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13 de junho de 2013 se você não entendeu a canção das ruas, você não entendeu nada

agosto 3rd, 2013 by mariafro
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Experimente se livrar um pouquinho dos preconceitos que não permitem que você olhe um fato novo.

Agora leia com cuidado a letra abaixo. Se você ainda achar que esta juventude é de direita, você precisa rever seus conceitos sobre direita e esquerda.

Hino à Rua — Canção das manifestações de junho e julho (2013).

Música e Video — Coletivo Baderna Midiática

Ela é mais que o asfalto onde eu piso
Ela é o caminho que nos leva à liberdade
Quando os povos oprimidos a conquistam
É a parte mais bonita da cidade
É ela quem escuta os nossos gritos
O riso, o choro, o lamento de dor
As bombas, disparos, os golpes brutais
De quem pratica a guerra e fala em paz

[Refrão]
Ela é dos cantos, das batucadas
É o povo unido quem a detém
É das bandeiras, das barricadas
Ela é de todos porque é de ninguém
Não é dos chefes, nem dos patrões
Não é uma posse, não é um bem
Nem dos Estados, nem das nações
Ela é de todos porque é de ninguém

Rua. Segundo lar
Primeiro campo de futebol

Te querem apenas caminho
pra quem te depreda com fumaça preta

Te querem assunto de urbanistas
engenheiros
criminologistas

Eu te quero assunto de poetas
De amantes
e de povos rebelados

Te quero
dos que te construíram e que hoje não te podem desfrutar
Porque foram descartados, porque foram despejados

Toda ocupação que resiste no centro da cidade
tem um pouco de quilombo

Ameaça ao latifúndio urbano
Monocultura cinza movida a petróleo e suor
O suor de quem vem nos trens lotados

Todo busão que vem cheio das quebradas, que vem cheio de catracas
tem um pouco de navio negreiro
Transporte desumano de carne humana
Pra ser moída e desossada no trabalho

Rua, você é de todos
Que fora do trabalho são suspeitos
De roubar, de depredar, de discordar
Ou de não contribuir pro crescimento do Produto Interno Bruto

Quem veste um capuz e extermina na favela é um pouco capitão-do-mato

Rua
Te quero das mulheres ensinadas desde cedo que só podem brincar dentro de casa
porque a rua é perigosa, porque a rua é violenta
porque a rua é dos meninos que não sabem respeitar

Rua eu te conheço, quem te faz uma ameaça às meninas e mulheres
É a mesma opressão que torna as casas inseguras
Mais que as ruas

A rua é de todos os amores
É daqueles que tiveram que ocupa-la
pelo direito de existir

Todo discurso moralista que se opõe à igualdade
Que se opõe à autonomia sobre o corpo
É um pouco tribunal da Inquisição

A rua não comporta privilégios
Não tem dono nem tem preço

É como o vento, o sol, a chuva
o calor, as nuvens, cores
minha alegria e minhas dores

Por isso hoje eu vim pra rua

13 de junho de 2013, noite fria
Ocupamos a rua para devolver o que é dela de direito
O lugar da assembleia mais legítima

Na televisão 5 mil vândalos sem causa interrompiam o trânsito

Nas ruas
15, 20 ou 30 mil lutavam por uma vida sem catracas

Nos chamavam “loucos” como chamavam os balaios que encaravam o poder de peito aberto
em um país construído sobre corpos, assentado sobre o sangue
Dos explorados

Nos chamavam “criminosos violentos” como chamam violento ao rio que tudo arrasta
Mas não as margens que o oprimem

Criminosos também eram chamados os luditas
panteras negras, zapatistas, feministas
milicianos da Espanha, guerrilheiros da América Latina

insurretos de Istambul, do Cairo e de Atenas
de Buenos Aires, de Paris, de Cochabamba
de Pequim, de Porto Príncipe, de Gaza
de Londres, de Soweto, de Lisboa

Trabalhadores anarquistas da Itália ou de São Paulo
quilombolas da Jamaica ou da Bahia
rebeldes e poetas de todas as periferias

Loucos, criminosos, estudantes
Nos querem dentro de hospícios, de cadeias, de escolas
Longe das ruas

Querem as grades, os muros, as cercas, as catracas
Uma cidade em que circulam carros, mas onde as pessoas
São confinadas

Jornalistas, doutores, políticos não podem entender
Que democracia é muito mais que apertar um botão de vez em quando

Que estamos dispostos a fazer a nossa história mesmo nas piores condições
Que não temos ilusões, nem vivemos fantasias
Somos aqueles que se movem
E por isso sentimos o peso das correntes que nos prendem

Eles podem mas não querem entender
Que já sabemos que o Estado e o capital são gêmeos siameses
Vivem brigando, mas partilham o mesmo sangue e o mesmo coração
Nasceram juntos e juntos vão morrer pelas mãos dos explorados

Que já sabemos que o estado de exceção em que vivemos
É na verdade regra geral
Que essa paz que oferecem não é nada além de medo

Que passado este medo não haverá quem defenda suas mansões
E não vai faltar quem abra as portas pelo lado de dentro

Que em tempo de desordem sangrenta e confusão organizada
nada nos parece natural
Nada nos parece impossível de mudar

Que agora as mentiras da TV são motivos de piada
Que o rei está nu e sua foto tá nas redes sociais

Que foi nos organizando que nós desorganizamos
E que é desorganizando
que vamos nos organizar

Nada do que venha a acontecer vai tirar de nós o sentimento
de ter tomado o céu de assalto
de ter presenciado quando a vida surgiu de uma nuvem de gás lacrimogêneo

Arrancamos a política das malhas do mundo profano

Nossas palavras dedicamos a
Ademir, André, Carlos Eduardo
Cleonice, Douglas, Eraldo
Fabrício, Igor, Jonatha
José Everton, Lucas, Luiz
Marcos, Renato, Roberto, Valdinete

E a todas as vítimas anônimas da violência do Estado
em sua defesa feroz do capital

Na rua nenhum monumento é inocente
Nela os que tombaram ressurgem pra lutar ao nosso lado

Os mortos não estarão em segurança se o inimigo vencer
Combatemos para que não morram a morte do esquecimento
Combatemos para impedir o inimigo de vencer

Música e vídeo sobre protestos de junho fazem sucesso na rede
Canção inspirada em clássico da resistência italiana ao fascismo já teve mais de 9 mil visualizações

Por Igor Carvalho, Revista Fórum

01/08/2013

O “Hino às ruas – Canção dos protestos de 2013”, composta pelo coletivo Baderna Midiática, já ultrapassou as 9 mil visualizações no Youtube. O vídeo traz imagens das manifestações que tomaram conta do país nos meses de junho e julho. Nas redes sociais, a produção tem sido compartilhada por grupos e manifestantes que participaram dos atos.

A música produzida pelo coletivo foi inspirada na canção “Il Ribelli Della Montagna”, um clássico da resistência italiana ao fascismo. Durante o vídeo, um poema é declamado exaltando a rua como espaço de ocupação popular e lembra o “transporte desumano, de carne humana, pra ser moída e desossada no trabalho.”

No vídeo, o Baderna Midiática critica o deputado federal Marco Feliciano (PSC-SP). Com a imagem do parlamentar projetada, o poema afirma que “todo discurso que se opõe à igualdade, que se opõe à autonomia sobre o corpo, é um pouco tribunal da Inquisição.”

O “Hino às ruas” tem 11 minutos e mostra imagens de manifestações em todo o país e falam do desejo de “um país sem catracas”. Os artistas lembram, também, de outros grupos revolucionários como os zapatistas e Panteras Negras.

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Pepe Escobar sobre Edward Snowden: “Nosso homem em Moscou”

agosto 3rd, 2013 by mariafro
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Nosso homem em Moscou

Por: Pepe Escobar, Asia Times Online

Tradução: Vila Vudu

2/8/2013

E o quê, então, podem fazer o governo Obama (“extremamente desapontado”), o complexo orwelliano/Panopticon e o desacreditado Congresso dos EUA? Mandar uma equipe Team 6 de Seals da Marinha para sequestrá-lo ou acertar-lhe uma bala na testa (assassinato predefinido) – convertendo Moscou em neo-Abbottabad 2.0? Dronar o cara? Envenenar a sopa borscht dele? Contaminar a casa para onde ele se mudará, com urânio desenriquecido? Vão implantar uma zona aérea de exclusão em cima da Rússia?

Edward Snowden, agora com novo status legal na Rússia, simplesmente não poderá ser entregue aos meganhas que estão linchando Bradley Manning. Legalmente, Washington é hoje tão impotente quanto uma menina, em sua tribo pashtun, obrigada a encarar um míssil Hellfire que voa em direção a ela. Um POTUS(President of the United States) tão orgulhoso de seu pedigree de professor de Direito Constitucional – apesar de não fazer outra coisa além de sapatear sobre a Constituição dos EUA, para nem falar da legislação internacional – parece que não entendeu a mensagem.

Barack Obama praticamente pôs os pulmões pela boca de tanto que gritou que o presidente Vladimir Putin da Rússia tinha de entregar-lhe Snowden “sob a lei internacional”. Putin repetiu várias vezes que não tinha de entregar e não entregaria, “nunca”, “jamais”, de jeito nenhum.

Obama até telefonou a Putin. Nada. Washington até obrigou os poodles europeus a aterrar à força o avião do presidente Evo Morales da Bolívia. Pior a emenda que o soneto. Moscou manteve-se agarrada à letra da lei russa e até já garantiu asilo temporário a Snowden.

A saga de Edward Snowden converteu a doutrina da Dominação de Pleno Espectro do Pentágono em uma cabeça de Medusa. Não só por causa da queda de todo o aparelho de segurança dos EUA, mas também porque mandou pelos ares o mito do POTUS como Dominante Dominador de Pleno Espectro.

Obama mais uma vez revelou-se ao mundo como político medíocre e negociador incompetente. Putin devorou-o pela perna, acompanhado de porção suculenta de ovos benedict. Glenn Greenwald será o agente da morte pelos mil talhos-vazamentos[1] – porque é o fiel depositário da arca do tesouro digital de Snowden. E Snowden meteu-se num táxi e deixou o aeroporto – nos termos em que decidiu que as coisas seriam feitas e fê-las.

Camadas e camadas de nuances foram afinal apreendidas na fascinante discussão que Yves Smith oferece em seu blog[2] – o que absolutamente não se encontrará jamais no jornalismo da imprensa-empresa ocidental. Ao POTUS, restou boicotar um encontro bilateral com Putin, mês que vem, à margem da reunião de cúpula do G20 em São Petersburgo. Patético é pouco, até para começar a dizer o que significa tudo isso.

Fiz cá do meu jeito[3]

E quanta boa literatura! Snowden passou a maior parte do tempo em trânsito no aeroporto, lendo Crime e Castigo, de Dostoevsky; uma seleção de contos de Chekhov, uma história do Estado russo, do historiador do século 19 Nikolai Karamzin – e aprendendo o alfabeto cirílico.

Tomou um táxi rumo ao lado ensolarado da calçada ao deixar Sheremetyevo, acompanhado por Sarah Harrison de WikiLeaks. Pode ter ido para uma base de apoio militar indevassável – chance zero de ser descoberto por algum agente da CIA em Moscou, embora seu advogado tenha dito que ficaria morando em sua residência como modalidade de proteção. Em breve receberá a visita do pai, Lon Snowden. E a sempre autodescrita super-heroína da pole-dance e namorada Lindsay Mills com certeza também reaparecerá.

Como fez para conseguir sobreviver ao enervante jogo de espera, até ter a última palavra – como na declaração publicada por WikiLeaks: “Nas oito últimas semanas vimos o governo Obama manifestar respeito zero pela lei doméstica e internacional, mas, afinal, a lei está levando a melhor. Agradeço à Federação Russa por ter-me dado asilo nos termos do que determinam a lei russa e a lei internacional.”

Snowden tem o direito legal de trabalhar – e já recebeu uma oferta de emprego do fundador de Vkontakte (o ‘Facebook russo’), Pavel Durov, para incorporar-se à sua equipe de “estrelas mundiais da segurança”. Em 2018 já terá direito a requerer a cidadania russa. Prometeu a Putin que não vazará “informação que cause dano aos EUA” – condição essencial para receber o direito de asilo. Mas não precisará fazer nem isso: Greenwald já tem plena posse de tudo, desde os primeiros dias em Hong Kong. E o que fará Washington? Vão tratar o apartamento de Greenwald no Rio de Janeiro como tratam festas de casamentos pashtuns?

timing não poderia ter sido mais dramático. Snowden finalmente aterrissou na Rússia imediatamente depois que Greenwald revelava os detalhes de XKeyscore[4] – mais uma vez destacando e demonstrando que a opinião pública norte-americana, a imprensa-empresa dos EUA e o cosmicamente inepto Congresso dos EUA não têm nem ideia do alcance da espionagem generalizada que a Agência de Segurança Nacional dos EUA faz, contra todos. “Controles e equilíbrios constitucionais”? Alguém se lembra disso?!

Deve haver alguma pane essencial, dano fundamental, no QI coletivo desse pessoal. O governo Obama, tanto quanto o complexo orwelliano/Panopticon estão em estado de choque, porque simplesmente não têm meio algum para deter o processo de morte pelos mil talhos-vazamentos. Esse Olhar Errante [orig. The Roving Eye] alinha-se entre os que suspeitam que a Agência de Segurança Nacional dos EUA não tem sequer alguma mínima ideia do que Snowden, como administrador de sistemas, conseguiu baixar (sobretudo porque alguém com as competências técnicas de Snowden sabe facilmente apagar todas as pistas que tenha deixado ao acessar material secreto). Até o robô-chefe da Agência de Segurança Nacional, general Keith Alexander, já admitiu oficialmente que “aquela agência” não tem ideia do que Snowden copiou. Pode ter deixado plantado algum cavalo de Troia, ou infectado todo o sistema com alguma espécie de vírus. É possível que a festa ainda não tenha nem começado.

Vejam só, o POTUS manco 

Deve-se dar o justo crédito a algumas latitudes mais cínicas, na América do Sul, por exemplo, onde muita gente comenta, rindo, que “os gringos espionam tudo que nós fazemos”; a Internet, afinal, nasceu como programa militar dos EUA. O professor John Naughton da Open University britânica já deu até um passo adiante,[5] quando disse que “os dias da Internet como rede realmente global estão contados”. Adiante, só nos espera a balkanização – subredes geográficas governadas por EUA, China, Rússia, Irã, etc.

Naughton também destacou que os EUA e outras subpotências ocidentais perderam a legitimidade que tiveram como governantes da internet. E, para culminar, não há nenhuma “agenda de liberdade para a internet”, como o governo Obama vive a papaguear.

Essa obsessão do Grande Irmão com espionar, rastrear, monitorar, controlar, decodificar virtualmente tudo o que nós fazemos digitalmente está levando a estupidezes monumentais, como as pesquisas Google levarem agentes armados do governo dos EUA até uma casa, como se lê já com detalhes publicados.[6] E mesmo todo esse Paraíso da Paranoia não conseguiu proteger os EUA de saírem corridos do Afeganistão e do Iraque, nem ajudou a prever a crise financeira de 2008. Mas, sim, é possível que as elites tenham sido informadas e tenham administrado a seu próprio favor a massiva informação à qual tiveram acesso e muito lucraram com o que souberam.

Por hora, o que temos é um complexo orwelliano/Panopticon que continuará com seus poderes incontrolados; uma população afásica; um homem calado, invisível na multidão em Moscou; e um POTUSmanco condenado a morder, de raiva, o pé da mesa. Fiquem atentos. Ele pode ser tentado, como rabo, a balançar os cães (da guerra).

[1] “Morte pelos mil talhos, ou mil cortes”. Sobre isso, ver aqui [NTs]
[2] Naked Capitalism
[3] Orig. I did it my way. É um clássico da canção norte-americana, famosa em gravação de Frank Sinatra. Ouve-se aqui, com tradução ruim, mas suficiente para ajudar a ler. A corrigir, porque é erro grave: “I’ve seen everything without exemption “ = “vi tudo sem isenção” (não “sem exceção”, como se lê na tradução) [NTs].
[4] The Guardian
[5] The Guardian
[6]Medium

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Bituca para os íntimos: “Na curva desse Rio”

agosto 2nd, 2013 by mariafro
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Tenho alguns amigos. Alguns de décadas e outros de quase uma década e outros recentes, mas que rapidamente tomaram um espaço imenso no meu coração. Sue está nesta categoria. Ela é desses seres especiais que salva a tarde da gente nos mandando presentes especiais que divido com vocês.

Foi depois de conhecer a Sue que passei a ter um daqueles orgulhos de se exibir por algo incrível: passei a dizer a todos que eu já dormi no quarto que o Bituca dorme quando vai a Salvador. O Bituca é amigo de infância da Sue (pense em uma amizade que dura uma vida, porque a Sue é amizade pra toda a vida).

Mas até conhecer minha irmã, amiga, anjo da guarda, presente da rede que também atende pelo nome de Sue e adentrar a sua linda e aconchegante casa, não sabia nada disso. Quando cheguei num território que Jorge Amado cansou de caminhar foi que vi nas paredes da casa de Sue fotos de Milton Nascimento que a gente não vê nas revistas. Lindas fotos de amigos. E aí Sue disse: você vai ficar no quarto do Bituca :)

E foi Sue que salvou minha tarde com este presente saído do forno e eu divido porque presente lindo assim é pra ser compartilhado:

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ABAIXO-ASSINADO EM APOIO AO PROGRAMA “MAIS MÉDICOS”

agosto 2nd, 2013 by mariafro
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Recebo do Paulo Mariante,  Conselheiro Titular pelo segmento de Usuários do Conselho Municipal de Saúde de Campinas, a petição pública em apoio ao programa “Mais Médicos”. Eu apoio esta petição e convido os leitores do Maria Frô a fazer o mesmo.

Para assinar clique aqui: Petição Pública em favor do MAIS MÉDICOS

Para: À Exma.Sra. Presidenta da República Dilma Rousseff e ao Congresso Nacional

ABAIXO-ASSINADO EM APOIO AO PROGRAMA “MAIS MÉDICOS”

Nós, abaixo-assinadas/os, tendo em vista que:

1. A crise da saúde pública no Brasil resulta de um conjunto de fatores, como a falta de recursos orçamentários suficientes para o SUS, e a destinação de recursos públicos ao setor privado, e um estado que mais nega do que efetiva direitos;

2. Embora o Conselho Federal de Medicina (CFM), a Associação Médica Brasileira (AMB) e a Federação Nacional dos Médicos (FENAM), afirmem levianamente o contrário, a falta de médicos para a atenção à saúde pública em nosso País é um fato incontestável, bem como a má distribuição de tais médicos pelas diferentes regiões do Brasil;

3. É correta a convocação de médicos estrangeiros, depois de oferecidas as vagas existentes no SUS aos médicos formados no Brasil, pois não aceitamos que reservas de mercado comprometam a assistência à saúde de nosso povo;

4. As entidades médicas citadas, que nunca atuaram de maneira decisiva em favor da saúde pública mas agora levantam de maneira oportunista a bandeira do SUS, tentam encobrir as reais intenções desta campanha contra a vinda de médicos estrangeiros: a manutenção de privilégios quando a população brasileira sofre cotidianamente com as mazelas de nosso combalido SUS;

5. A contratação de médicos estrangeiros para suprir o déficit de profissionais no Brasil não dará conta de todos os problemas da saúde pública em nosso País;

APOIAMOS o Programa “Mais Médicos” em implementação pelo Ministério da Saúde, mas exigimos que o Governo Federal:
a) efetive a atenção básica como prioridade, e destine no mínimo 10% de suas receitas líquidas para os gastos com a saúde pública em nosso País, sem qualquer uso de recursos públicos à saúde privada, e outras formas de privatização da saúde;
b) proponha a revisão à maior da limitação de gastos com pessoal no serviço público prevista na Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), pois a única maneira de se garantir a atenção à saúde da população brasileira é através de um Sistema Único de Saúde 100% público e estatal, sem quaisquer formas de privatização;
c) garanta que a expansão das vagas no ensino de medicina se dê através de instituições públicas de ensino superior, sem a mercantilização do ensino privado.

Os signatários

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