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A “babaquice” da pauta única da mídia concentrada sobre a fala de Lula no #4blogprog e na Virada Cultural

maio 18th, 2014 by mariafro
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Qualquer pessoa que tem condições de fazer um exercício básico de confrontar o que a mídia diz sobre algo e o que de fato aconteceu aprende uma lição básica sobre comunicação: no Brasil, o monopólio midiático não faz jornalismo, porque briga com os fatos, no Brasil, o monopólio midiático faz, sem cerimônias, política em defesa do capital, dos interesses imperialistas, os quais ela representa e faz parte. No Brasil a mídia faz campanha diuturnamente contra toda e qualquer política pública de inclusão e defesa da soberania do país.

Professor Igor Fuser fez um desafio na mesa de ontem à noite no #4blogprog que discutiu a campanha global capitaneada pelo imperialismo contra a Venezuela, ele pediu aos participantes que fizessem um exercício simples: para que déssemos um único exemplo, onde a mídia reacionária e monopolista do Brasil tenha ido contra os interesses dos Estados Unidos. De fato não há, a mídia brasileira é contra a união latino-americana, prega todos os dias do ano em defesa dos interesses de Washington contra a soberania do Brasil e de qualquer país que busque uma política soberana.

Chamou-me muito a atenção o depoimento de uma educadora de Santana de Parnaíba que nunca tinha lido um blog de esquerda, um blog progressista e foi neste final de semana ao 4blogprog. Ela dizia que até então lia a Folha e se achava bem informada, mas estava escandalizada de como tinha sido enganada por tanto tempo.

Quem vê a chamada criminosa da Folha capitaneada pelos demais órgãos midiáticos da mídia velha monopolista sobre a palestra do ex-presidente Lula durante o 4º Encontro dos Blogueiros e ouve o que o presidente Lula falou por mais de uma hora compreende imediatamente que a grande mídia que foi cobrir o nosso evento não fez jornalismo, fez um malabarismo tosco tirando uma palavra do contexto, de um chiste do presidente numa pergunta sobre a copa,( tema que é preciso ressaltar não foi o foco da fala de Lula) e transformou em capa de todos os seus jornalões e em seus portais.

Lula, durante o 4º Encontro de Blogueiros e ativistas digitais, realizado em São Paulo, 16 a 18 de maio de 2014. Foto: Conceição Oliveira.

Faça você mesmo/a este exercício: veja e ouça na íntegra a fala do presidente e compare com as manchetes.

O presidente Lula toca no assunto da Copa no final de sua fala, por volta de 51 minutos e fala mais como um torcedor, sua fala não é de modo algum uma fala partidária sobre o assunto, é uma fala de quem deseja que a Copa seja um encontro de civilizações. Lula recupera a emoção de quando o Brasil ganhou a disputa para sediar a copa, volta à memória da copa de 1950 e esclarece dados sobre investimentos, mostra que não teve dinheiro público em estádios e fala das obras para o país, sem desqualificar movimento algum. Ao contrário, diz claramente que foi contra a Lei Anti-terrorismo, e ao usar o termo ‘babaquice’ mostra que ele enquanto torcedor vai até de jumento para estádio e que cansou de viajar de São Bernardo a outros estádios em SP para torcer para o seu time, o Corinthians. Lula ressalta que não tem de esconder nada do turista estrangeiro e que o importante é que qualquer um tenha segurança pública garantida para poder participar deste grande encontro dos povos. Lula vê a Copa como uma grande chance de nós brasileiros nos mostrarmos para o mundo, com nossa diversidade e riqueza cultural. Ao pinçar um termo fora do contexto como a grande mídia monopolizada fez com a fala pontual sobre o assunto “Copa”, tirando uma piada de Lula do contexto e transformando-a no centro de sua fala, manipulando todo o significado de sua ideia original é desonestidade intelectual, é crime.

Uma simples pesquisa no google nos mostra como a pauta da mídia monopolizada é única, os jornalões e portais dessa mídia não se acanham nem em repetir a mesma manchete:

Outro exercício: A cobertura partidarizada da mídia monopolizada sobre Virada Cultural para atacar o PT

Neste final de semana mais de um milhão de pessoas ocuparam as ruas de São Paulo na Virada Cultural. Compare a cobertura da mídia monopolista sobre a Virada Cultural nas gestões Serra e Kassab com os dois anos da Virada Cultural da gestão Haddad. Impressiona o partidarismo da mídia monopolista para atacar o evento nestes dois últimos anos. Imagine um milhão de pessoas nas ruas e a Folha indo nos registros policiais buscar incidentes isolados para atacar a gestão do Haddad.

Imagine a Folha pegando um fala de um cantor que em nenhum momento menciona a prefeitura de São Paulo e transformando-a em ataque ao prefeito Fernando Haddad, o único prefeito que iniciou uma política pública de cuidar como saúde pública a questão do crack.

Observe:

“Estamos em uma região da cidade em que está se alastrando uma doença, o vício do crack. Que o poder público trate os usuários com amor, como doentes que são. Porque eles precisam de auxílio médico, e não que os limpem da cidade como se fossem sujeira”. Nasi Valadão, vocalista do Ira!, durante o show da banda na Virada Cultural neste sábado.

Quem tem acompanhado o problema sabe que o governo do estado de SP, do PSDB, estourou a cracolândia, em janeiro de 2012, por meio da Operação Sufoco (também conhecida como “dor e sofrimento”), espalhando os usuários por várias regiões da cidade. Já a prefeitura de SP, na gestão de Fernando Haddad, do PT, desenvolveu a partir de 2014 o Programa Braços Abertos, oferecendo abrigo, alimentação e trabalho aos usuários.

Mas a manchete do UOL nesta noite de sábado foi a seguinte:
“Ira! abre Virada Cultural com críticas à Prefeitura de SP”.
Onde Nasi criticou a Prefeitura de SP em seu discurso??? Pergunta o professor Wagner Iglecias ao comentar o banditismo deste jornalismo partidarizado.

Ou como ressalta Fabrício Lima também em comentário no Facebook:

Já tinha escrito sobre isso ontem: “O relato do show do Ira descrito na Folha foi, NO MÍNIMO, desonesto. Começando pela distorção bizarra do contexto da fala do Nasi que foi nitidamente crítica ao hábito que o poder público costumava ter de sumir com os usuários de crack em atrapalhadas operações policiais que não chegaram nem a “fazer cosquinhas” no problema. Outro ponto bizarro da “matéria” foi sobre a breve fala do baixista Daniel Rocha em apoio ao Parque Augusta, que atacava diretamente o interesse de dois dos seus anunciantes – as incorporadoras Setim e Cyrela. Pra isso, só faltou chamar o rapaz de “feio”, “bobo” e “cara-de-mamão”. Na mesma fala, uma alfinetada sobre a crise da água que no caso a Folha se fez de cega, surda e muda.

Para atacar Haddad,  apostando no fracasso da Virada Cultural nem os bebês foram poupados:

Como brincou Débora Cruz no Facebook “Imagino a cara dos bebês chorando e levantando um cartaz com a hashtag #Shatyado

Seria cômico tanto malabarismo e nada de jornalismo se não fosse crime. Manipular, deturpar a informação como faz esta mídia monopolizada é crime. Sem democratizar a comunicação no Brasil, além de pôr em risco a democracia, somos enganados todos os dias. Por isso é importante que cada cidadão e cidadã brasileira se conscientize da importância do PLIP de Lei de Mídia Democrática. Leia o projeto, imprima, colete assinaturas e devolva-as para a organização da campanha.

Ou democratizamos a comunicação ou esse monopólio midiático, colaboracionista da ditadura militar, destruirá todas as conquistas democráticas

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Na cidade maravilhosa taxistas do Sistema de Táxi Oficial chegam a cobrar 7 vezes mais o valor da corrida.

maio 15th, 2014 by mariafro
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Ontem, quarta-feira (14/05) ocorreu a palestra com  o deputado Alexandre Molon, relator do projeto que virou lei. Lei 12.965, sancionada pela presidenta Dilma Rousseff cujo anúncio na última Arena Mundial da Internet, diante dos inventores da internet, os fez brindaram a iniciativa brasileira, afirmando que nosso Marco Civil é modelo para o mundo todo.

Conto o episódio para registrar o que aconteceu comigo na terça à noite e com outro participante do evento, que veio de Porto Alegre na quarta pela manhã, chegando no mesmo aeroporto e dirigindo-se para o mesmo hotel no centro do Rio.

Cheguei para o evento no Aeroporto Santos Dumont, na terça-feira (13/05) por volta das 20H. Quem conheço o Rio sabe que do aeroporto até o centro da cidade a tarifa não chega a 10 reais.


Recibo de táxi oficial pego na fila do aeroporto Santos Dumont na quarta-feira, por volta das 8h da manhã com destino ao hotel São Francisco, na Visconde de Inhauma. O percurso é de 3,8km, cerca de 9 minutos de carro.

O passageiro veio do Porto Alegre, Rio Grande do Sul, não conhece o Rio, não verificou o trajeto antes e pagou 7 vezes a mais o preço da corrida.

Na noite anterior o táxi de placa KUZ5832 tentou ignorar o taxímetro e anunciou que minha corrida custaria o dobro do que geralmente pago para fazer o mesmo percurso. Não permiti, pedi para que parasse o táxi e troquei de motorista.

Hoje liguei para o 1746 e fiz uma denúncia. Falei com a atendente Vitoria que disse que o procedimento é encaminhar a denúncia para o CMTR, esperar dez dias corridos, ligar novamente para saber o resultado.

Perguntei quais providências seriam tomadas em relação às empresas que prestam serviço no aeroporto, pois é ilegal a prática de ignorar o taxímetro e daqui a um mês o Rio receberá algumas centenas de milhares de turistas e o que o primeiro motorista tentou fazer comigo e outro conseguiu com o visitante de Porto Alegre não parece coincidência, me parece indício que o superfaturamento de corridas de táxi em empresas oficiais cadastradas pela prefeitura do Rio de Janeiro está se tornando uma prática pré-copa. A atendente Vitória disse-me que o CMTR aciona o motorista para auto-esclarecimento, mas sequer registrou a queixa da corrida superfaturada 7 vezes mais do passageiro de Porto Alegre, já que no recibo o o taxista com prática ilegal não colocou a placa do carro.

Visitantes não cariocas estejam atentos, verifiquem o percurso que farão dos aeroportos ou rodoviárias antes de pegarem um táxi, mesmo que seja oficial. Há uma dezena de aplicativos nos celulares que informam não apenas os trajetos do ponto de partida e chegada, como o tempo de percurso, os lugares mais livres ou mais engarrafados e há até mesmo os que calculam preços das corridas. Esse é um modo de coibirmos esta prática. E se toparem com esse tipo de taxista denunciem para o 1746. Quem sabe assim conseguimos criar uma cultura de respeito aos direitos do consumidor.

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Reportagem premiada da Pública feita em HQ sobre exploração sexual de meninas no Ceará

maio 14th, 2014 by mariafro
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Meninas em jogo, um projeto da Agência Pública premiado pelo Prêmio Tim Lopes de Jornalismo. Durante três meses, nossa equipe de repórter e quadrinista percorreu quilômetros de estradas do Ceará em busca da teia da exploração sexual de meninas para a Copa. Acompanhe essa trama na nossa reportagem em quadrinhos.
Dia 18 a Unicef lança globalmente uma campanha para a proteção de nossas crianças que no mundo todo, durante os grandes eventos correm mais riscos, pois ficam mais vulneráveis com as grandes aglomerações e aumentam a possibilidade de da violência e casos de abuso sexual.

Vamos ajudar a orientar os brasileiros para proteger nossas crianças desta terrível violência.
Para isso é preciso nos informar, conhecer a questão e saber como agir com responsabilidade.

Para ler toda a HQ, faça o download aqui

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Virou moda roqueiro virar reaça, papagaio de mídia golpista, envelhecer de modo tão caquético?

maio 14th, 2014 by mariafro
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“O Brasil de hoje é muito melhor do que há 30 anos, mas na sua ignorância ruidosa, o roqueiro faz coro ao discurso da imprensa, que procura incutir no brasileiro um sentimento de automenosprezo.”

Resolvi criar a série #LulaExplica para Ney, Bellotto, toda sorte de roqueiros que andam envelhecendo mal no Brasil e deram pra ser papagaios de mídia golpista, bandida e colaboracionista da ditadura militar. Quem sabe assim, bem explicadinho eles parem de repetir bobagens?

A mensagem insidiosa do catastrofismo

Por Luciano Martins Costa, na edição 798 programa radiofônico do Observatório
em 14/05/2014

Na quarta-feira (14/5), a menos de um mês do início da Copa do Mundo, a imprensa oscila entre dois pontos contraditórios: num deles, parece apostar no recrudescimento de conflitos que poderiam colocar em risco o sucesso da festa internacional do futebol; no outro, precisa que a sociedade vista a camiseta da seleção nacional, para manter vivo o mito heroico do esporte e continuar faturando com a publicidade.

Exemplos desse movimento ambíguo podem ser vistos em fragmentos do noticiário econômico, na política e até mesmo no jornalismo cultural ou de entretenimento. Selecionamos, por exemplo, uma reportagem do Estado de S. Paulo, na qual se lê que a média dos salários nos doze meses até março subiu 8,2%, acima da inflação do período, que foi de 6%.

Trata-se de um paradoxo para a imprensa, mas de um resultado lógico para quem enxerga a política econômica com olhos curiosos, sem os antolhos do dogmatismo liberal. O desemprego segue abaixo da linha histórica, os salários nominais ganham da inflação, e isso compõe basicamente o atual modelo brasileiro, explicando por que a maioria do eleitorado teme uma mudança radical desse cenário.

Também no Estado, o leitor encontra nova atualização do indicador IED, de Investimento Estrangeiro Direto, onde se lê que, nos primeiros quatro meses do ano, foram realizadas 235 grandes fusões e aquisições no Brasil, média 21% superior à do mesmo período no ano passado. Não se trata de especulação, mas de dinheiro investido diretamente em produção. Por que será que o apetite de investidores estrangeiros por negócios no Brasil segue alto?

Na Folha de S. Paulo, destacamos uma entrevista com o economista francês Thomas Pikerty, autor do livro O Capital no século 21, a ser lançado até o final do ano em português. Sua obra, na versão em inglês, há quase dois meses entre os cem livros mais vendidos da Amazon, está em segundo lugar entre os best-sellers, atrás apenas de um romance para adolescentes. Suas ideias estão mudando a maneira de pensar a economia e a sociedade, e o núcleo de seus estudos coincide em grande parte com os preceitos da política econômica adotada pelo Brasil na última década.

O rock errou

Agora, imagine o leitor ou leitora dotados de senso crítico, como fica a cabeça do cidadão que toma as manchetes da imprensa como retrato fiel da situação do Brasil.

Não erra quem afirmar que o público típico da mídia tradicional acredita que o país está afundando, embora a realidade mostre que a circunstância atual é melhor para a maioria, aqueles que vivem do seu trabalho, embora ainda restem muitos problemas estruturais a serem resolvidos.

Como disse a empresária Luiza Helena Trajano, dona do Magazine Luiza, há cerca de dois meses, durante debate num programa de televisão, não se trata apenas de olhar o copo “meio vazio” ou “meio cheio”: trata-se apenas de enxergar ou não enxergar aquilo que está diante do nariz. (grifos nossos)

Com todas as turbulências a que estão submetidas as economias nacionais no contexto global dos negócios, a situação do Brasil não pode ser descrita como catastrófica, como fazem supor as manchetes. A realidade está bem escondida em reportagens que nunca vão para a primeira página, como as que citamos há pouco.

E por que razão os jornais demonstram diariamente essa opção preferencial pelo catastrofismo, se, afinal, um estado de espírito derrotista prejudica até mesmo os negócios das empresas de mídia? Porque os editores sabem que os fundamentos da economia são apenas parcialmente afetados pelo noticiário: os grandes investidores não costumam tomar decisões por notícia de jornal. (grifos nossos)

O interesse do noticiário negativo é o de influenciar o cidadão comum, o eleitor, e fazer com que ele manifeste nas urnas um desejo de mudança que foi insuflado diariamente pela imprensa. Simples assim. (grifos nossos)

Nesse jogo, entra até mesmo a produção cultural e de entretenimento. Veja-se, por exemplo, a extensa reportagem do Globo sobre a volta à cena da banda de rock Titãs, com chamada na primeira página sob o título “Um retrato pesado do Brasil”. Na entrevista do lançamento de um novo disco, o guitarrista e compositor Tony Bellotto repete o refrão e afirma (com o perdão pela expressão): “É uma merda pensar como o Brasil há 30 anos ou patina, ou piora”.

Ora, o Brasil de hoje é muito melhor do que há 30 anos, mas na sua ignorância ruidosa, o roqueiro faz coro ao discurso da imprensa, que procura incutir no brasileiro um sentimento de automenosprezo.

Funciona assim.

Leia também:

Da série “Lula explica”: o desafio de fazer uma imprensa relevante quando acabar a era da mídia monopolizada

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