Maria Frô

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Entrevista de Dilma Rousseff após sobrevoar Friburgo

janeiro 15th, 2011 by mariafro
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Sobre esta entrevista da presidenta, Azenha fez alguns destaques interessantes neste post: Presidenta Dilma: Programa habitacional, saneamento, drenagem e prevenção de deslizamento em encostas.

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Documentário da TVT: Brasil de todos

janeiro 15th, 2011 by mariafro
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Documentário da TVT sobre a festa da posse da primeira presidenta do Brasil, Dilma Rousseff, com depoimentos de brasileiros de diferentes origens sociais, ativistas, lideranças analisando oito anos do governo Lula e suas expectativas diante do governo Dilma.

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Remanejar as pessoas das áreas de risco é caro, mas tem de ser feito

janeiro 15th, 2011 by mariafro
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Memórias recorrentes
Por: Heloisa Magalhães – VALOR, via BlogdoFavre
13/01/2011

Era 11 de janeiro de 1966, exatamente 45 anos antes da noite de início da tragédia na serra fluminense. Morava com minha família em uma casa no Cosme Velho construída por meu pai, engenheiro calculista. Para quem não conhece, é o bairro onde está a estação do bondinho de acesso ao Cristo Redentor, um vale entre belas encostas do Rio.

Acordamos, de madrugada, com uma chuva apavorante. Na véspera, já fôramos surpreendidos pela descida de parte da encosta atingindo os fundos da casa. Nada sério, mas na noite seguinte foi diferente, foi o dia em que o Rio enfrentou uma das grandes tragédias causadas por chuvas de verão. Morreram 140 pessoas. Um edifício inteiro caiu no bairro de Santa Tereza, matando grande parte dos moradores.

Naquela noite, terra e lama invadiram até o teto do primeiro andar da nossa casa, cobrindo e destruindo móveis e objetos na sala de estar, cozinha e varanda. No momento do desmoronamento, por sorte, os quatro filhos, estavam todos no quarto dos pais e ninguém foi atingido.

Passado o pânico com o barulho estonteante de montanhas de terra caindo e quebra dos vidros das janelas, vizinhos, solidários, vieram nos socorrer levando a família para suas casas, rua acima. Tudo debaixo de chuva torrencial.

O remanejamento da população é caro, mas deve ser feito.

Passado o susto, meu pai tratou de estudar geotécnica. Projetou um sistema de proteção na encosta no morro atrás da casa, cujo topo vinha silenciosamente sendo ocupado por moradias irregulares.

A terra jamais voltou a invadir a casa. Mas, por muitos anos, a cada verão, mesmo depois dos filhos terem seguido rumo próprio, bastava uma chuva forte para todos, tentando mostrar calma, telefonarem para saber se estava tudo bem por lá.

O Rio de Janeiro vive históricas e seculares enchentes. O jornal “Extra” mostrou, ontem, que apenas entre 2001 e 2010, todos os anos morreram pessoas vítimas de enchentes, totalizando 554 óbitos. Este ano, já houve 444 mortos identificados na região serrana fluminense.

Certamente muitas análises e mapeamentos já foram feitos, e a cidade reduziu as consequências protegendo encostas, deslocando moradores em áreas de risco.

Mas o que se sabe é que há planos que ficam nas prateleiras. Em Teresópolis, por exemplo, a defesa civil, na gestão passada, produziu um relatório detalhado e um chamado Plano Municipal de Redução de Riscos. Na atual, o plano foi refeito. A proposta era localizar todas as áreas de risco invadidas e tirar a população. Mas segundo uma fonte que acompanhou o processo, praticamente nada foi realizado.

A doutora em geografia do meio-ambiente Ana Luiza Coelho Netto, do Instituto de Geociências, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), defende uma ação ampla. Diz que o momento é um alerta para ser repensado o modelo de planejamento da ocupação de toda a região Sudeste, principalmente as áreas mais montanhosas. Ela lembra que nelas há deslizamentos, independentemente da presença humana. O problema é que hoje as terras são ocupadas desordenadamente, seja pela agricultura ou por habitações dos de baixa renda ou não, causando importantes perdas, e com isso acabam se configurando grandes catástrofes.

“Atrás das cicatrizes dos deslizamentos ficam clareiras nas encostas, perdendo-se elementos que dariam resistência ao solo. Com planejamento adequado, as chuvas de grande magnitude não impediriam o deslizamento, mas não atingiriam a dimensão das perdas que estamos assistindo”, afirma.

O também professor e economista da mesma UFRJ, Mauro Osório, estudioso do Estado, lembra que há décadas se sabe que a cidade do Rio de Janeiro, por exemplo, conta com áreas abaixo do nível do mar. Uma delas é a Praça da Bandeira, perto do estádio do Maracanã, onde há um rio com o mesmo nome, parte dele canalizado, e as enchentes se repetem ano a ano.

Ele reconhece que foram realizadas muitas obras de contenção de encostas na cidade e que, ainda na década de 60, foi criado um instituto equivalente a atual GeoRio. Como muitos municípios não têm condições de arcar com os custos dos estudos de ocupação e processos de recuperação de encostas, sugere na linha da professora Ana Luiza a realização de um planejamento amplo, a adoção de um modelo de consórcios unindo prefeituras e o governo do Estado para a região serrana, em especial, contar com um trabalho permanente de proteção das encostas.

Osório lembra que o Estado do Rio de Janeiro sofreu com uma “lógica de políticos clientelistas” que não trabalharam com planejamento, facilitando invasão moradia em lugar precário causada, em boa parte, pela ausência de alternativa.

Sergio Besserman, ambientalista, membro do conselho diretor da WWF-Brasil que trabalha no tema mudanças climáticas desde 1992, avalia que não há solução de curto prazo e destaca que o diagnóstico é de três agendas.

Uma delas é a “do passado”, a da ocupação irregular, sem planejamento. “Ninguém fez nada na área de habitação e as pessoas tem que morar. Saíram procurando lugares mais baratos e vulneráveis. Mas, obviamente, não é possível realocar todas as pessoas da noite para o dia, é preciso tempo. No Rio, há 18 mil casas em locais de risco. Custa caro o remanejamento, mas os governos vão ter que lidar com isso”. Essa é a agenda do presente.

Ele destaca, contudo, que há “a agenda do futuro e as notícias não são boas”. Ele avalia que neste verão choveu como há 40 anos atrás e “não pode se afirmar que foi o aquecimento global, mas o certo é prever que vai voltar a chover assim e não vai mais demorar 40 anos para acontecer. As chuvas serão com mais frequência e intensidade”, alerta.

*Heloisa Magalhães é chefe de Redação no Rio de Janeiro. Excepcionalmente deixamos de publicar a coluna de Cláudia Safatle. E-mail heloisa.magalhães@valor.com.br

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De qual bandido estamos falando?

janeiro 15th, 2011 by mariafro
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Celso Athayde estreia no Yahoo socando a porrada na hipocrisia. Lendo seu texto sempre duro, sempre no estômago sem meias palavras me lembrei do texto de Mello: Classe Mérdia tem solução para tudo: “Basta tirá-los dali”.

Bandido bom é bandido morto?

Por Celso Athayde, no Yahoo

14/01/2011

Bom dia a todos e a todas. Hoje é minha estreia com vocês e provavelmente alguns dos que nos acompanham ao longo dos anos devem estar estreando aqui nesse espaço também. Por ser uma estreia, venho pensando sobre o que vou escrever. São mais de duas da manhã do dia 14, e a orientação é entregar estas linhas lá pelas 9 horas da matina!

O ideal seria um texto de apresentação, falando um pouco da nossa trajetória, considerando que ninguém nos conhece mesmo. Pensei em falar sobre as enchentes aqui do Rio de Janeiro. Acabei de ver na TV que mais de 800 cidades estão ilhadas e pedindo alguma ajuda do governo federal. Então, pensei em falar sobre essas tragédias anunciadas, talvez sobre a solidariedade do povo nesses momentos tristes…

Mas quando comecei a escrever, apareceu na TV a imagem de um caminhão parado no congestionamento. Vi bem rapidão, mas estava estampado um dito popular que sempre ganha força em momentos de tensão. Lá estava em letras garrafais: “BANDIDO BOM É BANDIDO MORTO”.

Apesar de ter sido muito rápido, por estar escrito num caminhão, fiquei ali inerte, e me veio na mente um turbilhão de coisas. Inclusive coisas sobre um momento que estamos vivendo no Brasil. A imagem da TV passou, mudou o quadro, mas de toda maneira eu me projetei na boleia do possante. (Para terminar esse texto vou desligar a TV. Peraí. Só um minutinho… Assim é melhor, sem barulho, exceto o da chuva.)

Bem, essa frase me persegue e elege muita gente. Faz parte do cotidiano violento das grandes cidades e das pequenas por certo. O que impressiona é que eu também já me embalei com esse canto, e nunca percebi que, por trás dessa frase, existia uma carga enorme de preconceito racial. Pois quando se profere essa frase por unanimidade, se está falando de um único tipo de bandido.

A imagem do bandido surge no subconsciente coletivo: a figura de uma pessoa com estereótipo e fenótipo pré-concebido, o “marginal”, em geral, com ou sem camisetas, no tronco ou na cabeça, armado, abusado, com roupas folgadas, e negro. Observado esse fato, analisamos que, em grande medida, não existe outra forma aceitável para o senso comum de uma representação de “bandido” que não esta, talvez porque a mesma esteja ligada a áreas (margens, favelas) de um centro de poder, seja ele social, cultural, econômico, político, urbano, idealizado para manter de certa forma a estabilidade social por meio do caos.

Eu pelo menos nunca vi os defensores desse conceito saírem às ruas para pedir o fim da vida dos jovens de classe média que matam pessoas com golpes de lutas marciais nas ruas. Não imagino, por exemplo, que em casos como esses da Av. Paulista, em que jovens bandidos da pior espécie, apesar de serem chamados pela mídia de “estudantes” e não de “marginais”, sofram essas campanhas de morte por terem colocado em risco a vida de outras pessoas por puro preconceito. Nesses casos, há clamor por justiça, mas nunca por pena de morte. Em alguns casos, os pais desses jovens, refletindo parte do sentimento social, até acreditam que “isso é coisa de menino levado”.

Vou dar o último exemplo: nós que frequentamos as arquibancadas dos estádios sabemos o perfil dos jovens torcedores homicidas, sabemos que quem escapa nos fins de semana de jogos, das suas garras são, no mínimo, espancados por cometerem o único “crime” de estar na mesma rua que eles. Pois bem, nunca vi pedirem a morte desses moços! Nos valemos de recursos públicos do Ministério do Esporte e de secretarias estaduais para produzir e promover grandes campanhas para reeducar essas criaturas.

Ou ainda, quando o “mocinho” de terno e gravata querido por milhares é pego com as meias e os bolsos de seu paletó importado cheios de dinheiro público, pouco se vê a indignação popular. Seja nas ruas ou nas urnas, visto que logo ele é eleito novamente, sem ao menos ter sido julgado pelo crime que cometeu, validado pela imunidade parlamentar prevista no artigo 53, que, com a Emenda Constitucional nº. 35/2001, passa também a ser civil, ou seja, o “mocinho-bandido” não responde por seus danos morais ou materiais no exercício da sua função ou fora da casa legislativa.

Nesse drama encenado diariamente, o personagem do “bandido”, privado de todo e qualquer benefício da vida digna ou ao menos com o mínimo possível, lançado a toda sorte de azar sem ou quase sem nenhum referencial educacional, de família, de direitos e deveres, condicionado a viver sem perspectiva de melhora vida, se vê diante de caminhos traçados por “outros”, trilhando-os como saídas emergenciais da miséria iminente, sendo um deles o crime e o tráfico de drogas. Percebe-se, dessa forma, que o “errado” parece ser “certo” em determinadas situações, e o “bandido” vira “mocinho” para familiares ou para parte da comunidade em que reside.

Então, pergunto ao dono do caminhão: de qual bandido estamos falando? Dos pretos que estavam no Complexo do Alemão e que o Brasil ria ao os ver como alvo, como uma partida de vídeo-game? Ou bandido para o caminhoneiro é aquele que rouba dinheiro público e torna inviável a via pública, objeto inclusive de processos judiciais pela morte de milhares de pessoas e famílias inteira no trânsito brasileiro?

Não vou avançar porque tenho receio de que essa frase seja projetada na direção de prefeitos e governadores que, de forma irresponsável, submetem as cidades aos riscos dessas chuvas e ignoram a vulnerabilidade que todos sabemos que existem. É como se essas tragédias fizessem parte do nosso calendário espetacular de verão!

Não queria começar essa minha nova experiência com essa frase e muito menos pegando carona no caminhão de alguém. Porém, é importante refletir sobre esse tema, não apenas pelo conteúdo da frase, mas sobretudo refletir sobre o direito de todos. A única maneira de termos uma sociedade equilibrada é tratar todos os bandidos como iguais!

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