Não à terceirização

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Os Movimentos Sociais estão com Haddad

agosto 13th, 2012 by mariafro
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Resolução política da Consulta Popular sobre a eleição municipal em São Paulo

Consulta Popular.org


Foto: Giane Alvares Movimentos sociais manifestam apoio à candidatura de Fernando Haddad.

O Brasil somente poderá resolver os problemas do povo com a democratização da riqueza, da terra e dos recursos naturais, da cultura e dos meios de comunicação. A Consulta Popular há 15 anos se une aos movimentos populares na luta pela transformação estrutural da sociedade brasileira. A isto chamamos Projeto Popular, cuja concretização, por atacar os fundamentos da dominação burguesa, exige a tomada do poder político pelos trabalhadores

Nessas eleições municipais, a tarefa colocada para as forças do Projeto Popular é derrotar a direita, organizada em torno da candidatura José Serra (PSDB). Dentro do quadro de polarização eleitoral consolidado nos últimos anos, a candidatura de Fernando Haddad (PT) se destaca como a única do campo popular capaz disto.

O PSDB é o partido político que sustenta eleitoral, ideológica e institucionalmente o neoliberalismo no Brasil. No estado e na cidade de São Paulo as gestões tucanas foram contundentemente antipopulares. A nenhum lutador ou lutadora do povo é permitido não enxergar que uma vitória dos setores sociais representados no PSDB é uma derrota da classe trabalhadora, ainda mais pelos contornos nacionais dessa disputa.

Isto por si bastaria. Mas não é só. A candidatura de Fernando Haddad (PT) pode concretamente ajudar as forças populares a se organizarem, a acumularem forças e a obterem conquistas com melhorias reais para a vida das maiorias. Os bons mandatos exercidos pelo PT na cidade de São Paulo — Luíza Erundina (1989-1993) e Marta Suplicy (2001-2005) —, tiveram como eixos do orçamento municipal a periferia da cidade, os espaços públicos e os mais necessitados.

Apesar de todos os limites dessas gestões, essas políticas se refletem no apoio que as massas populares manifestam nas urnas. Muito embora a coordenação da campanha do PT tenha priorizado tempo de TV e alianças que nada agregam politicamente — ao invés de apostar na militância de base popular — o reconhecimento das massas obtido pelos governos Lula, Dilma e, em São Paulo, Erundina e Marta, sustentará a candidatura Haddad nessa disputa.

O poder político e a implementação do Projeto Popular apenas se colocam em jogo nas eleições quando a classe trabalhadora adquire um maior grau de organização, autoconsciência e ativismo. Nessas circunstâncias, os processos eleitorais tendem a espelhar as contradições fundamentais da sociedade. Dois episódios de nossa história o ensinam: o Golpe de 1964 contra o presidente João Goulart e as eleições presidenciais de 1989 entre Lula e Collor.

Enquanto for desfavorável a correlação de forças na sociedade brasileira às transformações estruturais — situação que já perdura há duas décadas —, não se pode esperar das eleições senão que contribuam ou emperrem o processo de acúmulo de forças da classe trabalhadora.

No presente momento, a luta de classes se dá nas eleições no interior e nos termos da disputa entre PSDB e PT — e não entre programas abstratos de conservação ou transformação radical. A classe trabalhadora que vive essa luta dia-a-dia não se perde em purismos de consciência. Essa é a explicação para os resultados negativos obtidos nas urnas por candidaturas sem força real para derrotar o inimigo, muito embora defensoras das idéias socialistas. E o que vale para as urnas, vale para o mandato: o discurso mais ou menos radical de um candidato nas eleições não corresponde ao caráter mais ou menos progressista de um governo, que depende essencialmente da correlação de forças na sociedade e da pressão popular organizada.

A Consulta Popular se soma aos movimentos sociais e a todos os lutadores e lutadoras do povo em uma campanha militante para derrotar José Serra (PSDB) e eleger Fernando Haddad (PT). E confiamos na responsabilidade daquelas organizações companheiras que optaram por candidaturas próprias no primeiro turno: devemos estar juntos para derrotar Serra no segundo turno.

Quanto maior o envolvimento organizado das forças do projeto popular, melhores serão as condições para que essa luta se reflita numa melhoria na balança da correlação de forças contra o nosso inimigo: a burguesia, as elites e seus projetos de submissão, exploração e injustiça.

Pátria livre!
Venceremos!

Agosto de 2012

Conheça aqui o programa de Haddad para humanizar nossa cidade
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Elite de analfabetos funcionais (e de muito mau gosto)

agosto 13th, 2012 by mariafro
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Ontem quando Renato Sorriso apareceu sambando no encerramento das Olimpíadas de Londres, uma série de Bóris Casoys surgiu no twitter escandalizada com um gari do alto de sua vassoura se apresentando em Londres.

Hoje, publiquei um texto do professor Wagner Iglecias: Um gari brasileiro em Londres que trata um pouco desses ‘caboclos incomodados que queriam ser ingleses’.

Ontem vi uma foto do bolo que Cláudia Leitte mandou de presente para o aniversário de seu pai (e que virou notícia!), pergunto-me se o mau gosto tem limite.

Ontem também li socialites falando sobre o que entendem sobre o ‘mensalão’: “[Mensalão] é nordestino querer fazer alguma coisa em São Paulo. Eles têm de ficar lá, em Garanhuns…”, socialites são, ao menos, parte da elite econômica.

Toda essa nossa ‘elite’ exemplificada anteriormente argumenta quase como um mantra que todas as mazelas do país são culpa do ‘povo ignorante’. Bóra analisar a inteligência da elite social brasileira?

 “POVO IGNORANTE”: A inteligência da elite social brasileira

Por Henrique Abel

na edição 706, Observatório da Imprensa

07/08/2012

Um dos preconceitos mais firmemente bem estabelecidos no Brasil é aquele que afirma que a culpa de todos os problemas do país decorre da “ignorância do povo”. A elite social da população brasileira, formada pelas classes A e B, em linhas gerais, está profundamente convencida de que o seu status de elite social lhe concede – como um bônus – também o título de “elite intelectual” do país.

Dentro desse raciocínio, a elite brasileira “chegou lá” não apenas economicamente, mas também no que diz respeito às esferas intelectuais e morais – talvez até espirituais. O país só não vai pra frente, portanto, por causa dessa massa de ignóbeis das classes inferiores. Embora essa ideia preconcebida seja confortável para o ego dos que a sustentam, os fatos insistem em negar a tese do “povo ignorante versus elite inteligente”.

O motivo é simples de entender: em nenhum lugar do mundo, a figura genericamente considerada do “povo” se destaca como iluminada ou genial. Por definição, uma autêntica elite intelectual de um país se destaca, precisamente, por seu contraste com a mediocridade (aí entendida como “relativa ao que é mediano”). Ou seja, não é “o povo” que tem obrigações intelectuais para com a elite social, e sim, justamente o contrário: é preferencialmente entre a elite social e econômica que se espera que surja, como consequência das melhores condições de vida desfrutadas, uma elite intelectual digna do nome.

Analfabetos funcionais

Uma elite social que, intelectualmente, faça jus ao espaço que ocupa na sociedade, não apenas cumpre com o seu papel social de dar algum retorno ao meio que lhe deu as condições para uma vida melhor como, ainda, cumpre o seu papel de servir como exemplo – um exemplo do tipo “estude você também”, e não um exemplo do tipo “lute para poder comprar um automóvel tão caro quanto o meu”.

Tendo isso em mente, torna-se fácil perceber que o problema do Brasil não é que o nosso povo seja “mais ignorante”, pela média, do que a população dos Estados Unidos ou das maiores economias europeias. O problema, isso sim, é que o nosso país ostenta aquela que é talvez a elite social mais ignorante, presunçosa e intelectualmente preguiçosa do mundo, que repele qualquer espécie de intelectualidade autêntica precisamente porque acredita que seu status social lhe confere, automaticamente, o decorrente status de membro da elite intelectual pátria, como se isso fosse uma espécie de título aristocrático.

Nenhum país do mundo tem um povo cujo cidadão médio é extremamente culto e devorador de livros. O problema se dá quando um país tem uma elite social que é extremamente inculta e lê/escreve num nível digno de analfabetismo funcional. Pesquisas recentemente divulgadas dão por conta que apenas 25% dos brasileiros são plenamente alfabetizados, e que o número de analfabetos funcionais entre estudantes universitários é de 38%. A elite social brasileira possivelmente acredita que a totalidade desses 75% de deficientes intelectuais encontra-se abrangida pelas classes C, D e E.

Sem diferença

Será mesmo? Outra pesquisa recentemente divulgada noticiava que o brasileiro lê uma média de cerca de quatro livros por ano. Enquanto os integrantes da Classe C afirmavam ter lido 1,79 livro no último ano, os integrantes da Classe A disseram ter lido 3,6. O número é maior, como naturalmente seria de se esperar, mas a diferença é muita pequena dado o abismo de condições econômicas entre uma classe e outra. Qual é o dado grave que se constata aí? Será que o problema real da formação intelectual do nosso país está no fato de que o cidadão médio lê apenas dois livros por ano? Ou está no fato de que a autodenominada elite intelectual do país lê apenas quatro livros por ano? Vou encerrar o argumento ficando apenas no dado quantitativo, sem adentrar a provocação qualitativa de questionar se, entre esses quatro livros anuais, consta alguma coisa que não sejam os últimos e rasos best-sellers de vitrine, a literatura infanto-juvenil e os livros de dieta e autoajuda.

O que importa é ter a consciência de que o descalabro intelectual brasileiro não reside no fato de que o típico cidadão médio demonstra desinteresse pela vida intelectual e gosta mais de assistir televisão do que de ler livros. Ora, este é o retrato do cidadão médio de qualquer país do mundo, inclusive das economias mais desenvolvidas.

O que é digno de causar espanto é, por exemplo, ver Merval Pereira sendo eleito um imortal da Academia Brasileira de Letras em virtude do “incrível” mérito literário de ter reunido, na forma de livro, uma série de artigos jornalísticos de opinião, escritos por ele ao longo dos anos. Ou seja: dependendo dos círculos sociais que você frequenta, hoje é possível ingressar na Academia Brasileira de Letras meramente escrevendo colunas de opinião em jornais. Podemos sobreviver ao cidadão médio que lê dois livros por ano, mas não estou convencido de que podemos sobreviver a uma suposta elite intelectual que não vê diferença literária entre Moacyr Scliar e Merval Pereira.

“Vão ter que me engolir”

Apenas para referir mais um exemplo (entre tantos) das invejáveis capacidades intelectuais da elite social brasileira: na semana passada, o jornal Folha de S.Paulo noticiou que uma celebridade global havia perdido a compostura no Twitter após sofrer algumas críticas em virtude de um comentário que havia feito na rede social. A vedete, longe de ser uma estrelinha de quinta categoria, é casada com um dos diretores da toda-poderosa Rede Globo.

Bem, imagina-se que uma pessoa tão gloriosamente assentada no topo da cadeia alimentar brasileira certamente daria um excelente exemplo de boa formação intelectual ao se manifestar em público por escrito, não é mesmo? Pois bem, vamos dar uma lida nas sua singelas postagens, conforme referidas na reportagem mencionada:

“Almas penadas, consumidas pela a inveja, o ódio e a maledicência, que se escondem atrás de pseudônimos para destilarem seus venenos. Morram!”

“Só mais uma coisinha! Vão ter que me engolir, também f…-se, vocês são minurias [sic] e minuria [sic] não conta.”

Em quem se espelhar?

Não vou nem entrar no mérito da completa falta de educação dessa pessoa, que parece menos uma rica atriz global do que um valentão de boteco. Vou me ater apenas a dois detalhes. Primeiro: a intelectual do horário nobre da Globo escreve “minoria” com “u”, atestando para além de qualquer dúvida razoável que se encontra fora do grupo dos 25% dos brasileiros plenamente alfabetizados (ela comete o erro duas vezes, descartando qualquer possibilidade de desculpa do tipo “foi erro de digitação”).

Segundo: ela acha que “minorias não contam”, demonstrando, portanto, que ignora completamente as noções mais elementares do que vem a ser um Estado democrático de Direito, ou mesmo o simples conceito de “democracia” na sua acepção contemporânea. Do ponto de vista da consciência de direitos políticos, sociais e de cidadania é, portanto, analfabeta dos pés à cabeça.

Com os ricos e famosos que temos no Brasil, em quem o mítico e achincalhado “homem-médio” poderia mesmo se espelhar?

Referências:

http://www.band.com.br/noticias/educacao/noticia/?id=100000519730

http://oglobo.globo.com/educacao/brasileiro-le-em-media-quatro-livros-por-ano-revela-pesquisa-4436899

http://g1.globo.com/pop-arte/noticia/2011/06/jornalista-merval-pereira-e-eleito-para-academia-brasileira-de-letras.html

http://f5.folha.uol.com.br/celebridades/1120355-mulher-de-diretor-da-globo-se-irrita-e-xinga-muito-no-twitter.shtml

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[Henrique Abel é advogado e mestre em Direito Público]

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No Ar: na #TVForum a discussão do julgamento da AP470

agosto 13th, 2012 by mariafro
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O julgamento do Mensalão e a sua cobertura pela imprensa são os temas do programa da TV Fórum, na Pós TV, desta segunda-feira (13). Mediado por Renato Rovai, editor da Fórum, participam do debate Marcelo Nobre, advogado e ex-conselheiro do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), e Túlio Vianna, professor de Direito Penal da Universidade Federal de Minas Gerais e colunista da Fórum, via Skype.

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Íntegra do Programa de Governo de Fernando Haddad

agosto 13th, 2012 by mariafro
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Hoje, 13/08, Haddad apresentou seu Programa de Governo.

Completo e profundo, como São Paulo precisa, o programa ficou pronto com antecedência suficiente para que seus eleitores leiam, releiam e tenham a certeza de que este é o prefeito capaz que precisamos.

Quer ler o programa de governo de Haddad na íntegra? Veja em http://migre.me/agFMx
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