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É raro, mas acontece: Folha denunciando Justiça partidarizada, Toma PT!

novembro 24th, 2013 by mariafro
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O ex-presidente Lula, a presidenta Dilma, Padilha, Haddad, e um monte de petistas que temos notícia acreditam no espírito republicano, acreditam na falácia da ‘mídia técnica’, acreditam na falácia da “Justiça Técnica”.

Fernando Rodrigues publica hoje em seu blog que o juiz que cuida da prisão ilegal dos condenados petistas no julgamento espetacularizado da AP470 é tucaníssimo, filho de ex-deputado do PSDB, e a mãe do juiz não faz nenhuma questão de esconder o partidarismo da família no caso do ‘julgamento do mensalão’.

Governos petistas continuarão mesmo acreditando em critérios técnicos? Continuarão levando na cabeça e dirão: somos republicanos? Sério que o PT acredita que a direita herdeira da escravidão mantém alguma relação republicana com quem não é de direita?

Minha mãe diria: Quer acreditar? Então, Toma!

PS. O juiz anterior da execução penal dos condenados da AP470 cometeu uma série de irregularidades e foi afastado, trecho da mesma Folha:

“Desde o início das prisões, Vasconcelos já não havia recebido de Barbosa as determinações para comandar o processo. No dia anterior à expedição dos mandados, o presidente entrou em contato justamente com o juiz substituto Ribeiro, e enviou para ele os documentos relativos às prisões.

Como estava em férias, Ribeiro tentou entregar a documentação para Vasconcelos. A Folha apurou que ele se negou a receber o material e isso teria criado um mal-estar dentro do TJDF.
Vasconcelos ainda chegou a dar entrevistas dizendo que não havia recebido o material e por diversas vezes destacou que este era um caso do STF. As declarações contrariaram Barbosa e foi preciso que o presidente do TJDF, Dácio Vieira, entrasse no circuito para que Vasconcelos iniciasse os procedimentos relativos à execução penal dos condenados.

Após isso, com os sentenciados já presos e a situação de saúde do ex-presidente do PT sendo questionada, Vasconcelos informou Barbosa que não havia a necessidade de internação do preso.

No dia seguinte, o próprio Vasconcelos entrou em contato com o presidente do Supremo para dizer que o caso era perigoso e que o melhor seria levar Genoino ao hospital.

No despacho que autorizou o tratamento fora da Papuda, Barbosa fez questão de destacar a situação, dizendo que havia recebido de Vasconcelos informações conflitantes sobre a saúde de Genoino.

O despacho de Barbosa, conforme a Folha apurou, fez com que colegas de TJ de Vasconcelos também passassem a criticá-lo e a questionar sua permanência na execução penal do mensalão.

Outro fato que chamou a atenção de Barbosa foi a publicação de uma entrevista na revista “IstoÉ” com Genoino. Este tipo de procedimento só pode ser feito com autorização expressa da Justiça.

Procurado, Vasconcelos disse que não daria entrevistas e que qualquer informação deveria ser solicitada à assessoria de comunicação do tribunal.
A assessoria, por sua vez, disse desconhecer críticas à atuação de Vasconcelos e não esclareceu se a substituição por Ribeiro era temporária ou permanente.”

Novo juiz dos mensaleiros é filho de ex-deputado do PSDB

Por: Fernando Rodrigues em seu blog

24/11/2013 12:38

O juiz Bruno Ribeiro, da Vara de Execuções Penais de Brasília

O juiz Bruno Ribeiro, da Vara de Execuções Penais de Brasília (reprod. TV Justiça)

O juiz que ficará responsável pela execução penal dos condenados do mensalão, Bruno André da Silva Ribeiro, tem 34 anos e é filho de Raimundo Ribeiro, que foi deputado distrital em Brasília pelo PSDB.

Bruno assume as funções, como informa o repórter Severino Motta, na Folha, em substituição ao  juiz titular da Vara de Execuções Penais de Brasília, Ademar Silva de Vasconcelos, que se desentendeu com o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa. Detalhes no post abaixo.

O juiz Bruno Ribeiro estava em férias desde o final do mês de outubro. Ele retornaria ao trabalho no dia 21 de novembro, mas antecipou a volta para assumir o processo de execução penal de mensaleiros condenados. Foi com ele que Joaquim Barbosa tratou no dia 14 de novembro da prisão dos primeiros sentenciados –até porque nessa data o presidente do STF tentou contato com Ademar Vasconcelos, mas não o encontrou.

Raimundo Ribeiro, pai do juiz Bruno, nasceu em Piracuruca, no Piauí. Fez carreira na política de Brasília, onde se elegeu deputado distrital em 2006 (com 8.303 votos), pelo nanico PSL, e em 2010 (com 12.794 votos), pelo PSDB. No momento, não exerce o mandato porque sua posse ficou pendente por causa de um outro candidato que conseguiu a vaga por meio de decisão judicial.

Ribeiro foi durante quase um ano (de janeiro a outubro de 2007) secretário de Estado de Justiça, Direitos Humanos e Cidadania de Brasília, na gestão do governador José Roberto Arruda (ex-PSDB e ex-DEM), que perdeu o mandato durante um escândalo de recebimento de propinas que ficou conhecido como “mensalão do DEM”.

Raimundo Ribeiro e sua mulher, Luci Rosane Ribeiro, têm páginas na rede social Facebook. Ela coloca no seu álbum de fotos uma imagem do presidente Joaquim Barbosa com a seguinte frase: “Eu me matando para julgar o mensalão e você vota no PT? Francamente!”. Eis a imagem, na qual Luci deixou um comentário: “Uma andorinha só não faz verão, acorda meu povo”:

Imagem publicada pela mãe do juiz Bruno no Facebook
Imagem publicada pela mãe do juiz Bruno no Facebook

No perfil de Raimundo Ribeiro no Facebook, ele “curte” a página do PSDB do Distrito Federal. Num álbum de fotos de seu aniversário, aparece ao lado do filho juiz (que não está na rede social). Eis a foto:

Raimundo-e-Bruno-Facebook
O blog está no Twitter e no Facebook.

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Ativismo no metrô paulistano! #trensalão

novembro 24th, 2013 by mariafro
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Genial! A imagem mostra que os paulistanos não estão felizes com a corrupção tucana que impede de sermos transportados com dignidade, que torna a nossa vida um inferno ao se deslocar de um ponto a outro da cidade.

Victor Farinelli diz que atualizaria a intervenção: “Este trem foi superfaturado pelo Governo do Estado de São Paulo, em uma licitação fraudulenta, e o custo dessa operação foi embutido no preço da passagem que você pagou”.

A foto está no Face do Trajano Pontes aqui e a dica foi de Adriana Oliveira Magalhaes

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Em MG proprietários de farmácias se aliaram aos coxinhas de jaleco contra o Mais Médicos, cadê o MP?

novembro 24th, 2013 by mariafro
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A matéria abaixo foi sugerida por Denise Romão. Ela chama bastante atenção: os coxinhas de jaleco ganharam um forte aliado. Não deixa de ser curiosa a ampliação do que Bob Fernandes chamou de o fígado e a alma do Brasil (e eu pontuei, o fígado e a alma perversos da elite brasileira perversa).

Este blog já publicou várias matérias que mostram vários coxinhas de jaleco pegos com a boca na botija, recordemos:

Em Ferraz de Vasconcelos, SP, médicos usam dedo de silicone pra fraudar registro de ponto;

Cascavel: Médico é preso após registrar o ponto e sair do Posto de Saúde;

#Coxinhasdejaleco não querem trabalhar se inscrevem no MaisMédicos e afinam, que venham os cubanos!;

Parece que nem o espírito de corpo salvará o médico que bateu ponto no Mais Médicos e voou para Chicago;

Há os coxinhas de jaleco que além de cometer crimes, tratam pacientes e os responsáveis por eles como se fossem cachorros sarnentos:

Você não sabe por que queremos médicos cubanos? Veja a pediatra surtada e entenda

Há os coinhas de jaleco que se acham acima da lei: 

Os CRM mesmo com a Justiça em seu encalço boicotam o programa Mais Médicos: Médico palestino não consegue atender por falta de documentação

Após o Programa Mais Médicos entrar em vigor, os coxinhas de jaleco (que nunca se importaram com a saúde pública do povo brasileiro) viraram todos profissionais super preocupados com a qualidade dos serviços de saúde pública e passaram até a fazer o papel de fiscais do Ministério da Saúde:

Médico cubano não receitou dose excessiva e volta a trabalhar segunda, diz prefeitura de Feira de Santana;

“Meu filho melhorou logo graças ao médico. Queremos o médico de volta, passamos mais de 2 meses sem médico e agora inventam coisa para tirar o médico daqui”

A desfaçatez do espírito Micheline dos coxinhas de jaleco que acham que receber 10 mil reais mensais para cuidar de pobre é trabalho escravo  parece não ter limites. Agora eles conseguiram adeptos também entre proprietários de farmácia em Minas Gerais (veja matéria reproduzida abaixo).

Foi de Minas Gerais que veio uma das reações mais preconceituosas contra o programa Mais Médicos: o presidente do Conselho de Medicina disse que iria chamar a polícia para os médicos cubanos, que não acataria o programa e outras ameaças às autoridades federais como se fosse um cidadão acima da lei:

 O corporativismo grotesco nos CRM desrespeitam a Justiça negando ao povo brasileiro o acesso à medicina

Em BH como no Ceará os #coxinhasdejaleco hostilizaram os médicos estrangeiros:

Em BH, médica vira as costas para profissionais estrangeiros durante visita a posto de saúde

Já passou da hora de lidar com o boicote ao Mais Médicos como caso de polícia. Porque é isso que este boicote ao programa por diferentes estratagemas é: um caso de polícia. Cadê o Ministério Público que tanto boicotou a PEC 37? Seus promotores não queriam ter poder de polícia para investigação? Por que não investigam o ataque de uma classe média e corporativista reacionária que prejudica a saúde dos que mais necessitam do SUS? Esta é uma ação coordenada? Se for quem está por trás disso? O que não dá é ver um programa necessário ser sabotado dia e noite e o MP não fazer absolutamente nada.
Farmácias rejeitam receita prescrita por médico estrangeiro
Por Renato Fonseca - Hoje em Dia
24/11/2013 08:24
Frederico Haikal/Hoje em Dia
Farmácias rejeitam receita prescrita por médico estrangeiro
Clínica geral – Doralba Madelin teve receitasrejeitadas

Pacientes dos postos de saúde de Santa Luzia, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), têm enfrentado dificuldades para adquirir medicamentos gratuitos fornecidos pelo programa federal “Farmácia Popular”. Drogarias da cidade não estão aceitando receitas expedidas por médicos estrangeiros. O município conta com cinco clínicos cubanos do “Mais Médicos”.

O impedimento imposto pelos estabelecimentos se deve à inexistência do número do registro do profissional junto ao Conselho Regional de Medicina (CRM) no carimbo batido na receita. A Prefeitura de Santa Luzia não soube informar quantas pessoas teriam sido prejudicadas, mas já entrou em contato com o Ministério da Saúde e com as farmácias da cidade na tentativa de sanar o problema.

Um comunicado foi enviado às drogarias e orienta os estabelecimentos a aceitar as receitas sem o CRM. Porém, na prática, sobra desinformação nos pontos de venda.

A reportagem do Hoje em Dia foi até um posto de saúde e conseguiu uma receita de uma médica estrangeira. Em seguida, quatro farmácias foram visitadas. Apenas uma aceitou a prescrição sem o registro do CRM. As outras informaram que receberam um ofício da administração municipal, mas aguardavam novas orientações.

“No momento em que tentamos fazer o cadastro da compra, o sistema pede o número do CRM do médico. Sem o registro fica impossível concluir a ação”, alegou uma atendente.

Orientação

Em nota, o Conselho Regional de Farmácia de Minas Gerais (CRF-MG) informou que o farmacêutico é obrigado, por lei, “a somente aceitar receitas que tenham a identificação do nome do médico e o seu respectivo número de inscrição no CRM”. A entidade já entrou em contato com o Ministério da Saúde para resolver o problema.

O Ministério da Saúde, porém, garantiu que todos os profissionais do programa “Mais Médicos” com registro emitido pela pasta federal já estão cadastrados no sistema de vendas do “Farmácia Popular”.

“Eventuais dificuldades para inserção do registro são problemas pontuais, que devem ser comunicados ao ministério pelo telefone 136”, informa nota enviada.

Leia também:

24 de agosto: Mais Médicos, Mais Ética, Mais Informação, Mais humanização na medicina brasileira

91% dos profissionais cubanos atuarão no Norte e no Nordeste – Blog da Saúde

Adib Jatene: “Brasil precisa de médico especialista em gente”

Alheias às polêmicas, cidades de SP esperam os médicos cubanos

Bob Fernandes: ‘Médicos Cubanos’ provocam fígado e alma do Brasil

Breno Altman sobre David Capistrano da costa Filho: legado de um comunista da gema 

Carta aberta de médica que sentindo muita vergonha alheia se desfilia do SIMEPE

Conte-me como é ser reprovado no CREMESP e sair às ruas num ato promovido pelo CRESMESP pedindo Revalida para médicos estrangeiros

#Coxinhasdejaleco não querem trabalhar se inscrevem no MaisMédicos e afinam, que venham os cubanos

“Dizer-se preocupados com a saúde da população é falácia, pois pior que ser atendido por um médico sem revalida é não ter médicos.”

Em Ferraz de Vasconcelos, SP, médicos usam dedo de silicone pra fraudar registro de ponto

Em BH, médica vira as costas para profissionais estrangeiros durante visita a posto de saúde

Em quem acreditar? Nas patricinhas da medicina com nariz de palhaço da Paulista ou no presidente do sindicato médico do RS?

Entrevistada da Folha é foi citada em farra de gastos de prefeitura com auxílio-transporte

Estudantes que tentaram fraudar vestibular de medicina com 1500 de fiança se livram da prisão

Fatos sobre a presença de médicos estrangeiros no Brasil desenhados até para Daniela Schwery entender

Feinsilver: “Eu acho condenável os médicos brasileiros assediarem os cubanos, que foram para o seu país ajudar os mais pobres entre os pobres”

Folha não aprende: Além de não ouvir o outro lado para fazer suas matérias porcas bota palavra na boca dos outros

Frente Nacional de Prefeitos comemora o lançamento do Programa #MaisMedicos

IPEA mostra: nossos médicos estão entre os que ganham maiores salários no Brasil

Imprensa estrangeira descobre os nossos #CoxinhasDeJaleco

Já passou da hora do Ministério Público processar os #coxinhasdejaleco

Jorge Pontual fazendo jornalismo: Cuba há décadas manda equipes médicas para o resto do mundo e OMS a reconhece como modelo

Laura Greenhalgh: Doutor Preto 

Luís Fernando Tófoli “Como médico e professor de Medicina, declaro que a FENAM não me representa!”

Luís Fernando Tofoli: MIMIMI, COXINHAS E JALECOS

Luís Fernando Tófoli: Uma ira epidêmica

Luís Fernando Tófoli: “Sou médico e professor de Medicina e concordo com os vetos presidenciais à Lei do Ato Médico, em respeito ao SUS”

Luís Fernando Tófoli para o médico Egberto Ribeiro Turato, sobre as boas vindas aos médicos cubanos

Mais Médicos: A partir de 2015: Médicos terão de atuar dois anos no SUS para se formar

Maria Leite: Os médicos cubanos que iriam ou irão vir ao Brasil não são médicos formados na ELAM

Mário Scheffer: A saúde é uma discussão política. A sociedade brasileira, por acaso, se orgulha do SUS?

Médica paraense durante o AmazonWeb declara seu apoio ao #maisMédicos

Médico cubano não receitou dose excessiva e volta a trabalhar segunda, diz prefeitura de Feira de Santana

Médicos cubanos agradecem o ato de solidariedade contra a manifestação de desrespeito à dignidade humana por eles sofrida, cantando Guantanamera

Médicos cubanos, desculpem-nos as agressões da elite escravagista brasileira representada pelos coxinhas de jaleco cearenses

Médicos do programa ” Mais Médicos” são aprovados por pacientes de comunidade rural

“Meu filho melhorou logo graças ao médico. Queremos o médico de volta, passamos mais de 2 meses sem médico e agora inventam coisa para tirar o médico daqui”

Ministro da Saúde nega fala atribuída a ele no Terra e El Pais

Mitos e receios sobre a vinda de médicos estrangeiros ao Brasil

“Pagar R$ 10 mil para um médico trabalhar 40 horas é um absurdo” Mas pode chamar de corporativismo

Padilha: Médicos estrangeiros sim! Os cidadãos brasileiros não podem esperar

Parece que nem o espírito de corpo salvará o médico que bateu ponto no Mais Médicos e voou para Chicago

Paulo Moreira Leite e Izabelle Torres: O Brasil tem metade dos médicos que precisa

Paulo Saldiva, médico e professor de patologia da USP: “Tive vergonha da minha categoria”

Primeiro curso a entrar em funcionamento pela Política de Expansão das Escolas Médicas do Brasil

Professor Hariovaldo criou uma página no Facebook

O corporativismo grotesco nos CRM desrespeitam a Justiça negando ao povo brasileiro o acesso à medicina

Os CRM mesmo com a Justiça em seu encalço boicotam o programa Mais Médicos: Médico palestino não consegue atender por falta de documentação

“Os médicos brasileiros deveriam fazer o mesmo que nós: ir aos lugares mais pobres prestar assistência”

Quando Serra e PSDB eram a favor da vinda de medicos cubanos

Senado cortou em 62% os royalties do petróleo para Educação e Saúde

“Sou médica brasileira, trabalho no SUS e apoio a chegada dos COLEGAS DE CUBA!”

Trocamos um médico cubano por TODOS OS MÉDICOS DE DEDO DE SILICONE, DO BATE PONTO E VAI EMBORA, DOS COXINHAS DE JALECO

Uma análise sobre necessidade de médicos e condições de trabalho em prefeituras, com base em minha experiencia em saúde publica

Wilson Gomes: Eu tenho pena é do coitado deste país, açoitado pela mentalidade-micheline

Você não sabe por que queremos médicos cubanos? Veja a pediatra surtada e entenda

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Bachelet e a chance de jogar o pragmatismo pela janela

novembro 23rd, 2013 by Victor Farinelli
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OS DOIS QUASES DE BACHELET

Ex-presidenta ficou a poucos votos de ser eleita no primeiro turno e sua coalizão conseguiu maioria legislativa insuficiente para aprovar reformas

Victor Farinelli, especial para o Blog Maria Frô

Domingo, 17 de novembro, dia do primeiro turno eleitoral chileno. Um enorme cenário montado na frente do Hotel San Francisco, no centro de Santiago, esperava a hóspede ilustre, a ex-presidenta chilena Michelle Bachelet, favorita para voltar ao Palácio de La Moneda em 2014. Nesse palco, um pequeno pedestal, preparado para o discurso vitorioso da candidata, com muito espaço ao seu redor. Estava montado para um triunfo definitivo, sua ratificação como presidenta eleita, ao lado de todos os assessores, aqueles que já estariam brigando pelos cargos no futuro governo.

Por volta das 22h, em outro lugar da cidade, o presidente do Servel (Serviço Eleitoral do Chile) anunciava uma parcial da apuração, com pouco mais de 80% da contagem realizada, mostrava um panorama irreversível, mas que dizia outra coisa: Bachelet com 46,67% dos votos e uma vantagem contundente sobre a segunda colocada, a governista Evelyn Matthei (com 25,01%). Incapaz, porém, de evitar o segundo turno.

Minutos depois, Bachelet aparece inesperada e inexplicavelmente, subindo no palco. Alguns assessores não puderam esconder a cara de surpresa com sua chegada repentina ao local do discurso. Exigiu estar sozinha. Sua baixa estatura (ela tem 1,60m) se perdia no eloquente vazio ao seu redor, que evidenciava aqueles 3,33% de votos que faltaram para ela ser eleita já naquele dia.

A solidão do discurso era uma demonstração de força. A líder chamou para si a responsabilidade quando o resultado não foi o esperado, assumiu sozinha o custo dos rostos de frustação espalhados pelo público. Também era um recado aos assessores, de que a reunião que vinha com a chefa seria tensa. Para a plateia, a mensagem foi a de manter o ânimo: “que ninguém se engane, aqui houve uma tremenda vitória nossa no primeiro turno, e se temos que ir a um segundo, conseguiremos outra tremenda vitória, e uma maioria ainda mais ampla”.

Problemas no Legislativo

Mas a frustração dos seus aderentes já não tinha relação com o panorama eleitoral. Bachelet vai a um segundo turno com poucos riscos, contra a candidata com maior rejeição (39%), que representa um governo com baixíssima popularidade (33% de aprovação) e com muito mais chances de conseguir votos dos demais candidatos.

Porém, o projeto desenhado pela ex-presidenta para o seu retorno ao país tinha objetivos claros. Absorver os anseios populares por reformas que se manifestaram nas ruas durante todo o governo do atual presidente Sebastián Piñera, se alçar como a líder capaz de satisfazer essas demandas, e conseguir uma votação histórica, suficiente para uma vitória presidencial em turno único, e a formação de uma maioria parlamentária capaz de aprovar tudo o que foi prometido.

O sabor amargo daquele final de domingo era por conta da esperança que a campanha catalisou em torno a essas possíveis transformações no país, o que foi colocado em dúvida porque, nas eleições legislativas, a coligação Nova Maioria (formada este ano por Bachelet, reciclando a antiga Concertação) ficou a apenas uma cadeira de conseguir o quórum necessário, em ambas as câmaras, para aprovar as reformas que ela estabeleceu como prioridades em seu programa de governo: uma reforma educacional que leve gratuidade universal ao ensino público, uma reforma tributária que eleve os impostos das grandes empresas e da classe alta, e uma reforma constitucional que enterre a ainda vigente constituição da ditadura de Pinochet.

Essa cadeira que faltou no Senado pode ter reflexos dentro de seu próprio bloco político. A Nova Maioria reúne um conjunto bastante amplo de legendas, que vão desde o Partido Comunista e o Partido Socialista (do qual ela faz parte) até o Partido Democrata Cristão. O cálculo que alguns analistas faziam era que uma vitória no primeiro turno e uma bancada de grande porte no Congresso permitiriam a Bachelet pressionar o setor mais moderado de sua aliança, para não entravar as reformas, ameaçando expor os dissidentes que não ajudassem a aprová-las.

Para a cientista política María Francisca Quiroga, do Instituto de Assuntos Públicos da Universidade do Chile, “a necessidade de negociar com a oposição, nesse provável novo governo de Bachelet, colocará principalmente o Partido Democrata Cristão numa situação mais cômoda, onde essa negociação com a direita poderia suavizar um pouco o projeto, que se transformaria mais em ajustes e que em reformas, e sem que o partido seja responsabilizado por não chegar a mudanças maiores”.

Por outro lado, o alívio dos moderados nesse aspecto topa com outros problemas. Foram os únicos blocos dentro da Nova Maioria que perderam vagas no parlamento. Os comunistas dobraram seus representantes, tiveram na ex-líder estudantil Camilla Vallejo a deputada mais votada do país, e foram os grandes responsáveis por conseguir, na Câmara dos Deputados, aquele quórum qualificado que no Senado não foi possível. Mesmo no Senado, embora a falta desse quórum beneficie os democratas-cristãos no aspecto do jogo político, em termos de representação o partido sofreu com a derrota de sua senadora mais emblemática – Soledad Alvear, que perdeu a disputa como representante de Santiago para o socialista Carlos Montes, um dos mais radicais defensores das reformas.

Esquerdização eleitoral x moderação legislativa

A vitória no segundo turno não parece que será um problema para Michelle Bachelet. Além da grande vantagem sobre Evelyn Matthei, ela também é beneficiada pelo fato de seis dos sete candidatos que ficaram no caminho neste primeiro turno representarem pequenos partidos de esquerda, cujos programas coincidiam com as três propostas mais importantes entre as defendidas pela ex-presidenta (as reformas educacional, constitucional e tributária). Esses seis candidatos juntos somaram 27% – mais que a candidata que ficou em segundo.

Porém essas candidaturas nanicas teceram suas críticas a Bachelet durante a campanha, questionaram o porquê dela não ter realizado isso em seu primeiro governo, e apontaram os setores moderados da Nova Maioria como os responsáveis pela falta de credibilidade nas promessas da ex-presidenta. O terceiro colocado do primeiro turno, Marco Enríquez-Ominami (do Partido Progressista, que conseguiu 11%), provocou: “não há dúvidas sobre as convicções de Michelle Bachelet, mas ela mesma sabe que alguns partidos que estão com ela não querem as reformas que estão oferecendo”.

A cientista política María Francisca Quiroga vê uma interessante dicotomia diante de Bachelet, entre a necessidade de radicalizar o discurso do ponto de vista eleitoral, para buscar o apoio de quem votou pelos partidos mais à esquerda, em paradoxo com a necessidade de moderar as propostas no Congresso, quando precisar negociá-las com a oposição, no Senado.

Porém, a acadêmica acha que essa poderia ser uma oportunidade para a ex-presidenta. Segundo Quiroga, se Bachelet aposta em conquistar os eleitores dos pequenos partidos poderia conseguir uma vitória enorme no segundo turno, capaz sim de pressionar os setores moderados da Nova Maioria. “Esse eleitor que votou nos demais candidatos de esquerda concorda com as propostas de Bachelet, mas desconfia da sua capacidade de realizá-las. Se ela quiser esses votos, terá que se comprometer mais, e isso a distanciaria dos setores moderados”.

O segundo turno no Chile será realizado no dia 15 de dezembro. O mais provável é que, nesse então, o cenário armado na frente do Hotel San Francisco finalmente receba a festa que não aconteceu no 17 de novembro. Resta saber quem e quantos serão os que vão preencher aquele espaço vazio ao redor da presidenta eleita.

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