Maria Frô

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Demóstenes e os grampos: o falso virou ‘verdade’ e o verdadeiro vai dar em nada?

março 25th, 2012 by mariafro
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Os dois grampos do senador

Paulo Moreira Leite, em sua coluna em Época

23/03/2012

Vamos combinar que o senador Demóstenes Torres (DEM), de Goiás, não deve ser uma conversa boa ao telefone.

Demóstenes foi o interlocutor de Gilmar Mendes, ministro do Supremo, naquele célebre grampo que se transformou num dos grandes escândalos do governo Lula – até que, no finzinho de 2010, quando ninguém prestava atenção nos jornais,
a Polícia Federal divulgou o resultado de um inquérito dizendo textualmente que não encontrara um fiapo de prova sequer sobre a realização do grampo.

Ninguém pediu desculpas nem maiores esclarecimentos, embora a confusão tenha produzido a queda de Paulo Lacerda, o diretor geral da ABIN. Numa reação que parecia o prenúncio de uma crise institucional, no auge da denúncia Gilmar Mendes prometeu chamar o presidente Lula “às falas.”

A novidade está nos grampos que reproduzem diálogos entre Demóstenes e o bicheiro Carlinho Cachoeira.

Com a tranquilidade de quem conversa com um celular vendido em em Miami com a garantia de que era à prova de escutas, os diálogos acabaram complicando a situação do senador. Demóstenes é ouvido quando pede para Cachoeira “pagar uma depesa com taxi-aéreo no valor de R$ 3.000.” Também é ouvido transmitindo informações de
caráter confidencial sobre reuniões no governo, no Congresso e mesmo no Judiciário.

Considerando o acesso do senador à cúpula dos poderes, pode-se imaginar que eram informações bem valiosas, não é mesmo?

Carlinhos Cachoeira é um personagem eclético das finanças políticas do país. Não custa lembrar que foi gravado quando negociava propinas com Valdomiro Diniz, ligado ao esquema financeiro do PT. Também tem ligações com tucanos e políticos do DEM e do PP.

Não sou moralista e não acho que episódios dessa natureza digam respeito ao caráter das pessoas. (Só acho que os falsos moralistas, que denunciam nos outros aquilo que fazem, deveriam deixar os eleitores mais atentos). O problema não é o bicheiro. É o sistema que está bichado.

A circulação de dinheiro clandestino na política brasileira é uma consequência de um sistema de finanças destinado a alugar os poderes públicos e transformar os políticos em servidores do poder econômico. Pode ser um empresário com todos os papéis em ordem, ou um bicheiro. Enquanto não se mudar esse sistema, teremos episódios desse tipo. O próprio sistema gera suas leis e suas regras de competição.

Não custa aguardar, porém, pelo desfecho deste caso. Há duas semanas os dados sobre Demóstenes foram enviados à Procuradoria Geral da República que ainda não decidiu abrir inquérito. É estranho, quando se recorda da rapidez com que outros casos foram apurados. O grampo falso de Demóstenes com Gilmar Mendes produziu uma crise política, abriu demissões na cúpula do Estado e colocou o governo Lula numa posição defensiva até que tudo fosse esclarecido.

O grampo verdadeiro ainda não levou a nada. Curioso, não?

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FOLHA VERSUS FALHA, O RETORNO

março 25th, 2012 by mariafro
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Há três semanas os irmãos Bocchini entraram com recurso em segunda instância para tentar retomar o nome Falha de S. Paulo.

A Folha tinha até a semana passada para recorrer se o fez ou não os irmãos Bocchini desconhecem. Começa assim a a segunda fase da batalha judicial! Acompanhemos.

Para ler na íntegra o Recurso de Apelação dos irmãos Bocchini acesse aqui:

Para entender o caso:

Sentença em primeira instância

Rodrigo Vianna: Folha versus Falha, juiz dá lição nos Frias

Carta Capital: Folha versus Falha e nós com isso

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Dilma, a musa da classe média

março 25th, 2012 by mariafro
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Em agosto de 2010 discutia com um querido amigo jornalista. Ele, na época,  já era bastante cético, achava que Lula deveria ser aposentar, que a vez era de Dilma, mas não nutria esperanças no seu governo como um governo popular. Ele argumentava: falta a Dilma a consciência de classe gestada na luta do ex-operário. Dilma é do mundo do colégio Sion, da leitura para moças, apesar da experiência na luta contra a ditadura militar, os seus valores são os de classe média, ela é gerente, vai pensar com planilhas.

Hoje abro meu facebook e minha amiga querida, de classe média, socióloga, filha de militares (não os que torturaram) que criou seis filhos me destaca um trecho de  Maurício Dias do artigo A DIFÍCIL TRAVESSIA, na CARTA CAPITAL, pg. 16:

Apoiada na sua popularidade ( 72%) Dilma enfrenta com bravura a velha questão da governabilidade;

Dilma transige dentro de limites. Às vezes troca seis por meia dúzia como aparenta ser a mudança na liderança do governo no Senado. ( … )

Na sucessão de problemas surgiu a reação do senador Blairo Maggi à resistência da presidenta de se submeter ao nome indicado pelo PR para o Ministério dos Transportes. “Ou bola ou búrica” propos Maggi. Entre o tudo e o nada, ela optou pelo nada.

Dilma, sem dúvida nenhuma, apoia-se na credibilidade social (72%) Esses números de aprovação do governo, se CONTRAPÕEM à credibilidade do Congresso junto à sociedade que, nos últimos 3 anos vem em constante queda ( atualmente 35%).

A coragem de Dilma para o enfrentamento com os adversários já foi posta à prova nos anos 70. (…) Agora enfrenta a Oposição do Congresso. Pode Ganhar!

Minha querida amiga, aos 78 anos, me diz em letras garrafais se referindo ao texto que transcreveu para mim no Facebook: “SE ELA CONSEGUIR ISSO, MORRO FELIZ, NA CERTEZA DE QUE NOSSO PAÍS COMEÇA A CAMINHAR NA TRILHA CERTA.”

Ontem lendo um texto de Reinaldo Azevedo me surpreendi com a moderação em relação não apenas ao falar de Lula, mas também de Dilma. Em relação a Lula (ao menos no trecho que destaco) duvido que até petista discorde do blogueiro da Veja: “Lula, que ainda não pode falar em público, se torna a única voz ainda firme da política; aquele de quem se espera algum norte, alguma articulação mágica, alguma resposta./ Que coisa! Em meio a tanta barulheira, a política se tornou refém do silêncio de Lula. É um sinal de fraqueza da oposição, sim!”

Ao se referir a Dilma encontramos um Reinaldo de Azevedo quase calmo e sem a virulência da campanha eleitoral:Diga o que se quiser de Dilma — que é intolerante com a corrupção (pode ser), com o fisiologismo (pode ser), com os oportunistas (pode ser) —, só não se diga que ela é uma liderança política. Se vai ser ainda, veremos.”

Vejam, os adjetivos ‘poste’, ‘sombra’ e afins desapareceram do texto da direita.

Meu amigo Maurício Caleiro a partir da leitura da entrevista de Dilma a Luis Nassif (que não se pode chamar de esquerdista, tampouco de direitista) escreveu um texto que eu assino embaixo: O momento Dilma.

A análise de Caleiro é de uma perspectiva de esquerda como é a minha. Dilma não está fazendo um meio de campo político competente com os movimentos sociais e as centrais sindicais, nem próximo disso, porque ela não dialoga com eles. Dilma fez este afastamento para se aproximar do Centro (a tal da governabilidade que nos acompanha e nos torna reféns dos partidos fisiológicos que abundam no país), mas não conquistou o Centrão ao abandonar os movimentos sociais que a elegeram.

Se o objetivo de Dilma for conquistar a classe média, está sendo muito competente. Ela está conseguindo, não apenas a classe média com alguns valores menos conservadores que até votou em Lula, como também recebe a cada dia mais simpatia daquela que nutre um enorme ranço em relação ao ex-operário, retirante nordestino que não fala inglês e que se tornou por duas vezes presidente do Brasil.

Talvez o sucesso de Dilma junto à classe média seja o fato de como Lula – que nasceu em seio operário e sabe falar para os trabalhadores -, ela  também conheça profundamente a sua classe e os valores dela: um certo tipo de discurso anti-corrupção, por exemplo, é modelar desse grupo. Isso explica, ao menos para mim porque Dilma agrada muito mais aos 44 milhões de eleitores que não votaram nela. Até quando? Eis a questão.

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Há 32 anos trabalhava na GM e morreu prensado, operando sozinho máquina que deveria ter dois metalúrgicos

março 25th, 2012 by mariafro
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Quando eu era adolescente fiz uma pesquisa para a Faculdade de Medicina de Saúde Pública sobre as condições de trabalho dos operários cubatenses. Chamava-me muito a a atenção as placas em frente das grandes indústrias informando quantos dias havia se passado sem acidentes fatais nas referidas indústrias. As placas eram frequentemente zeradas, creio nunca ter visto uma que informava 365 dias.

Conhecer histórias como essas (sem esquecer que há trabalho escravo até mesmo na região da av. Paulista) depois de quase 30 anos e depois de termos eleito um ex-metalúrgico para a presidência do Brasil (que teve um dedo amputado em acidente de trabalho) dá uma tristeza sem fim.

Tem capitalista chinês que está vindo para o Brasil montar maior fábrica do mundo de tablets dizendo que somos ‘preguiçosos’, são do estilo dos que nos EUA fazem seus operários usarem fraldas geriátricas para que não interrompam o trabalho.

Toda a atenção à garantia de manutenção dos direitos trabalhistas conquistados e para a ampliação destes é pouca. Velhos e novos capitalistas com suas velhas práticas de exploração e mais valia miram o Brasil como nunca; a Justiça anda mais cega do que de costume e os governantes e a sanha de tercerizar serviço público estão pouco se importando com a escravização do século XXI. Estamos por nossa própria conta e mobilização como sempre estivemos.

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