Para expressar a liberdade

Maria Frô - ativismo é por aqui

Maria Frô header image 4

Memórias da ditadura militar de Alexandre Padilha, ex-ministro da saúde e o próximo governador do estado de São Paulo

março 31st, 2014 by mariafro
Respond

Na primeira foto, detalhe da manifestação ocorrida hoje em frente ao DOI-CODI;  na foto inferior, o ex-ministro das Relações Institucionais de Lula e da Saúde de Dilma e atual candidato ao governo do estado abraça seu pai, Anivaldo Padilha.
As fotos foram postadas por Padilha que assim a legendou em seu Facebook: “Emoção nos olhos de cada um dos que estiveram hoje no ato #DitaduraNuncaMais no antigo DOI-CODI. Como disse em artigo na @folha_sp, tenho ódio e nojo da ditadura. Mas não carrego ressentimento. Acredito nos benefícios do diálogo, na liberdade de imprensa e opinião, na possibilidade das pessoas reverem suas posições, no valor dos partidos, na capacidade transformadora da sociedade civil. #ParaQueNãoSeEsqueça #ParaQueNuncaMaisAconteça.”

Alexandre Padilha: Filhos da resistência

No jornal colaboracionista da ditadura militar que emprestava caminhonetes para torturadores

27/03/2014

Eu estava prestes a completar oito anos de idade quando abracei meu pai pela primeira vez.

Até então, a ditadura nos havia mantido afastados. Meu pai ficou 11 meses sob tortura. Um tempo depois de sair da prisão, teve de partir para o exílio, quando minha mãe já estava grávida de mim.

Depois da anistia, ele pôde voltar ao Brasil. Foi quando o vi chorar pela primeira vez.

Até os três anos, não tive endereço permanente –para escapar da repressão, minha mãe, que também militava em grupos de contestação à ditadura, mudava-se constantemente. Fui, como tantas outras, uma das crianças da resistência.

Muitos são os significados de ser filho de pais da resistência, separados pela ditadura. Em primeiro lugar, por força das circunstâncias, ganhei uma consciência política de maneira tão precoce quanto natural. Desde muito cedo, tinham de me explicar o que era ditadura, o que era a luta pela democracia, para compreender a distância do meu pai.

Aos quatro anos de idade, minha avó paterna me ensinou a ler e a escrever para poder me comunicar com meu pai. Nas cartas e presentes que chegavam, vivi um pouco da sua vida no exterior. Soube que ele falava outra língua, convivia com outra realidade e fui informado de que tinha ganhado uma madrasta americana, um irmão e depois outro. Pude abraçar minha madrasta anos antes de poder abraçar meu pai e meus irmãos.

Nas cartas que enviava, dividi com ele minha infância no Butantã, o bom desempenho escolar, o fim dos 23 anos de fila do Corinthians no Campeonato Paulista de 1977 e as férias no litoral com minha mãe e meu padrasto. Sabia que essa separação entre pai e filho era consequência de um regime ditatorial, que nos priva da liberdade, que persegue e mata quem tem ideias diferentes.

Também vivi histórias engraçadas. Nos comunicávamos muitas vezes por fitas cassetes, que amigos levavam e traziam. Foi assim que ouvi pela primeira vez a voz dos meus irmãos e eles a minha.

Um dia, quando já tinha mais de dez anos e meu pai tinha voltado para o Brasil, estava jogando bola no quintal da casa da minha avó, meu irmão mais novo perguntou: “Ô, Alexandre, como você jogava futebol quando vivia naquela caixinha?”. A caixinha era o gravador e, na inocência de um garoto de quatro anos, era lá que o irmão dele morava, porque era daquele alto falante que saía a sua voz.

Como outras crianças da resistência, tive o privilégio de ter uma família muito ampla. Tenho incontáveis tios da resistência –aqueles solidários amigos e amigas da minha mãe e do meu pai. Eram pessoas que se arriscavam para levar e trazer essas cartas e fitas cassetes, sabedores do valor do diálogo entre um pai e seu filho, entre os irmãos, entre as famílias. Gente que nos acolhia com afeto, que nos protegia nas piores horas porque compartilhava o sentimento de viver perseguido, censurado, agredido. Sou grato a eles.

Como o doutor Ulysses Guimarães, também tenho ódio e nojo da ditadura. Mas não carrego ressentimento. Conto essas histórias com leveza. Tive uma infância incomum, e ela me proporcionou valores firmes: acredito nos benefícios do diálogo, na liberdade de imprensa e opinião, na possibilidade das pessoas reverem suas posições, no valor dos partidos, na capacidade transformadora da sociedade civil.

Vivi a campanha da anistia, as Diretas-Já e fui às ruas como líder estudantil cara-pintada para tirar um presidente da República do poder pela força da democracia.

Ao lutar pela democracia, meus pais ergueram biografias que os engrandecem. Tenho orgulho da vitória que eles ajudaram a construir.

ALEXANDRE PADILHA, 42, é médico. Foi ministro das Relações Institucionais (governo Lula) e ministro da Saúde (governo Dilma Rousseff)

Leia também
Memórias da ditadura militar de Alexandre Padilha, ex-ministro da saúde e o próximo governador do estado de São Paulo
Ditadura Militar e genocídio indígena
Levante Popular da Juventude escracha o coronel torturador Brilhante Ustra
A mídia monopolizada – O Globo, JB, Estado de S. Paulo, Folha de S. Paulo etc – apoiou o golpe de 1964 que depôs o presidente João Goulart
Ditadura Militar e genocídio indígena

Tags:   · · · · · · · · 5 Comments

UMA SEMANA PARA DISCUTIR A HUMANIZAÇÃO DA SAÚDE

março 31st, 2014 by mariafro
Respond

UMA SEMANA PARA DISCUTIR A HUMANIZAÇÃO DA SAÚDE

Rede Humaniza SUS

De 7 a 11 de Abril, várias cidades de todo o país realizam atividades para refletir e dar visibilidade à melhoria do acesso e da qualidade dos serviços de saúde, do trabalho e da gestão do SUS

A Política Nacional de Humanização (PNH), do Ministério da Saúde, foi criada em 2003 para estimular a comunicação entre quem faz e quem precisa de serviços de saúde pública no país, em outras palavras: os gestores, os trabalhadores e os usuários do Sistema Único de Saúde (SUS). A ideia é que esses atores sociais possam criar juntos novas relações afetivas e de trabalho, mais acolhedoras e produtivas. Parte desse trabalho poderá ser visto e debatido durante a  SEMANA NACIONAL DE HUMANIZAÇÃO, de 7 a 11 de abril.

O evento terá mais de 570 atividades em várias cidades brasileiras: debates, oficinas, exposições e eventos culturais variados, estruturados em três eixos: participação social, gestão e trabalho no SUS. Tudo para contemplar e exemplificar as diretrizes que embasam a PNH: acolhimento com classificação de risco (ao invés do atendimento por ordem de chegada, respeitando a vulnerabilidade e o risco do usuário do SUS); gestão participativa e cogestãoclínica ampliadavalorização do trabalhadordefesa dos direitos dos usuários, como a garantia de visita aberta e o direito ao acompanhante, e ambiência,contando com a experiência cotidiana dos trabalhadores para reformas da infraestrutura do serviço de saúde.

As temáticas abordadas na semana são variadas e espelham experiências e desafios dos trabalhadores de saúde:  a programação, construída por quem faz a humanização do SUS pelo Brasil,  inclui desde discussões sobre saúde da mulher e parto humanizado à reeducação alimentar de idosos, até a necessidade de interação de profissionais com acompanhantes de pacientes hospitalizados, ou grupos de orientação para cuidadores de pacientes com AVC. Não faltam mesas ligadas ao bem-estar, como o papel das caminhadas, ginástica laboral e meditação na manutenção da saúde.

De norte a sul do país

Veja aqui alguns exemplos do que vai acontecer durante a Semana:

No  Piauí: A plenária “O SUS na mídia: a força da comunicação em saúde no Piauí” vai reunir os profissionais de jornais, rádios, blogs, tevês e agências de publicidade para discutir a comunicação no campo da saúde.

Em Santa Catarina: o dia-a-dia de trabalho será tema da Mostra de Fotos do SUS, com fotografias feitas pelos próprios trabalhadores e usuários e um ensaio do fotógrafo Radilson Carlos Gomes, de Florianópolis,  autor do livro O SUS em imagens,  no Salão do Mausoléu da Fundação Cultural de Blumenau.

Em São Paulo: a programação começa com uma concentração na praça da Sé – marco zero da cidade – comemorando  também o Dia Mundial da Saúde, com exibição de vídeos, rodas de conversa e passeata pelo entorno. Debates e mesas redondas acontecem ao longo da semana e no dia 11 haverá a ocupação da praça, no Bairro da Luz, e conversa com a população atendida pelo programa “Braços Abertos”, criada recentemente pelo prefeito Fernando Haddad para humanizar o atendimento aos usuários de crack na região. Tudo isso, embalado por atividades culturais, e também de informação e de prevenção.

Sobre a Política Nacional de Humanização (PNH)

A PNH existe há dez anos no SUS para transformar a relação entre gestores, trabalhadores e usuários, de modo que cada um deles se reconheça como parte do SUS  e contribua para suas melhorias.  Com um grupo de apoiadores atuando em todo o território nacional, o trabalho da PNH se baseia no apoio institucional às Secretarias Municipais de Saúde (SMS), Secretarias Estaduais de Saúde (SES), Hospitais e Coletivos de Humanização, além da  formação de gestores, trabalhadores e usuários.

Serviço:

Semana Nacional de Humanização – 07 a 11 de abril de 2014

Clique aqui e acesse a lista completa das atividades já cadastradas

Mais informações:

Política Nacional de Humanização

61 3315 91 30

Tags:   · · · No Comments.

STOP BLAMING THE VICTIM! PAREM DE CULPAR A VÍTIMA!

março 29th, 2014 by mariafro
Respond

A pesquisa do IPEA desnudou uma triste realidade, mas muitos ainda se negam a olhá-la de frente e transformá-la.

O que dizer de um país onde membros da polícia militar, marinha, estudantes universitários, bispos, juízes, comediantes, políticos e tantas outras instituições têm homens que estimulam em seus discursos e práticas ou são acusados de estuprar mulheres e vulneráveis? Uma rápida olhada nas matérias linkadas ao final deste post nos dá a dimensão da barbárie ao longo de quatros anos, apenas daquilo que virou notícia.

Portanto, se você culpa a mulher por ser estuprada devido às roupas que ela usa, ou ao seu comportamento, moço, você é machista;  moça,  você é machista. E como tal, você colabora com a violência, você estimula a violência, você educará homens violentos e mulheres que reproduzem a violência, você também será responsável por estupros de crianças. Acha que eu exagero? Então, vejamos os dados de 2011 baseados nas  notificações feitas ao Sinan (Sistema de Informação de Agravos de Notificação) que permitem revelar o perfil das vítimas nas estatísticas de estupro: 

1) no Brasil 50,7% das vítimas de estupro têm até 13 anos de idade.

2) Os adolescentes (entre 14 e 17 anos) são vítimas em 19,4% dos casos.

3)  Mais de 70% dos estupros vitimizaram crianças e adolescentes, 88,5% das vítimas eram do sexo feminino, 51% de cor preta ou parda e apenas 12% eram ou haviam sido casadas anteriormente.

4) É bom lembrar que 24,1% dos estupradores são os próprios pais ou padrastos e 32,2% são amigos ou conhecidos da vítima.

5) O estuprador desconhecido ataca em sua maioria vítimas adultas. Na fase adulta, este responde por 60,5% dos casos.

6) No geral, 70% dos estupros são cometidos por parentes, namorados ou amigos/conhecidos da vítima.

Ou seja, você é responsável se continua fechando os olhos pra esta barbárie, porque queira vc ou não se todos nós adultos não encararmos de frente esta barbárie seremos reprodutores dela.

O vídeo abaixo é uma campanha indiana, país onde o estupro é igualmente assustador.

Nadilson Teixeira que postou o vídeo fez legendas em português a partir da versão inglesa “It’s Your Fault”. trata-se de uma sátira pedagógica (aprende aí Rafinha Bastos, Danilos e todo o resto da canalha que em suas piadas de mau gosto estimulam ainda mais esta cultura da violência, ao ridicularizar vítimas de crimes tão gravíssimos) como comediantes indianos se posicional com ironia acerca da onda de estupros no país.

Enraizada na sociedade indiana e em TODAS AS DEMAIS CULTURAS, INCLUINDO A NOSSA O DISCURSO de criminalização da vítima, onde a mulher vítima de estupro é vista como a culpada pelo ocorrido, INCLUSIVE POR OUTRAS MULHERES como nos mostra a pesquisa do IPEA publicada na última quinta-feira. Como diz Nadilson “Um absurdo dos mais nojentos! Nada mais.”

Obs.: o termo “Bhaiya” que aparece no vídeo significa “irmão” e é utilizado na Índia entre amigos  próximos. Já o termo “Chow Mein” é uma comida típica chinesa.

Leia também:

Pesquisa do IPEA sobre o grau de tolerância social da violência masculina contra as mulheres

Estupro no Brasil: uma radiografia segundo os dados da Saúde (versão preliminar)

 Tolerância social à violência contra as mulheres

UNB: ‘caiu na Redes é… ‘estupro’”

Carta ao meu estuprador: “quando sentir novamente o desejo visceral de possuir uma mulher, lembra da sua filha”

NOTA PÚBLICA sobre decisão do STJ que inocentou acusado de estupro de vulneráveis

Em quatro anos, registros de estupro cresceram 157% no Brasil

Arcebispo espanhol justifica estupro de mulheres que fazem aborto

Bispo de Guarulhos, responda-nos: que fé é esta que prega ódio, desrespeito?

Rafinha Bastos e suas piadas de apologia ao estupro denunciados no MPF

Rafinha Bastos intimado a depor na delegacia por suas piadas de apologia ao estupro

Atualização: Quilombo Rio dos Macacos: versões

Sakamoto: “E, além do mais, elas já têm peito e bunda.” E por trás dessa justificativa, homens e mulheres que justificam o injustificável.

Movimento feminista pede direito de resposta e que MPF investigue responsabilidade da Globo no caso BBB

Comissão de Direitos Humanos e Minorias do Congresso pede à TV Globo informações sobre suposto estupro no BBB12

Ministério das Comunicações pede imagens do “BBB12″ para Globo

Campanha no facebook expõe marcas e produtos que patrocinam BBB associando-os ao estupro

BBB12 e velhas justificativas quando o assunto é violência contra a mulher

O “BOA NOITE CINDERELA” DO BBB

A cena do Big Brother é um problema do Brasil

Estupro

ABAIXO ASSINADO CONTRA O “ESTATUTO DO NASCITURO”, o bolsa-estupro

João Batista Damasceno: Bolsa estupro

Sonia Faleiro: A horrível verdade sobre o estupro em Nova Délhi

Presidenta Dilma sanciona PL03/2013 a favor da vida e dá uma banana para o fundamentalismo religioso

Metade das vítimas de estupro no Brasil é criança

Tags:   · · · · · 1 Comment

Site da Arquidiocese de Curitiba convoca Marcha dos Golpistas e se desculpa

março 28th, 2014 by mariafro
Respond

Parece brincadeira que no cinquentenário do golpe militar onde a sociedade civil organizada se junta para ampliar a verdade sobre o terror da tortura, do assassinato, da censura, da prisão e exílio aos que resistiram e lutaram contra a ditadura militar possamos acessar no site de uma arquidiocese católica, a ala conservadora da Igreja fazendo o que fez exatamente há 50 anos, sendo co-partícipe do terror, do ataque à democracia.

 A igreja ao lado dos pobres e dos movimentos sociais, a igreja de luta e  os católicos que efetivamente tem deus no coração devem repudiar com vigor este absurdo e se posicionar para responsabilizar quem teve esta iniciativa golpista.

Lembrando que isso fere o artigo 5º da Constituição Brasileira, na medida que é um crime contra a ordem do Estado Democrático, o que falta para se armarem? Não estamos em 1964 quando a igreja foi protagonista na desestabilização de um regime democrático, com um governo democraticamente eleito.

XLIII – a lei considerará crimes inafiançáveis e insuscetíveis de graça ou anistia a prática da tortura , o tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, o terrorismo e os definidos como crimes hediondos, por eles respondendo os mandantes, os executores e os que, podendo evitá-los, se omitirem;
XLII – a prática do racismo constitui crime inafiançável e imprescritível, sujeito à pena de reclusão, nos termos da lei;
XLIV – constitui crime inafiançável e imprescritível a ação de grupos armados, civis ou militares, contra a ordem constitucional e o Estado Democrático;

Agradeço a Maria Betania por me mostrar esta sandice o link para o absurdo praticado está aqui

A arquidiocese retirou da página principal a convocação e se retratou timidamente neste comunicado aqui

Tags:   · 1 Comment