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Paulo Nogueira: Quem se entubou foi o El País

janeiro 25th, 2013 by mariafro
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Vale lembrar que esse caso da barrigona que o El País comeu, publicando uma suposta foto do Chávez entubado, quando na verdade era uma imagem retirada de um vídeo publicado no Youtube em 2008 sobre procedimentos médicos, é quase idêntico ao da ficha falsa da Dilma no DOPS, que a Folha publicou na primeira página e que logo se descobriu que era uma montagem criada por um blogueiro anônimo defensor da ditadura:

Quem se entubou foi o El País

PAULO NOGUEIRA 24 DE JANEIRO DE 2013

O ódio levou o jornal espanhol a uma barbaridade histórica: publicar foto fajuta de Chávez
A barrigada do jornal

A barrigada do jornal

Ódio.

O que levou o jornal espanhol El País a publicar uma foto falsa de Chávez entubado no hospital, numa das maiores barrigadas da história do jornalismo, foi a raiva que seus editores têm dele, Chávez.

Chávez representa, ideologicamente, o oposto do conservadorismo mofado do El País. A forma como o jornal trata Chávez remete à truculência desonesta com que a Globo fala dele.

À inépcia editorial o El País juntou a grosseria torrencial. O jornal se desculpou a seus leitores pela falha histórica, mas não a Chávez, a seus familiares e ao povo venezuelano.

Um vigarista italiano que fabricou entrevistas com celebridades até ser descoberto reivindicou a autoria intelectual do crime jornalístico.

Ele disse que inventou uma foto a partir de um e a pôs em circulação nos subterrâneos do mundo dos jornais. Afirmou ter ficado surpreso ao vê-la na primeira página do El País.

A versão do jornal é que foi vítima de uma trapaça de uma agência fotográfica que teria cobrado 30 000 euros pela imagem sensacional.

Um homem aparece entubado. Ele parece com Chávez, como tantos mestiços venezuelanos. E foi como Chávez que o El País o identificou.

Não tivesse o governo venezuelano descoberto a origem da imagem – um vídeo do YouTube com um doente parecido com Chávez – e a falsificação teria conquistado ares de verdade.

A oposição venezuelana diria que ali estava a prova de que Chávez está semimorto, e o El País se gabaria de um furo extraordinário. A foto ficou meia hora no site do jornal. E os exemplares em que ela aparecia na primeira página foram recolhidos, num vexame sensacional.

A justiça prevaleceu, e quem terminou entubado não foi Chávez – mas o arrogante, insolente, medíocre jornal espanhol.

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Pelo Centro de São Paulo passa “um Uruguai por dia”

janeiro 25th, 2013 by mariafro
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“Um Uruguai” viaja todo o dia para o centro

Por Isabel Dias de Aguiar

Valor Econômico – 25/01/2013

Todas as manhãs cerca de três milhões de pessoas se deslocam de bairros mais remotos da região metropolitana de São Paulo em direção ao chamado centro expandido para trabalhar. É o equivalente a “um Uruguai”, compara Ciro Biderman, especialista em economia urbana e professor dos cursos de graduação e pós-graduação das Escolas de Administração de Empresas e de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV). O atropelo no início de cada dia e nos finais de tarde é resultado de uma sucessão de equívocos históricos, acredita Biderman que acaba de se integrar à equipe da SPTrans, onde assumiu a chefia de gabinete.

No Brasil, governantes insistiram por sucessivas décadas em subsidiar o transporte particular e sucatear o transporte público, diz o professor. Há uma ameaça iminente de colapso no tráfego da cidade. O desconforto e a demora cada vez maior nos deslocamentos empurram as pessoas para o transporte individual. E pouco adianta construir novas avenidas porque em pouco tempo são ocupadas pelos veículos particulares, adverte. “Carro é como erva daninha, vai para onde se criam novos espaços”, diz Biderman.

Nesse cenário, o governo estadual decidiu reforçar os investimentos em transportes de massa sobre trilhos na área metropolitana de São Paulo. Ao todo, são R$ 45 bilhões no triênio 2012/2015, que incluem R$ 29,9 bilhões para expansão do Metrô paulistano. “É como se São Paulo tivesse redescoberto o transporte coletivo”, diz o presidente da Associação Brasileira da Indústria Ferroviária (Abifer), Vicente Abate. Os recursos não se destinam apenas a novos trajetos. Boa parte será aplicada na modernização dos carros e remodelação de percursos. Após um período longo de estagnação, as vendas da indústria ferroviária voltaram a crescer, não apenas para São Paulo. Os investimentos ocorrem em todo o país, estimulados pelo Programa de Aceleração do Crescimento, o PAC da Mobilidade.

A destinação de elevado volume de recursos para a construção de transportes sobre trilhos, porém, não é suficiente para resolver a deficiência aguda na oferta de transportes públicos na cidade de São Paulo. Para o presidente da Abifer, a oferta proporcionada pelo metrô e pelos trens metropolitanos tem de ser complementada com a construção de corredores exclusivos para ônibus, os chamados BRTs (sigla em inglês para Transporte Rápido por Ônibus). A fórmula é endossada pelo vereador Nabil Bonduki, escalado por Fernando Haddad para comandar as discussões sobre o novo Plano Diretor na Câmara Municipal.

Fernando Haddad acredita que, para alcançar rapidamente a eficiência no atendimento da população é importante a aproximação entre os governos municipal, estadual e federal. Além de recursos adicionais, o prefeito espera estabelecer uma sinergia entre os serviços prestados pelos diversos níveis de poder. O modelo a ser adotado na capital, segundo anunciou, será inspirado no de Curitiba na década de 1970, administrada pelo então prefeito Jaime Lerner.

Biderman acredita que os BRTs devem seguir requisitos que nem sempre são aplicados nos corredores de ônibus existentes em São Paulo. O acesso aos ônibus se deve dar em nível, diz, também é importante que o pagamento seja feito antes de o passageiro entrar e que os coletivos disponham de espaço para ultrapassagem. Para ele, esses elementos fazem muita diferença, porque os ônibus articulados podem abrir três ou quatro portas ao mesmo tempo e os passageiros não têm de subir escadas. Com isso, podem transportar até 200 pessoas cada, ou 40 mil passageiros por hora. O professor considera o metrô importante. Lembra, porém, que a sua construção é lenta e extremamente cara. Ao contrário do que ocorre com os BRTs, que podem ser construídos a um custo de entre 10% e 15% do que custaria o mesmo trajeto por meio do metrô.

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Leandro Fortes: PSDB vive o momento mais lamentável da sua história

janeiro 25th, 2013 by mariafro
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NOTA DE FALECIMENTO

Por Leandro Fortes (CartaCapital)

A reação formal do PSDB ao pronunciamento da presidenta Dilma Rousseff sobre a redução nos preços das tarifas de energia elétrica, em todo o país, é o momento mais lamentável do processo de ruptura histórica dos tucanos desde a fundação do partido, em junho de 1988.

A nota, assinada pelo presidente da sigla, deputado Sérgio Guerra, de Pernambuco, não vale sequer ser considerada pelo que contém, mas pelo que significa. Trata-se de um amontoado de ilações primárias baseadas quase que exclusivamente no ressentimento político e no desespero antecipado pelos danos eleitorais inevitáveis por conta da inacreditável opção por combater uma medida que vai aliviar o orçamento da população e estimular o setor produtivo nacional.

Neste aspecto, o deputado Guerra, despachante contumaz dessas virulentas notas oficiais do PSDB, apenas personaliza o ambiente de decadência instalado na oposição, para o qual contribuem lideranças do quilate do senador Agripino Maia, presidente do DEM, e o deputado Roberto Freire, do PPS. Sobre Maia, expoente de uma das mais tristes oligarquias políticas nordestinas, não é preciso dizer muito. É uma dessas tristes figuras gestadas na ditadura militar que sobreviveram às mudanças de ventos pulando de conchavo em conchavo, no melhor estilo sarneysista. Freire, ex-PCB, tansformou a si mesmo e ao PPS num simulacro cuja fachada política serve apenas de linha auxiliar ao pior da direita brasileira.

O PSDB surgiu como dissidência do PMDB que já na Assembleia Constituinte de 1986 caminhava para se tornar nisto que aí está, um conglomerado de políticos paroquiais vinculados a interesses difusos cujo protagonismo reside no volume, a despeito da qualidade de muitos que lá estão. A revoada dos tucanos parecia ser uma lufada de ar puro na prematuramente intoxicada Nova República de José Sarney. À frente do processo, um grande político brasileiro, Mário Covas, que não deixou herdeiros no partido. De certa forma, aquele PSDB nascido sob o signo da social democracia europeia, morreu junto com Covas, em 2001. Restaram espectros do nível de José Serra, Geraldo Alckmin e Álvaro Dias.

Aliás, o sonho tucano só não morreu próximo ao nascedouro, em 1992, porque Covas impediu, sabiamente, que o PSDB se agregasse ao moribundo governo de Fernando Collor de Mello, às vésperas do processo de impeachment. A mídia, em geral, nunca toca nesse assunto, mas foi o bom senso de Covas que barrou o movimento desastrado liderado por Fernando Henrique Cardoso, que pretendia jogar o PSDB na fossa sanitária do governo Collor em troca de assumir o cargo de ministro das Relações Exteriores. FHC, mais tarde chanceler e ministro da Fazenda de Itamar Franco, e presidente da República por dois mandatos, nunca teria chegado a subprefeito de Higienópolis se Covas não o tivesse impedido de aderir a Collor.

Fala-se muito da extinção do DEM, apesar do suspiro do carlismo em Salvador, mas essa agremiação dita “democrata” é um cadáver insepulto há muito tempo, sobre o qual se debruçam uns poucos reacionários leais. É no PSDB que as forças de direita e os conservadores em geral apostam suas fichas: há quadros melhores e, apesar de ser uma força política decadente, ainda se mantém firme em dois dos mais importantes estados da federação, São Paulo e Minas Gerais.

E é justamente por isso que a nota de Sérgio Guerra, um texto que parece ter sido escrito por um adolescente do ensino médio em pleno ataque hormonal de rebeldia, é, antes de tudo, um documento emblemático sobre o desespero político do PSDB e, por extensão, das forças de oposição.

Essas mesmas forcas que acreditam na fantasia pura e simples do antipetismo, do antilulismo e em outros venenos que a mídia lhes dá como antídoto ao obsoletismo em que vivem, sem perceber que o mundo se estende muito além das vontades dos jornalões e da opinião de penas de aluguel que, na ânsia de reproduzir os humores do patrão, revelam apenas o inacreditável grau de descolamento da realidade em que vivem.

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Estado Laico: é papel das TVs Públicas transmitir cultos e missas?

janeiro 25th, 2013 by mariafro
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O papel das TVs públicas no Brasil é um tema que volta e meia dá pano pra manga, algo que se deve, entre outras coisas, à falta de experiência no assunto, já que a TV Brasil ainda esta engatinhando e mesmo os melhores os canais regionais públicos tem um público cativo muito reduzido se comparados com o das TVs comerciais.

Talvez por isso mesmo seja importante reforçar o debate sobre esses espaços televisivos públicos e o conteúdo dos mesmos. Ainda mais nesses tempos em que o conceito de Estado laico está cada vez mais ameaçado, o que se reflete também neste contexto, pois já não são poucos os casos de canais regionais públicos que cedem espaço para programas católicos e evangélicos e a própria TV Brasil transmite eventos litúrgicos.

Além desse problema também está o contraditório obstáculo imposto por setores tradicionais da mídia brasileira, que questionam a criação da TV Brasil por parte do Governo Lula e a veem como “uma tentativa de criar um aparato midiático para beneficiar o PT”, mas não encontram nenhum problema quando é o PSDB que instrumentaliza um canal estatal, como a TV Cultura de São Paulo – que, aliás, abriu espaço para programas dedicados a alguns dos meios que geralmente bajulam os tucanos.

E o caso paulista não é o único. O leitor Bertoni, de Curitiba, envia um relato para o blog:

Aqui no Paraná, o tucano Beto Richa destruiu a TV Paraná Educativa, primeiro demitindo todos os funcionários contratados na gestão Requião, principalmente aqueles que eram ligados aos movimentos sociais e progressistas. Depois chamando-a de É-Paraná e somente retransmitindo a TV Cultura de São Paulo. Agora, aluga horários para a igreja do evangélio quadrangular…

Porém, infelizmente, aqui no Paraná são poucos os que se preocupam com a TV Pública… Tanto é que a TV Brasil não tem um canal aberto em Curitiba e região…

Mas a ideia principal deste tópico é propor o debate do estado laico dentro das TVs públicas. O caso que o Bertoni traz de Curitiba também fala em horários reservados para programas evangélicos na TV pública paranaense, e algo ainda mais controverso poderá acontecer na TV da Cämara Municipal de Forteleza. O presidente da Câmara pretende vender espaço no canal para a transmissão de cultos e missas, iniciando uma polêmica sobre se isso seria compatível com a missão do canal legislativo.

Neste dia 24/01, a seção Confronto de Ideias, do jornal cearense O Povo, traz dois artigos sobre a possibilidade de a TV Câmara de Fortaleza passar a transmitir cultos e missas,  onde os jornalistas Vandelúcio Souza (a favor) e Alberto Perdigão (contra) divergem sobre o papel das TVs Públicas em um Estado laico. Este blog reproduz as duas opiniões abaixo, mas acrescenta também uma terceira opinião para fortalecer o debate: se o Estado laico não pode ignorar a importância das religiões no Brasil, talvez que sua missão, através do canal de TV estatal, não seja a de transmitir cultos e missas, que já têm espaço abundante em diversas emissoras comerciais, e sim o de abordar as religiões a partir de uma visão mais jornalística e documental, garantindo, ademais, amplo espaço para o conhecimento das diferentes crenças, e inclusive aos que não crêem em nada.

Fica a dica, mas sem ignorar o Confronto de Ideias abaixo:

Proposta do presidente da Câmara de Fortaleza reativou o debate sobre a TV pública. Cultos e missas devem ter espaço na sua programação?

TV PÚBLICA

SIM - A religiosidade é um elemento da cultura cearense e como tal precisa ser preservada e respeitada, também na TV pública. As raízes deste povo estão arraigadas no anúncio do Evangelho que já perpassaram mais de 400 anos a contar da fundação do Forte de São Tiago em 1605 na Barra do Ceará por Pero Coelho de Sousa.

Segundo o Censo 2010, a população cearense chega a 8.448.055 habitantes. Destes, 7,8 milhões se declaram cristãos, sendo 78% católicos e 14,5% evangélicos. Apesar de maioria, os cristãos convivem em harmonia com as demais formas de espiritualidade, prática que parece desagradar aos “laicistas” que em nome de uma interpretação errônea da concepção de estado laico pretendem desconsiderar o ethos religioso desta gente.

Volta e meia o assunto retorna à discussão e a ditadura do relativismo que avançou neste século quer cumprir o vaticínio do filósofo que pretendeu “matar Deus”. Já que não conseguem fazê-lo no coração humano, que traz uma marca ontológica do transcendente, ao menos através dos meios que possam transmitir sua mensagem.

Em 2011 sob a égide da concepção falseada de estado laico quiseram retirar a Santa Missa e o programa evangélico Reencontro da TV Brasil. A ação impetrada pela Arquidiocese do Rio de Janeiro na Justiça Federal mostrou que a “decisão do conselho tinha forte e indesejável carga de discriminação religiosa”. Por força de liminar, os programas continuam sendo exibidos por tempo indeterminado.

Vale lembrar que no Ceará um dos programas mais antigos exibidos ininterruptamente é a Santa Missa – há 38 anos em uma TV pública. Só por este feito mereceria deferência.

A TV pública não perde sua identidade cultural, educativa, informativa, artística e inovadora e nem deixa de ser laica ao exibir uma programação religiosa semanalmente. Ao contrário, agrega valor e colabora na construção de uma cultura de paz ao propagar a mensagem de salvação do Ressuscitado que passou pela cruz.

“Ao exibir programação religiosa, a TV pública colabora na construção de uma cultura de paz”

Vanderlúcio Souza

Assessor de comunicação

NÃO - Não, e não sou eu quem diz. É a longeva Constituição “cidadã” de 1988, em seu artigo 19, que veda à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios “estabelecer cultos religiosos ou igrejas, subvencioná-los, embaraçar-lhes o funcionamento ou manter com eles ou seus representantes relações de dependência ou aliança (…)”. Deus seja louvado por decisão tão lúcida daquela Assembleia Constituinte, que assim assegurou ao brasileiro um Estado, inclusive os seus poderes, laico, secular, leigo, não-confessional.

Sendo inconstitucional, não é justificável que emissoras de TV estatais, sejam elas do Executivo, do Legislativo ou do Judiciário, financiadas com o dinheiro público, disponibilizem espaços na programação e nossos recursos técnicos e de pessoal para dar voz aos que professam essa ou aquela religião.

Sendo o Estado laico, também seria condenável, na via inversa, destinar programas nas emissoras ditas públicas para grupos de ateus ou agnósticos pregarem a importância de não crer em Deus ou de não crer em nada.

Do ponto de vista das políticas públicas, ao propor unilateralmente incluir missas na programação da TV Fortaleza, a Câmara Municipal estará afastando a sua TV estatal legislativa da perspectiva de evoluir para o caráter de TV legislativa pública, nossa, com nossas caras e falas, nossas problematizações, argumentações e deliberações. Estará afastando o cidadão do direito a um canal de informação, de expressão e de comunicação pública. E reforçando, assim, a exclusão comunicacional.

Ao adotar missas, em vez de acolher as massas, a Câmara de Fortaleza dará um passo atrás na difícil caminhada rumo ao que é diverso e plural, ao que é democrático e republicano. E se alinhará ao que é fundamentalista e sectário.

Pelas linhas tortas de Deus, logo estará em pauta no plenário, com transmissão pela TV Fortaleza, a saudável discussão sobre o papel da TV pública no Estado laico.

Estará afastando o cidadão do direito a um canal de expressão pública”

Alberto Perdigão

Jornalista e mestre em Políticas Públicas e Sociedade

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