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Associação Brasileira de Shopping Centers consegue censurar páginas de rolezinhos no Facebook

janeiro 16th, 2014 by mariafro
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Acho que presidenta, governadores e prefeitos precisam  ficar atentos, essa anuência do judiciário e seu braço armado, a PM,  com donos racistas de shoppings  é gasolina no fogo. 

OAB tem o que a dizer sobre um espaço que proíbe a entrada de jovens de periferia? E o Ministério Público? Não há leis que impeçam a discriminação e o preconceito? Cadê o direito de ir e vir? Os shoppings estão acima da lei geral do país?

DIFERENTES DE JUNHO?
Por: Gilberto Maringoni, em seu Facebook

Os rolezinhos de janeiro talvez sejam manifestações sociais diferentes das de junho.
Isso, por dois motivos:

1. Pobres em ação – O que digo aqui são apenas conjecturas e não estou municiado de nenhuma pesquisa empírica. Mas tudo indica que a composição social aqui é de jovens pobres da periferia. Em junho, havia uma nítida maioria de garotos e garotas de classe média indo às ruas, em especial estudantes. Se isso se confirmar, temos algo bem mais profundo entrando em ebulição.

2. Integração pelo consumo – Em junho, as demandas difusas apontavam para a melhoria dos serviços públicos, em especial transportes, saúde e educação. Agora não há demanda objetiva. E nem contestação clara. Há um desejo de se mostrar, de beijar “umas minas” e de zoar por aí. Há uma demanda por aceitação. Isso quer dizer muita coisa.

Tento explicar.

Os jovens estão indo ao lugar onde pode se realizar a propalada “inclusão social” da Era lulista (por favor, não estou atacando o governo, não venham com briga de torcida).

O que se alardeou na última década não foi o fato de a chamada “classe C” estar comprando seu laptop, seu tablet, sua TV de tela plana, seus eletrodomésticos e seu Corsa em prestações a perder de vista? O substrato do pleno emprego e do aumento real dos salários não é, ao fim e ao cabo, poder comprar mais e mais?

A garotada quer isso. Quer mais tênis, quer mais grifes e quer poder mostrar isso. Algo como o funk ostentação. Pode não estar comprando, mas está indo aos templos do consumo para dizer que existem, que estão aí e que querem se divertir.

Se consumo é alardeado como direito de cidadania, onde exercê-lo plenamente?
Em que lugar exercitar meu hedonismo a pleno vapor?

A garotada está se comportando como Lula falou, como a marquetagem propagou, como a mídia repetiu e como a publicidade os pautou. Vamos comprar! Vamos consumir.

Que mal há nisso, na sociedade em que tudo é mercadoria?

Não pode. A sociedade da mercadoria não é para todos.

Por isso, o presidente da Associação Brasileira de Shopping Centers, Luís Fernando Veiga, chama a polícia. Lembra que shopping-center não é espaço público coisa nenhuma. Que vai pedir documentos aos suspeitos de sempre e restringir entrada e circulação.

E, num rasgo ditatorial, pressiona e obtém do Facebook a censura das páginas que convocam as zoadas da garotada. Coisa de fazer inveja ao nefando Dr. Armando Falcão, ministro da Censura da ditadura.

Pode ser o tiro pela culatra.

Imagens: Facebook

Ao tratar uma questão social profunda como caso de porta de cadeia, o dr. Veiga periga estar atuando como agente provocador. Afinal, em junho passado, o aumento da repressão propagou as movimentações de forma inesperada.

Tudo bem que não seja fácil entender o que está acontecendo.

Mas o pior caminho é achar que não é nada, nada mesmo…

E começar a conversa pela língua do cassetete.

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Rede Globo expulsa do III Congresso Nacional da Juventude Camponesa

janeiro 16th, 2014 by mariafro
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Por Joka Madruga

Jovens rurais, reunidos no III Congresso Nacional da Juventude Camponesa, em Recife, na tarde desta quarta-feira (15), expulsaram a equipe local de reportagem da Rede Globo aos gritos de “a realidade é dura, a Rede Globo apoiou a ditadura”.

Foto: Joka Madruga

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Texto Leandro Beguoci: Rolezinho e a desumanização dos pobres retirado do Maria Frô

janeiro 15th, 2014 by mariafro
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Há pessoas que ainda não entenderam como funciona a blogosfera: na rede, respeitando-se as devidas citações e links o mais importante é a circularidade.

Textos do Maria Frô são republicados em dezenas de sites. O Maria Frô é creative commons.

O texto de Leandro Beguoci: Rolezinho e a desumanização dos pobres por ser publicado no Maria Frô suscitou um novo texto do professor Wagner Iglesias: Quem é dono dos pobres, afinal? 

Divulguei o texto de Leandro nas redes sociais e republiquei no blog por sugestão de um leitor (via Facebook) e certamente os leitores do Maria Frô conheceram a produção de Leandro e o site onde o texto foi publicado. 

No entanto o editor do site OENE disse num comentário no blog que ‘copiei o texto’ (texto com autoria, e linkado para o site original). Há uma imensa distância em copiar e republicar um texto.

Wagner Iglecias em seu texto no qual dialoga com Leandro pergunta quem são donos dos pobres, pelo visto a ideia de propriedade é quase uma fixação em algumas cabeças, não apenas nas dos donos dos shoppings e dos leitores reacionários que acham que os shoppings estão corretos em expulsar meninos da periferia.

Segue a intimação do editor do OENE:

Enfim, o rapaz está no seu direito de propriedade e quem quiser ler os textos do site que vá pra lá.

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“Rolezinhos” se espalham pelo País: teremos as jornadas de janeiro?

janeiro 15th, 2014 by mariafro
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O que foi que eu falei? Que a ‘Justiça’ braço armado de caneta da reaçaria fazendo uso de suas liminares e da polícia capitão do mato provocariam a fúria da periferia e a solidariedade da juventude não reacionária.

Obviamente a mesma classe média reaça que só lembra dos direitos humanos no Maranhão para atingir o governo de Dilma, como se esta tivesse parido Sarney, que endeusa preto se este encarcera petista e que torce o nariz quando os pretos invadem seus templos sagrados de consumo, verão no movimento uma ótima oportunidade de partidarizar isso.  E não precisa ser sociólogo para entender que os rolezinhos embora sejam uma ação política (levando em conta que toda prática social é política), passa ao largo de questionar o sistema. Os rolezinhos não são o prenúncio nem da revolução, nem da barbárie. O que querem esses meninos negros, que vivem sob a mira da polícia, numa sociedade que reafirma cotidianamente que é preciso ter, é preciso possuir, é preciso consumir? O que pensam? 

Em junho escrevi vários textos argumentando que as manifestações arrefeceriam até o próximo estopim.

A juventude é contestadora da ordem estabelecida, independentemente de sua ideologia, na adolescência regras são feitas para serem quebradas. Da Roma antiga ao Rio de Cabral os jovens sempre incomodaram a ordem estabelecida. Na atualidade, na era das redes digitais as formas de luta da juventude são pontuais, com demandas concretas. No Brasil: diminuição do preço das passagens, passe livre, desmilitarização da polícia e agora o direito de ir e vir nos templos de consumo, nos parques dos bairros de classe média alta. Essa juventude quer o direito à cidade.

É preciso ouvir o que esses jovens têm a dizer, é preciso criar pontes geracionais. A esquerda brasileira não pode se acuar diante das manifestações como estas deixando que a direita manipule suas bandeiras históricas como o combate ao racismo, ao preconceito de classe,  o direito de ir e vir dos cidadãos em seu próprio país e a defesa irrestrita dos direitos humanos.

A esquerda brasileira, especialmente os petistas não podem se acuar e criminalizar as manifestações, vendo nelas mais uma tentativa e desestabilizar o governo.

Em junho a esquerda reaprendeu na marra o caminho das ruas não pode esquecer que elas, assim como as redes digitais estão integradas e estão em disputa permanente.

Os partidos de esquerda precisam ocupar as periferias, abandonar os jargões burocráticos e perceber que sem formação política as transformações necessárias para a construção de uma verdadeira sociedade mais justa e democrática não se realizam.

O PT precisa entender  que não basta os mais pobres terem acesso ao consumo, sem formação política as mínimas conquistas sociais destes dez anos podem ser perdidas.

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“Rolezinhos” se espalham pelo País
Ao menos 17 eventos já foram marcados em diferentes cidades para os próximos finais de semana
por Redação, Carta Capital
14/01/2014 15:02

Após a repressão contra jovens e a proibição dos chamados “rolezinhos” por quatro juízes, ao menos 17 eventos já foram marcados em diferentes cidades do país para os próximos finais de semana. O número de confirmados varia entre algumas dezenas e milhares de participantes, como o do Shopping Itaquera.

Iniciados por jovens da periferia em São Paulo no mês de dezembro, os eventos se espalharam pelo país e devem acontecer em shoppings, parques e até centros culturais Confira a lista abaixo:

18 de janeiro

Shopping Cidade Jardim

Grand Plaza Shopping

Shopping Metrô Tatuapé

Shopping Center Norte

Világio Shopping

Plaza Shopping Niterói

24 de janeiro

Suzano Shopping

Parque Ibirapuera

25 de janeiro

Oscar Freire

Bosque Maia

26 de janeiro

Shopping Bonsucesso

1º de fevereiro

Mauá Plaza Shopping

Shopping Itaquera

5 de fevereiro

Shopping Taboão

8 de fevereiro

Shopping Aricanduva

Shopping Itaquera

15 de fevereiro

Shopping Penha

22 de fevereiro

Sesc Itaquera

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