Não à terceirização

Maria Frô - ativismo é por aqui

Maria Frô header image 4

Adeus Jorge Selarón

janeiro 10th, 2013 by mariafro
Respond

Não há quem não se encante com o mosaico da Escadaria de Santa Teresa entre a Lapa e o Catete feito pelo artista plástico chileno Jorge Selarón.

Fotos: Conceição Oliveira. fevereiro de 2011.

Quem me apresentou esta beleza foi Chico Aragão num passeio fabuloso que fizemos do Saara  ao Catete, com direito a sobremesa na confeitaria Colombo após um almoço com Bemvindo Sequeira, Juliana Freitas e Beto Mafra.

Hoje, Pagu me informa que aos 65 anos Selarón foi encontrado morto :(

De acordo com reportagem do Estadão ele vinha sofrendo ameaças de ex-colaborador após desentendimentos profissionais,mas não há informações sobre circunstâncias da morte.

Descanse em paz, Selarón e obrigada por nos deixar como legado, a céu aberto, esta imensa beleza.

Leia também:

O Rio de Janeiro continua lindo com Bemvindo e amigos

Prêmio Anu Preto da CUFA 2011 e o dia que o funk ocupou o seu lugar: o Municipal

Álbum de fotos do Prêmio Anu Preto

Tags:   · · · · 1 Comment

Sonia Faleiro: A horrível verdade sobre o estupro em Nova Délhi

janeiro 9th, 2013 by mariafro
Respond

Do Comunique-se

O caso da garota que foi estuprada e morta em Nova Délhi, capital da Índia, foi assunto em diversos veículos do mundo. No Brasil, a triste história saiu nos jornais, internet, TV e rádio. Em texto extenso, o caso foi contado e publicado no Estadão pela jornalista do New York Times, Sonia Faleiro.

Com relatos minuciosos, ela atenta-se a contar o que acontece na cidade, onde o assédio sexual é corriqueiro. Sonia morou 24 anos em Nova Délhi. No período, o medo a acompanhava até mesmo dentro da redação onde atuava como repórter. “Nunca ficava sozinha, se possível, e andava depressa, cruzando os braços sobre o peito, recusando todo contato visual ou mesmo um sorriso. Abria caminho no meio da multidão curvando os ombros para frente, e evitava sair de casa depois do escurecer, se não fosse num carro particular”, disse.

Facas, alfinetes e armas eram acessórios comuns na bolsa dela, que não ia até a faculdade sem ter com o que se defender em caso de ataques. A situação é bem conhecida na região e há legislação, mas, segundo Sonia, nada tem tido eficácia diante da cultura patriarcal e misógina. “Nos meses anteriores ao estupro coletivo, alguns políticos de destaque atribuíram o aumento das estatísticas sobre estupro à crescente utilização dos celulares pelas mulheres e ao fato de elas saírem à noite. ‘Somente porque a Índia conseguiu a liberdade depois da meia-noite não significa que as mulheres possam se aventurar a sair depois do anoitecer’, disse Botsa Satyanarayana, líder do Partido do Congresso do Estado de Andhra Pradesh”.
Rico em detalhes e informações, o escrito da jornalista foi escolhido como o texto da semana pela equipe do Comunique-se. É a primeira vez que uma profissional internacional figura na lista.

Sonia Faleiro também é autora de Beautiful Thing: Inside the Secret World of Bombay’s Dance Bars
(Imagem: Reprodução)

Leia a íntegra do texto da semana, de Sonia Faleiro com tradução de Anna Capovilla:

 TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA

A horrível verdade sobre o estupro em Nova Délhi

Morei 24 anos em Nova Délhi, uma cidade onde o assédio sexual é tão regular quanto o café da manhã. Todos os dias, em algum lugar da cidade, há um caso de estupro.

Quando adolescente, aprendi a me proteger. Nunca ficava sozinha, se possível, e andava depressa, cruzando os braços sobre o peito, recusando todo contato visual ou mesmo um sorriso. Abria caminho no meio da multidão curvando os ombros para frente, e evitava sair de casa depois do escurecer, se não fosse num carro particular. Numa idade em que as jovens em todos os outros lugares começam a fazer suas primeiras experiências com um estilo mais ousado de vestuário, eu usava roupas duas vezes maiores do que o meu tamanho. Ainda não consigo me vestir de forma a parecer atraente sem ter a sensação de estar me expondo ao perigo.

A situação não mudou quando cheguei à idade adulta. O spray de pimenta não existia ainda e minhas amigas, todas de classe média ou média alta como eu, carregavam alfinetes ou outros objetos como armas no caminho da universidade e do emprego. Uma delas andava com uma faca e insistia que eu devia fazer o mesmo.

Recusei, mas havia dias em que ficava tão enraivecida que poderia usá-la – ou, pior ainda, alguém poderia usá-la contra mim.

O persistente concerto de assobios, miados, palavras sibiladas, alusões sexuais ou ameaças abertas continuaram. Grupos de homens andavam pelas ruas vadiando, e sua forma de comunicação eram as canções de filmes indianos que viviam cantando, repletas de duplos sentidos.

Para deixar claras suas intenções, mexiam a pélvis para frente quando uma mulher passava.

Não eram apenas os ambientes públicos que eram pouco seguros. Até na redação de uma importante revista onde eu trabalhava, no consultório de um médico, até mesmo numa festa privada – era impossível escapar da intimidação.

No dia 16 de dezembro, como o mundo agora sabe, uma mulher de 23 anos voltava para casa com o namorado depois do assistir ao filme As aventuras de Pi num shopping center de Délhi. Quando tomaram o que lhes pareceu um ônibus, os seis homens que estavam no veículo estupraram e torturaram a mulher de maneira tão brutal que destruíram seus intestinos. O ônibus fora apenas um chamariz. Eles espancaram brutalmente também o namorado da jovem e jogaram os dois fora do veículo, deixando-a à beira da morte.

A jovem não se rendeu. Ela começara aquela noite vendo um filme sobre um sobrevivente, e provavelmente sentiu-se determinada a sobreviver também. Então ela realizou outro milagre. Em Délhi, uma cidade onde a degradação das mulheres é comum, dezenas de milhares de pessoas foram às ruas e enfrentaram a polícia, as bombas de gás lacrimogêneo e os canhões de água para expressar sua revolta. Foi o maior protesto jamais realizado na Índia contra a agressão sexual e o estupro até aquele momento, e desencadeou manifestações em toda a nação.

A fim de proteger a identidade da vítima, seu nome não foi divulgado.

Mas embora ela continue sem nome, não ficou sem rosto. Para vê-lo, bastou que as mulheres se olhassem no espelho. A plena dimensão da sua vulnerabilidade finalmente foi compreendida.

Quando fiz 26 anos, mudei-me para Mumbai. A megalópole comercial e financeira tem sua carga de problemas específicos, mas, em termos culturais, é mais cosmopolita e liberal do que Délhi. Ainda zonza com a liberdade recém-conquistada, comecei a fazer matérias sobre o bairro da prostituição e percorria subúrbios perigosos tarde da noite – sozinha e usando transporte público. Acho que a minha experiência em Délhi teve um resultado positivo: fiquei agradecida pelo ambiente comparativamente seguro de Mumbai e resolvi aproveitar ao máximo.

Mas a jovem jamais terá esta oportunidade. Na manhã de sábado, 13 dias depois de ter sido brutalizada, esta estudante de fisioterapia, que sem dúvida sonhara em melhorar a vida das outras pessoas, perdeu a sua. Morreu por falência múltipla dos órgãos.

A Índia tem uma legislação contra o estupro; assentos reservados para as mulheres nos ônibus, policiais femininas; linhas especiais para pedir a ajuda da polícia. Mas estas medidas não têm tido eficiência diante de uma cultura patriarcal e misógina. Trata-se de uma cultura que acredita que o pior aspecto do estupro é a corrupção da vítima, que nunca mais poderá encontrar um homem para casar com ela – e que a solução é casar com o estuprador.

Estas crenças não se restringem às salas de estar, mas são expressas abertamente. Nos meses anteriores ao estupro coletivo, alguns políticos de destaque atribuíram o aumento das estatísticas sobre estupro à crescente utilização dos celulares pelas mulheres e ao fato de elas saírem à noite. “Somente porque a Índia conseguiu a liberdade depois da meia-noite não significa que as mulheres possam se aventurar a sair depois do anoitecer”, disse Botsa Satyanarayana, líder do Partido do Congresso do Estado de Andhra Pradesh.

Denúncias. Mudar é possível, mas as pessoas devem denunciar logo os casos de estupro e de agressão sexual para que a polícia possa realizar as investigações, e os casos levados aos tribunais possam tramitar rapidamente e não demorar anos a fio. Dos mais de 600 casos de estupro relatados em Nova Délhi em 2012, somente um levou à condenação. Se as vítimas acreditam que receberão justiça, se mostrarão mais dispostas a falar. Se os supostos estupradores temerem as consequências de suas ações, não atacarão as mulheres nas ruas impunemente.

As dimensões dos protestos públicos e na mídia deixaram claro que o ataque constituiu um divisor de águas. A horrível verdade é que a jovem atacada no dia 16 teve mais sorte do que muitas vítimas de estupro. Ela foi uma das raras mulheres que receberam algo parecido com justiça. Foi hospitalizada, sua declaração foi gravada e em poucos dias todos os seis suspeitos do estupro foram presos e, agora, estão sendo processados por assassinato. Tal eficiência é algo incomum na Índia.

Não foi a brutalidade das agressões contra a jovem que tornou sua tragédia inusitada; foi o fato de que esta agressão, finalmente, provocou uma resposta.

Tags:   · · 1 Comment

Em tempos de chacina… a verdade não rima!

janeiro 9th, 2013 by mariafro
Respond

Bem lembrado pelo @CaioDezorzi:

Onze Fitas

Por engano, vingança ou cortesia
Tava lá morto e posto, um desregrado
Onze tiros fizeram a avaria
E o morto já tava conformado
Onze tiros e não sei porque tantos
Esses tempos não tão pra ninharia
Não fosse a vez daquele um outro ia
Deus o livre morresse assassinado
Pro seu santo não era um qualquer um
Três dias num terreno abandonado
Ostentando onze fitas de Ogum
Quantas vezes se leu só nesta semana
Essa história contada assim por cima
A verdade não rima
A verdade não rima
A verdade não rima…

Tags: No Comments.

Policial da GCM que ofendeu skatista foi filmado agredindo camelô em outubro

janeiro 8th, 2013 by mariafro
Respond

Dica do Fabrício Lima a respeito desta notícia aqui: GCM agride skatistas na Praça Roosevelt e bota pra correr senhoras ambulantes na Sé

Policial da GCM que ofendeu skatista foi filmado agredindo camelô em outubro

Guarda Civil Metropolitana tem histórico de agressões contra moradores de rua

Por: Renato Souza,  no Alô

08/01/2013 00h26


REPRODUÇÃO/SBT

Policial Luciano Medeiros aparece agredindo camelô em reportagem de outubro.
O policial Luciano Medeiros, que foi filmado agredindo um skatista na última sexta-feira (04), na Praça Roosevelt, na região central de São Paulo, seria autor de outras agressões. O último flagra foi feito no dia 30 de outubro, também no centro de São Paulo. O agente da lei aparece nas imagens do Sistema Brasileiro de Televisão (SBT), agindo violentamente contra um camelô.

Nas imagens, Luciano está sem farda e torce o braço do camelô, enquanto o vendedor ambulante grita de dor. O camelô aparece no chão com vários ferimentos pelo corpo. Na ocasião, a população teria sido afetada pela truculência da ação da Guarda Civil Metropolitana (GCM). Ainda há registros de outros casos de agressões por agentes da GCM.

Em outra ação, também em 2012, uma moradora de rua, que é formada em letras teve seus livros levados por policiais. A mulher vendia os livros para comprar alimentos, já que não tinha trabalho nem residência fixa. Em outra ação mais revoltante, um guarda da GCM aparece jogando spray nos olhos de um morador de rua, que de acordo com imagens do SBT, não oferecia ameaça ao policial.

O vídeo com as agressões aos skatistas foi postado na internet, e em menos de 24 horas obteve mais de meio milhão de acessos. As imagens indignaram e chocaram internautas de todo o Brasil. O grupo de hackers Anonymous invadiu o site da GCM e divulgou o endereço e telefone do policial que aparece nas imagens.

Devido a agressão contra os skatistas, Luciano Medeiros foi afastado temporariamente dos trabalhos externos, mas continua na corporação. Em nota, a prefeitura de São Paulo afirmou que não tolera ações truculentas e afirmou que os envolvidos vão ser ouvidos pela Corregedoria Geral da Guarda Civil Metropolitana, que adotará as providências cabíveis.

Veja a reportagem:


 

Veja outra reportagem onde um guarda da GCM joga spray de pimenta nos olhos de um morador de rua:


 

Leia também:

GCM agride skatistas na Praça Roosevelt e bota pra correr senhoras ambulantes na Sé

GCM do desgoverno de Kassab, a cria de Serra, espanca morador de rua

Ocupa São João: Quando morar é um privilégio, ocupar é um direito

Decisão judicial desaloja 230 famílias na Avenida São João e elas não podem ficar nem na calçada sem apanhar

Tags:   · · 4 Comments