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Paulo Moreira Leite: Fatiar é um novo casuísmo no mensalão?

agosto 17th, 2012 by mariafro
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Casuísmo no mensalão?

Por: Paulo Moreira Leite, em sua Coluna na Época

16/08/2012

É possível enxergar efeitos políticos por trás do debate sobre a metodologia do julgamento do mensalão.

Joaquim Barbosa resolveu apresentar seu voto de maneira fatiada em oito partes. Apresenta sua opinião sobre cada denúncia e apresenta seu voto. Em seguida, o ministro revisor, Ricardo Lewandovski, apresenta seu voto. O plenário se manifesta. Em oito capítulos.

Aprendi, nos meus cursos de filosofia, que a única forma de compreender o mundo é partir do geral para particular – e não o contrário. Também aprendi que, nas contas matemáticas, a ordem dos fatores pode não alterar o produto. Na vida real, isso pode acontecer.

Há um problema de conceito no julgamento. Essa discussão atravessa as denúncias contra todos os réus: foi um caso de compra de votos? Foi simples caixa 2? Uma mistura de ambos?

Os partidos do governo Lula atuaram de forma convencional, como sempre fizeram – no mensalão tucano, no mensalão do DEM – ou agora estamos diante de uma “organização criminosa”?

Essa é a questão. É isso o que todos querem saber. O ministério público fala em “compra de consciências”, em “suborno”, em “propina” para fatos que, na visão de muitas pessoas, honradas, com passado político democrático e respeitável, nada mais representam do que uma velha expressão de nossos maus costumes eleitorais. O debate reside aí. Temos uma acusação séria, com fatos demonstrados e bem explicados, ou temos uma acusação oportunista, de fundo político?

Num julgamento fatiado em partes, evita-se o debate principal, que envolve o conceito do mensalão – que confundiu até a testemunha principal, Roberto Jefferson – para se partir para uma etapa posterior, que é julgar as denúncias específicas – o que só seria possível depois que o plenário já tivesse deliberado sobre aquilo que está em debate. O debate sobre as partes abafa a discussão geral. E abafa, claramente, as opiniões de Lewandovski.

Não se trata de dizer quem possui a melhor argumentação. Barbosa mostrou hoje que tem um voto estruturado, com fatos e argumentos. Imagino que Lewandovski terá um voto com a mesma qualidade.

A mudança evita o debate principal do julgamento. É como se ele já tivesse ocorrido. Foi por esse motivo que José Carlos Dias, um dos principais advogados brasileiros, tucano com todas as carteirinhas, foi ao microfone para pedir ao plenário que reconsiderasse a decisão.

Pela regra aprovada, o revisor estará sempre no corner, na defensiva, respondendo ao relator, sobre temas que ele escolheu e denúncias que apresentou. Pela metodologia anterior, seria um conflito entre iguais. Tanto Barbosa como Lewandovski teriam um tempo para desenvolver suas teses. Agora, será um conflito onde o relator sempre estará com a iniciativa e o revisor na defensiva.

É curioso que, no meio do julgamento, Barbosa tenha colocado no problema do tempo. Não, não falou sobre a aposentadoria de Cezar Peluso, que pendura a toga em 3 de setembro e é visto como um voto seguro pela condenação da maioria dos acusados. Barbosa referiu-se a seus problemas de saúde ao dizer que se o julgamento demorasse muito ele também não poderia estar presente.

Será que as regras mudaram para facilitar um julgamento rápido? Não tenho a menor disposição para criticar o Supremo. Tampouco tenho competência jurídica para isso.

Mas o nome disso não é casuísmo? Claro que o mais importante é realizar todos um bom julgamento, claro, transparente. É mais importante do que o prazo, concorda?

E se você acha que a defesa quer atrasar a decisão para evitar prejuízos nas eleições municipais, a recíproca, aqui, é verdadeira: também é possível dizer que a acusação quer apressar para garantir o efeito eleitoral de sua decisão, concorda?

Leia também:

Celso Antônio Bandeira de Mello: “houve evidentemente um conluio da imprensa para tentar derrubar o presidente Lula na época”

Paulo Moreira Leite: “Ninguém vai dizer: PQP!?”

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Marcos Coimbra: Quem Julga?

A Justiça não pode ser partidária: STF e os “mensalões”

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Véi, na boa, cadê as provas?

Nem o Bira tá curtindo

#terceirizado

Era melhor quando eu enrolava um solo de trompete

O Chatô da Praça dos Três Poderes

Gurgel: O Derico conta melhor

Sarau do Gurgel

Gurgel #chatiado

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“Media Wars – Como uma meia verdade pode ser pior que uma mentira”

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Paulo Moreira Leite:Verdades incômodas sobre o mensalão

Paulo Moreira Leite: “Faltou muita coisa” no mensalão

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Condenado pela mídia: uma retrospectiva das capas de Veja sobre “Mensalão”

Carta Maior: O mensalão e o photoshop de um tempo histórico

Venício de Lima: Os falsos paladinos da liberdade de expressão

Os maiores escândalos de corrupção do Brasil

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Wagner Iglecias: A nova pesquisa Ibope para a Prefeitura de SP

agosto 16th, 2012 by mariafro
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A nova pesquisa Ibope para a Prefeitura de SP

Por Wagner Iglecias

16/08/2012

O Ibope divulgou nesta 5a. feira pesquisa de intenção de voto feita entre os dias 13 e 15 de agosto para a prefeitura de São Paulo. Embora o horário eleitoral, que deverá ser uma variável muito importante nesta eleição, ainda não tenha começado, alguns contornos já começam a se esboçar, se tomada esta pesquisa à luz de levantamentos anteriores, feitos tanto pelo mesmo Ibope quanto também pelo Instituto Datafolha. Vamos a eles:

a) parcela ainda grande do eleitorado (41%) não sabe citar nenhum nome quando perguntada em quem pretende votar. No entanto, é um índice menor do que nas pesquisas anteriores, o que sugere que os eleitores estão, aos poucos, tomando mais contato com a eleição e com os nomes dos postulantes. Na pesquisa espontânea o crescimento mais significativo foi de Celso Russomano (PRB), que saiu dos 9% do levantamento anterior, há duas semanas, para 16%. Já supera José Serra (PSDB), ainda que este tenha passado de 11% na última pesquisa para 15% agora. Destaca-se também o crescimento de Fernando Haddad (PT), que embora com apenas 6% das menções espontâneas, viu as intenções de voto em seu nome dobrarem da última pesquisa para esta. É um crescimento importante dado que Haddad ainda é um candidato pouco conhecido da população e que deverá beneficiar-se mais do que seus adversários diretos do horário eleitoral, dado que os mesmos são nomes com quem o público já está acostumando há bastante tempo.

b) deve estar acendendo a luz amarela na campanha de Serra. A pesquisa mostra que seu índice de rejeição permanece em elevados 37%, e a simulação de 2º turno proposta pelo Ibope entre ele e Russomano aponta vitória do candidato do PRB, que superaria o tucano na proporção de 42% a 35%. Assim como Haddad, ao que tudo indica o horário eleitoral será estratégico para Serra. Se o petista precisa aumentar rapidamente as intenções de voto em seu nome, para ainda poder sonhar com o 2º turno, ao candidato do PSDB será fundamental usar o horário eleitoral para recuperar terreno frente a Russomano e tentar diminuir o preocupante índice de rejeição que apresenta hoje. Como dificuldade adicional, Serra terá de defender uma gestão (a de Kassab) que as pesquisas apontam como mal avaliada pela maioria dos paulistanos.

c) Russomano, apesar das excelentes notícias da pesquisa desta 5a. feira, terá luta cada vez mais árdua daqui por diante. Inicialmente tido por muitos como azarão, mostra até aqui fôlego e já até aparece como eventual vencedor num 2º turno contra o veterano e conhecidíssimo Serra. Mas se para os adversários o horário eleitoral pode ser um divisor de águas em suas campanhas, para Russomano pode ser uma etapa bastante perigosa da campanha, dado que ele terá pouco mais de 2 minutos diários na TV (além das inserções durante intervalos comerciais das emissoras), contra os mais de 4 minutos diários de Gabriel Chalita (PMDB) e dos mais de 7 minutos diários de Serra e de Haddad. Mais do que nunca a campanha na rua e um bom desempenho nos debates serão fundamentais para que Russomano possa confirmar este favoritismo inesperado e carimbar a passagem ao segundo turno. A seu favor conta o fato de que tem rejeição de apenas 11%, uma das menores entre todos os candidatos.

d) com índices bem mais baixos na pesquisa espontânea, Chalita, Soninha e Paulinho terão muito trabalho para não figurarem como meros coadjuvantes nesta campanha. Dos três, o que tem melhores chances de sucesso é Chalita, que também tem um baixo índice de rejeição, terá tempo de TV e é um bom comunicador. Além disso, contará com o velho trunfo de circular bem tanto junto ao governo federal quanto junto ao governo estadual.

A campanha tende a afunilar-se nas próximas semanas, especialmente após o início do horário eleitoral. Dos três primeiros colocados desta pesquisa Ibope, nenhum terá tarefa fácil. Ganhar terreno, manter-se onde se está ou recuperar o terreno perdido. O jogo está aberto.

Wagner Iglecias é doutor em Sociologia e Professor do Curso de Gestão de Políticas Públicas da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da USP.

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Marcos Coimbra: Resultados de encomenda‏

agosto 15th, 2012 by mariafro
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Resultados de encomenda‏
Por: Marcos Coimbra, via Contexto Livre
15/08/2012

Na primeira aula do curso de pesquisa de opinião, o aluno aprende as coisas básicas da profissão. Uma é ter cuidado com as perguntas indutivas. É esse o nome que se dá às que são formuladas com um enunciado que oferece informação ao entrevistado antes que responda.

Há diversos tipos de indução, alguns dos quais muito comuns. Quem não conhece, por exemplo, a pergunta chamada de “voto estimulado”, feita habitualmente nas pesquisas eleitorais? Ela solicita ao respondente que diga em quem votaria, tendo em mãos uma lista com o nome dos candidatos.

É claro que, assim procedendo, avalia-se coisa diferente do “voto espontâneo”.
Para diminuir o risco de que a indução conduza os entrevistados a uma resposta, recomenda-se evitar que o pesquisador leia nomes. Mesmo inadvertidamente, ele poderia sugerir alguma preferência, seja pela ordem de leitura, seja por uma possível ênfase ao falar algum nome. Daí, nas pesquisas face a face, o uso de cartões circulares, onde nenhum vem antes.
Essa cautela – e outras parecidas – decorre da necessidade de ter claro o que se mede. Sem ela, podemos confundir o significado das respostas.

Dependendo do nível de indução, o resultado da pesquisa pode apenas refletir a reação ao estímulo. Em outras palavras, nada nos diz a respeito do que as pessoas genuinamente pensam quando não estão submetidas à situação de entrevista.
Para ilustrar, tomemos um exemplo hipotético. Vamos imaginar que alguém quer saber se as pessoas lamentaram a derrota da equipe de vôlei masculino na disputa pela medalha de ouro na Olimpíada. A forma “branda” de perguntar talvez fosse começar solicitando que dissessem se souberam do resultado e como reagiram – sem informar o placar.
Outra, de indução “pesada”, seria diferente. A pergunta viria a seguir a um enunciado do tipo “O sr./a sra. ficou triste ao saber que o Brasil perdeu para a Rússia, depois de liderar o jogo inteiro e precisar apenas um ponto para se sagrar campeão olímpico?”.

Nessa segunda formulação, ela não somente induz um sentimento (mencionando a noção de “tristeza”), como oferece um motivo para ele (a ideia de ter estado perto de alcançar algo desejável).

É muito provável que os resultados das duas pesquisas fossem diferentes. Na primeira, teríamos a aferição da resposta espontânea – e mais real. Na segunda, a mensuração de uma reação artificialmente inflada. Em última instancia, fabricada pela própria entrevista.

É o que aconteceu com a recente pesquisa do Datafolha sobre os sentimentos da opinião pública a respeito do “mensalão” e seu julgamento.

Contrariando o que se esperaria de um instituto subordinado a um jornal, não deixa de ser curioso que decidisse fazer seu primeiro levantamento sobre o assunto 10 dias depois do início do processo no Supremo. Dez dias depois de ter sido pauta obrigatória nos órgãos da “grande imprensa”. Dez dias depois de um noticiário sistematicamente negativo – como aferiram observadores imparciais.

Preferiu pesquisar só depois que a opinião pública tivesse sido “aquecida”. Foi à rua medir o fenômeno produzido.
Não bastasse a oportunidade, a pesquisa abusou de perguntas indutivas, que tendiam a conduzir os entrevistados a determinadas respostas. Como diz a literatura em língua inglesa, fornecendo-lhes “pistas” sobre as respostas “corretas”.
Mas o mais extraordinário foi seu uso editorial, na manchete que ressaltava que a maioria desejava que os acusados fossem “condenados e presos”.
Parecia de encomenda: embora o resultado mais relevante da pesquisa fosse mostrar que 85% dos entrevistados sabiam pouco ou nada do assunto, o que interessava era afirmar a existência de um desejo de punição severa.
E quem se importa com o que estabelecem as normas das boas pesquisas?

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No que Cachoeira transformou o jornalismo em Brasília

agosto 14th, 2012 by mariafro
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SOBRE LEÕES E RATOS

Por Leandro Fortes

14/08/2012

Fui ao lançamento do livro de Paulo Moreira Leite, no shopping Pátio Brasil, em Brasília, me congratular com ele: mesmo no ambiente controlado das Organizações Globo, Paulo tem sido um leão em defesa da verdade em suas colunas, na revista Época.

Lá pelas tantas, sinto uma mão segurar meu braço direito e uma voz das trevas a me acusar: “Você é um rato, um rato, saia da minha …

vida”.

Era Eumano Silva, ex-diretor da Época em Brasília, demitido depois de ter sido flagrado pela Polícia Federal negociando matéria com Dadá, um dos arapongas do esquema do bicheiro Carlinhos Cachoeira.

Quer dizer, o sujeito é pego com a boca na botija traficando informação para um bicheiro, e o rato sou eu? E, como assim, “saia da minha vida”? Desse tipo de vida, garanto, nunca fiz parte.

Em consideração a Paulo Moreira Leite, que não merecia ver seu lançamento tumultuado por um bate-boca provocado pelo ressentimento de um jornalista que não tem mais nada a perder, dei as costas e fui embora.

Então, para quem ainda não entendeu, foi nisso que Cachoeira conseguiu transformar o jornalismo na capital federal: um vale tudo de cores mafiosas no qual, por falta de argumentos, um jornalista de 50 anos de idade se dispõe a dar chiliques em público na esperança de levar um soco e se vitimizar.

A estratégia é tola e amadorística, mas revela o tamanho do estrago provocado por esses maus tempos de jornalismo.

Leia também:

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Comentário no blog de Noblat assinado como sendo do filho de Sepúlveda Pertence nega as declarações do blogueiro sobre Tóffoli

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Leandro Fortes: A Idade Mendes

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Na sua exaltação, o ministro Gilmar Mendes ainda não reparou que tem municiado quem queira atacá-lo

Joaquim Barbosa para Gilmar Mendes “Vossa Excelência está destruindo a Justiça deste país”
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