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Memorial da Resistência no lançamento de 1964 – Um golpe contra o Brasil”: nota zero para organização e trato com o público

março 2nd, 2013 by mariafro
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Sei que muitos vão desconsiderar este post, entendê-lo como uma reclamação de classe média sofre. Paciência se assim entenderem, considero um relato do desrespeito que sofremos pela desorganização e amadorismo daqueles que não apostam no interesse que suas histórias despertam.

Moro longe do centro da cidade, para chegar até a Luz tenho de pegar ônibus e metrô e ainda caminhar.

Hoje, sábado, 02/03, Alípio Freire lançaria seu doc sobre a Ditadura Militar no Memorial da Resistência, Rua General Osório, próximo ao metrô Luz e depois bateria um papo com o público.

Estou com obras em casa e milagrosamente os pedreiros vieram trabalhar. Mesmo assim, larguei todo mundo aqui, enchi o saco da minha adolescente CDF pra que ela larguesse um pouco as tarefas de sua maledeta escola conteudística de professores malas que reduzem a educação a fazer dezenas de tarefas diárias e milagrosamente ela cede e rumamos para a Luz.

Combinei de me encontrar por lá com o procurador do Estado e  membro do Comitê Paulista Memória Verdade Justiça, Márcio Sotelo Felippe.

Ao chegar no Memorial uma muvuca imensa, encontro Douglas, liderança do movimento negro que sempre está presente nos eventos que costumo ir como os do MST. Douglas levou sua turma de alunos e estava muito bravo. Nem me cumprimentou direito, estava esgotado e muito, mas muito frustrado como seus alunos.

Fico pensando que um professor que dispõe do seu SÁBADO  e consegue reunir sua turma de adolescentes pra assistir a um documentário de 3 horas e meia ele e seus alunos merecem um pouco mais de respeito.

Como Douglas é um excelente professor, mesmo bravo com a desorganização ele não fez a turma perder a viagem, organizou todo mundo para uma visita monitorada ao museu.

Fico pensando que a moçada que pediu pra blogosfera divulgar o documentário de Alípio Freire deve entender que a blogosfera  tem alcance e se ela divulga há um público que vai. Encontrei um rapaz que veio de Campinas para ver 1964 – Um golpe contra o Brasil”.

Felippe me disse: ” Tua filha ficou brava porque você a levou lá e não viu filme nenhum? Eu também! Você me fez ir e eu não vi filme nenhum!

E minha filha que largou as infindáveis lições pra me acompanhar e ver o filme chorou de raiva e frustração diante de funcionários tão sem noção que barravam as pessoas no detector de metais pra que não subissem até a sala de exibição.

Teve gente que fingiu que não viu Marcio Sotelo, possivelmente com receio de que ele pedisse pra entrar. Suplicy nem se deu ao trabalho, deu carteirada mesmo, como senador ignorou o detector de metais e subiu.

E nós perdemos 3 horas e passamos muita raiva com tanta desorganização do Memorial. E quem conseguiu entrar teve de esperar pelo menos 1:30 porque segundo me informaram o filme sequer estava lá e não haveria o bate papo prometido com Alípio já que o memorial fecha às 18 horas e o filme só começaria depois das 15.

Queria saber por que tanto amadorismo? Por que não lançaram um documentário desta importância e que desperta tanto interesse em um grande cinema ou no auditório de um sindicato?

A esquerda  não confia no seu taco? Achavam que não teriam público?

Espero imensamente que Alípio Freire vá exibir o documentário onde Douglas Belchior da Uniafro leciona e que se dê ao trabalho de apresentá-lo em outras escolas, certamente minha filha ajudaria a organizar exibição na escola onde estuda.

Enfim, a desorganização, timidez e amadorismo deste lançamento frustrante merece um novo recomeço para que esqueçamos este sábado medonho que enfrentamos.

“1964 – Um golpe contra o Brasil”, de Alípio Freire, estréia neste sábado (2/3)

Lançamento acontece no Memorial da Resistência de São Paulo, às 14h

O documentário “1964 – Um golpe contra o Brasil”, de Alipio Freire, será lançado no próximo sábado, 2 de março, no Memorial da Resistência de São Paulo (Lgo. General Osório 66, próximo ao Metrô Luz).

Feito a partir de depoimentos de personagens que viveram, como militantes, aquele período, o filme discute as razões que levaram ao golpe civil e militar que derrubou o governo do presidente João Goulart.

Almino Affonso, à época deputado federal e ministro do Trabalho do governo Jango, Rafael Martinelli, dirigente do Comando Geral dos Trabalhadores (CGT), a socióloga Maria Victoria Benevides, o médico Reinaldo Murano, o então presidente da UNE (União Nacional dos Estudantes), Aldo Arantes, e o coordenador nacional do MST João Pedro Stedile estão entre os personagens ouvidos.

O filme traz ainda uma série de depoimentos e revelações inéditas sobre as tentativas de golpe anteriores de Jânio Quadros, e o papel central dos EUA no golpe civil-militar dado no Brasil. O filme pretende ser um dos primeiros e mais contundentes materiais formativos acerca dos 50 anos do golpe, e deve ter como público fundamental, nas palavras do diretor, “os estudantes, trabalhadores e trabalhadoras mais jovens, para que eles possam conhecer melhor nossa história e formarem a sua própria opinião”.

A sessão começará às 14 horas, no auditório do Memorial da Resistência de São Paulo. Após a exibição do documentário será realizado um debate com o diretor.

O filme é uma produção do Núcleo de Preservação da Memória Política e da TVT – Televisão dos Trabalhadores, com apoio do Memorial da Resistência de São Paulo e da Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo.

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Desde quando publicidade é informação, Conar?

março 1st, 2013 by mariafro
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Quando você pensa que lerá uma boa notícia se depara com argumento como este que iguala publicidade a informação:

Ao defender regras mais restritivas para o setor, o Conar destaca ser contrário à proibição total da publicidade infantil, por entender que se trata de parte essencial da educação. “Privar crianças e adolescentes do acesso à publicidade é debilitá-las, pois cidadãos responsáveis e consumidores conscientes dependem de informação”, disse, em nota, o presidente do conselho, Gilberto Leifert.

Novas recomendações para publicidade em programas infantis começam a valer hoje

Por: Thais Leitão, Edição: Lílian Beraldo, Agência Brasil

01/03/2013

Brasília – A partir de hoje (1º), estão proibidas ações de merchandising (publicidade indireta colocada em programas, com a exposição de produtos) dirigidas ao público infantil em programas criados ou produzidos especificamente para crianças em qualquer veículo. A norma faz parte das novas recomendações para a publicidade que envolve crianças e adolescentes, definidas no Código Brasileiro de Autorregulamentação Publicitária.

Segundo o Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar), a publicidade de produtos e serviços direcionada a esse segmento deve se restringir aos intervalos e espaços comerciais.

As alterações, incorporadas à Seção 11 do código, que reúne as normas éticas para a publicidade do gênero, também preveem que as ações de merchandising em qualquer programação e veículo não empreguem crianças, elementos do universo infantil ou artifícios publicitários com o objetivo de captar a atenção desse público específico.

Segundo o Conar, a nova redação é fruto de um pedido da Associação Brasileira de Anunciantes, reconhecendo a necessidade de ampliar a proteção a públicos vulneráveis, e representa um aperfeiçoamento das normas anteriores. O órgão ressalta que, ainda que seja de adesão voluntária, o documento é unanimemente aceito e praticado no país por anunciantes, agências de publicidade e veículos de comunicação.

Ao defender regras mais restritivas para o setor, o Conar destaca ser contrário à proibição total da publicidade infantil, por entender que se trata de parte essencial da educação. “Privar crianças e adolescentes do acesso à publicidade é debilitá-las, pois cidadãos responsáveis e consumidores conscientes dependem de informação”, disse, em nota, o presidente do conselho, Gilberto Leifert.

Para definição do público infantil, o código adota os parâmetros do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). De acordo com o ECA, são consideradas crianças meninos e meninas até 12 anos de idade incompletos e adolescentes, os que têm entre 12 e 18 anos de idade.

Na avaliação de Ana Cláudia Bessa, uma das fundadoras do movimento Infância Livre de Consumismo, coletivo formado por pais e mães inconformados com os estímulos da publicidade infantil ao consumo excessivo, é preciso esperar para verificar como as novas regras serão colocadas em prática e de que forma o Conar vai lidar com possíveis descumprimentos.

A ativista, que defende o consumo consciente, teme que a incorporação das recomendações seja um “movimento de bastidores” para evitar que o Brasil tenha uma lei específica que regulamente o assunto.

“O Projeto de Lei 5.921/01, que proíbe a publicidade dirigida à criança e regulamenta a publicidade dirigida a adolescentes, tramita há mais de dez anos no Congresso Nacional. Tenho receio que, diante da grande pressão da sociedade, o Conar tenha feito essa alteração para evitar mudanças mais profundas, previstas no projeto”, disse.

Ela lembrou que a autorregulamentação do setor, exercida pelo Conar, é importante, mas não é suficiente, uma vez que o código em que se baseia não tem força de lei. “O Conar apenas recomenda. A lei é fundamental porque é preciso haver alguém que puna, que aplique multas pesadas em caso de descumprimento”, destacou.

Segundo especialistas, as crianças não têm desenvolvimento psicológico suficiente para identificar estratégias de persuasão utilizadas nas peças publicitárias e facilmente confundem o cenário e os resultados produzidos com a realidade.

É disso que a assistente de direção de arte Thaiane Pinheiro, 23 anos, se queixa. Mãe de um menino de 5 anos, ela diz que é preciso haver “muita conversa” e firmeza nas decisões para driblar o impulso consumista despertado pela propaganda nas crianças.

“Normalmente, ele quer todos os brinquedos que aparecem nos comerciais. Eu converso muito com ele e sempre dou [presentes] em datas comemorativas, como Natal e aniversário”, disse, destacando que é comum que o carrinho ou o boneco tão pedido perca a graça em pouco tempo.

“Muitas propagandas iludem as crianças. São sempre coloridas, mágicas e trazem a sensação de que, com o brinquedo, a criança pode ser um super-herói. Quando elas ganham o brinquedo ficam felizes por umas duas horas até descobrir que ele [o brinquedo] não faz tudo o que estava no comercial e logo passam a querer mais e mais”, disse.

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EBSERH rebate acusações de reitor da UFJF

março 1st, 2013 by mariafro
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Estatal diz que HU receberá recursos

Por Fernanda Sanglard, Tribuna de Minas

01/03/2013

No entanto, verba de custeio repassada pelo Rehuf em 2012 só garante 2 meses de despesa

A Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (EBSERH) – estatal de direito privado criada pelo Governo federal para gerir os hospitais universitários federais – afirmou ontem que não haverá corte de recursos para o HU da UFJF, pelo fato de não ter aderido à EBSERH. Conforme a assessoria de imprensa da empresa, a verba destinada pelo Programa Nacional de Reestruturação dos Hospitais Universitários Federais (Rehuf) será mantida para todas as instituições. No entanto, conforme levantamento feito pelo HU local a pedido da Tribuna, no ano passado, a instituição recebeu apenas duas parcelas destinadas a custeio, totalizando R$ 3.662.823,49. O valor só seria suficiente para manter dois meses de funcionamento da unidade, já que os custos mensais estimados pela direção do HU são da ordem de R$ 2,5 milhões, e a única fonte de receita garantida até o momento é da Prefeitura, responsável por repassar R$ 700 mil mensais à unidade. Informações da UFJF dão conta de que não haverá mais repasse do MEC e de outros órgãos federais para suplementação. Caso o montante repassado pelo Rehuf não seja reajustado, a instituição não terá condições de se manter.

Segundo a assessoria da EBSERH, não há nenhum tipo de retaliação às unidades que foram contra a proposta da estatal e não houve modificação na matriz de distribuição dos repasses do Rehuf – oriundos do Ministério da Educação (MEC) e do Fundo Nacional de Saúde. Ainda segundo a empresa, como o Orçamento Geral da União está em debate no Congresso Nacional e os Ministérios da Educação e da Saúde não definiram os valores de 2013, o montante do orçamento de cada hospital ainda não está concluído. Por isso, não houve destinação do Rehuf para nenhum dos 46 hospitais universitários. Até agora, 29 HUs já aderiram à EBSERH.

O diretor financeiro do HU da UFJF, Alexandre Magno, explica que a necessidade de realizar corte de 25% nos contratos de fornecedores e prestadores de serviço do hospital - como divulgado em reportagem publicada nesta quinta-feira (28) na Tribuna - tem o intuito de adequação à nova receita. De acordo com ele, pelo fato de os aportes do Rehuf não serem regulares e, até então, terem sido insuficientes para arcar com os custos, ainda não é possível apostar nessa solução. “Em relação à verba de capital do Rehuf, voltada para equipamentos, obras e reforma, recebemos montante significativamente maior, porque estamos dando andamento às obras do novo HU, que tem recursos garantidos. Mas, no momento, só temos em conta o recurso da contratualização (com a Prefeitura).”

O coordenador geral do Sindicato dos Servidores Técnico-Administrativos da UFJF (Sintufejuf), Lucas Simeão, diz que foi pego de surpresa com a notícia e que a diretoria do sindicato vai se reunir com HU e com a Reitoria, para buscar informação sobre a situação. Na avaliação do presidente da Associação dos Professores de Ensino Superior (Apes), Paulo César de Souza Ignácio, ainda que o Governo federal afirme não se tratar de retaliação, parece que há pressão para adesão à estatal. “Em tese, a EBSERH não era uma imposição. As universidades deveriam ter autonomia. Se for constatado que as universidades federais não terão recursos para manter seus hospitais, fundamentais para a formação acadêmica, é preciso rever até mesmo a razão de existência dos cursos de medicina. Esse corte anunciado no HU trará prejuízos não só para o ensino, mas, principalmente, para a sociedade.”

Conforme levantamento do setor de Regulação da Secretaria de Saúde, com base nos atendimentos registrados em 2012, as consultas especializadas do HU correspondem a 35% do total realizado pelo SUS na cidade. Já os 145 leitos do HU (sem incluir UTI) são responsáveis por 10% da oferta do município, que é de 1.342 leitos.

Leia também:

Com a palavra os médicos que de fato defendem o SUS: EBSERH é dupla porta ou não?

Quem se opõe ao Programa de Valorização do Profissional da Atenção Básica (Provab)?

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Direção Nacional do PT aprova por unanimidade resolução sobre Democratização da Mídia

março 1st, 2013 by mariafro
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Ao menos uma boa notícia hoje: pela manhã postei a proposta para debate sobre democratização da mídia durante a reunião da direção nacional do PT em Fortaleza: Proposta para debate na reunião do Diretório Nacional do PT em Fortaleza vamos nos mobilizar? e não é que a direção nacional aprovou por unanimidade? \o/

Agora é cobrar, cobrar, cobrar, mobilizar, mobilizar, mobilizar  pra que esta resolução se torne realidade. Temos de exigir empenho, articulação e estrutura para o seu cumprimento.

Resolução aprovada por unanimidade pelo Diretório Nacional do PT:

via Valter Pomar, Facebook

Democratização da mídia é urgente e inadiável

O Diretório Nacional do PT, reunido em Fortaleza nos dias 1 e 2/3/2013, levando em consideração:

1. A decisão do governo federal de adiar a implantação de um novo marco regulatório das comunicações, anunciada em 20 de fevereiro pelo Ministério das Comunicações;

2. A isenção fiscal, no montante de R$ 60 bilhões, concedida às empresas de telecomunicações, no contexto do novo Plano Nacional de Banda Larga;

3. A necessidade de que as deliberações democraticamente aprovadas pela Conferência Nacional de Comunicação (Confecom), convocada e organizada pelo governo federal e realizada em Brasília em 2009 — em especial aquelas que determinam a reforma do marco regulatório das comunicações, mudanças no regime de concessões de rádio e TV,adequação da produção e difusão de conteúdos às normas da Constituição Federal, e anistia às rádios comunitárias — sejam implementadas pela União;

4. Por fim, mas não menos importante, que o oligopólio que controla o sistema de mídia no Brasil é um dos mais fortes obstáculos, nos dias de hoje, à transformação da realidade do nosso país.

RESOLVE:

I. Conclamar o governo a reconsiderar a atitude do Ministério das Comunicações, dando início à reforma do marco regulatório das comunicações, bem como a abrir diálogo com os movimentos sociais e grupos da sociedade civil que lutam para democratizar as mídias no país;

II. No mesmo sentido, conclamar o governo a rever o pacote de isenções concedido às empresas de telecomunicações; a reiniciar o processo de recuperação da Telebrás; e a manter a neutralidade da Internet (igualdade de acesso, ameaçada por grandes interesses comerciais);

III. Apoiar a iniciativa de um Projeto de Lei de Iniciativa Popular para um novo marco regulatório das comunicações, proposto pelo Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC), pela CUT e outras entidades, conclamando a militância do Partido dos Trabalhadores a se juntar decididamente a essa campanha;

IV. Convocar a Conferência Nacional Extraordinária de Comunicação do PT, a ser realizada ainda em 2013, com o tema “Democratizar a Mídia e ampliar a liberdade de expressão, para Democratizar o Brasil”.

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