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O papelão do candidato dos coxinhas: Militância paga lança candidatura de Aécio-5 na disputa presidencial

junho 15th, 2014 by mariafro
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Nada mais adequado ao partido nº 1 dos coxinhas (que fazem papelão planetário desrespeitando a presidenta da República com palavras de baixo calão na abertura da copa), que um boneco de papelão para fotos. Para coroar o lançamento da candidatura de Aécio-5, o local foi  no templo dos coxinhas, num shopping, com gente paga para ir ao evento. Que papelão!

“Tem gente que não aguenta mesmo o cheiro do povo.
Na convenção tucana é o boneco de papelão que tira foto com pobre.”
Afinal, a ‘massa do PSDB’ ou é “cheirosa” como diz Cantanhêde ou o candidato do PSDB manda boneco de papelão para representá-lo

Ato reúne 5 mil pessoas, entre filiados e militância paga

Pedro Venceslau, Débora Bergamasco – O Estado de S. Paulo

14/06/2014

Mais de 100 ônibus vieram do interior, da Grande São Paulo e de Minas; jovens disseram ter ganho R$ 25 para participar do evento

Os organizadores da convenção do PSDB que sacramentou a candidatura do senador Aécio Neves (MG) ao Palácio do Planalto calculam que ao menos 5 mil pessoas participaram do evento realizado neste sábado, no Expo Center Norte, em São Paulo. Alguns militantes admitiram à reportagem terem recebido dinheiro para comparecer ao ato.

Segundo o prefeito de Botucatu (SP), João Cury, um dos coordenadores de mobilização do evento, foram utilizados 54 ônibus do interior paulista, 18 da Grande São Saulo e 50 de Minas Gerais – o Estado formou a 2.ª maior delegação da convenção.

A maioria da plateia foi arregimentada por líderes políticos regionais e veio de ônibus fretados. Um grupo de Minas chegou ao ato agitando um boneco gigante do ex-presidente Tancredo Neves, avô de Aécio.

Além de militantes, era grande o número de pessoas que compareceu “pela festa”. Três moradoras do Morro do Macaco, em Cotia, na Grande São Paulo, disseram ao Estado que ainda não têm título de eleitor e que cada uma recebeu R$ 25 pela presença. “Vim porque meu tio disse que ia ter um negócio de vereador em São Paulo. Convidei minhas amigas e a gente veio”, afirmou a estudante Jesse Costa, 16 anos.

Três amigos de Belo Horizonte, do bairro de Barreiro, na periferia da capital e principal colégio eleitoral da cidade, são amigos do filho de uma militante. Indagados se receberam dinheiro, Lucas Silva, 25 anos, e Álvaro Augusto Machado, 21, responderam, ao mesmo tempo, “não” e “sim”. A militante que os arregimentou entrou na conversa e disse que os dois só ganharam “lanche”.

“Ninguém recebeu nada. Nem lanche. Só oferecemos o transporte. Eu trouxe 30 ônibus”, disse o deputado Pedro Tobias, ex-presidente da sigla em São Paulo. Outros membros da equipe tucana também negaram o pagamento em dinheiro para o público. O deputado João Almeida, da direção de Gestão Corporativa do PSDB, disse que ainda “não tem ideia” de quanto custou a convenção.

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A elegância e o republicanismo de Dilma ao responder os vira-latas que pararam na fase anal

junho 15th, 2014 by mariafro
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O texto abaixo da presidenta da República do Brasil foi publicado originalmente no Blog do Planalto.
Nós podemos ter o desprazer de ter a elite mais tosca, grosseirona, mal educada, que envergonha o país em nível planetário, mas ninguém tem uma presidenta tão elegante, fina e sincera como nós temos.
Seu texto é um luxo que esses coxinhas vira-latas descerebrados jamais se aproximarão da compreensão.

A Seleção está acima da política

Dilma Rousseff, via Blog Planalto

15/05/2014


Presidenta Dilma Rousseff comemorando o primeiro gol do Brasil contra a Croácia no jogo de abertura da Copa 2014, no Brasil.

“Em 1970, eu estava na cadeia. Naquela época, havia segmentos que diziam: “Se você torcer pelo Brasil, você estará fortalecendo a ditadura”. Isso era uma sandice. Para mim, esse dilema nunca existiu.

Eu havia sido presa em 16 de janeiro e, como agora, a Copa começava em junho. Naquela época, muitas pessoas que eram de oposição ao regime militar inicialmente começaram a levantar a questão de que a gente fortaleceria a ditadura se torcesse pela Seleção Brasileira. Eram muitas pessoas, no início. Elas foram diminuindo progressivamente. Até que não sobrou ninguém. Com o decorrer dos jogos, todos, os que estavam na cadeia e os que estavam fora, torceram de forma apaixonada pela Seleção Brasileira.

Vivíamos sob uma ditadura. Não havia direito de manifestação, direito de organização, direito à divergência. Havia tortura, perseguição e repressão. Mas essa nunca foi a questão. Eu e as minhas companheiras de cela nunca tivemos dúvidas e todas torcemos pelo Brasil, porque o futebol está acima da política.

O nosso sentimento pode ser traduzido no verso de Camões, em Os Lusíadas: “Cesse tudo o que a Musa antiga canta, Que outro valor mais alto se alevanta”.

A Seleção Brasileira representa a nossa nacionalidade. Está acima de governos, de partidos e de interesses de qualquer grupo.

Ontem, hoje e sempre, o povo brasileiro ama e confia em sua Seleção.”

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Saul Leblon: A elite reserva ao país o mesmo lugar exortado à Presidenta

junho 15th, 2014 by mariafro
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Qualquer pessoa com um mínimo de valores de civilidade deve condenar o que a elite grosseira, autoritária e egoísta fez na abertura da copa. Qualquer pessoa que tenha um mínimo de bom senso, independente de suas posições partidárias.

Não podemos permitir que o debate político seja rebaixado ao nível dos escravagistas.

Está virando moda no Brasil candidato misógino estimular xingamentos à presidência em transmissão mundial, mandar prender e invadir casas de jornalistas (ele já demitia jornalistas quando exercia o cargo de governador) e continua dando o tom da repressão violenta.

O que vivemos hoje no Brasil é um gargalo podemos avançar mais cobrando de governos progressistas que parem de fazer concessões a esta elite escrota, vira-latas e golpista, ou podemos retroceder tudo que se avançou nos últimos 12 anos.

Ou repudiamos vivamente toda forma de violência, seja ela com o apoio da Justiça e do MP, porque usar a lei como poder pessoal também é uma forma terrível de violência, ou repudiamos ministro chefe do supremo que não respeita as leis e quer mudá-las pra manter seu autoritarismo, ou repudiamos prisões ilegais, polícia militarizada, venha de qualquer governo ou jamais sairemos dessa herança escravista de um lado os homens bons com o poder de mandar surrar em praça pública os que são destituídos do poder.

Neste sentido todos devem pensar e rever sua postura autoritária: da direita não espero nada, a violência só a ela interessa para continuar seu jugo. Espero das forças progressistas deste país um fazer político em defesa de um país mais democrático.

Os anti-petistas da esquerda que vibram com os desmando de JB se igualam ao sentimento da direita (e há momentos que se igualam inclusive a seus argumentos);

Os governistas acríticos que parecem ter perdido todo e qualquer pudor que vibram com os desmandos de Cabral, os que num acesso de burrice endossam a violência da polícia de Alckmin contra manifestantes, não importa que tenham coxinhas se aproveitando da luta legítima dos movimentos sociais e indo às ruas para fazer o que eles fazem nos estádios de controle da Fifa e onde só eles podem pagar o ingresso do#copaparaquem dentro dos estádios. Todos estão ajudando a minar os direitos civis, todos estão fortalecendo esta escória que é a elite escravagista brasileira do “vc sabe com quem está falando”.

O que está em jogo no Brasil é a própria democracia brasileira.

Com uma Justiça classista que lembra os tempos coloniais, um MP que a cada dia perde sua função porque se apequena todas as vezes que autoriza os desmandos de Aécio-5, de Cabral e que não faz nada para punir PM que extermina as juventude negra nas periferias diante de uma das polícias mais violentas e despreparadas do mundo, que não fez absolutamente nada diante de um escândalo de corrupção como os das propinas do metrô, que fecha os olhos para a privatização dos serviços públicos deveres constitucionais do Estado.

Toda pessoa realmente progressista deveria estar mobilizada na defesa do Decreto da Participação Popular da Presidenta da República, no Plebiscito da Constituinte, na Democratização das Comunicações, e numa bandeira que ninguém fala, na reforma de um Judiciário classista que aprofunda a injustiça de um país que acabou em pleno século XXI de votar uma PEC contra trabalho escravos e que tem no Congresso a expressão mais fiel dos engenhos do século XVIII.

A elite reserva ao país o mesmo lugar exortado à Presidenta

Por Saul Lebron, Carta Maior

4/06/2014

A virtude, a civilização, a sorte do desenvolvimento e os destinos da sociedade há muito deixaram de interessar a elite brasileira.

Dilma e Lula participam de plenária do PT em Pernambuco, sexta-feira (13) à noite (Foto: Cadu Gomes/Agência PT)

Quando a elite de uma sociedade se reúne em um estádio de futebol e a sua manifestação mais singular é um coro de ofensas de baixo calão, quem é o principal atingido: o alvo ou o emissor?

Vaias e palavrões são inerentes às disputas futebolísticas. Fazem parte do espetáculo, assim  como o frango e o gol de placa. A passagem de autoridades por estádios nunca foi impune.

O que se assistiu no Itaquerão, porém, no jogo inaugural da Copa, entre Brasil e Croácia, não teve nada a ver com o futebol ou deboche, mas com a disputa virulenta em curso  pelo comando da história brasileira.

Sem fazer parte da coreografia oficial o que aflorou ali foi a mais autêntica expressão cultural de um lado desse conflito, nunca antes assumido assim de forma tão desinibida  e ilustrativa.

Encorajado pelo anonimato, o gado OP (puro de origem) mostrou o pé duro dos seus valores.

Dos camarotes vips um jogral raivoso e descontextualizado despejou sua bagagem de refinamento e boas maneiras  sobre uma Presidenta da República em missão oficial.

Por quatro vezes, os sentimentos de uma elite ressentida contra aqueles que afrontam a afável, convergente e impoluta lógica de sociedade que vem construindo aqui há mais de cinco séculos, afloraram durante o jogo.

Foi assim que essa gente viajada, de hábitos cosmopolitas, que se envergonha de um Brasil no qual recusa a enxergar o próprio espelho, ofereceu a um bilhão de pessoas conectadas à Copa em 200 países uma síntese dos termos elevados com os quais tem pautado a disputa política  no país.

Que Aécio & Eduardo tenham se esponjado nessa manifestação dá o peso e a medida do espaço que desejam ocupar no espectro da sociedade brasileira.

Dias antes, o  ex-Presidente Lula havia comentado que nem a burguesia venezuelana atingira contra Chávez o grau de desrespeito e preconceito observado aqui contra a Presidenta Dilma.

Houve quem enxergasse nessas palavras uma carga de retórica eleitoral.

A cerimônia da 5ª feira cuidou de devolver pertinência  à observação.

A formação virtuosa da infância,  o compromisso com a civilização, a sorte do desenvolvimento  e  os destinos da sociedade há muito deixaram de interessar à elite brasileira.

A novidade do coro contra  Dilma é refletir  o desejo  cada vez mais explícito  de mandar o país ao mesmo lugar exortado  à Presidenta.

Ou não será esse o propósito estratégico do camarote  vip ao apregoar o descolamento da sociedade brasileira de uma vez por todas, acoplando-a à grande cloaca mundial de um capitalismo sem peias, onde  se processa  a restauração neoliberal pós-2008?

Nesse imenso biodigestor de direitos e desmanche do Estado acumula-se o adubo  no qual floresce  a alta finança desregulada, que tem nos endinheirados brasileiros  os detentores da 4ª maior fortuna do planeta evadida em paraísos fiscais.

Estudos da  The Price of Offshore Revisited,  coordenados pelo ex-economista-chefe da McKinsey, James Henry, revelam que os brasileiros muito ricos – que se envergonham de um governo corrupto–  possuíam, até 2010, cerca de US$ 520 bilhões  em paraísos fiscais.

O passaporte definitivo  para esse  ‘novo normal’ sistêmico requer a vitória, em outubro, das candidaturas que carregam no DNA o mesmo pedigree da turma que deu uma pala na festa de abertura da Copa. Não propriamente contra Dilma, mas contra o que ela simboliza: a tentativa de se construir por aqui um Estado social que assegure aos  sem riqueza os mesmos direitos daqueles que enxergam no espaço público  um  mero apêndice  do interesse plutocrático.

A expressão ‘vale tudo’ descreve com fidelidade o que tem sido e será, cada vez mais, o bombardeio   para convencer o imaginário brasileiro  das virtudes intrínsecas  à troca do ‘populismo’  pelo estado de exceção de direitos e conquistas sociais, em benefício dos livres mercados.

A mídia está aí para isso, como se viu pela cobertura dos fatos da última 5ª feira.
Trata-se de saber em que medida o discernimento social, condicionado por uma esférica máquina de difusão dos interesses vips,  saberá distinguir um caminho que desvie a nação do futuro metafórico reservado a ela nos planos,  agora explicitados, de sua elite.

A indigência do espírito público dos endinheirados brasileiros, reconheça-se,  não é nova. Mas se supera.

O antropólogo Darcy Ribeiro foi  um legista  obcecado dos seus contornos e consequências para a formação do país, a sorte de sua gente e a qualidade do seu desenvolvimento.

Em um texto de  1986, ‘Sobre o óbvio – Ensaios Insólitos’, o criador da Universidade de Brasília, e chefe da Casa Civil de Jango, iluminou os traços dessa rosca descendente, confirmada  28 anos depois, em exibição mundial,  na abertura da Copa de 2014.

“Dois fatos que ficaram ululantemente óbvios. Primeiro, que não é nas qualidades ou defeitos do povo que está a razão do nosso atraso, mas nas características de nossas classes dominantes, no seu setor dirigente e, inclusive, no seu segmento intelectual. Segundo, que nossa velha classe dominante tem sido altamente capaz na formulação e na execução de projeto de sociedade que melhor corresponde a seus interesses. Só que este projeto para ser implantado e mantido precisa de um povo faminto, xucro e feio. Nunca se viu, em outra parte, ricos tão capacitados para gerar e desfrutar riquezas, e para sub- julgar o povo faminto no trabalho, como os nossos senhores empresários, doutores e comandantes. Quase sempre cordiais uns para com os outros, sempre duros e implacáveis para com subalternos, e insaciáveis na apropriação dos frutos do trabalho alheio. Eles tramam e retramam, há séculos, a malha estreita dentro da qual cresce, deformado, o povo brasileiro (…) porque só assim a velha classe pode manter, sem sobressaltos, este tipo de prosperidade de que ela desfruta, uma prosperidade jamais generalizável aos que a produzem com o seu trabalho.

A primeira evidência a ressaltar é que nossa classe dominante conseguiu estruturar o Brasil como uma sociedade de economia extraordinariamente próspera. Por muito tempo se pensou que éramos e somos um país pobre, no passado e agora. Pois não é verdade. Esta é uma falsa obviedade. Éramos e somos riquíssimos! A renda per capita dos escravos de Pernambuco, da Bahia e de Minas Gerais – eles duravam em média uns cinco anos no trabalho – mas a renda per capita dos nossos escravos era, então, a mais alta do mundo. Nenhum trabalhador, naqueles séculos, na Europa ou na Ásia, rendia em libras – que eram os dólares da época – como um escravo trabalhando num engenho no Recife; ou lavrando ouro em Minas Gerais; ou, depois, um escravo, ou mesmo um imigrante italiano, trabalhando num cafezal em São Paulo. Aqueles empreendimentos foram um sucesso formidável. Geraram além de um PIB prodigioso, uma renda per capita admirável. Então, como agora, para uso e gozo de nossa sábia classe dominante. A verdade verdadeira é que, aqui no Brasil, se inventou um modelo de economia altamente próspera, mas de prosperidade pura. Quer dizer, livre de quaisquer comprometimentos sentimentais. A verdade, repito, é que nós, brasileiros, inventamos e fundamos um sistema social perfeito para os qe estão do lado de cima da vida. 

O valor da exportação brasileira no século XVII foi maior que o da exportação inglesa no mesmo período. O produto mais nobre da época era o açúcar. Depois, o produto mais rendoso do mundo foi o ouro de Minas Gerais que multiplicou várias vezes a quantidade de ouro existente no mundo. Também, então, reinou para os ricos uma prosperidade imensa. O café, por sua vez, foi o produto mais importante do mercado mundial até 1913, e nós desfrutamos, por longo tempo, o monopólio dele. Nestes três casos, que correspondem a conjunturas quase seculares, nós tivemos e desfrutamos uma prosperidade enorme. Depois, por algumas décadas, a borracha e o cacau deram também surtos invejáveis de prosperidade que enriqueceram e dignificaram as camadas proprietárias e dirigentes de diversas regiões. O importante a assinalar é que, modéstia à parte, aqui no Brasil se tinha inventado ou ressuscitado uma economia especialíssima, fundada num sistema de trabalho que, compelindo o povo a produzir, o que ele não consumia – produzir para exportar – permitia gerar uma prosperidade não generosa, ainda que propensa desde então, a uma redistribuição preterida. 

Enquanto isso se fez debaixo dos sólidos estatutos da escravidão, não houve problema. Depois, porém, o povo trabalhador começou a dar trabalho, porque tinha de ser convencido na lei ou na marra, de que seu reino não era para agora, que ele verdadeiramente não podia nem precisava comer hoje. Porém o que ele não come hoje, comerá acrescido amanhã. Porque só acumulando agora, sem nada desperdiçar comendo, se poderá progredir amanhã e sempre. O povão, hoje como ontem, sempre andou muito desconfiado de que jamais comerá depois de amanhã o feijão que deixou de comer anteontem. Mas as classes dominantes e seus competentes auxiliares, aí estão para convencer a todos – com pesquisas, programas e promoções – de que o importante é exportar, de que é indispensável e patriótico ter paciência, esperem um pouco, não sejam imediatistas. O bolo precisa crescer; sem um bolo maior – nos dizem o Delfim lá de Paris e o daqui – sem um bolo acrescido, este país estará perdido. É preciso um bolo respeitável, é indispensável uma poupança ponderável, uma acumulação milagrosa para que depois se faça, amanhã, prodigiosamente, a distribuição.

A classe dominante brasileira inscreve na Lei de Terras um juízo muito simples: a forma normal de obtenção da prioridade é a compra. Se você quer ser proprietário, deve comprar suas terras do Estado ou de quem quer que seja, que as possua a título legítimo. Comprar! É certo que estabelece generosamente uma exceção cartorial: o chamado usucapião. Se você puder provar, diante do escrivão competente, que ocupou continuadamente, por 10 ou 20 anos, um pedaço de terra, talvez consiga que o cartório o registre como de sua propriedade legítima. 

Como nenhum caboclo vai encontrar esse cartório, quase ninguém registrou jamais terra nenhuma por esta via. Em consequência, a boa terra não se dispersou e todas as terras alcançadas pelas fronteiras da civilização, foram competentemente apropriadas pelos antigos proprietários que, aquinhoados, puderam fazer de seus filhos e netos outros tantos fazendeiros latifundiários. Foi assim, brilhantemente, que a nossa classe dominante conseguiu duas coisas básicas: se assegurou a propriedade monopolística da terra para suas empresas agrárias, e assegurou que a população trabalharia docilmente para ela, porque só podia sair de uma fazenda para cair em outra fazenda igual, uma vez que em lugar nenhum conseguiria terras para ocupar e fazer suas pelo trabalho. A classe dominante norte-americana, menos previdente e quiçá mais ingênua, estabeleceu que a forma normal de obtenção de propriedade rural era a posse e a ocupação das terras por quem fosse para o Oeste – como se vê nos filmes de faroeste. Qualquer pioneiro podia demarcar cento e tantos acres e ali se instalar com a família, porque só o fato de morar e trabalhar a terra fazia propriedade sua. O resultado foi que lá multiplicou um imenso sistema de pequenas e médias propriedades que criou e generalizou para milhões de modestos granjeiros uma prosperidade geral. Geral mas medíocre, porque trabalhadas por seus próprios donos, sem nenhuma possibilidade de edificar Casas-grandes & Senzalas grandiosas como as nossas”.

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junho 15th, 2014 by mariafro
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A Folha, como toda a grande mídia com seu jornalismo partidarizado e desinformador é uma das grandes responsáveis pelo vexame internacional que a elite brasileira deu na abertura da copa. Mas é bom que até lá, ao menos alguns sintam vergonha do que aconteceu.

Parte da elite que xingou a presidenta é formada por globais, por políticos do PSDB e pelo gado (de raça) que seguiu o camarote VIP, que entrou de graça no estádio. É bom não esquecer que elite é essa: vira-latas.

Opinião: Xingamento de ‘yellow blocs’ da elite foi machista e vergonhoso

ELIANE TRINDADE, COLUNISTA DA FOLHA

14/06/2014

Dilma ganhou meu voto. De solidariedade. Depois de me emocionar com o hino nacional cantado à capela por um estádio lotado que saudava a seleção jogando em casa numa Copa após 64 anos, eu me envergonhei de ouvir xingamento tão desrespeitoso à presidente, à mulher, à mãe e à avó Dilma. E, por tabela, a todas as mulheres presentes, mesmo aquelas que engrossaram o coro.

Um coro puxado por “coxinhas”, como criticaram vozes que reverberavam timidamente na multidão. Poucos contra os muitos que embarcaram na “ola moral” contra a maior autoridade do país.

Eu me solidarizo com Dilma também pela democrata que é. Por estar na mesma arena com o presidente da CBF, ligado a um dos chefes dos porões da ditadura, onde ela foi torturada.

Em plena democracia, foi colocada no “pau de arara” moral por pessoas que, hipocritamente, criticam misturar esporte e política nas redes sociais temendo a reeleição.

A recepção deve fazer a presidente desistir de ver a partida Alemanha x Portugal, ao lado de sua colega alemã Angela Merckel.

Dilma não deveria se curvar à truculência de ” yellow blocs” que, vestidos com as cores do Brasil, deram lição de incivilidade e falta de respeito. Xingamentos machistas e sexistas que partiram de representantes da parcela mais privilegiada do país.

Brasileiros que estudaram em escolas padrão Fifa, mas que não aprenderam lá nem em casa que não se deve mandar uma senhora com idade pra ser sua mãe e avó para aquele lugar.

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