Maria Frô - ativismo é por aqui

Maria Frô header image 4

Marilena Chaui: Russomanno e Serra representam o populismo e a barbárie

setembro 30th, 2012 by mariafro
Respond

Em debate sobre conservadorismo em São Paulo, filósofa também diz que a maneira como o STF julga o ‘mensalão’ coloca em questão a República

Por: Eduardo Maretti, da Rede Brasil Atual
29/09/2012

Marilena Chaui: Russomanno e Serra representam o populismo e a barbárie

Para Marilena Chaui, é preciso derrotar as forças que impedem o avanço da cidadania (Foto: Ivone Perez)

São Paulo – Os candidatos Celso Russomanno (PRB) e José Serra (PSDB) representam duas vertentes da direita paulista igualmente prejudiciais à democracia, à inclusão e à cidadania, segundo definiu a filósofa Marilena Chaui em debate realizado ontem (28) à noite para discutir “A Política Conservadora na Cidade de São Paulo”. O debate ocorreu no comitê da educadora Selma Rocha, candidata a vereadora pelo PT. Russomanno e Serra são os principais adversários do petista Fernando Haddad na disputa pela prefeitura.

Segundo Chaui, Russomanno simboliza “a forma mais deletéria do populismo, porque é o populismo de extrema direita” de uma cidade “conservadora, excludente e violenta”, enquanto Serra encarnaria “um dos elementos de selvageria e barbárie do estado e da cidade de São Paulo”.

Ela define o candidato do PRB como herdeiro do populismo tradicional de São Paulo, na linhagem de Ademar de Barros e Jânio Quadros. O primeiro foi governador de 1947 a 1951 e de 1963 a 1966. O segundo, governador de 1955 a 1959 e prefeito da capital duas vezes (1953 a 1955 e 1986 a 1989), além de presidente da República por sete meses (de janeiro a agosto de 1961).

Por outro lado, diz Chaui, o candidato tucano representa o que ela chama de projeto hegemônico de PMDB e PSDB, há 30 anos dominando o estado.

“Começou com Montoro, depois Quércia, Fleury, o Covas e o Alckmin. É muito tempo. É curioso que se trata de um partido que chama o PT de totalitário. Eles estão há 30 anos no poder. Se isso é totalitarismo, totalitários são eles”, diz a professora de Filosofia Política e História da Filosofia Moderna da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP.

Para ela, quem se compromete com a cidadania deve entender a gravidade do momento político: “Não podemos admitir nem a conservação no poder dos responsáveis pela barbárie, nem a retomada do processo característico também desta cidade protofascista, que é ter à sua frente figuras do populismo de extrema-direita. É nossa tarefa política, enquanto cidadãos, fazer com que cada um, ao nosso lado, compreenda isso”.

Marilena Chaui considera “uma tarefa libertária” a superação do entrave à cidadania representado pelas duas forças políticas que dominam uma “cidade na qual a violência, seja real, seja imaginada, é a forma da relação social e das relações entre as pessoas – para que a cidade se reconheça numa possibilidade nova”.

Candidatos “novos”

Na sua fala, ela disse ser preciso desfazer a confusão provocada pela ideia de que Russomanno e Fernando Haddad (PT) são os dois candidatos novos na eleição paulistana.

“Tenho insistido em mostrar que, em primeiro lugar, não se pode confundir um rosto que não está identificado ao universo da política com o novo. Mas em segundo lugar, é preciso localizar Russomanno nessa vertente antiga enraizada na cidade de São Paulo, que é a posição política conservadora, autoritária, do populismo de extrema direita”.

Para Marilena, o ex-governador Paulo Maluf, cujo partido (PP) está aliado ao PT não eleições paulistanas, não se enquadra na tradição política representada por Russomanno, mas na do “grande administrador”, que ela identifica com Prestes Maia (prefeito de São Paulo de maio de 1938 a novembro de 1945) e Faria Lima (prefeito de 1965 a 1969). “Afinal, Maluf sempre se apresentou como um engenheiro.”

Para a filósofa, as forças políticas conservadoras transformaram São Paulo em uma cidade que “opera um processo contínuo de expulsão da classe trabalhadora, das classes populares, de qualquer centro no qual o poder público tenha feito intervenção de melhorias urbanas. Se tiver asfalto, luz, água, esgoto, semáforo, você pode contar que a exclusão já está a caminho. E no lugar dela [classe popular] você tem os espigões, essa verticalização absolutamente desgovernada. Nós estamos aqui para propor a ruptura com essas tradições, com essas políticas conservadoras, com o que está sedimentado e nos sufoca, dia a dia”.

Sobre a realidade eleitoral caracterizada hoje pela fuga dos votos tradicionais do PT, das zonas leste e sul da capital, para Celso Russomanno, Marilena Chaui disse à RBA que acha “possível virar isso”. Para ela, é preciso “mostrar à periferia o Bolsa Família, o Minha Casa Minha Vida e todas as políticas sociais que não foram implantadas e que deixam a periferia ao deus-dará”. Em outras palavras, politizar a campanha de Fernando Haddad, o que “acontecerá no segundo turno”, acredita.

Julgamento do mensalão “coloca em questão a República”

No debate, Marilena Chaui falou também sobre o “mensalão”. “Não há dúvida de que ao lado de todas essas questões estruturais, históricas, há um dado de conjuntura que opera na rejeição popular (ao PT). Não na classe média, mas no nível popular, foi a grande operação em torno do ‘mensalão’ que produziu esse resultado [rejeição popular]”, acredita.

Ela criticou o imprensa na cobertura do caso. “Se a gente pega a mídia brasileira, em particular a mídia paulista, houve dois grandes crimes contra a humanidade: Auschwitz e o ‘mensalão’”, afirmou, em referência ao campo de concentração localizado no sul da Polônia que foi um dos maiores símbolos do nazismo. Para ela, o julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF) na atual conjuntura foi “uma armação para coincidir com as eleições”.

De acordo com ela, se a República é constituída de três poderes, Executivo, Legislativo e Judiciário, a atuação do STF ultrapassou o limite: “o fato de que o poder Judiciário faça isso coloca em questão o que é a República. Alguém tem que erguer a voz e dizer que o Judiciário está fazendo com que a gente ponha em questão se este país é ou não uma República”.

____________
Publicidade

Tags:   · · · · · · No Comments.

Suzana Singer sugere que colunistas da Folha assumam suas ideologias. Isso seria ao menos mais honesto

setembro 30th, 2012 by mariafro
Respond

Suzana está sendo otimista em sugerir apenas aos colunistas, como se os jornalistas não fizessem o mesmo. É duro ver um Fernando Rodrigues desesperado com a queda de Serra tentando de tudo para ver o seu candidato no segundo turno… Não é mole ver o tucano serrista Dimenstein posar de ‘neutro’ ou um Josias ‘Misógino’ de Souza (que já associou a foto de Marta e Dilma ao termo ‘vagabundas’) e tantos outros nos tratando como se fôssemos estúpidos.

O partidarismo da Folha não é surpresa para ninguém, assim algo chama muito atenção além das grosserias sexistas de Bárbara Gancia: o baixo nível da cobertura ‘jornalística’ esportiva, impressionante, mas a julgar pelo que foi destacado pela ombudsman ele consegue ser pior que a cobertura política que é sofrível!

Leia também: Humor: Palestra do editor da Folha com o tema: “independência e apartidarismo no jornalismo político”

Colunista vota em branco?
Por SUZANA SINGER – ombudsman@uol.com.br @folha_ombudsman via Conteúdo Livre

Folha busca apartidarismo em textos de opinião, mas o melhor é expor leitores a opiniões divergentes

Com O início do horário eleitoral gratuito, o editor-executivo da Folha repassou comunicado lembrando a importância da neutralidade política, inclusive nos espaços de opinião. “O princípio do apartidarismo da Folha deve ser observado também nas colunas e nos blogs. Textos que façam proselitismo eleitoral ou tragam declaração de voto podem ser acomodados em Tendências/Debates, mas devem ser evitados em outros lugares”, diz o aviso.

A diretriz parece impossível de ser seguida à risca. Na semana passada, pela segunda vez, o Painel do Leitor publicou reclamação do assessor de campanha do PSDB contra o professor da USP Vladimir Safatle, que escreve às terças-feiras.

Para o tucano, Safatle não tem isenção para criticar José Serra porque ajudou a elaborar o plano de governo de Fernando Haddad. O colunista respondeu que nunca teve relações formais de trabalho com o PT, só ajudou na formulação de propostas para a área de cultura.

De fato, faltou transparência a Safatle quando, em 21 de agosto, escreveu o texto “Sem planos”, em que dizia que apenas Haddad tem um “programa de remodelagem da estrutura urbana de São Paulo”. Ele deveria ter informado os leitores de sua participação, mesmo que não tenha sido central, na campanha petista. Isso, porém, não o desqualifica para falar de Serra, como quer fazer crer o assessor tucano.

Algumas colunas de Gilberto Dimenstein sobre a eleição poderiam ser facilmente encaixadas em “proselitismo político”. Ele criticou todas as campanhas, mas qualificou a de Celso Russomanno de “enganosa” e “primária”. Pensando no segundo turno, fez um apelo: “Será que um petista com um mínimo de seriedade acha que seria melhor para a cidade ser governada por Russomanno do que por Serra? Ou um tucano admitiria que Haddad é pior do que o candidato do PRB?”

Um jornal que estivesse realmente empenhado em afastar catequeses políticas não teria espaços fixos para Aécio Neves ou Marta Suplicy, que deixou de ser colunista recentemente porque ganhou um cargo executivo. Seria mais realista assumir que é praticamente impossível eliminar simpatias (ou antipatias) partidárias dos artigos e permitir que colunistas assumam seus votos e preferências abertamente.

O equilíbrio vem da diversidade da “fauna”, da presença de representantes de diferentes pontos de vista. Está em abrigar, ao mesmo tempo, Marina Silva e Kátia Abreu. Em publicar que “é evidente que Lula não podia ignorar o mensalão porque não se tratava de uma questão secundária de seu governo” (Ferreira Gullar) e também que “parte da mídia tenta destruir a imagem de Lula ignorando o grande avanço social e econômico por ele produzido” (Delfim Netto).
COMPOSTURA NO TWITTER

As réplicas desaforadas de Barbara Gancia aos leitores renderam, por muitos anos, uma coluna na antiga “Revista da Folha” (“Barbara responde”). Os impropérios da jornalista eram divertidos, os remetentes caprichavam nas provocações para terem suas cartas escolhidas.

Na quinta-feira passada, o desaforo passou do limite da civilidade. Um tuíte malcriado da campanha de Soninha Francine recebeu uma resposta ainda pior:

PPS São Paulo: Sabatina teve Barbara Gancia atacando Soninha Francine e Celso Russomanno e lambendo as botas de José Serra e Fernando Haddad. VERGONHA!

Barbara Gancia: Vc me acusa de lamber botas. Já a sua candidata parece q lambe outras partes de candidato, né? Conta pra gente!
É um exemplo perfeito de como as redes sociais dão a impressão de que tudo é permitido e, em 140 caracteres, perde-se a compostura.

Reprodução

Na cruz

Mexer com símbolos religiosos é sempre polêmico. Cartuns com Maomé criaram problemas sérios nos países muçulmanos e, por aqui, a CNBB criticou a capa da “Placar” com Neymar crucificado por “ridicularizar a fé” com “mera finalidade comercial”. Se a ideia era provocar, ponto para a revista

COMO IRRITAR UM SÃO-PAULINO

A Folha cometeu duas faltas contra a torcida do São Paulo na semana passada. A capa de “Esporte” de segunda-feira afirmava que a recepção de Ganso tinha sido “morna”. Os leitores reagiram, lembrando que havia 40 mil pessoas numa tarde fria no Morumbi, boa parte mais interessada no novo jogador do que na partida contra o Cruzeiro.

No dia seguinte, a segunda mancada foi no site, com o título “Lucas diz que já enturmou Ganso ao ‘alegre’ ambiente do São Paulo”. O adjetivo foi pinçado da frase do meia-atacante: “Já enturmei ele com a rapaziada do time, o ambiente é muito alegre no São Paulo”. “Homofobia”, “molecagem”, “ironia de quinta”, “não parece jornal sério”, disseram, com razão, os torcedores.

O editor de “Esporte”, Alexandre Nobeschi, reconhece erro em ambos os casos. Ele foi ao Morumbi como torcedor e não concorda com a avaliação do seu repórter. “Estava na arquibancada e vi muita animação ao redor”, conta.

Sobre o título jocoso, o editor lamenta e diz que mandou alterá-lo.

____________
Publicidade

Tags:   · · 2 Comments

Denúncia: Rogério Herlon: Folha permite comentários de conotações racistas em suas redes sociais

setembro 30th, 2012 by mariafro
Respond

Reproduzo o mail do leitor Rogério Herlon e oriento os demais leitores que desejarem formular a denúncia sobre este caso ou outros que encontrarem que as denúncias podem ser feitas pela Safernet: http://www.safernet.org.br/site/denunciar e também na Polícia Federal: http://www.dpf.gov.br/simba/fale-conosco/denuncias  http://denuncia.pf.gov.br/

Olá Conceição, tudo bem?

Sou assíduo do seu blog e gostaria de compartilhar meu sentimento de revolta e indignação diante de um comentário preconceituoso proferido por um leitor da Folha de São Paulo após uma reportagem publicada no Facebook do jornal, intitulada “Ao lado de ministro, Carlinhos Brown apresenta a ‘caxirola’, a vuvuzela brasileira”. A reportagem é de hoje, 27 de setembro de 2012 (http://www1.folha.uol.com.br/esporte/1160092-ao-lado-de-ministro-carlinhos-brown-apresenta-a-caxirola-a-vuvuzela-brasileira.shtml).

Pois bem, hoje à noite, após chegar em casa, entrei no facebook e comecei a ler, interagir e postar, como de costume. Vi que um amigo meu tinha curtido uma notícia da Folha e fui dar uma olhada…Logo na primeira parte dos comentários, dei de cara com a seguinte frase “macaco tem que se escravizado”, escrita exatamente assim. Olhei, olhei, e depois de um momento de inércia, comentei, no reservado, com o amigo que tinha curtido a notícia. Ele, também perplexo, havia lido a reportagem, mas não atentara para os comentários.

Pois bem, resolvi compartilhar e pedir orientação sobre como denunciar o cidadão por crime de ódio pela internet. Sei que existe um canal de comunicação da Polícia Federal exatamente pra isso, no entanto, gostaria que você, se pudesse, divulgasse ou me colocasse em contato com alguma organização ou movimento atuante neste sentido para que a denúncia fosse feita de modo mais formal, digamos assim.

Dei um print da página e do comentário e envio como anexo, ok?>

Obrigado e um abraço.

Facebook da Folha: https://www.facebook.com/folhadesp?ref=ts

Perfil do autor do comentário racista (Renner Rodrigues, de Manaus – AM): https://www.facebook.com/renner.imoveisonline?ref=ts


Clique na imagem para ampliá-la
______________
Publicidade

Tags:   · · · · · 1 Comment

A declaração de voto do escritor Fernando Morais

setembro 30th, 2012 by mariafro
Respond

Ontem, no jantar em homenagem aos 80 anos de Mauro Santayana oferecido por Georgia e Paulo Henrique, tive o prazer de encontrar também Fernando Morais.

Quando estava de saída ouvi sua declaração de voto e não resisti em fazer o registro, segue, ela é bem humorada como é o escritor:

Publicidade

Tags:   · · · · · · · · · 1 Comment