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Não é Demóstenes que é convicente é você que quer ser enganado

maio 3rd, 2012 by mariafro
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“O conservadorismo preocupa-se apenas com seu próprio bolso. Para o povo, oferece moralismo.”

O segredo de Demóstenes Torres 

Por Paulo Moreira Leite, em sua coluna em Época

3/05/2012

Confesso que não dá para ficar espantado com as delinqüências do bicheiro Carlinhos Cachoeira. Sem ser preconceituoso, pergunto: o que se poderia esperar de um contraventor a não ser que se dedicasse à contravenção?

Que fosse rezar ave-maria depois de pagar aposta no jacaré e no leão?

Mas há motivo para se espantar com o sucesso de Demóstenes Torres. Como ele conseguiu enganar tantos por tanto tempo?

A resposta não se encontra no próprio Demóstenes, mas em quem se deixou ser enganado.

O senador é um produto típico do radicalismo anti-Lula que marcou a política brasileira a partir de 2002. A polarização política criada em certa medida de modo artificial foi um campo fértil para políticos sem programa e aproveitadores teatrais.

Demóstenes contribuiu com sua veemência e sua falta de freios para criar um ambiente de intolerância política no Congresso, reeditando o velho anti-comunismo da direita brasileira, da qual o DEM é um herdeiro sem muitos disfarces.

Num país onde a oposição se queixava de que não havia oposição, Demóstenes apresentou-se. Contribuía para estimular o ódio e o veneno, com a certeza de que nunca seria investigado. Aliás, não foi.

Caiu na rede de seu amigo e parceiro Cachoeira. Se aquele celular fajuto de Miami fosse mesmo à prova de grampos, é provável que até hoje o país estivesse aí, ouvindo Demóstenes e seus discursos…

Quem sabe até virasse uma estrela da CPI…sobre Carlinhos Cachoeira.

Nunca se fez um balanço da passagem de Demóstenes pela secretaria de Segurança de Goiás, nunca se conferiu a promessa (doce ironia!) de acabar com o jogo do bicho no Estado nem as razões de seu afastamento do PSDB de Marconi Perillo.

Demóstenes dava até entrevistas contra as cotas e escrevia textos citando Gilberto Freyre. Pelo andar da carruagem, em breve seria candidato a Academia Brasileira de Letras e um dia poderíamos ouvi-lo tecendo comentários sobre a obra de Levi-Strauss, sobre a escola austríaca de economia…

O senador foi promovido, tolerado e bajulado por uma única razão: necessidade.

Nosso conservadorismo está sem quadros e sem votos. Lembra a conversa de que “faltam homens, faltam líderes”? Vem desde 64…

A dificuldade de construir um programa político autêntico e viável para enfrentar a competição pelo voto está na origem de mais um embuste.

Já tivemos Jânio Quadros, Fernando Collor… Felizmente Demóstenes não chegou tão longe.

Mas todos foram mestres na arte de esconder seu real programa político e oferecer a moralidade como salvação suprema.

O carinho, a atenção, a boa vontade com que Demóstenes foi tratado mostra que teria um longa estrada pela frente. Não lhe faltavam sequer intelectuais disponíveis para oferecer um verniz acadêmico, não é mesmo?

Há um problema de origem, porém.

A história da democratização brasileira é, basicamente, a história da luta da população mais pobre para conseguir uma fatia melhor na distribuição de renda. Este era o processo em curso antes do golpe que derrubou Jango. A luta contra o arrocho e contra os truques para escamotear a inflação esteve no centro das principais manifestações populares contra o regime.

Desde a posse de José Sarney que o sucesso e o fracasso de cada presidente se mede pela sua competência para para responder a esse anseio.

Aquilo que os economistas chamam de plano anti-inflacionário, estabilização monetária e etc, nada mais é, para o povão, do que defesa de seu quinhão. O Cruzado e o Real garantiram a glória e também a desgraça de seus criadores apenas e enquanto foram capazes de dar uma resposta a isso.

Essa situação também explica a popularidade de Lula, ponto de partida para o Ibope-recorde de Dilma.

E aí chegamos à pior notícia. O conservadorismo brasileiro aposta em embustes porque não quer colocar a mão no bolso. Quer votos mas não quer mexer – nem um pouquinho – na estrutura de renda. Quer embustes, como Demóstenes.

Fiquem atentos. Quem sabe o próximo Demóstenes apareça na CPI do Cachoeira, do Cavendish … e do Demóstenes.

O conservadorismo preocupa-se apenas com seu próprio bolso. Para o povo, oferece moralismo.

Leia também:

Corrupção, moralistas,cidadania high society e nenhuma reforma politica

 

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E começou a CPI. Começou quente, apesar de tanta Cachoeira

maio 3rd, 2012 by mariafro
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E começou a CPI. Começou quente, apesar de tanta Cachoeira.

Os tentáculos do bicheiro Cachoeira são tantos, e tão profundos, que essa extensão ditou o rumo dos debates no primeiro dia da CPI. Mas, claro, sem que seja dito que o debate é exatamente sobre até onde a CPI vai ou não vai.

Uma parte da CPI quer abrir o coração, o cofre da Delta. Abrir, mas até onde? A Delta, de Fernando Cavendish, é a empreiteira que, segundo a gramparia, regava campanhas e bolsos Brasil afora. Empreiteira presente, informa o noticiário, em obras em mais de 20 estados. Ampliar ou restringir os tiros na Delta? A intenção varia de acordo com o partido e o deputado ou Senador. Assim o que se tem, em resumo, é o seguinte: quem é aliado do governo federal tenta dirigir a CPI contra alvos do PSDB e do DEM.

Os alvos existem, não são poucos e não se restringem ao governador Perillo, tucano de Goiás, e ao senador Demóstenes, do DEM. A base aliada, mais precisamente o PT, mira em obras da Delta em São Paulo. Mira nos R$ 281 milhões pagos pelo governo de São Paulo à empreiteira Delta por obras entre 2003 e abril deste 2012.

O PT mira na ampliação da marginal do Rio Tietê. O alvo, portanto, é ex-governador José Serra, agora candidato a prefeito. Já a oposição, o PSDB e o DEM, miram, primeiro, no governo federal. Quando propõem iluminar as entranhas e os bilhões pagos à Delta no PAC, e não apenas no PAC, os alvos são, óbviamente, dois: os governos da presidente Dilma e do ex-presidente Lula. Além de alvos menores, como o governador Agnelo, do PT de Brasília.

Nesse primeiro dia de CPI ficou claro algo previsto aqui. O ex-presidente Collor, que renunciou após um processo de impeachment, chegou com sede ao pote. Seus objetivos são dois: um, voltar ao primeiro plano da política. O segundo objetivo, decorrente do primeiro, mistura cálculo e vingança.

No caso Cachoeira, setores da mídia tem mesmo explicações a dar, mas, isso à parte, Collor aparenta, ou simula, sentir-se traído.

Traído por aqueles que o ajudaram a se tornar presidente em 1989 e que, depois, mesmo tardiamente, publicaram o que era seu governo. Ao se vingar estaria, ao mesmo tempo, desmoralizando quem ajudou a derrubá-lo. O debate sobre constitucionalidade, no primeiro dia da CPI, foi cortina de fumaça.

A briga real é para abrir mais, ou menos, o coração e o cofre da Delta. O risco que correm, e que seria uma benção para o Brasil, é que o bicheiro Cachoeira abra o coração. E solte a língua.

Leia também:

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Jornal da Record: Inquérito da PF aponta ligação suspeita entre Cachoeira e revista Veja

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Não é Demóstenes que é convicente é você que quer ser enganado

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E começou a CPI. Começou quente, apesar de tanta Cachoeira

Veja Cascateira

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Na posse de Brizola Neto uma aula de história de Dilma Rousseff

maio 3rd, 2012 by mariafro
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O twiteiro @rei_lux pegou uma super mancada da Globo News, enquanto cobria, hoje, a posse de Brizola Neto, como ministro do Trabalho. Mas o mais importante neste vídeo não são os erros cada vez mais comum da Globo e sim as informações sobre medida que a presidenta dá a um jornalismo preguiçoso que sabe muito pouco sobre a história do Brasil.

Atualização
Presidente homenageia Jango e Brizola em posse de ministro
Por Fernando Exman e Yvna Sousa, Colaborou João Villaverde | De Brasília, Valor Econômico
04/05/2012

A presidente Dilma Rousseff aproveitou ontem a cerimônia de posse do novo ministro do Trabalho, o deputado federal Brizola Neto (PDT-RJ), para passar um recado aos líderes políticos, dirigentes de centrais sindicais e movimentos sociais presentes à solenidade: seu governo lançará mão das medidas necessárias para reduzir as taxas de juros, evitar que o câmbio seja alvo de políticas monetárias expansionistas de outros países e reduzir a carga tributária para níveis que assegurem uma maior competitividade aos produtos nacionais.

“Temos certeza que o Brasil tem três grandes problemas a solucionar, e eu vou falar do ponto de vista das metas”, afirmou Dilma em seu discurso, sintetizando um plano do primeiro mandato que, se bem sucedido, traduzirá a principal marca da sua campanha de reeleição. “Queremos um país com taxas de juros compatíveis com aquelas praticadas no mercado internacional. Queremos que o nosso câmbio não seja objeto de políticas [monetárias] expansionistas, que, de forma artificial, sobrevalorizem a moeda brasileira e tornem também de forma artificial os nossos produtos pouco competitivos. É a chamada amarra do câmbio. E queremos que o país tenha impostos mais baixos para segurar a produtividade dos seus produtos, dos seus processos de trabalho.”

Em seu discurso, Dilma também buscou fortalecer politicamente seu novo auxiliar. A posse de Brizola Neto ocorreu cinco meses depois que Carlos Lupi, presidente do PDT, foi exonerado do cargo após denúncias de irregularidades. A escolha do deputado fluminense ocorreu em meio a uma disputa no partido, e não agradou à cúpula da sigla. Disputavam também o cargo o deputado federal Vieira da Cunha (RJ) e o secretário-geral do PDT, Manoel Dias. Ambos contavam com maior apoio da Executiva Nacional do partido, mas Brizola Neto conseguiu cacifar-se entre as centrais sindicais.

Agora, Brizola Neto terá de tentar promover uma pacificação entre as diversas alas de seu partido. Um sinal da crise existente na sigla e o mal estar com o governo foi a ausência dos líderes do PDT no Congresso da reunião de ontem de Dilma com seu conselho político para tratar da mudança das regras da poupança. No mesmo horário, os pedetistas estavam em uma reunião fechada na sede do partido.

A presidente, que fundou o PDT no Rio Grande do Sul antes de filiar-se ao PT e foi aliada do ex-governador do Rio de Janeiro Leonel Brizola, avô do novo ministro do Trabalho, valorizou a história familiar de Brizola Neto. “Não bastasse levar o sobrenome Brizola, o novo ministro do Trabalho carrega consigo a história do seu tio-avô João Goulart, ex-presidente da República. Em 1953 – vejam os senhores que coincidência -, também aos 34 anos, também jovem e determinado, Jango foi empossado ministro do Trabalho do governo democrático de Vargas”, destacou Dilma.

A presidente também deu a Brizola Neto a missão de tentar recolocar o Ministério do Trabalho no centro das decisões do governo. A Pasta ficou esvaziada depois que a Secretaria-Geral da Presidência assumiu a interlocução do Palácio do Planalto com os sindicatos e demais movimentos sociais. “A missão foi acertada entre eu e a presidente, que pediu uma maior evidência do ministério no debate público”, disse o ministro.

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Leandro Fortes: Sem a Delta, mídia e oposição ficam no escuro

maio 3rd, 2012 by mariafro
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Sem a Delta, mídia e oposição ficam no escuro

Por: Leandro Fortes. Em seu blog

Essa tentativa da Globo e suas coirmãs de colocar a Delta como foco principal da CPI do Cachoeira é primária e, agora, inútil. A intenção é botar o PAC na dança e intimidar o governo federal e o PT, de modo a não se investigar o que realmente interessa: as relações do bicheiro com a mídia, notadamente, com a Veja. A repórter Conceição Lemes, do site “Viomundo”, de Luiz Carlos Azenha, revelou que as gestões de Geraldo Alckmin e José Serra, em São Paulo, fizeram contratos de 1 bilhão de reais com a Delta. Logo, essa tentativa de colar a empreiteira com o governo federal só vai dar certo se a bancada governista na CPI, que é maioria, tiver um acesso coletivo de demência e paralisia moral.

A velha mídia fez um acordão para silenciar as ligações de Cachoeira com a Veja, como se não existisse internet, blogs e as redes sociais. É ridículo e inacreditável esse descolamento da realidade. No futuro, será um dos estudos de caso mais interessantes sobre a história do jornalismo no Brasil. Sem a Delta, a mídia perde, também, a capacidade de fazer pressão sobre o governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz, do PT. Ainda mais depois que se descobriu a dinheirama colocada pelos tucanos na empreiteira nos governos Alckmin e Serra.

Digo mais: se o país perder essa chance de sanear esse esgoto midiático e golpista que nos transformou numa sociedade iletrada e ignorante, o futuro irá nos escorrer pelos dedos, talvez, para nunca mais.

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