Não à terceirização

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Por que não se renovam, apenas envelhecem, as coisas podem ser chamadas de belas e inocentes?

fevereiro 9th, 2013 by mariafro
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POBRE ZEZÉ

Maykon Souza, em seu blog Amenidade Crônicas

Em primeiro lugar, preciso dizer que adoro Carnaval. Desde garoto. Sempre me encantaram os sambas, os blocos na rua, a pouca roupa e os quatro dias sem aula, a recolher confetes e serpentinas pelo chão nos bailes matinê.

Mas, não há como fugir, devo confessar que odeio as marchinhas de Carnaval.

Houve um tempo em que eu vibrava, gritando a plenos pulmões “Bicha, bicha”, quando alguém contava a história da cabeleira do Zezé, e fazia coro pedindo sinceridade à Aurora, aquela ingrata.

Mas, de uns tempos pra cá, elas têm me irritado profundamente. São como aquele senhor que repete uma história pela milésima vez, dando sempre a mesma entonação.

É sempre o Zezé, que não sabem se é ou não é, é a menina perdida no deserto do Saara, é a morena que passou perto de mim e que me deixou assim…

Memória afetiva é algo terrível mesmo. Faz com que achemos que uma coisa boa há 40, 50 anos, ainda continue no contexto.

A sequência Me dá um Dinheiro Aí / Mamãe eu Quero / Alalaô /, está para o Carnaval, como Bate o Sino / Noite Feliz / Então, é natal / está para o mês de dezembro.

As marchinhas são a Simone do Carnaval!

A culpa, aliás, pode estar aí: no tradicionalismo.

Está na moda ser tradicional. Não há nada mais original do que tentar – ainda que na marra – manter as coisas como sempre foram.

Mesmo o que era ruim, damos um jeito. Pintamos com cores melancólicas que disfarçam qualquer imperfeição e vendemos a história um pouquinho alterada. “Ouvir marchinhas é relembrar a beleza e a inocência dos antigos carnavais”, dizem muitos.

Por que não se renovam, apenas envelhecem, as coisas podem ser chamadas de belas e inocentes? Como um senhor que aprontou todas na juventude e, hoje, se esconde por trás de belos e irretocáveis cabelos brancos.

Pense comigo: em que década, um homem de cabelo comprido era considerado homossexual? 1920, 1930? De lá pra cá, tanta coisa aconteceu: a moda do cabelo curto, do comprido, os carecas passaram a ser charmosos, vieram os Black Powers e houve uma corrida desenfreada pela máquina zero.

Neste início de século, há quem use presilhas, tranças e chuquinhas, e nem por isso leve fama semelhante.

Que inveja teria o tal Zezé…

E o que dizer da preconceituosa “O Teu Cabelo não Nega”?

“Mas, como a cor não pega mulata, mulata eu quero o teu amor”.

Cor não pega, amigão? Por um acaso é doença? Parou no tempo!

São por essas e outras que eu broxo quando começam as sequências de marchinhas. Aproveito para ir ao banheiro, comer alguma coisa e esperar até voltarem a tocar o samba – esse, sim, sempre se renovando, mantendo-se atual, goste você ou não.

Enquanto isso, espero a turma encontrar o saca-rolha, salvar a menina perdida no deserto e terminar o julgamento do Zezé.

Pobre Zezé…

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Inacreditável, MP Paulista consegue ser mais reacionário que Rodas

fevereiro 9th, 2013 by mariafro
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Quem primeiro fez este trabalho de garimpo foi Rei Lux no twitter,mas os prints reproduzidos neste post, retirei do Viomundo.

Ele me mandou e em poucos dias a posição lamentável desta promotora tomou conta das redes sociais e blogosfera.

Ler o partidarismo, as mensagens preconceituosas e o ódio explícito que esta jovem promotora tem em relação ao PT,  também deixa explícito que esta Justiça tem classe social e ideologia partidária. O MP de São Paulo, na figura desta promotora consegue ser mais reacionário que a reitoria de Rodas.

Por  outro lado,  a postura da promotora pode ensinar muita coisa aos guris da USP que ocuparam a reitoria e fizeram coro na condenação dos réus do mensalão e na transformação de Joaquim Barbosa em herói nacional. Pimenta nos olhos dos outros é refresco. Uma Justiça injusta seja com quem for será sempre uma Justiça injusta.

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Comissão Jurídica em Defesa de Estudantes e Trabalhadores da USP

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Leandro Fortes sobre a imprensa vil cobrindo o tratamento de Marco Aurélio Garcia

fevereiro 9th, 2013 by mariafro
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NEM DESCALÇO, NEM DE JOELHOS

Por: Leandro Fortes na CartaCapital (via e-mail)

Toda essa movimentação de corvos e abutres em torno da saúde de Marco Aurélio Garcia, inclusive a denúncia (!) da Folha de S.Paulo dando conta de que ele foi operado com recursos dos SUS, esconde um recalque dolorido em relação ao assessor internacional da Presidência da República.

Garcia, chamado de MAG pelos amigos (dele, eu não o conheço), é um dos principais articuladores do Foro de São Paulo, o movimento contra-hegemônico das esquerdas latinoamericanas à política de submissão da região aos interesses dos Estados Unidos e das corporações capitalistas do Velho Mundo.

Nos anos 1990, foi a iniciativa de Marco Aurélio Garcia que alimentou nosso sentimento de soberania e autodeterminação quando tudo o mais era ditado pelo Consenso de Washington e pelo FMI, cartilhas às quais o governo brasileiro, da ditadura militar aos anos FHC, seguiu como um cordeirinho adest rado.

Eleito Luiz Inácio Lula da Silva, coube a Garcia, ao lado dos embaixadores Celso Amorim e Samuel Pinheiro Guimarães, reorientar a diplomacia brasileira de modo a tirar o Brasil, uma imensa nação potencialmente rica e poderosa, de sua condição subalterna e levá-la a um protagonismo inédito e, de certa forma, pertubador dentro da ordem mundial.

Ao fazer isso, Garcia fez o mundo lembrar o ponto de degradação a que tínhamos chegado: em 2002, o embaixador Celso Lafer, ministro das Relações Exteriores, chanceler do Brasil no segundo governo FHC, foi obrigado a tirar os sapatos no aeroporto de Miami, por ordem de um zelador da alfândega dos EUA.

Ao invés de dar meia volta e fazer uma reclamação formal à Casa Branca, Lafer botou o pezinho para fora e o rabo entre as pernas. Foi o auge da política dos pés deslcaços e da diplomacia de joelhos.

Então, essas pessoas que, hoje, sem um argumento melhor, ficam p ateticamente perguntando se Marco Aurélio Garcia ao menos entrou na fila do SUS, estão, na verdade, naquela empreitada envergonhada, pessoal e impublicável dos que torciam secretamente pelo avanço dos tumores que um dia atormentaram a vida e o futuro político de Lula e Dilma Rousseff.

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Comissão Jurídica em Defesa de Estudantes e Trabalhadores da USP

fevereiro 9th, 2013 by mariafro
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NOTA DE ESCLARECIMENTO À IMPRENSA

Comissão Jurídica em Defesa de Estudantes e Trabalhadores

Vimos a público esclarecer notícias recentemente veiculadas na mídia referentes à denúncia oferecida pelo ministério público contra as 72 pessoas (estudantes e trabalhadores) presas na ocasião da reintegração de posse da Reitoria da Universidade de São Paulo em novembro de 2011. A desmedida acusação imputa a suposta prática dos delitos de desobediência, formação de quadrilha, pichação, dano ao patrimônio público e manipulação de artefatos explosivos. No entanto, até o presente momento, sequer se trata de um processo criminal, não podendo ser consideradas as 72 pessoas rés, e sendo no mínimo leviano nomina-las criminosas.
Por trás dessa forma de acusação, com destaque à imputação do delito de formação de quadrilha, há uma prática recorrente de repressão contra movimentos sociais que lutam por direitos. Organizar-se coletiva e democraticamente para reivindicar mudanças políticas não pode ser caracterizado como ação criminosa.
No caso específico, ademais, o próprio ministério público reconhece a ausência de individualização da conduta dos supostos envolvidos, demonstrando absoluta inaptidão da denúncia. O Direito Penal não admite responsabilização coletiva. Sem a devida especificação do que fez cada pessoa acusada, não há condições para o exercício pleno da defesa.
Diante da generalidade das alegações e da efetiva inocência dos acusados, a Defesa mantém a confiança de que a acusação não resistirá ao crivo do Judiciário.

Mantemo-nos à disposição para eventuais esclarecimentos.

São Paulo, 06 de fevereiro de 2013.

Comissão Jurídica em Defesa de Estudantes e Trabalhadores
defesa.adv@gmail.com

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