Maria Frô - ativismo é por aqui

Maria Frô header image 4

Vai que é sua, Dilma! União tem dez dias para se manifestar sobre demolição do Museu do Índio

janeiro 18th, 2013 by mariafro
Respond

Índios comemoram com festa prazo maior para ‘aldeia Maracanã’

Por: Júlia Dias Carneiro, Da BBC Brasil, no Rio de Janeiro

18/01/2013

Ocupantes do prédio comemoraram a decisão da Justiça com uma festa ao redor de uma fogueira

Os indígenas e simpatizantes que ocupam o antigo Museu do Índio, prédio ao lado do estádio do Maracanã ameaçado de demolição para a construção de um estacionamento, comemoraram com uma grande festa a decisão da Justiça de dar um prazo para que a União se manifeste sobre o caso.

O Tribunal Regional Federal da 2ª Região determinou na quinta-feira que a União tem dez dias para se manifestar sobre o recurso do Ministério Público Federal que busca impedir a demolição do prédio e a retirada dos ocupantes do Museu do Índio.

A notícia de que o dia terminara com uma decisão favorável nos tribunais chegou de forma simplificada à chamada ‘Aldeia Maracanã’, mas gerou uma grande festa e muita comoção entre os ocupantes do prédio, na zona norte do Rio.

“O tribunal suspendeu a derrubada do prédio!”, anunciou um dos indígenas no microfone, contando uma versão inicial excessivamente otimista dos fatos, mas conclamando todos os presentes para o espaço central do prédio para comemorar. “Vamos acender a fogueira!”

O fogo foi ateado e a celebração começou, com muita dança e cantoria na roda que se abriu a seu redor.

Alento

Mais de 20 famílias indígenas vivem no antigo museu ao lado do estádio do Maracanã desde 2006

A decisão foi mais um passo na batalha jurídica em relação ao terreno. Os indígenas sabem que está longe de ser uma solução para o impasse, mas interpretaram a notícia como um alento, durante dez dias, para a ameaça de demolição do prédio – sobretudo após longos momentos de tensão vividos no último sábado, quando a polícia fez um cerco ao local e o despejo dos ocupantes parecia iminente.

“A gente está um pouco aliviado, não por muito tempo, mas é um alívio. Estou muito emocionado”, disse à BBC Brasil o líder da comunidade, Carlos Tukano. “Estamos esperançosos.”

A Justiça vai verificar outros trâmites legais para a gente continuar essa luta e para a manutenção deste prédio. Vamos continuar o trabalho de conscientização da sociedade civil, que está começando a entender a posição dos povos indígenas. E a gente ganha tempo para responder ao governador”, afirmou, referindo-se à proposta de criação de um centro de referência para povos indígenas em um outro local caso os ocupantes concordem em deixar o imóvel, feita nesta semana pelo governo de Sérgio Cabral.

O governo do Estado do Rio comprou da União o terreno do antigo Museu do Índio – onde funcionam também laboratórios do Ministério da Agricultura – e prevê sua demolição como parte do projeto de melhorias planejadas para os arredores do Maracanã para a Copa de 2014 e a Olimpíada de 2016.

Mais de 20 famílias indígenas vivem no local desde 2006 e vêm lutando para que ele continue de pé e vire um centro de referência indígena – e para que possam permanecer no local.

Boato

Na manhã desta quinta-feira, um boato de que a polícia estava novamente a caminho rapidamente se espalhou, levando todos que estavam no local a se mobilizarem imediatamente – e expondo o clima de tensão na comunidade.

De acordo com o juiz João Batista Damasceno, que é simpático à causa dos indígenas e foi para o local após saber sobre a determinação do TRF-2, a notícia “é uma resposta positiva para os próximos dez dias.”

“Coloca uma luz no fim do túnel. Há um problema na transferência deste prédio da União para o governo do Estado, que na transação não disse que ele seria demolido. A empresa pública federal não o transferiu com essa finalidade”, observa Damasceno, membro da Associação Juízes para a Democracia.

“Nesta altura do campeonato, dez dias são muito tempo. Porque cada minuto aqui é relevante, já que outros órgãos podem se manifestar.”

Veja também: Unesco cobrará explicações sobre decisão de demolir Museu do Índio

Leia também:

Museu do Índio, que interesses existem para o poder público ignorar pareceres?

Mais uma série espetacular de Latuff: 513 anos de desrespeito aos povos indígenas

Após denúncia nas redes sobre suas inverdades, Globo News faz retratação estilo Folha

Carpinteiros da Concrejato são demitidos por terem sido solidários aos indígenas da Aldeia Maracanã

Aldeia Maracanã: Abaixo-assinado O Brasil quer salvar o Museu do Índio do Brasil

Indígena dá um pito em repórter da Globo News por veicular mentiras na cobertura da ocupação Aldeia Maracanã

Na Aldeia Maracanã um espetáculo grotesco de Cabral patrocinado por Eike Batista

Museu do Índio não tem valor histórico apenas pela sua construção centenária, mas pelo que abrigou

Latuff: Aldeia Maracanã

Tags:   · · · · · · · · · · · · 5 Comments

Não deixe Milton Santos se tornar um Pinheirinho II, mobilize-se, solidarize-se!

janeiro 17th, 2013 by mariafro
Respond

Alguém pode me explicar como é que um assentamento regularizado recebe ordem de despejo?  Alguém pode me explicar como é que a (IN)JUSTIÇA FEDERAL devolve um terreno que foi para a UNIÃO devido dívida de INSS? 

A área do assentamento Milton Santos pertencia à família Abdalla e foi repassada, em 1976, ao INSS como forma de pagamento de dívidas com a União. O assentamento foi reconhecido pelo Incra em julho de 2006, mas em  28 de novembro de 2012 a Justiça Federal determinou a reintegração de posse da área.

Como é que podemos pensar um país justo com a Justiça que sempre fica ao lado do capital?????

Bóra assinar petição AQUI pra entregar à presidenta Dilma e que ela não faça ouvidos moucos como vem fazendo no Rio dos Macacos.

O Assentamento Milton Santos, em Americana – SP, foi regularizado há sete anos e várias famílias nele residem e vivem exclusivamente do cultivo agrário. Agora os moradores receberam ordem de despejo e têm cerca de 90 dias para deixarem para trás seu espaço, suas casas, suas histórias lá construídas. As famílias assentadas precisam do apoio dos órgãos públicos competentes para que não tenham que recomeçar sua vida do zero.

Leia:

Assentados no Milton Santos vivem a angústia do despejo iminente

Suplicy cobra ação para impedir “novo Pinheirinho” no Milton Santos

Após notificação do Incra, Justiça dá prazo de 15 dias para despejar famílias do Milton Santos

Tags:   · · · · 4 Comments

Cadiveu, campanha idiota com cabelos afro até quando?

janeiro 17th, 2013 by mariafro
Respond

Juro que tenho preguiça, mas muita preguiça de publicitário limítrofe. Ai gente, em que século estamos?????

Abaixo a campanha escrota de uma marca de alisantes de cabelo:

Será que esses publiciotários não vão aprender nunca?

A moçada que adora seus lindos cachos e está cagando e andando pra Cadiveu mostram seus cachos aqui e soltam o verbo “Esse blog é um protesto à campanha da empresa Cadiveu que discrimina e ridiculariza os cabelos afros, sugerindo que nós, mulheres negras, precisamos usar alisantes para nos sentirmos mais bonitas e sermos aceitas pela sociedade. NÃO PRECISAMOS DE CADIVEU! Precisamos de respeito!”
E muitos outros sites afrocentrados ou não dizem não a Cadiveu ; “Sou bonita pra caramba e não uso Cadiveu“; Não Cadiveu, eu não preciso de você.

Então, bóra boicotar Cadiveu, não só pela campanha medíocre, mas também porque deve ser um produto horrível já que é  fabricado por uma empresa que não consegue ver a beleza nas diferentes texturas dos cabelos.

E por falar em beleza, alguém imagina esta fofura em forma de pessoa com outro cabelo que não seja o seu?

Foto da página Orgulho de ser Preto

E estas meninas maravilhosas? Continuariam tão belas sem seus cachos volumosos?


Top Cufa 2012, Etapa Regional São Paaulo. Fotos: Conceição Oliveira

Tags:   · · 9 Comments

Blogueiro também é gente

janeiro 16th, 2013 by mariafro
Respond

Por isso blogueiro às vezes cansa, reclama, se entristece e desabafa.

Este post é uma resposta aos amigos leitores que também me acompanham no Facebook. Resolvi responder por aqui para que a resposta não se perca no mar alucinante de postagens do Facebook.

Contexto:

Ontem no meio de muitas cobranças na rede, goteira no quarto e pedreiro pedindo mais material, desabafei:

Gente, eu não ganho um centavo com este blog, ele existe por pura teimosia minha, e pela solidariedade do André Leite que banca o servidor e agora bancou até o domínio.
Minha casa está com goteiras, com infiltrações, de perna para o ar. Estou desempregada e saindo para um empréstimo bancário. Vocês tenham paciência e parem de cobrar da blogosfera a solução do mundo.

Recebi mensagens privadas de algumas pessoas queridas, e outras em aberto se solidarizando (aqui).  Resolvi, portanto, respondê-las. Espero conseguir explicar como vejo a situação com o mesmo respeito,  carinho, consideração que tiveram por mim.

Explicações:

1) Vi que alguns acham que sou jornalista, não sou. Sou historiadora licenciada e  bacharel pela Universidade de São Paulo e pós-graduada em História Social (lato sensu, já que não defendi minha dissertação). Curso Pedagogia (interminavelmente também na Universidade de São Paulo); escrevo coleções didáticas,  já fiz dezenas de consultorias, desenvolvi projetos na área cultural, enfim, tem uma trajetória profissional de pelo menos 30 anos.

Consegui romper meus contratos com a Abril (infelizmente este grupo sinistro comprou as duas editoras que eu mantinha contrato desde 2000) e mesmo sendo ganhadora de dois prêmios Jabuti minhas coleções nunca foram divulgadas.  Fui demitida da escola em que lecionava por não ceder nunca nos princípios que defendo. Estou em fase de transição. Quero voltar a pesquisar, quero voltar a me apaixonar por projetos e ver sentido no que estou fazendo. Aliás está aqui meu currículo :) http://lattes.cnpq.br/3628558325118050

2) Desculpem-me se houve mal entendido no desabafo no post do Facebook. Eu me referia a quantidade de emails e mensagens lá ou via twitter de pessoas solicitando divulgação de causas, apoios, infos, etc. Agradeço imensamente a quantidade de pautas, de fontes, que recebo dos leitores, acho mesmo que a blogosfera se constrói assim: coletivamente.

Mas os leitores precisam entender que a blogosfera livre, séria, comprometida com o jornalismo cidadão, na maioria das vezes, é feita às custas de nosso tempo produtivo.

Abrirmos mão de muitas coisas, mas principalmente de nosso tempo para trabalhar para a nossa sobrevivência ou consumimos grande parte de nosso tempo afetivo (minha filha, família reclamam bastante das horas dedicadas ao mundo online).

Dá trabalho selecionar, comentar, investigar, produzir bons textos. Muitas vezes dá nos nervos ler as sandices gratuitas dirigidas a nós por mail, nos comentários do blog e nas redes (o twitter me parece ser o lugar mais agressivo).

 Um amigo querido, jornalista, vive bravo comigo e ele está coberto de razão, porque não é lá muito racional dedicar tanto tempo à luta política e deixar a nossa vida pessoal de lado, pra me alertar ele diz indignado “ativismo de koo é rola”. Mas mesmo assim continuo insistindo em dedicar uma boa parte do meu tempo à luta por democratizar a comunicação tão monopolizada e enviesada  na defesa dos interesses da elite brasileira e na constante criminalização das lutas sociais.

3) O blog Maria Frô tem o apoio de 500,00 reais mensais da Rede Brasil Atual, dinheiro que uso pra pagar despesas de telefonia e rede. Recebia alguns dólares do Google de tempos em tempos (o pagamento é feito a cada 100 dólares gerados por cliques nos anúncios do Google), mas não conto mais com isso pois me recusei a tirar este post do ar que o Adsense tratou como se fosse pornográfico. Preferi deixar de ganhar a merreca do Google que ser censurada por ele. Não me submeterei a ninguém, a nenhum poder, minha única arma é minha voz, minha capacidade de expressar o que penso, não abro mão de exercer este direito humano.

Sou ótima para mobilizar as pessoas pra boas causas, aqui mesmo no blog a gente já ajudou  Laíssa a conseguir alguns livros para entrar na USP, já levantamos dinheiro para  Cristiano comprar passagens, fazer sua matrícula na USP e aguentar até organizar a vida no campusMas sou péssima para pedir algo pra mim mesma.

Saídas

Vi que vários de vocês estão realmente preocupados comigo e se mobilizaram para ajuda imediata. Agradeço imensamente. A ideia do Vitor Luis Curvelo Sarno me parece bem bacana, não sei o quanto é plausível, porque apesar de eu ter uma grande rede, não temos uma cultura no Brasil de as pessoas contribuírem financeiramente para que uma outra lógica seja possível. Seria fantástico se 1/3 dos mais de 14 mil que me acompanham no twitter ou dos cerca de 9 mil do Facebook e de alguns milhares que leem o blog todos os dias contribuísse com 1,00 por mês. Mas sei que isso não acontece da noite para o dia e nunca bloguei imaginando receber dinheiro em troca. 

Alguns de vocês sugeriram veículos para fazer contribuições como se fossem assinaturas (um ‘pagamento’ pelo tempo desta blogueira suja dedicado à produção para a blogosfera).  O blog já tem conta no pagseguro, se olharem no canto superior direito do blog verão que podem clicar ali e fazer a contribuição que desejar. Observem na imagem abaixo em destaque:

Renam Brandão me telefonou e passamos um bom tempo conversando sobre estratégias de sobrevivência para este blog (e esta blogueira) na linha sugerida pelo Vitor, ele ficou de pensarmos uma experiência digital, solidária e econômica, bóra ver.

A sobrevivência sustentável dos blogs sujos é um debate constante em nossos encontros. Como fazer com que blogs que não tem a visibilidade dos grandes jornalistas que estão na televisão, mas que têm o que dizer e tem alguns milhares de leitores diários possam se tornar viáveis e não morrer na praia?

Então é isso meus queridos, Maria Frô vai seguir aos trancos e barrancos, terá dia que o ânimo estará mais sereno, outros mais exaltado, em resumo esta blogueira está mobilizada em consertar goteiras, mofos e infiltrações pra garantir minimamente a saúde e entre um tijolo e outro envia currículo pra tudo que é canto como se não houvesse amanhã. Ela espera encontrar um lugar onde possa compartilhar seus conhecimentos sem ser assediada moralmente, sem que lhe tolham a liberdade de pensamento e expressão, porque conhecimento não se constrói com controle e censura. Espera poder participar de experiências de luta e sobreviver dignamente. Ela está quase botando no currículo que é boa combatente e adora uma boa briga :)

Tags: 17 Comments