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#48HDemocracia 1º turno eleições municipais 2012

outubro 19th, 2012 by mariafro
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O projeto 48 horas democracia nasceu em 2010 de uma iniciativa de blogueiros e jornalistas descontentes com a cobertura das tevês tradicionais sobre as eleições.

A nossa tvweb é uma grande bagunça: entra e sai gente, fala-se de muitos assuntos, emite-se opinião, discorda-se, mas é bastante rica também.

Os vídeos abaixo são do domingo de votação do 1º turno.

Chamo a atenção para o primeiro vídeo, por volta dos 43 minutos, onde a minha adolescente fala um pouco sobre sua decisão em tirar o título de eleitor e votar pela primeira vez. Na minha opinião se todos tivessem a responsabilidade desta garota de 16 anos nós escolheríamos representantes bem qualificados.

Antes de votar ela leu os programas dos candidatos a prefeito e também dos vereadores que ela selecionou. Isso significa que ela pesquisou trajetória política, propostas de pelo menos uns 7 candidatos. Conheço poucos adultos que se dá este trabalho.


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Serra e Haddad no debate da Band e algumas impressões

outubro 19th, 2012 by mariafro
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Muita coisa me chamou a atenção no debate de ontem entre os candidatos Serra e Haddad.

A Primeira questão sobre segurança pública e as respostas dadas pelos candidatos para mim é exemplar de como Serra e Haddad representa dois projetos políticos.

 Serra respondeu na linha do aumenta o efetivo do bate e arrebenta, ou seja propõe dobrar o número de policiais armados (que devem trabalhar em seus horários de folga, imagine o stress do sujeito!); mais efetivo da Guarda Metropolitana,mais câmeras de vigilância etc. Serra pensa a Segurança Pública como ações de Vigiar e Punir, nunca como prevenção e Serra sonega uma informação importante aos eleitores: Polícia Militar está sob ordens do governo do Estado, um prefeito não tem como aumentar ou diminuir efetivos, armá-los ou desarmá-los etc.

Haddad começa mostrando que legalmente Segurança Pública em sua atribuição restrita é função do governo estadual, mas que os prefeitos podem contribuir pra ampliá-la agindo na prevenção. Além de pensar em qualificação da Guarda Metropolitana e de um trabalho conjunto entre CET, GCM, PM, o candidato não reduz a função policial à repressão, por exemplo: a operação delegada não deve servir pra reprimir camelô; Haddad propõe a integração das três instâncias governamentais pra lidar com a questão do crack (a começar tratando-os como dependentes e não como bandidos como faz a atual administração). O candidato do PT propõe ainda a criação de um comitê gestor que possa fomentar a participação comunitária e a governança corporativa nos bairros e, finalmente, em sua fala e propostas a Segurança Pública é entendida também como prevenção: é preciso  políticas públicas para os jovens, maior participação da sociedade civil nos mecanismos de controle da violência institucional etc.

Eu brincava ontem no twitter que Haddad estava lendo a minha TL, porque quando Serra fazia uma pergunta simplória, as respostas de Haddad carregadas de ironia tornavam para os eleitores ainda mais visíveis a mesmice de José Serra, a repetição de idéias gastas que a população rejeita ou um discurso completamente distante da realidade: uma cidade da propaganda eleitoral.

Em vários outros momentos do debate a comparação foi possível e a diferença entre ambos os projetos políticos ficou bastante nítida. Em educação Haddad deu um show, havia momentos que cheguei a sentir constrangimento por  Serra.

Nas várias críticas que teceu ao governo Marta, o candidato José Serra faltou com a verdade, assim como quando atribuiu problemas no programa de Haddad que não existem. Mas o momento mais impressionante do caminho trilhado por Serra foi afirmar que o “PT é bom de conversa e ruim de administração”.

Pensei na popularidade do presidente Lula quando deixou o governo: mais de 80% e cujo trabalho conseguiu eleger sua sucessora. Dilma que ainda não completou metade do mandato também conta com grande aprovação. Pensei na popularidade de Marta que até hoje me causa espanto ao vê-la abraçada acarinhada, ovacionada nas periferias paulistanas. Quando Marta aparece nos comícios as pessoas gritam seu nome como se fosse pop star. Pensei como temos uma mídia perversa que ajudou a cunhar em Marta um apelido que não tem fundo de verdade fora da classe média do centro expandido que vota em Serra: “Martaxa”. Tal apelido, cunhado na eleição em que disputava com Kassab – o pupilo de Serra -,  foi por causa da taxa do lixo (eu e a imensa maioria dos  paulistanos pagávamos 6 reais mensais) ou seja, quem produzia pouco lixo pagava pouco, quem produzia mais pagava mais para que se desenvolvesse uma política de descarte e reciclagem.

O lixo ainda é um problema gravíssimo em São Paulo, sua coleta, descarte e reciclagem na administração de Kassab virou um verdadeiro horror: os catadores perdem seus galpões (na política de expulsa o pobre das áreas valorizadas pra dar lugar à especulação imobiliária) e a cidade é um grande depósito de lixo a céu aberto.

Nas periferias de São Paulo, Marta é lembrada pelo bilhete único, pelos CEUs, pelos corredores de ônibus que reduziu tempo de viagem. Ninguém em São Mateus, Guaianazes,  São Miguel, Cidade Tiradentes chama Marta de ‘Martaxa’. Quem só lia os jornalões aprendeu a odiar Marta e achar que seu ódio era unânime na cidade.

No debate de ontem Serra traz todo este preconceito contra as administrações petistas, mantras repetidos milhões de vezes pela direita mais reacionária do país. Eu gostaria de ver  Serra  fazer uma visita acompanhado de Kassab nas periferias d extremo sul e extremo leste, por exemplo. Se ele tivesse coragem (a que faltou pra enfrentar o povo do Jardim Romano que ficou mais de dois meses com suas casas embaixo d’agua e ele simplesmente sobrevoou a área), poderíamos comparar com a recepção de Marta e Haddad nos mesmos bairros.

É uma pena que Serra não tenha aceitado o convite de Haddad para discutir propostas sem baixarias. Mas Serra insistia, por exemplo, em associar José Dirceu a Haddad. Mas há como você comparar as propostas dos dois candidatos, lado a lado. Mas não esqueça de rolar a barra na coluna do Haddad porque ele tem muitas propostas para todos temas arrolados, a ponto de dois blogueiros fazerem uma brincadeira com seu adversário: “Serra, o homem sem scroll”

Para finalizar, deixo aqui um vídeo de meu amigo Enio Barroso Filho que sofre muito para se locomover nesta cidade. Ênio que tem uma cadeira motorizada (boa parte dos  cadeirante não têm) mostra o quanto é falacioso o discurso da cidade fictícia das propagandas tucanas (assim como do discurso de Serra ontem no debate em relação à mobilidade e propostas para os de deficientes da cidade). Vale a pena assistir, se indignar e tomar providências, articulando-se para exigir que esta cidade tão desumana para todos, mas especialmente pouco amigável pra crianças, velhos e deficientes físicos, se transforme em algo um pouco mais acessível:

Aqui os recortes que a campanha do Haddad fez do debate na Band:

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Código Florestal: Se Dilma contrariou a bancada ruralista merece uma salva de palmas

outubro 18th, 2012 by mariafro
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Depois da posse da presidenta Dilma nunca mais eu a tinha visto pessoalmente. Sua ida à festa da Folha e outras decisões que considerei desastrosas me fizeram desfiar um monte de críticas a ela, aqui no blog e nas redes sociais.

Aí Dilma não reconhece o governo golpista do Paraguai, trouxe a Venezuela para o Mercosul e declarou apoio a Chavez. Depois não foi à reunião dos golpistas da SIP.

Revi a presidenta no comício de Guaianases e achei o seu discurso melhor que o de Lula e de Haddad.

Agora, a presidenta veta mais nove pontos do Código Florestal, vou ter de concordar com a presidenta fake do twitter:

Dilma contraria bancada ruralista e veta 9 pontos do Código Florestal

Itens beneficiavam grandes proprietários de terra com relação a recomposição de matas ciliares

Folha Online, via Tribuna Hoje

17/10/2012 21:09

Com a justificativa de impedir anistias a desmatadores, a presidente Dilma Rousseff decidiu barrar benefícios que grandes proprietários de terra teriam na recomposição de matas nas beiras de rio.

Após dias de discussões, a presidente decidiu, no limite do prazo previsto em lei, vetar nove pontos aprovados em setembro pelo Congresso nas regras do novo Código Florestal. A decisão da presidente contraria posições da bancada ruralista.

Os pontos derrubados pela presidente serão detalhados na edição de amanhã (19) do “Diário Oficial da União”. Entre eles está o veto à redução de margens de rios a serem reflorestadas em grandes e médias propriedades, e a retomada da proposta original do governo.

Esse era um dos principais pontos de conflito entre o Palácio do Planalto e a bancada ruralista, que conseguiu alterar o texto defendido pelo governo, aliviando o impacto para médios e grandes proprietários.

Para retomar a posição expressa em medida provisória enviada em maio ao Congresso – e que acabou sendo alterada – a presidente assinou um decreto, que também será publicado amanhã. Esse decreto, cuja publicação estava prevista apenas para novembro, já regulamentará as regras do Cadastro Ambiental Rural e do PRA (Programa de Recuperação Ambiental).

A recuperação de áreas desmatadas é condicionante para livrar proprietários rurais de multas.

Outro veto refere-se à possibilidade, defendida por ruralistas, que para efeito de recomposição fosse levado em conta o plantio de árvores frutíferas.

Em entrevista no Palácio do Planalto, após uma última reunião com a presidente Dilma, a ministra Izabella Teixeira (Meio Ambiente) disse que o objetivo dos vetos é preservar um tripé de princípios: “não anistiar, não estimular desmatamentos ilegais e assegurar justiça social”.

Os vetos, segundo a ministra, atingiram “todo e qualquer texto que leve ao desequilíbrio entre ambiental e social”.

É a segunda vez que Dilma usa o poder de veto contra mudanças feitas por parlamentares em texto defendido pelo Planalto. Em maio, a estratégia usada pelo governo foi enviar uma medida provisória reforçando pontos defendidos pelo governo, mas derrubados na primeira discussão no Congresso. Agora, os vetos vieram acompanhados de decreto.

Perguntada se o governo se preocupava com uma reação negativa de parlamentares, Izabella Teixeira disse que o governo “sempre estará aberto ao diálogo com o Congresso”.

O texto do Código Florestal ainda demandará a publicação de outros decretos e portarias ministeriais. No entanto, não há data definida para a regulamentação desses outros pontos.

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#Memória: Governo de SP envia livros que indicam site erótico para aulas em escolas públicas

outubro 17th, 2012 by mariafro
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Vou deixar de lado a distribuição de livros adultos pra crianças do Ciclo I, assim como o péssimo material das cartilhas da Secretaria de Educação do Estado de SP na época em que Serra foi governador. Elas tinha erros gramaticais, mapas com dois Paraguais, imagens preconceituosas e tantos outros problemas apontados pelos educadores ao longo da vigência desse material que além de tudo tirava toda a autonomia dos professores.

Mas já que temos um candidato tão moralista que importou Malafaia para dar uma forcinha em sua campanha, me lembrei deste mico aqui, ocorrido na administração do ‘mais capaz de Serra:

Governo de SP envia livros que indicam site erótico para aulas em escolas públicas
Rafael Sampaio, do R7 
15/09/2010 às 08h13

Colégios bloquearam site, diz secretaria; livro foi usado no ensino médio em 2009 e 2010
http://i2.r7.com/site-porno-em-livro-da-escola-300x225.jpg
Reprodução: Site pornográfico sugerido para aulas de inglês

< id=”r7ad303047744_ad_container”>O governo do Estado de São Paulo distribuiu um livro para alunos de escolas públicas que indicava um site pornográfico como referência para aulas de inglês. O material didático foi usado por estudantes do primeiro ano do ensino médio durante dois anos, em 2009 e 2010.

A obra faz parte do currículo da rede estadual e chegou a ser usado por 645 mil estudantes, segundo Valéria de Souza, coordenadora de estudos e normas pedagógicas da Secretaria Estadual da Educação.

No site, chamado NewsOnline.com, supostas apresentadoras de telejornal vão ficando nuas enquanto apresentam reportagens. A secretaria afirma que na época em que o livro foi entregue às escolas, o endereço remetia a uma página para consulta de jornais e revistas de várias partes do mundo.

O site era usado para exercícios como reescrever reportagens de jornais da Inglaterra e dos EUA, afirma Valéria. Ela ressalta que a secretaria bloqueou o acesso ao site em todos os colégios da rede estadual.

Também foram dadas orientações para os professores que não usem o livro e que usem outros sites que levem a jornais estrangeiros, nas aulas de inglês.

- Pedimos orientação para o MPF [Ministério Público Federal] para saber o que fazer, já que o site [NewsOnline.com] não está hospedado no Brasil. Queremos saber se é possível adotar alguma medida [um processo ou ação na Justiça].

Livro não é reaproveitável

O livro é “consumível”, segundo a coordenadora de normas pedagógicas. Isso significa que ele não está sendo usado para as aulas neste semestre e que será reimpresso para uso em 2011 sem o endereço do site pornográfico. A obra não é reaproveitável pelos alunos, diz Valéria.

- A gente sempre checa o que vai ter ou não que mudar nos livros, quando eles vão ser reimpressos. A gente não imaginava que um site como esses [que remetia a jornais no exterior] pudesse ter mudado tanto.

Ela afirma que o livro faz parte de uma coleção bimestral, e foi usado entre maio e junho tanto em 2009 quanto em 2010. Na época, não foi registrada nenhuma reclamação ou problema com o site em questão.

- Possivelmente o conteúdo inadequado só entrou no ar depois que o livro foi usado. A internet é muito volátil, e foi um episódio infeliz. Ainda bem que isso não aconteceu com materiais [didáticos] que estão sendo usados agora [pelos estudantes].

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