Maria Frô

ativismo é por aqui

Maria Frô header image 4

Rodolfo Salm: Belo Monte, Lula e Dilma – “good cop, bad cop”

outubro 14th, 2011 by mariafro
Respond

A dica texto duríssimo e com graves acusações ao governo Dilma sobre a construção de Belo Monte foi do Idelber Avelar, via twitter.

Tenho ouvido muita discussão a respeito, argumentos pró e contras. Mas o debate está tão contaminado!

Os defensores de Belo Monte dizem que a construção da Usina não afetará as populações indígenas nem causará impacto no meio ambiente, o que para mim é um argumento que (para ser delicada) é  de uma fragilidade sem fim. Obviamente que afetará o meio ambiente e as populações em alguma medida. Negar isso não me parece uma boa saída para convencer ninguém.

Há o argumento econômico-desenvolvimentista, da busca da soberania nacional, da necessidade de investimentos em infraestrutura em um país que transforma seu grau de importância  no cenário global e há os desafios da preservação ambiental. Mas qual é o ponto de  equilíbrio entre o desenvolvimento necessário e a proteção ambiental? A construção de Belo Monte parece ter ignorado sistematicamente acadêmicos, ambientalistas e lideranças indígenas que querem discutir o desenvolvimento sustentável.

Belo Monte e as cobras
Por: Rodolfo Salm*, Correio da Cidadania
14/10/2011

Conta o artigo “Devemos ter medo de Dilma Dinamite?,” de Eliane Brum, repórter especial da revista ÉPOCA (publicado em setembro no blog Brigada Contra a Corrupção Brasileira), que, em 2004, a então ministra de Minas e Energia, Dilma Rousseff, concedeu uma audiência a Antônia Melo, liderança na luta contra a construção da hidrelétrica de Belo Monte, sobre os estudos para a construção da barragem. Segundo Eliane, depois de ouvir brevemente as preocupações de seus interlocutores com o projeto, Dilma teria apenas dado um murro na mesa, dito “Belo Monte vai sair”, levantado e ido embora. Em 2009, o então presidente Lula pegou pelo braço Dom Erwin Kräutler, bispo do Xingu e disse: “Não vamos empurrar esse projeto goela abaixo de ninguém”. Empurraram. Dom Erwin voltou para Altamira com a promessa de Lula de que uma nova audiência seria marcada para conversarem mais sobre os receios da comunidade local, o que nunca aconteceu.

Durante o período do licenciamento ambiental da usina, Dilma e Lula se alternavam num padrão que lembra a rotina do “tira bom, tira mau” (“good cop, bad cop”), dos policiais norte-americanos, em que um intimida o interlocutor enquanto outro se faz passar por seu protetor.

Além disso, quem acompanha de perto a questão da construção da usina vê que a tão falada “faxina contra a corrupção” que Dilma estaria fazendo não passa, se muito, de uma limpeza muito superficial. Isso porque se restringe a questões pontuais nos ministérios dos Transportes e do Turismo e não toca, por exemplo, na corrupção associada ao setor elétrico, onde se armam os maiores golpes da atualidade.

Toda a questão do enriquecimento inexplicado de Antonio Palocci é pequena se comparada às denúncias envolvendo seu irmão Adhemar Palocci, sempre diretor da Eletronorte. Ele é acusado em uma série de casos de corrupção envolvendo a indústria barrageira, inclusive do recebimento de propina da empresa Camargo Corrêa (segundo o relatório da Polícia Federal na Operação Castelo de Areia). Escândalos que o unem a Walter Cardeal, braço direito da Dilma desde os tempos da Secretaria de Energia do Rio Grande do Sul. Todos esses, apadrinhados de José Sarney, continuam atuando livremente.

Há evidências dos “malfeitos” (diga-se, a roubalheira) ligados a esta barragem? Sim e elas não poderiam ser mais abundantes. Para quem ainda precisa ver para crer, sugiro o vídeo “Corrupção comandou liberação de Belo Monte em Altamira, no Pará”, que tem circulado na internet e comprova a compra de votos de vereadores de Altamira para facilitar a implantação da hidrelétrica na nossa região. Logo no início do filme de cerca de 3 minutos, repleto de denúncias gravíssimas, pergunta-se: “Por que a Globo não mostra isso também?”. Bem, já estão correndo rios de dinheiro público nessa obra que favorece vários dos grandes grupos empresariais do país. A pauta da emissora obviamente não poderia ir contra tais interesses porque esse nunca foi o seu negócio.

A quem ainda tiver alguma dúvida, basta assistir o especial do Jornal Nacional sobre a construção da hidrelétrica (partes 12 e 3), que em vários momentos parece mais um release da empresa construtora do que uma matéria jornalística. Sem nunca expor decentemente nossos argumentos contra a barragem, a matéria tanto exalta acriticamente os supostos benefícios da obra quanto coloca seus impactos como conseqüências “inevitáveis” do “progresso”. E divulga a maior mentira de todas, exibida no episódio do dia 28 de agosto , que é o chamado resgate da fauna:

Biólogos acompanham tudo. Os bichos que vivem na região têm que ser preservados. É uma das exigências do Ibama para reduzir os danos ao meio ambiente (…) Os que não conseguem fugir são resgatados e soltos em lugar seguro. Em dois meses e meio já foram salvos 1,2 mil animais”, diz a repórter Cristina Serra, apresentadora da matéria.

Citações como esta, “de primeira, eu achava até bonito derrubar uma árvore. Hoje, não. Hoje, para derrubar, eu tenho que pensar duas vezes”, do encarregado da obra, supostamente vacilante em cortar duas castanheiras que restavam de pé no canteiro de obras, são estratégicas para dar a impressão de que as coisas vão bem para a natureza no Xingu.

Ao invés de “salvar” algum animal, o “resgate” serve apenas para gerar imagens como a da jornalista se divertindo com uma cobra enrolada no braço (“parece uma pulseira, que barato!”), e de biólogos-de-aluguel passando para os desavisados a idéia equivocada de que a natureza está sendo de alguma forma protegida. Devem pensar que se até as cobras – esses rastejantes peçonhentos e desprezíveis – estão sendo bem tratadas e removidas para um “local seguro” é porque a natureza está sendo preservada.

Mentira. A enorme maioria dos animais atingidos por uma obra como essa morrem (afogados, por falta de comida e abrigo ou na competição com outros animais, ao serem expulsos de seus locais de vida) sem que ninguém se dê conta disso. E essa ínfima fração supostamente resgatada não tem nem onde ser solta, porque as áreas de floresta remanescentes geralmente estão saturadas com a sua própria fauna local. Na verdade, a implementação de obra desse porte em um dos últimos grandes rios do planeta preservados, no coração da última grande floresta tropical do mundo, é uma tragédia do começo ao fim, para a diversidade da vida na Terra e, em última instância, para a humanidade como um todo.

*Rodolfo Salm, PhD em Ciências Ambientais pela Universidade de East Anglia, é professor da UFPA (Universidade Federal do Pará) em Altamira, e faz parte do Painel de Especialistas para a Avaliação Independente dos Estudos de Impacto Ambiental de Belo Monte.

_________
Publicidade

Tags:   · · · · · · 2 Comments

Amanhã a rede de solidariedade ao Moisés vai visitá-lo \o/

outubro 14th, 2011 by mariafro
Respond

Tô bem feliz, muito mesmo. No dia das Crianças soube pela Vera, via Facebook, da história do Moisés, a gente conhecer a história desse menino guerreiro enche a vida de sentido.

Daí imediatamente pensei, pra que serve a blogosfera, pra serve a rede? A gente compartilha conhecimento, se organiza, luta, se manifesta e pode e deve ser solidária.

Fiz este post aqui: Pára tudo gente! Bóra fazer uma vaquinha pra este menino lutador? e a história do Moisés sensibilizou muita gente que até agora entra em contato via twitter, facebook, mail, comentários do blog, todo mundo querendo ajudar, contribuir.

Amanhã a Vera vai visitar a família do Moisés como mostra a matéria destacada abaixo.

A Vera se comprometeu a ajudar a mãe de Moisés a inscrevê-lo no Sarah (o melhor centro de recuperação que há no país e que, felizmente, existe em Belém). Mas sabemos que próteses em qualquer um carece de adaptação e mais que isso, como Moisés é uma criança, elas precisarão ser trocadas ao longo do seu crescimento. O Sarah é gratuito, mas tem fila, tem o ir e vir, das inúmeras consultas, das fisios, pois nem sempre tem internação.  Toda a ajuda será bem-vinda.

Depois que a Vera trouxer os dados, abrimos a vaquinha e contamos com a Vera para nos manter informados sobre os trâmites no Sarah. Obrigada a todos.

‘Vaquinha’ nas redes sociais vai garantir perna mecânica para Moisés

O Liberal, 1º caderno, página 6, via blog da Vera Paoloni
14/10/2011

AJUDA

Garoto vai receber visita dos organizadores da campanha amanhã

A lição de vida ensinada pelo menino Moisés Lima, que nasceu sem os braços e uma perna, despertou a solidariedade de centenas de pessoas em toda a Grande Belém e já repercurtiu até na rede mundial de computadores, onde uma campanha é realizada em prol do menino. A iniciativa partiu da blogueira Vera Paoloni (que administra o lapaoloni.blogspot.com) que acessava as redes sociais na última quarta-feira, 12, e leu a reportagem, veiculada pelos jornais O LIBERAL e Amazônia, sobre a história do garoto, de 10 anos, que mesmo sem com as limitações anda de bicicleta, joga futebol e taco. Ele mora na rua Belém, em Águas Lindas, e em meio a outras crianças mostra que não é diferente de qualquer outra. Amanhã, uma equipe dessa campanha virtual fará a primeira visita à casa de Moisés para conhecer de perto o menino e dar prosseguimento à ajuda.

“Eu estava on-line no Facebook, quando li a reportagem sobre o menino e vi as fotos no perfil do Tarso Sarraf (repórter fotográfico de O LIBERAL), imediatamente compartilhei”, comentou Vera. O mesmo clique dado pela blogueira foi replicado por centenas de usuários do site de relacionamento em todo o Brasil. Intitulada por “Para tudo, gente! Bora fazer uma vaquinha pra este menino lutador?”, a campanha para ajudar ao Moisés, foi lançada no próprio blog de Vera e, de imediato, ganhou adeptos.

“Compartilhei a postagem no meu facebook e a ‘Maria Frô’ (mariafro.com.br/wordpress – blog administrado pela professora Maria da Conceição Oliveira, da Universidade de São Paulo – USP) sugeriu fazermos uma ‘vaquinha’ (coleta)”, disse. No blog da professora, também foi postada a reportagem veiculadas nos jornais das Organizações Romulo Maiorana (ORM).

Vera acredita no poder que a internet possui para mobilizar as pessoas, em especial os brasileiros. “A solidariedade está na alma do povo brasileiro. Nos paraenses, então, nem se fala”, ressaltou. Em poucas horas, a blogueira recebeu mais de 100 e-mails de pessoas interessadas em ajudar. “Recebi e-mail de pessoas do interior do Pará e também de outros Estados, como Ceará e Paraná”.

Amanhã, Vera e outros internautas que aderiram à campanha farão uma visita à casa do menino para conhecer um pouco mais de sua história. Eles pretendem, primeiramente, levar o menino ao Hospital da Rede Sarah Kubitschek, em seguida, providenciar a prótese (perna mecânica) para Moisés. “Ele está goleando a vida com superação. É incrível ver como ele enfrenta a vida sorrindo”, encerrou a blogueira.

Leia também:
Pára tudo gente! Bóra fazer uma vaquinha pra este menino lutador?
O Liberal repercute a nossa campanha na rede pra ajudar Moisés

__________
Publicidade

Tags:   · · · · · · · 3 Comments

Aos ‘indignados’ da Tucanolândia, que tal marchar contra o “higienismo social do Terceiro Reich”?

outubro 14th, 2011 by mariafro
Respond

A dica da matéra foi do Beto Mafra, via twitter. Numa cidade governada por um prefeito de práticas higienistas o que se poderia esperar dos grupos sociais que o apóiam?

Destaco a fala do  promotor Maurício Antonio Ribeiro Lopes que processará essa gente nada solidária:

“É de provocar inveja a qualquer higienista social do Terceiro Reich a demonstração de tal insensibilidade. A ideia – ou que ocupa o que deveria ser o seu lugar – associando pobreza e criminalidade e violência não tem guarida teórica e ética”, escreveu. “Esse pedido é muito revoltante”

Atualização:  O professor Carlos Emilio Faraco me mandou esse link da CBN. Nele podemos ouvir alguns depoimentos. Tem um morador de Pinheiros que diz com todas as letras que as pessoas em situação de rua são ‘lixo’.

São Paulo é uma cidade que está doente, uma doença social chamada preconceito de classe, de raça, de origem regional. São Paulo precisa urgentemente de uma dose de cidadania.

Promotor vê nazismo em ação contra abrigo

Por: DIEGO ZANCHETTA, RODRIGO BURGARELLI – O Estado de S.Paulo

14/10/2011

Comerciantes e moradores de Pinheiros não queriam albergue em área residencial; caso foi parar na Delegacia de Intolerância Racial

Em um pedido com 1,2 mil assinaturas levado ao Ministério Público Estadual (MPE) no dia 29, moradores de Pinheiros, na zona oeste de São Paulo, tentavam impedir que um albergue para moradores de rua no bairro fosse transferido para uma área residencial mais nobre da Rua Cardeal Arcoverde. Mas o efeito foi inverso. Ontem, o promotor Maurício Antonio Ribeiro Lopes comparou a iniciativa às tomadas na Alemanha nazista.

Lopes indeferiu o pedido e enviou os nomes de seis síndicos que assinaram a petição para a Delegacia de Polícia Especializada em Crimes Raciais de Delitos de Intolerância (Decradi). Todos serão alvo de inquérito por intolerância social, prevista na Constituição (art. 5.º, inciso 41).

“É de provocar inveja a qualquer higienista social do Terceiro Reich a demonstração de tal insensibilidade. A ideia – ou que ocupa o que deveria ser o seu lugar – associando pobreza e criminalidade e violência não tem guarida teórica e ética”, escreveu. “Esse pedido é muito revoltante”, disse ele ontem ao Estado.

O abaixo-assinado foi organizado por comerciantes e moradores de Pinheiros e se posiciona contra a mudança do albergue Cor da Prefeitura que hoje funciona no número 1.968 da Rua Cardeal Arcoverde, mas está prestes a ser transferido ao 3.041 da mesma rua – um trecho mais nobre e residencial, entre as Ruas Simão Álvares e Deputado Lacerda Franco. O local oferece melhores condições para o funcionamento do centro e tem mais quartos, segundo o governo municipal.

Mas, segundo o que os vizinhos do novo endereço relataram ao MPE no pedido de intervenção contra o albergue, “o comércio possivelmente não vai sobreviver, uma vez que a população local será acuada em suas residências e os visitantes de outros bairros vão nos trocar por centros comerciais mais tranquilos”. Eles também reclamam de constantes ataques de cachorros de moradores de rua contra “crianças e idosos”. Até um boletim de ocorrência de 2006 com um desses supostos ataques foi anexado no abaixo-assinado.

Ana Arlene Carvalho, relações públicas e síndica de um prédio do bairro, reagiu com indignação à comparação feita pelo promotor. “Então bota os sem-teto na porta da casa dele. Será que ele aceita?” Ela negou que exista preconceito contra os sem-teto e afirmou que colabora frequentemente com um albergue da região do Brás, no centro.

A comerciante Joacy Sant’Anna Lui, de 57 anos, diz que já teve problemas com um albergue que funcionou perto dali durante a gestão Marta Suplicy (PT), entre 2001 e 2004. “Um dia acharam um corpo de uma pessoa dentro de um freezer nesse albergue. Você acha isso uma coisa normal? Eu não acho.” Segundo ela, um local alternativo para a implantação do albergue fica próximo da Subprefeitura de Pinheiros, na Rua Sumidouro. “Essa região está cheia de galpões vazios. Eles poderiam colocá-los lá.”

Leia também:

Câmara de São Paulo aprova o dia da Ogrice

Morumbi versus Paraisópolis: “Era para ser um panelaço, mas a patroa não sabe onde estão as panelas, e a empregada está de folga”

E a gente diferenciada mostrou seu valor

Eu sou diferenciado… Esse metrô é inapropriado… Pra quem?

Humor: Depoimento de higienopolense sobre a ‘gente diferenciada’

Em Sampa até artista de rua é caso de polícia

Higienismo fascista em Sampa: mendigos literamente serão desinfetados

“Não fala com pobre, não dá mão a preto, não carrega embrulho…”

De onde vem tanto ódio?

________
Publicidade

Tags:   · · · · · · · 4 Comments

Leandro Fortes: Quem espalhou nos camarins tucanos que maquiagem esconde intenções?

outubro 14th, 2011 by mariafro
Respond

O Facebook do Leandro Fortes é um dos espaços mais impagáveis da facetosfera.
Sobre o programa do PSDB (me recuso a reproduzir aquele sonífero aqui no Maria Frô, vai lá no Renato Rovai e veja se tiver tempo e paciência), Fortes escreveu:

O discurso de FHC foi uma lástima. A fala de José Serra, uma ode ao ressentimento. Aécio Neves, como já se percebeu, é mais ensaiado que coreografia de jazz. Todos, é claro, batendo na corrupção, esse monstro que junta milhões nas ruas. Mas o que me chamou mesmo a atenção no programa do PSDB na televisão foi o excesso de pó-de-arroz nas caras de Sergio Guerra e Álvaro Dias! Quem espalhou nos camarins tucanos que maquiagem esconde intenções?

Há vários comentários engraçados, gerados a partir da analise jocosa de Fortes, mas este aqui é campeão:

A última vez que tantos políticos juntos estiveram tão pesadamente maquiados foi na corte do Rei Luís XV, quando o protocolo obrigava ao uso de perucas, pó de arroz, batom e a um perfume para cada dia da semana. (Ricardo Miranda Filho)

_________
Publicidade

Tags:   · 1 Comment