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Incra garante posse da terra a quilombo paulista

setembro 3rd, 2012 by mariafro
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Incra garante posse da terra a quilombo paulista

GRASIELLE CASTRO, Correio Braziliense

03/09/2012

O termo de concessão de uso foi o primeiro assinado entre o poder público e uma comunidade de descendentes de escravos fugidos. Acordo dá esperança para outros quilombolas garantirem a propriedade das terras que ocupam, um direito previsto na Constituição

Na lista de espera pela regularização das terras que ocupam, cerca de 1,1 mil comunidades quilombolas poderão contar com mais agilidade nesse processo. Pela primeira vez, o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) assinou um termo de concessão de uso de terras para um grupo de remanescentes de quilombos, localizado em São Paulo. O termo representa um avanço no trâmite do processo que, embora não garanta os papéis definitivos de posse, concede aos quilombolas o direito a usufruir da terra. A expectativa é que a medida seja adotada para os demais casos. Apesar do avanço, o Incra ressalta que os processos esbarram na falta de pessoal qualificado para análise da concessão do documento.

Os primeiros a receber esse título são os moradores do Cafundó, em Salto de Pirapora (SP), 150 quilômetros de São Paulo. Com o termo assinado, eles podem implantar atividades econômicas, como comércio e exploração de minério, nos mais de 220 hectares que ocupam.

A vitória do Quilombo Cafundó aumentou a esperança de outras comunidades que esperam há anos a regularização fundiária das terras que ocupam. Sandra Pereira Braga, líder da comunidaquilombola Mesquita, localizada entre a Cidade Ocidental e Luziânia, em Goiás, ressalta que poder fazer uso da terra é o grande desejo dos quilombolas para ter uma vida melhor. O grupo que ela faz parte está na lista para receber o título da terra ou, preliminarmente, o termo de concessão do uso.

“Precisamos da terra para trabalhar. Poderíamos fazer disso um pequeno negócio e ganhar com o nosso esforço, mas, por enquanto, ficamos só na espera”, lamenta Sandra. Para ela, receber esse documento significa o resgate da cultura local. “Nossa história, nossa valorização, é essa terra. A partir do momento que recebermos o título, tudo muda”.

A luta dessas comunidades é para que o direito à propriedade da área que ocupam, previsto na Constituição Brasileira, seja garantido com mais rapidez. “A gente sabe que a terra é nossa, mas a formalização é um processo muito cansativo e desanimador”, disse a líder goiana. No caso do Cafundó, a comunidade paulista aguardava pela titulação desde 1972. O direito a apenas 21 hectares foi reconhecido em 1976, mas só em 2006 veio o reconhecimento dos 220 hectares, que representam a área total do quilombo. No Mesquita, onde vivem 785 famílias, são quase 5 mil hectares em disputa. O decreto de demarcação da área foi publicado há um ano, mas, segundo Sandra, a terra é ocupada pelos descendentes de escravos há mais de 300 anos.

Outro entrave enfrentado pelas comunidades quilombolas que aguardam a titulação definitiva da terra é a retirada de posseiros que não tem relação com os antigos quilombos. A secretária de Comunidades Tradicionais da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), Sylvany Euclênio, explica que esse processo é demorado porque depende do pagamento de indenização a essas famílias para que possam ser transferidas para outro local. Essa, porém, é umas das últimas etapas do processo de regularização fundiária. Silvany explica que, inicialmente, é feita a identificação e a delimitação do território. Em seguida, é preciso, por meio de um estudo antropológico, comprovar se o grupo é remanescente de quilombos. Ela explica que a elaboração desse relatório exige tempo e, posteriormente, é aberto prazo de 90 dias para contestações. Depois, é feito o decreto de reconhecimento da terra, que vai para presidência, onde é aberta uma consulta a alguns ministérios para ver se há algum impedimento na área. Depois de publicado o decreto, inicia-se a etapa de indenização das pessoas não quilombolas que vivem na terra reconhecida. “O processo é naturalmente longo e criteriosos”, avaliou a secretária.

Para minimizar essa espera, Sylvany adianta que o órgão está trabalhando para dar celeridade a esses casos, participando de uma força tarefa com o Incra, a Secretaria de Patrimônio da União, o Ministério do Desenvolvimento Agrário e a Fundação Cultural Palmares. “Estamos discutindo como acelerar esse trâmite. Isso precisa ser pensado por causa da demanda”.

Falta gente capacitada

A espera de 40 anos do quilombo Cafundó para receber a concessão de uso da terra, um passo antes da escritura definitiva, não se deve apenas às muitas etapad do processo. A falta de pessoal capacitado ajuda a atrasar a expedição dos títulos de propriedade. A secretária de Comunidades Tradicionais da Seppir, Sylvany Euclênio, reconhece que há um passivo grande sob a responsabilidade do Incra.

O instituto, na avaliação dela, já tem uma grande demanda na área de assentamentos rurais e reforma agrária. Ela defende a restruturação do Incra para que o órgão tenha mais condições de cobrir a questão quilombola. O próprio Incra confirmou que a dificuldade para agilizar esse tipo de processo é a falta de pessoal. Entretanto, a instituição está com uma licitação em andamento para contratar empresas especializadas na elaboração de relatórios antropológicos.

Apesar de não ter a quantidade necessária de funcionários, o órgão diz que está fazendo o possível para dar celeridade às demandas. Estimativa do instituto indica que na fila da regulamentação fundiária existem 300 processos prioritário. Desses, 150 dependem de relatório técnico, que será feito pela equipe que ganhar a licitação, e 150 estão passando por um refinamento interno de avaliação dos requisitos que a lei exige para assegurar a legalização da terra.

O direito à propriedade da terra foi assegurada aos remanescentes de quilombos na Constituição de 1988, mas a regulamentação veio com o decreto 4.887, editado quinze anos depois. Em 2004 foi criado o Programa Brasil Quilombola, para atender a essas comunidades. O programa foi abraçado como prioridade pela presidente Dilma Rousseff.

Pobreza extrema

Os quilombolas são grupos étnico-raciais que se assumem como descendentes de negros fugidos da escravidão, organizados em comunidades livres denominadas quilombos. Um diagnóstico recente da Seppir mostrou que mais de 70% das comunidades quilombolas são extremamente pobres, sem acesso a serviços básicos de saneamento, saúde, educação e transporte.

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Está aberta a temporada de agrados à caserna: Dilma dá 30% de reajuste a militares!

setembro 3rd, 2012 by mariafro
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ESPLANADA: DILMA OBTÉM BOA RELAÇÃO COM MILITARES

TEMPORADA DE AGRADOS À CASERNA

Juliana Braga, Correio Braziliense

03/09/2012

O reajuste salarial de 30% à categoria — que não aderiu ao movimento grevista —é a mais recente de um conjunto de medidas para valorizar a caserna

O reajuste de 30% anunciado para as Forças Armadas integra um conjunto de medidas do Planalto para melhorar a relação com os militares. A construção de satélite e a convocação para atuar na Copa de 2014 estão incluídas.

A Semana da Pátria começa com uma relação cada vez mais amistosa entre os militares e o Palácio do Planalto. Se ano passado a presidente Dilma Rousseff havia trocado o comando do Ministério da Defesa um mês antes das celebrações da Independência — Nelson Jobim foi substituído por Celso Amorim, agora tudo caminha para um “céu de brigadeiro”. Apesar dos atritos recentes com integrantes da caserna, como a instalação da Comissão da Verdade (leia memória abaixo), Dilma projeta um aumento salarial de 30% para os militares e tem cobrado empenho dos subordinados em fazer andar projetos importantes para a Defesa, como a compra do satélite que vai monitorar as fronteiras e a construção de submarinos.

Interlocutores da presidente afirmam que as benesses concedidas aos militares são, na verdade, uma preocupação de Dilma com a defesa do país, mas que é difícil não reconhecer que a relação entre a presidente e a pasta começou a melhorar com a saída do ministro Nelson Jobim. No cargo entre 2007 e 2011, Jobim não fazia questão de esconder o descontentamento com Dilma, e acabou caindo por suas declarações polêmicas. A mudança não agradou os militares, que gostavam do antigo ministro, mas facilitou a interlocução da pasta com a chefe do Executivo.

A sinalização mais recente da importância que o Planalto concede à pasta foi o tratamento dispensado pelo governo ao orçamento da Defesa. Os servidores militares, que não participaram do movimento grevista que envolveu diversos setores da Esplanada, tiveram reajuste de 30%, o dobro do oferecido a todas as outras categorias. O projeto de lei orçamentária enviado pelo Executivo ao Congresso prevê um aumento de 4% para a pasta em relação ao ano passado.

Também agradou à categoria a transferência de parte das atividades relativas à segurança dos grandes eventos para a Defesa, concentradas anteriormente no Ministério da Justiça e, portanto, na Polícia Federal. Uma portaria publicada no Diário Oficial da União em 22 de agosto autoriza os militares a se planejarem para participar da vigilância da Copa do Mundo e dos Jogos Olímpicos de 2016. O objetivo de Dilma é deixar as duas competições esportivas menos suscetíveis às greves, já que os militares são proibidos de interromper suas atividades.

Submarinos

Dilma tem se empenhado em fazer andar projetos considerados importantes para as Forças Armadas. Exemplo disso é a criação de uma empresa, a Itaguaí Construções Navais, fruto de parceria entre a Marinha e duas companhias privadas para a construção de submarinos. Na avaliação da presidente, é estratégico que o país possa defender as jazidas do pré-sal, mas independentemente disso, a medida agradou os militares.

Outro exemplo é o desenvolvimento de um satélite para vigilância das fronteiras. O equipamento auxiliará as atividades do Sistema Integrado de Monitoramento de Fronteiras (Sisfron). No último dia 24, foi escolhido o consórcio formado por subsidiárias controladas pela Embraer para a segunda etapa do processo que definirá a empresa responsável pela tecnologia.

Falta somente a decisão relativa aos caças, para contemplar a Aeronáutica. Para fazer a escolha de qual modelo irá comprar — se o sueco, o francês ou o americano —, Dilma aguardará o resultado das eleições nos Estados Unidos em novembro, o que poderia mudar o cenário diplomático.

Um dos pontos que Dilma não vai negociar, independentemente da insatisfação de integrantes da Defesa, são os assuntos relativos à Comissão da Verdade. Na constituição do grupo, que iniciou os trabalhos em maio passado, a presidente sequer ouviu os militares sobre como seriam os trabalhos ou seus componentes. No dia da cerimônia de instalação, eles compareceram, mas o mal-estar era visível. Sentados nas primeiras fileiras, muitos nem sequer aplaudiram os discursos, como os demais presentes.

Ainda assim, entidades que falam pela categoria — já que os militares da ativa não podem se manifestar de forma contrária porque seria insubordinação — acreditam que a presidente percebeu que era hora de atender a demandas antigas s para evitar problemas. Para a presidente da União Nacional das Esposas de Militares das Forças Armadas Brasileiras (Unemfa), Ivone Luzardo, esse movimento de aproximação do governo Dilma é fruto de uma cobrança cada vez maior, consequência de uma insatisfação acumulada há muitos anos. “A situação é extremamente complicada e delicada porque aumento mesmo, aumento de salários, a gente não tem há 20 anos”, justifica. Mesmo sendo o dobro dos demais servidores, Ivone afirma que o reajuste oferecido ainda é tímido perto da perda salarial dos últimos anos. “Se houvesse tentativa de aproximação de fato, ela teria dado o reajuste integral, e não parcelado em três anos”, argumenta.

Memória: Tensão em maio

A tensão entre os militares e Dilma marcou o período imediatamente anterior à instalação da Comissão da Verdade. Em maio deste ano, um grupo de 100 oficiais da reserva elaborou o documento Alerta à Nação, criticando a presidente e as ministras Maria do Rosário (Direitos Humanos) e Eleonora Menicucci (Secretaria das Mulheres) pelo que consideravam ser uma mudança de postura do governo em relação ao período da ditadura militar.

Em um dos episódios que irritaram os militares, a ministra Maria do Rosário afirmara que a Comissão da Verdade poderia criar condições para que algumas pessoas fossem processadas criminalmente por atos praticados durante a ditadura. O manifesto gerou uma crise entre o governo e integrantes das Forças Armadas, que aumentou de temperatura quando Dilma decidiu punir os signatários do documento. O ministro da Defesa, Celso Amorim, determinou a retirada do texto do site do Clube Militar e teve sua autoridade contestada pelos militares. Ato contínuo, o número de assinaturas endossando o manifesto cresceu, com quase 400 adesões, incluindo dois ex-ministros do Superior Tribunal Militar.

Benesses

O Planalto vive uma relação boa com os militares ao conceder benefícios à categoria, mesmo que tenha sido por acreditar na importância estratégica da área para o país. Veja quais foram:

» Mesmo não tendo aderido às greves que paralisaram o serviço público porque são proibidos, militares receberam reajuste de 30%, o dobro das outras categorias.

» Para evitar que uma greve na Polícia Federal atrapalhe os grandes eventos, o governo publicou uma portaria no mês passado autorizando a Defesa a começar a se planejar para também participar da segurança da Copa e das Olimpíadas de 2016.

» Na semana passada, foi cumprida mais uma etapa do processo de construção de um satélite que permitirá monitorar as fronteiras do país. Empresas controladas pela Embraer ficarão responsáveis pela tecnologia do projeto.

» Importante para a defesa das jazidas de petróleo do pré-sal, uma empresa foi criada para a construção de submarinos. Já existem cascos construídos.

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Nota da Federação Nacional dos Farmacêuticos a respeito da matéria do Fantástico

setembro 3rd, 2012 by mariafro
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Aqui a matéria do fantástico que trata também de fraudes de clínicas privadas contra o SUS.

A procuradora de Justiça, Daniela Poppi, num dado momento da reportagem defende que para lidar com as fraudes é preciso suspender uma política pública como a Farmácia Popular! Essa Justiça tem noção de que pobres sem acesso à Farmácia Popular não tem acesso a remédios?

Abaixo a nota assinada pelo presidente da Fenafar, Ronald Ferreira dos Santos, em repúdio à reportagem do programa dominical da Rede Globo “Fantástico”.

Em defesa do Interesse Público, da Saúde e dos Farmacêuticos

Ronald Ferreira dos Santos, Presidente da Fenafar – Federação Nacional dos Farmacêuticos

02/09/2012

A categoria farmacêutica, sabedoura de sua responsabilidade com a saúde do povo brasileiro, desde o início da década de 90 do século passado, colocou como sua prioridade máxima a luta pela transformação da Farmácia de comércio em um estabelecimento de saúde.

Em um país aonde o gasto das famílias (privados) com saúde representam 55% de toda a renda – e para as famílias que recebem até quatro salários mínimos os medicamentos representam mais de 60% dos gastos com saúde – medidas na direção de colocar o medicamento em uma posição estratégica na garantia do Direito à Saúde são fundamentais.

Dados de 2011 do SINDUSFARMA-SP demostram que 77% das aquisições de medicamentos se deram por desembolso direto do cidadão nas farmácias e drogarias brasileiras, e o volume de 62 bilhões de reais que circularam no comércio varejista de produtos farmacêuticos, que o IBGE conseguiu identificar, é o mesmo valor do total que o Governo Federal aplicou em ações e serviços de saúde em 2010.

Portanto, o papel do medicamento, dos Farmacêuticos e das Farmácias merecem das autoridades, da imprensa e das organizações da sociedade uma atenção maior e mais responsável. Ao abordarmos os desafios contratados em nossa Constituição Federal – particularmente no que diz respeito à Ordem Econômica, que se fundamenta na valorização do trabalho humano e na livre iniciativa, e que tem por fim assegurar a todos existência digna, conforme os ditames da justiça social, observados diversos princípios, entre os quais a Função Social da propriedade – verificamos algumas contradições na atual conformação do setor farmacêutico nacional.

No Brasil, a diferença da natureza da atividade econômica Comércio com atividade econômica Saúde ganhou maior destaque a partir da Constituição de 1988 – que elevou a Saúde à categoria de Direito. Porém, infelizmente, o que ainda preside a lógica do acesso aos medicamentos, elemento essencial na garantia do direito à saúde, é o interesse comercial. Interesses que os números revelam serem muito poderosos.

Nós, farmacêuticos, desenvolvemos há mais de 15 anos a campanha “Farmácia Estabelecimento de Saúde. Sua vida não tem preço” . Por mais de três vezes já ocupamos a esplanda dos Ministérios, em Brasília, o Congresso Nacional, centenas de Praças, Universidades, espaços legislativos, e estivemos presentes em eventos diversos para afirmar que os Farmacêuticos Brasileiros, que a Farmácia Brasileira e que o medicamento devem estar inseridos nas ações e estratégias que garantam o direito à Saúde.

Com o advento da Farmácia Popular do Brasil e do Aqui tem Farmácia Popular, testemunhamos importantes avanços, entre eles o estabelecimento do compromisso desta atividade econômica com ações estratégicas de saúde em relação à Hipertensão, Diabetes e Asma. Milhões de brasileiros que antes não tinham acesso aos mediamentos passaram a ter, é claro que em uma atividade na qual predomina o interesse meramente mercantil os riscos de desvios estão sempre presentes.

Nós Farmacêuticos repudiamos e condenamos todo e qualquer malfeito com dinheiro público, mas também todo e qualquer malfeito com o dinheiro privado, particularmente aquele que foi conseguido com muito suor pelo trabalhador brasileiro e é deixado na Farmácia.

Nós farmacêuticos temos buscado nos preparar cada vez mais para as nossas reponsabilidades, temos dado uma grande contribuição para a melhoria da qualidade de vida do povo brasileiro, voltando a ocupar com maior destaque o espaço das Farmácias, resgatanto nosso papel de profissional da saúde, e podemos hoje afirmar com convicção que a sociedade pode confiar em nosso trabalho. Agora, quanto aos comerciantes inescrupulosos que apenas carregam o título de farmacêutico, para eles defendemos o mesmo tratamento que qualquer criminoso merece, lembrando que 66% dos farmacêuticos são empregados.

Não só porque o “Saúde não tem preço” reforça o movimento dos farmacêuticos brasileiros, é que nos manifestamos favoravelmente ao Farmácia Popular, mas principalmente por se tratar de uma iniciativa que permite colocar a discussão sobre o acesso aos mediamentos sob uma ótica não presidida pelo interesse mercantil, e possibilita pautarmos entre outros temas de grande relevância a Farmácia Estabelecimento de Saúde e a tributação sobre medicamentos, o que ao nosso entender significa defender o Interesse Público, a Saúde e os Farmacêuticos.

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Candidatura Serra se dissolvendo

setembro 2nd, 2012 by mariafro
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A foto cômica, reproduzida do Facebook, é quase uma metáfora da candidatura de José Serra se considerarmos as últimas pesquisas eleitorais:

Matéria do Valor mostra que Serra está perdendo votos mesmo entre tucanos: em julho Serra era o candidato preferido entre 82% dos tucanos, agora entre 66%.

Isso não deveria surpreender ninguém, na medida que José Serra fez os tucanos engolirem sua candidatura e atropelou o processo de escolha dentro do PSDB paulista.

Vocês se lembram certamente do militante tucano de Hermelino Matarazzo que disse antes das ‘prévias’ (para inglês ver e velha mídia registrar) que estava ‘muito pesado carregar a bandeira tucana’ e que Serra havia ‘esmagado o partido’:

Ou ainda a militante tucana, Catarina Rossi, que exigindo prévias disse que Serra era imaturo e estava sendo ‘palhaço’:

Tenho conversado com alguns políticos tucanos e não me espanta que mesmo entre eles, Serra seja motivo de piada.

Para piorar, José Serra e sua ampla simpatia – que colabora tanto com as lentes dos fotógrafos-  resolveu ficar de mal com o jornal que declarou em edital voto a ele.

Segue o relato do jornalista @pagina2 sobre mais uma crise vigorosa no PSDB e sobre crimes de campanha envolvendo sigilo de prontuário médico:

Após entrevista ao Estado, tucanos quase saem no tapa

Por: Página 2, em sua página do Facebook

Na mesma semana, candidato tucano desidratou nas pesquisas e viu sua rejeição explodir

As principais lideranças tucanas de São Paulo se reuniram na última sexta-feira. O clima não poderia ser pior. A discussão sobre os rumos da candidatura de Serra quase terminou em agressão física, evitado pela turma do bem do partido. Era o fim de um agosto, amargo para o candidato tucano.

No começo do mês, Serra estava na liderança das pesquisas. Mantinha uma imagem de vozinho, meio desastrado, na mídia e Haddad não ameaçava ninguém, ainda abaixo dos 10%.

Tudo começou a virar com a entrada do horário político. Serra foi ultrapassado por Russomano na pesquisa Ibope. O petista Fernando Haddad cresceu forte, rompeu a barreira dos 10% e está a 4 pontos do tucano (16% a 20%). Ainda nas cordas, viu sua rejeição explodir. Ultrapassou os 40%, índice comparado apenas a Maluf e que torna tecnicamente inviável a eleição de um candidato.

Como se fosse pouco, Serra deu uma grosseira entrevista ao jornal Estado de S. Paulo, na qual ataca a reportagem, acusando o jornal de ficar “do lado dos transgressores” e mente ao defender um crime.

Serra perdeu o norte ao ser questionar sobre a quebra de sigilo médico do caminhoneiro José Machado. O paciente apareceu na propaganda eleitoral de Haddad afirmando ser portador de catarata e esperar a dois anos na fila da cirurgia.


Foto: Caminhoneiro tem sigilo médico quebrado por prefeitura após denunciar ineficiência no serviço de saúde de SP

Procurado pela reportagem do Estadão, a Secretaria da Saúde da cidade divulgou a ficha do paciente. Afirmou que Machado não sofria de catarata, mas de pterígio (uma espécie de pele que recobre parte do olho). O que permitiu a Serra defender-se acusando a campanha de Fernando Haddad de “manipulação”.

Serra afirmou que a decisão de cometer um crime foi um “serviço de utilidade pública” prestado pela Secretaria de Saúde. “É a primeira vez que vejo um jornal ficar do lado dos transgressores”. Serra diz que não houve quebra de sigilo. “Você pisaram no tomate, francamente. O PT saiu falando ‘pega ladrão, pega ladrão’ e vocês caíram nessa. Esse cidadão não tinha catarata”.

Na mesma aspa Serra cometeu dois erros. Um de informação; o outro político. O candidato tucano ignorou a informação que no dia anterior Machado havia passado por consulta em uma unidade do SUS –inicialmente marcada para 26 de dezembro – na qual foi constado que Machado, além de pterígio também tem catarata. Na verdade, Machado ainda não operou da catarata porque falta um exame pedido pelos médicos e que a Secretaria alega não fazer parte do SUS.

O erro político é quase uma infantilidade para quem se autodeclara o mais preparado. O Estadão é aliado Serrista de tempos imemoriais. Foi o único jornal a declarar apoio público a Serra em 2010 e demitiu uma colunista, Maria Rita Kehl, que ousou questionar a campanha intestina do tucano.

Outro erro, por óbvio, foi apoiar um crime, classificando-o como “serviço público”. O art. 154 do Código Penal Brasileiro estabelece prisão de 3 meses a 1 anos para quem “revelar alguém, sem justa causa, segredo, de que tem ciência em razão de função, ministério, ofício ou profissão, e cuja revelação possa produzir dano a outrem”. Na entrevista Serra acusou Haddad por esse crime. No entanto, a doença do caminhoneiro José Machado foi revelada pelo próprio paciente.

Na consulta em que ficou comprovado que Machado tem catarata, além de pterígio, estavam presentes, segundo o Estadão, o diretor técnico do hospital, Pedro Cardoso, o gerente administrativo do Instituto Cema (braço do hospital que atende pelo SUS), Edgar Escobar, e assessores de imprensa do Cema. O vereador Carlos Neder (PT), coordenador de planejamento de saúde de Haddad, também esteve lá, a convite da mulher de Machado.

Justiça Eleitoral, Ministério Público e Conselho Regional de Medicina abriram investigação para apurar os crimes cometidos pela Secretaria de Saúde.

Vereadores

No mesmo dia 31, a Folha afirmou que candidatos a vereador pela coligação tucana haviam desistido de associar os nomes a Serra. Três candidatos a vereador da coligação de Serra -dois deles concorrem à reeleição- confirmaram à Folha, sob anonimato, que já jogaram a toalha e decidiram fazer campanha sozinhos, sem “dobradinha” com o tucano”.

Segundo o jornal, Antônio Carlos Rodrigues (PR), um dos caciques políticos da zona sul, associa apenas parte do seu material de campanha a Serra. Em outros, lembra que é suplente da senadora Marta Suplicy (PT).

Atualização: Soube agora que o clima tenso na candidatura tucano deu-se após a reunião entre Gonzales e a cúpula da campanha de Serra. O encontro foi noticiado pela Folha, no dia 30, quando a pesquisa Datafolha mostrou Serra com 43% de rejeição. No dia seguinte, 31, Serra vai ao Estado e ataca a reportagem do jornal.


Leia também:
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