Maria Frô

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Alô, alô PT Nacional, o que será feito com Walter Pinheiro?

junho 10th, 2011 by mariafro
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Ontem no facebook postei a notícia que o senador petista Walter Pinheiro, durante a passeata organizada pelo pastor evangélico Silas Malafaia contra a aprovação do Projeto de Lei da Câmara (PLC) 122, que criminaliza a homofobia, desfilou em um carro de som com outros políticos contrários à proposta. De acordo com a reportagem do G1, o evento feito em Brasília, no dia 1/06, também contou com os deputados federais João Campos (PSDB-GO), Ronaldo Fonseca (PR-DF), Jair Bolsonaro (PP-RJ) e Anthony Garotinho (PR-RJ), além do senador Marcelo Crivella (PR-RJ). Todos teriam desfilado em cima de carros de som.


Jair Bolsonaro na Marcha da Família contra o PLC122 (criminalização da homofobia). Será que o senador petistas Walter Pinheiro ao se juntar a Bolsonaro e a Silas Malafaia já se esqueceu de como foi a campanha eleitoral 2010?

Os militantes petistas baianos  não homofóbicos estão bravíssimos, com toda razão, e já emitiram nota de repúdio, eleitores de Pinheiro não necessáriamente petistas, mas que igualmente repudiam a homofobia fizeram o mesmo.

A Democracia Socialista (DS), tendência petista a qual pertence o Senador Pinheiro, já se manifestou contrariamente à atitude de seu senador. Mas e quanto à Direção Nacional do PT que interveio no Maranhão durante as eleições para impedir candidatura própria do PT devido  às alianças com a família Sarney, não fará absolutamente nada em relação a um Senador petista que desfila em carro de som juntamente com Malafaia e Bolsonaro?

PS. Idelber hoje bloga sobre o mesmo assunto: DS, tendência petista, desautoriza Senador que foi à marcha de Malafaia contra o PL 122

Atualização: Dicas do Márcio José nos comentários a este post no Facebook

CAPÍTULO IV
DOS DIREITOS E DEVERES DOS FILIADOS -Art. 12. A todos os filiados ao Partido ficam assegurados idênticos direitos e deveres partidários, estando sujeitos à disciplina partidária, devendo orientar suas atividades de acordo com as normas estatutárias, com os princípios éticos, programáticos e diretrizes fixados pelas instâncias de deliberação do Partido. (…) IV – ser denunciado somente por documento escrito e assinado; V – ser investigado ou processado em Comissão de Ética em sigilo até decisão das instâncias partidárias; VI – ter o mais amplo direito de defesa nos processos de apuração de infração aos deveres partidários, tendo presença assegurada em qualquer instância que esteja analisando sua conduta política; VII – dirigir-se diretamente e por escrito a qualquer instância do Partido para: a) apresentar seu ponto de vista em relação a qualquer assunto; b) denunciar irregularidades; c) solicitar reparação de dano quando sofrer denúncia infundada; d) recorrer das decisões perante as respectivas instâncias superiores de deliberação.

CAPÍTULO IIII
DAS BANCADAS PARLAMENTARES Art. 63. As Bancadas Parlamentares estão subordinadas às deliberações das instâncias partidárias de direção.
§ 1º As Bancadas são consideradas órgãos do Partido que definem a ação parlamentar deacordo com as Resoluções adotadas pela instância de direção correspondente e pelas demais instâncias superiores do Partido.
§ 2º É dever das Bancadas Parlamentares, apoiadas pela assessoria parlamentar dosgabinetes e da liderança, cooperar com o Partido para a elaboração das políticas públicas,dos bancos de dados, dos projetos institucionais e das propostas temáticas.(…) Art. 66. O Partido concebe o mandato como partidário, e osnintegrantes das Bancadas nas Casas Legislativas deverão subordinar sua ação parlamentar aos princípios doutrinários e programáticos, às deliberações e diretrizes estabelecidas pelas instâncias de direção partidária, na forma deste Estatuto. Art. 67. A Comissão Executiva do nível correspondente e a Bancada Parlamentar procurarão sempre praticar o exercício coletivo das decisões e dos mandatos, assegurando a todos os parlamentares o acesso ao processo decisório e obrigando-os ao cumprimento das deliberações adotadas.

§ 1º O “fechamento de questão” decorrerá de decisão conjunta da Bancada Parlamentar com a Comissão Executiva do nível correspondente e deverá ser aprovado por maioria absoluta de votos.
§ 2º Excepcionalmente e somente por decisão conjunta da Bancada e da Comissão Executiva do Diretório correspondente, precedida de debate amplo e público, o parlamentar poderá ser dispensado do cumprimento de decisão coletiva, diante de graves objeções de natureza ética, filosófica ou religiosa, ou de foro íntimo.

4º Congresso sobre Diretrizes do Programa de Governo Direitos humanos e proteção de homens, mulheres e jovens:

47. A despeito dos importantes logros na proteção e ampliação dos Direitos Humanos no Brasil, há um longo caminho a ser percorrido nesta direção. Mantêm-se a violência policial, exercida sobretudo contra pobres, jovens e negros, e as tentativas de criminalizar a pobreza e os movimentos sociais. O sistema prisional, muitas vezes, realimenta a deliquência. Ainda que minoradas, persistem formas de discriminação em relação a mulheres, crianças, negros, índios, pessoas com deficiência e aos LGBTT.
48. Caberá ao novo Governo: (…) g) maior proteção legal e administrativa a segmentos socialmente discriminados e maior severidade na repressão às formas de discriminação; (Resolução sobre Diretrizes do Programa de Governo 2011/2014)

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Pepe Escobar: A contrarrevolução não será televisionada

junho 10th, 2011 by mariafro
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A contrarrevolução do frio dinheiro-vivo
Por: Pepe Escobar, Asia Times Online,  Tradução: Vila Vudu
10/6/2011

A contrarrevolução, parafraseando o falecido grande poeta do jazz soul Gil Scott-Heron, não será televisionada; avançará torrente abaixo, arrastada por dinheiro-vivo, cash, grana dura. Vejam o Egito. A Casa de Saud acaba de dar ao líder do Supremo Conselho Militar marechal-de-campo Tantawi US$4 bilhões em dinheiro-vivo – embora nem a Esfinge saiba informar que poder Tantawi, 75, ex-ministro da Defesa do tirano deposto Mubarak, realmente tem.

Washington estendeu ao Cairo o “perdão” de dívida de $1 bilhão e mais outro $1 bilhão para garantir empréstimos. Não é muito – comparado a tudo que Washington estende corriqueiramente a Israel, mas mesmo assim é um sinal. E depois o Fundo Monetário Internacional estendeu também outros $3 bilhões extras em empréstimos. O ‘novo’ Egito começará a negociar já preso a grilhões implacáveis.

Isso ajuda a entender como a passagem de Rafah – fronteira com Gaza – jamais chegou a ser realmente aberta. Há uma quota máxima de 400 gazenses que podem passar por dia; e no mínimo 5 mil gazenses fichados não passam de modo algum. Portanto, no fundo, permanece praticamente inalterado o quadro de gulag dos tempos de Mubarak.

A evidência de que o ‘novo’ Egito começará a negociar já bem preso a grilhões implacáveis também ajuda a entender por que o candidato potencial à presidente do Egito, o aparece-some/aparece-some Mohamed El-Baradei, está hoje empenhado em campanha midiática para seduzir os sauditas: canta loas ao rei Abdullah e se consome em contorcionismos para fingir que não viu o apoio frenético que os sauditas garantiram a Mubarak até o (e depois do) último momento.

Cash is king[1]

No Iêmen, a Casa de Saud – e quem mais seria? – está subornando tribos iemenitas com dinheiro-vivo, em nome da “estabilidade na região”. Apesar de estar confirmando a reputação de asilo de primeira classe para ditadores árabes em fuga, a Casa de Saud apoia oficialmente a saída do presidente Abdullah Saleh em nome de “menos sangue e menor imprevisibilidade”.

A Casa de Saud insiste – sem ironia – em que hospeda Saleh por “motivos humanitários”. Oficialmente, a Casa de Saud também odeia qualquer “vácuo de poder”. Apesar disso, o tal “vácuo” persiste, agora acrescido de medos de “crescente caos”. Washington, enquanto isso, examina freneticamente o horizonte em busca de algum membro da al-Qaeda na Península Arábica [ing. al-Qaeda in the Arabic Peninsula (AQAP) que possa aproveitar como “alvo” dronável, i.e. fuzilável por drones, os aviões-robôs tripulados à distância.

Se Saleh despachar-se de volta ao Iêmen, será por ordem expressa da Casa de Saud. O que há hoje no Iêmen é situação em que Ali, filho de Saleh, comanda a Guarda Republicana – de dentro do palácio presidencial; e seus quatro primos controlam unidades militares chaves. O atual presidente “em exercício”, o vice-presidente Abdu-Rabo Mansur Hadi, não passa de fantoche.

A Arábia Saudita parece por hora interessada em encobrir com mais vácuo o arranjo de poder que inventou, teoricamente antivácuo. Quanto ao amplo movimento popular de protesto dos iemenitas, só lhe resta a saída de forçar Hadi a ficar, constituir um governo de transição e, usando o poder do povo, tentar derrotar a contrarrevolução comandada pela família de Saleh. Se chegarem a esse ponto, a Casa de Saud interferirá brutalmente – e diretamente.

No Bahrain, a Casa de Saud apoia explicitamente a Organização Nacional de Direitos Humanos; como previsível e previsto, o presidente foi indicado ano passado pelo rei Hamad bin Isa al-Khalifa, o que significa que a organização existe para apoiar a dinastia reinante – embora não tão empenhadamente quanto apoiam os patrões sauditas. Todos os principais ativistas de organizações independentes de direitos humanos estão presos e serão julgados em tribunais militares.

E, como ladrão que se esgueira na calada da noite, quem escapuliu até Washington e foi recebido pelo presidente Barack Obama dos EUA na 3ª-feira passada? Ele mesmo, o príncipe coroado Salman al-Khalifa do Bahrain.

Não houve conferência de imprensa. Nada de fotos. Foi como se a conversa se tivesse autodestruído em cinco segundos – mas houve uma reunião entre um drone-peso-pesado e Prêmio Nobel da Paz, e o rei de uma satrapia militar norte-americana no Golfo Persa que há tempos se dedica empenhadamente a tentar derrubar o próprio povo. Não importa o volume da retórica, nada altera essa conta: Washington apoia irrestritamente qualquer repressão, por violenta que seja, no Golfo Persa – para gáudio e delícia extrema da Casa de Saud.

Ele não é meu irmão. Ele é um fardo[2]

E há também a questão da Fraternidade Muçulmana – crucial no contexto da contrarrevolução cuidadosamente orquestrada por EUA/Arábia Saudita.

A Fraternidade Muçulmana está sendo instrumentalizada pela Casa de Saud de cabo a rabo, da Síria ao Egito. No Egito, a velha-guarda reacionária da Fraternidade está trabalhando em íntimo acordo com o Conselho Militar; prevêem-se “recompensas” por bom comportamento, vindas dos dois lados, de Washington e de Riad.

Visivelmente nada disso se pode traduzir como apoio a El-Baradei – que só é prestigiado por jovens sem partido, liberais, alguns raros esquerdistas e uma coleção de islâmicos progressistas que desertaram da Fraternidade Muçulmana “tradicional”.

Quanto aos ainda mais reacionários salafitas, estão organizando grupos de Facebook, em ofensiva de Relações Públicas, para tentar melhorar um pouco a própria terrível imagem e, na medida do possível, diluírem-se em “outras correntes intelectuais e políticas”.

A mídia saudita, ao mesmo tempo, está ocupada em sua própria campanha de Relações Públicas, exaltando os méritos do reino e denunciando “a corrupção da família reinante e seus acólitos” em repúblicas árabes selecionadas: na Síria e na Líbia. Conforme a plataforma oficial do Clube Contrarrevolucionário do Golfo, também conhecido como Conselho de Cooperação do Golfo [ing. Gulf Cooperation Council (GCC)], todas as monarquias árabes são virtuosas como as virgens do paraíso.

À medida que a contrarrevolução do frio dinheiro-vivo avança, o futuro da grande revolta árabe de 2011 vai-se tornando mais e mais sombrio. Tudo dependerá de o espírito da praça Tahrir conseguir manter sob pressão o Conselho Militar egípcio. E de as forças progressistas, no Egito, no Iêmen e noutros pontos descobrirem meios para contrabalançar o violento impacto, que nunca esmorece, da riqueza do petróleo da Casa de Saud.
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[1] Muito interessante, sobre “dinheiro-vivo é rei”, entrevista com o bilionário Warren Buffet, aqui. A expressão “Cash is king” é título de uma coluna da revista Forbes, como se vê, por exemplo, aqui em 2008 e, significativamente alterado para “Cash the king is dead” [o rei dinheiro-vivo morreu] aqui, de 2011, em tempos de inflação crescente nos EUA [NTs].
[2] No orig., He is heavy, he’s no brother, o avesso do significado de verso famoso (He Ain’t Heavy, He’s My Brother [ele não é um fardo, ele é meu irmão]), título de uma balada de 1966, cuja história está contada aqui. A balada pode ser ouvida na gravação original aqui. Quem quiser ler a letra, encontra a tradução aqui; como trilha sonora de Rambo III, está aqui. E tem sido tocada muito frequentemente nos EUA, em funerais de soldados mortos no Iraque, no Afeganistão, no Paquistão… [NTs].

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Fisk: Palestina: Hamás e Fatah. A história não contada do acordo que sacudiu o Oriente Médio

junho 10th, 2011 by mariafro
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Palestina: Hamás e Fatah

A história não contada do acordo que sacudiu o Oriente Médio

Por: Robert Fisk, The Independent, UK, Tradução: Vila Vudu
7/6/2011

Encontros secretos entre intermediários palestinos, agentes da inteligência do Egito, o ministro turco de Relações Exteriores, o presidente Mahmoud Abbas e Khaled Meshaal, líder do Hamás – uma ida secreta a Damasco, tendo de desviar da cidade de Deraa, em rebelião – levaram à unidade dos palestinos que tanto perturbou os governos de Israel e dos EUA. Em maio, Fatah e Hamás puseram fim a anos de conflitos, com um acordo crucial para alcançar o reconhecimento internacional do estado palestino.

Várias cartas detalhadas, aceitas pelos dois lados, das quais The Independent tem cópias, mostram o quanto foram complexas as negociações. O Hamás também buscou – e obteve – o apoio do presidente sírio Bachar al-Assad, do vice-presidente Farouk al-Sharaa e de seu ministro de Relações Exteriores, Walid Moallem. Entre os resultados, há um acordo feito por Meshaal para pôr fim aos ataques de foguetes do Hamás, de Gaza, contra Israel – porque a resistência passaria a ser direito exclusivo do estado – e um acordo pelo qual o estado palestino reivindica fronteiras baseadas nas fronteiras de Israel em 1967.

“Sem a boa vontade de todos os lados, o auxílio dos egípcios e a aceitação pelos sírios – além do desejo dos palestinos de unir-se, desde o início da Primavera Árabe –, não teríamos conseguido fazer o que fizemos”, disse-me pessoalmente um dos principais intermediários, Munib Masri, 75 anos. Foi Masri quem ajudou a estabelecer um ‘Fórum Palestino’ de independentes, depois de o Hamás ter alcançado extraordinária vitória eleitoral em 2006. “Sempre entendi que as divisões que se criaram seriam uma catástrofe, e passamos quatro anos andando para frente e para trás entre os vários partidos”, disse Masri. “Abu Mazen (Mahmoud Abbas) pediu-me várias vezes que mediasse os contatos. Começamos a nos encontrar na Cisjordânia. Todos participaram. Reunimos muitas capacidades.”

Em três anos, membros do Fórum Palestino viajaram mais de 12 vezes a Damasco, ao Cairo, a Gaza e à Europa e várias iniciativas foram rejeitadas. Masri e seus colegas negociaram diretamente com o primeiro-ministro Hanniyeh do Hamás em Gaza. Adotaram a chamada “iniciativa de troca de prisioneiros” de Marwan Barghouti, alto líder do Fatah, que está preso em Israel; então, com os ventos das revoluções na Tunísia e no Egito, a juventude palestina, dia 15 de março, exigiu que os partidos se unissem e pusessem fim à rivalidade entre Fatah e Hamás. Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro de Israel sempre se recusou a negociar com Abbas porque, dizia ele, os palestinos estavam divididos. Dia 16 de março, em discurso, Abbas disse que estava “pensando em ir a Gaza”. Masri, que estava presente, subiu numa cadeira e aplaudiu.

“Supus que o Hamás responderia positivamente” – Masri recorda. “Mas nos primeiros dois ou três dias depois do discurso de Abbas, a resposta foi negativa. O Hamás queria eleições imediatas e nada de diálogo.” Abbas partiu para Paris e Moscou – para mostrar desagrado, aos olhos de alguns de seus associados. Mas o Fórum não desistiu.

“Redigimos um memorando – dissemos que íamos visitar os egípcios, para nos congratular com a revolução deles. Tivemos duas reuniões com o chefe da inteligência egípcia, Khaled Orabi – o pai de Orabi foi general do exército ao tempo do rei Farouk – e nos encontramos com Mohamed Ibrahim, do departamento de inteligência.” O pai de Ibrahim tornou-se muito conhecido na guerra de 1973, quando capturou o oficial israelense de mais alta patente no Sinai. A delegação também se reuniu com assessores de Ibrahim, Nadr Aser e Yassir Azawi.

Sete membros de cada grupo palestino formaram a delegação que foi ao Cairo. Eis os nomes que, no futuro, estarão nos livros de história da Palestina: pela Cisjordânia, o Dr. Hanna Nasser (reitor da Universidade Bir Zeit e da comissão eleitoral central palestina); Dr. Mamdouh Aker (presidente da sociedade de direitos humanos); Mahdi Abdul-Hadi (presidente de uma associação política em Jerusalém); Hanni Masri (analista político); Iyad Masrouji (comerciante de produtos farmacêuticos); Hazem Quasmeh (dirige uma Organização Não Governamental) e o próprio Munib Masri.

O ‘lado’ de Gaza foi representado por Eyad Sarraj (que não pôde viajar ao Cairo por ter adoecido); Maamoun Abu Shahla (membro da diretoria do Banco Palestino); Faysal Shawa (comerciante e proprietário de terras); Mohsen Abu Ramadan (escritor); Rajah Sourani (militante árabe de direitos humanos, que não viajou ao Cairo); ‘Abu Hassan’ (membro da Jihad Islâmica, indicado por Sarraj); e Sharhabil Al-Zaim (advogado em Gaza).

“Esses homens passaram muito tempo discutindo com o alto escalão do serviço de inteligência do mukhabarat egípcio” – Masri lembra. “Nos encontramos com eles dia 10 de abril, mas enviamos um documento antes de viajar. Por isso o contato tornou-se tão importante. Em Gaza havia dois ‘lados’ diferentes. Falamos sobre a microssituação, sobre os gazenses presos em Gaza, sobre direitos humanos, sobre o bloqueio egípcio, sobre dignidade. Shawa dizia “sentimos como se não tivéssemos dignidade – e sentimos que a culpa é nossa”. Nadr Asr, do departamento de inteligência disse: “Vamos mudar tudo isso.”

“Voltamos às 19h, para nos reunirmos outra vez com Khaled Orabi. Eu disse: “Escute, preciso saber, de você: a nova iniciativa agrada a vocês, um pacote que é situação de ganha-ganha para todos? O caso da Palestina continua ‘quente’ no Cairo? Ele respondeu: “É processo meio longo – mas, sim, gostamos da ideia. Vocês conseguem pressionar os dois lados, o Fatah e o Hamás, e trazê-los para o projeto? Mas, sim, trabalharemos com vocês. Procurem o Fatah e o Hamás – e tratem tudo isso como assunto confidencial.” Nós aceitamos. Fomos falar com Amr Moussa (agora, candidato à presidência do Egito pós-revolução) na Liga Árabe. De início, mostrou-se muito cauteloso – mas no dia seguinte, quando nos reunimos com a equipe dele, todos foram muito positivos. Dissemos: ‘Deem uma chance à ideia’. Dissemos que a Liga Árabe foi criada para a Palestina, que a Liga Árabe tem papel importante em Jerusalém.”

A delegação visitou também Nabil al-Arabi, no ministério de Relações Exteriores do Egito. “Al-Arabi disse: ‘Posso chamar o ministro das Relações Exteriores da Turquia, que está no Egito?’ O ministro veio e discutimos juntos a iniciativa. Ali descobri que o ‘novo’ Egito estava muito confiante no sucesso da nossa iniciativa: eles quiseram [itálicos] discutir na presença da Turquia. Assim, discutimos todos juntos e eu voltei com os outros para Amã, às 21h.”

O grupo foi à Cisjordânia, para relatar o que fora feito – “estávamos felizes, nunca antes nos sentíramos como naquele dia” – e informar a Azzam Ahmed (chefe do grupo do Fatah que trabalhava pela reconciliação) que o grupo se preparava para apoiar a iniciativa de Mahmoud Abbas sobre Gaza. “Tivemos sete grandes reuniões na Palestina para reunir ali todos os grupos e os independentes. Abbas já nos dera um aval presidencial. Conversei com Khaled Meshaal (líder do Hamás, que vive em Damasco) por telefone. Meshaal perguntou: ‘Abu Mazzen (Abbas) concorda com tudo isso?’ Respondi que a questão não era essa. Dia seguinte fui a Damasco com Hanna Nasser, Mahdi Abdul Hadi e Hanni Masri. Por causa dos problemas na Síria, tivemos de contornar Deraa. Tenho boa relação com Meshaal. Ele disse que havia lido o nosso documento – e que achava que valia a pena trabalhar sobre a ideia.”

O fato de que os dois lados quisessem saber o que o outro pensava da iniciativa, antes de decidir, era sinal de que persistia a desconfiança entre o Hamás e Abbas. “Meshaal perguntou-me: ‘O que diz Abu Mazzen (Abbas)?’ Eu ri e respondi: ‘Você sempre pergunta isso. Estou aqui para saber o que vocês [itálicos] querem. Nos encontramos com assessores de Meshaal, Abu Marzouk, Izzat Rishiq e Abu Abdu Rahman. Lemos e revisamos o documento do acordo durante seis horas e meia. A única coisa que não arrancamos de Meshaal foi que o governo fosse constituído por acordo. Dissemos a ele que o governo seria governo de união nacional – sob a condição que teríamos de ser capazes de organizar e realizar eleições, levantar o bloqueio de Gaza e reconstruir Gaza, que tínhamos de obedecer à lei internacional, à Carta da ONU e às resoluções da ONU. Meshaal pediu três ou quatro dias. Aceitou que a resistência só aconteceria ‘na defesa do interesse nacional do país’ – e que teria de ser ‘aqlaqi’ – ética. Os ataques de foguetes contra civis tinham de acabar. Em outras palavras: ele tinha de garantir que não haveria mais foguetes de Gaza, contra Israel.”

Meshaal contou a Masri e acompanhantes que estivera com o presidente Bashar Assad da Síria, com seu vice-presidente Sharaa e com o ministro sírio de Relações Exteriores Moallem. “Disse que queria o apoio deles – mas no fim, prevaleceu a palavra do povo palestino. Estávamos muito felizes – dissemos que ‘surgiu uma pequena brecha’. Meshaal disse: ‘Nós não vamos deixar vocês sem apoio’. Dissemos que levaríamos a palavra dele ao Fatah e aos independentes na Cisjordânia, e aos egípcios. Na Cisjordânia, o Fatah chamava a iniciativa de ‘iniciativa do Hamás’ – mas dissemos que não, a iniciativa é de todos. Dois dias depois, Meshaal disse que falara com a inteligência do Egito e que eles estavam gostando do que tínhamos proposto.”

As conversações foram bem sucedidas. Meshaal concordou com enviar dois de seus principais homens ao Cairo. A equipe de Masri esperava que Abbas fizesse o mesmo. Quatro representantes – dois de cada lado – viajaram ao Egito dia 22 de abril. Um ano antes, quando houve um impasse entre os dois lados palestinos, no Egito, o regime de Moubarak tentara criar obstáculos ainda maiores para impedir qualquer reconciliação. Meshaal chegou a reunir-se, sem qualquer resultado, com Omar Sulieman – factótum da inteligência de Mubarak e o melhor amigo de Israel no mundo árabe – em Mecca. Se alguém ainda duvidasse, ali se comprovou que Sulieman realmente trabalhava para os israelenses. Dessa vez, tudo foi mesmo muito diferente.

No dia que Abbas e Meshaal foram ao Cairo, foram os dois governos completos, exceto os dois primeiros-ministros rivais, Fayad e Hanniyeh. O Hamás declarou que, ao longo dos últimos quatro anos, os israelenses haviam roubado ainda mais terras em Jerusalém e construído mais colônias exclusivas para judeus na Cisjordânia ocupada. Meshaal irritou-se, quando supôs que não o deixariam falar do pódio, como os demais presentes – e falou, no evento. E o Hamás aceitou a fórmula sobre as fronteiras de 1967, consciente de que assim reconhecia a existência de Israel; aceitou também a referência à resistência; e também concordou em ceder mais tempo a Abbas, para mais negociações.

No momento em que o Hamás passasse a integrar o governo de união, estaria reconhecendo o estado de Israel. Mas se não integrasse o governo, ninguém reconheceria coisa alguma e não haveria acordo. “Não é justo dizer ao Hamás ‘faça isso ou aquilo’”, diz Masri. “Claro que a resistência é direito recíproco. Mas se o Hamás não se integrasse ao governo de união nacional, passaria a ser apenas um partido político, sem tribuna para dizer o que querem dizer. Os EUA portanto que se preparem para conhecer o Hamás ativo na formação do governo. Esse governo respeitará as resoluções da ONU e a legislação internacional. Essa ação tem de ser mútua. Os dos lados perceberam que, por pouco, teriam perdido o barco da Primavera Árabe. Não foi trabalho meu – foi resultado da conjunção de muitos esforços. Não fosse pela mediação dos egípcios e pela boa vontade dos dois grupos palestinos, nada teria acontecido.” No dia seguinte à assinatura do acordo, partidários do Hamás e de Abbas concordaram em parar de prender militantes de um lado e de outro.

Hoje afinal se conhece a história da unificação dos palestinos. A reação de Netanyahu, primeiro-ministro de Israel à novidade – depois de ter-se negado a negociar com os palestinos porque estavam divididos – foi decidir que não negociaria com Abbas, se o Hamás fosse integrado ao governo palestino. O presidente Obama virtualmente ignorou a iniciativa da unidade palestina.

Mas falar de “fronteiras de 1967” implica que o Hamás reconhece a existência de Israel; e a decisão negociada sobre a resistência implica o fim dos foguetes de Gaza contra Israel. A disposição para subordinar-se à legislação internacional e às resoluções da ONU implica que a paz pode ser completada e que um estado palestino pode ser criado. Essa, pelo menos, é a opinião dos dois lados palestinos. O mundo esperará para saber se Israel outra vez rejeitará a paz.

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Extrema-Direita dos EUA dá uma de wikileaks e revela: EUA um Estado interventor na AL

junho 10th, 2011 by mariafro
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Militares de forças especiais dos EUA atuaram em 18 países latinoamericanos em 2009

Por: Natalia Vianna Agência Pública

Um documento preparado a pedido de congressistas de extrema direita dos EUA indica que o 7º Grupo de Operações Especiais conduziu operações militares em quase todos os países da América Latina em 2009.

Além de terem participado de uma operação-chave na desastrosa guerra contra as drogas no México, esses soldados altamente treinados também participaram de cursos de treinamento no Brasil, segundo reportagem do site Narconews, parceiro da Pública.

Um documento do Pentágono confirma que os EUA empregaram grupos militares de operações especiais no México, durante a escalada da guerra contra as drogas, que levou à morte de cerca de 40 mil pessoas desde 2006.

Os militares de operações especiais também atuaram na Colômbia, Equador, Peru, e em quase todos os países da América Central, vistos como fundamentais na política antidrogas promovida pelos EUA.

O briefing do Departamento de Defesa foi apresentado em Washignton em meados de maio de 2009 a um grupo de empresários e líderes políticos do noroeste da Flórida.

O documento, marcado “Não classificado/Somente para uso oficial” revela as 18 nações da América Latina onde os soldados do 7º Grupo de Forças Especiais [Airborne Green Berets] foram empregados no ano fiscal de 2009, que terminou em 30 de setembro de 2009. As operações incluíram 21 missões e 165 soldados.

Segundo o documento, membros do grupo foram treinados no Brasil, no Centro de Instrução de Guerra na Selva, próximo a Manaus.

O briefing que detalha foi tornado público por uma associação empresarial da Flórida que inclui empresas militares privadas. O grupo, chamado Economic Development Council for Okaloosa County (EDC), publicou no seu site o documento, apesar dele ser classificado como “apenas para uso oficial”.

O documento de briefing havia sido preparado pelo 7o Grupo de Forças Especiais a pedido de do deputado americano  Jeff Miller, um republicado ultradireitista próximo ao Tea Party cujo distrito eleitoral, na Flórida, vai receber o 7º Grupo (que está sendo relocado do forte Bragg, na Carolina do Norte) Clique aqui para ver o documento em PDF.

No México

O documento também indica que uma unidade do 7o Grupo de Forças Especiais foi empregada no México em 1996 como parte de uma missão “anti-narcóticos”.

As revelações no documento são importantes porque até o momento nem o Pentágono nem o Departamento de Estado confirmavam que soldados de forças especiais americanos haviam atuado em território mexicano.

Isso porque a atuação direta de soldados americanos de operações especiais dentro do México traz um risco político, colocando em risco a vida desses militares caso sejam descobertos por cartéis do tráfico. A revelação também pode estremecer as relações com o presidente mexicano Felipe Calderón, cada vez mais criticado pela desastrosa política de combate ao narcotráfico.

O 7o Grupo de Forças Especiais tem atuado fortemente desde 1980 na América Latina, de acordo com o documento e também comoutras fontes. Ele participou em numerosas missões de “contra-insurgência” na América Central e na invasão do Panamá, no final de 1989.

Também tem sido bastante atuante ao longo dos anos em missões de combate às drogas na Colômbia, Venezuela, Peru, Equador e Bolívia. Entre as operações mais notórias em que o grupo atuou está o resgate em julho de 2008 da política colombiana Ingrid Bittencourt e de três contratistas do Departamento de Defesa dos EUA, que estavam sequestrados pelas FARC.

A partir de uma fonte da CIA, o Narconews já havia denunciado a existência de operações encobertas de tropas especiais americanas dentro do México.

A reportagem explicava que “a unidade americana Força Tarefa 7, desde o começo de 2009, de acordo com o agentes da CIA, ajudou a descobrir um depósito em Cuidad Juárez cheio de munições americanas que estava sob o controle de narcotraficantes; ajudou a providenciar inteligência que levou à invasão pela polícia mexicana de uma oficina ilegal em Juárez que produzia uniformes militares falsos; trabalhou com militares mexicanos para descobrir um cemitério clandestino perto de Las Palomas, México, cidadezinha próxima à fronteira, ao sul da cidade americana de Columbus, no estado de Novo Mexico. Além disso, nos bastidores, a Força Tarefa cooperou com militares mexicanos na busca de um chefe do narcotráfico, Arturo Beltran Leyva – que foi morto por forças especiais da marinha mexicana em dezembro de 2009 durante uma operação em um apartamento de luxo na cidade de Cuernavaca”.

A informação foi dada ao Narconews por um ex-agente da CIA, Tosh Plumlee, antigo piloto contratista que tinha grandes conexões com o mundo subterrâneo, com o intuito de proteger os membros da Task Force 7. Plumlee disse ao Narconews que os traficantes já sabiam que membros da força-tarefa estavam no país e por isso eles haviam se tornado alvos do tráfico. Contar à imprensa poderia protegê-los e forçar as autoridades americanas a buscar o alvo do vazamento da informação.

O organização WikiLeaks publicou recentemente um telegrama do Departamento de Estado dos EUA revelando que a unidade da marinha mexicana que conduziu as operações contra o “capo” Beltran Leyva “recebeu extensivo treinamento dos EUA” — mais uma evidência do envolvimento das forças especiais americanas na guerra às drogas no México.

O mesmo telegrama observa que o assassinato de Beltran Leyva iria, a curto prazo, levar a um aumento da violência relacionada ao narcotráfico “já que as batalhas entre os cartéis vão ser intensificadas pela falta de uma liderança em um dos cartéis mais importantes do país.”

No México, a guerra contra as drogas já levou à morte de mais de 40 mil pessoas desde 2006. Centenas de pessoas chegaram nesta quinta-feira, dia 9 de junho, a Cuidad Juárez, na fronteira com os Estados Unidos, em protesto contra a violência gerada pela guerra.

A marcha, que percorreu 3.000 quilômetros, está sendo liderada pelo poeta Javier Sicilia, que perdeu seu filho junto com seis amigos em uma chacina no final de março deste ano.

A chacina aconteceu na cidade de Cuernavaca, próxima à capital – na mesma região onde o capo Beltran Leyva foi assassinado.

No Brasil

De acordo com o briefing, o Grupo de Forças Especiais participou de três atividades no Brasil em 2009. Primeiro foi a visita do chefe do Estado Maior Conjunto das Forças Armadas dos Estados Unidos, Almirante Mike Mullen, que visitou o país nos dias 2 e 3 de março para conhecer a estrutura de defesa de Amazônia.

Acompanhado pelo ministro da defesa Nelson Jobim, Mullen viajou em um avião da FAB até o Pelotão de Fronteira de Ipiranga, na divisa com a Colômbia.

Mullen também ouviu um relato sobre a atuação do Centro de Instrução de Guerra na Selva, criado em 2 de junho de 1964 – dois meses depois do golpe militar – com a ajuda de Grupos de Forças Especiais americanos. O Centro foi fundado pelo Coronel Jorge Teixeira de Oliveira, que fora treinado na Escola das Américas.

No mesmo ano de 2009, dois soldados de Forças Especiais fizeram o treinamento de selva – os primeiros americanos a serem treinados no Centro em 10 anos. Um deles, o oficial Javier Alejandro, é descrito como “um oficial de Forças Especiais altamente treinado e com muita experiência” que fala português fluentemente e é membro do mesmo 7 Grupo de Forças Especiais, segundo um release do comando militar americano.

“Agora, 40 anos depois, a parceria entre os Estados Unidos e o Brasil completam o ciclo”, afirma o release.

Membros do 7o Grupo de Forças Especiais também participaram da competição Fuerzas Comando 2009, realizado em junho em Goiânia, que reuniu 300 militares altamente treinados de 21 países.

Financiada pelo Comando do Sul do Departamento de Defesa dos EUA, a competição acontece todo ano em um país diferente e visa “promover as relações entre militares, aumentar a interoperabilidade e melhorar a segurança regional”.  A edição brasileira foi a 6ª e contou com 150 militares americanos.

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