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Paulo Moreira Leite: “Uma campanha eleitoral não é apenas uma disputa de ideias e projetos”

junho 5th, 2013 by mariafro
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Governistas no salto alto acham que 2014 está no papo. Aécio é um playboy, Marina um engodo, mas não tem nada no papo.

Aécio tem linha

Por Paulo Moreira Leite, Isto É

01/06/2013

A principal novidade do programa de Aécio Neves é política. Pela primeira vez desde 2002, o PSDB apresenta um candidato que caminha pelas próprias pernas, com uma linha política clara.

Explico. Em 2002, José Serra disputou a presidência sem assumir que era herdeiro de FHC e sem propor uma alternativa clara às ideias de Lula.

Numa estratégia que iria repetir oito anos depois, a campanha parecia sugerir que, em muitos aspectos, Serra estava mais preparado para realizar aquilo que Lula pretendia fazer.

Em 2006, Geraldo Alckmin não foi capaz de mostrar por que pretendia chegar à Presidência.

Em 2010, Serra tentou apresentar-se como o melhor candidato para continuar a obra de Lula. Fez isso até nos jingles do primeiro turno.

Em 2013, Aécio anda em faixa própria. Forma e conteúdo se complementam. O programa é limpo, sem ruídos. Nem tudo o que se vê na tela é espontâneo mas nada parece ensaiado. Aécio parece à vontade na missão de pedir votos.

O candidato a presidente não é escravo do adversário.

Claro que toda mensagem de um candidato de oposição tem um sujeito oculto, que é o governo de plantão, mas o programa não parecia contaminado por ele.

Aécio não ataca diretamente o governo Dilma – ninguém faria isso com uma adversária com mais de 60% de aprovação popular – mas tenta construir uma visão diferente do país e dos brasileiros.

Corteja o empreendedorismo, numa época em que todas as pesquisas de opinião ensinam que uma parcela crescente dos brasileiros gostaria de ser o próprio patrão.

Não diz que a vida está pior – seria complicado, com os números de renda e emprego – mas conversa com cidadãos que se queixam da alta dos preços e falam da inflação.

Aécio entra na conversa e lembra que o Real é uma herança do governo Fernando Henrique.

Programas políticos não são produtos de jornalismo, dos quais se deve esperar rigor na informação e competência nas análises. (Isso nem sempre ocorre nos dias de hoje mas vamos combinar que esta é a mercadoria prometida ao leitor…)

Obras da propaganda, os programas políticos trabalham no campo da verossimilhança, e não da verdade. Precisam ser críveis, o que é diferente de verdadeiros.

No programa, Aécio pode falar da inegável vitória de FHC sobre a inflação e ignorar que no último ano de mandato a alta de preços chegou a 12% e o país teve de pedir socorro ao FMI.

Também pode elogiar o empreendedorismo sem mencionar o papel essencial do crédito popular estimulado pelos governos do PT.

Vale reclamar das perdas inflacionarias e não dizer que hoje em dia mais de 80% dos reajustes salariais tem permitido ganhos acima da inflação.

Estas incoerências e omissões fazem parte da propaganda política. Ninguém espera que os programas de Dilma venham a fazer uma apresentação equilibrada dos defeitos e virtudes de seu governo.

Uma campanha eleitoral não é apenas uma disputa de ideias e projetos. É uma disputa para o eleitor escolhe quem tem mais credibilidade.

O programa mais delirante pode fazer sentido numa conjuntura determinada e ser um desastre em outra situação.

Tudo depende da credibilidade de quem critica – e de quem responde a crítica. Numa posição, ou em outra, é preciso conversar com a realidade, com aquilo que o eleitor experimenta em seu dia a dia.

No Brasil de 2013, a credibilidade está com Dilma. Seu esforço será conservar essa situação por um ano e quatro meses. Tentará preservar os avanços de todas as maneiras. Se conseguir isso, dificilmente será derrotada.

Os adversários vão agir na posição contrária. Contam com a mídia para tentar um segundo turno.

Este será o debate até outubro de 2014.

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Latuff: Funai no governo Dilma

junho 5th, 2013 by mariafro
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Quem se lembra da atuação da Funai durante o governo Lula com a demarcação da Raposa Serra do Sol, por exemplo, onde a PF garantia a vida de indígenas contra os arrozeiros invasores.

Hoje temos Gleisi, a ministra da Casa Civil, chamando latifundiários pra discutir demarcação de terras….

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Opinião: A esfera pública se tornou mais numerosa devido à Internet?

junho 5th, 2013 by mariafro
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“A informação não flui no vazio e sim em um espaço político que já está ocupado, organizado e estruturado em termos de poder. Se houvéssemos percebido isso antes, não teríamos caído na ingenuidade de pensar que uma tecnologia tão sofisticada como a Internet produz resultados idênticos em países diferentes.”

Desvendar uma ilusão

Os resultados não parecem estar à altura do que foi anunciado, e já se formulam muitas dúvidas que contribuem a desmontar o mito da democracia digital. A esfera pública se tornou mais numerosa devido à Internet? Até que ponto tornou possível novas formas de participação?

Por DANIEL INNERARITY*, El País, Tradução: Victor Farinelli
2/03/2012

A rede de computadores leva anos alimentando ilusões de democratização que não vêm rendendo os resultados esperados. Anunciaram maior acesso à informação, a eliminação dos segredos e a dissolução das estruturas de poder, de forma que parecia inevitável avançar na democratização da sociedade, renovando nossa tediosa democracia ou implantando-a em sociedades que pareciam protegidas, mas que não poderiam resistir diante dos efeitos benéficos da Internet. Os resultados não parecem estar à altura do anunciado e já se levantam as primeiras teorias sobre essa desilusão, que pretendem desmontar o mito da democracia digital.

É bastante humana essa ilusão alimentada por toda inovação tecnológica. Marx acreditava que a locomotiva dissolveria o sistema de castas da Índia; o telégrafo foi anunciado como o fim definitivo dos preconceitos e das hostilidades entre as nações; alguns celebraram o avião como um meio de transporte que diminuiria também as guerras, não somente as distâncias; sonhos similares acompanharam o nascimento do rádio e da televisão. Agora, contemplamos estas suposições com ironia e desdém, mas em seu momento pareciam uma promessa verossímil.

A tecnologias à qual devemos o atual boom das redes sociais não tem sido alheia a esse fenômeno, e por razões pertinentes. É lógico pensar que uma tecnologia que empodera, vincula livremente e facilita o acesso ao conhecimento desperte ilusões de emancipação democrática. O relato anarco-liberal dos fundadores da Internet já foi adaptado por pessoas de todos os espectros ideológicos, da direita à esquerda. Os cyber-cons supervalorizaram o efeito democratizador da livre circulação da informação, tal como se pensou após a queda dos regimes comunistas europeus. Por outro lado, antigos hippies terminaram nas universidades e centros tecnológicos tentando provar que a Internet poderia proporcionar o que prometeram nos Anos 60: maior participação democrática, emancipação individual, fortalecimento da vida associativa…

Passada a fase das expectativas exageradas, estamos em condições de desvendar essa ilusão, e perguntamos se realmente a Internet foi capaz de aumentar a esfera pública, até que ponto tornou possível novas formas de participação, ampliando o poder das pessoas diante das elites. Sem deixar de reconhecer as capacidades da rede, podemos examinar criticamente as promessas da ciberutopia, essa ingênua crença na natureza inexoravelmente emancipadora da comunicação online, que desconhece os seus limites e também o seu lado escuro. Estes equívocos podem ser sintetizados em torno da concepção da técnica, do poder e da democracia submetidos ao sonho da democracia digital.

Para o caso concreto das tecnologias da informação e da comunicação vale também a constatação de que o entusiasmo diante da tecnologia tem simplificado a visão dos seus efeitos políticos, exagerado suas possibilidades e minimizado suas limitações. Boa parte da nossa perplexidade diante dos limites ou das ambiguidades dos processos sociais tecnologicamente possibilitados se deve a não entender que qualquer inovação técnica é levada a cabo num contexto social e tem efeitos sociais que variam em função do contexto em que se desenvolvem.

A informação não flui no vazio e sim em um espaço político que já está ocupado, organizado e estruturado em termos de poder. Se houvéssemos percebido isso antes, não teríamos caído na ingenuidade de pensar que uma tecnologia tão sofisticada como a Internet produz resultados idênticos em países diferentes.

O outro princípio que se defendia com bastante certeza é o que assegurava que as redes sociais constituem um movimento contrário à concentração de poder, que desequilibram a autoridade das elites e tendem a anular as assimetrias até então estabelecidas. Pois bem, até que ponto é tão aberta a arquitetura da Internet? É verdade que os cidadãos são mais escutados no ciberespaço? As redes sociais descentralizam a audiência? Favorecem a flexibilidade das organizações? Possibilitam uma atividade política sem a necessidade de intermediação com os políticos tradicionais? Os gatekeepers (que filtram os canais de informação e condicionam nossas decisões) seguem formando parte da nossa paisagem social e política. Há quem sustente, inclusive, que a concentração de audiência na rede é ainda maior que nos meios de comunicação tradicionais. Não há necessariamente mais objetividade, nem menos partidarismo no espaço aberto da Internet, em comparação com os meios tradicionais. O fato de que o poder esteja descentralizado ou seja difuso não significa que haja menos poder, que sejamos mais livres e a democracia seja melhor.

A Internet não elimina as relações de poder, senão que as transforma. Na rede, ainda existem assimetrias; é uma ingenuidade pensar que a Internet favorece sempre o oprimido diante do opressor. A razão mais importante que explica a persistência de relações de poder na rede é estrutural, reside em sua própria arquitetura. Para compreender a infraestrutura do poder na Internet deve-se ter em conta que sua natureza conectiva determina o conteúdo que os cidadãos poderão ver, e em virtude disso nem todas as escolhas são iguais. Isto não é devido às normas ou às leis e sim às decisões que estabelecidas pelo desenho da Internet e que determinam o que está ou não está permitido aos usuários. A topologia link que regula o tráfico da rede faz da Internet algo menos aberto do que se espera ou se teme. Existe uma hierarquia estrutural devida aos hyperlinks, uma hierarquia econômica estabelecida pelas grandes corporações, como Google e Microsoft, e uma hierarquia social, porque alguns tipos de profissionais são exageradamente representados pela opinião online.

As opções são estritamente pré-definidas e deixam de lado as alternativas, nas ocasiões mais importantes. Ainda que em princípio seja possível que os indivíduos controlem essas opções, somente uma minoria é capaz de fazê-lo. O imperialismo cultural atual não é uma questão de conteúdo e sim de protocolos. E aqui entramos no tema da neutralidade da rede: a influência que se exerce sobre os usuários não está no conteúdo e sim no formato. É nesse nível onde se estruturam nossos modos de buscar e encontrar, de explorar e comprar; se trata de uma influência que condiciona nossos hábitos e que, nessa mesma medida, pode ser considerada como expressão de uma ideologia. O valor supremo dessa ideologia é a “livre expressão” e possui uma suspeita semelhança com os valores de desregulação, liberdade de circulação e transparência compreendidos pelo ponto de vista neoliberal. E por isso mesmo, esses valores dificilmente são ‘assumíveis’ em outras culturas, mas também em países democráticos que, como França e Alemanha, tratam de impedir o acesso, por exemplo, a páginas antissemitas.

O ativismo digital também já existe há alguns anos, e nos permite obter algumas experiências. A fundamental é que temos de distinguir a função crítica e desestabilizadora da capacidade de construção democrática. O exemplo das revoltas árabes demonstram que derrubar não é construir, que a descentralização não é uma condição suficiente para o êxito das reformas políticas; o fato de que Obama tenha sido melhor candidato que presidente deveria servir para controlar a fascinação que a rede tem exercido sobre quem parece haver esquecido que ganhar as eleições não é o mesmo que governar, do mesmo modo que comunicar bem tampouco equivale a tomar as decisões oportunas.

O fato de que a rede esteja destruindo barreiras, debilitando o poder das instituições e dos intermediários, não nos deveria levar a esquecer que o bom funcionamento das instituições é fundamental para a preservação das liberdades. Esta por essa razão que a Internet pode facilitar a destruição regimes autoritários mas não é tão eficaz na hora de consolidar a democracia. O aceso aos instrumentos de democratização não equivale à democratização em si de uma sociedade.

A chegada da Internet modificou profundamente a política, que já não pode ser praticada como até então. Ao mesmo tempo, não deveríamos cair nesse no fanatismo digital, que parece desconhecer suas ambivalências.

O fato de que a Internet esteja baseada na facilidade e na confiança constitui também sua vulnerabilidade; facilita a resistência, a crítica e a mobilização, mas nos expõe de uma maneira inédita a novos riscos.

Certos fenômenos, como a transformação da economia em economia financeira, ou a difusão de informação errônea e valores sociais controversos, também formam parte dessa cara da rede que alguns chamam de escura, mas seria melhor qualificada como “arriscada”. Agora pensemos: quando nós, seres humanos, tivemos um instrumento cuja capacidade de emancipação não incluísse a possibilidade de autodestruição? Governar significa precisamente fomentar aquelas capacidades e dificultar ou prevenir estas possibilidades.

*Daniel Innerarity é catedrático de Filosofia, investigador “Ikerbasque” na Universidade do País Basco e diretor do Instituto de Governança Democrática. Acaba de publicar o livro “A Democracia do Conhecimento”, pela Editora Paidós.

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Dez anos de governo pós-liberais no Brasil

junho 5th, 2013 by mariafro
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Dez anos de governo pós-liberais no Brasil

Por: Maria Inês Nassif
Na última década, o Brasil percorreu tão rapidamente caminhos desconhecidos em sua história que ainda não se deu conta de que uma nova geração já perdeu a referência do passado. Antes, a realidade desse país deprimido por um histórico complexo de vira-latas era caracterizada por desigualdade social crônica, inserção na política internacional nula e, sobretudo, desambição e um ceticismo em relação ao futuro.

O brasileiro jovem já incorporou à sua vida a educação superior, o direito ao emprego formal, a possibilidade de ascensão social e, sobretudo, uma vida sem fome. A maioria das crianças cujas famílias ascenderam das classes mais miseráveis nesses dez anos nunca passou por uma realidade de fome como a vivida por seus pais. E a maioria dos jovens que hoje ocupa os bancos das universidades superou uma situação de miséria na tenra infância e terá a oportunidade de dar aos seus filhos uma infância muito melhor que a que teve.
Dez anos após o início do governo de Luiz Inácio Lula da Silva, em 1o de janeiro de 2013, a inteligência brasileira de esquerda vive também um momento único: o de refletir sobre o que deu certo nesse período. O outro dado novo na vida desse segmento do pensamento brasileiro é o de que ele se debruça sobre os desafios do futuro com a perspectiva de uma segunda década de continuidade de gestões progressistas, conquistadas pelo voto direto e secreto. Neste momento histórico, também a via democrática, opção feita pelas esquerdas brasileiras na década de 1980, está em debate depois de uma década de grandes acertos viabilizados por uma trajetória de luta, é certo, mas fundamentalmente pela intuição e pragmatismo do presidente eleito por essas forças.

Este livro se inicia com uma entrevista com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e reúne reflexões de alguns dos melhores pensadores brasileiros. É uma proposta de aprofundamento das discussões sobre os governos Lula e Dilma Rousseff pela ótica progressista e pela perspectiva da continuidade.

O debate é fundamental para o futuro. Como diz Lula no primeiro capítulo, “não se muda gerações de equívocos em apenas uma geração”. Isso requer ainda muita reflexão e muito trabalho.

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