Para expressar a liberdade

Maria Frô - ativismo é por aqui

Maria Frô header image 4

O casamento de Dona Baratinha, duas mercedes, 22 multas, e a democracia que não chegou ao ponto de ônibus

julho 16th, 2013 by mariafro
Respond

Manifestação em casamento expõe sociedade fraturada

Por: Luciano Martins Costa Comentário para o programa radiofônico do Observatório, na edição 754

15/07/2013

Talvez tenha sido um dos menores, em número de participantes, na série de protestos que acontecem em cidades brasileiras desde junho, no rastro da campanha pela redução das tarifas de ônibus. Não mais do que sessenta pessoas se postaram diante da igreja do Carmo, no centro do Rio, para se manifestar durante a cerimônia de casamento de dois herdeiros de empresas de transporte público. No entanto, talvez tenha sido também o evento mais representativo da realidade perversa em que degenerou a democracia brasileira.

Como ocorre normalmente entre cariocas, tudo começou com brincadeiras e ironias, como a manifestante fantasiada de noiva, que distribuía baratas de plástico aos passantes. A noiva de verdade era a neta do empresário Jacob Barata, conhecido como o “rei dos ônibus” no Rio.

O relato dos jornais nesta segunda-feira (15), principalmente do Globo, é rico em detalhes [Aqui, o relato da colunista social Hildegard Angel]. A noiva, seu pai e o avô chegaram à igreja em duas Mercedes, que, segundo o jornal carioca, acumulam nada menos do que 22 multas desde 2010. A recepção aos cerca de mil convidados, realizada no hotel Copacabana Palace, teria custado R$ 2 milhões. A festa, que varou a noite, tinha um cantor famoso no palco, que era adornado por uma bandeira do Brasil.

Para qualquer observador, esse é o cenário que explica e justifica a onda de protestos que tem sua origem no problema da mobilidade urbana: de um lado, os usuários de ônibus; de outro, aqueles que acumulam fortunas indecentes com os serviços de má qualidade subsidiados por dinheiro público – e que não cumprem os mais básicos deveres da cidadania, como pagar multas de trânsito. A presença solene de uma bandeira nacional no palco de uma festa particular é a melhor representação de uma elite econômica privilegiada, cujos atos ofendem o senso comum das ruas, e que se sente proprietária do País.

A frase atribuída ao pensador britânico Samuel Johnson não teria melhor colocação: “o patriotismo é o último refúgio de um canalha”. Tanto na Inglaterra de 1775, quando Johnson se referia ao uso de falsos argumentos nacionalistas como justificativa para práticas contrárias ao interesse público, como no Brasil de 2013, a apropriação do patrimônio social é considerada por essa elite como direito sagrado.

As passeatas de protesto querem dizer o contrário.

Aviõezinhos de dinheiro

A imprensa cumpre seu papel ao relatar pontualmente os incidentes que se seguiram à cerimônia religiosa, mas não avança na descrição do pano de fundo desse confronto entre duas realidades: a dos controladores do transporte público e a dos usuários de ônibus.

O Globoapresenta, associada ao noticiário sobre o casamento e os protestos, uma reportagem que revela o poder econômico dos donos do transporte urbano no Rio, cuja contabilidade se caracteriza pela falta de transparência. Mas nada, no histórico recente dos jornais, indica que qualquer um deles terá apetite para avançar no esclarecimento do jogo de interesses que liga os empresários de ônibus e as autoridades que deveriam fiscalizar o funcionamento dessas empresas.

Um levantamento de como funciona o complexo sistema dos transportes urbanos explicaria a revolta dos jovens que saem às ruas pedindo o fim das tarifas. Pode-se também afirmar que a perversidade desse sistema justificaria até mesmo alguns atos de violência que simbolizam a revolta contra o cerceamento do direito de ir e vir, produzido pelo alto preço das passagens e pela precariedade dos serviços oferecidos à população.

As manifestações de junho puseram a nu uma realidade que vinha sendo ignorada ou omitida pela imprensa: a de que a maioria da população é refém de meia dúzia de empresários de um setor fundamental para o funcionamento das cidades, cujo poder é assegurado pela legislação que lhes permite financiar campanhas políticas.

A consciência desse poder perverso é que pode explicar a agressividade com que alguns convidados à festa da família Barata reagiram à presença de manifestantes na calçada em frente ao Copacabana Palace, na noite de sábado, 13.

Segundo contam os jornais, um dos convivas – apontado como parente da noiva – atirou do alto do edifício um cinzeiro de vidro, que feriu a cabeça de um jovem manifestante. Outros convidados lançaram sobre a multidão aviõezinhos feitos com notas de R$ 20.

Não poderia haver cena mais representativa da desigualdade que emperra o desenvolvimento da democracia no Brasil. Não faltam motivos para a imprensa e as instituições da República decidirem de uma vez por todas de que lado dessa sociedade fraturada pretendem se colocar.

***

Leia também

A democracia precisa chegar ao ponto de ônibus

Tags:   · · 1 Comment

Cuba e Argentina anunciam vacina contra o câncer de pulmão

julho 16th, 2013 by mariafro
Respond

Depois da vacina cubana contra o câncer de próstata é a vez da vacina cubana contra o câncer de pulmão.

ARGENTINA E CUBA ANUNCIAM PRIMEIRA VACINA TERAPÊUTICA CONTRA CANCRO DO PULMÃO

Redacção, CM, sugerido por Neto Sampaio

31/05/2013

Um grupo de investigadores argentinos e cubanos criou a primeira vacina terapêutica contra o cancro do pulmão, que prolonga a esperança de vida dos doentes, informou esta sexta-feira o laboratório argentino Insud, participante no projeto.

A vacina, que resulta de 18 anos de trabalho e da colaboração de um consórcio público-privado de investigação, não previne o aparecimento do tumor, mas promove a sua destruição através da ativação do sistema imunitário do próprio organismo, adiantou o mesmo laboratório em comunicado, citado pela agência Efe.

Batizada com o nome de Racotumomab, a vacina foi testada em ensaios clínicos controlados, e triplicou a percentagem de doentes que continuaram vivos dois anos após a sua toma, assinalou a mesma nota.

Indicada para casos avançados ou com metástases e em doentes que receberam tratamentos de quimioterapia e radioterapia e se encontram estáveis A vacina está indicada para casos de cancro do pulmão avançados ou com metástases, em doentes que receberam tratamentos de quimioterapia e radioterapia e se encontram estáveis.

Mais de 90 especialistas, incluindo do Instituto de Imunologia Molecular de Havana, trabalharam na identificação de um antígeno (partícula ou molécula capaz de iniciar uma resposta imune) e no desenvolvimento de um anticorpo monoclonal, que, «ao induzir o corpo a reagir a esse antígeno, ataca o tumor e as suas metástases, mas não o tecido normal», indicou o laboratório Insud.

A vacina é administrada através de injeções intradérmicas e produz uma potente resposta do sistema imunológico, realçou o diretor científico do Consórcio de Investigação e Desenvolvimento Inovador, Daniel Alonso.

A Argentina será, em julho, o primeiro país do mundo a ter disponível a vacina, cuja comercialização foi autorizada em Cuba e em mais 25 países da América e da Ásia.

O cancro do pulmão, considerado um dos mais letais, mata anualmente, em todo o mundo, 1,4 milhões de pessoas, de acordo com estimativas da Organização Mundial de Saúde.

Tags:   · · · 2 Comments

Embaixador alerta para riscos decorrentes do atual “controle dos meios de comunicação pelas classes hegemônicas mundiais”

julho 16th, 2013 by mariafro
Respond

Samuel Pinheiro Guimarães: “Democratização da mídia é prioritária para a defesa da soberania”

Embaixador alerta para riscos decorrentes do atual “controle dos meios de comunicação pelas classes hegemônicas mundiais”

Por: Leonardo Wexell Severo, no site da CUT

16/07/2013

Para acompanhar ao vivo, aqui

Foto Roberto Parizotti

Debate mediado pela ex-ministra Matilde Ribeiro contou com a participação de Samuel Pinheiro Guimarães e o professor Paulo Fagundes Vizentini

“O controle dos meios de comunicação é essencial para o domínio da classe hegemônica mundial. Como esses meios são formuladores ideológicos, servem para a elaboração de conceitos, para levar sua posição e visão de mundo. Daí a razão da democratização da mídia ser uma questão prioritária”, afirmou o embaixador Samuel Pinheiro Guimarães no debate O Brasil frente aos grandes desafios mundiais, realizado nesta terça-feira na Universidade Federal do ABC.

Ministro da Secretaria de Assuntos Estratégicos (2009-2010) e secretário geral do Itamaraty (2003-2009) no governo do presidente Lula, o embaixador defendeu a campanha do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC) por um novo marco regulatório para o setor.

Segundo ele, uma relevante contribuição à democracia e à própria soberania nacional, diante da intensa disputa política e ideológica numa “economia profundamente penetrada pelo capital internacional”.

Entre as iniciativas para garantir o surgimento e estabelecimento de novas mídias, apontou, está a “distribuição das verbas publicitárias do governo”, desconcentrando os recursos públicos e repartindo de forma justa e plural. “O critério de audiência, que vem sendo utilizado, privilegia o monopólio e o oligopólio”, sublinhou.

O embaixador também condenou o fato de que um mesmo grupo possa deter emissoras de rádio e televisão, jornais e revistas – a chamada propriedade cruzada. Conforme Samuel, esta concentração acaba concedendo um poder completamente desmedido para alguns poucos divulgarem as suas opiniões como verdade absoluta. “Quando estados como a Argentina, o Equador e a Venezuela aprovam leis para democratizar a comunicação, a mídia responde com uma campanha extraordinária, como se isso fosse censura à imprensa”, lembrou.

MANIPULAÇÃO

Em função dos interesses da classe dominante, alertou o embaixador, a mídia hegemônica pode, sem qualquer conexão com a realidade, “demonstrar que um regime político da maioria é uma ditadura e realizar campanhas sistemáticas que permitam uma intervenção externa, com o argumento que determinado governo oprime os direitos humanos”. “Podem inclusive se aproveitar de manifestações pacíficas para infiltrar agentes provocadores que estimulem o confronto”, alertou.

Uma vez criado o caldo de cultura, soma-se à campanha de difamação e manipulação das consciências a intervenção militar, como aconteceu contra o governo de Muamar Kadafi. “Na Líbia houve a derrubada de um governo que lhes era contrário, não foi ação defensiva dos direitos humanos em hipótese nenhuma”, frisou. Na avaliação de Samuel, “os Estados Unidos têm um projeto muito claro de manter o seu controle militar e informativo”, que utilizam de forma alternada e complementar.

“Contra os governos que contrariam frontalmente os seus interesses, os EUA têm um uma política declarada de ‘mudança de regime’. Para isso, sem grandes embaraços, qualquer movimento pode ser instrumentalizado”, assinalou.

Entre os muitos exemplos de manipulação citados pelo embaixador está o “esforço da política neoliberal para reduzir direitos”, utilizando-se da campanha pelo “aumento da competitividade”. ”O receituário que defendem é o de reduzir programas sociais, controle orçamentário e reduzir os benefícios da legislação trabalhista. Para isso disseminam ideias como a de que as empresas nacionais não são produtivas”, destacou Samuel.

Também condenando a manipulação da informação e o papel desempenhado por setores da mídia, o professor Paulo Fagundes Vizentini, coordenador do Núcleo de Estratégia e Relações Internacionais da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, considerou inadmissível que “os mesmos que bombardeiam e ocupam militarmente países soberanos venham agora dar lições de direitos humanos”.

“Antes era feio não ter opinião, hoje é ideológico, que mais se parece com fisiológico”, disse Vizentini, defendendo a afirmação do interesse público e da soberania nacional, e combatendo “os que querem que o país fique na segunda divisão, desde que sejam o capitão do time”.

O professor sublinhou o papel estratégico e singular proporcionado pela descoberta do pré-sal, tanto do ponto de vista energético, como geopolítico, e alertou para a necessidade de que o Brasil tenha os elementos de dissuasão para impedir que esse imenso patrimônio venha a ser apropriado militarmente pelos estrangeiros. “Para isso temos de enfrentar os espíritos fracos e colonizados. O colonialismo é o mais difícil de combater, porque está dentro da nossa cabeça”, frisou.

Para o secretário de Relações Internacionais do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra, Pedro Bocca, “o fortalecimento dos espaços de mídia dos movimentos sociais, como a TeleSur, a Alba TV e a TVT, com sua divulgação em canal aberto, são uma necessidade do momento para o avanço da própria integração”. “Nesse momento, o investimento do governo é essencial para combater a desinformação e garantir a efetiva democratização da comunicação e do país”, concluiu.

Leia também:

Glenn Greenwald diz que mídia corporativa dos EUA é escudo e megafone do poder

Estados Unidos espionaram “comunicação de lideranças” em Brasília

Ivan Valente: Quais empresas colaboram com a espionagem?

Ramonet: Serviços de espionagem já controlam a internet

Tijolaço protesta contra a bandidagem eletrônica: Somos ratos?

Spiegel: A aliança entre a NSA e 80 corporações

Tags:   · · · · · 5 Comments

Não tem dinheiro que pague a solidariedade: brigadas cubanas de saúde

julho 16th, 2013 by mariafro
Respond

O programa de solidariedade médica de Cuba e o silencio da mídia

Via Correio do Brasil

Tags:   · · · · No Comments.