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EM TODAS ÚLTIMAS ELEIÇÕES, NA HORA H, A PERIFERIA DE SP FECHA COM O PT…

outubro 8th, 2012 by mariafro
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EM TODAS ÚLTIMAS ELEIÇÕES, NA HORA H, A PERIFERIA DE SP FECHA COM O PT…

Mães de Maio

Agora será que o PT vai fechar DE VERDADE com a Periferia de SP, para além das vésperas das Eleições?!

Nós seguiremos nossa caminhada autônoma, suprapartidária e cotidiana, de resistência e pressão popular pelo Direito à Memória, à Verdade, à Justiça e à Liberdade da População Pobre, Preta e Periférica. Direito à Paz e Dignidade, frente ao Genocídio que segue em curso…

Seguiremos firmes e atent@s cobrando todos nossos Direitos, e também os Deveres de todas as autoridades competentes eleitas nessa falsa democracia, formalmente, para nos representar.

No caso aqui de São Paulo o PT, mais do que os outros partidos e mais do que nunca, está em bastante falta com a Periferia! Não adianta dourar a pílula: o “fenômeno Russomanno” que quase levou estas eleições, e o peso a cada ano maior das bancadas evangélicas, tem como pano de fundo a história recente do PT na cidade: seja pela omissão, seja pela compactuação e reprodução dos mesmos métodos. Então, o partido e seus correligionários precisam ser cobrados, e representar muito mais do que o discurso às vésperas das urnas!

O verdadeiro julgamento histórico do partido será feito em cima dessas atitudes ou omissões, não em cima de ilusões político-eleitorais.

Nós seguimos firmes na Luta Cotidiana,

Mães de Maio da Democracia Brasileira

#POR UM VERDADEIRO PODER POPULAR!!! #PAZ NAS PERIFERIAS DE SÃO PAULO E DE TODO BRASIL!!!

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Fernando Haddad “Dois em cada três votos pedem mudança em São Paulo”

outubro 8th, 2012 by mariafro
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Fernando Haddad tem uma agenda movimentada no primeiro dia de atividades do segundo turno das eleições em São Paulo. Seu primeiro compromisso, logo às 7h da manhã, foi uma entrevista ao 1º Jornal, da TV Band. “Dois em cada três votos pedem mudança em São Paulo”, afirmou o candidato do PT. “Continuaremos fazendo uma campanha propositiva, pela mudança de São Paulo. Temos o melhor plano de governo para a cidade.”
“São duas chapas agora, uma pela continuidade, outra pela mudança, e queremos explorar todos os temas que afetam a qualidade de vida da população.” Haddad deu entrevista também às rádios CBN, Jovem Pan e ainda tem previstas aparições novamente na Band e mais uma na Globo. Na hora do almoço, ainda teve um encontro com o presidente Lula.

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Folha: Peso do mensalão nesta eleição foi próximo de zero

outubro 8th, 2012 by mariafro
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Peso do mensalão nesta eleição foi próximo de zero

Por: LUCAS NEVES, DE SÃO PAULO, Folha

08/10/2012

O professor de filosofia da Unicamp e pesquisador do Cebrap (Centro Brasileiro de Análise e Planejamento) Marcos Nobre, 47, afirma que o julgamento do mensalão no STF teve influência “próxima do zero” nas eleições municipais deste ano.

Segundo ele, a concomitância só contribuiu para que um evento “atrapalhasse o entendimento do outro”, o que foi “péssimo para a democracia brasileira”.

Para Nobre, o PT cometeu “erro tático grave” ao não lançar a candidatura de Fernando Haddad à Prefeitura de São Paulo ao menos um ano antes. Ele acha ainda que o petista “demorou demais” a atacar Celso Russomanno (PRB).

Nesta entrevista, concedida na sede do Cebrap, em São Paulo, o acadêmico também analisa o ganho de musculatura de PSD, PSB e PDT, trinca que, de acordo com ele, pode cerrar fileiras em torno de uma candidatura presidencial de Eduardo Campos (PSB) em 2014.

“O bloco forte tem como esperança carregar o PSDB, que passa a ser um satélite desse polo. O Aécio [Neves, PSDB-MG] vai acabar vindo a reboque”, analisa Nobre, para quem o senador de Minas, apontado como potencial presidenciável, “está acuado em seu Estado”.

*

Folha – Num ato em apoio a Haddad, a socióloga Victoria Benevides disse que o julgamento do mensalão atrapalhou o petista. Ao mesmo tempo, o Datafolha mostrou que 81% dos eleitores de SP não mudaram seu voto por causa do julgamento. Qual foi o peso do mensalão nesta eleição?
Marcos Nobre - Bem próximo de zero. Quando a campanha do Serra falou do mensalão, [...] estava apelando ao eleitorado antipetista, ou seja, tentando manter a sua base. A função do mensalão foi a de lembrar ao eleitorado antipetista razões para sê-lo.

Só pregação para convertidos?
Sim. As pessoas não orientam o seu voto pelo mensalão. Não estamos conseguindo dar conta de analisar o processo judicial [do mensalão] com todas as implicações que tem porque estamos em eleição municipal. Uma coisa atrapalha o entendimento da outra, mas não influi na outra. As eleições estão obscurecendo um debate necessário sobre o papel do STF. A coincidência foi péssima para a democracia brasileira.

A mesma pesquisa mostra que, no grupo dos 19% que mudaram de voto por causa do mensalão, Haddad foi o mais prejudicado. É mesmo possível dizer que o julgamento não influenciou a eleição?
A influência é residual, não vai mudar o resultado da eleição. É claro que pode mudar 1%, 2% dos votos.
Mas essas porcentagens não importariam numa disputa acirrada como a de São Paulo?
Pode ser que sim. Mas dizer que a eleição foi determinada pelo mensalão é incorreto, uma escolha arbitrária. Há vários fatores residuais importantes: o fato de não ter havido o último debate [da TV Globo], a carta do bispo Edir Macedo [endossando Russomanno], o fato de a Marta [Suplicy] ir para o ministério [da Cultura, depois de aceitar entrar na campanha de Haddad]. Teríamos de considerar dez variáveis para explicar uma diferença pequena.
Em que medida a imposição de um candidato [Humberto Costa] em Recife que só interrompeu trajetória de queda 15 dias antes das eleições e o cenário desde o início difícil para Patrus Ananias em Belo Horizonte representaram derrotas pessoais para Lula?
É preciso distinguir o que é derrota do presidente do que são erros táticos de um partido. O PT cometeu dois erros táticos graves, em Pernambuco -uma luta fratricida, um candidato que veio de cima, um partido dividido- e em São Paulo. O Haddad tinha de ter sido lançado pelo menos um ano antes. No momento em que o PT deixou de ir atrás do eleitor martista, pensando que deveria lançar um candidato permeável à “área azul” [referência ao centro expandido da capital, reduto do PSDB], abandonou um segmento fiel. Esse é o espaço que foi ocupado pelo Russomanno.

O Datafolha mostrou que a maioria rejeita a influência da religião na eleição, rechaçando candidatos indicados por igrejas. Por que o tema ganhou vulto em São Paulo?
Numa campanha, é prático encontrar um ponto como a religião para demonizar alguém, porque aí Deus e o diabo estão exatamente no seu lugar. É fácil produzir um maniqueísmo eleitoral, em vez de discussão decente, usando a religião. Além disso, interessa tanto à Igreja Católica quanto às evangélicas que a religião esteja no centro. Mostra o peso da instituição na sociedade.

Por que a candidatura de Russomanno se desidratou tão rápido, após alcançar patamar de 35% das intenções de voto?
No momento em que os outros candidatos repolitizaram o debate, ele caiu. Foi atacado por não apresentar propostas concretas e viáveis para a cidade. Quem fez isso primeiro? O [Gabriel] Chalita. Viu uma oportunidade de crescer no eleitorado do PT que havia sido tomado pelo Russomanno. A campanha do PT demorou demais a criticar o Russomanno. O único jeito de combater o desencanto com a política é com mais política.

O PSB deve eleger Marcio Lacerda em Belo Horizonte e Geraldo Júlio em Recife. Esse desempenho o credencia a desalojar o PMDB do posto de principal partido da base do governo Dilma?
A oposição hoje é residual. Quando isso acontece, vai todo mundo para dentro do governo. Num primeiro momento, a oposição dentro da situação foi o PMDB. Ele foi acomodado. Os outros foram menos favorecidos. Daí você tende a ver alianças. O PSD do [Gilberto] Kassab nasce em acordo tácito com o PSB do [governador de PE] Eduardo Campos. Busca os descontentes regionais, mas não invade redutos do PSB, e vice-versa. O PDT também é um descontente importante. Potencialmente, há uma aliança entre os três para ganhar espaço no governo. Mas, no fundo, Eduardo Campos é candidato em 2014.

Como cabeça de chapa ou vice de Aécio Neves (PSDB)?
Como cabeça de chapa. O Campos armou um jogo bem armado, com o discurso de negociar espaço melhor no governo, mas, no fundo, já construindo uma alternativa. Se não der certo em 2014, emplaca em 2018. Ou o governo Dilma reduz sua base, ou está realmente dormindo com o inimigo. PSB, PSD e PDT terão prefeituras importantes.

E o PSDB?
Esse bloco forte tem como esperança carregar o PSDB, que passa a ser um satélite desse polo. O Aécio virá a reboque. É muito menos competitivo hoje do que poderia ter sido. [...] Precisa de Belo Horizonte a qualquer preço. Os ataques dele à Dilma e ao Lula são um sinal de desespero. Ele está reduzido a Minas. Alguém que tem pretensões presidenciais e está acuado em seu Estado não tem nem de longe a estatura que tinha há quatro, oito anos.

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Joaquim Barbosa: ‘Lula é um democrata, de um partido estabelecido. As credenciais democráticas dele são perfeitas’

outubro 8th, 2012 by mariafro
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Muito interessante esta entrevista de Joaquim Barbosa para Monica Bergamo.  As observações  sobre dois pesos e duas medidas da mídia (e do STF) não são novidades para mim, já havia lido  sobre  Joaquim Barbosa sempre interpelar os repórteres dizendo a eles que eles nunca perguntavam sobre o mensalão tucano. Mas não deixa de ser interessante esses dados aqui:

Em 2009, como relator do mensalão do PSDB, propôs que a corte acolhesse denúncia contra o ex-governador de Minas Gerais Eduardo Azeredo [PSDB]. Quase foi voto vencido no STF –ganhou por 5 a 3, com três ministros ausentes.

Dois anos antes, relator do mensalão do PT, propôs que a corte acolhesse denúncia contra José Dirceu e outros 37 réus. Ganhou por 9 a 1.

Também não deixa de ser interessante que mesmo Monica Bergamo tendo feito esta entrevista no destaque acima tenha se esquecido de dizer que Azevedo  é do PSDB  e de dar nome aos bois: MENSALÃO DO PSDB.

Após a leitura fiquei muito curiosa para saber como está a redação de Veja e para ver a cara da esquerda branca que escorregou feio no preconceito em suas críticas a Joaquim Barbosa.

De um extremo a outro acho que Joaquim Barbosa deu um nó na cabeça de muita gente.

Ah! Sim, não desejo heróis em canto algum da vida pública, desejo que eles façam seu trabalho de modo sério, respeitando a Constituição.

Leia também: Ministro Joaquim Barbosa herói de Veja

Relator do mensalão afirma que votou em Lula e Dilma

Por: MÔNICA BERGAMO, COLUNISTA DA FOLHA

07/10/2012

O “dia mais chocante” da vida de Joaquim Benedito Barbosa Gomes, 57, segundo ele mesmo, foi 7 de maio de 2003, quando entrou no Palácio do Planalto para ser indicado ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) pelo então presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A ocasião era especial: ele seria o primeiro negro a ser nomeado para o tribunal.

“Eu já cheguei na presença de José Dirceu [então ministro da Casa Civil], José Genoino [então presidente do PT], aquela turma toda, para o anúncio oficial. Sempre tive vida reservada. Vi aquele mar de câmeras, flashes…”, relembrava ele em seu gabinete na terça-feira, 2.

Lula Marques/Folhapress
O ministro Joaquim Barbosa em seu gabinete no STF (Supremo Tribunal Federal), em Brasília
O ministro Joaquim Barbosa em seu gabinete no STF (Supremo Tribunal Federal), em Brasília

No dia seguinte à entrevista com a Folha, e nove anos depois da data memorável de sua nomeação, Joaquim Barbosa condenou Dirceu e Genoino por corrupção.

Para conversar com o jornal, impôs uma condição: não falar sobre o processo, ainda em andamento no STF.

O TELEFONE TOCA

Barbosa diz que foi Frei Betto, que o conhecia por terem participado do conselho de ONGs, que fez seu currículo “andar” no governo.

“Eu passava temporada na Universidade da Califórnia, Los Angeles. Encontrei Frei Betto casualmente nas férias, no Brasil. Trocamos cartões. Um belo dia, recebo e-mail me convidando para uma conversa com [o então ministro da Justiça] Márcio Thomaz Bastos em Brasília.” Guarda a mensagem até hoje.

“Vi o Lula pela primeira vez no dia do anúncio da minha posse. Não falei antes, nem por telefone. Nunca, nunca.”

Por pouco, não faltou à própria cerimônia. “Veja como esse pessoal é atrapalhado: eles perderam o meu telefone [gargalhadas].”

Dias antes, tinha sido entrevistado por Thomaz Bastos. “E desapareci, na moita.” Isso para evitar bombardeio de candidatos à mesma vaga.

“Na hora de me chamar para ir ao Planalto, não tinham o meu contato.” Uma amiga do governo conseguiu encontrá-lo. “Corre que os caras vão fazer o seu anúncio hoje!”

Depois, continuou distante de Lula. Não foi procurado nem mesmo nos momentos cruciais do mensalão. “Nunca, nem pelo Lula nem pela [presidente] Dilma [Rousseff]. Isso é importante. Porque a tradição no Brasil é a pressão. Mas eu também não dou espaço, né?”

O ministro votou em Leonel Brizola (PDT) para presidente no primeiro turno da eleição de 1989. E depois em Lula, contra Collor. Votou em Lula de novo em 2002.

“Vou te confidenciar uma coisa, que o Lula talvez não saiba: devo ter sido um dos primeiros brasileiros a falar no exterior, em Los Angeles, do que viria a ser o governo dele. Havia pânico. Num seminário, desmistifiquei: ‘Lula é um democrata, de um partido estabelecido. As credenciais democráticas dele são perfeitas’.”

O escândalo do mensalão não influenciou seu voto: em 2006, já como relator do processo, escolheu novamente o candidato Lula, que concorria à reeleição.

“Eu não me arrependo dos votos, não. As mudanças e avanços no Brasil nos últimos dez anos são inegáveis. Em 2010, votei na Dilma.”

DE LADO

No plenário do STF, a situação muda. Barbosa diz que “um magistrado tem deveres a cumprir” e que a sociedade espera do juiz “imparcialidade e equidistância em relação a grupos e organizações”.

Sua trajetória ajuda. “Nunca fiz política. Estudei direito na Universidade de Brasília de 75 a 82, na época do regime militar. Havia movimentos significativos. Mas estive à parte. Sempre entendi que filiação partidária ou a grupos, movimentos, só serve para tirar a sua liberdade de dizer o que pensa.”

VENCEDOR E VENCIDO

Barbosa gosta de dizer que não tem “agenda”. Em 2007, relatou processo contra Paulo Maluf (PP-SP). Delfim Netto não era encontrado para depor como testemunha. Barbosa propôs que o processo continuasse. Foi voto vencido no STF. O caso prescreveu.

No mesmo ano, relatou processo em que o deputado Ronaldo Cunha Lima (PSDB-PB) era acusado de tentativa de homicídio. O réu renunciou ao mandato e perdeu o foro privilegiado. Barbosa defendeu que fosse julgado mesmo assim. Foi voto vencido no STF.

Em 2009, como relator do mensalão do PSDB, propôs que a corte acolhesse denúncia contra o ex-governador de Minas Gerais Eduardo Azeredo. Quase foi voto vencido no STF –ganhou por 5 a 3, com três ministros ausentes.

Dois anos antes, relator do mensalão do PT, propôs que a corte acolhesse denúncia contra José Dirceu e outros 37 réus. Ganhou por 9 a 1.

NOVELA RACISTA

Barbosa já disse que a imprensa “nunca deu bola para o mensalão mineiro”, ao contrário do que faz com o do PT. “São dois pesos e duas medidas”, afirma.

A exposição na mídia não o impede de fazer críticas até mais ácidas.

“A imprensa brasileira é toda ela branca, conservadora. O empresariado, idem”, diz. “Todas as engrenagens de comando no Brasil estão nas mãos de pessoas brancas e conservadoras.”

O racismo se manifesta em “piadas, agressões mesmo”. “O Brasil ainda não é politicamente correto. Uma pessoa com o mínimo de sensibilidade liga a TV e vê o racismo estampado aí nas novelas.”

Já discutiu com vários colegas do STF. Mas diz que polêmicas “são muito menos reportadas, e meio que abafadas, quando se trata de brigas entre ministros brancos”.

“O racismo parte da premissa de que alguém é superior. O negro é sempre inferior. E dessa pessoa não se admite sequer que ela abra a boca. ‘Ele é maluco, é um briguento’. No meu caso, como não sou de abaixar a crista em hipótese alguma…”

Barbosa, que já escreveu um livro sobre ações afirmativas nos EUA, diz que o racismo apareceu em sua “infância, adolescência, na maturidade e aparece agora”.

Há 30 anos, já formado em direito e trabalhando no Itamaraty como oficial de chancelaria –chegou a passar temporada na embaixada da Finlândia–, prestou concurso para diplomata. Passou. Foi barrado na entrevista.

DE IGUAL PARA IGUAL

É o primeiro filho dos oito que o pai, Joaquim, e a mãe, Benedita, tiveram (por isso se chama Joaquim Benedito).

Em Paracatu, no interior de Minas, “Joca” teve uma infância “de pobre do interior, com área verde para brincar, muito rio para nadar, muita diversão”. Era tímido e fechado.

A mãe era dona de casa. O pai era pedreiro. “Mas ele era aquele cara que não se submetia. Tinha temperamento duro, falava de igual para igual com os patrões. Tanto é que veio trabalhar em Brasília, na construção, mas se desentendeu com o chefe e foi embora”, lembra Joaquim.

O pai vendeu a casa em que morava com a família e comprou um caminhão. Chegou a ter 15 empregados no boom econômico dos anos 70. “E levava a garotada para trabalhar.” Entre eles, o próprio Joaquim, então com 10 anos.

RUMO A BRASÍLIA

No começo da década, Barbosa se mudou para a casa de uma tia na cidade do Gama, no entorno de Brasília.

Cursou direito, trabalhou na composição gráfica de jornais, no Itamaraty. Ingressou por concurso no Ministério Público Federal.

Tirou licenças para fazer doutorado na Universidade de Paris-II. E passou períodos em universidades dos EUA como acadêmico visitante. Fala francês, inglês e alemão.

Hoje, Barbosa fica a maior parte do tempo em Brasília, onde moram a mãe, os sete irmãos e os sobrinhos. O pai já morreu. Benedita é evangélica e “superpopular”. Em seu aniversário de 76 anos, juntou mais de 500 pessoas.

O ministro tem também um apartamento no Leblon, no Rio, cidade onde vive seu único filho, Felipe, 26. Se separou há pouco de uma companheira depois de 12 anos de relacionamento.

PÚBLICO

Folha pergunta se Barbosa não tem o “cacoete da condenação” por ter feito carreira no Ministério Público, a quem cabe formular a acusação contra réus.

“De jeito nenhum. O que eu tenho do MP é esse espírito de preocupação com a coisa pública. Mesmo porque não morro de amores por direito penal. Sou especialista em direito público.”

DEVER

Nega que tenha certa aversão por advogados [ver página ao lado]. E nega também que tenha prazer em condenar, sem qualquer tipo de piedade em relação à pessoa que perderá a liberdade.

“É uma decisão muito dura. Mas é também um dever.”

“O problema é que no Brasil não se condena”, diz. “Estou no tribunal há sete anos, e esta é a segunda vez que temos que condenar. Então esse ato, para mim e para boa parte dos ministros do STF, ainda é muito recente.”

Diante de centenas de grandes escândalos de corrupção no Brasil, e de só o mensalão do PT ter chegado ao final, é possível desconfiar que a máquina de investigação e punição só funcionou para este caso e agora será novamente desligada?

“Não acredito”, diz Barbosa. “Haverá uma vigilância e uma cobrança maior do Supremo. Este julgamento tem potencial para proporcionar mudanças de cultura, política, jurídica. Alguma mudança certamente virá.”

MEQUETREFE

O caso Collor, por exemplo, em que centenas de empresas foram acusadas de pagar propina para o tesoureiro do ex-presidente, chegou “desidratado” ao STF, diz o ministro. “Tinha um ex-presidente fora do jogo completamente. E, além dele, o quê? O PC, que era um mequetrefe.”

O país estava “mais próximo do período da ditadura” e o Ministério Público tinha recém-conquistado autonomia, com a Constituição de 1988. Até 2001, parlamentares só eram processados no STF quando a Câmara autorizava. “Tudo é paulatino. Mas vivemos hoje num país diferente.”

PONTO FINAL

Desde o começo do julgamento do mensalão, o ministro usa um escapulário pendurado no pescoço. “Presente de uma amiga”, afirma.

Depois de flagrado cochilando nas primeiras sessões, passou a tomar guaraná em pó no começo da tarde.

Diz que não gosta de ser tratado como “herói” do julgamento. “Isso aí é consequência da falta de referências positivas no país. Daí a necessidade de se encontrar um herói. Mesmo que seja um anti-herói, como eu.”

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