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Façamos como Luíza Erundina: Declaremos guerra a estes imbecis

março 7th, 2013 by mariafro
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É isso, ativistas, sem um minuto de descanso, este Congresso não nos representa, esta Comissão de escárnio não nos representa, toda a oposição a estas bestas feras.

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Leandro Fortes: Sem Chávez

março 7th, 2013 by mariafro
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SEM CHÁVEZ

Por: Leandro Fortes

07/03/2013

Não tenho dúvidas de que a História irá fazer bom juízo de Hugo Chávez, o comandante de uma revolução pacífica e democrática, a desmembrar e expor em praça pública o complexo e cruel pacto de permanência das elites locais. Antes de Chávez, a Venezuela não existia no mapa geopolítico mundial, parecia ser anexo na América do Sul, um país-satélite dos Estados Unidos, a ponto de amar mais o beisebol que o futebol. Uma elite que tinha Miami como um condomínio de luxo, ao qual voltavam às sextas-feiras, depois do trabalho, empresários, políticos, cidadãos.

Minha fé na justiça da História reside não só no argumento da força popular renascida entre a massa, essa palavra endurecida, e um governante mestiço, meio índio, meio nada. Essa “ninguendade”, sobre a qual se debruçou Darcy Ribeiro, a explicar o significado filosófico das misturas étnicas de base lusitana da qual descendemos quase todos nós, brasileiros, assim como do matiz hispânico vem a “nadiedad” de Chávez e da imensa nação de esquecidos que o elegeu e o manteve firme no poder, até que, morto o comandante, se enrolaram na bandeira venezuelana e foram chorar, aos milhões, em todas as cidades do país.

Antes de Chávez, a Venezuela mantinha-se dentro de uma estrutural social paralisante, dentro da qual os privilégios do petróleo, maior riqueza do país, eram distribuídos entre apenas 1% da população. Em pouco mais de uma década, o líder bolivariano tirou, de um universo de 24,6 milhões de pessoas, 5 milhões delas da pobreza absoluta. Universalizou a saúde e a educação, criou mercados subsidiados de alimentos, ensinou política aos pobres, tirou os arreios da Venezuela em relação aos Estados Unidos e, certa vez, na sede da ONU em Nova York, diante das câmaras, disse o seguinte sobre o lugar que George W. Bush havia ocupado antes de sua fala: “Ainda cheira a enxofre”. Tinha cojones, o comandante.

Hugo Chávez fez trocentas eleições livres na Venezuela, todas monitoradas por observadores estrangeiros e, mais ainda, por uma mídia sequiosa de sangue, mas é uma tarefa inútil bater nessa tecla. Fixar a pecha de “ditador” em Chávez foi uma tentativa do Departamento de Estado americano e da mídia em geral para iniciar o processo de demonização do presidente venezuelano. Nem é preciso dizer na nossa triste contribuição nesse processo, dando notícia de como Chávez era perigoso para o mundo livre, branco e cristão. Embora Chávez, o índio, o negro, o zé-ninguém, acreditava em um socialismo baseado nas origens do cristianismo.

Então, tinha que ser “ditador”, mesmo, já que a fé em Cristo impedia que lhe imputassem, também, a pecha de “comunista”.

A reação dos conservadores a Chávez, confesso, me interessava mais do que a figura do presidente, a histeria da direita latino americana, a forma primária como a propaganda contra o presidente venezuelano se disseminava pelo noticiário da mídia brasileira, as opiniões de bonecos de ventríloquos disfarçados de especialistas, o ódio dos liberais contra a erradicação de privilégios.

Chávez combateu a todos, e a todos venceu. Tinha o riso largo dos vencedores, não disfarçava o desprezo pela tibieza de seus adversários, dos que lhe acusavam de ser um tanto caricato em seu uniforme militar. Estes mesmos que, no entanto, eram suficientemente espertos para entender o significado daquela farda. Chávez deu ao Exército de onde veio um novo significado de Pátria, onde estão todos, não somente uns.

Não sou ninguém, nem tenho conhecimento o suficiente, para prever o futuro da Venezuela. Mas uma coisa é certa: ela nunca mais será a mesma, depois de Chávez.

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RIP Chávez

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Renato Rovai: Paulo Bernardo era petista de quatro costados. E hoje, a quem ele serve?

março 7th, 2013 by mariafro
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Curioso que ontem começou em Brasilia O Seminário Internacional Infância e Comunicação que contou em sua abertura com o Ministro da Justiça, Eduardo Cardozo, a Ministra dos Direitos Humanos, Maria do Rosário, contou até com Frank de La Rue, relator da ONU para a liberdade de Expressão, mas sintomaticamente não havia NENHUM REPRESENTANTE DO MINISTÉRIO DAS COMUNICAÇÕES. Por que será?

Paulo Bernardo, ministro das comunicações ou das teles?

Por Renato Rovai

06/03/2013

Paulo Bernardo esteve ontem em São Paulo para uma audiência com o prefeito Fernando Haddad. Ao sair, afirmou: “O prefeito me disse que tem abertura para discutir (na Câmara Municipal) mudança na legislação. Ele me falou da intenção da prefeitura de estabelecer políticas públicas na área de comunicação, por exemplo, uma rede de wi-fi na cidade”. E acrescentou: “Eu disse ao prefeito: ‘você quer uma rede de wi-fi na cidade, mas se fizer uma rede chinfrim, o pessoal vai fazer uma festa, inaugura, dali a dois meses vai começar a reclamar que a internet é muito lenta. Vão falar mal de quem? Vão falar do Fernando Haddad.”

Se tivesse lido essa declaração em outro veículo e assinada por outro jornalista, duvidaria. Mas o texto é do talentoso amigo Eduardo Maretti e foi publicado na Rede Brasil Atual, que até onde sei não tem nada contra Paulo Bernardo e nem contra Haddad. A propósito, Paulo Bernardo nos idos tempos foi ligado ao movimento sindical bancário e era um petista de quatro costados. E hoje, a quem serve Paulo Bernardo?

O PT aprovou recente resolução defendendo a regulamentação da área de comunicação e questionando os 60 bilhões de isenção (que Bernardo diz serem 6 bilhões) para as teles. E Bernardo, que se diz petista, fez de conta que não era com ele. Agora Bernardo vem a São Paulo defender as teles e tentar colocar reio no governo municipal porque este quer distribuir wi-fi grátis na cidade. Vem em nome das teles ou do governo federal? Qual é o papel de um ministro? Incentivar políticas públicas ou tentar impedi-las em nome de interesses privados?

Dilma sabia que Paulo Bernardo viria a São Paulo com esta missão hoje? Isso foi discutido em âmbito federal? Foi Dilma quem solicitou a ele que fizesse lobby tentando impedir a cidade de abrir o sinal da internet em alguns pontos?

Entrei em contato com algumas pessoas que estão na equipe do secretário Simão Pedro (Obras e Serviços) e que estudam formas de criar condições para lançar uma política pública de banda larga na cidade. Quando lia os trechos da reportagem, a perplexidade era imensa. Em nenhum momento a equipe do ministro ou assessores dele procuraram assessores da prefeitura que estão trabalhando no tema. Ou seja, Bernardo não tem nenhum elemento para dizer que o plano é chinfrim. Mas mesmo assim saiu atacando-o porque as teles estão morrendo de medo que se implantado com sucesso em São Paulo, um plano desses as fará perder parte do mercado que as alimenta com monstruosos lucros operando um serviço de péssima qualidade.

Entre outras coisas, no projeto de wi-fi grátis de São Paulo discute-se que onde o sinal for aberto aproximadamente 1 mil pessoas possam vir a se conectar ao mesmo tempo tendo uma banda superior a 1 Mbps. Bem diferente do PNBL chinfrim que Paulo Bernardo falou que ia implantar, mas que virou plano de negócios das teles. Hoje, o governo federal e a Telebrás só entram onde as teles não têm interesse em operar.

O ex-bancário, sindicalista, petista e agora ministro, trabalha para o governo e para a sociedade brasileira? Porque se é isso, melhor refletir sobre a visita de ontem a São Paulo, onde se comportou como um garoto de recado das teles.

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Chávez: Um Homem Multiplicado

março 6th, 2013 by mariafro
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Um homem multiplicado

Por Mauricio Leandro Osorio*

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Eu o conheci duas vezes. Fui um desses foguinhos que ardiam diante do seu olhar. Flamulei a bandeira de sua voz e cuidei dos seus passos no Chile.

Chávez nasceu em 1997, na Bolívia, quando eu o conheci. O parto que ele provocou com sua vitória eleitoral no ano seguinte trouxe esperança a muitos de nós. Lembro dos meus professores falando dele no caminho em direção à escola, sobre o homem que enfrentava os ianques sem gaguejar. Com esses comentários e rumores, ele foi crescendo devagarinho em mim. Forjou uma colonia, como fazem as formigas, formigou por minhas veias, e me emocionei cuando o vi abraçando o comandante Fidel como se abraça um irmão, entregando sua carne e sua própria voz para que renascessem, nele e em seu povo, as ideias de Bolívar.

Só soube seu nome completo depois da segunda eleição presidencial, mas Hugo Chávez, simples assim, se tornou enfim herói quando, junto com os venezuelanos, frearam o golpe de estado em abril de 2002 (que grande sinal: já não seria tão fácil como nas décadas passadas). Desde então, Chávez começou a se expandir dentro de minha pele. Na Venezuela, ele se converteu em menino, foi mulher, foi um ancião que aprendeu a ler (programa “Yo sí puedo”, de alfabetização de idosos), foi um chileno com a visão recuperada se despedindo da Guaira (programa “Misión Milagro”, que cura pacientes com catarata, provenientes de vários lugares do mundo, com a ajuda de médicos cubanos), foi um jovem rapper que aprendeu a métrica com um professor cubano, e que despertou uma manhã e viu a ALBA – nota do tradutor: a palavra “alba” em espanhol também pode significar “alvorada”, como no trocadilho proposto pelo autor.

Seu espírito cresceu mais e mais, e como todo crescimento, teve tempos de adolescência, teve instantes de dor juvenil, mas nada impediu que se forjasse completo. Quando não mais pode crescer, para não estourar, abandonou  seu corpo e se transformou em outro eterno jovem revolucionário, como o Che.

Suponho que não deveria chorar por sua morte, se ele mesmo recordou mil e uma vezes o cantor venezuelano Alí Primera, quando cantava “os que morrem pela vida no podem se chamar mortos, y a partir deste momento está proibido chorar por eles“, mas eu sinto uma espécie de desprendimento. Neste instante, o medo floreceu sobre meus nervos, mas Chávez não permite que minha mão, a que ele domina neste momento, solte o lápiz. Ele quer que eu siga escrevendo e que NÃO ME CALE, ele quer viver em mim, como vive entre os humildes do seu povo. Poderia me desfazer e perder as forças, como Nicolás Maduro al tambalear com a notícia, mas devo ser otimista e confiar no bravo povo.

Sinto um sabor amargo sob a língua, por essas estranhas incertezas humanas, sempre presentes quando perdemos alguém que apreciamos, admiramos e respeitamos. Me sinto partido em dois, e enquanto parte de mim finge covardemente que este é um dia comum, a outra está despedaçada. Escuto as teorias conspiratórias, os golpes e as bombas explodindo nos morros de Caracas, o desespero do faminto que ganhou uma moradia digna vinte anos depois das inundações dos Anos 80, e que hoje volta a sofrer, pois se sente órfão. Agora entendo o que ele disse no último discurso que ouvi, às vésperas das eleições do dia 7 de outubro, quando bradou: “Chávez tem que ser o povo, todos somos Chávez!!”.

Hugo Rafael deixou a cela corporal de onde construiu sua história, e deixou que seus sonhos voassem livremente, como uma debandada de pássaros. Hoje, pode se sentir feliz por ser, finalmente, ele mesmo, um homem multiplicado.

Tradução: Victor Farinelli

* Mauricio Leandro Osorio é um jornalista cubano que vive no Chile, e escreve em seu blog pessoal, que ele mesmo descreve como “um blog cubano não financiado pelo governo dos Estados Unidos”.

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