Maria Frô - ativismo é por aqui

Maria Frô header image 4

Laura Greenhalgh: Doutor Preto

agosto 31st, 2013 by mariafro
Respond

Sugestão de Maurício Machado que acresceu a foto em seu post no Facebook

Doutor Preto

Laura Greenhalgh, Estadão

31/08/2013

Foto: Farmácia Maria Isabel na Avenida Paraná em Londrina. Na porta, o médico Dr. Justiniano Clímaco da Silva. Década 1940. Autor: desconhecido. Fonte: História de Londrina

Espetáculo patético. Médicos estrangeiros são obrigados a cruzar um corredor polonês de manifestantes em jalecos brancos gritando slogans que julgam ser de grande elevação espiritual – “Revalida!”, “volta pra casa”, “escravo, escravo…”. A nau dos insensatos parecia ecoar no dia seguinte, na imagem publicada de um médico cubano, negro, visivelmente constrangido pelo protesto de que era alvo, em Fortaleza. E as insanidades prosseguiram: da tuiteira que indaga como lidar com médicas parecidas a domésticas a comentaristas tratando os vaiados como “agentes cubanos”. É triste, bate até um desalento. Não funciona dizer que é culpa do governo, saída fácil a escamotear o pior. Trata-se de preconceito.

Sabemos não é de hoje que a medicina no Brasil se fez uma profissão tão branca quanto a roupa que distingue seus profissionais – apenas 1,5% deles se declaram negros, segundo o IBGE. Dado estatístico, de uma constatação empírica – afinal, quantos clínicos ou cirurgiões negros você conhece? Não é de hoje que este país sofre da má distribuição de seus médicos, o que faz com que vastidões continuem desassistidas para o atendimento básico, o que dizer então dos casos em que se requer atendimento especializado. Como não é de hoje que, embora tenhamos o SUS, predomina em nossas vidas, bem como em nossas expectativas de futuro, a visão mercadológica da medicina, no sentido de que o melhor estará sempre reservado a quem pode bancar. Mas, ainda que saibamos de tudo, vale indagar se os atores do protesto terão vaiado apenas os profissionais de fora, inscritos no programa oficial.

Saiu vaiada a medicina social brasileira. Como saíram vaiados profissionais que deram e dão duro para fazer com que a saúde seja um direito de todos neste país. Hoje pretendo usar este espaço para lembrar de um deles, por coincidência negro e, mais coincidência ainda, neto de escravos.

Chamava-se Justiniano Clímaco da Silva, mas a clientela o tratava como “Doutor Preto”. Fez história no Paraná, precisamente em Londrina, onde trabalhou até morrer, em 2000, aos 93 anos. Destacou-se numa cidade muito pobre até idos de 1930, depois enriquecida pela cafeicultura – cidade em cujos anais consta a saga vitoriosa dos colonos brancos, de origem europeia, nem tanto a força de trabalho dos negros libertos. E não foram poucos – no século 19, os escravos representavam 25% da população do Estado.

Pois bem, Justiniano Clímaco nasceu preto e pobre em Santo Amaro da Purificação, na Bahia, em 1908. Filho de carpinteiro e criada doméstica, cismou de imitar o Dr. Bião, médico da cidade. Queria ser como ele. Então virou preto, pobre e pretensioso. Tanto fez que lhe arrumaram estudos num seminário e cama na casa de uma tia em Salvador. Daí, preto, pobre, pretensioso e persistente, não virou padre, mas bacharel em Ciências e Letras. Depois virou professor do ginásio, deu aulas de matemática e latim, o que pagaria o preparatório para a Faculdade de Medicina da Bahia. Entrou. Fez o curso. Formou-se em 1933 numa classe com 95 alunos, contabilizados aí uma única mulher e ele, o único negro. Topou com a notícia de que a Companhia de Terras Norte do Paraná, firma inglesa que loteava uma vasta área do Estado, recrutava braços para a lavoura, apesar do avanço do tifo e da febre amarela. Pensou: se tem doença, precisa de médico. É lá que eu vou.

Assim começa a maior viração do Doutor Preto, 50 anos de clínica, mais de 30 mil pacientes, fundador de hospitais na região e tema de trabalho acadêmico de Maria Nilza da Silva, da Universidade Estadual de Londrina (UEL). A pesquisa da socióloga, da qual participou a aluna Mariana Panta, dá conta de um “escravo da medicina”, usando expressão do médico cubano vaiado em Fortaleza. Justiniano Clímaco chegou em 1938 a uma Londrina sem luz elétrica para acionar o infravermelho que trouxe de Salvador. Fervia e flambava os próprios instrumentos, não tinha raio X, anestesiava os pacientes com máscaras de clorofórmio, rastreava tumores por apalpação, ouvia pulmões e corações longamente. Dizia: “Clínica geral tem que ser feita assim: sem pressa”. Foi pioneiro no uso da penicilina ao tratar doenças sexualmente transmitidas, que proliferavam numa fronteira agrícola com gente de tudo quanto é lugar. Com o tempo, arrumou um Ford 28 para atender na roça e levar casos graves até Curitiba – 400 quilômetros por terra, dois dias de viagem.

Cobrava de quem tinha para pagar. E aceitava uma leitoinha, ou um queijo caseiro, por serviços prestados. Da clínica que abriu inicialmente, Casa de Saúde Santa Cecília, passou a se articular com os mais influentes para criar instituições como a Santa Casa de Londrina e a Sociedade Médica de Maringá. Chegou a arrancar do presidente Dutra os tostões necessários para um hospital de tuberculosos em Apucarana, depois transferido para Londrina. Hoje ali funciona o Hospital Universitário, centro de referência médica do norte do Paraná. Um belo dia Doutor Preto achou que seria bom provar do poder. Disputou uma vaga como deputado estadual, foi o quinto mais votado, mas odiou os anos na política, vividos solitariamente numa pensão em Curitiba. Queria voltar para a clientela. E dela não mais se separou.

Voltou também para a garotada do ginásio, ele que se tornara poliglota – falava além de grego e latim, alemão e francês. Perguntavam-lhe por que dar aulas, afinal, já suava o jaleco. “Docendo discitur”, respondia. Ensinando é que se aprende. Só um dia perdeu as estribeiras com paciente.

O sujeito marrento o interpelou no corredor do hospital, perguntando pelo Doutor Clímaco. Ouviu um naturalíssimo “sou eu”. E rebateu com um insultuoso “não vem não, negão, vai logo chamar o médico”. Preconceito não só fere, como turva os sentidos. Justiniano Clímaco agarrou o homem e jogou-o no rua. Sem consulta. Fez cardiologista seu único filho, adotivo, e doou tudo para a cidade, inclusive a maleta de médico. A casa onde morou até morrer foi derrubada, mas seu nome continua de pé numa unidade básica de saúde. Neto de escravos, Doutor Preto teria algo a dizer aos médicos brasileiros que hoje vaiam médicos cubanos.

Leia também:

“Sou médica brasileira, trabalho no SUS e apoio a chegada dos COLEGAS DE CUBA!”

Entrevistada da Folha é foi citada em farra de gastos de prefeitura com auxílio-transporte

Em BH, médica vira as costas para profissionais estrangeiros durante visita a posto de saúde

Mitos e receios sobre a vinda de médicos estrangeiros ao Brasil

Wilson Gomes: Eu tenho pena é do coitado deste país, açoitado pela mentalidade-micheline

Jorge Pontual fazendo jornalismo: Cuba há décadas manda equipes médicas para o resto do mundo e OMS a reconhece como modelo

“Os médicos brasileiros deveriam fazer o mesmo que nós: ir aos lugares mais pobres prestar assistência”

Imprensa estrangeira descobre os nossos #CoxinhasDeJaleco

Bob Fernandes: ‘Médicos Cubanos’ provocam fígado e alma do Brasil

Trocamos um médico cubano por TODOS OS MÉDICOS DE DEDO DE SILICONE, DO BATE PONTO E VAI EMBORA, DOS COXINHAS DE JALECO

Já passou da hora do Ministério Público processar os #coxinhasdejaleco

Do médico Luís Fernando Tófoli para o médico Egberto Ribeiro Turato, sobre as boas vindas aos médicos cubanos

Médicos cubanos, desculpem-nos as agressões da elite escravagista brasileira representada pelos jalecos de coxinha cearenses

24 de agosto: Mais Médicos, Mais Ética, Mais Informação, Mais humanização na medicina brasileira

“Dizer-se preocupados com a saúde da população é falácia, pois pior que ser atendido por um médico sem revalida é não ter médicos.”

Luís Fernando Tófoli “Como médico e professor de Medicina, declaro que a FENAM não me representa!”

Luís Fernando Tofoli: MIMIMI, COXINHAS E JALECOS

Luís Fernando Tófoli: “Sou médico e professor de Medicina e concordo com os vetos presidenciais à Lei do Ato Médico, em respeito ao SUS”

“Pagar R$ 10 mil para um médico trabalhar 40 horas é um absurdo” Mas pode chamar de corporativismo

Frente Nacional de Prefeitos comemora o lançamento do Programa #MaisMedicos

Uma análise sobre necessidade de médicos e condições de trabalho em prefeituras, com base em minha experiencia em saúde publica

Mais Médicos: A partir de 2015: Médicos terão de atuar dois anos no SUS para se formar

Conte-me como é ser reprovado no CREMESP e sair às ruas num ato promovido pelo CRESMESP pedindo Revalida para médicos estrangeiros

Paulo Moreira Leite e Izabelle Torres: O Brasil tem metade dos médicos que precisa

Estudantes que tentaram fraudar vestibular de medicina com 1500 de fiança se livram da prisão

Em quem acreditar? Nas patricinhas da medicina com nariz de palhaço da Paulista ou no presidente do sindicato médico do RS?

IPEA mostra: nossos médicos estão entre os que ganham maiores salários no Brasil

Quando Serra e PSDB eram a favor da vinda de medicos cubanos

Maria Leite: Os médicos cubanos que iriam ou irão vir ao Brasil não são médicos formados na ELAM

Em Ferraz de Vasconcelos, SP médicos usam dedo de silicone pra fraudar registro de ponto

Senado cortou em 62% os royalties do petróleo para Educação e Saúde

Ministro da Saúde nega fala atribuída a ele no Terra e El Pais

Padilha: Médicos estrangeiros sim! Os cidadãos brasileiros não podem esperar

Fatos sobre a presença de médicos estrangeiros no Brasil desenhados até para Daniela Schwery entender

Mário Scheffer: A saúde é uma discussão política. A sociedade brasileira, por acaso, se orgulha do SUS?

Professor Hariovaldo criou uma página no Facebook

Tags:   · · · · 13 Comments

Entrevistada da Folha é foi citada em farra de gastos de prefeitura com auxílio-transporte

agosto 31st, 2013 by mariafro
Respond

Folha cada vez mais parecida com Veja, traz entre uma de suas entrevistadas na matéria falaciosa “Prefeituras vão demitir médicos para receber equipes do governo”, a secretária-adjunta de Saúde de Barbalha (Ceará),Desirée de Sá Barreto, ex-vereadora e filiada ao PSDB.
Ela é citada por fazer parte de um grupo que morava próximo à Câmara dos Vereadores e, ainda assim, recebia ajuda de custo para transporte. Estes supostos gastos fariam a Câmara de Barbalha desembolsar quase R$ 100 mil por ano.

Barbalha-CE: Câmara pagou R$ 8 mil de ajuda de custo para ida dos vereadores à casa em agosto

Por: Demontier Tenório. Veja Juazeiro

10/09/2011

Uma série de portarias publicadas no Diário Oficial da Câmara Municipal de Barbalha e assinadas pelo presidente José Oliveira Garcia (PT) chamou a atenção. Elas tratam de gastos da ordem de R$ 8 mil pagos no mês de agosto como ajudas de custos para atender despesas com o transporte dos dez vereadores a fim de participarem das quatro sessões mensais da casa. Ou seja, cada vereador recebeu R$ 800,00 o que significa R$ 200,00 por cada viagem entre sua casa e o Poder Legislativo.

Conforme a tarifa da empresa Passaredo que começará a fazer o trecho Juazeiro/Fortaleza a partir de 22 de setembro ao custo de R$ 119,00 daria para participar das sessões da Câmara de nossa capital. Outro fato que chama a atenção e foi denunciado por um Internauta que pediu para não ser identificado, é que muitos deles moram perto da chamada Casa do Povo. Todavia, segundo o Diário Oficial datado de 6 de setembro, a maioria reside na zona rural do município.

Com tais gastos para transporte dos edis, a Câmara de Barbalha desembolsa quase R$ 100 mil por ano a fim de que os edis possam participar das cerca de 40 sessões ordinárias ao ano. De acordo com as portarias, o vereador João Flávio Cruz Sampaio (PMDB) vai do Distrito Estrela, Desirée de Sá Barreto Diaz Gino (PSDB) reside no Sítio Buriti, Maria Ednalda dos Santos (PDT) mora no Bairro Cirolândia, enquanto o presidente José Oliveira Garcia (PT) vem do Sítio Cabeceiras.

O vereador Francisco Gurgel Correa (PSDC) é do Bairro do Rosário; Francisco Tavares da Cruz (PP), reside no Sítio Lambedor; Expedito Rildo Cardoso Xavier Teles (PSL) e Daniel de Sá Barreto Cordeiro (PT) moram no Distrito do Caldas; Francisco Sandoval Barreto Alencar (PSDB) é egresso do Sítio Piquete; e Semeão de Macedo (PMDB) vem do Parque Bulandeira. O denunciante considerou uma “farra com o dinheiro público” e cobrou maior vigilância por parte da população.

Leia também:

Em BH, médica vira as costas para profissionais estrangeiros durante visita a posto de saúde

Mitos e receios sobre a vinda de médicos estrangeiros ao Brasil

Wilson Gomes: Eu tenho pena é do coitado deste país, açoitado pela mentalidade-micheline

Jorge Pontual fazendo jornalismo: Cuba há décadas manda equipes médicas para o resto do mundo e OMS a reconhece como modelo

“Os médicos brasileiros deveriam fazer o mesmo que nós: ir aos lugares mais pobres prestar assistência”

Imprensa estrangeira descobre os nossos #CoxinhasDeJaleco

Bob Fernandes: ‘Médicos Cubanos’ provocam fígado e alma do Brasil

Trocamos um médico cubano por TODOS OS MÉDICOS DE DEDO DE SILICONE, DO BATE PONTO E VAI EMBORA, DOS COXINHAS DE JALECO

Já passou da hora do Ministério Público processar os #coxinhasdejaleco

Do médico Luís Fernando Tófoli para o médico Egberto Ribeiro Turato, sobre as boas vindas aos médicos cubanos

Médicos cubanos, desculpem-nos as agressões da elite escravagista brasileira representada pelos jalecos de coxinha cearenses

24 de agosto: Mais Médicos, Mais Ética, Mais Informação, Mais humanização na medicina brasileira

“Dizer-se preocupados com a saúde da população é falácia, pois pior que ser atendido por um médico sem revalida é não ter médicos.”

Luís Fernando Tófoli “Como médico e professor de Medicina, declaro que a FENAM não me representa!”

Luís Fernando Tofoli: MIMIMI, COXINHAS E JALECOS

Luís Fernando Tófoli: “Sou médico e professor de Medicina e concordo com os vetos presidenciais à Lei do Ato Médico, em respeito ao SUS”

“Pagar R$ 10 mil para um médico trabalhar 40 horas é um absurdo” Mas pode chamar de corporativismo

Frente Nacional de Prefeitos comemora o lançamento do Programa #MaisMedicos

Uma análise sobre necessidade de médicos e condições de trabalho em prefeituras, com base em minha experiencia em saúde publica

Mais Médicos: A partir de 2015: Médicos terão de atuar dois anos no SUS para se formar

Conte-me como é ser reprovado no CREMESP e sair às ruas num ato promovido pelo CRESMESP pedindo Revalida para médicos estrangeiros

Paulo Moreira Leite e Izabelle Torres: O Brasil tem metade dos médicos que precisa

Estudantes que tentaram fraudar vestibular de medicina com 1500 de fiança se livram da prisão

Em quem acreditar? Nas patricinhas da medicina com nariz de palhaço da Paulista ou no presidente do sindicato médico do RS?

IPEA mostra: nossos médicos estão entre os que ganham maiores salários no Brasil

Quando Serra e PSDB eram a favor da vinda de medicos cubanos

Maria Leite: Os médicos cubanos que iriam ou irão vir ao Brasil não são médicos formados na ELAM

Em Ferraz de Vasconcelos, SP médicos usam dedo de silicone pra fraudar registro de ponto

Senado cortou em 62% os royalties do petróleo para Educação e Saúde

Ministro da Saúde nega fala atribuída a ele no Terra e El Pais

Padilha: Médicos estrangeiros sim! Os cidadãos brasileiros não podem esperar

Fatos sobre a presença de médicos estrangeiros no Brasil desenhados até para Daniela Schwery entender

Mário Scheffer: A saúde é uma discussão política. A sociedade brasileira, por acaso, se orgulha do SUS?

Professor Hariovaldo criou uma página no Facebook

Tags:   · 17 Comments

Setores do PSOL baiano fazendo a pior política possível: enganando sem teto, prometendo entregar chaves do Minha Casa, Minha Vida petista

agosto 31st, 2013 by mariafro
Respond

Algumas vezes quando discuto política com amigos do PSOL sinto que eles radicalizam tanto o debate da política institucional que a retiram de sua concretude e fazem a discussão apenas no campo teórico esquecendo do dia a dia das disputas concretas. Para alguns a política entra num campo binário dos bons contra os maus que ganha um tom moralista.

Esses meus amigos devem estar profundamente tristes e decepcionados com seus próprios companheiros de partido em Salvador, lá setores do PSOL foram contaminados pela pior política da direita que eles tanto insistem em dizer que o PT se transformou. Lá setores do PSOL enganaram sem teto, usando de uma política pública petista que o PSOL tanto critica: prometendo chaves do Minha casa, Minha vida em troca de votos. Quem faz a denúncia são membros do próprio PSOL, a tendência Ação Popular Socialista – APS-Bahia.

Nota da Ação Popular Socialista – APS-Bahia

Camaradas do PSOL estadual e nacional

via Rogério Ferreira

Viemos através desta nota comunicar fatos gravíssimos que aconteceram na 3ª Plenária do PSOL de Salvador que seria realizada na tarde deste domingo, dia 25 de agosto, no bairro de Pau da Lima.

Companheiros da direção do partido chegaram cedo ao local para organizar a plenária e logo tomaram conhecimento de que dezenas de pessoas disseram que estavam ali por terem sido chamadas por dirigentes do MSTS para receber casas do Programa Minha Casa Minha Vida do governo federal. Inclusive, em mais de um momento, perguntadas sobre quem tinha vindo ao local para receber as casas, dezenas levantaram suas mãos assumindo isso. Essas pessoas foram filiadas em acampamento do MSTS. Este é um racha do Movimento Sem Teto da Bahia (MSTB), racha que se deu principalmente por divergências sobre o caráter do movimento: se de luta e autônomo em relação ao governo e aos patrões (MSTB) ou atrelado aos governos (MSTS), atrelamento este que começou no último governo do PFL-DEM. O PSOL sempre teve relações com militantes do MSTB e, até a plenária desta tarde, era desconhecida a existência de qualquer relação de militantes do PSOL com o MSTS. Como exemplo, no Dia Nacional de Luta e Greves de 11 de julho, enquanto o MSTB estava numa ala junto com setores combativos e militantes do PSOL, os acampados do MSTS eram os principais levantadores de bandeiras da CUT e do PT. Este movimento é dirigido principalmente por um militante vinculado ao PT chamado Jhones Bastos, mas que só aderiu ao PT depois da eleição do governador Wagner.

Mais grave. Conversando com os membros comuns do MSTS presentes, eles explicaram o processo de filiação e convocação da plenária. O começo das filiações ao PSOL foi feito em reunião dirigida por Jhones Bastos (que continua vinculado ao PT) com a presença de Franklin Oliveira Jr. Mais: a articulação para a convocação deles para a plenária, foi feita numa reunião há uma semana atrás, também na presença de Jhones e Franklin, na qual Jhones orientou os filiados a votarem na “chapa do professor Franklin”. Finalmente, todas estas pessoas chegam na plenária atraídas pela promessa de receber moradias do “Minha Casa Minha Vida”, causando toda a confusão. Note-se ainda que, no começo do ano, foi ventilada a filiação de Jhones Bastos ao PSOL e nós da APS fomos contrários, devido a toda a sua prática pelega e fisiológica. Como seu nome não apareceu na lista de filiados, pensávamos que o problema estava resolvido.

O credenciamento na plenária foi lento e prejudicado, pois foi constatado que muitas das pessoas não estavam filiadas ao partido. Além disso, o espaço reservado, a sala de uma escolinha do bairro, era satisfatório para a quantidade de filiados que normalmente compareceram nesta plenária em outros congressos. Mas não para cerca de umas 200 pessoas a mais. Além disso, as pessoas não pareciam ter experiência de reuniões partidárias e estavam ansiosas para se inscrever para resolver a questão da sua moradia. Isto praticamente impossibilitou a organização de filas, pois as pessoas ficaram aglomeradas desorganizadamente no balcão de credenciamento e gerando um clima meio tumultuado durante todo tempo.

Ainda assim, a reunião foi aberta chamando os representantes de teses presentes. Franklin Oliveira (dirigente do Rosa Zumbi) e Hamilton Assis (Presidente do DM e dirigente da APS) se inscreveram. Já presente, a representante da corrente Somos PSOL (tese Unidade Socialista) respondeu que Franklin faria a defesa.

Após as defesas de teses abrimos para o debate. Algumas falas foram feitas girando em torno da polêmica quanto ao que as pessoas foram fazer ali. A mesa deu todos os informes, afirmando que seria garantido o debate. A essa altura já tinha acontecido duas ou três brigas entre os supostos filiados, por desavenças pessoais, sem nenhum motivo político e sem envolver militantes. Até membros da mesa tiveram que intervir para separar. Nessa hora o dono do espaço (uma escolinha de bairro) pediu para acalmar os ânimos, pois os familiares dele estavam reclamando da depredação do local, pois as pessoas se amontoavam na mesa de credenciamento, subiam em cadeiras e um computador já tinha sido quebrado. Apesar dos muitos avisos de que aquela era uma reunião do PSOL e não para entrega de casas, muitas pessoas continuavam acreditando que o credenciamento ajudaria a conseguir uma casa.

Depois de alguns minutos, mesmo com os apelos pra continuar a reunião, os supostos filiados estavam em parte aglomerados na mesa de credenciamento, e outros do lado de fora. Já perto das 17 horas e depois de mais de meia hora apelando pra todas as correntes pra resolvermos o problema, os membros da executiva municipal presentes, decidiram suspender a reunião que, na prática, a essa altura já não existia. Foi suspenso o credenciamento e retirado os materiais, caixa de som, bandeira, etc.

Já encerrada a reunião, os donos do local começaram a insistir para as pessoas irem embora, preocupados que estavam em estragar mais materiais da escolinha. Mas muitas pessoas, se sentindo frustradas por não terem seu objetivo de resolver seu problema de moradia, ainda relutavam em sair. Nesse momento, ou seja, depois da suspensão da reunião, começou um empurra-empurra na porta em que Ronaldo acabou se envolvendo, gerando uma briga entre este e um morador do bairro, sem vinculações com correntes do partido, e em poucos segundos ambos já estavam rolando no chão da rua. Os militantes da APS e de outras correntes não tiveram absolutamente nenhuma participação nesta briga. Ao contrário, correram pra separar a briga. O companheiro Hamilton, além de apartar a briga, socorreu Ronaldo do chão e verificando que o mesmo estava ferido, o levou junto com Franklin até um taxi para que o companheiro pudesse receber um atendimento médico adequado (e não foi até o hospital, pois precisava voltar, pois era o responsável diante dos donos da escolinha). No meio da confusão, também passou mal a companheira Cleide Coutinho (corrente Somos PSOL – tese Unidade Socialista) a qual também foi levada para atendimento médico por outro militante da APS.

Encerramos por aqui, no momento, nos restringindo a este fato, pois outros problemas deste congresso precisam ser enfrentados, inclusive eticamente, no PSOL da Bahia.

O PSOL, partido nascido para resgatar uma prática política efetivamente socialista e de combate às manipulações de partidos tradicionais da direita e o do PT não pode cair nem aceitar estes tipos de práticas internamente.

Como sempre, rejeitamos todo tipo de provocações violência no partido e estamos solidários com o companheiro Ronaldo por sua pronta recuperação.

Desde já, informamos que vamos entrar com pedido de Comissão de Ética, pelo menos para Franklin Oliveira Jr, como principal responsável pelo processo de filiação e convocação desses filiados que vieram à plenária do PSOL para receber sua casa do programa de moradia do governo federal. Esperamos que o partido (e também o Coletivo Rosa Zumbi, pois Franklin é seu principal dirigente no estado) tome uma posição muito clara para que possamos extirpar este tipo de filiação via pelegos governistas e estas convocações em massa de filiados estimulados por promessas de benefícios governamentais. Torna-se necessário também que a direção nacional acompanhe este processo.

Saudações socialistas e libertárias,

Ação Popular Socialista – APS-Bahia

Tags:   · · · · 5 Comments

Hoje, 31/08, a partir das 14H, em frente ao MASP, Mulheres de 48 países realizam manifestação na Avenida Paulista

agosto 31st, 2013 by mariafro
Respond

Hoje, 31/08, mulheres de 48 países realizam manifestação na Avenida Paulista

Ação marca encerramento do Encontro Internacional da Marcha Mundial das Mulheres. A concentração está marcada para as 14 horas, em frente ao MASP.

Durante toda a semana, mulheres de 48 países estiveram reunidas no Memorial da América Latina debatendo questões relacionadas à luta das mulheres em todo o mundo, no 9º Encontro Internacional da Marcha Mundial das Mulheres. O evento termina hoje, 31/08, com uma manifestação que começa no vão do MASP, na Avenida Paulista, e termina na praça da República, com shows da cantora pernambucana Karina Buhr, das rappers cubanas Krudas Cubensi e do grupo de forró brasiliense Chinelo de Couro.

Através de debates, oficinas, shows e intervenções urbanas, as mulheres de todas as idades e diferentes realidades puderam pensar o movimento, suas ações no mundo, as problemáticas que enfrenta e possibilidades de soluções. Neste sábado, as ativistas vão para as ruas de São Paulo reafirmar a atualidade de sua luta internacionalmente. A manifestação tem como tema Feminismo em Marcha para Mudar o Mundo.

O Encontro Internacional da MMM

Esta edição do Encontro Internacional da MMM, além de ser a oportunidade de encontro de militantes do movimento de todas as partes do mundo para importantes formações e deliberações, será um momento especial para o Brasil.

O país sedia pela primeira vez esse evento, dando um salto em suas proporções, que contava até a última edição com algumas centenas de participantes.

Também será o momento de encerramento de um ciclo. Durante o Encontro, será eleita a nova composição do Secretariado Internacional da Marcha. O grupo do Brasil, que tem estado à frente do movimento mundial nos últimos anos, terá sua sucessão definida. A gestão brasileira passa o bastão tendo alcançado diversas realizações e conquistas.

“Foram sete anos nessa missão, com várias ações internacionais, com uma conjuntura que se complicou ainda mais, marcada pela crise geral do sistema e o recrudescimento dos ataques conservadores. Faremos um balanço desse período que vai nos fortalecer para o que venha adiante”, conta Miriam Nobre, coordenadora do Secretariado Internacional da MMM.

Sobre a MMM

A Marcha Mundial das Mulheres é um movimento feminista internacional que surgiu no ano 2000 como uma grande mobilização que reuniu mulheres do mundo todo em uma campanha contra a pobreza e a violência. Atualmente, a MMM está organizada em mais de 150 países e territórios. Entre seus princípios estão a organização das mulheres urbanas e rurais a partir da base e as alianças com movimentos sociais. A Marcha defende a visão de que as mulheres são sujeitos ativos na luta pela transformação de suas vidas, e que essa transformação está vinculada à necessidade de superar o sistema capitalista patriarcal, racista, homofóbico e destruidor do meio ambiente.

Serviço:

Manifestação Feminismo em Marcha para Mudar o Mundo

Concentração 14 horas, no vão do MASP

Encerramento na praça da República, com shows de Karina Buhr, Chinelo de Couro e Krudas Cubensi.

9º Encontro Internacional da Marcha Mundial de Mulheres

25/08 a 31/08 em São Paulo, SP

Organização: Secretariado Internacional da Marcha Mundial de Mulheres

Programação do evento: WWW.marchamundialdasmulheres.org.br

Acompanhe nossa fanpage: WWW.facebook.com/marchamundialdasmulheres

Tags:   · · · · No Comments.