Maria Frô

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Rede SciELO Livros: Centenas de livros acadêmicos em formato digital disponíveis para download

abril 22nd, 2012 by mariafro
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Até o momento pode-se baixar gratuitamente livros plublicados entre 2009 e 2011 das editoras UNESP; EDUFBA e Fiocruz.

Para ter acesso a lista de livros para download gratuito clique aqui

A Rede SciELO Livros visa a publicação online de coleções nacionais e temáticas de livros acadêmicos com o objetivo de maximizar a visibilidade, acessibilidade, uso e impacto das pesquisas, ensaios e estudos que publicam. Os livros publicados pelo SciELO Livros são selecionados segundo controles de qualidade aplicados por um comitê científico e os textos em formato digital  são preparados segundo padrões internacionais que permitem o controle de acesso e de citações e são legíveis nos leitores de ebooks, tabletssmartphones e telas de computador. Além do Portal SciELO Livros as obras serão acessíveis por meio dos buscadores da Web e serão publicados também por portais e serviços de referência internacional.

A Rede SciELO Livros interopera e compartilha objetivos, recursos, metodologias e tecnologias com a Rede SciELO de periódicos científicos de modo a contribuir com o desenvolvimento da comunicação científica em ambos meios de publicação.

SciELO Livros é parte integral do Programa SciELO da FAPESP e o seu desenvolvimento por meio da coleção SciELO Livros Brasil é liderado e financiado por um consórcio formado pelas editoras da Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (UNESP), Universidade Federal da Bahia (UFBA) e Fundação Oswaldo Cruz (FIOCRUZ). O Projeto de desenvolvimento da plataforma metodológica e tecnológica do SciELO Livros teve  a cooperação técnica da BIREME/OPAS/OMS e sua execução apoiada pela Fundação de Apoio à Universidade Federal de São Paulo.

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Abaixo-assinado contra a aprovação da ADI 3239 no Supremo Tribunal Federal

abril 20th, 2012 by mariafro
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Para aderir, clique aqui

Abaixo-assinado contra a aprovação da ADI 3239 no Supremo Tribunal Federal
Para: Supremo Tribunal Federal e Governo Federal

Representantes do Governo e STF,

Há uma dívida histórica com os remanescentes de comunidades quilombolas que há séculos sofrem com as injustiças e o racismo. Não o bastante, mesmo mais de 120 anos após a abolição da escravatura, essas comunidades ainda enfrentam grandes dificuldades e precisam a todo o tempo lutar pela garantia de seus direitos.

O Brasil possui mais de 5 mil comunidades quilombolas, mas apenas 6% delas têm a titularidade de suas terras garantidas. Enquanto isso, mais de três quartos (77,1%) dos 984 processos para regularização de terras quilombolas abertos no Incra até 2010 não haviam sido alvo de qualquer providência.

O Decreto Federal 4887/2003, assinado pelo ex-presidente Lula, regulamentou o processo de titulação das terras dos remanescentes das comunidades de quilombos, tornando-se um mecanismo que tem o objetivo de facilitar o processo de identificação e posterior titularização de comunidades. Ele foi proposto a partir de parâmetros internacionais de Direitos Humanos, tendo a autodefinição das comunidades como remanescentes de quilombos como o primeiro passo para o reconhecimento e titularidade de suas terras. Com o Decreto, o Governo Brasileiro comprometeu-se, internacionalmente, a respeitar a relação que estas comunidades possuem com as terras que ocupam ou utilizam para sua cultura e valores espirituais.

O Decreto vem também ratificar o que é colocado na Constituição Federal, no art. 68 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias:

“Aos remanescentes das comunidades dos quilombos que estejam ocupando suas terras é reconhecida a propriedade definitiva, devendo o Estado emitir-lhes os títulos respectivos”.

Entretanto, a Ação Direta de Inconstitucionalidade – ADI 3239, de relatoria do Ministro Cezar Peluso e que foi inicialmente proposta em 2004 pelo partido Democratas, questiona o conteúdo do Decreto e alega que o mesmo é inconstitucional. Entendemos essa ação como um grande retrocesso na luta por direitos neste país.

Nós, organizações da sociedade civil do Brasil, demonstramos nossa insatisfação e ratificamos nossa posição contrária à aprovação da ADI 3239.

Os signatários

Leia também:
Boaventura de Sousa Santos em carta aberta aos ministros do STF que julgam as terras quilombolas
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Mino Carta: “A publicidade premia o mau jornalismo”

abril 20th, 2012 by mariafro
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Dica da Cynara Menezes, via Twitter:

Mino Carta, na Carta Capital

Capas exemplares. Quando o caso explode, a revisitação do Sudário. Decidida a CPI, a versão que agrada ao patrão

Recheada de anúncios, a última edição da Veja esmera-se em representar à perfeição a mídia nativa. A publicidade premia o mau jornalismo. Mais do que qualquer órgão da imprensa, a semanal da Editora Abril exprime os humores do patronato midiático em relação à CPI do Cachoeira e se entrega à sumária condenação de um réu ainda não julgado, o chamado mensalão, apresentado como “o maior escândalo de corrupção da história do País”.

A ligação entre o inquérito parlamentar e o julgamento no Supremo Tribunal Federal é arbitrária, a partir das sedes diferentes dos dois eventos. Mas a arbitrariedade é hábito tão arraigado dos herdeiros da casa-grande a ponto de formar tradição. Segundo a mídia, a CPI destina-se a desviar a atenção da opinião pública do derradeiro e decisivo capítulo do processo chamado mensalão. Com isso, a CPI pretenderia esconder a gravidade do escândalo a ser julgado pelo Supremo.

O caso revelado pelo vazamento dos inquéritos policiais que levaram à prisão do bicheiro Cachoeira existe. Pode-se questionar o fato de que o vazamento se tenha dado neste exato instante, mas nada ali é invenção. Inclusive, a peculiar, profunda ligação do jornalista Policarpo Junior, diretor da sucursal de Veja em Brasília, com o infrator enfim preso. Não é o que se espera de um qualificado integrante do expediente de uma revista pronta a se apresentar como filiada ao clube das mais importantes do mundo. Pois é, o Brasil ainda é capaz de dar guarida a grandes humoristas.

Não faltam, nesta área, os alquimistas, treinados com requinte para cumprir a vontade do patrão. Jograis inventores. Um deles sustenta impávido que a presidenta Dilma despenca em São Paulo para recomendar a Lula toda a cautela em apoiar a CPI do Cachoeira, caldeirão ao fogo, do qual respingos candentes poderão atingir o PT. É possível. E daí? Certo é que a recomendação não houve. E que o Partido dos Trabalhadores escala, no topo da pirâmide, um presidente, Rui Falcão, tão pateticamente desastrado ao rolar a bola na boca da pequena área para o chute midiático. Disse ele que a CPI vinha para “expor a farsa do mensalão”. De graça, ofertou a deixa preciosa aos inimigos. Só faltava essa…

De todo modo, o mensalão. Se o inquérito policial falou claro a respeito de Cachoeira e companhia, o mensalão ainda não foi provado. É este um velho argumento de CartaCapital, pisado e repisado. É inaceitável, em tese, antecipar-se ao julgamento, mesmo que no caso haja razoável clareza para admitir outros crimes, como uso de caixa 2 e lavagem de dinheiro. Não há provas, contudo, de um pagamento mensal, mesada pontual a irrigar o Congresso. A sentença compete ao Supremo, e a presença de Ayres Brito na presidência do tribunal representa uma garantia. O mesmo Ayres Brito que não aceita declarar mensalão enquanto carece de provas.

Sobra a CPI do Cachoeira. Veremos o que veremos. Resta, de minha parte, a convicção de que poderia tornar-se o inquérito da mídia nativa. Outros são os jornalistas (jornalistas?) envolvidos, além de Policarpo Junior, de sorte a configurar a chance de naufrágio corporativo. Entendam bem, evito ilusões. Não creio, infelizmente, que o Brasil esteja maduro para certos exames de consciência entre o fígado e a alma.

Casa-grande e senzala continuam de pé e, por ora, falta quem se atire à demolição. No fundo, os graúdos sempre anseiam aparecer no Jornal Nacional e nas páginas amarelas de Veja. Um convescote promovido por João Dória Jr., de próxima realização, conta com a presença de 14 governadores. Nem ouso me referir ao ex-ministro da Justiça Márcio Thomaz Bastos, advogado de Cachoeira. O qual, obviamente, está em ótimas mãos. Igual a Daniel Dantas.

Resta algo mais, merecedor de destaque e, suponho em vão, da atenção da mídia nativa. Passou oito anos a agredir o presidente Lula e o agredido contumaz deixou o governo com quase 90% de aprovação. A presidenta Dilma, embora ex-guerrilheira não é ex-metalúrgica, e tem merecido alguma condescendente compreensão. Mesmo assim, se houver oportunidade, não será poupada. Por enquanto, cuida-se, de quando em quando, de colocar pedras em seu caminho. Não são o bastante, ela cresce inexoravelmente em popularidade. Não me arrisco a crer que os alicerces da senzala comecem a ser abalados, já me enganei demais ao longo da vida. Por parte da mídia, não valeria, porém, analisar os fatos com um mínimo de realismo?

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Voltei para um país onde o chefe de Estado vai caçar elefantes enquanto cinco milhões de pessoas estão sem emprego

abril 20th, 2012 by mariafro
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Carta de um cientista espanhol ao rei Juan Carlos

Principia Marsupia, Tradução Victor Farinelli

16/04

Querido Juan Carlos,

Me chamo Alberto Sicilia e sou investigador de física teórica na Universidade Complutense de Madrid. Até o ano passado, eu dava aulas na Universidade de Cambridge, na Inglaterra. Decidi regressar à Espanha porque queria contribuir com o avanço científico do nosso país.

Poucas semanas após a minha chegada, minha primeira alegria: Francisco Camps (político de ultradireita, ex-governador da Comunidade Valenciana que renunciou ao cargo após ser acusado em um escândalo de corrupção, por, entre outras coisas aceitar um suborno na forma de roupas de grife no valor de 12 mil euros)  obtinha um doutorado cum laude apenas seis meses depois de sua renúncia. Escrevi duas cartas para parabenizá-lo, as quais ele nunca me respondeu. Paco Camps deve estar muito ocupado. Talvez tenha sido contratado por Amancio Ortega (mega empresário têxtil espanhol) para desenhar sua coleção de ternos primavera-verão.

Abri a segunda garrafa de champagne ao conhecer as verbas gerais recém apresentadas ao Congresso. O investimento na ciência sofrerá um recorte de 600 milhões de euros. Imagine você se numa dessas apostamos na investigação científica e ganhamos um Nobel: quebraríamos a ordem geopolítica mundial. Até agora, os Nobel científicos são para britânicos, alemães, franceses ou norte-americanos. Nós ficamos com os Tour de France, os Roland Garros e as Champions League. Se ganhássemos também nas ciências, que consolo restaria para David, Angela, Nicolas e Barack?

Contudo, sofri minha terceia e definitiva comoção ao saber do teu safari. Dizem os jornais que custou 37 mil euros, doi anos do meu salário. Nós, que nos dedicamos à ciência, não fazemos isso por dinheiro. Ao terminar nossas teses de doutorado em física teórica, alguns companheiros meus foram trabalhar para Goldman Sachs, JP Morgan ou Google. Aqueles, como eu, que continuaram investigando, o fizeram por paixão. A ciência é uma das aventuras mais bonitas nas quais a espécie humana já embarcou. Ao voltar à Espanha, entendi que atravessávamos uma situação econômica complicada. Por isso aceitei trabalhar com muito menos recursos dos que me ofereciam em Cambridge, e um salário inferior ao que ganhava quando era estudante do primeiro ano de doutorado, em Paris.

Juancar, tenho que te agradecer. Tua aventura em Botswana me fez compreender definitivamente como é este país para o qual eu voltei.

Voltei para um país onde o chefe de Estado vai caçar elefantes enquanto cinco milhões de pessoas estão sem emprego. Voltei para um país onde o chefe de Estado ganha uma prótese de quadril numa clínica privada, enquanto milhares de compatriotas esperam meses para a mesma intervenção. Voltei para um país onde o chefe de Estado sai de férias em jet privado enquanto os políticos diminuem as verbas de ajuda às pessoas vulneráveis.

Se eu novamente for trabalhar em outro país, para poder salvar minhas investigações, não será uma grande perda para a Espanha. Não sou o Einstein da minha geração. Mas me desespero ao pensar em alguns físicos da minha idade que já são referentes mundiais nas melhores universidades. Muitos deles sonhavam com regressar um dia à Espanha, como eu fiz. Teríamos a oportunidade de reverter, finalmente, a irrisória tradição científica do nosso país. Nunca voltarão!!

Talvez tenhamos transformado a Espanha num grande terreno de caça. Mas aqui não se perseguem elefantes nem perdizes, mas sim investigadores. Quem sabe, no futuro, poderemos solicitar uma verba da WWF, por sermos espécie em extinção.

Mas permita-me terminar com outra questão que me perturba.  Na África estão centenas de espanhóis trabalhando em cooperação com ONGs. São garotos e garotas que vivem longe de suas famílias porque querem aliviar o sofrimento humano e construir um mundo mais decente. Se você tinha tanta vontade de viajar à África, por que não foi lá para abraçar esses jovens e mostrar a eles o quanto estamos orgulhosos do trabalho que estão fazendo?

Juancar, em teu último discurso de Natal, você afirmou que “todos, sobretudo as pessoas com responsabilidades públicas, tinham o dever de demonstrar um comportamento adequado, um comportamento exemplar”. E penso eu: se há meses atrás você disse isso e já tinha planejado fugir para caçar elefantes, ¿por qué no te callas?

Dr. Alberto Sicilia

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