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Wagner Iglecias: Refavela

novembro 7th, 2013 by mariafro
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O guru que alimenta as estratégias de mercado voltado para a classe C, Renato Meirelles, do Instituto Data Popular, discordaria do professor Wagner Iglecias, ele diria que se as favelas brasileiras fossem um estado, seria o 5º em população e responsável por um consumo de 56 bilhões de reais anuais.

Refavela
Wagner Iglecias, Estadão, via  Facebook do autor

Pesquisa divulgada hoje pelo IBGE, a partir do Censo de 2010, dá conta de que no Brasil mais de 11,4 milhões de pessoas “vivem em áreas ocupadas irregularmente por certo número de domicílios, caracterizadas, em diversos graus, por limitada oferta de serviços urbanos e irregularidade no padrão urbanístico”. Em outros termos, gente que vive em habitações precárias e com péssimas condições de habitabilidade. No popular, gente que mora em favelas e assemelhados. Distribuídos por mais de 6 mil delas, em 232 cidades de nosso país. Fenômeno metropolitano, a maioria das favelas concentra-se em cinco cidades, pela ordem: São Paulo, Rio, Belém, Salvador e Recife.

As favelas são um dado complexo e heterogêneo. Há uma ideia mais ou menos generalizada de que a favela é a opção que resta ao trabalhador de baixíssima renda que deseja viver próximo às regiões centrais das cidades, mais bem atendidas por serviços públicos e com maior oferta de postos de trabalho. Isso pode ser verdadeiro em alguns exemplos, como o Rio de Janeiro, mas é discutível no caso de São Paulo, cidade que se notabilizou, ao longo de décadas e pela ação de vários governos, em expulsar e confinar as favelas nas periferias.

Para além de toda sorte de precariedades e carências que vive quem mora numa favela, pesa ainda a estigmatização vinda de quem vive fora dela. Entrar numa favela e conversar com seus moradores é quase sempre ouvir o discurso de que “aqui somos todos trabalhadores, se há algo de errado acontecendo não é aqui, é lá na rua de baixo, do outro lado do rio, do lado de lá da linha do trem”. A favela brasileira vive entre o eufemismo midiático da categoria “comunidade”, retratada em novelas e programas de auditório que anunciam um Brasil festeiro e dançante, onde tudo acaba em celebração inter-étnica e inter-classes ao som de pagode e funk, e o preconceito dos programas policialescos nos quais uma maioria de gente honesta e ordeira viveria sob o permanente jugo de criminosos, tornando a favela, assim, o locus da violência e de toda sorte de ilegalidades.

A favela, na realidade, é o lugar da pobreza e da exclusão social. É a síntese, cravada no espaço construído, de um modelo de desenvolvimento que incorpora mal as pessoas, pagando a elas salários irrisórios, e de um Estado que tem o braço curto para estender políticas públicas a toda a população, em que pese a euforia recente de ascensão social dos pobres à tão propalada nova classe média. A favela é resultado de um modelo de cidade que historicamente concentrou investimentos públicos em pequenas porções do território, visando alavancar investimentos privados ligados ao mercado imobiliário e ao padrão de mobilidade baseado no automóvel. A favela é o outro lado da moeda desse nosso modelo urbano baseado no concreto e no asfalto, e que se vê hoje à beira do colapso.

*Wagner Iglecias é doutor em Sociologia e professor do Curso de Graduação em Gestão de Políticas Públicas e do Programa de Pós-Graduação em Integração da América Latina da USP.

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O corte federal dos EUA vai reduzir a ajuda alimentar de 50 milhões de estadunidenses

novembro 7th, 2013 by mariafro
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Enquanto o governo Lula  Brasil tirou 50 milhões da linha da miséria, nos EUA, há quase 50 milhões que dependem da ajuda alimentar do governo e que se verão diante de uma substancial redução devido ao corte federal que entrou em vigor no dia 1º de novembro.

Menos comida para os pobres dos EUA

Por Ramy Srour, da IPS/Envolverde, via Revista Fórum

07/11/2013 9:29 am

Os drásticos cortes na ajuda alimentar para os pobres nos Estados Unidos elevarão a demanda sobre organizações de caridade e de alimentos que fornecem provisões para famílias necessitadas em todo o país, e que já estão no limite de sua capacidade. “Como alimentar suas famílias?”, perguntou Earle Eldridge, voluntário no armazém de alimentos da igreja católica de St. Anthony em Washington. “Estamos nos transformando em um país onde o governo corta coisas tão essenciais com os alimentos, e não sabemos como as pessoas farão para sobreviver”, disse à IPS.

Há quase 50 milhões de norte-americanos que dependem da ajuda alimentar do governo e que se verão diante de uma substancial redução devido ao corte federal que entrou em vigor no dia 1º deste mês. Esse país tem 316 milhões de habitantes, e aproximadamente 14% das famílias do país se valem do Programa de Assistência Nutricional Complementar (SNAP), conhecido por seus cupons de alimentação, que atinge milhões de pobres e indigentes.

Os cortes federais chegam em um momento difícil para milhões de habitantes, que ainda não se recuperaram da última crise econômica. “Desde o começo da recessão, 2008, as pessoas vêm até nós porque não ganham o dinheiro que deveriam estar ganhando”, explicou à IPS Elaine Schaller, outra voluntária na igreja. “Mas rendas menores também significam menores doações, e isso é muito problemático, porque dependemos delas para a maior parte de nossa assistência”, ressaltou.

Yvonne Shields é a chefe comunitária na Comunidade Broadway, um restaurante que funciona em Morningside Heights, Nova Yorque. (Foto Vadim Lavrusik/cc by 2.0)

Na verdade, a deprimida atividade econômica deixa descobertas implicações mais amplas e indiretas dos cortes. Como as pessoas têm menos dinheiro, também é menos provável que façam doações aos centros de distribuição, e assim os armazéns e restaurantes populares terão maior escassez nos próximos meses, apontou Schaller. Os cortes aprovados no dia 1º deste mês se relacionam com a Lei de Recuperação e Reinvestimento para os Estados Unidos (Arra), conhecida como “pacote de estímulo”, pois estava destinada a potencializar a economia nacional.

Entre outros mecanismos, a Arra estabeleceu uma ampliação temporária dos cupons de alimentação, o que permitiu destinar mais de US$ 45 bilhões para ajuda alimentar, mas só até o dia 1º, quando expiraram várias de suas disposições temporárias. Os cortes implicam redução de até US$ 5 bilhões no orçamento do SNAP. Mas o Congresso debate um projeto que pode tirar outros US$ 40 bilhões nos próximos dez anos. “Falamos disso com as pessoas que vêm até nós e têm medo de não poderem alimentar suas famílias”, indicou Eldridge.

Segundo ativistas, a situação já era crítica antes do dia 1º. O lento crescimento econômico e o fechamento dos escritórios do governo por 16 dias, que deixou milhares de famílias sem dinheiro, só fizerem elevar a demanda por alimentos doados. Dados do Departamento de Agricultura mostram que a demanda por cupons aumentou em 37 Estados entre 2012 e 2013. Os maiores aumentos foram registrados em Illinois e Wyoming.

Mesmo naqueles Estados onde a demanda por cupons de alimentos não cresceu no último ano, a quantidade agregada de famílias que dependem deles continua em alta. Mississippi é o pior caso: tem quase 21% de sua população (cerca de 630 mil pessoas) dependente do sistema de cupons para se alimentar. Em seguida aparecem Oregon, Tennessee e Virginia Ocidental, com cerca de 20%.

Em Virginia Ocidental, um dos Estados que serão mais afetados pelos cortes, os benefícios do SNAP caíram de quase US$ 42 milhões em setembro para pouco menos de US$ 39 milhões, disse à IPS um porta-voz do Departamento de Saúde e Recursos Humanos do Estado. Essa redução de quase US$ 3 milhões para novembro afetará cerca de 300 mil pessoas.

“Os usuários foram notificados por correio sobre essa mudança, devido à redução que será efetivada em novembro. Aos trabalhadores foram dados instrumentos para informar aos receptores da redução com antecipação”, disse o porta-voz à IPS. Virginia Ocidental não suprirá a falta com outros fundos e não sabe de nenhum plano para apoiar organizações de doadores, como provisão de alimentos. É provável que outros Estados enfrentem situações semelhantes.

Dias antes de expirar a Arra, Al Franken , senador por Minnesota, somou-se a outros 38 legisladores que por carta pediram ao Congresso que impeça novos cortes no SNAP, que estão em estudo no Poder Legislativo. O SNAP “é a primeira linha de defesa de nossa nação contra a fome e tem papel crucial em momentos difíceis da vida das famílias, pois permite às que estão em dificuldades colocar alimentos em suas mesas”, ressalta a carta.

Os legisladores também pediram que o Congresso não inclua no projeto modificações concebidas para tornar mais difícil o acesso ao programa de cupons de alimentos. Nesse ínterim, voluntários e ativistas pouco podem fazer além de aguardar. “Espero que o bipartidarismo consiga que os habitantes dessa cidade (Washington) se deem conta do que devem fazer”, declarou Eldrige. “Tudo o que posso fazer é rezar”, enfatizou.

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Enquanto lutávamos por internet livre no Congresso tucanos e PMDB no Senado impedem a transparência em gastos de campanha política

novembro 6th, 2013 by mariafro
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Por 10 votos a 9, Comissão do Senado rejeita proposta que previa divulgação periódica de doações de campanha política na internet.

E alguém ainda tem dúvida a quem não interessa a Reforma Política?


Na foto, o senador e provável candidato à presidência, Aécio Neves (PSDB-MG), que também votou contra a proposta. Crédito: Dida Sampaio/Estadão

CCJ do Senado rejeita divulgação de doações de campanha na internet

Por 10 votos a 9, proposta foi derrotada com o apoio da oposição, incluindo o provável candidato à presidência pelo PSDB, o senador Aécio Neves

Ricardo Brito – Agência Estado

06/11/2013

Brasília – Em uma votação apertada, os integrantes da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado rejeitaram na manhã desta quarta-feira, 6, uma proposta para se divulgar periodicamente na internet a lista de doadores de campanhas políticas. O projeto foi derrubado por dez votos a nove, com o apoio da oposição, incluindo o presidente do PSDB e pré-candidato a presidência da República, senador Aécio Neves (MG), que votou contra a proposta.

A rejeição ocorreu após a CCJ adiar a votação do substitutivo da Câmara à proposta de minirreforma eleitoral, que deve voltar para a pauta de votações na próxima quarta-feira, 13. Parlamentares derrotados, como o senador Eduardo Suplicy (PT-SP), anunciaram que vão apresentar recurso ao plenário para tentar reverter a decisão. “É importante levar essa matéria para o debate em plenário”, disse o senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP), um dos apoiadores da iniciativa.

A proposta de autoria do senador Pedro Taques (PDT-MT) determinava que, durante a campanha, candidatos, partidos e coligações eleitorais teriam de divulgar na internet a lista dos doadores de campanha e seus respectivos valores doados em cinco datas: nos dias 21 de julho, 6 de agosto, 21 de agosto, 6 de setembro e 21 de setembro. O descumprimento da medida poderia levar os responsáveis à multa de até R$ 10 mil, que poderia ser dobrada em caso de reincidência.

Desde 2006, por causa de uma mudança na Lei das Eleições, candidatos, partidos e coligações precisam discriminar numa página eletrônica os valores recebidos e gastos nos dias 6 de agosto e 6 de setembro. Essas duas divulgações, mesmo se não realizadas, não são passíveis de punição. Atualmente, a obrigação de revelar os doadores só ocorre na prestação de contas final da campanha, após a votação.

O relator da proposta na CCJ, senador Antônio Carlos Rodrigues (PR-SP), disse no seu parecer que a proposta é “digna de todos os elogios”. Ele propôs mudanças ao texto original, como a obrigação de divulgar periodicamente, não no site do candidato, partido ou coligação, mas na página da Justiça Eleitoral na internet os doadores de campanha.

O texto, entretanto, foi bombardeado na comissão. O senador Romero Jucá (PMDB-RR) disse que a proposta, ao tornar explícito o doador, em vez de ser uma “boa ideia”, pode virar “contraproducente porque vai estimular o caixa dois”. “Nós estamos protegendo o doador”, disse. “Na tese, ela é boa, mas vai prejudicar a oposição e o equilíbrio da disputa porque vai estimular o caixa dois porque ninguém quer ficar exposto”, completou.

Favorável à proposta, o senador Luiz Henrique (PMDB-SC) afirmou que, diante do fato de a reforma política não ter sido aprovada, aprovar o projeto era o “mínimo que se pode fazer”.

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Liberdade de expressão é internet pro povão!!!

novembro 6th, 2013 by mariafro
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Na audiência pública ocorrida hoje, 06/11/2013, para discutir o texto final do Marco Civil da Internet, apresentado pelo relator do projeto, deputado Alessandro Molon, do PT/Rio de Janeiro, ficou claro que a neutralidade de rede segue sendo o calcanhar de Aquiles e será o ponto de conflito para a provável votação no plenário do Congresso. Deputado Eduardo Cunha, do PMDB/RJ, se envolve em bate-boca.


Deputados e integrantes do Fórum Nacional Pela Democratização da Comunicação e de outras entidades civis ligadas ao setor fizeram no final da manhã desta quarta-feira (6) um manifesto na Câmara dos Deputados em favor do parecer do deputado Alessandro Molon (PT-RJ), ao projeto do marco civil da internet. A nova versão do parecer foi apresentada na terça-feira (5) e está em discussão na Casa antes da votação, que deve ocorrer apenas na próxima semana, segundo lideranças do governo. André Oliveira/Câmara dos Deputados.

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Entenda a importância de manter a Neutralidade da rede e porque se gente como Eduardo Cunha vencer todos nós perderemos

Todos contra Eduardo Cunha e sua gangue que querem impedir uma internet universal no Brasil

Diga a seu deputado em alto e bom som: “Eu não abro mão da neutralidade da rede, eu não abro mão da retirada desse segundo parágrafo no artigo 15, não abrimos mão da nossa privacidade”

FNDC: nota pública sobre a votação do Marco Civil da Internet

Marco Civil Já e com Neutralidade de Rede!

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