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Adriano Diogo: 50 anos do golpe Lembranças de arrepios e lágrimas

março 22nd, 2014 by mariafro
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Azenha cobriu a Marcha de resistência aos golpistas em resposta aqueles que não aceitam o jogo democrático e querem reeditar o horror iniciado em 1964 e que atrasou o país durante décadas. Na Marcha anti-golpista, pedido por frente única de esquerda com movimentos populares.

Abaixo o texto do deputado Adriano Diogo, presidente da Comissão da Verdade em São Paulo. Quem sabe ao lê-lo esse bando de abestados veja um pouco de luz aos abestados que saíram hoje às ruas pedindo golpe militar.

Especial – 50 anos do golpe

Lembranças de arrepios e lágrimas

Por: Adriano Diogo, Carta Capital

20/03/2014

Presidente da Comissão da Verdade do Estado de São Paulo “Rubens Paiva”, Adriano Diogo lembra como foi arrastado por homens à paisana, algemado sem roupa e torturado a caminho da prisão

No dia 30 de março de 1964, eu tinha acabado de fazer 15 anos. O rádio anunciava plantões dia e noite. Eu sabia que a situação era péssima. Depois do comício da Central do Brasil, que ouvi na íntegra a fala do presidente João Goulart, a perseguição começou de uma forma impressionante, amedrontando a todos. Eu morava na Mooca, um bairro de italianos e espanhóis operários. Todos os dias, atravessava as fábricas para chegar à escola. Estudava no Colégio Estadual Antônio Firmino de Proença, onde também participava do Grêmio estudantil. O diretor da Escola, o coronel Alfredo Gomes, não me via com bons olhos. E o professor de geografia, coronel Silvio Correia de Andrade, também chefe da Polícia Federal em São Paulo, não me suportava. Desde que participei da organização dos jogos Pan Americanos, em agosto de 1963, comecei a ser perseguido.

No dia do Golpe, na terça-feira 31 de Março, eu estava indo de ônibus para a escola quando o mesmo foi interceptado. Paramos na Avenida Presidente Wilson, a avenida das fábricas, da Arno, das grandes metalúrgicas. Descemos ali e continuei a pé por quase meia hora até o meu colégio, que ficava próximo ao Parque Dom Pedro. O que eu vi foi uma barbaridade, gente sendo presa aos montões. Eram cerca de seis horas da manhã. As pessoas começaram a ser presas na porta de seus trabalhos. Quando cheguei na escola, ela estava fechada. Então me juntei a outros colegas e fomos até o Sindicato dos Metalúrgicos, na Rua do Carmo, para ver como as coisas estavam. O sindicato havia sido tomado, tudo totalmente cercado. Foi aí que entendemos a gravidade do momento. No dia seguinte, já não pude mais entrar na escola. Eu havia sido suspenso por 15 dias e, depois, fui expulso, sem saber como explicar para a minha mãe. Ela não se conformava com a notícia. Para o meu pai era a maior vergonha de sua vida.

Meu pai tinha um pequeno restaurante próximo à Praça da República. No local, era comum a freqüência de diversas pessoas, mas aqui me lembro fortemente do pessoal de direita da Faculdade de Direito do Largo São Francisco (USP). Nas proximidades havia também como polo da direita o conglomerado de jornais de Assis Chateaubriand. Na porta dos Diários dos Associados, havia a campanha “Ouro Para o Bem do Brasil”, na qual faziam uma espécie de pedágio, com as pessoas doando joias, alianças, anéis e brincos para o governo lutar contra o comunismo e pagar a dívida externa. Era esse o clima. Enquanto isso, quando fui transferido de escola, comecei a estudar à noite e trabalhar durante o dia. Mesmo assim, resolvi tirar um tempo e ir saber na outra escola o motivo da minha expulsão. Eu já sabia que dois professores, coronéis da polícia, não gostavam de mim. Minha participação nas atividades esportivas, tudo virou álibi contra mim. Minha ficha já estava suja e eu só tinha 15 anos.

Nas semanas subsequentes ao golpe, as pessoas continuaram sendo presas em casa sem formação de culpa. Eu não sabia como justificar para minha mãe e pai o motivo de eu ter sido expulso da escola e de ser considerado subversivo, já que nem eu sabia direito o significado dessa palavra. Tive que seguir e aprender sozinho o caminho das pedras. Nunca mais parei. Eu era apenas um jovem estudioso que gostava de política e me interessava pela independência do Brasil. Dentro do golpe, sofremos outro golpe, que foi o Ato Institucional nº 5 de 1968. Neste período, eu estava saindo do colegial e entrando na Universidade. Já estava com 19 anos e passei praticamente o tempo todo na Rua Maria Antônia. Eu organizava sessões de teatro e cinema e fazia cursinho pré-vestibular.

Os grupos que se encontravam na Maria Antonia decidiram apoiar a greve que estava sendo preparada em Osasco. Recordo-me que pelo menos mil estudantes foram para a preparação com antecedência de 15 dias. Nas casas, nas estações de trem, nas ruas, de bairro em bairro, fizemos ações distribuindo panfletos para conversar com a população, inclusive com as famílias dos operários. Muitas vezes tivemos que dormir no sindicato, pois passávamos horas conversando com os trabalhadores para entender o que era greve. Quando chegou o grande dia, ajudamos a organizar piquetes nas portas das fábricas. A greve, que ficou conhecida como Greve da Cobrasma, foi deflagrada no dia 16 de julho de 1968. Diversas fábricas aderiram e assumimos o papel de sair pela cidade por uma campanha de solidariedade nas ruas, pois houve enorme repressão aos trabalhadores em greve. Muitos ficaram presos e foram brutalmente torturados no Dops de São Paulo. Em 1969, consegui ingressar no curso de Geologia da USP. Eu não fazia ideia de que lá era o grande núcleo de resistência da dissidência do partido comunista, que depois virou a Ação Libertadora Nacional (ALN). Entre tantos amigos, lá estavam os companheiros Alexandre Vannucchi Leme e Ronaldo Mouth Queiroz. Com eles dividi grandes momentos nas atividades do curso de Geologia e no nosso inevitável envolvimento na luta contra a Ditadura instalada nesse país.

Acho que naquele momento não havia outra escolha. Na USP, assumi o papel de envolver pessoas nas atividades culturais que envolviam conscientização política. Andava pelos diversos centros acadêmicos, inclusive em outras faculdades, e fazia a pontes com nossos grandes grupos de teatro. Ajudei a organizar o Teatro Jornal. Na época, os jornais estavam sob censura e conseguíamos ter acesso ao que não era publicado e difundíamos nas peças teatrais as informações. Muitos companheiros estavam sendo presos e desaparecendo e a ditadura fazia isso, mas impedia que isso fosse sabido. Por isso, mesmo esse trabalho cultural de mobilizar pessoas para acompanhar as atividades era arriscado.

Aos poucos, muitas pessoas, inclusive próximas a mim, precisaram se esconder, vivendo clandestinamente, até que muitas delas foram presas. Minha hora estava chegando e eu sequer percebia isso, tamanho era nosso envolvimento nas atividades. Eu estava preparando a recepção dos calouros junto à organização do movimento estudantil da USP em 1973. Era algo grande, espetacular. Eu cheguei a ir para Diamantina em janeiro para fazer estágio de campo, fiquei o mês todo trabalhando. Voltei para São Paulo e para mim estava tudo tranquilo. Até que estranhos sinais na minha rua indicavam uma vigília na minha casa. Eu tinha acabado de me casar, fiquei com minha mulher pensando que deveríamos fugir, chegamos a fazer as malas, mas na verdade sequer tínhamos para onde ir. Neste dia, 17 de março, um sábado, eu estava tomando banho. Sai às pressas para atender a campainha que tocava insistentemente. Era hora do almoço. Ao abrir, policiais já vieram para cima com violência, fui arrastado por homens que estavam à paisana, enquanto outros saqueavam todo o apartamento, roubando tudo que tínhamos acabado de ganhar no casamento. Pegaram minha esposa, Arlete Lopes, nos jogaram no carro, fui algemado, sem roupa e apanhando já no caminho. Eram muitos homens que estavam nesse dia e, entre eles, estava o torturador Dirceu Gravina. Fomos levados para a Rua Tutóia, nº 921, onde funcionava o DOI-Codi de São Paulo. Quando cheguei ao pátio, o major Carlos Alberto Brilhante Ustra disse para mim: “Acabo de matar aquele filho da puta do ‘Minhoca’, o Alexandre Vannucchi Leme, mandei para a vanguarda popular celestial. Morreu naquela cela, ele estrebuchou.” Tirou um revólver da gaveta a disse: “Tá vendo isso aqui? Isso aqui é um Magnum. Vou te mandar para o mesmo lugar!” Em seguida, o major comandou pessoalmente minha tortura dando ordens aos policiais que estavam ali.

Alexandre Vannucchi havia acabado de morrer na pequena sala a qual eu fui levado. Vi pessoas lavando o local, puxando com um rodo o sangue do meu amigo e a partir dali era eu que estava sofrendo torturas. Enquanto me torturavam com choques ou no pau de arara, me perguntavam sobre os pontos, sobre a ALN, sobre as armas, sobre as ações, sobre um monte de nomes que eu nem conhecia. Me perguntaram sobre o Queiroz incisivamente, por conta da sua importante hierarquia na organização. Estavam atrás dele para matar como fizeram com o Alexandre. Foram 90 dias apanhando direto e depois jogado em uma solitária, sem a luz do dia e completamente nu. Dos nomes que perguntaram conhecia apenas o Queiroz e o Alexandre. Não sabia sobre armas e qualquer outra coisa, pois meu trabalho era no movimento estudantil. Recordo do ódio que Ustra ficou pela realização da missa de 7º dia do Alexandre. O major tirou todos nós das celas berrando contra Dom Paulo Evaristo Arns. “Aquela bicha louca”, gritava. Apanhamos ferozmente. Depois ainda fui levado para o Dops e vi o Edgar Aquino Duarte, desaparecido até hoje.

Mais de 40 anos depois, essas lembranças ainda causam arrepios e lágrimas silenciosas. Já vamos completar 50 anos do golpe e sigo lutando junto com outros companheiros na Comissão da Verdade do Estado de São Paulo “Rubens Paiva” para que as gerações conheçam esse passado. Somente entendendo o que aconteceu poderemos promover a democracia com que sonhamos e queremos consolidar.

*Adriano Diogo é ex-preso político, foi militante da Ação Libertadora Nacional (ALN). Saiu da prisão em 1975 dedicando-se à carreira política, primeiro como vereador e atualmente como deputado estadual (PT) e presidente da Comissão da Verdade do Estado de São Paulo “Rubens Paiva” na Alesp. Seu texto faz parte de uma série de artigos que o site de CartaCapital publica sobre os 50 anos do golpe-civil militar de 1964
50 anos não é tanto tempo assimRetorno àqueles dias “mal-ditos”45 anos de um lento acender de luzes…
A ditadura vista da escola: uma memória

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Para #coxinhadejaleco a médica cubana deveria negar socorro à vitima, mas ela é MÉDICA e jurou salvar vidas

março 22nd, 2014 by mariafro
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Em novembro de 2013 discutimos neste blog como os #coxinhadejaleco ignoram por completo a ética médica e buscam a todo custo desqualificar o Mais Médicos mesmo que, sem estarem calcados nos fatos, exponham seus colegas. Foi o caso do médico cubano Isoel que participa do programa Mais Médicos em Feira de Santana (BA).

Ele foi acusado por seus pares, exposto, humilhado publicamente. Foi afastado para averiguação e depois se provou que ele não havia cometido erro e que havia orientado a mãe da criança corretamente: Médico cubano não receitou dose excessiva e volta a trabalhar segunda, diz prefeitura de Feira de Santana.

A mãe da criança, inclusive acusou as médicas do posto de agirem de má-fé: “Meu filho melhorou logo graças ao médico. Queremos o médico de volta, passamos mais de 2 meses sem médico e agora inventam coisa para tirar o médico daqui”.

Com o restabelecimento da verdade, a manifestação da mãe da criança e a mobilização da população atendida pelo posto integralmente ao lado do médico, porque bastou um médico comprometido com a saúde pública agir em benefício da população pra ela avaliar a diferença entre médicos verdadeiros, estrangeiros ou não, e os #coxinhasdejaleco só comprometidos com o seu corporativismo.

Isoel voltou a atender e a população continua satisfeita.

O caso recente da médica cubana,  Aliúska Alarcon, em Santa Catarina, que atendeu piloto em arrancadão lembra muito este caso.

O CREMESC denuncia a médica, mas a secretária de saúde a inocenta.

Secretária diz que médica cubana não trabalhou em arrancadão

Matéria do G1 SC  informou que a Secretaria de Saúde de Balneário Arroio do Silva divulgou nota em defesa da médica cubana do ‘Mais Médicos’ suspeita de ter trabalhado em uma empresa privada durante a 24ª Arrancada Internacional de Caminhões. Segundo a Secretária, a profissional não foi contratada por empresa privada e só estava prestigiando o evento.

Leia a íntegra:

A Secretaria de Saúde de Balneário Arroio do Silva, Sul catarinense, divulgou nota em defesa da médica cubana do programa ‘Mais Médicos’ suspeita de ter trabalhado em uma empresa privada durante a 24ª Arrancada Internacional de Caminhões. O evento ocorreu no último final de semana e terminou com a morte de um piloto, na tarde de domingo (16).

Edson Beber, de 46 anos, morreu durante a competição ao capotar, logo após cruzar a linha de chegada da prova, que ocorria em uma praia do município. Médicos da região denunciaram à delegacia de Araranguá do Conselho Regional de Medicina (Cremesc) terça-feira (18) à noite, que a profissional do Programa Mais Médicos teria auxiliado no socorro à vitima pois estaria trabalhando para uma empresa privada, o que é proibido por contrato do programa do Governo Federal.

A médica clínica geral atua na Unidade Básica Paulo Lupinn, desde 6 de dezembro de 2013, pelo Programa Mais Médicos Para o Brasil. Em nota, a Secretária de Saúde Patricia Paladini, afirmou que Aliuska Guerra Alarcon não foi contratada “por nenhum órgão privado”. Segundo o texto encaminhado à imprensa, a médica era expectadora do evento e teria ido prestigiar a competição na sexta-feira (14) e domingo (16).

De acordo com a informação do órgão municipal, a profissional estrangeira informou que a roupa da empresa contratada foi “utilizada somente no sábado (15) quando visitou e observou o trabalho dos profissionais de saúde que atuavam na pista”. Conforme a informação da secretária, ela teria retirado o uniforme após a dona da equipe responsável pelo atendimento médico informar que ele era exclusivo dos funcionários da empresa.

Patricia Paladini destacou ainda que a profissional foi autorizada a acompanhar os trabalhos da equipe médica e também visitou diferentes espaços do evento, pois teve acesso liberado pela Comissão Organizadora.

“No momento do acidente, a doutora Aliuska estava próxima do local e acabou ajudando a socorrer a vítima, sendo dito por ela mesma, após as denúncias, que diante da situação ‘não poderia omitir socorro e que jamais pensaria que poderia ser prejudicada por ter sido humana’”, destaca a nota que é finalizada com elogios à atuação e atenção aos pacientes da médica.

Abaixo a versão da médica que o Globo não fez questão de ouvir.  Aguardemos as investigações do Ministério da Saúde. Mas fique a questão: quando os #coxinhasdejaleco vão reconhecer que este jogo baixo só piora a própria imagem dos médicos brasileiros? Quando reconhecerão o que o mundo todo reconhece, a excelência da medicina de atenção básica e saúde da família feita pelos médicos cubanos?

“Eu sou médica e jurei salvar vidas”, diz médica cubana que atendeu piloto morto em arracandão no Sul de SC

Médica disse que estava em evento para conhecer e acabou participando do socorro à vítima. Foto: Jessé Giotti / Agencia RBS

Diário de Santa Catarina

Em Balneário Arroio do Silva, no Litoral Sul do Estado, o clima é de tensão. Moradores da cidade com pouco mais de 10 mil habitantes estão apreensivos quanto ao futuro profissional da médica cubana Aliúska Guerra Alarcon, 34 anos. No domingo, ela fez o atendimento ao piloto de caminhões Edson Beber durante a XXIV Arrancada Internacional de Caminhões. Segundo Aliúska, ela não estava a trabalho, conforme denúncia de 12 médicos ao Conselho Regional de Medicina (Cremesc), mas tentou sim prestar socorro à vitima que morreu no local. Como profissional do Mais Médicos, ela não poderia trabalhar fora do posto de saúde. A ação de Aliúska também está sendo investigada pelo Ministério da Saúde.

Na pastelaria, no posto de saúde e por todos os locais o comentário geral é sobre o fato. Moradores não querem perder a médica. Se mostram satisfeitos com o trabalho que realiza no posto de saúde. Estão solidários a ela em relação às acusações.

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Enquete machista do IG indigna leitora

março 21st, 2014 by mariafro
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Após dezenas de marchas das vadias no Brasil e no mundo, e outras manifestações das mulheres para denunciar a violência contra nós e o discurso cínico machista que joga a responsabilidade das agressões sofridas pelas mulheres cometidas pelos homens, o IG sai com esta enquete sexista e de novo reforça o discurso hegemônico masculino que a mulher violentada é responsável pela violência devido às roupas que usa.

O detalhe pra  a foto escolhida do policial compõe o resto do show de horror.

A sugestão é de Patrícia Antunes Pires que fez o print abaixo:

De acordo com Patrícia: “A enquete começou com o tema dos assédios nos trens e ficou até a parte da manhã. A pergunta era: Qual a solução para abusos cometidos contra as mulheres no transporte público ? E as opções de escolha eram: ROUPAS MENOS OUSADAS/ MAIS SEGURANÇA/ ÁREAS OU VAGÕES EXCLUSIVOS. 

Depois dos bombardeios de emails criticando a enquete e de quase 5 mil pessoas terem participado da votação o IG se justifica: “a enquete serve para evidenciar o pensamento machista que, lamentamos muito, mas predomina na sociedade, conforme revela a votação.”

Patrícia não se convenceu: “O conserto ficou pior que o rasgo, o IG acha que simplesmente tirar a enquete,  beleza, tá resolvido. Não está não!” E pergunta indgnada e com toda razão: “Até quando teremos de fazer patrulhamento da roupa que vestimos? Até quando teremos de aceitar outros tantos rótulos? Até quando este pensamento machista que resume tudo em “NÓS” somos culpadas prevalecerá?”

Até quando, IG?

 

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Bob Fernandes: “Marcha da Família Alienada” é ópera bufa

março 18th, 2014 by mariafro
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Bob Fernandes pegou leve com este bando de idiotas, alienados, irresponsáveis, desumanos e de má-fé que insistem em fazer revisionismo da Ditadura Militar, do Estado de exceção que prendeu, exilou, torturou e matou inimigos políticos.

Os que foram torturados, mortos, presos, silenciados e exilados pra que estas bestas feras tivessem liberdade de expressar tanta tosquice não merecem 50 anos depois que presenciemos tanta bobagem.

Que esses infelizes se recolham à sua ignorância e à sua insignificância.

O Brasil tem ainda muitos problemas, mas aprendeu o valor da liberdade e não deixará mais que a força bruta nos cale.

Daqui duas semanas, os 50 anos do golpe militar que enterrou o Brasil numa ditadura de 21 anos.

Num país em que 55 milhões de pessoas usam internet há espaço para dizer e acreditar no que se quiser.

Mesmo que seja algo sem pé e, principalmente, sem cabeça. Há quem, no próximo sábado, pretenda reeditar em 200 cidades a “Marcha da Família com Deus”.

Em 64, tal “Marcha” foi uma das muitas senhas para o golpe e a instalação da ditadura.

Por ser democrática, a internet permite que nas redes sociais trafegue, também, muita desinformação. Muita mentira. E uma burrice que galopa.

A Folha de S. Paulo cita uma organizadora da “Marcha” de agora, Cristiana Peviani, 51 anos. A senhora Peviani resume e simboliza essa ópera bufa.

A nova marchadora diz “não saber” se houve tortura na ditadura. E comete uma frase que escancara até onde pode chegar o ignorar e a incapacidade para cognição. Disse ela:

-O pessoal que diz que foi torturado está tão forte, tão gordo, tão bonito. Eu vi lá na Comissão (da Verdade, de São Paulo) que eles não tinham nem uma marquinha…

“Marquinha” de tortura. E isso na semana em que se noticiou: depois de torturado e morto, os restos mortais de Rubens Paiva teriam sido desenterrados e jogados no mar.

Com a senhora Peviani estão, por ora, umas 3 mil pessoas. Todas marchando… no facebook. Elas creem, ou dizem crer, que há um “golpe comunista” sendo planejado no Brasil.

Desinformação, mentira, má fé ou incapacidade de raciocínio: isso, é claro, pode ser encontrado em todo o espectro da política e do debate político.

Nas redes sociais, mais do que crítica política, Aécio Neves tem sido vítima de ataques dirigidos à sua pessoa.

Aécio erra se tentar interditar posts na internet. Erro tático, por não ser possível “apagar” milhares de posts; e a notícia sobre a ação multiplica ainda mais o boato.

Mas é obrigatório dizer: quem espalha boato que não se pode provar como fato comete crime de difamação e injúria. É o caso de boa parte dos ataques contra Aécio.

Muitos dos que espalham boatos contra Aécio se revoltam quando a boataria mentirosa é contra, por exemplo, Lula e sua família, e outros. Isso não é política, é esgoto.

Lula e família têm acionado detratores na justiça, e é lá que eles devem pagar. O mesmo deve fazer Aécio Neves.

Assim como a liberdade é uma característica das redes sociais, também o é o anonimato covarde. E esse lixo costuma preencher o vácuo, onde não há ideias.

Mentiras, má fé, o ignorar e a incapacidade de pensar. Dessa alquimia brotam marchadoras e marchadores. E essa ridícula tentativa de reeditar a “Marcha da Família Alienada…”

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