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Intervenção na Líbia: foi Obama que apertou o botão da guerra

março 19th, 2011 by mariafro
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E dá-lhe Nobel da Paz!

Quem  decidiu a favor da guerra contra a Líbia foi Obama(1)

Por: Josh Rogin, Foreign Policy, “The Cable” Tradução: Vila Vudu

18/3/2011

 

No início dessa semana, era consenso em Washington que ninguém cogitava de ação militar contra a Líbia. Mas nos últimos dias da semana, a Casa Branca mudou completamente de posição e ainda arrancou do Conselho de Segurança da ONU a autorização para intervenção militar contra o governo do coronel líbio Muammar al-Qaddafi. O que mudou?

A decisão foi tomada em reunião de alto nível na 3ª-feira à noite, na Casa Branca, pelo presidente Obama. Segundo dois altos funcionários do governo foi reunião “extremamente tensa, de posições divergentes”. Na reunião, apresentaram-se argumentos contra e a favor de atacar a Líbia. Obama decidiu a favor da intervenção. As ideias do presidente haviam sido discutidas com um grupo de especialistas convocado dias antes à Casa Branca, para discutir a crise da Líbia.

“Essa é a maior oportunidade para realinhar nossos interesses e valores” – um alto funcionário disse na reunião, informando aos demais que a frase fora dita pelo presidente aos especialistas com quem discutira o assunto[1]. O presidente referia-se à ampla mudança pela qual passa o Oriente Médio e à necessidade de reequilibrar a política externa dos EUA para dar a ela mais claro foco em valores democráticos e nos direitos humanos.

Mas a posição de Obama sobre a Líbia difere significativamente de sua estratégia para as demais revoluções árabes. No Egito e na Tunísia, Obama escolheu reequilibrar a posição dos EUA afastando lenta e gradualmente do apoio que dera inicialmente ao presidente Hosni Mubarak e Zine el-Abidine Ben Ali e deixando que os movimentos populares seguissem seu curso. No Iêmen e no Bahrain, onde os levantes tornaram-se violentos [o que também se pode escrever como “onde os respectivos regimes optaram por repressão violenta contra a população” [NTs], Obama jamais deu qualquer sinal de apoiar qualquer tipo de intervenção armada – e chegou até a pressionar aqueles regimes para que promovessem reformas, eles mesmos. Mas, ao decidir atacar a Líbia, Obama expôs estratégia completamente diferente: passou a apostar tudo no uso do poder bélico mais “hard” dos EUA, com recurso à força para influenciar o rumo dos eventos no mundo árabe.

“No caso da Líbia, eles esqueceram tudo que têm repetido ultimamente. Jogaram fora a partitura”, disse Steve Clemons, diretor de políticas externas da New America Foundation. “O fato de Obama girar como pião apenas mostra que a Casa Branca não tem estratégia clara. Os EUA têm presidência reativa, não presidência estratégica”.

Dentro do governo, havia defensores das duas posições. A favor de intervenção militar estava um grupo de funcionários da Comissão de Segurança Nacional, entre os quais Samantha Power, diretora de estudos para engajamento multilateral; Gayle Smith, diretor de desenvolvimento global; e Mike McFaul, diretor da CSN para a Rússia.

No campo oposto, estavam funcionários conhecidos por suas preocupações com os efeitos de segundo e terceiro grau de qualquer ação que implique os EUA envolverem-se em mais uma guerra, dessa vez, na Líbia. Entre esses, os conselheiros de segurança nacional Tom Donilon e Denis McDonough. O secretário da Defesa Robert Gates também se opunha a qualquer ataque militar contra a Líbia, como já dissera publicamente várias vezes. Nem todos esses foram convocados para a reunião de 3ª.feira à noite na Casa Branca.

A secretária de Estado Hillary Clinton fez as convocações para a reunião por telefone – informação confirmada por funcionário do Departamento de Estado. Estava em viagem pela região, para avaliar pessoalmente como a nova estratégia dos EUA para o Oriente Médio estava sendo recebida no mundo árabe. Depois de ter recebido resposta negativa ao pedido que fez para encontrar-se com os líderes dos movimentos de jovens do Egito, no dia em que passou pela praça Tahir, é possível que Clinton tenha ficado preocupada com a possibilidade de os EUA estarem perdendo a batalha pelos corações e mentes entre os jovens árabes que, em todos os casos, são o coração das várias revoluções.

No encontro que teve com ministros de Relações Exteriores do G-8, na 2ª-feira, Clinton nada disse sobre a posição dos EUA sobre a Líbia, o que deixou os ministros europeus absolutamente intrigados e perplexos. Encontrou-se com o líder da oposição líbia em Paris, Mahmoud Jibril, mas nada lhe garantiu e sobretudo não respondeu positivamente ao pedido que ele lhe fez, de ajuda para os “rebeldes” líbios. Tudo isso fez crer que Clinton estivesse resistindo à possibilidade de intervenção militar. De fato, Clinton sempre aprovou a intervenção militar, disse funcionário do Departamento de Estado, mas teve de esperar pela reunião de 3ª-feira à noite, pela decisão oficial final do presidente.

Ao final da reunião da 3ª.feira à noite, Obama deu instruções à embaixadora dos EUA à ONU, Susan Rice, para que trabalhasse para obter a resolução do Conselho de Segurança a favor da intervenção militar “pela comunidade internacional”, até derrubar o governo de Qaddafi, incluindo o uso da força, além da imposição de uma zona aérea de exclusão.

Em discurso no Conselho de Segurança, depois do resultado da votação (10 votos a favor e nenhum contra, com cinco abstenções), Rice usou o argumento ‘humanitário’, segundo o qual o uso de força militar seria indispensável para evitar maiores sofrimentos para os civis líbios.

“O coronel Qaddafi e os que ainda o apóiam continuam a violar constantemente e violentamente, os mais fundamentais direitos humanos do povo líbio”, disse Rice. “Dia 12 de março, a Liga Árabe pediu ao Conselho de Segurança que estabelecesse uma zona aérea de exclusão e tomasse as medidas necessárias para proteger os civis. A Resolução hoje aprovada é resposta poderosa àquele pedido e às urgentes necessidades em campo.”

O secretário-geral da ONU Ban Ki-Moon também disso na 5ª feira que a justificativa para usar a força baseou-se em argumentos humanitários e referiu-se ao princípio conhecido como “Responsabilidade de Proteger” [orig. Responsibility to Protect (R2P)], “uma nova norma internacional de segurança e direitos humanos, para enfrentar o fracasso da comunidade internacional quando não consegue nem impedir nem deter genocídios, crimes de guerra, limpezas étnicas e crimes contra a humanidade”.

“A Resolução n. 1.973 afirma clara e inequivocamente a determinação da comunidade internacional de cumprir essa responsabilidade de proteger civis contra violência cometida contra eles pelos próprios governos”, disse Ban Ki-Moon.

Dentro do Conselho de Segurança Nacional, Power, Smith e McFaul trabalharam para demonstrar como o governo poderia implementar a norma R2P e que, para isso, seria preciso que a Casa Branca avançasse. Donilon e McDonough são encarregados de manter sempre em mente os principais interesses nacionais. Na prática, Obama empurrou Clinton e os que defendem a R2P contra as objeções de Donilon e Gates.

O Congresso não chegou a ser amplamente ouvido sobre a decisão de intervir na Líbia, exceto por um briefing sigiloso, na 5ª feira à tarde, quando funcionários do governo explicaram os planos diplomáticos e militares. Rice já trabalhava empenhadamente em negociações em New York.

A decisão de Obama, na 3ª-feira à noite, a favor de intervenção armada não foi o único momento de definição em sua sempre mutável política externa, mas pode ter assinalado o fim da aliança entre Clinton e Gates – aliança que influenciou todas as políticas externas dos EUA desde a revisão, em 2009, da estratégia para o Afeganistão.

“Gates está visivelmente fora do barco daqui em diante, justamente agora quando o Departamento de Defesa pode já estar às voltas com mais uma guerra que ele não desejava” – disse Clemons. “Clinton venceu a batalha burocrática para usar recursos do Departamento de Defesa para alcançar um objetivo do Departamento de Estado. E Obama deixou acontecer.”


[1]  Sobre o mesmo assunto, mas análise diferente (e errada, se se considera a cronologia das reuniões), deve-se ler “Kerry empurra Obama para o Norte da África” (19/3/2011). O fato de aquela análise trabalhar com uma sequência talvez errada de eventos não invalida nem a argumentação brilhante nem o empenho ilustrado e democratizatório do autor. Naquele artigo, o autor trabalha com uma sequência de eventos segundo a qual o senador Kerry, que discursou na 4ª.feira, 16/3, no Instituto Carnegie, teria “empurrado” o presidente para a guerra. Contudo, se se tomam como certas as datas do artigo abaixo, aconteceu exatamente o contrário: a decisão de Obama, tomada na 3ª.feira, 15/3, à noite, empurrou Kerry para o discurso do dia seguinte. Evidentemente, a sequência e a análise mais ‘certa’ pode ser uma terceira: todos lá, da mais hilária ao mais Kerry, passando pelo presidente Obama pensam exatamente do mesmo modo, sobre tudo. Então, conversaram a semana inteira, sempre concordando sobre tudo. E é possível que o vice-presidente tenha ficado encarregado de ‘incluir’ uma referência à segurança de Israel [que, até agora, só apareceu no discurso de Kerry (NTs)], o que se pode atribuir ao ônus de ser vice e não ser o presidente. Depois, quando lhes pareceu oportuno, todos divulgaram urbi et orbi que todos eles, juntos, acabavam de empurrar o mundo para mais uma “guerra preventiva” à moda Bush, no Oriente Médio, agora, na Líbia, como escreveu Pepe Escobar. Se é verdade que a união faz a força, também é verdade que uma falsa “união”, que se mascara na cenografia da ONU, foi muito útil, aí, para lançar sobre uma muito duvidosa “comunidade internacional” o, pode-se dizer, dolo no crime. Todos esses artigos, traduzidos, podem ser lidos em Castorphoto ou no Maria Frô.

[2] A frase, praticamente nos mesmos termos, apareceu, dia seguinte, no discurso de Kerry no Instituto Carnegie. Ver transcrição do discurso (em inglês).

 

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PF e MPF em guerra por controle externo da polícia

março 19th, 2011 by mariafro
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Controle externo leva PF e MPF a guerra judicial

POR MARCELO AULER, no Consultor Jurídico

18/03/2011

Em mais uma batalha da verdadeira guerra que está sendo travada entre a Superintendência Regional do Departamento de Polícia Federal do Rio (SR-DPF/RJ) e a Procuradoria da República (PR-RJ) no estado, as duas instituições travam na Justiça uma disputa em torno do que o Ministério Público Federal chama de “caixa-preta dentro do aparato policial”. Os procuradores encarregados do controle externo da Polícia querem ter acesso aos Relatórios de Inteligências (Relint) avulsos, produzidos de 2008 a 2010. São documentos do Setor de Inteligência Policial (SIP) da Superintendência que não foram anexados a qualquer inquérito ou procedimento judicial.
O superintendente da PF no Rio e seu substituto, delegados Ângelo Fernandes Gioia e Nivaldo Farias de Almeida, se recusaram a atender ao pedido. Alegaram que os Relints não estão subordinados ao controle externo do Ministério Público por não serem peças voltadas para a persecução penal. Eles estariam relacionados ao trabalho de inteligência que é subordinado ao Sistema Brasileiro de Inteligência (Sisbin), sujeito apenas ao controle externo do Congresso Nacional.
Buscando respaldo judicial nesta briga, as duas instituições impetraram Mandados de Segurança com pedidos de liminar. A PF foi a primeira a recorrer ao Judiciário, em dezembro (MS 2010.51.01.022833-3, 18ª Vara Federal). Os procuradores só protocolaram o deles (MS 2011.51.01.002453-7, 22ª Vara Federal) em janeiro, sem saber que já existia o da PF, o que fará a 18ª Vara preventa para os dois casos.
Nenhum dos dois juízes concedeu a liminar pedida pelas partes. Mas ambos, ao negarem as medidas, deram sinais de que a Polícia Federal tende a perder mais esta batalha. Em 2009, o mesmo grupo de controle externo das atividades policiais requisitou à Superintendência da Polícia Federal no Rio os Processos Administrativos Disciplinares (PADs) então em curso. Os procuradores também queriam verificar se tinham sido abertos inquéritos policiais para os fatos tipificados como ilícitos penais que tivessem sido descobertos no bojo destes PADs. Mais uma vez a Superintendência da PF no Rio negou-se a atender o pedido, alegando que o MP queria interferir em assuntos administrativos e internos da Polícia Federal.
Os procuradores recorreram à Justiça e a juíza da 19ª Vara Federal, Cleyde Muniz da Silva Carvalho, lhes garantiu o acesso. Para ela, “pretender excluir o MPF do exame de procedimentos administrativos disciplinares e sindicâncias realizadas na Corregedoria da Polícia Federal constitui ilegalidade, uma vez que cria óbice ao exercício de suas funções institucionais”.
Logo em seguida, em novembro de 2009, o MPF, para desagrado da cúpula da Polícia Federal no Rio, instaurou um Inquérito Civil Público (137/2009) para investigar a possível omissão da Polícia Federal no combate ao tráfico de drogas, de armas e ao crime organizado, depois que o secretário de Segurança do estado, o também delegado federal José Mariano Beltrame, declarou à imprensa que “a Polícia Civil do estado do Rio estaria se ocupando de afazeres de responsabilidade do Governo Federal”.
Como policiais federais, inclusive delegados, que prestaram depoimento neste inquérito teriam sido perseguidos internamente, os procuradores da República Marcelo Freire e Fábio Seghese denunciaram o superintendente Gioia, o corregedor da superintendência, Luiz Sérgio de Souza Góes, e o chefe do núcleo de Disciplina da Corregedoria, Robson Papini Mota, pelos crimes de denunciação caluniosa, coação no curso do processo e abuso de autoridade. A denúncia foi acatada pela juíza Valeria Caldi Magalhães, da 8ª Vara Federal Criminal. Paralelamente, pelo mesmo motivo, o MPF move também uma Ação de Improbidade Administrativa (2010.51.01.022641-5, na 18ª Vara Federal) contra os mesmos réus. Nela, o juiz substituto Dario Ribeiro Machado Junior mandou suspender um Processo Administrativo contra um delegado em regime probatório, aberto após o mesmo prestar depoimento no Inquérito 137/2009.
Nos dois processos — denúncia criminal e ação de improbidade — os procuradores pediram o afastamento dos três réus, mas não foram atendidos pelos juízes. Gioia, na época, explicou que instaurou o processo administrativo contra o delegado em regime probatório por conta das acusações sem nenhuma prova feitas no Inquérito Civil Público. “Este delegado teria que apresentar provas ou se justificar do que ele falou nestas acusações”, comentou. Para o superintendente, os procuradores da República estariam usando o inquérito “para criar constrangimentos à minha administração”, um dos motivos pelo qual ele representou contra os procuradores Freire, Seghese e Orlando Cunha. Na mesma ocasião, Freire rebateu: “Não queremos interferir em nada que seja da alçada do poder do gestor. O que não podemos compactuar é com ilegalidades na condução do processo”.
No caso atual, dos Relatórios de Inteligência, em 10 de fevereiro, ao negar a liminar para a a Superitêncência da PF, o juiz substituto Marcelo Ennes Figueira entendeu que “não pode ficar a cargo da Polícia, órgão que é constitucionalmente sujeito ao controle externo do Ministério Público, indicar para este, órgão controlador, quais procedimentos podem ou não ser examinados. Tal equivaleria, com efeito, a amputar a competência constitucional do Ministério Público, fragilizando extremamente o controle da atividade policial”. Depois de negar a liminar, abriu prazo para os procuradores se manifestarem e somente agora, procurado pela revista Consultor Jurídico, soube da existência do Mandado de Segurança do Ministério Público.
A juíza da 22ª Vara Federal, Andrea Cunha Esmeraldo, também não concedeu a liminar: “tendo em vista a ausência de periculum in mora concretamente demonstrado, não se vislumbra risco de lesão irreparável que não possa aguardar a apreciação por sentença de mérito, ante o rito célere do mandado de segurança”. Mas, expôs que “o Ministério Público Federal, no exercício de suas funções institucionais, inclusive no tocante ao controle externo da atividade policial, tem a prerrogativa de requisitar informações e documentos. Outrossim, não subsiste a razão para a negativa da autoridade impetrada atender às requisições do Parquet Federal, fundada na alegada distinção entre a atividade de inteligência e a atividade de persecução penal, que não se verifica de forma clara e absoluta”.
No Mandado de Segurança que impetrou em nome da SR-DPF/RJ, o procurador regional da União, Daniel Levy de Alvarenga, e a advogada da União Viviane Alfradique Martins de Mendes sustentam que a difusão dos Relatórios de Inteligência “mesmo a outros órgãos públicos de extremada relevância, como é o caso do Ministério Público Federal, pode constituir em violação do sigilo profissional imposto ao profissional de inteligência”.
Eles classificam o pedido do MP como genérico e dizem que, segundo o Decreto 4.553/2002, que regulamenta a difusão de documentos sigilosos, “o acesso a documentos de inteligência passa pela chamada “necessidade de conhecer”, que varia de destinatário e da especificidade do assunto a ser informado. Contudo, não existe necessidade genérica de conhecimento, tal como pretende fazer crer o impetrado (grifo do original). Garantem ainda que o mesmo decreto “impossibilita que (os Relatórios de Inteligência) sejam usados com fins processuais”.
Por fim, os procuradores da União, em nome da SR-DPF/RJ, criticam a Resolução 88, e a Resolução 19/2007, ambas do Conselho Superior do Ministério Público (que regulam as funções do Ministério Público, em especial o exercício do controle externo da atividade policial) alegando que elas “contém determinações que se revelam como verdadeiro controle interno da atividade policial”.
No Mandado de Segurança dos procuradores da República, Seghese e Freire, que atuam no grupo de controle externo da Polícia Federal, eles esclarecem que “o objetivo do MPF restringe-se a averiguar quantos foram os relatórios de inteligência avulsos produzidos no período de tempo já referido, quantos foram devidamente comunicados ao Parquet, e, ainda, se foram ou não instaurados os inquéritos policiais correspondentes aos mesmos para os casos de fatos tipificados como ilícito penal, o que, caso não tenha ocorrido, se revela em desobediência flagrante à fiscalização do Poder Judiciário e do próprio Ministério Público sobre questões tipicamente afetas à atividade de persecução criminal”.
Levantam, ainda, suspeitas sobre investigações que possam estar sendo feitas sem qualquer controle ao afirmarem que “a postura manifestada pela Polícia Federal permite que a atividade de investigação seja exercida sem controle, o que se constitui em grave ameaça aos direitos e garantias individuais. Não é concebível em um Estado Democrático de Direito que dentro do aparato policial existam verdadeiros nichos de atividade de investigação sem controle por parte dos órgãos legitimados a fazê-lo de acordo com a Constituição Federal”.
Ao classificarem os relatórios como verdadeiras “caixas-pretas”, abordam a hipótese de a Polícia Federal do Rio querer esconder algo. “Ora, não é razoável permitir a existência de verdadeiras “caixas-pretas” dentro do aparato policial, onde informações relevantes para os demais agentes da atividade de persecução criminal, o próprio Poder Judiciário e o Ministério Público, sejam mantidas em segredo, o que não condiz com o Estado Democrático de Direito. Tal tipo de comportamento que afronta a lei e a Constituição Federal permite, inclusive, formar a percepção de que se deseja ocultar algum fato que leve uma série de procedimentos relevantes ao arquivamento”.
Ao reproduzirem diversos depoimentos de policiais federais que trabalharam no SIP e produziram estes relatórios, os procuradores tentam provar que eles são documentos sobre investigações de fatos criminosos, sujeitos ao controle externo do MPF. Acabam, porém, revelando parte da disputa existente na SR-DPF/RJ, que envolve até a relação de amizade entre o superintendente atual e um dos seus antecessores, o delegado federal e ex-deputado federal Marcelo Itagiba.
Os procuradores questionam o fato de a quebra do sigilo destes relatórios ficarem a cargo do superintendente do DPF no Rio e do chefe do Setor de Inteligência. Neste ponto, citam um caso em que a divulgação do relatório só foi feita ao Ministério Público depois que o superintendente se indispôs com o delegado Paulo Roberto Falcão, então corregedor, quando este se recusou a arquivar um procedimento como lhe fora pedido pelo superior, da mesma forma que não abriu investigação solicitada pelo superintendente.
Após o desentendimento entre os dois, em 2010, houve a desclassificação (retirada do sigilo) do Relatório de Inteligência 499/2008, que tem data de 8 de outubro de 2008, relatando possíveis crimes de contrabando dentro do Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro, na época em que Falcão ocupava a chefia da Delegacia da Polícia Federal ali instalada. Na SR-DPF/RJ muitos suspeitam da data real do relatório, até porque após sair da delegacia do AIRJ, Falcão ocupou a Corregedoria da Superintendência, cargo de confiança que jamais ocuparia caso houvesse acusação formal contra ele. Procuradores também consideram o caso suspeito, ao descreverem-no:
“A desclassificação do Relint em questão somente foi efetuada após a ocorrência de divergências no âmbito da SR/DPF/RJ entre o atual Superintendente Dr. Angelo Gioia e o então Corregedor Regional Dr. Paulo Roberto Falcão; divergências estas relativas ao fato de o Dr. Paulo Roberto Falcão ter atuado contrariamente aos interesses do Superintendente em procedimentos em curso na Corregedoria, o que levou a sua exoneração do cargo. Além da exoneração, houve a desclassificação do RELINT já referido e seu encaminhamento ao MPF”.
Procurado pela ConJur por ser formalmente citado no Mandado de Segurança, o delegado Falcão garantiu só saber deste Relatório por meio de boatos. Por conta deles — dos boatos — entrou com um pedido de certidão para confirmar se existe algo contra si. Ele não descarta a possibilidade de o relatório ter sido “plantado por alguém contrariado ou desafeto que não sei quem é”. Lembra que seu período no aeroporto, quando instalou máquinas de Raio X para fiscalizar também a bagagem de quem desembarcava — aparelhos que depois teriam sido desativados — foi um dos mais produtivos naquela unidade da Superintendência. É desta época a apreensão de 64 mil comprimidos de ecstasy, assim como de 17 mil pontos de LSD e a prisão de um delegado federal ao tentar receber uma mala contendo R$ 1 milhão em jóias contrabandeadas.
Até hoje, nenhum procedimento foi instaurado contra o delegado Falcão, o que faz aumentar as suspeitas sobre o Relatório de Inteligência. Ele foi um dos delegados que prestaram depoimentos no Inquérito Civil Público, mas sua presença diante dos procuradores foi bem antes da divulgação do documento. No Mandado de Segurança impetrado pelo MPF, o fato serve de exemplo para a forma como estes relatórios são tratados dentro da Polícia Federal.
Os procuradores batem na tecla de que a difusão de relatórios de inteligência “não deve estar submetida a um ecossistema de conveniências e oportunidades do gestor do SIP/SR/DPF/RJ e do Superintendente Regional. A discricionariedade na difusão do Relint ofende de forma cabal o princípio da obrigatoriedade da ação penal pública e os princípios da moralidade e impessoalidade que devem conduzir toda a ação de um agente público”.
Eles, por fim, insistem que “a existência de “caixas-pretas” dentro do aparato estatal cria um ambiente propício à corrupção e ao desvio funcional em sentido amplo, razão pela qual o MPF insiste na imperiosa necessidade de exercer sua função de controle externo da atividade policial”.

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Dilma: “Aqui, sr. presidente, não nos move o interesse menor da ocupação burocrática”

março 19th, 2011 by mariafro
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Excelente o discurso da presidenta Dilma Rousseff durante a visita de Barack Obama ao Brasil. Discurso que reconhece as grandes transformações feitas no país durante os dois mandatos do presidente Lula, que expõe as perspectivas do governo Dilma.

A primeira mulher presidenta do Brasil falou de igual para igual com o presidente dos Estados Unidos. Dilma não fugiu sequer dos temas polêmicos e deu o seu recado: o Brasil é um país que deve ser respeitado e assim agirá em suas relações com os demais países.

Do Blog do Planalto

19/03/2011

Um mundo mais multilateral produzirá benefícios à paz e à harmonia entre os povos


Presidenta Dilma Rousseff e o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, durante declaração à imprensa. Foto: Roberto Stuckert Filho/PR

Na declaração à imprensa, por ocasião da visita do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, a presidenta Dilma Rousseff reforçou a importância da reforma da governança do Banco Mundial e do FMI, bem como na ampliação do Conselho de Segurança da ONU. Segundo a presidenta Dilma, há uma preocupação com relação à lentidão deste processo.

“Aqui, sr. presidente, não nos move o interesse menor da ocupação burocrática de espaços de representação. O que nos mobiliza é a certeza que um mundo mais multilateral produzirá benefícios para a paz e a harmonia entre os povos.”

A presidenta iniciou o pronunciamento informando que a visita de Obama ao Brasil “me enche de alegria, desperta os melhores sentimentos do nosso povo e honra a histórica relação entre o Brasil e os Estados Unidos”. Segundo ela, a visita “carrega também um forte valor simbólico”.

Os povos de nossos países ergueram as duas maiores democracias das Américas. Ousaram também levar aos seus mais altos postos um afrodescendente e uma mulher, demonstrando que o alicerce da democracia permite o rompimento das maiores barreiras para a construção de sociedades mais generosas e harmônicas.


Ainda no pronunciamento, Dilma destacou que dos nove chefes de Estado americanos que estiveram no Brasil, Obama é o presidente que encontra o país “em momento mais vibrante”. A presidenta lembrou também que sucede o presidente Lula “um homem do povo, com quem tive a honra de trabalhar. Seu legado mais nobre foi trazer à cena política e social milhões de homens e mulheres que viviam à margem dos mais elementares direitos da cidadania”.

“Todo este esforço criou milhões de empregos e dinamizou regiões inteiras antes marginalizadas do processo econômico. Permitiu ao Brasil superar com êxito a mais profunda crise econômica da história recente, mantendo até os dias atuais níveis recordes de geração de postos de trabalho.”

Porém, lembrou que o Brasil ainda tem enormes desafios e que neste momento se concentra nas tarefas necessárias para aperfeiçoar nosso processo de crescimento e garantir um longo período de prosperidade para o povo brasileiro. Ela disse também que seu compromisso “é com a construção de uma sociedade de renda média, assegurando oportunidades educacionais e profissionais para os trabalhadores e para a nossa imensa juventude”. E continuou: “Garantindo também o ambiente institucional que impulsione o empreendedorismo e favoreça o investimento produtivo”.

Ainda no discurso, Dilma disse que enxergava as melhores oportunidades para o avanço das relações entre os países. “Acompanho com atenção e a melhor expectativa seus enormes esforços para recuperar a vitalidade da economia norte-americana”, enfatizou.

“Compreendemos o contexto do esforço empreendido por seu governo para a retomada da economia. Porém todos sabem que medidas de grande vulto provocam mudanças importantes nas relações entre as moedas de todo o mundo. Este processo desgasta as boas práticas econômicas e empurra países para ações protecionistas e defensivas de toda natureza.”

E seguiu: “Somos um país que se esforça por sair de anos de baixo desenvolvimento, por isto buscamos relações comerciais mais justas e equilibradas. Para nós é fundamental que sejam rompidas as barreiras que se erguem contra nossos produtos – etanol, carne bovina, algodão, suco de laranja, aviões, por exemplo. Para nós é fundamental que se alarguem as parcerias tecnológicas e educacionais, portadoras de futuro.”

Em seguida, o presidente Obama informou que apoia a reforma do Conselho de Segurança das Nações Unidas e a presença do Brasil nos organismos multilaterais. Segundo Obama, tanto é assim que se instituiu o G-20 a principal instância de decisão. O presidente americano destacou ainda o interesse de seu governo em adquirir petróleo brasileiro e nas fontes de energia renovável. Na conversa, ainda, Obama elogiou o empenho da presidenta na melhoria da qualidade de vida do povo brasileiro.

Obam encerou o pronunciamento oficial à imprensa comentando sobre a crise na Líbia. Segundo ele, “se não ocorrer o cessar-fogo” a coligação que tem participação dos Estados Unidos vai intervir “de alguma forma”.

 

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Da série Lilico feelings: É bonito isso, Ricardo Noblat?

março 19th, 2011 by mariafro
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Sobre a discussão central que deve estar em foco, veja aqui, mas é realmente curioso depois de todo desrespeito de Noblat à Bethania, sabermos desta notícia isso é.

Do blog Os amigos do presidente Lula

Filho do Noblat descola quase R$ 1 milhão na Lei Rouanet, igual a Maria Bethânia

19/03/2011

A cantora Maria Bethânia teve um projeto cultural aprovado pela Lei Rouanet, no Ministério da Cultura, que a autoriza a captar R$ 1,3 milhão em deduções do imposto de renda das empresas para produzir 365 vídeos declamando poesias, e veicular na internet em um blog.

A Lei Rouanet precisa mudar, e sua aplicação também em alguns casos. A política cultural de fomento, como regra, deveria privilegiar muitos projetos culturais baratos, ou que empregue muita gente, em vez de concentrar altos valores em poucos artistas consagrados como Maria Bethânia. Não cabe esse tipo mecenato com características de concentração de renda, para gente consagrada, outros com pistolão em empresas privadas, outros com projetos comerciais, disputando dinheiro dos impostos do povo sofrido.

Mas o assunto não envolve só Maria Bethânia.

Todos nós temos o direito de questionar esse valor para esse projeto da Bethânia, menos o blogueiro de “O Globo”, Ricardo José Delgado (Noblat), que anda zoando do caso, tendo um enorme telhado de vidro na família.

O filho do blogueiro, André Scatrut Noblat, é vocalista da banda de rock Trampa, de Brasília, e também arrancou R$ 954 mil dos cofres públicos, através desta mesma Lei Rouanet, para “realizar concertos da banda de rock com uma orquestra sinfônica…”.

O “talento do prodígio” comoveu a Vale S.A., que achou mais importante aplicar quase R$ 1 milhão no patrocínio à banda de rock, do que recolher este dinheiro aos cofres públicos na forma de impostos que iriam para saúde, educação, segurança pública, erradicação da pobreza, etc.

Foram R$ 154 mil, na primeira tacada, e R$ 800 mil na segunda tacada.

Clique nas imagens para ampliar

Além da Vale, o Grupo Brasal (da família do ex-deputado do DEMos Osorio Adriano), contribuiu com R$ 10 mil de impostos que deixaram de ser recolhidos para virar patrocínio.

Leia também:
- Mudança na Lei Rouanet fará um reforma “agrária” no latifúndio da cultura
- iFHC dá calote pela 4ª vez no Ministério da Cultura. Valor envolve R$ 5,7 milhões.
Abusos na Lei Rouanet: Armínio Fraga e o anúncio do Bradesco na Globo

 

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