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MST/MS denúncia atuação de milícias em propriedade próxima a Nova Andradina

janeiro 28th, 2014 by mariafro
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Por Karina Vilas Bôas, MST

22/01/2014


Segundo os MST, as imagens teriam sido captadas pelos acampados na região das fazendas Furnas e Córrego Fundo, na zona rural de Nova Andradina (Foto: MST)

O MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) vem por meio desta nota pública denunciar a atuação de “milícias”, seguranças fortemente armados, identificados como funcionários da empresa Servitel, que estão atuando para intimidar, coagir e ameaçar trabalhadores rurais Sem Terra, no acampamento que fica as margens das fazendas conhecidas como Furnas e Córrego Fundo, localizadas em Nova Andradina.

Nossa maior preocupação são com as famílias, homens, mulheres e crianças de bem que estão acampadas nesta área, se sentindo ameaçadas e inseguras, à espera de suas terras, já que o Incra vistoriou as fazendas e as mesmas foram consideradas improdutivas.

No dia 21 de janeiro dirigentes do MST estiveram na sede do INCRA/MS e formalizaram a denúncia para o superintendente adjunto, Celso Menezes e para o ouvidor agrário, Sidney Almeida e agora estamos no aguardo das providências que serão tomadas pelo órgão.

Nossa luta pela Reforma Agrária não será vencida pela intimidação nunca, por isso vamos continuar denunciando e exigindo justiça por parte dos órgãos competentes, pois empresa alguma tem autorização para ameaçar famílias com um armamento de grosso calibre como pode ser comprovado pelas fotos tiradas pelos próprios acampados do Movimento.

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Alan Laudino: Os rolezinhos são reflexos de uma sociedade de consumo

janeiro 28th, 2014 by mariafro
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Por  em seu blog

23/01/2014


Charge de Carlos Latuff publicada originalmente no 247.

A questão dos “rolezinhos” nunca foi apenas “contra-a favor” do funk, e sim a situação de segregação racial e social que existe em nosso país (mesmo que alguns relinchem que isso não existe em nosso país. faz-me rir). Na sociedade de consumo, o espaço privado para consumo aparentemente torna-se público. Portanto, qualquer um que possa consumir, tem condições de frequentar. No caso, os shoppings.

Porém os shoppings se tornaram bolhas, no qual a classe média pode frequentar, sem encarar a realidade que existe do lado de fora de suas casas (e até pouco tempo, dos shoppings).

Se os adolescentes da periferia podem consumir (mesmo que pouco em relação à maioria que frequenta um shopping), pergunto: qual argumento sustenta que eles não podem frequentar um shopping?

Não existe espaço público suficiente para a população frequentar, espaço de lazer, esporte, nem bibliotecas suficientes para uma metrópole do tamanho de São Paulo. Não há educação de qualidade, nem teatros e cinemas a preços acessíveis (mesmo com as carteirinhas de estudante).

Então impedir os jovens da periferia de frequentar os shoppings está baseado em que afinal? Dizem que eles são arruaceiros. Oras, são adolescentes, jovens cheio de energia e controlados pela sociedade de consumo e ostentação, e sem perspectiva de “ócio criativo” que os proporcionaria crescimento pessoal, eles vão dar vazão a isso em algum momento.

Um jovem de classe média quando tem uma atitude típica adolescente não é arruaceiro, é apenas jovem? Porque essa distinção?

Apenas para deixar bem claro meu ponto de vista: não acho legal a questão dos rolezinhos, isso não agrega nada a esses jovens, nem a sociedade, mas é a válvula de escape que eles encontraram. Também não gosto de funk (já gostei, quando era um movimento que dava voz as questões sociais do morro). Mas quando toca funk na balada até a maior patricinha desce até o chão com suas roupas bregas. O ideal é lutar por políticas públicas que favoreçam inclusão social e que não valorizem o consumo como parâmetro de valor social. Assim nem os jovens da periferia vão achar que um rolezinho vai mudar a vida deles, e nem a classe média vai achar que ter um espaço-bolha de consumo vai torná-los mais dignos.

Culpabilizar apenas esses jovens, só aumenta a segregação e a pressão social, que uma hora explode. Não há quem aguente. Os rolezinhos são reflexos de uma sociedade de consumo, simples. Comprar uma roupa na Osklen não faz ninguém um ser humano melhor, seja da periferia ou de Pinheiros. Acha feio preto no shopping? Desculpe, vai ter que aguentar pois são a maior parte da população do país.

Se queremos mudança, que tal começarem a frequentar as tais bibliotecas que querem que eles frequentem? Parar de ser hipócritas condenando a criminalização das drogas que fortalece o tráfico e ir no morro no final de semana comprar o baseado e o pó para diversão nas áreas abastadas?

Que tal um pouco de auto-reflexão, tentar encontrar a raiz dos problemas ao invés de ficar só na analise fácil e superficial, que sempre culpa o outro pelo problema e exime o “cidadão de bem” de todos os problemas (como se apenas cumprir a jornada de trabalho fosse o suficiente para transformar a sociedade, doce ilusão, santa burrice).

E se babam tanto ovo para EUA e Europa, pesquisem um pouquinho e saibam que a situação social americana está um caos, e que os países europeus que tem uma sociedade mais justa e saudável, são justamente os que investem mais em políticas sociais progressistas e menos hipocrisia na política. Abram os olhos, antes de apontar o dedo para fora, olhem para o próprio espelho e depois disso, votem com consciência (e cobrem resultados também).

Revolta de sofá no facebook só mostra preguiça, nada mais.

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Vitor Teixeira: Por que a esquerda briga?

janeiro 27th, 2014 by mariafro
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Andre Borges sobre a manifestação contra Copa em São Paulo: “Meninos eu vi”

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Andre Borges sobre a manifestação contra Copa em São Paulo: “Meninos eu vi”

janeiro 27th, 2014 by mariafro
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Passeata “Não Vai Ter Copa” na rua Xavier de Toledo, Centro de São Paulo, 25/01/2014.

MENINOS EU VI ! (OU QUASE VI)

Por: Andre Borges Lopes

27/01/2014

Eu não fui à manifestação do sábado, mas a manifestação veio a mim. Eu estava defronte o Teatro Municipal acompanhando a xepa das barracas de comida dos “chefs” quando a passeata chegou acompanhada do que eu calculo que seja uns 20% do contingente da gloriosa Força Pública na Capital. Os fardados provavelmente já estavam meio putos já que as folgas de sábado tinham sido canceladas e eles estavam “escoltando” a pé a garotada desde a Avenida Paulista, até então sem maiores contratempos.

Registrei no celular o Abre Alas subindo a Xavier de Toledo rumo à Biblioteca Mario de Andrade. O vídeo esta aí para quem quiser ver com seus próprios olhos a heterogênea composição sócio-etária-antropológica desse pequeno exército de Brancaleone. Arrisco a dizer que não havia mais do que uns 700 ou 800 passistas – incluindo uns gatos pingados na Velha Guarda e na Ala das Baianas. Todo o cortejo não ocupava meio quarteirão, contado da Comissão de Frente até a linha dos milicianos fardados que encerrava o desfile trajando vistosos coletes fluorescentes (vou postar umas fotos nos comentários). A grosso modo, estimo que a quantidade de meganhas superasse a militância numa vantagem de 2 para 1.

Momentos antes, o Sétimo de Cavalaria Motorizada da Força Pública havia emergido de surpresa das matas da praça Dom José Gaspar com suas motocas e feito uma sonora demonstração de carga ligeira rumo aos baixios da Rua Augusta. Mas no momento da filmagem já estava tudo em relativa paz. Pelo que eu vim a saber depois, nessa altura da passarela a ala Black Bloc tinha se dispersado (ali nas imediações do Municipal), e já estava ocupada quebrando uns bancos na Sete de Abril e apanhando da “massa popular alienada” no show de black music da Praça da República.

No cruzamento da Av. São Luis o clima começou a ficar mais tenso. As Waffen-SS do Choque se apresentaram com seus pesados uniformes de combate e a ala dos milicianos fluorescentes passou a exercer nervosamente o pequeno poder de impedir os transeuntes de virar a esquina rumo à Praça da República. Como até aquele momento o protesto não tinha rendido boas imagens, alguém resolveu facilitar o trabalho dos fotógrafos dos jornais e tacou fogo numa caçamba de lixo na subida da Consolação – o que causou um belo efeito visual na luz do crepúsculo. Era a deixa que a artilharia da PM esperava para começar a queima de fogos e forçar a dispersão do cortejo com a delicadeza que lhe é peculiar.

Como eu não estava particularmente a fim de fornecer o meu lombo para o descarrego das tensões e frustrações mundanas dos milicianos, achei melhor ir tomar uma gelada no Lanches Estadão, que estava lotado e barulhento como de costume. Só fui chegar na Rossevelt uma hora mais tarde, quando a carcaça do pobre Fusca do Seu Itamar serralheiro ainda fumegava, depois de ter roubado a cena e garantido a capa dos jornalões do dia seguinte. A meio quarteirão dali, o samba e cerveja rolavam soltos nos botecos lotados da rua Cesário Mota, onde o povo folgazão se divertia – alheio à opera bufa que fechava as cortinas na praça dos Parlapatões.


A visão do cartunista Vitor Teixeira sobre o movimento

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