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Dois trabalhadores sem terra executados no RN no acampamento do DNOCS

maio 7th, 2014 by mariafro
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É terrível em pleno século XXI não termos avançado na reforma agrária e continuarmos assistindo passivamente a morte de trabalhadores no campo.

Sobre mais esta violência do agronegócio nesta região leia: Etiel Guedes e Quando o agronegócio aperta o gatilho  e o Blog do Cassinho do Morais que fez a denúncia dos assassinatos.

Trabalhadores do MST são assassinados no Rio Grande do Norte

Da Página do MST

7/05/2014

Nesta terça-feira (06/05), após uma mobilização na qual se encontravam 500 trabalhadores acampados da região de Apodi, em luta por conta da jornada de lutas do MST, dois Sem Terra foram executados.

Dois homens em uma moto preta sem placa abordaram os dois militantes atiram. Ainda não se tem noticias dos assassinos, que fugiram imediatamente.

As vítimas são Francisco Laci Gurgel Fernandes, de 34 anos, mais conhecido por Chacal, e Francisco Alcivan Nunes de Paiva, de 46 anos, o Civan. Os companheiros estavam há oito meses no acampamento Edivan Pinto, e durante todo este período ajudaram na organização das famílias na área.

Os crimes aconteceram em uma área de acampamento na qual também está sendo construído o perímetro irrigado do Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (DNOCS), área onde os Sem Terra sofrem ameaças constantes de jagunços armados e seguranças da empresa que faz a obra.

As grandes empresas do agronegócio vem matando de toda forma a população, seja com o uso de agrotóxicos ou destas formas brutais que sempre usam para tentar desmobilizar as lutas.

Este caso apenas reforça os dados alarmantes da violência no campo, assim como o descaso com que o governo brasileiro trata a questão agrária. O assassinato de trabalhadores que lutam pela terra no Brasil é constante. De acordo com a Comissão Pastoral da Terra (CPT), em 2013 34 trabalhadores foram assassinados.

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O espírito sheherazade, que reforça a inutilidade das instituições do Estado, mata!

maio 7th, 2014 by mariafro
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Não havia escrito nada sobre a mulher espancada até a morte, alvo da fúria da turba de uma cidade litorânea paulista, por supostamente matar crianças para magia negra.

Havia tantos elementos nesta história macabra que nos desumaniza que só conseguia ver o corpo de Cláudia arrastado até seus ossos ficarem expostos em um camburão da polícia do Rio de Janeiro. só conseguia lembrar dos discursos medonhos, irresponsáveis e criminosos das Sheherazades da Tv aberta, estimulando linchamentos públicos: “Está com dó, adote um marginal!”

Não sei o que mais será preciso para que homens e mulheres públicos sérios neste país entendam a necessidade de um Marco Regulatório para as concessões públicas de radiodifusão, são as únicas que não obedecem os princípios constitucionais estabelecidos em 1988.

A radiodifusão é única concessão do país sem nenhuma regulação, ao contrário, trata-se do maior monopólio que temos no Brasil e que não apenas desestabiliza as instituições até mesmo num programa esportivo como descreve o professor Wagner Iglecias citado abaixo, mas também estimula a violência sem precedentes como relata o texto do professor Rafael Araujo, reproduzido no final deste post:

Aí você está as 18H parado no trânsito de SP, escutando um tradicional programa de rádio sobre futebol, quando de repente um dos participantes informa que Dilma Rousseff vai visitar a Arena Corinthians nesta semana, e outro participante, na sequência, diz que bem que um guindaste poderia despencar lá no dia. Todos riem.
São comentaristas de futebol, que pouco entendem sobre política. Mas está aí mais um singelo exemplo do que pode resultar desse trabalho diário de criminalização do PT que alguns bate-paus da grande imprensa e da oposição fazem. Criminalização do PT que como consequência acaba sendo a criminalização da Política. Não tardará o dia em que as pessoas serão agredidas nas ruas deste país por conta de suas posições políticas.

Ontem Azenha publica uma coletânea que mostra que esse jornalismo tosco, do horário do sangue, que faz política partidária da direita conservadora e reacionária, sem nenhuma função social, mata!

Hoje leio o post de Rafael Araújo que também traz um pouco de bom senso para este debate e de novo as relações imediatas que fiz ao saber desta história que nos desumaniza – linchar uma pessoa em praça pública até a sua morte –  estão presentes no texto de Rafael, destaco especialmente o papel desta mídia descerebrada em esgarçar a confiança das pessoas nas instituições democráticas e estimular a barbárie:

 O fato da grande mídia associar a ideia de absurdo à inocência da mulher e não ao fato de se ter procurado fazer “justiça com as próprias mãos”, ignorando qualquer princípio de civilidade ou a existência das instituições revela como os meios de comunicação de massa têm prestado um desserviço à humanidade reforçando ideias danosas como a de que o Estado e as instituições são inúteis. Esse caso só é o extremo de outros tantos casos em que os mesmos meios de comunicação desqualificam o Estado sem compreender seu funcionamento e importância, contribuindo a cada dia para um processo de desinteresse político e de superficialização da vida.

Por Rafael Araujo* em seu Facebook

Gostaria de escrever algumas pequenas reflexões referentes ao caso da mulher que foi recentemente espancada por justiceiros no Guarujá e que resultou em sua morte:

1) O fato da população procurar fazer justiça com as próprias mãos é dos absurdos mais assustadores dos últimos tempos e é uma ideia que tem sido alimentada por programas sensacionalistas e por uma onda conservadora que nos têm rondado como um fantasma. O discurso que está por trás é o da ineficiência do Estado, cuja incapacidade de resolução de conflitos seria suficiente para que perdesse o monopólio do uso da violência física.

2) Esse discurso encoberto, a rigor, revela uma incapacidade de pensar, no sentido arendtiano do termo. Aquela população justiceira demonstra sua incapacidade de ponderar um percurso passado, que antecede o momento vivido no presente, e não avalia as conseqüências futuras de sua ação. Essa incapacidade de pensar, da mesma forma, revela um autoritarismo gigantesco que passa pela não opção pelo debate ou pelo julgamento justo e toma uma opinião imediatista e superficial como solução acertada e justa. Todos os ditadores sanguinários do passado tiveram argumentos da mesma ordem para justificar suas ações: ao final das contas se justificavam como um suposto restabelecimento de equilíbrio e concretização de uma espécie de justiça.

3) O gesto ter partido da população assombra ainda mais por ter sido feito com o amparo de uma suposta intencionalidade “do bem”. A população estaria dando o troco a uma “anormal”, a uma “monstruosidade social”, pelo dano causado às famílias que supostamente teriam perdido suas crianças para rituais de magia negra. O ocorrido, então, me parece poder ser perfeitamente associado tanto ao que Hannah Arendt chama de “banalidade do mal”, quanto ao que Todorov chama de “tentação do bem”. Em nome do bem se comete um mal desmedido e sem justificativa.

4) O horror em relação ao ocorrido se amplia ainda mais quando pensamos que as pessoas e a grande mídia se indignaram pelo simples fato de que a mulher era inocente. Com isso ficamos na superfície do assunto. Não interessa se a mulher cometeu ou não um crime. Nada justifica a violência desmedida em busca de uma justiça sem julgamento. O gesto de espancar a mulher revela a barbárie em que vivemos. O fato da grande mídia associar a ideia de absurdo à inocência da mulher e não ao fato de se ter procurado fazer “justiça com as próprias mãos”, ignorando qualquer princípio de civilidade ou a existência das instituições revela como os meios de comunicação de massa têm prestado um desserviço à humanidade reforçando ideias danosas como a de que o Estado e as instituições são inúteis. Esse caso só é o extremo de outros tantos casos em que os mesmos meios de comunicação desqualificam o Estado sem compreender seu funcionamento e importância, contribuindo a cada dia para um processo de desinteresse político e de superficialização da vida.

5) Em um dos vídeos, um homem amarra o braço da mulher a uma corda para depois arrastar o corpo por alguns metros. Pergunto-me se esse gesto não teria sido uma forma de repetição da imagem recente dos policiais que arrastaram o corpo de outra mulher, caso tão absurdo quanto, que caíra do camburão enquanto estava sendo levada como carne de segunda para um hospital. Foi como se o homem, ali naquele momento de selvageria, dissesse ao público que o assistia: “Se a polícia fez, também faço”. Por outro lado, na visão da sociedade do espetáculo, o gesto do homem também dizia: “aquele gesto do camburão estava errado porque aquela mulher era uma mãe de família inocente, vítima de uma bala perdida, algo que pode ocorrer a qualquer um aqui. Então vou corrigir os fatos e aplicar a mesma barbárie, mas a quem de fato merece”.

6) Por fim, resolvi escrever esse post ao invés de responder às perguntas de uma jornalista sobre o caso. Justifico: todo o problema de banalização, de superficialização da vida, de desinteresse pelo Estado e pela política, de produção de totalitarismos e conservadorismos, todo esse problema que temos visto ganhar forma em pleno século XXI, em larga medida, é o resultado de um afastamento do público de uma reflexão mais cuidadosa. Isso tem sido produzido por uma indústria da informação que preza muito mais o lucro que a consciência, que busca explicações ligeiras e simplistas e, com isso, ocupa um tempo precioso de promoção do pensamento. Então, dessa vez não cometo o erro de mastigar os fatos para a mídia, para que não sejam divulgados fora de contexto e de forma banalizadora. Os jornalistas interessados em minha opinião têm aqui meu conselho: analisem os fatos à luz das ideias de Hannah Arendt, leiam seus textos (não apenas o verbete da wiikipedia). Se esse modelo for inútil porque não irá se adequar à estrutura banalizadora do jornal ou da TV, não tem problema. Pelo menos o jornalista terá caminhado um pouco em direção à reflexão. E se dessa leitura ainda não for possível extrair nada, se as relações forem impossíveis de serem feitas, minha sugestão é que procurem outra pauta, em um caso tão delicado como esse, é preferível não noticiar a escrever algo superficial. Talvez assim, com silêncio, estejamos contribuindo para frear a emergência do espírito de patrulha.

*Rafael Araújo: coordenador acadêmico da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo

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A liberdade de imprensa do PSDB: Senador Aloysio Nunes ao ser questionado sobre CPI do trensalão tucano: “Vai pra puta que o pariu”

maio 7th, 2014 by mariafro
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Não é a primeira vez que o Senador Aloysio Nunes agride um jornalista, em 2010, o repórter da Rede Brasil Atual, João Peres foi o seu alvo. Peres narra em um texto publicado pela Rede Brasil Atual o momento da agressão:  Na noite de segunda-feira (25), o ex-chefe da Casa Civil do governo paulista classificou-me como “pelego e filho da puta.” A agressão verbal ocorreu antes do debate realizado pela Rede Record entre os candidatos à Presidência da República. 

À época Nunes continuou as agressões pelo twitter e negou que tenha chamado o repórter de ‘filho da puta’, desta vez, suas agressões foram gravadas pelo blogueiro Rodrigo Pilha, do blog Botando Pilha.

Nos corredores do Senado, Rodrigo pergunta a Aloysio Nunes sobre a importância das CPIs. O senador tucano tem um discurso pronto sobre elas, porque o único alvo de CPIs no Congresso é o PT.

Então, o blogueiro menciona o enterramento pelo PSDB de 79 CPIs em São Paulo e pergunta ao senador sobre sua suposta participação no esquema do trensalão.
Aloysio Nunes se transfigura e passa a agredir o blogueiro, mas quem foi detido pela polícia do Senado a pedido deste senador foi o Rodrigo Pilha que segundo informações de Brasília até a noite de ontem continuava detido.

Na página do blog de Rodrigo Pilha no Facebook - Botando Pilha – encontra-se o vídeo com a gravação das agressões, assista-o:


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Enem leva brasileiros a estudar em universidades europeias

maio 6th, 2014 by mariafro
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Lembram dos ataques ao ENEM? Dos ataques ao exame nacional do Ensino Médio, aquele que a mídia bandida, colaboracionista da ditadura militar e hoje porta voz da direita sem votos dizia que era uma porcaria?

Lembram que massacraram Haddad (ex-ministro da Educação e atual prefeito da cidade de São Paulo), lembram que  o coordenador da campanha de Serra nas redes postou em suas contas uma notícia antiga sobre cancelamento do ENEM que se espalhou pelas redes, causou desinformação gerando pânico entre os candidatos? Como ele era coordenador de uma campanha é de se esperar que seja minimamente letrado e que sabe diferenciar uma notícia atual de uma antiga e que, portanto, sua ação não foi gratuita?

Enfim, o ENEM não serve apenas para levar milhares de jovens brasileiros às universidades federais de todo o país e algumas estaduais, ele agora é aceito também por universidades europeias. A tradicional universidade de Coimbra aceitará os resultados do Enem de 2011, 2012 e 2013 e dispensará os brasileiros dos exames portugueses.

De acordo com o vice-reitor da universidade de Coimbra: 

“Temos acompanhado a evolução e o sucesso do Enem. Prova disso é o número de universidades brasileiras que aceitam o exame como forma de ingresso. São instituições que respeitamos muito”, diz Carvalho. Ele acrescenta: “O Enem tem qualificações equivalentes [às exigidas pelos os exames portugueses]. Consideramos que podemos aceitar sem necessitar passar por prova”.

Após Coimbra, também a Universidade da Beira aceitará o ENEM para seleção de candidatos brasileiros que desejam concorrer uma vaga naquela universidade.

Da próxima vez que você ler “notícias” na mídia velha brasileira sobre o ENEM, ver a oposição sem votos inventar mais uma CPI, no que você acreditará? Na realidade ou no monopólio midiático tentando destruir toda política pública que transforma a vida de milhões de brasileiros e possibilita até mesmo aos mais endinheirados ir fazer graduação numas das universidades mais tradicionais da Europa, criada no século XIII?

Mariana Tokarnia, Repórter da Agência Brasil, Edição: Carolina Pimentel

24/04/2014 19h12

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Estudantes brasileiros poderão ingressar na Universidade de Coimbra, em Portugal, com a nota do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). O exame passa a ser aceito este ano para os candidatos a vagas de graduação. É a primeira vez que uma instituição estrangeira utiliza o Enem como critério de seleção.

A Universidade de Coimbra aceitará os resultados do Enem de 2011, 2012 e 2013 e dispensará os brasileiros dos exames portugueses, que, até o mês passado, eram obrigatórios pela legislação do país. As notas no exame terão pesos diferentes de acordo com o curso ao qual o estudante pretende ingressar. No site da instituição, está uma tabela com os pesos das pontuações.

A Universidade de Coimbra é a instituição portuguesa de ensino superior mais antiga. No ano passado, foi incluída na lista do Patrimônio Mundial da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). Cerca de 23 mil estudantes estão matriculados na instituição. Desses, mais de 2 mil são brasileiros.

O vice-reitor da universidade, Joaquim Ramos de Carvalho, explica que o Enem é o primeiro exame internacional a ser aceito pela instituição como critério de seleção. A universidade deu prioridade pela alta procura de brasileiros. Segundo ele, a instituição estuda aceitar também o Gao Kao, uma espécie de Enem chinês.

“Temos acompanhado a evolução e o sucesso do Enem. Prova disso é o número de universidades brasileiras que aceitam o exame como forma de ingresso. São instituições que respeitamos muito”, diz Carvalho. Ele acrescenta: “O Enem tem qualificações equivalentes [às exigidas pelos os exames portugueses]. Consideramos que podemos aceitar sem necessitar passar por prova”.

Segundo o Ministério da Educação (MEC), o uso do exame pela universidade portuguesa “esta é mais uma prova da consolidação do Enem como critério republicano de acesso ao ensino superior”.

No Brasil, o Enem seleciona estudantes para instituições públicas de ensino superior pelo Sistema de Seleção Unificada (Sisu), para bolsas em instituições particulares, pelo Programa Universidade para Todos (Prouni). Além disso, é pré-requisito para obter um financiamento pelo Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) e para o intercâmbio acadêmico pelo Ciência sem Fronteiras.

Em 2013, mais de 5 milhões de candidatos fizeram o exame. Neste ano, o Enem poderá ser aplicado nos dias 8 e 9 de novembro. O edital ainda não foi divulgado.

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