade”, afirma o secretário nacional de Juventude do partido, Wesley Goggi.

A ação da “infantaria” será voluntária, mas os militantes receberão orientações e missões diárias da equipe de campanha.

Na sexta-feira da semana passada, por exemplo, quando petistas lançaram no Twitter a campanha “13 dá sorte”, em alusão ao número do PT na urna eletrônica, os tucanos passaram a difundir a expressão “13 dá azar”.

Segundo o coordenador de comunicação de Fernando Haddad, vereador José Américo, a campanha descarta a hipótese de fazer uma coordenação centralizada da militância. Ele ironizou o tom bélico da “Infantaria 45″ e disse que a internet não aceita esse tipo de iniciativa. “Somos contra montar brigadas ou infantarias na web ou tutelar nossos apoiadores”, afirmou. “Do nosso lado, temos apenas apoios espontâneos.” Um dos internautas que defende Haddad na internet é o jornalista Leandro Rodrigues, de 25 anos, criador do perfil “Somos Haddad” no Twitter e Facebook. “Quando alguém escreve uma crítica fundamentada, respondemos no mesmo tom”, disse. / B.B. e B.L.

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Maria Frô
Por Maria Frô julho 21, 2012 22:50 Atualizado
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3 Comentários

  1. Frederico Gorski julho 22, 01:01

    O site do Haddad é diferente mesmo, mas eu tenho minhas dúvidas se empolga. Para mim, não. Pode ser que engrene, mas sei lá… não gostei. Questões estéticas. O conteúdo é bom, porém o design cansa. Cansa muito… De toda forma, tem o mérito da inovação

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  2. Victor Farinelli julho 22, 02:04

    Cuidado com o Russomano, ele é um candidato perigoso.

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  3. Ana Cruzzeli julho 22, 10:26

    Eu acho que tudo foi montado para eleger sim o Haddad, mas há algo de vanguarda visando 2014.

    O sitio no meu ponto de vista está trabalhando o jovem que tem hoje 14 anos e sim pode influenciar os pais para votar em um candidato, mas especialmente trabalhando os que já tem 16 a 18 anos que estão engatinhando na procura do posicionamento politico.

    Os que tem hoje 14anos em 2014 terão 16anos e já podem votar. Os que tem 16 anos agora e não optaram por votar, em 2014 terão essa obrigação. Só que obrigação é coisa tipo CHATA para a molecada então a politica tem que ser divertida dosada com grau de engajamento responsável.

    Como o Frederico colocou, há muto estimulo visual que cansa os que tem mais idade, mas a molecada adora isso.
    Olha só a estrela com a gravatinha do icone do homem novo, foi muito bem sacado é divertido de se olhar não só para o adolescente para a criançada também. Olha o que aconteceu pelo Brasil em 2010, as mães vestiam seus filhos com a camiseta de Dilma durante a repressão. Aqui em Brasilia virou febre em São Paulo também, no Brasil inteiro.

    Quando eles colocam o Haddad moleque, ele atingi a meninada, quando ele coloca o Haddad adolescente em transformação é quase um chamamento para a participação jovem.

    Alguns criticaram o tema ¨o novo¨, pois não entendem que você pode ser um homem ou mulher de certa idade mas de cabeça jovem. Vide o caso de Dilma que arrebatou a meninada que fizeram aquele video tipo Lady Gaga? Tem uma meninada que adora politica e adora se manifestar e não quer guerra , quer se divertir e isso só acontece na PAZ.

    A campanha do Serra chama a gurizada para guerra. Esse foi um tiro no pé, a meninada quer paz, diversão com responsabilidade.

    O futuro presidente Zezinho não toma jeito mesmo.

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