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Nota da UFPE sobre a morte do estudante Raimundo Matias Dantas Neto

janeiro 8th, 2013 by mariafro
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Este blog está exaurido de denunciar assassinatos de jovens negros, de homossexuais, de mulheres. Quando o Brasil vai realmente encarar de frente a doença do racismo, da homofobia e do machismo e combatê-la?

Os requintes de crueldade que envolvem a morte deste jovem universitário da Universidade Federal de Pernambuco é pra nos encher de vergonha e nos indignar e nos deslocar e nos tirar da naturalização deste racismo medonho que ceifa a vida de jovens negros. Raimundo Matias Dantas Neto era estudante de Ciências Sociais  foi encontrado morto em circunstâncias estranhíssimas, parte de seus dreads foram arrancados. De acordo com informações de uma amiga jornalista de Recife o IML não permitiu que a família visse o corpo e deu como laudo da morte: asfixia.

Do Que Cazzo é esse

Morte de Raimundo Matias Dantas Neto
SEGUNDA-FEIRA, 7 DE JANEIRO DE 2013

O Departamento de Ciências Sociais e o Curso de Ciências Sociais da UFPE, apoiados por vários Programas de Pós-Graduação e Cursos que compõem o Centro de Filosofia e Ciências Humanas desta Universidade, tentaram publicar nos principais Jornais do Estado de Pernambuco a nota abaixo. Um destes jornais chegou a cobrar de nossa Chefe de Departamento a soma de R$ 6.000,00 pela oportunidade de publicar o pequeno texto em sua íntegra… Pedimos, encarecidamente, aos leitores deste blog que divulguem a nota em suas redes, já que se trata de um fato e uma questão que nos dizem respeito como cidadãos.

Mais informações sobre a morte de Raimundo Matias:

* No Diário de Pernambuco

* No Acerto de Contas

Nota
O Departamento de Sociologia e a Coordenação do Curso de Ciências Sociais da UFPE, diante da trágica morte do estudante do Curso de Ciências Sociais Raimundo Matias Dantas Neto, encontrado morto na madrugada do último dia 04, em circunstâncias ainda não esclarecidas e que dão margem à suspeita de que não teria sido uma morte acidental por afogamento, vêm de público reivindicar das autoridades responsáveis pela investigação em curso uma apuração rigorosa das condições que provocaram seu trágico desaparecimento. Esta nota vem juntar-se às manifestações do corpo discente no sentido de um esclarecimento cabal dessas condições, de modo que à dor de sua perda tão sentida por seus colegas e familiares, a quem prestamos solidariedade, não venha somar-se o sofrimento, para o qual não há luto, de qualquer dúvida sobre as circunstâncias de sua morte.
Recife, 07 de janeiro de 2013.

Maria da Conceição Lafayette de Almeida – Chefe do Departamento de Sociologia
Eliane Maria Monteiro da Fonte – Coordenadora do Curso de Ciências Sociais

Também Subscrevem essa nota:

José Luiz Ratton – Coordenador do Programa de Pós-Graduação em Sociologia

Lady Selma Albernaz – Coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Antropologia
Patrícia Pinheiro de Melo – Chefe do Departamento de História
Maria do Socorro Abreu de Andrade Lima – Coordenadora do Curso de História
Gabriela Tarouco – Vice-Coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Ciência Política
Daniel Rodrigues – Diretor do Centro de Educação
Ana Cristina Fernandes – Coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Geografia
Cláudio Ubiratan Gonçalves – Chefe do Departamento de Geografia
Fernanda Torres – Coordenadora da Graduação em Geografia

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Mestre Antonio Candido para Genoino “os que te conhecem nunca tiveram um minuto de dúvida”

janeiro 8th, 2013 by mariafro
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Há intelectuais e há os grandes mestres, aqueles que desenvolvem pensamento genuíno e se tornam referência para a humanidade, respeitados no mundo todo. No Brasil, desta estirpe de grandes intelectuais temos Paulo Freire, Antonio Candido. Ambos nunca venderam seu cérebro, nunca fizeram concessões, nunca abriram mão de seus princípios. Todos nós que tivemos a honra de ouvir ao menos uma vez na vida o grande Antonio Candido não esperaríamos uma postura diferente dele quando a injustiça impera,o grande mestre ficou ao lado da Justiça.

Via Conversa Afiada

S. Paulo, 31.12.12
Prezado companheiro José Genoino

Neste último dia de um ano tão tormentoso, quero dizer-lhe que tenho pensado muito em ti e na rede de destino que o colheu de maneira tão injusta. No entanto, todos os que o conhecem nunca tiveram um minuto de dúvida quanto à sua integridade de caráter e quanto à limpidez
de sua trajetória de vida. Entre eles estou eu, admirador que sempre o considerou um militante exemplo pela sua dignidade, a coragem e a lucidez, bem como pela clarividência na evolução ideológica, registrada em livro que li faz anos e é notável como prova de percepção
política.

Com os melhores votos, receba a expressão do constante apreço e o abraço cordial de Antonio Candido

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GCM agride skatistas na Praça Roosevelt e bota pra correr senhoras ambulantes na Sé

janeiro 7th, 2013 by mariafro
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O vídeo acima foi postado no dia 6/01 e hoje, dia 07/01 já tem 408 mil visitas.

Parabéns ao EduGold1 que filmou a truculência descabida e ilegal de um membro da corporação da Guarda Civil Metropolitana sem farda que agrediu ao menos dois skatistas com ‘gravata’ e spray de pimenta.

A ação do prefeito Haddad também foi rápida: os envolvidos estão afastados das ruas e serão investigados, o agressor à paisana já foi identificado.

A atitude de Haddad mostra que os paulistanos acertaram na escolha, sem blá, blá, blá e com ação imediata. Mas ainda é preciso mais, é preciso iniciar rapidamente um trabalho de formação destes sujeitos desqualificados que não fazem segurança pública, mas primam por agredir e distribuir força bruta na população mais frágil.

Hoje estive o dia inteiro no Poupa Tempo (melhor seria Perda de Tempo) e quando finalmente consegui resolver minha documentação após idas e vindas com a burocracia tercerizada do serviços públicos no estado de São Paulo, vi uma senhorinha aterrorizada com a aproximação da PM e da GCM.

Uma CGM nascida do governo truculento de Jânio Quadros pra ajudar a PM –  herdeira da Ditadura Militar-, a expulsar moradores de ocupações. Melhorou um pouco nos governos de Erundina e Marta e voltou à truculência com oito anos de higienismo social da dupla Serra/Kassab.

Ela desmonta a barraquinha rapidamente e corre pra se esconder sem olhar pra trás


Seu ‘crime’? Vender porta-documentos como estas capas plásticas pra proteger a carteira de trabalho. O documento mais valioso para o trabalhador alvo constante da polícia: uma carteira de trabalho assinada é salvo-conduto nas truculentas revistas policiais nas periferias.

Espero que Fernando Haddad além de afastar e investigar os guardas civis truculentos mude a lógica desta corporação, que seus membros passem por cursos, palestras, que sejam sensibilizados pra entender minimamente o que é Segurança Pública. Que Fernando Haddad ouça representantes da Cufa, como o seu presidente, Preto Zezé:

Quando o poder público, não permite que ele próprio violente seus cidadãos, não oprima suas próprias leis e incorpora o clamor da sociedade, ele se auto fortalece, ganha confiança, e assim ajuda a democracia a se construir de fato ! Parabéns Secretaria Municipal de Segurança de SP, por afastar os guardas que violentaram os skatistas! Sugiro e envio a proposta via a Conceição Oliveira que o Prefeito Haddad, faça uma formação sobre cultura juvenil e urbana com a Guarda, envolvendo skatistas e guardas, pois não adianta somente punir, é preciso construir outros valores! Preto Zezé,  Facebook

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Direitos Urbanos:A PROVÍNCIA ANTIDEMOCRÁTICA: RECIFE TERRA DAS CONSTRUTORAS

janeiro 4th, 2013 by mariafro
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Acho que Recife está longe de ser isoladamente a “terra das construtoras”. O Brasil está virando a terra das empreiteiras, a política institucional cada vez mais dependente delas.

Em 2012, ouvi uma procuradora em Natal, Rio Grande do Norte, dando dados assustadores: Natal ficará endividada por mais de 30 anos por causa da construção do estádio  para Copa, mas não avançará em mobilidade urbana.

No Rio, Paes age como um novo Pereira Passos, Kassab vendeu a cidade, equipamentos públicos como escolas, bibliotecas, creches em áreas valorizadas da cidade foram VENDIDOS a empreendimentos privados!!!!! A violência institucionalizada com a política das remoções em todas as cidades que vão sediar jogos da Copa aliada à grande especulação imobiliária são de indignar todos os que lutam por moradia urbana.

Em São Paulo além da violência contra a população dependente do crack para utilizar a área para a especulação imobiliária, houve centenas de incêndios criminosos em favelas e que só recentemente passaram a ser investigados pelo Ministério Público. Enfim, se nem direitos humanos (indissociáveis) conseguimos garantir aos mais pobres e sem acesso à Justiça, o que dirá de direitos urbanos, direito à moradia digna.

A PROVÍNCIA ANTIDEMOCRÁTICA: RECIFE TERRA DAS CONSTRUTORAS

Por: Direitos Urbanos | Recife, no Facebook

Enquanto o mundo pensa uma “nova cidade”, a partir da emergência de novas concepções de viver no e com o espaço urbano, Recife imita o que tem de pior na história da construção das grandes cidades. A capital pernambucana investe em um modelo ultrapassado que vem sendo desmontado nas grandes urbes do globo.

Atualmente, o grande embate vem sendo travado entre o poder executivo municipal – através do Prefeito do PT João da Costa, sua secretária de controla urbano Maria José de Biase – e o consórcio de construtoras (Moura Dubeux/Queiroz Galvão) versus o grupo da sociedade civil, o “Direitos Urbanos”, tendo como objeto o Projeto Novo Recife cuja construção pretende descaracterizar uma importante área da capital. O grupo “Direitos Urbanos” vem atuando para mostrar como todo procedimento está eivado por vícios formais e materiais e ilegalidade.

Em entrevista recente ao Diário de Pernambuco, o Prefeito do Recife demonstrou por que não tem condições de conduzir a avaliação do Projeto Novo Recife. Como se não bastasse o descaso na fala do prefeito, em uma manobra ilegal  a Prefeitura aprovou hoje (28/12) o projeto através do seu Conselho de Desenvolvimento Urbano (CDU).  A aprovação do projeto Novo Recife ocorre em meio ao descumprimento de uma liminar, assinada pelo juíza de Direito Edina Maria Brandão de Barros Correia, que exigiu a sustação da reunião.

O mesmo CDU está sofrendo ações na justiça pelo desrespeito ao seu regimento interno (link) e, além, pela ilegalidade flagrante das mais diversas ações do executivo municipal ao tratar das questões da cidade. A liminar acatou uma ação popular impetrada por representantes do grupo Direitos Urbanos. A ação evidenciou que o CDU-Recife vem descumprindo a Lei Municipal n º 16.704/01, bem como o regimento do conselho que prevê composição paritária. Atualmente, no CDU não há equilíbrio de forças, ficando a decisão nas mãos do poder público municipal e das empreiteiras, que aglutinam um maior número de lugares em detrimento das vagas destinadas à sociedade civil. Além disso, há vagas em aberto e membros no conselho por tempo superior ao permitido (quatro anos).

Hoje, na capital pernambucana, o projeto Novo Recife representa uma batalha simbólica que decidirá os destinos da construção da própria cidade. Democracia ou jogos obscuros de poder, nos quais o Prefeito da cidade é homenageado como “grande nome do ano” pela Associação das Empresas do Mercado Imobiliário de Pernambuco (ADEMI-PE).

ENTENDENDO O CASO:

Em termos de importância urbanística para o centro da cidade o Cais José Estelita jamais pode ser tomado como o “lote de um projeto como qualquer outro”. O terreno tem proporções que não se confundem com um terreno qualquer, 10ha, fica no ponto de articulação entre a Zona Sul e o Centro da cidade e é vizinho de uma área do Centro degradada e subutilizada (a região da rua Imperial) mas também de outra com intenso uso popular (o entorno do Mercado de São José).

O projeto que será feito ali pode determinar uma mudança de rumo no desenvolvimento da cidade, com um Centro vibrante, novamente referência da cidade como um todo, ou pode enterrar essa possibilidade, agravando problemas de mobilidade na ligação com o bairro de Boa Viagem, isolando ainda mais a área degradada do entorno da rua Imperial e segregando ainda mais ou levando a uma expulsão branca dos usuários populares do bairro de São José. Só alguém completamente cego para a cidade, suas possibilidades e suas fragilidades, e surdo a um debate que vem sendo feito desde 1920, quando o engenheiro Domingos Ferreira fez um plano urbanístico para aquela área, vai dizer a completa estupidez de que aquele é um terreno qualquer. Qualquer empreendimento do porte do NovoRecife é classificado pela legislação urbanística federal e municipal como um empreendimento de impacto, sujeito a análise especial, mais detalhada e que, mesmo segundo a lei de uso e ocupação do solo de 1996, que é ruim, não tem aprovação automática garantida. A aprovação de empreendimentos de impacto dependem do interesse social neles. Portanto, mesmo se o prefeito quisesse agir como um papagaio legalista, ele não poderia falar a bobagem de que o Cais José Estelita é um “lote como outro qualquer”.

Em certos momentos críticos, como o em que Recife vive, com o seu colapso de mobilidade, mero sintoma do colapso da urbanidade, é preciso tomadas de posição firmes, como mostrou o exemplo tão incensado de Enrique Peñalosa em Bogotá. Mas, mesmo assim, assumindo a existência de vários pontos de vista válidos e legítimos sobre a questão, então por que não fazer a danada da discussão pública sobre que cidade queremos? A reposta é porque, apesar desse papo de que há gente de todo tipo pensando de tudo, só um tipo de gente consegue falar no ouvido do prefeito. Há um plano para o futuro da cidade, só não é um plano feito pela cidade.

O projeto Novo Recife é um gravíssimo exemplo da maneira como vem acontecendo o desenvolvimento da cidade do Recife, processo no qual o poder público, ao invés de zelar, como manda a Constituição, pela “função social da cidade e o bem-estar de seus habitantes” (art 182), degrada-se em um mero facilitador dos interesses privados, sempre guiados por uma visão fragmentária e de curto prazo. Isso não vem de hoje, mas com o boom do desenvolvimento econômico recente no nosso estado esta tendência se acelerou. E o desenvolvimento econômico, ao invés de ser encarado como um meio para abrir o caminho da construção de uma cidade melhor para todos, com mais qualidade de vida e justiça social, se torna, ao contrário, quando tomado como um fim em si mesmo, um mecanismo para enterrar oportunidades. Maus políticos passam, com alguma sorte não voltam a ser eleitos, mas os efeitos da suas escolhas equivocadas permanecem por décadas. E patrimônio ambiental, a qualidade urbana da cidade e seu patrimônio histórico são bens que, uma vez perdidos, podem nunca mais ser recuperados. Quando isso se perde, a cidade que poderíamos ter construído fica no passado. Ao contrário do que pensa uma indústria que só sabe funcionar numa lógica extrativista, o Cais José Estelita não é só mais um terreno baldio, mas sim um pedaço da nossa cidade estratégico, com um potencial talvez inigualável para a construção de um projeto de cidade diferente.

Um adendo: O Consórcio Novo Recife é formado pela Moura Dubeux, Queiroz Galvão, mas também, pela G.L. Empreendimentos e Ara Empreendimentos.

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