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Sobre cegueira, estrelismo, má-fé e outros bichos ou uma carteirada acadêmica para quem só entende esta linguagem

maio 6th, 2013 by mariafro
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É ridículo para mim ter de escrever este post, algo muito, mas muito inusitado mesmo, porque no Maria Frô dou crédito até para quem sugere a matéria, imagina negar crédito a quem escreve texto aqui publicado.

Mas eis que o senhor Idelber Avelar @iavelar afirma no twitter que fiz isso neste post aqui: http://mariafro.com/2013/05/05/o-casal-ministerial-que-nos-enche-de-vergonha-alheia

Ora, quem copia e não dá créditos é um plagiador. Portanto é esta a acusação que Idelber Avelar me faz indiretamente. E ele sabe que não sou plagiadora, portanto, ele faz isso de má-fé. E, portanto, preciso esclarecer aos leitores para que  a verdade sobre suas acusações seja recolocada.

O texto me foi sugerido por Wander Mourão quem se der ao trabalho de clicar no nome do Wander no post original (http://mariafro.com/2013/05/05/o-casal-ministerial-que-nos-enche-de-vergonha-alheia) e neste próprio post verá que ele está linkado e que este link vai direto para o espaço virtual onde Wander fez a sugestão do texto que está entre aspas, em itálico e em modo de citação nos parâmetros adotados no Maria Frô e verá que este é um texto de autoria de Idelber Avelar.

Não sei o que ocorreu, mas no recorta e cola não veio a assinatura do Idelber e eu não percebi isso, mas se informo quem foi que sugeriu o texto, se mantenho o texto entre aspas e com outra cor (texto do blog sempre é escrito em vermelho) se ponho o texto em itálico que no padrão do blog Maria Frô é sempre citação (olhem outros posts e verão que esta é a formatação adotada há muito por aqui, faço isso até mesmo pra criar esta separação o que são comentários ou textos do blog – produzidos por mim ou pelo editor Victor Farinelli-  e o que são textos citados), obviamente que não me daria ao trabalho de sonegar propositadamente a autoria de  quem quer que seja, vejam que eu linkei até a matéria comentada por Idelber.

Qualquer pessoa que não quisesse aparecer, que não estivesse só disposta a dar carteirada acadêmica e a destilar sua raiva à blogosfera progressista (como ele já fez com outros blogueiros mais famosos) me avisaria que no recorta e cola o seu nome ficou de fora (embora como qualquer um pode ver na imagem abaixo o link citado mostra que o texto é do Idelber.

Aliás, pra fazer a crítica a este casal ministerial tão sofrível, nem precisaria do texto do Idelber, o fiz porque queria mostrar as bobagens que Gleisi diz na entrevista de O Globo e elas vieram junto com o texto do Idelber por sugestão do Wander e eu concordo com as críticas que o Idelber fez à ministra da Casa Civil.

Estou há bastante tempo na blogosfera (e fora dela) para que os leitores saibam que se tem uma coisa que não sou é plagiadora.

Não preciso falar aqui dos prêmios que tenho, dos livros que já escrevi e das vezes que minhas coleções se tornaram objeto de pesquisa acadêmica pela qualidade e inovação de seus projetos pedagógicos e indicados como obras de referência em Guias do MEC. Mas se esta é a linguagem que Idelber Avelar entende, vamos lá: 

Sou a única autora de livros didáticos que teve avaliação “ÓTIMA” (GUIA PNLD2008) em todos os critérios estabelecidos pelo MEC no Guia PNLD desde quando o MEC avalia coleções didáticas.

Tenho dois prêmios Jabuti e até 2008 (não chequei os premiados nos anos posteriores) eu era a única autora do segmento didático/paradidático a acumulá-los na área de História.

Não preciso plagiar nada de ninguém, mas se não tivesse nada que abonasse meu trabalho fora da blogosfera, tenho duas décadas de internet, antes da invenção dos blogs, tenho colegas de escrita que acompanho e me acompanham há mais de 16 anos na rede como Alexandre Inagaki ou Nálu Nogueira com os quais até hoje mantenho trocas frequentes. Eles são testemunhas do tempo que ando pela rede produzindo conteúdo sem precisar plagiar ninguém.

Não tenho nada contra Idelber, gostava bastante dos seus escritos da época do Biscoito Fino, gosto muito do trabalho de sua companheira, Ana Maria Gonçalves. Mas não o citarei mais por aqui.  Idelber poderia ter tido a decência de me avisar que seu nome não estava no seu texto antes de me acusar de roubo (como agora vi que fez o próprio Wander na caixa de comentários e só não corrigi porque passei toda a manhã resolvendo problemas com acesso bancário).

Não tenho a menor paciência pra esta fofocaiada de rede e branquim que fica medindo espaço. Dou por encerrada esta pendenga e vou linkar este post ao post que fez Idelber agir de má-fé acusando o meu blog de plagiar seu texto sem ao menos ter a decência de me citar  no twitter para que eu pudesse responder ou até me desculpar e dizer: Idelber, não havia visto que seu nome não saiu no recorta e cola, problema corrigido

Atualização: APESAR DE NO POST ORIGINAL o comentário do Idelber sugerido pelo Wander estar entre aspas, em itálico no modo de citação deste blog e TER UM LINK para o post do Facebook onde era possível saber que o texto era do Idelber,  vi que  o Sr. Idelber Avelar me acusou de ‘roubo’ (ver imagem acima). Caraca! sério mesmo que o Idelber acha que seus textos são esta cocada toda e que na era da Internet alguém se daria ao trabalho de ~plagiar~ um texto de um autor da mesma rede  e não ser descoberto???

Zeus! As pessoas andam perdendo mesmo o senso do ridículo. O título do post que originou toda esta pendenga nunca foi tão apropriado #vergonhaalheia.

ATUALIZAÇÃO 2: 08/05/2013: Há leitores que insistem em trazer más notícias e por um deles soube que há um blogueiro da Esgotosfera - sem leitores e sem amores - aproveitando-se desta pendenga com Idelber pra destilar o seu veneno detrator. O gordo bobo, reaça babaca reduz a história a datas e nosso rico idioma à norma culta. Como um bom exemplar de rêmora sua produção se reduz à criação de polêmicas vazias, é um rola-bosta que tem verdadeira fixação por mim, pelo que escrevo, pela minha vida profissional. Ele já tentou outras vezes pegar carona na minha produção para dar algum significado à sua vida medíocre: Palavras da Maria Frô, aos novos e antigos leitores e também aos detratores.  Portanto, nem se dêem ao trabalho de me informar que este sujeito mais uma vez está vomitando suas asneiras a meu respeito. Não vou ler as bobagens que este idiota escreve em português casto (ao menos ele acredita nisso),  tenho mais o que fazer da minha vida: produzir materiais didáticos com qualidade, por exemplo. 

 

 

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Pedro Alexandre: quem está perdendo (inclusive o bonde da história) não é o público, mas sim a velha mídia e seu meninão mimadão de estimação

maio 5th, 2013 by mariafro
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Lobão babão e cada vez mais gagá, com inveja de Marco Feliciano, resolveu defecar pela boca

Lobão tem razão?

Por  | Ultrapop

3/05/2013

Mano Brown foi ríspido com Lobão. “Ele pregava a ética e rebeldia, age como uma puta para vender livro”, afirmou o rapper em sua conta de Twitter, comentando uma das inúmeras afirmações grosseiras do roqueiro na Folha de São Paulo de ontem, de que “os Racionais MC’s são o braço armado do governo”.

Duas visões simetricamente opostas de mundo estão guardadas no fundo dessas manifestações. Os Racionais ergueram uma história robusta a partir da periferia paulistana, em contato íntimo e direto com a população sensível à sua arte, sem suporte de gravadora multinacional e recusando conscientemente qualquer contato institucional com veículos de comunicação como Globo, Folha,Veja etc.

Lobão tem sido, ao longo de várias décadas, o rebelde midiático por excelência. Periodicamente, abre o berreiro sobre todo e qualquer assunto (menos, em geral, sua própria música e literatura). O passo seguinte, em processo circular de autovitimização, é choramingar que ninguém deu ouvidos aos mais recentes rocks, MPBs, sambas ou ensaios literários que produziu.

Já estive na “grande” mídia (dez anos fazendo jornalismo musical na Folha) e vivo fora dela há quase dez anos. Nunca entrevistei Mano Brown, mesmo sendo grande admirador dele e apesar de ter tentado inúmeras vezes. Por outro lado, perdi a conta do número de entrevistas que fiz com Lobão, por quem tenho afeição e em quem vejo um homem dócil e cordial, atrás da boca sempre arreganhada para morder nas oportunidades midiáticas.

Brown foi na ferida ao situar Lobão como uma “puta” que passa o chapéu para “vender livro”. É o que muita gente já percebeu após anos e anos e anos de desgaste: Lobão segue sempre o mesmo script, quando chega a hora de mercadejar o trabalho da hora. Vai para a Folha e rasga o verbo, devidamente intermediado por um jornalismo tão passivo-agressivo quanto seu querido personagem. Ambas as partes saem felizes e sorridentes do encontro supostamente tenso: Lobão vende mais livros (ou discos), e a Folha ganha mais 15 minutos de repercussão após dolorosos meses, talvez anos, sem conseguir impactar positivamente seu rebanho de leitores (aqueles que ainda consegue conservar à custa de toneladas de conservadorismo editorial).

Lobão não tem, nem de longe, o poder que Brown possui de encantar multidões olho-no-olho. Repetidas vezes, precisa da mídia – do intermediário – para simular uma efêmera lua-de-mel com sua corte de fãs. Esses, a exemplo do próprio ídolo, costumam ser bem mais dóceis quando, por acidente, se encontram cara-a-cara com “inimigos” de carne e osso.

Lembro-me de mim mesmo, nos anos 1990, saindo em êxtase de uma entrevista com o autor de “Decadence avec Élegance” (1985), com apenas um pensamento na cabeça: “Essa matéria vai ficar sensacional!”. O tempo passou para mim e leio Lobão em 2013 enquanto imagino a empolgação do rapaz atual da Folha com a quantidade chocante de tacanhez pseudopolítica cuspida por Lobão no ato de lançamento de um livro waltdisneymente denominado Manifesto do Nada na Terra do Nunca(ainda não tive oportunidade de ler, ao contrário de colegas da Folha e da Globo).

Fico triste de pensar que Lobão me adorava quando eu trabalhava na Folha e passou a me detestar (ou fingir que detesta) quando passeio semianônimo pelo Twitter. Mas sei que é menos por meus defeitos (ou qualidades) que pelo fato de eu, jornalista, não ter mais o efeito midiático que eu podia proporcionar a ele quando divulgava sua verborreia e suas batalhas quixotescas contra a indústria musical. Macambúzio, observo que anos atrás Lobão militava pela numeração de CDs, mas hoje, depois que se tornou apresentador de TV na MTV e na Bandeirantes, não proferiu mais xingos públicos contra, por exemplo, o Ecad, o órgão ditatorial que “administra” os direitos autorais no Brasil, em grande medida com a missão de enviar remessas de lucro para o Primeiro Mundo. Folha, MTV e Band são a mídia, a antiga “grande” mídia. Eu, ex-chapa do Lobão, sou apenas um rapaz latino-americano que não tem mais “grandes” alto-falantes.

Não vou gastar meu tempo e minha paciência comentando o lixo que o ex-Lobão passou a despejar no bestiário político, obviamente inspirado (ou será que soprado?) por garatujas passivo-agressivos ex-petistas como Reinaldo Azevedo. Há um assunto muito mais importante escondido atrás dessa treta, e esse nos traz de volta ao embate direto (embora mediado por papel e internet) entre o sempre passivo-agressivo Lobão e um Mano Brown infelizmente mais agressivo que o habitual.

Em tempo: me assusto com a ameaça de porrada física por parte do Brown, embora veja Lobão cobiçando perigosamente a violência, quando desdenha do estrago causado pela ditadura civil-militar (apoiada e sustentada, entre muitas outras empresas, pelo jornal que mais aprecia lhe dar palanque) ou quando acusa uma mulher torturada de torturadora. No espelho, Lobão deve saber tudo sobre síndrome de Estocolmo, não sabe?

Mas deixa eu voltar ao que é de fato importante. O autor de “O Rock Errou” (1986) xingou o autor de “Racistas Otários” (1992) de “braço armado do governo”, “braço armado do PT”. Não me veem à cabeça imagens recentes (ou não recentes) de nenhum dos Racionais portando qualquer arma que não fosse sua verve poética e musical. Quando Lobão afirma que um grupo de negros periféricos de São Paulo é “braço armado” de qualquer coisa, está escancaradamente associando “bandidagem” com os notórios “quatro pês”. Pobre, preto, puta e petista são, para esses efeitos (também copiados à risca de mamãe-mídia), inevitáveis “bandidos” prontos a profanar a alma pura da playboyzada do circuito Ipanema-Leblon-Morumbi-etc. Brown teve a presença de espírito de mirar um dos “pês” no espelho e cravar no lobão bobão a pecha de “puta”. E sim, Lobão, você é racista.

Cito, para terminar, a maldição de Caetano Veloso, de que você já deve ter ouvido falar. Era uma brincadeira (algo séria, algo preconceituosa) recorrente, de que tudo em que o vaidosíssimo Caetano tocava virava pó. Midas ao contrário, ele cantava com Ritchie ou com o RPM, por exemplo, e os caras paravam imediatamente de fazer sucesso. Talvez fosse, sei lá, um jeito vampiresco do autor de “O Leãozinho” (1977), de jamais se deixar superar pelos competidores que nunca param de aparecer.

Os tempos são outros, mas eis que um resquício modificado da maldição de Caetano ressuscita afigurado nos rugidos do cão Lobão. Bastou o bocudo (Caetano, não o lobo) afirmar numa música que “Lobão Tem Razão” (2009), e o dito cujo se divorciou imediata e dramaticamente da dita cuja. Angústia da influência perde de lavada.

Pode parecer contraditório (afinal, o discípulo torto não goteja de desprezo pelo boquirroto Caetanão?), mas eis aqui para nós um exercício formoso de lógica. Meninão chorão de mama-mídia, o ex-Lobão parece ter aprendido tudo com ela, em anos recentes, sobre como se divorciar aos chutes e pontapés da opinião pública – por absoluta incapacidade de compreender as transformações por que ela passa, desconfio.

Ao puxar saco em 2013 dos mesmos milicos e fardados que o atiraram na prisão em 1987 (e que detestam tudo que os Racionais representam), o vociferador cospe na cara do público mais à esquerda que sempre o adorou. É rigorosamente a mesma coisa que seu jornal adotivo faz já há alguns anos: meter um pontapé nos fundilhos de quem lhe dá de comer.

Nesse caso bisonho, quem está perdendo (inclusive o bonde da história) não é o público, mas sim a velha mídia e seu meninão mimadão de estimação. Lobão, este sim um paradoxo entristecedor, sobreviveu ao ocaso da era das gravadoras que governavam nossos gostos musicais a ferro e fogo, mas veio cair de bocarra ao chão no crepúsculo da época dos jornais-policiais-vigias que pensam (ainda) controlar as opiniões alheias. O desarranjo intelectual de Lobão é menos dele próprio que importado e papagueado dos barões da mídia que lhe empresta o trombetão, ou melhor, a trombetinha.

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“Lar e Cia” com formulário que perguntava se o futuro patrão era racista ou não será investigada

maio 5th, 2013 by mariafro
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Agência de empregos será investigada

Por 

A agência de empregos “Lar e Cia”, de Socoraba/SP, retirou seu site do ar no último dia 29, após a negativa repercussão na web e redes sociais do seu polêmico formulário de contratação de empregados. Nele havia campo específico para o futuro patrão informar se era racista ou não. [relembre o caso]

formulário permitia que patrões pudessem optar pelo encaminhamento apenas de empregados não negros, o que é ilegal, e configura prática de crime de racismo. Após denúncias, a empresa será investigada.

Em declaração ao site UOL, uma sócia da empresa disse, por telefone, que tudo não passou de um engano: “Nós não nos atentamos a esse item do formulário, passou despercebido. Não tenho nem o que dizer, foi uma infelicidade, um erro. Somos contra o racismo, empregamos todo o tipo de pessoa”. Para o vice-presidente da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) em Sorocaba, um caso como esse ofende os princípios básicos dos direitos humanos. “Além de imoral, isso é ilegal. A empresa pode ser fiscalizada pelo Ministério do Trabalho e até mesmo passar por um processo de investigação do Ministério Público”.

Ainda segundo o UOL, o representante do Ministério Público em Sorocaba, José Alberto de Oliveira Marum, entrou em contato com a empresa para que o conteúdo fosse retirado do ar. Outras providências também estão em estudo.

Segundo a Agência Estado, a Polícia Civil vai investigar possível crime de indução ao racismo praticado pela empresa.

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O casal ministerial que nos enche de vergonha alheia

maio 5th, 2013 by mariafro
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Tinha grande esperança quando Paulo Bernardo assumiu o ministério das comunicações e quando Gleisi foi para Casa Civil. Hoje sinto muita vergonha alheia deste casal, muita. Para mim representam tudo que seja o avesso do partido que ajudei a construir e os governos que ajudei a eleger.

De acordo com a ministra “‘Não podemos nos apegar a polêmicas que não estão embasadas na realidade’ ela podia ao menos se informar sobre a ~eficácia~ das internações compulsórias, quem sabe assim não nos matava de raiva e vergonha alheia.

Por Sugestão de Wander Mourão

“Se há uma coisa que se sabe sobre a chamada “guerra às drogas” inaugurada pelos EUA na administração Nixon, no começo dos anos 70, é que ela FRACASSOU. Mas fracassou rotunda, estrepitosamente, sob qualquer ângulo que você olhe a bagaça. Bilhões de dólares gastos, centenas de milhares de vidas perdidas, milhões de afro-americanos encarcerados por “crimes” não-violentos, milhões de famílias destruídas, não pelas drogas necessariamente, mas pela violência que vai de mãos dadas com o proibicionismo. As drogas, claro, continuam zanzando por aí do mesmo jeito. E o punitivismo continua tentando enxugar gelo enquanto financia as indústrias das armas e do encarceramento – ambas afetando pobres, claro, porque o rico continua cheirando sua cocaína em paz. Mesmo que você não seja a favor da liberação completa, mesmo que você defenda uma solução intermediária, que combine alguma proibição com alguma regulação, negar que a tal “guerra às drogas” fracassou é negar a realidade que lhe está gritando um fato no meio das fuças.

E, no Brasil, o que faz o governo do PT? Demite, com 20 dias, o Secretário Pedro Abramovay, por ter ele ousado defender penas alternativas para pequenos traficantes não-violentos. Essa política desastrada culmina na entrevista de hoje, inacreditável, da Ministra-Chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann (http://glo.bo/YlVvQi), em que ela defende o projeto de lei que estabelece internação compulsória de usuários de drogas (ela usa a palavra “involuntária”, mas é compulsória mesmo; a involuntária já existe) e enfia mais teocracia no interior do Estado, sob a forma de “comunidades terapêuticas” religiosas financiadas com dinheiro público. Gleisi Hoffmann é, não se esqueçam, aquela que convidou Marisa Lobo, a psicóloga que quer “curar gays”, ao Palácio do Planalto, para o lançamento de um programa de “combate ao crack”.

Sim, você viveu para ver uma Ministra de Casa Civil de governo do PT defendendo internação compulsória de usuário de drogas e liberação de dinheiro público para “comunidades terapêuticas” religiosas. A Ministra diz com todas as letras que o aumento da punição “é a posição do governo”. Caro amigo governista, a saída para esta aqui será o silêncio, porque nem todo o fanatismo do mundo consegue encontrar argumentos para defender uma coisa dessas”.

Atualização 06/05/2013 ÀS 12:58:  O TEXTO ENTRE ASPAS É DO SENHOR IDELBER AVELAR. VEJA: Sobre cegueira, estrelismo, má-fé e outros bichos ou uma carteirada acadêmica para quem só entende esta linguagem

Gleisi Hoffmann apoia internação involuntária de dependentes químicos

‘Não podemos nos apegar a polêmicas que não estão embasadas na realidade’, diz ela

Por: VINICIUS SASSINE (EMAIL · FACEBOOK · TWITTER), O Globo

BRASÍLIA — No Palácio do Planalto, o comando das negociações sobre o projeto de lei que prevê internações involuntárias de dependentes de drogas foi assumido pela ministra-chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann. Também é papel da ministra cobrar dos Ministérios da Justiça e da Saúde a liberação de R$ 230 milhões para comunidades terapêuticas, entidades de cunho religioso que ganham força no projeto de lei prestes a ser votado no plenário da Câmara – a previsão é de votação na próxima quarta, 8. Em entrevista ao GLOBO, Gleisi disse que o governo como um todo é favorável à internação involuntária e que a sociedade cobra estrutura para esse tipo de atendimento. “Não podemos nos apegar a polêmicas que não estão embasadas na realidade”, diz a ministra. Ela defendeu as comunidades terapêuticas – inclusive o viés religioso empregado na terapia – e disse ser contrária à descriminalização do uso de drogas. “Pode ser uma solução simplista.” A seguir, os principais trechos da entrevista:

O cerne do projeto de lei a ser votado na Câmara é a internação involuntária. Na mesa de negociações, o governo concordou. A presidente Dilma Rousseff e a senhora são favoráveis?

Já existe previsão legal de modalidades de internação, na Lei Antimanicomial, de 2001. O governo acata a lei e tem de dar condições para que seja cumprida. O relator da matéria (deputado Givaldo Carimbão, do PSB de Alagoas) quis que essas modalidades de internação também ficassem claras no projeto que trata dos usuários de drogas. Como repete a lei, não temos objeção. Na Lei Antimanicomial, qualquer um pode encaminhar a pessoa ao médico e solicitar a internação involuntária. Na proposta do relator, seria a família ou qualquer servidor público. Pedimos que permanecesse clara a possibilidade da família e que qualificássemos o servidor público responsável por encaminhamentos, que fosse um servidor com atuação em saúde ou assistência social, para não possibilitar que servidores da área de segurança pudessem fazer isso e caracterizar uma repressão. Temos muito cuidado com isso. O relator concordou e achamos que esse texto cumpre o seu objetivo. A pessoa pode procurar sozinha um atendimento, ou a família, sempre sob avaliação médica. O médico dá o laudo final.

A internação involuntária desperta bastante crítica, dentro do próprio governo. A Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas (Senad) manifestou em nota técnica preocupação com internações indiscriminadas, mesma crítica de técnicos do Ministério da Saúde.

Essa construção foi resultado da participação de todos os órgãos de governo. Estiveram aqui o secretário nacional de Saúde, o ministro (da Saúde, Alexandre) Padilha, o ministro (da Justiça) José Eduardo (Cardozo), a Senad. Em nenhum momento, na mesa de discussão, esse assunto foi levantado. Todos concordaram com a visão de ser a família, um representante da saúde, da assistência social (a pedir a internação) e inclusive disseram que isso representa um avanço em relação à Lei Antimanicomial. Não podemos nos apegar a polêmicas que não estão embasadas na realidade. Hoje temos dificuldade de fazer um tratamento para um usuário de drogas. O que a sociedade tem reivindicado é exatamente que a gente tenha uma estrutura para poder dispor esse tratamento. Falar de internações indiscriminadas não tem aderência na realidade.

Outro ponto polêmico é a destinação de dinheiro público para as comunidades terapêuticas. São R$ 130 milhões pela Senad e R$ 100 milhões pelo Ministério da Saúde. A senhora acha que os editais devem ser modificados para o dinheiro ser liberado mais rapidamente?

.A Senad trouxe para a mesa de discussões a importância de parcerias com as comunidades. Elas fazem um trabalho que o Estado não consegue fazer, de acolhimento, de atendimento às famílias. O governo entendeu que era importante, eu também pessoalmente considerei importante. Nunca pretendemos, enquanto Estado, enquanto governo, ser donos da verdade sobre esse assunto. Quando iniciamos o projeto, já conhecíamos as polêmicas, os debates, mas apostamos que tínhamos mais convergência do que discórdia. A grande convergência é que estamos diante de um assunto que amedronta a sociedade brasileira, traz desgraça a muitas famílias e pessoas. Tudo é importante nessa luta e por isso consideramos a participação das comunidades terapêuticas. Comunidades que nunca foram vistas por nós como equipamentos de saúde podem ter uma ação por meio de projetos.

Existe uma diferenciação das comunidades mais clínicas e das que fazem apenas acolhimento?

. Exatamente. A partir daí vimos a dificuldade da Saúde em encaminhar uma ação com essas comunidades de acolhimento, que são importantes no processo. Depois do tratamento intensivo de saúde, elas têm o objetivo de fazer a reinserção social e não se confundem com internação ou tratamento. O papel das comunidades é apoiar o usuário a se ver livre das drogas. É uma ajuda. O acolhimento será sempre voluntário. O usuário define sua permanência.

A senhora entende que o viés religioso das entidades não é um problema? Seria um recurso a mais na terapia?

Nem todas as comunidades são religiosas e muitas professam fés diferenciadas. Há comunidades ligadas à Igreja Católica, a igrejas evangélicas, espíritas. Ser religiosa não pode ser visto como um impeditivo. Vivemos num país religioso, a grande maioria da população professa uma fé. OEstado é laico, não pode optar por nenhuma fé, mas isso não significa que ele tenha de desrespeitar a opção das pessoas. Temos de respeitar: se a pessoa foi de forma voluntária a uma comunidade e acha que está fazendo bem a ela, se essa comunidade está seguindo as regras do edital, não cabe ao Estado fazer tutela.

A falta de estrutura dessas comunidades vem impedindo a liberação de dinheiro público.

.Isso é muito novo, nunca houve essa relação com as comunidades. Elas nunca se prepararam para ter uma ação com o Estado brasileiro, muitas ainda não estão estruturadas. Vai ter um tempo, mesmo, e vão perdurar as que têm interesse e que vão se ajustar. Vamos orientar, mas vamos ser muito rigorosos na cobrança. Os problemas com ONGs em vários ministérios levaram a uma série de medidas.

Isso atrapalhou a liberação do dinheiro para as comunidades?

Não atrapalhou. Não faremos nenhum convênio se não for objeto de um edital público de seleção. Deve haver pelo menos três anos de atividades. Os contratos de repasses devem ser com entidades sem fins lucrativos, assinados por um ministro de Estado. Os pagamentos são por ordem bancária, não há nenhum pagamento que não fique registrado. A (Controladoria Geral da União) CGU acompanha de perto. Há ainda outros requisitos: segurança sanitária estabelecida pela Anvisa, comunicação formal de cada acolhimento, articulação com o sistema SUS, impossibilidade de ações de contenção física ou isolamento, acesso à comunicação com a família, vistorias por conselhos municipais. É um processo mais demorado. Quando começarmos a termos os convênios haverá a prestação de um serviço de qualidade às pessoas.

O edital do Ministério da Saúde, ao prever equipes médicas nas comunidades terapêuticas, perdeu o sentido?

Continua valendo, tanto que estão soltando outro edital. Há clínicas particulares que podem atender, que são equipadas e que e não estão na rede. Com os equipamentos de saúde, o regramento é muito mais severo. Essas entidades fazem tratamento de saúde, é diferente.

Na Cúpula das Américas na Colômbia, em 2012, a presidente Dilma se comprometeu com a discussão de cenários da legislação de drogas. A senhora é favorável ou contrária à descriminalização do uso de drogas?

Sou contrária à descriminalização das drogas. Às vezes pode parecer dar resultado, se formos analisar em relação ao tráfico. Já vi muitos argumentos dizendo que enfraqueceria o tráfico. Mas necessariamente não enfraquece o impacto na vida das pessoas. Legalizar uma droga não quer dizer que minora o problema. Pode ser uma solução simplista. Hoje, uma das drogas mais motivadoras de violência no trânsito, em casa, contra as mulheres e crianças é o álcool. Temos de fazer campanhas periódicas falando do problema do álcool no trânsito.

Mas o álcool é uma droga legalizada. O que mais se discute em relação a drogas como a maconha é descriminalizar o uso e continuar a penalizar a venda, o tráfico.

A nossa legislação já prevê a diferenciação. O ministro José Eduardo Cardozo recebeu os autores do projeto e foi bastante firme em dizer a proposição do governo. Não aceitamos elevar a pena. Temos de ter foco no traficante.

A ideia de aumentar apenas a punição dos grandes traficantes, como propõe o Ministério da Justiça, é o que o governo defende?

Essa é a posição do governo.

A senhora é contrária à descriminalização, mas o governo continua a discutir esse cenário no Conselho Nacional sobre Drogas (Conad)?

Isso está no âmbito do Ministério da Justiça.

O acordo para as mudanças no projeto de lei a ser votado na Câmara já está bem amarrado?

Fizemos um esforço muito grande para discutir o projeto e dar uma resposta à sociedade. O Congresso Nacional e o governo têm essa preocupação. Cada um tem as suas convicções e olha o problema de uma maneira. Não é um tema fácil, mas não é porque é polêmico e difícil que vamos deixar de enfrentar, de fazer um programa que atenda o que a população requer hoje de nós. Fizemos um grande esforço de consertação desse projeto. O relator cedeu, o governo também avaliou alguns pontos, colocou na mesa. Pode ser que nem tudo esteja de acordo, mas acredito que os grandes temas vão ser acordados.

A presidente pode vetar algum ponto?

A possibilidade de veto é uma prerrogativa constitucional da presidenta, sempre pode. Mas sobre o projeto é prematuro falar o que vai ser o resultado final da votação. Aquilo que nós acordarmos, com certeza, não será vetado.

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