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Marcos Coimbra O Clima Político Está Ruim e Pode Piorar

dezembro 17th, 2012 by mariafro
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O Clima Político Está Ruim e Pode Piorar

Por: Marcos Coimbra, via Diap

17/12/2012

O ano termina e o clima político anda ruim. Piorou nos últimos meses e nada indica que vá melhorar nos próximos.

O que provoca esse anuviamento não são as tensões naturais que existem entre oposição e governo. Nada há de extraordinário nelas. Estranho seria se vivessem de acordo.

Está em curso um duplo processo de desmoralização. O primeiro foi concebido para atingir o PT e sua principal liderança, o ex-presidente Lula. O segundo decorre do anterior e afeta o sistema político como um todo.

Alguns diriam que esse é que é grave. Que a campanha anti-PT é circunscrita e tem impacto limitado. Que seria, portanto, menos preocupante.

Pensar assim é, no entanto, um equívoco, pois um leva ao outro.

Em democracias imaturas como a brasileira, todo o sistema partidário sofre quando uma parte é atacada. Mais ainda, se for expressiva.

O PT não é apenas um partido grande. É, de longe, o maior. Sozinho, tem quase o dobro de simpatizantes que todos os demais somados.

Só um ingênuo imaginaria possível um ataque tão bem calibrado que nem um respingo atingisse os vizinhos. Na guerra moderna, talvez existam mísseis de precisão cirúrgica, capazes de liquidar um único individuo. Na política, porém, isso é fantasia.

A oposição institucional o reconhece e não foi ela a começar a demonização do PT. Até enxergou no processo uma oportunidade para ganhar alguma coisa. Mas suas lideranças mais equilibradas sempre perceberam os riscos implícitos.

Como vemos nas pesquisas, a população desconfia dos políticos de todos os partidos. Acha que, na política, não existem santos e todos são pecadores. Quando os avalia, não contrapõe “mocinhos” e “bandidos”.

Com seus telhados de vidro e conscientes de que processos desse tipo podem se tornar perigosos, os partidos de oposição nunca se entusiasmaram com a estratégia.

Foi a oposição extra-partidária quem pisou e continua a pisar no acelerador, supondo que é seu dever fazer aquilo de que se abstiveram os partidos.

Pôs sua parafernália em campo – jornais, redes de televisão, revistas e portais de internet – para fragilizar a imagem do PT. A escandalização do julgamento do mensalão foi o caminho.

Como argumento para esconder a parcialidade, fingem dar importância à ética que sistematicamente ignoraram e que, por conveniência, sacam da algibeira quando entendem ser útil. Quem duvidar, que pesquise de que lado tradicionalmente estiveram as corporações da indústria de mídia ao longo de nossa história.

Os resultados da eleição municipal deste ano e os prognósticos para a sucessão presidencial em 2014 mostram que a escalada contra o PT não foi, até agora, eficaz.

Sempre existiu um sentimento anti-democrático no pensamento conservador brasileiro. Desde a República Velha, uma parte da elite se pergunta se nosso povo está “preparado para a democracia”. E responde que não.

Que ele precisa de tutores, “pessoas de bem” que o protejam dos “demagogos”. É uma cantilena que já dura mais de cem anos, mas que até hoje possui defensores.

A frustração da oposição, especialmente de seus segmentos mais reacionários, a aproxima cada vez mais da aversão à democracia. Só não vê quem não quer como estão se disseminando os argumentos autoritários.

Embora acuados, cabe aos políticos reagir. É a ideia de representação e o conjunto do sistema partidário que estão sendo alvejados e não somente o PT.

Para concluir com uma nota de otimismo: são positivos alguns sinais que vieram do Congresso esta semana. Embora mantenham, para consumo externo, um discurso cautelosamente radical, as principais lideranças do governo e da oposição trabalham para evitar confrontações desnecessárias.

Forma-se uma vasta maioria no Parlamento em defesa do Poder Legislativo, ameaçado de perder prerrogativas essenciais à democracia. Quem decide a respeito dos representantes do povo são os representantes do povo, como está na Constituição.

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Até inglês inveja a nação de 30 milhões de loucos

dezembro 16th, 2012 by mariafro
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Curioso como um inglês que não nos conhece ao nos ver entende a magia: “Jamais vi uma torcida como esta. Transformou o Japão na casa do seu time. Empurrou os jogadores quando eles estavam perdidos, e sem o empurrão o milagre não teria ocorrido, nem com Cássio e nem com Supernatural.”

Dica do Tiago do texto de Scott publicado no Diário do Centro do Mundo, de onde trouxe este trecho:

(…)

O Corinthians fez com o Chelsea o que o Chelsea fez com o Barcelona na Champions League de 2011: ganhou sob domínio torrencial do inimigo. Resultados tão fora do que se vê no gramado ocorrem mais ou menos uma a cada 100 vezes, e acabam dando ao futebol o apelido clássico de “little box of surprises”. O Barcelona foi duas vezes vítima disso contra o Chelsea. E hoje o Chelsea foi a vítima.

Ladies & Gentlemen.

Muito mais bonito que o futebol apresentado pelo Corinthians em campo foi o apoio de sua torcida apaixonada. Assisti ao jogo, no reservado da imprensa, ao lado de uma amiga do Mail, e notei que ela em certo momentos ficou com os olhos molhados ao contemplar a alegre imensidão alvinegra no estádio.

São Cássio

Em outro artigo, escrevi que a torcida corintiana era parte patética, pela feiúra universal do “bando de loucos”, e parte grandeza, pelo amor irrestrito ao time. Retifico hoje: a grandeza supera amplamente o patético.

Bando de loucos

Jamais vi uma torcida como esta. Transformou o Japão na casa do seu time. Empurrou os jogadores quando eles estavam perdidos, e sem o empurrão o milagre não teria ocorrido, nem com Cássio e nem com Supernatural.

E sem o milagre eu não teria ganhado o que ganhei ao apostar contra o favoritismo absoluto do Chelsea nas casas de apostas de Londres. Parte de meu lucro será empregada na compra de uma camisa do Corinthians. Confesso que fiquei enfeitiçado não pelo time, mas pela torcida.

Um dia haverei de me misturar a ela no Brasil. É uma experiência que não quero, que não posso deixar de ter. Um feio a mais entre tantos feios não fará diferença, acredito.

A madrugada aqui em Yokohama é criança. Amigos meus jornalistas me esperam para tomarmos algumas pints. Não é sempre que estou livre da cobrança de Chrissie, minha mulher azeda e neurastênica.

Boss: congrats, mate!

Sincerely

Scott

Tradução: Erika Nakamura

Leia também:

A nação corinthiana tem algo a dizer a você, anti-corinthiano: keep calm and….

Rafael Castilho: Diário da Invasão

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A nação corinthiana tem algo a dizer a você, anti-corinthiano: keep calm and….

dezembro 16th, 2012 by mariafro
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Os anti-corinthianos sempre negaram nosso primeiro título. Agora depois de uma campanha fenomenal vamos ao Japão e mais uma vez fomos alvos dos preconceitos mais descarados. A imagem abaixo ao menos é criativa, mas vi coisas bem nojentas.

Sim, somos favelados…

Sim, somos catadores…

E também doutores, operários, presidente, mas não somos sofredores!

É verdade que o Japão nunca mais será o mesmo, eles viram como se joga bom futebol e de lá trouxemos o que fomos buscar: nosso segundo título de Campeão Mundial.

Somos campeões! É esta a nossa resposta pra vocês. Agora, vocês perderam todos os argumentos para desqualificar a nação de 30 milhões de campeões. O que farão anti-corinthianos?

 

É sempre bom lembrar: BICAMPEÃO MUNDIAL!


Eu disse: BICAMPEÃO DO MUNDO!


Fomos chacota no ano do centenário. Que time pode dizer que tem este poder de renascer feito Phoenix?

Repitam comigo: Bi-Campeão Mundial

Guardem aí a foto do bi-campeonato porque a memória de vocês é mais  seletiva  que as demais.

Aos queridos corinthianos, minha filha, meu pai, meu irmão Carlos, minha irmã Néia, minhas sobrinhas Lelê e Tatá,  ao meu eterno presidente, meus amigos Victor Farinelli,   Zé Calazans, Debora Cruz, Alexandre Padilha, Emerson Luis, Wagner Iglecias, Rafael Castilho, Arnobio Rocha, TODOS e TODAS amigos aqui não listados, a toda a família corinthiana Caetano de Oliveira, aos vivos e aos que partiram – vovô Teo, tio Antenor, tia Olga, tio Geso, Tio Zé, André, Pelé, deixo a síntese deste dia:

E antes que eu me esqueça, anti-corinthianos:

Leia também:

Rafael Castilho: Diário da Invasão

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Rafael Castilho: Diário da Invasão

dezembro 16th, 2012 by mariafro
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Diário da Invasão

Por: Rafael Castilho, em seu blog

13/12/2012

Os corinthianos vieram aos montes.

Estão espalhados por todas as partes aqui no Japão.

Nas esquinas, no metrô, nas estações de trem, nos restaurantes e nos pontos turísticos.

Todos ostentando como podem o distintivo do Corinthians.

A chegada dos corinthianos à terra do sol nascente foi verdadeiramente impactante.

Quando se encontram pelas ruas das cidades japonesas, a saudação inevitável é um breve “Vai Corinthians”.

Mas sem muito estardalhaço. Sem causar nenhum incômodo aos anfitriões que tem recebido os torcedores com tanto carinho e atenção. Aliás, a educação dos “japas” ao tratar os turistas é tamanha que a gente fica até “sem jeito”.

Ao que parece, a invasão corinthiana no Japão tem causado perturbação apenas no Brasil.

O preconceito social embutido no anticorinthianismo transborda o caráter futebolístico.

Durante esses meses que antecederam a vinda dos corinthianos ao Japão, viu-se todo tipo de manifestação ressentida. Fantasiaram torcedores de presidiários na televisão, disseram que os japoneses seriam assaltados, fizeram piadas e desdenharam da nossa empreitada.

Teve até um jogador – que esqueci o nome –  dizendo que quem é acostumado com rodoviária não deveria freqüentar os aeroportos.

Realmente, o sucesso do Corinthians é absolutamente insuportável para alguns, pois revela uma espécie de quebra da hierarquia social pré estabelecida. É como se os velhos privilégios estivesses ameaçados pela insubordinação dos pobres.

Recebemos até uma cartilha de “bom comportamento” com instruções básicas para não desestabilizar a ordem local.

Mas o que se vê aqui no Japão é o povo brasileiro encantado com as novidades, saudando os benefícios dos serviços públicos de qualidade e desejosos que isso um dia esteja disponível para a corinthianada – e favelados de todas as agremiações – desprezados historicamente por uma elite burra e insensível.

Existe respeito pela diversidade cultural e pelas regras locais.

Não vi até o momento corinthianos fumando, bebendo ou gritando pelas ruas.

No caminho para o estádio de Toyota, palco da semi-final do Mundial de Clubes, a massa de corinthianos foi caminhando em silêncio. Com alguma angústia por não poder cantar o hino no metrô.

Quando nos aproximamos da estação do estádio, alguns cantavam quase sussurrando os versos de Lauro D’Ávila.

Na chegada ao estádio se via uma masa gigantesca. Muitas bandeiras corinthianas. A predominância absoluta de rostos ocidentais, ou seja, eram brasileiros de todas as partes do globo terrestre que cruzaram o mundo para acompanhar o Corinthians.

Haviam japoneses-brasileiros-corinthianos que literalmente se jogaram no meio da galera. Pareciam não suportar mais a saudade do nosso Coringão.

Uma fila gigantesca para trocar os vouchers dos ingressos revelava a desorganização da FIFA, mas também fazia lembrar os velhos tempos de Pacaembú, em que nos amontoávamos nas bilheterias do estádio para garantir um espaço no Tobogã.

A entrada do Corinthians foi emocionante. Podíamos enfim soltar a nossa voz. Podíamos agora acreditar que o sonho havia se convertido em realidade.

O choque entre o imaginário e a imaginação.

 O nosso Corinthians das vilas paulistanas jogando no outro lado do mundo. A memória afetiva que o Corinthians ocupa na nossa mente, com sentimentos tão domésticos e imagens da nossa infância.

Foi muito louco, essa é a verdade.

É como se a história do Corinthians, com seus grandes feitos do passado, se passasse num filme de ficção cientifica, em paisagem futurística.

O Japão, para mim, se parece com aqueles filmes em que a história acontece centenas de anos à frente. Já o Corinthians me remete a sentimentos do passado que compõem a construção social do nosso povo.

Ta bom! Eu sei que viajei…

Mas foi tudo muito diferente. Catarses acontecem.

Trinta e uma mil pessoas estavam no estádio. Noventa e nove vírgula nove por cento apoiando o Corinthians. Se tirarmos os japoneses que foram ao jogo apenas como fãs do esporte – o que não era muita gente, pois o jogo foi num dia de semana a noite e com um frio dos diabos – dá para ter uma boa margem do tamanho desta invasão.

O Corinthians ganhou. Certas coisas não mudam no tempo nem no espaço. Tivemos que sofrer bastante, até o final.

Na volta do estádio a imagem era impressionante. Dezenas de milhares de corinthianos saindo ao mesmo tempo para garantir a chegada ao trem antes de seu fechamento. Senão, “só amanhã de manhã“.

A policia foi acionada. Carregavam uns bastões vermelhos no punho. Ergueram o material que se parecia com um cacetete, mas logo descobrimos que se tratavam de sinalizadores iluminados.

Eles orientavam os torcedores para que seguissem o caminho correto. Sorriam e saudavam educadamente as pessoas.

Se violência gera violência, gentileza também gera gentileza.

As pessoas tratam como são tratadas.

A volta foi em paz.

Os jovens e crianças japoneses se juntavam e gritavam bem alto: “poro pó pó pó pó pó pó” e rapidamente aprenderam a dizer para todo mundo ouvir: Vai Corinthians!

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