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Juliana Bueno baixa o aplicativo Lulu e faz sua avaliação: Por que estamos usando isso?

novembro 22nd, 2013 by mariafro
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Excelente o texto de Juliana Moura Bueno analisando o novo aplicativo Lulu que assim que foi lançado já se tornou polêmica nas redes sociais.

Curioso o fato de a empresa lançar primeiro um aplicativo voltado ao consumo das mulheres, até nisso a estratégia de mercado que transforma inclusive as relações pessoais em mercadoria visa antecipar as críticas feministas. Mas não se enganem, a versão Bolinha já deve ter sido feita, inclusive antes da versão Luluzinha.

“Lulu”: Por que estamos usando isso?

Por: Juliana Moura Bueno*, Especial para o Maria Frô

Ontem mesmo um amigo comentou comigo sobre esse tal aplicativo, para meninas, chamado “On Lulu”. O receio dele era sobre o fato dele estar sendo avaliado, o que ele também não via com bons olhos. Eu, não entendendo nada do que estava acontecendo, disse que iria baixa-lo, para ver como funcionava.

Assim como toda ‘viagem exploratória’ dos aplicativos e gente precisa fuçar pra entender como ele funciona, justamente. Você é recepcionada por um layout rosa e um pedido para “sincronizar seu perfil do aplicativo com o facebook” para que ele possa listar seus amiguinhos (ou exs, ou decepções amorosas, ou fdps que passaram na sua vida, ou crushes, enfim). Depois disso você é apresentada a uma tela na qual aparecem várias fotos e perfis que já tem notas, estrelas e “hashtags”, tanto de conhecidos quanto de desconhecidos.

Na ferramenta de busca, há filtros que você pode utilizar como “meus amigos”, “meus favoritos”, “minhas reviews”, “garotos nas cercanias”, “os mais pops do aplicativo”, ‘últimas reviews”, “melhores notas”, “piores notas”, “divertidos”, “gostosões”, “garotos doces”, panteras sexuais”, “bons beijos”, “inteligentes” – sim, esse por acaso é um dos últimos filtros na lista dos oferecidos, assim como os “fiéis”.

Além disso, você também pode favoritar os meninos que aparecem, assim, eles sempre ficarão no seu “radar”. Já as “reviews” ou “avaliações” são a parte mais complexa do aplicativo. Fiz uma avaliação teste em um amigo (que, em tempo, não conclui) para ver qual é o procedimento exato. De início, você é apresentada a uma tela na qual você escolhe qual sua relação com o cara em questão. A garantia é de que todo o processo de avaliação é anônimo e a autoria das avaliações nunca será revelada.

Ao contrário do que muitos homens devem estar pensando, ao verem suas características e performances avaliadas com números que contém até casa decimal, as mulheres não dão notas. Elas respondem a perguntas que tem um gradativo semi-evidente e o próprio aplicativo faz o cálculo da nota em cada categoria.

Um outro amigo ainda (sim, são tantas pessoas falando sobre o aplicativo que não sei nem contar quantos amigos/as já citei, ou ainda citarei nesse texto) disse que nunca viu tamanha histeria de seus colegas homens. Há desde aqueles que sabem que “a nota vai baixar”, até aqueles que estão tristes porque ainda não foram avaliados. Ou aqueles que agora cogitam quem pode ter feito quais avaliações, resgatando os episódios nos quais eles não foram “tão gentis assim” de suas passagens. Acho que é ai que entra, como ele bem apontou, o caráter da situação de vulnerabilidade a que os homens estão agora sendo expostos. E, pelo jeito, e pela histeria, a situação é bem nova. Nunca antes os homens foram colocados nessa corda bamba, e o que pode atingir mais um homem, nesse mundo machista que valoriza aquele que “pega mais meninas”, “os garanhões”, ou os que “comem mais” do que ser avaliado, por vezes negativamente, sobre sua performance? E o que fica de fora das avaliações também há de sofrer com o mundo machista, não é mesmo? Porque se ele não é avaliado, significa que ele não “pega ninguém”. Ao torturar o ego do homem e colocar em questão sua forma de relacionar nas já pré-determinadas categorias do aplicativo, cria-se no avaliado uma vulnerabilidade que muitos, provavelmente, nunca sentiram. Mas ao atingir as pessoas de forma tão diferente, o aplicativo acaba trazendo questões perenes nas nossas relações (em especial as entre homem e mulher, mas não só) e que muito se relacionam ao machismo, afinal, sofre o avaliado, sofre o não-avaliado, sofre a avaliadora que precisa refrescar a memória com as experiências possivelmente ruins que teve e sofrem, eventualmente, aquelas que agora se relacionam com os avaliados.

Ouvi de umas amigas que já estavam “baixando a nota de vários caras”. Eu perguntei, curiosa, “Por quê? Por que você quer fazer isso?” E a resposta que ouvi foi “Os que foram filhos da p&%$ merecem, vai?”. Ao mesmo tempo, também tenho relatos de amigos e amigas que acham o aplicativo um absurdo, uma forma de reafirmar a objetificação das relações. É o retrato da revanche das oprimidas: são as mulheres dando o troco da objetificação cotidiana com… voilá: objetificação.

Afinal, seria isso mesmo a que nossas relações foram reduzidas? O tipo de análise que está sendo feita nesse aplicativo lembrou-me daquelas comandas de restaurante que respondemos após o jantar, sugerindo que o serviço seja avaliado, do estilo “Dê uma nota de 0 a 5” e as perguntas: “Você gostou ou não gostou do nosso restaurante?”; “A comida estava boa?”; “O serviço estava bom?”, “Você voltaria ao nosso restaurante?”. Acho que essa é a parte inevitável da transformação das nossas relações em mercadoria, algo que já é presente, mas que um aplicativo como esse mostra como essa concepção de relacionamento interpessoal é tão comum que nem nos questionamos sobre, ou achamos uma boa idéia, avaliar nossos amigos, amantes, namorados, ex-namorados, paqueras, destruidores de nossos corações, etc, da mesma forma com a qual responderíamos uma pesquisa de mercado sobre um absorvente “hum, gostei”, “formato bom”, “confortável”, “nota 4”, “ótimo material”.

Amigas, ninguém gostaria que fizessem isso com mulheres. Já pensaram o rebuliço? E já pensaram também o tipo de coisa que apareceria em um aplicativo que faz avaliações de mulheres? Também imagino que seria bem pior do que o “Lulu”, mas isso não vem ao caso, pelo menos não por agora. Mas se não gostamos, se nos sentimos desrespeitadas, humilhadas e expostas quando fazem isso conosco, porque achar legal quando isso é feito com homens?

Sim, eu sei. Acho que muitas meninas estão se sentido como se agora fosse mesmo a hora da revanche. Que hora mais feliz! – ou não. E isso tem sim um pouco de verdade (a do sujeito, não a universal). Porque desde os casos de “revenge porn” (A exemplo da menina Fran, que considero algo um pouco mais extremo, e dos casos mais recentes das duas meninas que se suicidaram após terem suas intimidades expostas na internet) à exposição da sexualidade da mulher, dos comentários nas conhecidas rodas de “machos” sobre as performances, o julgamento de seu corpo, os cheiros, os trajes, ou basicamente toda e qualquer característica da mulher antes, durante e após os momentos de intimidade são, como bem sabemos, muito comuns. Mas muito comuns mesmo. Fico pensando inclusive que não há caso que eu conheça de homem que teve que mudar de escola ou faculdade depois que suas fotos em momentos íntimos circularem caixas de emails e grupos de whatsapp (e se houver algum caso desse, que alguém tiver notícia, me comunique e eu me retratarei), como ocorre constantemente com as mulheres.

Eu realmente tento deixar de lado o meu sentimento de “agora é a vez de vocês sofrerem” ao escrever esse texto, ao pensar em avaliar alguém (sim, eu já tive péssimas experiências íntimas que me fazem cogitar escrever uma review bem péssima, mas estou me segurando) que mereceria umas notas péssimas, em me “vingar” pelos constrangimentos que já sofri, mas que não foram muitos, porque ou eu aprendi (sim, isso demanda um tempo, acho) a escolher bem com quem eu me relaciono e esses caras nunca fariam algo/falariam algo que pudesse me expor ou tenho sorte de nunca ter chegado ao meu ouvido nada desse tipo. Ao mesmo tempo em que reluto em afirmar que “acho bom” que os homens (e sinceramente sabemos que é algo razoavelmente localizado, há um recorte de classe no acesso ao aplicativo, está restrito a certos grupos sociais, vide o fato da maioria dos meus amigos que está sendo avaliado pertencer a grupos muito bem delineados) agora estejam passando por isso, que se sintam vulneráveis, que “provem do próprio veneno”, que arranquem o cabelo pensando “aquela menina lá que eu transei, tirei foto, falei mal para todo mundo e obviamente nunca mais liguei” pode ir no aplicativo e falar mal de mim. Mas a menina que foi “bem tratada” (pros padrões patriarcais, claro), para a qual ele abriu a porta, pagou a conta, enfim, seguiu todo o protocolo da nossa sociedade que ainda insiste em questionar a conduta das mulheres principalmente no âmbito sexual, (e muitos de nós ainda insistimos em reproduzir esses valores), pode ir lá e equilibrar a nota.

Meninas, honestamente, o que estamos fazendo? Fazer com os homens o que eles fazem conosco não nos faz melhores e também não contribuirá para que soframos menos violência (física ou simbólica) no cotidiano. A questão é que ao aceitarmos o papel dado a nós de “vingativas” reafirmamos que as relações homem-mulher funcionam sempre nesse mesmo padrão no qual nunca estamos em pé de igualdade: sofremos, somos humilhadas, e agora queremos fazer com que eles “paguem por isso” já que as relações de poder entre os gêneros não devem mudar mesmo. Ao reconhecermos que a avaliação “vexatória” é algo válido, entramos no mesmo jogo a que somos cotidianamente submetidas, e sabemos que, isso, em hipótese alguma, é algo bom ou minimamente construtivo na luta por uma sociedade mais igualitária.

E para aquelas que me dirão “o aplicativo é bom porque agora eu sei quem eu devo sair e quem eu não devo”, eu digo: será que realmente chegamos ao ponto de, para além da “revanche” que o aplicativo pode proporcionar, nos deixarmos levar e fazer nossas escolhas com base nas experiências que ocorreram na vida de outras meninas e que, não necessariamente precisam ser replicadas nas nossas possíveis futuras experiências e intimidades com esse alguém? Porque, afinal, se relacionar não é exatamente isso? Quebrar a cara, sofrer, se alegrar com pequenas coisas, ficar ansiosa, arriscar, tomar a iniciativa – e as vezes só esperar, descobrir o que nos faz bem e o que não nos faz, gostar, perder o encanto, nos surpreender, nos apaixonar?

Ps: E para você que leu o texto e está desesperado com a possibilidade de ser avaliado,não se preocupe, é só você entrar em contato com a equipe do aplicativo e eles retiram seu perfil das listas das meninas – em até 72h.

Ps2: O pessoal que traduziu o aplicativo para o português já confirmou que, com o sucesso do Lulu, em breve um aplicativo para avaliar mulheres será lançado por aqui.

*Juliana Moura Bueno tem 24 anos, é cientista social formada pela USP, seus temas de pesquisa são política brasileira e comportamento eleitoral, classe e gênero. Tem especial apreço pelos debates sobre a condição da mulher na sociedade. Seu twitter é @ju_bueno1.

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Vitor Teixeira: Interesse privado a serviço da população

novembro 22nd, 2013 by mariafro
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Ainda acho que não dá para comparar Haddad a Alckmin, PT a PSDB, mas inegavelmente temos de nos livrar de grandes corporações.

Reforma política Já. Financiamento Público de Campanha Já!

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Médico cubano não receitou dose excessiva e volta a trabalhar segunda, diz prefeitura de Feira de Santana

novembro 22nd, 2013 by mariafro
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Como eu imaginava algo estranho havia na acusação das #coxinhadejaleco de Feira de Santana que de repente viraram fiscais do Ministério da Saúde em relação aos médicos cubanos, mas que antes do programa Mais Médicos nunca  fiscalizaram uns aos outros.

As 40 gotas prescritas na receita referiam-se a dose diária, como a mãe afirmou aos jornais locais. Ainda bem que o Ministério da Saúde conhece bem as estratégias dos coxinha de jaleco que tem carga horária de 100 horas mas não cumpre nem 10, faz dedo de silicone para não ter nem o trabalho de ir em posto de saúde bater o ponto ou tantas outras atrocidades que já noticiamos no Maria Frô.

Mas  em minha opinião o MS precisa alertar os médicos cubanos que os seus ‘colegas de trabalho’ são piores que os da época de Fulgêncio Batista.  

Precisa alertá-los que irão trabalhar em ambiente hostil, que eles estão rompendo com uma reserva de mercado grotesca, que serão alvo do racismo destas bestas feras. Que serão alvo do ódio de desqualificados por serem profissionais efetivamente comprometidos com melhorar a saúde do povo, por terem o compromisso que os coxinhas e as coxinhas de jaleco  não tem com o povo humilde, por tratar o povo pobre com respeito, como seres humanos.

Enfim, os médicos cubanos precisam entender que esta classe representa a elite brasileira, perversa, desumana, herdeira de uma sociedade escravagista, que anos a fio fraudam ponto, faltam, ganham sem trabalhar, protegem uns aos outros de erros médicos,  enfim tornam a saúde pública o suplício que é em alguns lugares em parte pela ação cafajeste destes desumanos que mancham toda a corporação médica brasileira.  Comportamentos ordinários como estes devem ser repelidos pela corporação médica, porque há médicos sérios, decentes que igualmente lutam por uma saúde pública de qualidade.

Eu sou usuária do SUS, eu conheço vários médicos decentes. Eles precisam repudiar essa gente sem ética, sem compromisso, sem princípio que usa jaleco branco para envergonhar a classe.

Fica uma pergunta à Secretaria de Saúde da Prefeitura de Feira de Feira de Santana e ao Ministério da Saúde: Não ocorrerá nada contra estas médicas detratoras que agiram sem nenhuma ética, difamando um colega de trabalho? Os médicos estrangeiros contribuindo para melhorar a saúde pública do país vão continuar a ser desrespeitados por esses seres canalhas que não receberão qualquer tipo de sanção?

Médico cubano não receitou dose excessiva e volta a trabalhar segunda, diz prefeitura

Segundo nota divulgada esta noite, médico prescreveu de maneira que estava acostumado, com quantidade de gotas a serem tomadas no dia

 Atualizado em 21.11.2013 – 23:13

Da Redação do Correio 24 horas

O médico cubano afastado ao ser acusado de receitar dose excessiva de um medicamento para uma criança voltará ao trabalho na segunda-feira (25), informou na noite desta quinta-feira (21) a Secretaria de Comunicação de Feira de Santana. Em nota, a Secom informa que o médico foi ouvido por uma comissão e que as falas da mãe da criança, que defendeu o profissional para a imprensa, também foram consideradas.

A comissão que ouviu Isoel Gomez Molina concluiu que não houve erro nas ações do cubano, que estava há cerca de uma saúde atuando no posto de saúde do bairro de Viveiros. O médico Washington Abreu, coordenador do Programa Mais Médicos na Bahia, disse que a dosagem indicada pelo cubano está correta. “O ouvimos e ele confirmou que a dose deveria ser fracionada em quatro vezes. Não estou vendo problema na prescrição fracionada porque o raciocino clínico foi correto”, diz Abreu, citado na nota.

De acordo com a nota, esta maneira de receitar, considerando a dosagem total do dia e não a fracionada, que deve ser tomada de cada vez, é comum onde ele trabalhou anteriormente. O médico explicou detalhadamente à mãe da criança como administrar o medicamento, diz o texto – a diarista Gilmara Santos confirmou isso. “Ele falou que era para dar 10 gotas. Mas só que o povo na zoada, na agonia, ele prescreveu na receita 40 gotas, mas só que ele me explicou direitinho”, garantiu.

Além dos depoimentos colhidos, também pesou um abaixo-assinados de 12 folhas e dezenas de assinaturas enviado pelos moradores do Viveiros, pedindo que o médico continuasse trabalhando no posto.

O profissional será reintegrado ao programa “Mais Médicos” e já atua a partir de segunda. A prefeitura já havia marcado um reforço no treinamento para médicos do programa neste final de semana.


Médico cubano atuava em posto de saúde há cerca de uma semana

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novembro 22nd, 2013 by mariafro
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Tem se propagado nas redes um caso sobre uma receita em que o médico cubano, Isoel Gómez Molina, teria prescrito uma dosagem incorreta de dipirona a um bebê em Feira de Santana (BA), conforme matéria abaixo:

Profissional do Mais Médicos é afastado por suspeita de receitar dose de remédio excessiva para bebê

por Sandro Freitas

A prefeitura de Feira de Santana decidiu nesta quarta-feira (20) afastar um dos profissionais que atuam na cidade pelo programa federal Mais Médicos, por suspeita de prescrição excessiva de um medicamento para um bebê de um ano, que não tomou o remédio após desconfiança de familiares.

O médico cubano atua na unidade do Programa Saúde da Família do bairro de Viveiros e foi denunciado pelo vereador José Carneiro (PSL). O profissional, que não teve o nome revelado, teria indicado 40 gotas de dipirona sódica para o bebê de dez quilos, quando o normal seria entre 4 e 8 gotas.

A dosagem receitada pelo médico, segundo a posologia do medicamento, é destinada a adultos. A secretaria de Saúde de Feira, Denise Mascarenhas, adiantou que o caso foi informado a Secretaria Estadual de Saúde (Sesab) e o Ministério da Saúde. “Iremos adotar as medidas legais”, garantiu Mascarenhas.

Segunda maior cidade da Bahia, Feira de Santana recebeu 12 profissionais do Mais Médicos, sendo que 11 são estrangeiros. Após o caso, a secretaria decidiu promover um curso extra para os médicos, com a Assistência Farmacêutica Municipal, neste final de semana.

Após ler esta notícia conversei com a assessoria do Ministério da Saúde que me informou que o caso está sendo apurado.

Mas qual não não foi a minha surpresa quando descubro que a mãe do bebê e demais moradores da região estão pedindo a volta do médico e acusando de falta de ética os profissionais que jogaram a receita na rede.

Destaco alguns trechos da fala da mãe:

“Trouxe meu filho aqui com febre alta e ele passou dipirona injetável e a em gotas para eu dar em casa.

Ele me disse que eram 10 gotas, já que meu filho pesa 10.200 kg, ou seja, uma gota por cada 1 quilo.

Se tivesse alguma coisa errada eu mesma teria denunciado”, disse.

“Ela me pediu a receita para mostrar a uma outra médica, como não desconfiei entreguei depois de um tempo trancada em uma sala ela retornou e me entregou o documento. Foi aí que vi que estava prescrito 40 gotas”

Demonstrando revolta, a diarista acusou a médica de ter feito a denúncia e ter prejudicado os moradores do bairro. “Ela não teve ética. Fez algo que não autorizei, o médico me explicou certo, apenas errou. Quem nunca errou? Eles estão com raiva porque os cubanos estão fazendo o trabalho que eles não querem fazer, pois os médicos brasileiros tratam a gente como se fôssemos animais, diferente dos cubanos”, frisou.

“Meu filho melhorou logo graças ao médico. Queremos o médico de volta, passamos mais de 2 meses sem médico e agora inventam coisa para tirar o médico daqui”

Os moradores afirmaram que, caso o médico não retorne para a unidade, eles farão uma manifestação fechando a entrada da unidade. “Se não retornar na próxima semana, iremos impedir o funcionamento do posto de saúde. A secretaria deveria ouvir a comunidade e não acreditar em uma mentira”, ameaçou Maria da Glória Martins.

Um dado curioso, o médico orientou corretamente a mãe, e a receita está errada, mas veja o que diz a mãe, destaco o trecho: 

“Ela me pediu a receita para mostrar a uma outra médica, como não desconfiei entreguei depois de um tempo trancada em uma sala ela retornou e me entregou o documento. Foi aí que vi que estava prescrito 40 gotas”.

Estranho não? Quem não nos garante que um 1 virou um 4 numa sala fechada?

De todo modo, resta-nos uma grande questão, quando foi mesmo que nos ambulatórios Brasil afora os  médicos se fiscalizaram entre si, para cuidar tão bem de nossa saúde e evitar erros de seus colegas de trabalho?

Antes do programa Mais Médicos quando foi que  a atenção dos médicos brasileiros se voltou tanto para a atenção básica?

Seria cômico se não fosse trágico a preocupação dos #coxinhadejaleco de Feira de Santana.  Experimente fazer uma pesquisa no Google com a expressão ‘erro medico no Brasil’, você terá 4 milhões, 140 mil menções. Você também descobrirá que a denúncia de familiares, vítimas de erro médico, cresceu 52% em 2011, dois anos antes do início do mais médicos.

O Google também nos surpreende quando pesquisamos sobre a quantidade de ONGs de familiares vítimas de erros médicos no Brasil.

Até agora só vemos boatos sobre os Médicos Cubanos, é de nos envergonhar o esforço de uma classe em detratar seus colegas de trabalho estrangeiros. Repugnante atitude tanto quanto as páginas do Facebook onde essas falsas denúncias pululam (vejam um exemplo desta postagem retirada do ar, inclusive). são todas páginas anti-petistas e cheias de propaganda do PSDB. Não é possível que o debate eleitoral tão antecipado nas redes caia nesta baixaria, desinformando e aterrorizando a população. Não é possível, porque é a própria população usuária do SUS (como eu) que virá em defesa do programa.

Desistam #coxinhasdejaleco, o povo brasileiro vai continuar lutando pelo seu direito de ter acesso à saúde pública de qualidade.

Abaixo mais uma mentira deslavada postada numa destas páginas anti-petistas e reverberadas em blogs de extrema-direita. Percebam como nos primeiros parágrafos é possível descobrir que é boato.

“Acaba de chegar a nós o relato de um médico no interior de Santa Catarina. Esperamos que a família entre com todas ações legais, pois tudo indica ser o primeiro caso de ÓBITO do Mais Médicos:

No plantão dessa noite 20/11/2013, em uma cidade do interior de SC [Qual? A lista e a quantidade de médicos por município é pública], o colega (somos em 2 plantonistas), recebe uma ligação da cidade vizinha [Qual](hospital de pequeno porte), desejando transferência de um politrauma, atropelamento bicicleta/caminhão.[mais médicos não atende em hospitais, mais médicos atendem em ambulatórios, atenção básica]

Em nosso hospital, não temos sobreaviso de Neurocirurgia e, portanto, todo e qualquer politrauma sempre solicitamos MIL vezezes: ” Não tem TCE? Não tem nenhum TCE? TCE??? ” Sendo que o MAIS MÉDICO respondeu: No… apenas necessito RX.. Paciente estável, sem fraturas…

Dados da entrada do paciente em nossa emergÊncia:

18 anos, Hipocorado, Pele pegajosa, PA: 80/60mmHg, torporoso, Glasgow 10. FC 138bpm, Abocath 24!!!

Paciente com hematêmese franca (grande quantidade, sangue vivo), edema de região cervical anterior direita + Afundamento de crânio em região frontal. Pupilas isofotorreagentes, Sinal de guaxinim bilateral

AP: MV+ bilateral, sem RA

AC: sp

Abdome: desconforto à palpação, sem defesa

Iniciado manobras de reanimação volêmica, paciente evolui com rebaixamento de consciência – sendo realizado IOT.

10 minutos após entrada do paciente evolui com PCR – assistolia, RCP sem sucesso após 40 minutos, pupilas midriáticas fixas;

Cirurgião geral chega para avaliação durante PCR sugerindo lesão de grandes vasos.

 Resumindo, perdemos MAIS UMA VIDA, 18 anos.

Obrigado Dilma, Obrigado MAIS médicos.

 OBS: Sei que o caso era grave, SEI que mesmo que tudo fosse feito como manda ATLS, ACLS, e todos os protocolos de emergência, talvez a vida não fosse salva. Mas o que revolta é a ligação de um ” colega ” para o meu COLEGA de plantão dizendo que o paciente viria transferido apenas para realizar RX, que não havia TCE e que o paciente estava Estável! ATÉ QUANDO DILMA? ATÉ QUANDO PT?!!!!!!!!!!!!!!”

ATUALIZAÇÃO: Médico cubano não receitou dose excessiva e volta a trabalhar segunda, diz prefeitura de Feira de Santana

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