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Marco Aurélio Weissheimer: Questões pertinentes à esquerda de POA e aos demais governos progressistas

outubro 9th, 2012 by mariafro
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Excelente o texto de Marco Aurelio sobre a privatização do espaço público e o vazio político de candidaturas de esquerda que foram incapazes de pautar esta discussão. A esquerda precisa retomar sua identidade, a juventude brasileira (ao menos aquela que não está entorpecida pelo consumismo não está feliz com o cerceamento de sua expressão. Ela reage sempre a privatização das ruas e a tentativa de disciplinar sua liberdade de expressão, seu tempo, lazer. 

O que ocorre em Porto Alegre, hoje, está longe de ser fato isolado, em São Paulo, o crescimento da candidatura de Haddad dá-se exatamente por propor um enfrentamento à privatização do espaço público, à redução do que significa cultura e, principalmente, por abrir bem os ouvidos e os olhos ao clamor de boa parcela da população que reage à cidade proibida criada por Kassab.

Que governos progressistas fiquem atentos a isso. A juventude faz política de uma maneira nova, é bom que se aprenda a entender seus códigos.

Por: Marco Aurélio Weissheimer, via Correio do Brasil

Na reta final da campanha eleitoral, Porto Alegre vive uma situação paradoxal. Se, por um lado, as pesquisas dão amplo favoritismo ao atual prefeito José Fortunati (PDT), nas ruas eclodiu um movimento social formado basicamente de jovens protestando contra a privatização de espaços públicos e culturais da cidade e também contra o crescente cerceamento de espaços e tempos de lazer.

Protesto no Largo Glênio Peres terminou em repressão policial

Na quinta-feira à noite, quando Fortunati passeava tranquilamente pelo debate da RBS, cujo formato permitiu que ele fosse questionado uma única vez pela deputada federal Manuela D’Ávila (PCdoB) e nenhuma vez pelo deputado estadual Adão Villaverde (PT), as duas principais candidaturas da oposição, o protesto que iniciara no final da tarde em frente à prefeitura terminou em choque com a polícia no Largo Glenio Peres, na área agora sob a responsabilidade da Coca-Cola, onde estava instalado um boneco inflável do Tatu-Bola, mascote da Copa de 2014.

Para quem não vive em Porto Alegre, as referências podem ser confusas. A prefeitura de Porto Alegre repassou para a Coca-Cola a tarefa de “cuidar” do Largo Glênio Peres, uma das áreas mais tradicionais do centro da capital e espaço histórico de manifestações sociais, culturais e políticos. Em troca de algumas “obras” no Largo, como um insólito conjunto de chafarizes, cujo maior feito até agora foi alagar o comício de encerramento do candidato Villaverde, a Coca Cola está explorando publicitariamente o Largo.

A iniciativa não é isolada. Outros espaços públicos da cidade estão sendo repassados pela gestão Fortunati para a iniciativa privada, como é o caso do Auditório Araújo Viana, agora sob os cuidados da produtora Opus. O ufanismo empreendedorista embalado pelas “obras da Copa” justifica a invasão privada de espaços públicos na cidade.

Na terça-feira desta semana, uma inacreditável manchete do jornal Zero Hora afirmava em tom de denúncia: “Norma que restringe altura dos prédios impede a capital de crescer na Zona Norte”. Como bem observou Cristóvão Feil, no Diário Gauche, o grupo RBS perdeu todo o pudor, reivindicando diretamente os interesses da livre especulação imobiliária selvagem em Porto Alegre. RBS que tem um braço no setor imobiliário chamado Maiojama.

Nos últimos anos, boa parte dos chamados formadores de opinião dos veículos do Grupo RBS cumpre o papel de defender com denodo os interesses comerciais e econômicos estratégicos de seus patrões, silenciando sobre os atropelos de normas urbanísticas ou ambientais ou defendendo abertamente tais interesses. Não foi nada surpreendente, portanto, que surgidas as primeiras notícias sobre o confronto no largoGlênio Peres, jornalistas da RBS já denunciassem os “vândalos” que estavam destruindo o boneco do Tatu Bola. Alguns deles se apressaram a associar ao episódio à destruição do relógio dos 500 Anos, durante o governo Olívio.

Mas voltemos ao paradoxo da reta final dessa eleição. Uma das razões possíveis pelas quais Fortunati transitou com relativa tranquilidade pela campanha eleitoral foi a não tematização dos assuntos citados acima pelas principais candidaturas da oposição. O vazio, na política, sempre cobra seu preço. Vazio, neste caso, causado por escolhas feitas pelos principais partidos de oposição. Escolhas, aliás, que não se limitam ao processo eleitoral. A crescente privatização de espaços públicos em Porto Alegre passeia também com relativa tranquilidade pela Câmara de Vereadores, com algumas honrosas exceções no PT e no PSOL, insuficientes porém para gerar um debate público na cidade.

Diante da fragilidade política dos partidos, as ruas começam a canalizar a insatisfação que vem se acumulando há alguns meses. Aí está o paradoxo. Fortunati poderá ser eleito neste domingo com uma fraca oposição partidária, mas já com uma forte oposição social nas ruas.

Cabe um registro ainda sobre a ação da Brigada Militar no episódio. Os vídeos que circularam durante todo o dia pela rede são suficientes para expor a violência desmedida por parte dos brigadianos. Mesmo diante de eventuais excessos por parte de alguns manifestantes, não há nenhuma justificação para as cenas que se vê, incluindo agressões contra quem estava filmando o episódio (o que, aliás, não é a primeira vez que acontece). Erra o governo do Estado ao não proferir nenhuma palavra crítica à ação da Brigada que, infelizmente, parece sempre pronta a demonstrações de força equivocadas, contra quem deveria proteger. Nos últimos anos, entre outras coisas, matou um sindicalista e um sem-terra aqui no Rio Grande do Sul em função dessa truculência. As fotos de quinta à noite mostram uma barreira de viaturas e policiais para defender o Tatu-Bola dos “vândalos”.

De fato, Porto Alegre vem sendo alvo de uma onda de vandalismo. Os espaços públicos da cidade estão sendo privatizados. A especulação imobiliária avança sobre áreas públicas e de preservação ambiental. A população mais pobre está sendo empurrada cada vez mais para a periferia. A criminalização das áreas frequentadas pela juventude é crescente. O maior grupo midiático da cidade defende abertamente a subordinação do interesse público aos interesses comerciais do setor imobiliário. E as chamadas forças de segurança estão aí para defender essa agenda e seus agentes públicos e privados. Mas as ruas começam a opor resistência aos vândalos e ela pode estar só começando.

Marco Aurélio Weissheimer é editor-chefe da Carta Maior (correio eletrônico: gamarra@hotmail.com)

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EM TODAS ÚLTIMAS ELEIÇÕES, NA HORA H, A PERIFERIA DE SP FECHA COM O PT…

outubro 8th, 2012 by mariafro
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EM TODAS ÚLTIMAS ELEIÇÕES, NA HORA H, A PERIFERIA DE SP FECHA COM O PT…

Mães de Maio

Agora será que o PT vai fechar DE VERDADE com a Periferia de SP, para além das vésperas das Eleições?!

Nós seguiremos nossa caminhada autônoma, suprapartidária e cotidiana, de resistência e pressão popular pelo Direito à Memória, à Verdade, à Justiça e à Liberdade da População Pobre, Preta e Periférica. Direito à Paz e Dignidade, frente ao Genocídio que segue em curso…

Seguiremos firmes e atent@s cobrando todos nossos Direitos, e também os Deveres de todas as autoridades competentes eleitas nessa falsa democracia, formalmente, para nos representar.

No caso aqui de São Paulo o PT, mais do que os outros partidos e mais do que nunca, está em bastante falta com a Periferia! Não adianta dourar a pílula: o “fenômeno Russomanno” que quase levou estas eleições, e o peso a cada ano maior das bancadas evangélicas, tem como pano de fundo a história recente do PT na cidade: seja pela omissão, seja pela compactuação e reprodução dos mesmos métodos. Então, o partido e seus correligionários precisam ser cobrados, e representar muito mais do que o discurso às vésperas das urnas!

O verdadeiro julgamento histórico do partido será feito em cima dessas atitudes ou omissões, não em cima de ilusões político-eleitorais.

Nós seguimos firmes na Luta Cotidiana,

Mães de Maio da Democracia Brasileira

#POR UM VERDADEIRO PODER POPULAR!!! #PAZ NAS PERIFERIAS DE SÃO PAULO E DE TODO BRASIL!!!

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Fernando Haddad “Dois em cada três votos pedem mudança em São Paulo”

outubro 8th, 2012 by mariafro
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Fernando Haddad tem uma agenda movimentada no primeiro dia de atividades do segundo turno das eleições em São Paulo. Seu primeiro compromisso, logo às 7h da manhã, foi uma entrevista ao 1º Jornal, da TV Band. “Dois em cada três votos pedem mudança em São Paulo”, afirmou o candidato do PT. “Continuaremos fazendo uma campanha propositiva, pela mudança de São Paulo. Temos o melhor plano de governo para a cidade.”
“São duas chapas agora, uma pela continuidade, outra pela mudança, e queremos explorar todos os temas que afetam a qualidade de vida da população.” Haddad deu entrevista também às rádios CBN, Jovem Pan e ainda tem previstas aparições novamente na Band e mais uma na Globo. Na hora do almoço, ainda teve um encontro com o presidente Lula.

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Folha: Peso do mensalão nesta eleição foi próximo de zero

outubro 8th, 2012 by mariafro
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Peso do mensalão nesta eleição foi próximo de zero

Por: LUCAS NEVES, DE SÃO PAULO, Folha

08/10/2012

O professor de filosofia da Unicamp e pesquisador do Cebrap (Centro Brasileiro de Análise e Planejamento) Marcos Nobre, 47, afirma que o julgamento do mensalão no STF teve influência “próxima do zero” nas eleições municipais deste ano.

Segundo ele, a concomitância só contribuiu para que um evento “atrapalhasse o entendimento do outro”, o que foi “péssimo para a democracia brasileira”.

Para Nobre, o PT cometeu “erro tático grave” ao não lançar a candidatura de Fernando Haddad à Prefeitura de São Paulo ao menos um ano antes. Ele acha ainda que o petista “demorou demais” a atacar Celso Russomanno (PRB).

Nesta entrevista, concedida na sede do Cebrap, em São Paulo, o acadêmico também analisa o ganho de musculatura de PSD, PSB e PDT, trinca que, de acordo com ele, pode cerrar fileiras em torno de uma candidatura presidencial de Eduardo Campos (PSB) em 2014.

“O bloco forte tem como esperança carregar o PSDB, que passa a ser um satélite desse polo. O Aécio [Neves, PSDB-MG] vai acabar vindo a reboque”, analisa Nobre, para quem o senador de Minas, apontado como potencial presidenciável, “está acuado em seu Estado”.

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Folha – Num ato em apoio a Haddad, a socióloga Victoria Benevides disse que o julgamento do mensalão atrapalhou o petista. Ao mesmo tempo, o Datafolha mostrou que 81% dos eleitores de SP não mudaram seu voto por causa do julgamento. Qual foi o peso do mensalão nesta eleição?
Marcos Nobre - Bem próximo de zero. Quando a campanha do Serra falou do mensalão, [...] estava apelando ao eleitorado antipetista, ou seja, tentando manter a sua base. A função do mensalão foi a de lembrar ao eleitorado antipetista razões para sê-lo.

Só pregação para convertidos?
Sim. As pessoas não orientam o seu voto pelo mensalão. Não estamos conseguindo dar conta de analisar o processo judicial [do mensalão] com todas as implicações que tem porque estamos em eleição municipal. Uma coisa atrapalha o entendimento da outra, mas não influi na outra. As eleições estão obscurecendo um debate necessário sobre o papel do STF. A coincidência foi péssima para a democracia brasileira.

A mesma pesquisa mostra que, no grupo dos 19% que mudaram de voto por causa do mensalão, Haddad foi o mais prejudicado. É mesmo possível dizer que o julgamento não influenciou a eleição?
A influência é residual, não vai mudar o resultado da eleição. É claro que pode mudar 1%, 2% dos votos.
Mas essas porcentagens não importariam numa disputa acirrada como a de São Paulo?
Pode ser que sim. Mas dizer que a eleição foi determinada pelo mensalão é incorreto, uma escolha arbitrária. Há vários fatores residuais importantes: o fato de não ter havido o último debate [da TV Globo], a carta do bispo Edir Macedo [endossando Russomanno], o fato de a Marta [Suplicy] ir para o ministério [da Cultura, depois de aceitar entrar na campanha de Haddad]. Teríamos de considerar dez variáveis para explicar uma diferença pequena.
Em que medida a imposição de um candidato [Humberto Costa] em Recife que só interrompeu trajetória de queda 15 dias antes das eleições e o cenário desde o início difícil para Patrus Ananias em Belo Horizonte representaram derrotas pessoais para Lula?
É preciso distinguir o que é derrota do presidente do que são erros táticos de um partido. O PT cometeu dois erros táticos graves, em Pernambuco -uma luta fratricida, um candidato que veio de cima, um partido dividido- e em São Paulo. O Haddad tinha de ter sido lançado pelo menos um ano antes. No momento em que o PT deixou de ir atrás do eleitor martista, pensando que deveria lançar um candidato permeável à “área azul” [referência ao centro expandido da capital, reduto do PSDB], abandonou um segmento fiel. Esse é o espaço que foi ocupado pelo Russomanno.

O Datafolha mostrou que a maioria rejeita a influência da religião na eleição, rechaçando candidatos indicados por igrejas. Por que o tema ganhou vulto em São Paulo?
Numa campanha, é prático encontrar um ponto como a religião para demonizar alguém, porque aí Deus e o diabo estão exatamente no seu lugar. É fácil produzir um maniqueísmo eleitoral, em vez de discussão decente, usando a religião. Além disso, interessa tanto à Igreja Católica quanto às evangélicas que a religião esteja no centro. Mostra o peso da instituição na sociedade.

Por que a candidatura de Russomanno se desidratou tão rápido, após alcançar patamar de 35% das intenções de voto?
No momento em que os outros candidatos repolitizaram o debate, ele caiu. Foi atacado por não apresentar propostas concretas e viáveis para a cidade. Quem fez isso primeiro? O [Gabriel] Chalita. Viu uma oportunidade de crescer no eleitorado do PT que havia sido tomado pelo Russomanno. A campanha do PT demorou demais a criticar o Russomanno. O único jeito de combater o desencanto com a política é com mais política.

O PSB deve eleger Marcio Lacerda em Belo Horizonte e Geraldo Júlio em Recife. Esse desempenho o credencia a desalojar o PMDB do posto de principal partido da base do governo Dilma?
A oposição hoje é residual. Quando isso acontece, vai todo mundo para dentro do governo. Num primeiro momento, a oposição dentro da situação foi o PMDB. Ele foi acomodado. Os outros foram menos favorecidos. Daí você tende a ver alianças. O PSD do [Gilberto] Kassab nasce em acordo tácito com o PSB do [governador de PE] Eduardo Campos. Busca os descontentes regionais, mas não invade redutos do PSB, e vice-versa. O PDT também é um descontente importante. Potencialmente, há uma aliança entre os três para ganhar espaço no governo. Mas, no fundo, Eduardo Campos é candidato em 2014.

Como cabeça de chapa ou vice de Aécio Neves (PSDB)?
Como cabeça de chapa. O Campos armou um jogo bem armado, com o discurso de negociar espaço melhor no governo, mas, no fundo, já construindo uma alternativa. Se não der certo em 2014, emplaca em 2018. Ou o governo Dilma reduz sua base, ou está realmente dormindo com o inimigo. PSB, PSD e PDT terão prefeituras importantes.

E o PSDB?
Esse bloco forte tem como esperança carregar o PSDB, que passa a ser um satélite desse polo. O Aécio virá a reboque. É muito menos competitivo hoje do que poderia ter sido. [...] Precisa de Belo Horizonte a qualquer preço. Os ataques dele à Dilma e ao Lula são um sinal de desespero. Ele está reduzido a Minas. Alguém que tem pretensões presidenciais e está acuado em seu Estado não tem nem de longe a estatura que tinha há quatro, oito anos.

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