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Renam Brandão: Tem que ter vinagre no bolso do PT

junho 17th, 2013 by mariafro
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Tem que ter vinagre no bolso do PT*

Por: Renam Brandão

17/06/2013

 

A conjuntura é delicada. Sobretudo para o PT…

Jovens se manifestam da forma como nos manifestávamos antes, mas que abandonamos ou esquecemos ou (em alguns casos, não o meu) até repudiamos. Com instrumentos de comunicação velozes e eficazes incrementam a auto-organização utilizando o potencial das novas mídias para espalhar suas mensagens.

As manifestações pelo direito a livre circulação crescem no Brasil, em boa medida por conta da ação truculenta das polícias (agora inclusive do GDF). Mas não só por isso: um maravilhoso espectro ronda o país, o espectro do retorno das lutas populares nas ruas. E é maravilhoso porque, afinal, as cidades estão a cada dia menos transitáveis.

Percebendo o poder de mobilização dessa juventude, a mídia vai mudando de posicionamento e tenta pautar as manifestações e interpretá-las como lhe convém. De baderneiros à portadores da esperança contra os vermelhos – é o PIG** atuando.

O PIG sabe que os manifestantes são anti-PIG. Mas sabe, também, que pode passar aqui o que ocorreu, por exemplo, na Espanha de Zapatero. A insatisfação toma as ruas, a esquerda perde o pé e a direita ganha nas urnas.

Por isto o PT não pode vacilar e nossos governos não podem errar ou patina. É uma grande falha apontar as manifestações como manipulações de nossos adversários. É um equívoco estratégico comparar o que ocorre hoje com as tentativas frustradas de iniciativas como o “Cansei”. Por mais que nossos governos tenham avançado, nosso atraso ainda é grande e precisamos acelerar as mudanças iniciadas há dez anos.

Não adianta ficar na defensiva – bradar raivosamente como se todos fossem da direita é uma reação defensiva burra de quem prefere ficar acuado. Quem está nas ruas não quer ouvir sobre os limites cada vez mais rebaixados de nossas administrações. Também não farão a conta dos fatores limitantes, pois algumas vezes os limites são impostos por nossas opções de aliança com setores do atraso político do país.

O PT tem que sair do estado de inércia; nossa musculatura para as lutas está atrofiada; as engrenagens para acompanhar e colaborar com as manifestações não dirigidas pelos aparatos estão enferrujadas e boa parte dos nossos quadros e da nossa juventude está burocratizada.

De nossa parte estamos intensificando os esforços para mudar essa situação. E precisamos fazê-lo com redobrado esforço nas próximas horas e nos próximos dias.

Na reunião do Diretório Estadual do PT-RJ ontem (16/06), entre os 16 oradores, alguns silenciaram sobre o tema, um fez uma fala rebaixada quanto às manifestações, mas a maioria das lideranças de todas as correntes internas se manifestou pelo apoio e participação partidária nas passeatas (ver nossa fala: http://on.fb.me/1bLhFhT ou aqui:http://bit.ly/11KIvC8).

Ao fim do encontro, aprovamos um boa nota sobre o tema (http://bit.ly/13U9Of7), construída a partir da nota da JPT-RJ (http://bit.ly/11APcWi).

Precisamos iniciar a mudança no eixo das nossas alianças e lutar para ampliar a inversão de prioridades – a maioria da população precisa se beneficiar mais das políticas dos governos nas cidades. O PT tem que se postar ao lado daqueles que entendem que é possível e lutam por garantir e ampliar os direitos urbanos!

Nessa mudança de rumos a primeira tarefa é ajudar a conquistar, a partir das mobilizações, alterações nas estruturas de mobilidade das cidades e estados – onde somos governo e onde somos oposição. Ou reatamos com as mobilizações e reorientamos nossas alianças prioritárias, ou podemos ter um perigoso e decisivo revés na trajetória do PT.

Nos próximos dias a atuação do PT marcará um significativo momento de sua história.

Hoje a batalha das ruas e do Partido pode ter uma importante inflexão: depende muito do Haddad, como receberá os manifestantes? Cederá em algo importante da pauta das mobilizações?

No Rio de Janeiro o nosso compromisso em defesa do legado e da renovação do PT se manifestará atendendo ao chamado da reunião de ontem: nós petistas participaremos ativamente das manifestações, lado a lado com todos aqueles e aquelas que querem uma política de transporte que afirme efetivamente o direito à Cidade!

Aqui no Rio vai ter vinagre no bolso do PT!

*Renam Brandão é militante do PT no Rio de Janeiro e pré-candidato a presidente estadual do partido.

*Sobre o vinagre, para quem ainda não sabe: http://bit.ly/126qKfy

** Partido da Imprensa Golpista

Nota da militante Maria Frô: Este é o PT pelo qual  ainda luto, pelo qual tenho identidade. Qual o tamanho dele? Não sei, mas eu gostaria que ele ganhasse corpo, se fortalecesse e tirasse as teias de aranhas pragmáticas que burocratizaram o partido e o afastaram das lutas.

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Leandro Fortes: comenta matéria: Comandante-geral da PM pede protesto contra mensalão

junho 17th, 2013 by mariafro
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Segue comentário do jornalista Leandro Fortes, via Facebook, sobre o pedido do Comandante-geral da PM de São Paulo: Comandante-geral da PM pede protesto contra mensalão

NEOPROGRESSISTAS

Dá para acreditar nisso? O comandante da PM de São Paulo tentando cooptar o Movimento Passe Livre para a causa do mensalão! E a presidenta Dilma é que está adiantando a campanha.

O coronel Benedito Meira, claro, não iria fazer essa maluquice por conta própria. Obviamente, essa ordem veio de cima, ou do secretário de Segurança Púbica, Fernando Grella, ou do governador Geraldo Alckimin, do PSDB. Ou dos dois. Porque se foi um marqueteiro, melhor demitir ainda hoje.

Agora dá para entender melhor a razão da velha mídia estar virando a casaca do noticiário. O mea culpa de Arnaldo Jabor, uma lamentável crônica sobre a indigência moral, é o sinal da contra-ordem. Por alguma razão estratégica, os tucanos passaram a acreditar que poderão voltar a carga das manifestações para a administração municipal e ferir de morte o prefeito Fernando Haddad. Como irão fazer isso sem magia, ainda é um mistério.

Usar a Rede Globo já não é mais garantia: a bolinha de papel de José Serra provou que, em tempos de redes sociais, a mentira tem que ser muito, mas muito bem bolada. Senão, é o vexame que se viu.

A Veja está em um estado tal de hidrofobia que não vai querer voltar atrás do que publicou essa semana, um libelo à violência do Estado. Nem tem como.

Os jornalões não servem mais para o serviço. O jornal impresso está em vias de ser extinto e as empresas estão em dificuldade financeira, não podem lutar ao mesmo tempo contra o governo e pela própria sobrevivência. Por enquanto, caminham, a passos largos, para a irrelevância.

Nas rádios, se a estratégia for a de colocar comentaristas conservadores para se converter, no ar, em cristãos novos progressistas, melhor tomar uma bala de borracha na testa, que a chance de sobreviver é maior.

O governador Agnelo Queiroz, do PT, chamado às falas nas redes sociais por conta de uma (boa) informação da rádio CBN, demitiu o comandante da PM do Distrito Federal por causa de uma compra ainda não efetuada de capas de chuva para o período da seca.

O que fará Alckmin com relação ao comandante da PM de São Paulo, acusado de fazer rapinagem ideológica? Dar-lhe uma medalha?

Leia abaixo:

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Jorge Viana: “Nossa juventude não pode ser tratada como bandida”

junho 17th, 2013 by mariafro
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a discussão sobre o Movimento Passe Livre e a repressão a ele chegou ao Senado.

Jorge Viana: “Nossa juventude não pode ser tratada como bandida”

Vice-presidente do Senado reclama do tratamento dado aos jovens que estão promovendo protestos nas ruas das cidades. E reclama: “Atirar com bala de borracha mata”

A violência policial contra os protestos e manifestações que varreram as cidades brasileiras nos últimos dias virou tema de discurso do senador Jorge Viana (PT-AC). Ele subiu à tribuna do Senado, na tarde desta segunda-feira, 17 de junho, para reclamar do abuso da força policial e pedir tolerância e respeito aos jovens que estão nas ruas.

“Todo grande e qualquer movimento de transformação no mundo sempre teve o jovem lá na linha de frente – reclamando da qualidade de vida que temos nas cidades brasileiras”, elogiou. “Temos que fazer uma autocrítica. Qual é o partido político no Brasil que estabeleceu como a maior e mais importante prioridade o funcionamento das nossas cidades?”

“A manifestação dos jovens é legítima. Nossa população não pode ser tratada como bandida”, criticou o parlamentar. “Atirar com bala de borracha, mata. É uma arma menos letal, mas é letal”. O parlamentar comentou que a máquina de repressão foi adquirida pelos governadores e prefeitos para garantir a segurança, não para impedir manifestações populares.

“Nunca vi tantos policiais nesse país usando armas letais contra manifestantes. Não é aceitável”, disse. “Tem que ter um posicionamento mais claro do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo. E não se trata de buscar culpados, terceirizar o problema. Tem que estarem juntos prefeitos, governadores e governo federal dialogando”.

VIDA URBANA

Viana considera que a qualidade de vida das cidades está ruim e as reclamações proferidas nas ruas desde a semana passada, quando manifestantes do Movimento Passe Livre ganharam algumas das principais cidades, revela o nível de insatisfação da juventude que quer soluções para o problema.

“Os jovens estão dando um recado nas ruas: precisamos trabalhar em soluções para as nossas cidades. Estamos diante de um impasse. As condições de vida nas grandes cidades estão muito ruins”, advertiu. O senador petista disse que a responsabilidade por uma solução precisa ser compartilhada pelas autoridades federais, estaduais e municipais.

“Há um problema real nas cidades brasileiras; que a manifestação se dá em cima de situações concretas, legítimas”, comentou. “Acho que o pior remédio está sendo usado para tentar pôr fim às manifestações, que é o uso da violência”.

“Hoje, muitas das nossas cidades, principalmente as grandes capitais, tornaram-se modelos de insustentabilidade”, destacou Jorge Viana. “Principalmente, mas não exclusivamente, porque o transporte público é caro e ruim”. O parlamentar apontou que o movimento surgido nas ruas é espontâneo e precisa ser compreendido.

Ele se lembrou dos ensinamentos de Enrique Peñalosa, consultor em estratégias urbanas e ex-prefeito de Bogotá: “Uma boa cidade não é aquela onde os pobres andam de carro, mas sim aquela onde até os mais ricos usam o transporte público”.

Viana cobrou das autoridades federais prioridade para o metrô. “Há décadas, nós estamos fazendo de conta que estamos construindo metrô neste país”, disse, questionando: “Qual é a prioridade deste país para transporte coletivo?” O senador lembrou que o governo vem desonerando motocicletas e carro, sem dar prioridade ao transporte coletivo. “Precisamos criar nas cidades mais ciclovias, faixas exclusivas para motocicletas, para ônibus, para táxi, e, num plano ou outro, o carro comum”, disse.

No discurso, ele citou reportagem da Folha de S.Paulo publicada nesta segunda-feira, apontando São Paulo e Rio como cidades com as tarifas de ônibus mais caras do mundo. “Insisto: 84% do povo brasileiro vivem nas cidades que não funcionam, são insustentáveis, são insalubres, principalmente para os mais pobres, que precisam sair de madrugada para ir trabalhar e chegar já tarde da noite, se quiserem voltar para casa. Tem que haver um basta”, concluiu.

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Nota do Movimento Passe Livre SP sobre reunião com a prefeitura: aumentos de tarifa não se tratam de uma questão técnica

junho 17th, 2013 by mariafro
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Nota do Movimento Passe Livre SP sobre reunião com a prefeitura.

Na manhã de hoje, 17/06, o Movimento Passe Livre (MPL) foi convocado para uma reunião com o Secretario de Governo, João Donato, para discutir a participação do movimento no Conselho da Cidade. A militante do MPL destacada para essa função foi surpreendida pela presença, não informada previamente, do prefeito Fernando Haddad. O prefeito fez diversos apontamentos e justificou que não é possível revogar o aumento da tarifa por motivos técnicos.

Contudo, os aumentos de tarifa não se tratam de uma questão técnica, mas política, como provam os diversos lugares em que a pressão popular conseguiu os reverter. Mesmo com a presença surpresa do prefeito, essa conversa não tinha o poder de negociar a revogação do aumento.

O MPL vem a público reforçar a necessidade de estabelecer um espaço de negociação sobre a pauta única das manifestações – a revogação do aumento. Sendo assim mantemos o convite para o prefeito, Fernando Haddad, se reunir com o MPL na quarta-feira, 19/06, às 10h no sindicato dos jornalistas.

MPL-SP

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