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CENTRO CULTURAL SÃO PAULO – LANÇAMENTO DO LIVRO “DEZ ANOS DE GOVERNOS PÓS-NEOLIBERAIS NO BRASIL: LULA E DILMA”, DE EMIR SADER

maio 12th, 2013 by mariafro
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Sugestão: Leila Farkas

Debate com Lula marca lançamento de livro de Emir Sader no CCSP

Confira a entrevista com organizador de “ Dez Anos de Governos Pós-neoliberais no Brasil: Lula e Dilma”

Por Gabriel Fabri, Portal PMSP, via Facebook


CENTRO CULTURAL SÃO PAULO - LANÇAMENTO DO LIVRO "DEZ ANOS DE GOVERNOS PÓS-NEOLIBERAIS NO BRASIL: LULA E DILMA", DE EMIR SADER Debate com Lula marca lançamento de livro de Emir Sader no CCSP Confira a entrevista com organizador de “ Dez Anos de Governos Pós-neoliberais no Brasil: Lula e Dilma" Por Gabriel Fabri A noite do dia 13 promete ser um momento especial para reflexão. O Centro Cultural São Paulo (CCSP) recebe o ex-Presidente Luis Inácio Lula da Silva para um debate à respeito dos dez anos de governos petistas no Brasil. A data marca o lançamento do livro “Dez Anos de Governos Pós-neoliberais no Brasil: Lula e Dilma” (Boitempo Editorial), que reúne análises de 21 teóricos sobre o período em questão, incluindo os três que participarão, ao lado de Lula, do evento: a filósofa Marilena Chauí, o economista Marcio Pochmann e o cientista político Emir Sader, organizador da obra. O debate está previsto para começar às 19h (senhas serão distribuidas uma hora antes) e será aberto ao público geral. Os temas abordados no livro incluem cultura, direitos humanos, meio ambiente, política externa, desenvolvimentismo, educação e comunicação, entre outros. Chauí assina o texto “Uma nova classe trabalhadora”, Porchmann fala sobre políticas sociais e Emir, além de desenvolver a ideia de pós-neoliberalismo, realiza uma entrevista com o Presidente Lula de balanço do novo governo, junto com Pablo Gentili. A partir da segunda quinzena de maio, a obra será disponibilizada gratuitamente na internet. Sader conversou com o SP Cultura sobre o livro e expôs um pouco da sua opinião em relação ao período de oito anos de governo Lula e dois de Dilma. Confira abaixo:  SP CULTURA - Como surgiu a ideia de organizar essa obra?  EMIR SADER - O Brasil mudou muito e mudou para melhor nos últimos dez anos, todavia não houve uma teorização mais acabada a respeito do caráter transformador, das vias que a transformação assumiu, do que foi, do que não foi e do que deve ser feito. Aproveitando essa data redonda, selecionamos um conjunto de autores, especialistas em seus campos, para dar conta tanto da ideia do que mudou no mundo, como na América Latina e no Brasil, em aspectos políticos, econômicos e sociais.  SP CULTURA - Qual a importância de se refletir sobre os últimos dez anos nesse momento?  EMIR SADER - É importante não somente para sinalizar as mudanças que aconteceram, mas, principalmente, para desembocar os obstáculos e dificuldades e poder ter uma reflexão mais consciente dos problemas. Tudo indica que terá, pelo menos, uma segunda década pós-neoliberal, então é preciso ajudar a reflexão para encarar as dificuldades que teremos pela frente.  SP CULTURA - Qual mudança dos últimos dez anos você considera mais significativa? Em quais aspectos os governos deixaram a desejar?  EMIR SADER -A diminuição da miséria, da pobreza e da desigualdade foi o maior avanço. Faltou aprovar uma política de democratização dos meios de comunicação e aprofundar a reforma agrária.  SP CULTURA - O livro chama os dez anos de governos do PT de “pós-neoliberais”. Em sua opinião, o neoliberalismo foi superado ou existem resquícios dessa política econômica que Lula e Dilma não foram capazes de superar?  EMIR SADER - O neoliberalismo está em processo de ser superado, pois o Estado voltou a ter papel ativo em toda a economia e nos direitos sociais. A centralidade deixou de ser do mercado, não estando mais nas políticas fiscais, e sim nas sociais. Na política externa, a prioridade é o processo de integração regional, tanto na América Latina quanto no intercâmbio sul-sul.  SP CULTURA - Qual a importância do ex-Presidente Lula para o Brasil?  EMIR SADER - O Lula foi o protagonista e a cabeça desse processo de transformação social do Brasil, país que foi conhecido como o mais desigual, do continente mais desigual. Realizei com ele uma longa entrevista para o livro de balanço do governo. SERVIÇO Centro Cultural São Paulo (CCSP) - Centro Cultural São Paulo Rua Vergueiro, 1000. Paraíso. Centro.  Tel. 3397-4002   13/05, 2ª. às 19h00.   Fonte: Portal PMSP

 

SERVIÇO
Centro Cultural São Paulo (CCSP) – Centro Cultural São Paulo
Rua Vergueiro, 1000. Paraíso. Centro. Tel. 3397-4002
13/05, 2ª. às 19h00.

A noite do dia 13 promete ser um momento especial para reflexão. O Centro Cultural São Paulo (CCSP) recebe o ex-Presidente Luis Inácio Lula da Silva para um debate à respeito dos dez anos de governos petistas no Brasil. A data marca o lançamento do livro “Dez Anos de Governos Pós-neoliberais no Brasil: Lula e Dilma” (Boitempo Editorial), que reúne análises de 21 teóricos sobre o período em questão, incluindo os três que participarão, ao lado de Lula, do evento: a filósofa Marilena Chauí, o economista Marcio Pochmann e o cientista político Emir Sader, organizador da obra. O debate está previsto para começar às 19h (senhas serão distribuídas uma hora antes) e será aberto ao público geral.

Os temas abordados no livro incluem cultura, direitos humanos, meio ambiente, política externa, desenvolvimentismo, educação e comunicação, entre outros. Chauí assina o texto “Uma nova classe trabalhadora”, Porchmann fala sobre políticas sociais e Emir, além de desenvolver a ideia de pós-neoliberalismo, realiza uma entrevista com o Presidente Lula de balanço do novo governo, junto com Pablo Gentili. A partir da segunda quinzena de maio, a obra será disponibilizada gratuitamente na internet.

Sader conversou com o SP Cultura sobre o livro e expôs um pouco da sua opinião em relação ao período de oito anos de governo Lula e dois de Dilma. Confira abaixo:

SP CULTURA – Como surgiu a ideia de organizar essa obra?
EMIR SADER – O Brasil mudou muito e mudou para melhor nos últimos dez anos, todavia não houve uma teorização mais acabada a respeito do caráter transformador, das vias que a transformação assumiu, do que foi, do que não foi e do que deve ser feito. Aproveitando essa data redonda, selecionamos um conjunto de autores, especialistas em seus campos, para dar conta tanto da ideia do que mudou no mundo, como na América Latina e no Brasil, em aspectos políticos, econômicos e sociais.

SP CULTURA – Qual a importância de se refletir sobre os últimos dez anos nesse momento?
EMIR SADER – É importante não somente para sinalizar as mudanças que aconteceram, mas, principalmente, para desembocar os obstáculos e dificuldades e poder ter uma reflexão mais consciente dos problemas. Tudo indica que terá, pelo menos, uma segunda década pós-neoliberal, então é preciso ajudar a reflexão para encarar as dificuldades que teremos pela frente.

SP CULTURA – Qual mudança dos últimos dez anos você considera mais significativa? Em quais aspectos os governos deixaram a desejar?
EMIR SADER -A diminuição da miséria, da pobreza e da desigualdade foi o maior avanço. Faltou aprovar uma política de democratização dos meios de comunicação e aprofundar a reforma agrária.

SP CULTURA – O livro chama os dez anos de governos do PT de “pós-neoliberais”. Em sua opinião, o neoliberalismo foi superado ou existem resquícios dessa política econômica que Lula e Dilma não foram capazes de superar?
EMIR SADER – O neoliberalismo está em processo de ser superado, pois o Estado voltou a ter papel ativo em toda a economia e nos direitos sociais. A centralidade deixou de ser do mercado, não estando mais nas políticas fiscais, e sim nas sociais. Na política externa, a prioridade é o processo de integração regional, tanto na América Latina quanto no intercâmbio sul-sul.

SP CULTURA – Qual a importância do ex-Presidente Lula para o Brasil?
EMIR SADER – O Lula foi o protagonista e a cabeça desse processo de transformação social do Brasil, país que foi conhecido como o mais desigual, do continente mais desigual. Realizei com ele uma longa entrevista para o livro de balanço do governo.

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Feira especializada e propaganda de rifles para crianças nos Estados Unidos: como se forma um país de assassinos

maio 11th, 2013 by mariafro
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Impossível não se estarrecer com a banalização da barbárie promovida por esses caras. Não aprenderam nada com Columbine, com Virginia Tech, com Sandy Hook e tantos outros massacres de crianças e adolescentes. “País da liberdade”? Que liberdade existe em um país onde se ensina crianças a brincar com a vida e a morte dessa maneira tão absurda? Os Estados Unidos criou essa sociedade de malucos, reféns do próprio pânico social, todos escondidos atrás dos seus rifles e das suas armas. Uma sociedade doente.

E digo mais: não vai faltar o reacionário brasileiro, defensor ferrenho da redução da maioridade penal, que ao ver isso aqui vai achar é ótimo, exemplo de cidadania. Estamos importando o pior que existe por lá, infelizmente.

Feira da bala: lobby pró-armas nos EUA junta Sarah Palin e pistola para crianças

Convenção da célebre NRA, a Associação Nacional do Rifle, reuniu milhares de portadores de armas no Texas

Por Federico Mastrogiovanni, em Opera Mundi

Uma jovem de cabelos claros segura um fuzil Beretta como se fosse uma guitarra. Está excitadíssima. Ela o aponta em direção a uma parede, que traz uma foto gigante de uma selva. Talvez imagine que ali estejam escondidos leões selvagens, tigres ou até mesmo perigosos terroristas. Nas mãos, uma Ruger 1022 roxa, “fun gun”, presente da mãe. Rose, que só tem 15 anos, posa para uma foto, enquanto finge que vai disparar. Um homem observa, rindo e orgulhoso, para em seguida dedicar o olhar ao próprio filho adolescente, que segura uma Uzi. Ele fala para o menino: “eu tinha prometido, ela agora é sua.”


Criança testa arma, acompanhada pela mãe, na convenção da NRA em Houston (Texas)/Federico Mastrogiovanni

Centenas de canos apontam simultaneamente para o teto no primeiro dia da 142ª edição da Convenção da Associação Nacional do Rifle (NRA na sigla em inglês), em Houston, Estado do Texas. Na semana passada, se respirava nos pavilhões um ar de festa, de feira popular, mas o que se via eram milhares de armas – e de aficionados por elas.

Um sujeito explica como posicionar os pés para disparar contra um criminoso. “Sou um ex-militar”, diz, firme, empunhando sua Glock em frente a um pequeno e atento público. “E posso dizer que é fundamental manter a posição exata dos pés, pernas e costas”. A maioria, formada por jovens, o escuta fascinada. De fato, o ambiente na convenção da NRA é familiar, com pais e filhos – quase todos brancos – passeando pelos corredores do evento como se estivessem em um passeio de domingo.

Perto dali, Sandy segura um pequeno fuzil Rascal. Aponta para o teto, concentrada. Fecha um olho. Respira. Dispara. Recarrega. O trabuco é rosa, pequeno, parece um brinquedo. Tem a coronha de plástico, mas o cano é de metal preto. Sandy sorri. Aos quatro anos, ela e o pai, Eric, estão escolhendo seu primeiro fuzil. Faltam poucos meses para o aniversário e, consequentemente, para poder levar o “presente” para casa.

Eric conta que se sente contente por poder dar à filha um fuzil de tão boa qualidade, pagando apenas 180 dólares. Mas a menina não é um pouco pequena para ter uma arma? “Claro que não. Eu vou ensiná-la a usar. Estarei sempre presente. E, além disso, esses fuzis são feitos sob medida. Foram pensados para crianças. Parecem brinquedos, mas têm balas calibre 22”, explica Eric, em detalhes.

Um fuzil exatamente como o de Sandy provocou uma tragédia em 30 de abril, no condado de Cumberland, Estado de Kentucky. No dia, um menino de cinco anos disparou por acidente na irmãzinha de dois, matando-a. A arma tinha sido dada de presente um ano antes. Eric continua: “É importante que seja eu quem a ensine a disparar. O que os estrangeiros não entendem é que não é através da proibição que se evitam as tragédias, e sim pela educação. É necessário ensinar as crianças a disparar com segurança e transmitir valores justos”.

No terceiro andar acontecem conferências e seminários. Em uma enorme sala, todos se preparam para ver o grande evento do dia, com as “estrelas” Rick Perry, governador do Texas, Rick Santorum, ex-candidato republicano e Sarah Palin, ex-governadora ultraconservadora do Alaska e destaque da campanha presidencial de 2008, quando saiu como vice de John McCain. Ela é aplaudida de pé. Após o frenesi, aos gritos, incentiva os donos de armas a seguir “lutando para defender os valores da América”.

Propaganda de armas para crianças:

“Nós também nos sensibilizamos com as tragédias. Quem de nós não sentiu tristeza ou raiva pelo que acontece na Chicago de Obama, ou em Nova York, ambas cidades nas mãos de criminosos, onde o controle de armas é mais rigoroso”, questiona a plateia. De acordo com a ex-governadora “de aço”, Obama “faz campanha eleitoral em cima dos sentimentos do povo, utiliza a dor para que as pessoas se comovam”, enquanto os portadores de armas são os verdadeiros heróis nacionais, defensores mais valentes da democracia, e, obviamente, da liberdade. Aplausos. Lágrimas.

Em telões gigantes, começa a ser transmitido um vídeo comovente sobre a vida heroica de Chris Kyle, famoso por ser o franco-atirador mais letal da história militar dos Estados Unidos, com 160 mortes nas costas. Em fevereiro do ano passado, um amigo que sofria de estresse pós-traumático o matou em um polígono de tiro no Texas. Chorando, a viúva de Chris, que segura fotos do falecido marido, exalta o papel da NRA, do exército norte-americano, das armas em sua vida e na do marido.

De volta à área da exposição, uma senhora testa uma pistola. Christine se diz indecisa. A Ruger LC380 automática, uma indicação da amiga, Brenda, é difícil de ser carregada. As mãos ossudas da já avó não permitem deslizar o slide. Christine afirma que se sente insegura em sua casa em Woodlands, no norte de Houston. O vendedor a aconselha a usar uma point and shoot, de tambor. Mais rápida, fácil de empunhar e de usar, ressalta. Ele conta que deu uma de presente à esposa porque ela tem mãos fortes. Christine é convencida a levar o produto. “Não vivemos em uma zona perigosa, pelo contrário. É muito tranquila”, responde Brenda. “Por isso é melhor estarmos protegidas”, continua. Chega ao fim o primeiro dia de convenção em Houston, que já dorme armada até os dentes. Assim como o resto dos EUA.

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No canal público da Dinamarca, o programa de televisão mais sexista e asqueroso da história

maio 11th, 2013 by mariafro
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Chocada com a delcaração da diretora Sofia Fromberg: “agora as mulheres podem entender o que os homens pensam sobre o corpo delas”. E o que me interessa o que qualquer homem pensa sobre o meu corpo? Como se o gosto masculino fosse único – é uma redução também do homem a um consumidor sem noção.

Outra coisa que gostaria de saber, porque o programa não passa num canal privado, onde o vale tudo por audiência dá margem para qualquer tipo de absurdo. É uma emissora pública!! Eles não tem um conselho para determinar o conteúdo, como em todo canal público que se preze? Qual é o seu estatuto? Como pode essa editora machista defender essa humilhação impunemente?

Rafinha Bastos e Danilo Gentili devem estar se martirizando agora. Tipo: “como é que a gente não pensou nisso antes”. A moda reacionária não é exclusividade da tevê brasileira.

TV pública da Dinamarca exibe show com mulheres nuas para homens “analisarem” seus corpos

No horário nobre da emissora, até mesmo idosas são avaliadas; programa é considerado o mais machista da história

Por Dodô Calixto, em Opera Mundi

A mulher entra em uma sala escura. Sentados, dois homens esperam até que ela tire a roupa. Entre sorrisos e gargalhadas, os dois começam a analisar o corpo da mulher. Dos pés a cabeça, durante alguns minutos, os homens destacam os pontos “negativos e positivos”. “Isso agrada os homens”, dizem, concluindo se a mulher é (ou não) “bela”.

Esse é roteiro do polêmico programa Blachman, exibido semanalmente no horário nobre da TV pública da Dinamarca (Dr TV). Diversos meios de comunicação da Europa e os próprios dinamarqueses tratam o programa como o mais machista da história.

A acusação de observadores de Diretos Humanos é na forma como as mulheres são tratadas – como objetos. As protagonistas ficam em silêncio em todo o programa e não podem responder às “análises”. As convidadas escutam comentários como “esse é o tipo de peito que o homem quer”.

Reprodução twitter @blachman

Mulheres permanecem em silêncio durante toda a análise; diretor acredita que formato é “revolucionário”

O apresentador e diretor Thomas Blachman se defende dizendo que o programa tem um caráter revolucionário, pois pretende discutir a estética do corpo feminino sem permitir que a conversa seja “pornográfica ou politicamente incorreta”.

“Agora as mulheres podem entender o que os homens pensam sobre o corpo delas”, afirmou o diretor ao jornal Daily Mail.

Muitos telespectadores reagiram com indignação ao programa. Os dinamarqueses acusam o show de humilhar as mulheres que participam da “análise”. Existem movimentos nas redes sociais que pedem a retirada imediata de Blachman do ar.

Em vídeo divulgados pelo portal LaSexta, mulheres de diferente idades aparecem nuas sendo analisadas por Thomas Blachman e um amigo – sempre um convidado novo ajuda o apresentador. A cena que mais impressiona é uma mulher idosa também ouvindo as críticas.

A diretora da emissora, Sofia Fromberg, defende o projeto dizendo que é do interesse feminino conhecer qual é o desejo masculino: “Para ser bem sincera, qual é o problema disso?”, indaga.

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O que andamos fazendo com ‘o tecido de nossas vidas’?

maio 10th, 2013 by mariafro
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Ontem, numa oficina sobre redes sociais mencionei as grandes mudanças do homem conectado 24 horas por dia, refletindo sobre essa relação quase escravista que a internet  proporciona alongando o tempo do trabalho, misturando nossa vida pessoal com a profissional. Não havia lido este texto, vale a reflexão.

É urgente recuperar o sentido de urgência

Por: Eliane Brum, em Época

29/04/2013

Nós, que podemos ser acessados por celular ou internet 24 horas, sete dias por semana, estamos vivendo no tempo de quem?

Dias atrás, Gabriel Prehn Britto, do blog Gabriel quer viajar, tuitou a seguinte frase: “Precisamos redefinir, com urgência, o significado de URGENTE”. (Caixa alta, na internet, é grito.) “Parece que as pessoas perderam a noção do sentido da palavra”, comentou, quando perguntei por que tinha postado esse protesto/desabafo no Twitter. “Urgente não é mais urgente. Não tem mais significado nenhum.” Ele se referia tanto ao urgente usado para anunciar notícias nada urgentes nos sites e nas redes sociais, quanto ao urgente que invade nosso cotidiano, na forma de demanda tanto da vida pessoal quanto da profissional. Depois disso, Gabriel passou a postar uns “tuítes” provocativos, do tipo: “Urgente! Acordei” ou “Urgente: hoje é sexta-feira”.

A provocação é muito precisa. Se há algo que se perdeu nessa época em que a tecnologia tornou possível a todos alcançarem todos, a qualquer tempo, é o conceito de urgência. Vivemos ao mesmo tempo o privilégio e a maldição de experimentarmos uma transformação radical e muito, muito rápida em nosso ser/estar no mundo, com grande impacto na nossa relação com todos os outros. Como tudo o que é novo, é previsível que nos atrapalhemos. E nos lambuzemos um pouco, ou até bastante. Nessa nova configuração, parece necessário resgatarmos alguns conceitos, para que o nosso tempo não seja devorado por banalidades como se fosse matéria ordinária. E talvez o mais urgente desses conceitos seja mesmo o da urgência.

Estamos vivendo como se tudo fosse urgente. Urgente o suficiente para acessar alguém. E para exigir desse alguém uma resposta imediata.

Como se o tempo do “outro” fosse, por direito, também o “meu” tempo. E até como se o corpo do outro fosse o meu corpo, já que posso invadi-lo, simbolicamente, a qualquer momento. Como se os limites entre os corpos tivessem ficado tão fluidos e indefinidos quanto a comunicação ampliada e potencializada pela tecnologia. Esse se apossar do tempo/corpo do outro pode ser compreendido como uma violência. Mas até certo ponto consensual, na medida em que este que é alcançado se abre/oferece para ser invadido. Torna-se, ao se colocar no modo “online”, um corpo/tempo à disposição. Mas exige o mesmo do outro – e retribui a possessão. Olho por olho, dente por dente. Tempo por tempo.

Como muitos, tenho tentado descobrir qual é a minha medida e quais são os meus limites nessa nova configuração. E passo a contar aqui um pouco desse percurso no cotidiano, assim como do trilhado por outras pessoas, para que o questionamento fique mais claro. Descobri logo que, para mim, o celular é insuportável. Não é possível ser alcançada por qualquer um, a qualquer hora, em qualquer lugar. Estou lendo um livro e, de repente, o mundo me invade, em geral com irrelevâncias, quando não com telemarketing. Estou escrevendo e alguém liga para me perguntar algo que poderia ter descoberto sozinho no Google, mas achou mais fácil me ligar, já que bastava apertar uma tecla do próprio celular. Trabalhei como uma camela e, no meu momento de folga, alguém resolve me acessar para falar de trabalho, obedecendo às suas próprias necessidades, sem dar a mínima para as minhas. Não, mas não mesmo. Não há chance de eu estar acessível – e disponível – 24 horas por sete dias, semana após semana.

Me bani do mundo dos celulares, fechei essa janela no meu corpo. Mantenho meu aparelho, mas ele fica desligado, com uma gravação de “não uso celular, por favor, mande um e-mail”. Carrego-o comigo quando saio e quase sempre que viajo. Se precisar chamar um táxi em algum momento ou tiver uma urgência real, ligo o celular e faço uma chamada. Foi o jeito que encontrei de usar a tecnologia sem ser usada por ela.

Minha decisão não foi bem recebida pelas pessoas do mundo do trabalho, em geral, nem mesmo pela maior parte dos amigos e da família. Descobri que, ao não me colocar 24 horas disponível, as pessoas se sentiam pessoalmente rejeitadas. Mas não apenas isso: elas sentiam-se lesadas no seu suposto direito a tomar o meu tempo na hora que bem entendessem, com ou sem necessidade, como se não devesse existir nenhum limite ao seu desejo. Algumas declararam-se ofendidas. Como assim eu não posso falar com você na hora que eu quiser? Como assim o seu tempo não é um pouco meu? E se eu precisar falar com você com urgência? Se for urgência real – e quase nunca é – há outras formas de me alcançar.

Percebi também que, em geral, as pessoas sentem não só uma obrigação de estar disponíveis, mas também um gozo. Talvez mais gozo do que obrigação. É o que explica a cena corriqueira de ver as pessoas atendendo o celular nos lugares mais absurdos (inclusive no banheiro…). Nem vou falar de cinema, que aí deveria ser caso de polícia. Mas em aulas de todos os tipos, em restaurantes e bares, em encontros íntimos ou mesmo profissionais. É o gozo de se considerar imprescindível. Como se o mundo e todos os outros não conseguissem viver sem sua onipresença. Se não atenderem o celular, se não forem encontradas de imediato, se não derem uma resposta imediata, catástrofes poderão acontecer.

O celular ligado funciona como uma autoafirmação de importância. Tipo: o mundo (a empresa/a família/ o namorado/ o filho/ a esposa/ a empregada/ o patrão/os funcionários etc) não sobrevive sem mim. A pessoa se estressa, reclama do assédio, mas não desliga o celular por nada. Desligar o celular e descobrir que o planeta continua girando pode ser um risco maior. Nesse sentido, e sem nenhuma ironia, é comovente.

Por outro lado, é um tanto egoísta, já que a pessoa não se coloca por inteiro onde está, numa aula ou no trabalho ou mesmo em casa – nem se dedica por inteiro àquele com quem escolheu estar, num encontro íntimo ou profissional. Está lá – mas apenas parcialmente. Não há como não ter efeito sobre o momento – e sobre o resultado. A pessoa está parcialmente com alguém ou naquela atividade específica, mas também está parcialmente consigo mesma. Ao manter o celular ligado, você pertence ao mundo, a todo mundo e a qualquer um – mas talvez não a si mesmo.

Me parece descortês alguém estar comigo num restaurante, por exemplo, e interromper a conversa e a comida para atender o celular. Assim como me parece abusivo ser obrigada a aturar os celulares das pessoas ao redor tocando em todas as modalidades e volumes, invadindo o espaço de todos os outros sem nenhuma consideração. Ou ainda estar em um lugar público e ter de ouvir a narração de uma vida privada, uma que não conheço nem quero conhecer. Será que isso é realmente necessário? Será que uma pessoa não pode se ausentar, ficar incomunicável, por algumas horas? Será que temos o direito de invadir o corpo/tempo dos outros direta ou indiretamente? Será que há tantas urgências assim? Como é que trabalhávamos e amávamos antes, então?

Bem, eu não sou imprescindível a todo mundo e tenho certeza de que os dias nascem e morrem sem mim. As emergências reais são poucas, ainda bem, e para estas há forma de me encontrar. Logo, posso ficar sem celular. Mas tive de me esforçar para que as pessoas entendessem que não é uma rejeição ou uma modalidade de misantropia, apenas uma escolha. Para mim, é uma maneira de definir as fronteiras simbólicas do meu corpo, de territorializar o que sou eu e o que é o outro, e de estabelecer limites – o que me parece fundamental em qualquer vida.

Tentei manter um telefone fixo, com o número restrito às pessoas fundamentais no campo dos afetos e também no profissional. Mas o telemarketing não permitiu. É impressionante como as empresas de todo o tipo – e agora até os candidatos numa eleição – acham que têm o direito de nos invadir a qualquer hora. Considero uma violência receber uma ligação ou gravação dessas dentro de casa, à minha revelia. E parece que sempre encontram um jeito de burlar nossas tentativas de barrar esse tipo de assédio. Assim, também botei uma gravação no telefone fixo – e ele virou um telefone só para recados, porque foi o único jeito que encontrei de impedir o abuso do mercado.

Minha principal forma de comunicação é hoje o e-mail, porque sou eu que escolho a hora de acessá-lo. E, ao procurar alguém, seja por motivo profissional ou pessoal, tenho certeza de não estar invadindo seu cotidiano em hora imprópria. É assim que combino encontros e entrevistas ao vivo, que são os que eu prefiro. Ou marco horário para conversas por Skype com quem está em outra cidade ou país. E quando viajo ou preciso desaparecer do mundo, para ficar só comigo mesma, ou me dedicar a um outro por completo, ou à escrita de um livro, basta deixar uma mensagem automática. Tento me disciplinar para acessar o Twitter, que para mim é hoje uma ferramenta fundamental para dar, receber e principalmente compartilhar informações, em horários específicos. E desligo o computador antes de dormir, como gesto simbólico que diz: fechei a porta.

Uma amiga foi assaltada por uma insônia persistente. Ao despertar, na madrugada, tinha a sensação de que o mundo se movia em ritmo veloz enquanto ela dormia. Parecia que estava perdendo algo importante, que ficaria para trás. E parecia até que estava morta para o mundo, “offline”. Às vezes não resistia e saía da cama para caminhar até o escritório, onde ficava o computador, e entrar no Facebook e no Twitter, dar uma circulada nos sites de notícias, manter-se desperta, presente e alinhada ao mundo que não parava, correndo atrás dele. Depois, passou a deixar o notebook ao lado da cama e já acessava a internet dali mesmo, apesar dos protestos do marido.

Quando a insônia já estava comprometendo seriamente os seus dias, ela procurou um psiquiatra em busca de remédio. O médico perguntou bastante sobre seus hábitos, e ela descobriu que o pesadelo que a deixava insone era aquele computador ligado, com o mundo acontecendo dentro dele num ritmo que ela não podia acompanhar nem mesmo se mantendo acordada por 24 horas. Bastou desligar o computador a cada noite para que passasse a despertar menos vezes e menos sobressaltada nas madrugadas. Aos poucos, voltou a dormir bem. O mundo estava onde devia estar – e ela também, na cama. Estava offline, mas viva.

Conheço pessoas que botam fita adesiva sobre a câmera do computador. Foi o meio encontrado para se protegerem da sensação de que estavam sendo espiadas/monitoradas 24 horas por dia por algum tipo de Big Brother – no sentido do 1984, do George Orwell (não no do reality show da TV Globo). A câmera tinha se tornado uma espécie de olho do mundo, que podia abrir as pálpebras mesmo à revelia, como nas histórias fantásticas e nos filmes de terror.

Conto minhas (des)venturas, assim como as de outros, apenas porque acho que não somos os únicos a ter esse tipo de inquietação. É um momento histórico bem estratégico de redefinição de limites, de territórios e também de conceitos. Que tipo de efeito terá sobre as novas gerações a ideia de que não há limites para alcançar, ocupar e consumir o tempo/corpo dos pais e amigos e mesmo de desconhecidos? Assim como não há limites para ter o próprio tempo/corpo alcançado, ocupado e consumido?

Ainda acho que o gozo de ser imprescindível a quase todos os outros – no sentido de não poder se ausentar ou se calar – e também de ser onipotente – no sentido de alcançar, a qualquer hora, o corpo de todos os outros – é maior do que o incômodo. Mas talvez só aparentemente, na medida em que é possível que não estejamos conseguindo avaliar o estrago que esses corpos/tempos violáveis e violados possam estar causando na nossa subjetividade – e mesmo na nossa capacidade criativa e criadora.
A grande perda é que, ao se considerar tudo urgente, nada mais é urgente. Perde-se o sentido do que é prioritário em todas as dimensões do cotidiano. E viver é, de certo modo, um constante interrogar-se sobre o que é importante para cada um. Ou, dito de outro modo, uma constante interrogação sobre para quem e para o quê damos nosso tempo, já que tempo não é dinheiro, mas algo tremendamente mais valioso. Como disse o professor Antonio Candido, “tempo é o tecido das nossas vidas”.

Essa oferta 24 X 7 do nosso corpo simbólico para todos os outros – e às vezes para qualquer um – pode ter um efeito bem devastador sobre a nossa existência. Um que sequer é escutado, dado o tanto de barulho que há. Falamos e ouvimos muito, mas de fato não sabemos se dizemos algo e se escutamos algo. Ou se é apenas ruído para preencher um vazio que não pode ser preenchido dessa maneira.

Será que não é este o nosso mal-estar?
Viver no tempo do outro – de todos e de qualquer um – é uma tragédia contemporânea.

Eliane Brum, jornalista, escritora e documentarista. Autora de um romance – Uma Duas (LeYa) – e de três livros de reportagem: Coluna Prestes – O avesso da lenda (Artes e Ofícios), A vida que ninguém vê (Arquipélago, Prêmio Jabuti 2007) e O olho da rua – uma repórter em busca da literatura da vida real (Globo).
Contatos: elianebrum@uol.com.br;Twitter: @brumelianebrum

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